Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...
10 agosto 2007
Publicada por
MariaNJardim
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sexta-feira, agosto 10, 2007
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A Educação em Angola: Escola 49 de Moçâmedes (1944/45) e demais escolas e colégio
Alunos e professores da Escola 49, por volta de 1944/45. Reconheço, entre outros, de baixo para cima e da esq. para a dt:
1º fila: Cambuta, Túlio Parreira, Magalhães Monteiro, Jorge, Beto de Sousa, ?, Orlando Figueira, ?, ?.
2ª fila: Serafim, Renato Veli, ?, ?, ?, Manuel Cruz, ?,?,?,?,?.
3ª fila: Castro, Alexandrino (Dino), ?, Neco Mangericão, ?,?, Guilherme Jardim, Bispo D. Daniel, José Manuel Frota ?, ??? e mais à dt. Sarmento
4ª fila: Professor Canedo, Padre ?, professor Vieira, Padre?, Costa, Julia Jardim, Esmeralda Freitas, .?.?. professora D. Aline de Campos, professora D. Berta e professora ?
5ª fila: ????? Julia Gomes.
Por esta altura D. Daniel Gomes Junqueira deslocara-se a Moçâmedes, onde visitou, entre outras escolas da cidade, a Escola 49, situada à época na Rua Calheiros, a 100 mts da Escola Portugal ou Escola N. 55 de Fernando Leal, e a uns a 30 mts da primitiva cadeia, onde reuniu todos os alunos e professores para esta foto que ficou a marcar o momento para a posteridade. D. Daniel havia sido nomeado bispo da Diocese de Nova Lisboa (1940-1970), criada nos termos do Acordo Missionário de 1940, em simultâneo com a Arquidiocese de Luanda e a Diocese de Silva Porto, para as quais foram nomeados D. Moisés Alves de Pinho para Arcebispo de Luanda, e D. Ildefonso dos Santos, para Bispo de Silva Porto. Da Diocese de Nova Lisboa fazia parte Moçâmedes, Sá de Bandeira e Benguela em desdobramento da de Nova Lisboa.
O edificio primitivo onde ficava a Escola 49, e que aqui se vê, era um edifício antigo situado na Rua Governador Calheiros, próximo da Escola Portugal, ou Escola 55 de Fernando Leal, e da cadeia antiga, que passou a ser ocupado pela Cooperativa de Consumo dos Funcionários Públicose por já não possuir as condições mínimas exigídas para o nº de alunos que a frequentava, e assim sendo na década de 1950, a Escola acabou por se deslocalizar para um local próximo do Bairro da Facada, em edifício construido para o efeito.
Na década de 1950 de acordo com um plano quinquenal estabelecido pelo Governo para Angola, Moçâmedes foi dotada com várias edifícios públicos, e o nova Escola n.49 foi um deles. Ficava em frente ao bairro da Facada e do Bairro Maria da Glória onde havia por perto uns tamarineiroscujos frutos (Tamarindos) faziam as delícias dis alunos no intervalo das aulas. As traseiras davam para a rua Governador Mata, a rua onde ficava a Praça (mercado), o Colégio... etc.
Nos anos 40 e seguintes havia as seguintes escolas primárias em Moçâmedes (cidade):
1º fila: Cambuta, Túlio Parreira, Magalhães Monteiro, Jorge, Beto de Sousa, ?, Orlando Figueira, ?, ?.
2ª fila: Serafim, Renato Veli, ?, ?, ?, Manuel Cruz, ?,?,?,?,?.
3ª fila: Castro, Alexandrino (Dino), ?, Neco Mangericão, ?,?, Guilherme Jardim, Bispo D. Daniel, José Manuel Frota ?, ??? e mais à dt. Sarmento
4ª fila: Professor Canedo, Padre ?, professor Vieira, Padre?, Costa, Julia Jardim, Esmeralda Freitas, .?.?. professora D. Aline de Campos, professora D. Berta e professora ?
5ª fila: ????? Julia Gomes.
Por esta altura D. Daniel Gomes Junqueira deslocara-se a Moçâmedes, onde visitou, entre outras escolas da cidade, a Escola 49, situada à época na Rua Calheiros, a 100 mts da Escola Portugal ou Escola N. 55 de Fernando Leal, e a uns a 30 mts da primitiva cadeia, onde reuniu todos os alunos e professores para esta foto que ficou a marcar o momento para a posteridade. D. Daniel havia sido nomeado bispo da Diocese de Nova Lisboa (1940-1970), criada nos termos do Acordo Missionário de 1940, em simultâneo com a Arquidiocese de Luanda e a Diocese de Silva Porto, para as quais foram nomeados D. Moisés Alves de Pinho para Arcebispo de Luanda, e D. Ildefonso dos Santos, para Bispo de Silva Porto. Da Diocese de Nova Lisboa fazia parte Moçâmedes, Sá de Bandