14 julho 2007

Misses moçamedenses: Ana Paula Carvalho (Paula Turra), eleita "Miss" Jovem Internacional, no Japão, em 1972.


Ana Paula Carvalho (Paula Turra) eleita "Miss" Jovem Internacional, no Japão
 
Se em 1971 foi Riquita (Celmira Bauleth), a menina bonita que após ter conquistado o título de "Miss" Angola, tornou-se, sem contestação, Miss Portugal,  a proeza repetiu-se, em parte, em 1972, com a eleição de Maria de Lurdes Pinto, "Miss Angola", tendo por "Damas de Honor", Ana Paula Carvalho (Paula Turra) e Maria Lídia Ferreira. Ana Paula Carvalho foi eleita Miss Jovem Internacional, e Lidia Ferreira, "Miss" Imprensa.
 

 
AS GAROTAS DO MAR

Todos ficaram sabendo
que assim mesmo é que isto é,
contra as garotas do Mar
é remar contra a maré...

Vencemos em toda a linha!
Foi vitória das mais lindas,
pois nós ganhamos a todas,
Preciosas, Caraslindas...

Contra o que muitos pensavam
nós vencemos o despique,
pois entre ondas de beleza
não podemos ir a pique.

Que as moças iam vencer
era aqui por nós sabido,
pois o Namibe jamais
em beleza foi vencido!

Ninguém nos pode tirar,
cá nesta terra angolana
no campeonato das lindas
a posição soberana.

Todos queriam com bairrismo,
do fundo do coração,
neste Concurso famoso,
a bela repetição.

Lurdes tu és segunda
(Riquita foi a primeira)
e as Miragens do Deserto
hão-de indicar a terceira.

Em loucura colectiva,
no momento final,
a alegria sem limites
dominou a Areal.

Muitos cortejos de carros!
Bancos, pretos... Da cama,
homens, mulher's, crianças,
vêm pr'a rua de pijama!

As Welwistchias ajudaram,
com mil palmas prazenteiras,
que deram com frenezi,
as mil palmas das palmeiras!

E o bom Mar que é nosso Amigo,
em vozes portentosas,
bradou logo o mundo inteiro:
-São nossas as mais formosas!

(Autor desconhecido)

Ver também AQUI
Créditos de imagem: Sanzalangola (LaySilva)
 Sessão fotográfica no Japão

Na Polinésia
Ana Paula Carvalho, elegante e bela foi, com todo o mérito, eleita "Miss" Jovem Internacional. Aqui podemo-la vêr, ao centro, entre outras concorrentes


Maria de Lurdes Pinto, "Miss Angola", tendo por "Damas de Honor", Ana Paula Carvalho (Paula Turra), à esquerda e Maria Lídia Ferreira.
 
Ana Paula Carvalho (Paula Turra) desfilando em Luanda

Ana Paula Carvalho (Paula Turra) desfilando em Luanda com as
tradicionais vestes de mucubal. Moçâmedes dava mais uma vez à Metrópole e ao Mundoa a existência  no sul Angola, em pleno século XX, de um sistema tribal resistente à integração

O beijo paterno da vitória. À dt. Lurdes Pinto, Miss Angola 1972
O beijo materno
Com Iris Maria, Miss Portugal (Moçambique) 1972

Vestida de Mucubal, com Raúl Indipwo entre outros 
Outras fotos:
 
Moçâmedes agradece a Paula tão alto feito. Elegante e bela no baile da recepção
ocorrido no Salão da Associação Comercial. 
Ao fundo, os locutores do RCM, José
 Manuel Frota e Arlete Pereira
Foto tirada em Luanda para o "Notícias", Angola




  Moderna, elegante e bela, o visual da moçamedense eleita em 1972, Miss" Jovem Internacional, no Japão, confundir-se-ia com o de uma jovem de hoje. 
 

Foi assim que tudo começou, com a apresentação das candidatas de Moçâmedes a "Miss Angola" 1972 : São Raposo, ?, Marezita Moreira, Dada Fernandes, Ani de Freitas, Isabel, podemos ver, também, Lidia Ferreira e Maria de Lurdes Pinto, Paula Turra...(na foto)
Ao Concurso foram candidatas, por ordem do desfile:

1. Maria Dulce Pontes, 2. Conceição Cruz, 3. Elsa Maria...4. Maria Isabel Gomes, 5. Maria de Fátima...,6. Elsa maria Formosinho, 7. Lidia Rosa Couto, 8. Orquidea Nabais, 9. Maria Eugénia Sena, 10. Maria Lidia Ferreira, 11. Elizabete Sena, 12. Orieta Bagarrão, 13. Elizabete Loureiro, 14. Ana Paula Carvalho, 15. Aura Maria Novo 16. Maria de Lurdes Pinto, 17. Alcina Loureiro, 18. Elizabete R. da Cruz, 19. Guida Bento César


Tomei a liberdade de publicar estas fotos de Ana Paula Carvalho, a popular Paula Turra. "Turra" era  alcunha de Artur Paulo de Carvalho, seu pai, guia de caça no Deserto do Namibe, (Tinha um ajudante mucubal, caso raro, dado que os mucubais não tinham por hábito, por tradição e cultura, trabalhar a tempo inteiro para quem quer que fosse. O local de descanso nas digressões pelo Deserto era a célebre gruta do Turra, hoje ponto  de acolhimento de turísticaa no Deserto do Namibe, conhecido por Omahua Lodge).  Paula, ao tornar-se "Miss" por Moçâmedes passou a ser indispensável neste blog. Lanço-lhe daqui um agradecimento por as ter facultado em facebook. E espero que goste!
MariaNJardim

Escola Nº 55 ou Escola Portugal : alunos e professores nos anos 60




















1ª Foto: o professor Júlio Soares Marques, da Escola Portugal.

2ª foto: a antiga Escola Portugal (Escola n. 55).




3ª foto: grupo de alunos e professores da Escola 55 (Escola Portugal)
.

13 julho 2007

Lembrando gente da nossa terra: Casamentos e paragem na Capela da Quipola



































































1ª foto: Nesta foto encontram-se em peso as familias Castro e Teixeira que haviam acorrido à Quipola para se despedirem do casal Odete e António que partiam em viagem de núpcias para Sá da Bandeira (Lubango). Junto aos elementos destas familias, podemos ver também o casal Zete e Diogo Baptista, que também partiam em viagem de núpciais.

2.ª foto: Os dois pares de noivos e a imagem da Nossa Senhora da Conceição, num nicho junto à Capelinha do Quipola.
3.ª foto: Foto actual do local onde ficava a imagem da Senhora do Quipola.
4.
Foto actual da capela do Quipola.
Este local, desde a fixação dos portugueses até ao início da década de 1950, foi palco de grandes festividades religiosas à boa maneira portuguesa, onde o sagrado e o profano se misturam: missas campais, procissões, arraiais, bailaricos, etc.

11 julho 2007

Gente de Porto Alexandre (anos 60)































1ª e 2ª fotos
3ª foto: ........Na festa da Senhora da Conceição, padroeira da terra, era tradição as traineiras e canoas engalanadas, tal como em algumas povoações piscatórias de Portugal, encostarem as proas à praia, onde um estrado improvisado de madeira servia de púlpito em cima do qual, perante quase toda a população a assistir, o padre rezava a missa e em seguida pedia a benção da Santa protectora para os barcos, para o mar que não é só dos pescadores mas de todos os que ganham a vida nele e dos que nele. Ao acabar a missa campal, os barcos faziam soar as suas sirenes e entre a população estalejavam foguetes.

4ª foto: nesta foto, tirada entre a Pescaria de Coimbra e Silva e as dunas de Porto Alexandre que se podem ver ao fundo, encontram-se, entre outros, Fernanda Barata (eª a partir da esq.), os pais e o irmão Miguelito, José Gouveia (mecânico), José Boucinha, ?, e Júlio Gordo, figura muito conhecida da terra.

5ª foto: Aqui está representada a família Baptista, família alargada, muito conhecida em Porto Alexandre, entre os quais se reconhece. José, Júlio, Óscar,... Arménio,
Chico (com o copo na boca), Isilda, Lizete, Walter, Profícua (de pé). Era assim a vivência entre as pessoas naquele tempo em que as famílias viviam praticamente nas mesmas cidades e vilas e as pessoas tinham o privilégio de estarem sempre juntas. Com o rodar dos anos este modelo de família se esboroou. A vida das pessoas complicou-se sobretudo nas grandes cidades, as famílias tornaram-se mais pequenas, os seus membros dispersaram-se por várias cidades e este tipo de convívio, naquele tempo tão frequente, passou a pertencer ao passado, ou no melhor dos casos, a dias especiais de festa como os Natais e pouco mais.
Fotos gentilmente cedidas por Fernanda Barata.



O Curoca agora vai seco.
Não admira, é Setembro...

Um pouco mais a Sul
há ventos de areia
cercando a cidade
de cabeleiras protectoras,

por todo o lado
corre um cheiro intenso a peixe.
Esta é a terra dos cabeças-de-pungo!

Entre cacimbo que passa e vento que sopra
o tempo espreguiça-se sobre dunas.
Há peixe seco e cheiro intenso de peixe
secando escalado ao sol e ao sal do deserto.

Sobre as eiras longas estendidas solarengas
secam farinhas de peixe e guano.
O tempo em Tombua, mangonheiro sem igual,
corre, assim, ao sabor,
ao odor de peixe-mar-vida.

E sobre as eiras vazias mangonheiras
- estendidas nos frios do entardecer -
um vento cruel atira às pernas nuas dos miúdos
pequenos grãos de tempo-nada que magoam.


Namibiano Ferreira
Curoca - Rio da província do Namibe, só leva agua no período das chuvas.
Cabeças-de-pungo - o mesmo que cabeças-de-peixe, nome que se da aos naturais da cidade de Tombua (Porto Alexandre) mas também aos da cidade do Namibe (Moçâmedes).
Mangonheiro - Preguiçoso.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45048

Lembrando lugares da nossa terra: Praia das Conchas

[000.jpg]






































MAR DESFEITO
Na Praia das Conchas, fito
O mar revolto, infinito,
Bater nas rochas, desfeito...
E, olhamo-nos tanto, tanto,
Que suas ondas são pranto,
Que vem bater no meu peito...

Angola, 1968
CONCHA PINHÃO
(Vencedora do 1º prémio dos jogos florais das «x Festas do Mar», com o poema «Imbondeiro» . 1971)

Esta é a Praia das Conchas, para lá do Saco do Giraul , já em plena costa, Praia que de praia não tinha nada. Praia rochosa, nela tinhamos que andar com muito cuidado para não escorregarmos e nos magoarmos, rochas que picavam os pés, com um banco no mar idêntico ao da Praia Amélia mas mais próximo de terra, que provocava uma forte rebentação. Esta praia, no entanto, apesar de pedregosa e incapaz para banhos de mar, era um atractivo que levava muitas famílias a se deslocarem alí aos fins de semana. O que atraia então as pessoas que aos fins de semana iam passear até alí?

Umas, iam pura e simplesmente contemplar o espectáculo da rebentação do mar nas rochas, as altas ondas e a branca espuma, a fúria deslumbrante da natureza, outras, iam fazer caça submarina, ainda que a rebentação sobre as rochas as obrigasse a entrar no mar na zona entre Praia Conchas e o Barambol ( é o caso dos nossos mais fanáticos mergulhadores que elogiavam a beleza dos recortes rochosos submarinos da zona); outras ainda, sobretudo mulheres e crianças, apanhavam búzios, burriés, pequenos caranguejos, ostras, mexilhões, e finalmente outros (sobretudo homens) pescavam à cana e à linha do cimo das rochas uma imensa variedade de peixe, (garoupas, pargos, sargos, canelas, meros, moreias, etc.) que davam para encher o frigorífico para toda a semana. Afinal valia mesmo a pena ir até à Praia das Conchas!
Uma curiosidade: na «Praia das Conchas», como em algumas outras praias como a do Chiloango, etc., era comum verem-se grandes ossaturas de baleias, que alí haviam «encalhado» trazidas pelas correntes desde a Praia Amélia (*), em tempos mais para trás (década de 1920/30), uma vez que durante essa década existiu naquela praia, a 6 km a sul do centro da cidade de Moçâmedes, uma grande empresa norueguesa que alí se instalou, vocacionada para a industrialização de carne e gordura desses cetáceos.
(*) O nome Praia Amélia foi dado a essa praia a 5 km da cidade de Moçâmedes
, pelo facto de alí ter naufrado, em meados do século XIX, a escuna «Amélia», da Marinha de Guerra portuguesa.

MariaNJardim

1ª foto: Herondina Mangericão, Zete Veiga e ?
2ª foto: Pesca à vara sobre um rochedo da Praia das Conchas.
3ª foto: Os irmãos Belany e Paulo Veiga Baptista na Praia das Conchas. 2ª e 3ª fotos gentilmente cedidas por Marizette Veiga Baptista.

08 julho 2007

Lembrando gente da nossa terra: finais dos anos 60

À esq: Nicky (mulher do Hernani Nunes), Otilia, Ferreira do Saco (de pé), ?,?,?,?. Mguelito e avô.
Não posso deixar de referir aqui que Ferreira do Saco, como era conhecdo o Sr. que se encontra de pé, à esq., reconhecido por toda a gente como uma boa criatura, foi mais uma das muitas vítimas daqueles momentos de grande instabilidade que se seguiram à independência e Angola. Tendo optado por ficar, Ferreira foi cobardemente morto à pancada tendo o seu corpo aparecido na Praia Amélia. Afinal, para quê tanta atrocidade cometida gratuitamente?

A propósito desta foto, de gente serena, à mesa, lembrei-me de uns versos escritos por Júlio Gomes de Almeida (Lx 1978):
NO NOSSO TEMPO

Havia tempo,
Sem contratempo...
I
No nosso tempo:
havia «musunguê»,
«muambá»,
e «funge»,
farinha de «bombó»
«pirão» e pão-de-ló.
II
No nosso tempo:
havia visitas
informais.
«merengues»;
«rebitas» com calôr,
mas sem questões de côr...
III
No nosso tempo:
havia «batuques»,
«fogueiras»
e «gongo»
«cachipembe» ou vinho,
«gindungo» e carinho.
IV
No nosso tempo:
havia fartura,
vontade,
trabalho
nos campos e cass,
«churrasco» nas brasas.
V
No nosso tempo:
havia Carnaval
p'ra todos,
dançado
nas ruas e salões,
com luzes festões.
VI
No nosso tempo:
havia muita Fé,
procissões,
com salmos,
e a visita Pascal
-sempre, sempre NATAL!
VII
NO NOSSO TEMPO,
HAVIA TEMPO,
A TODO O TEMPO,
SEM CONTRATEMPO...
lX 1978
Júlio Gomes de Almeida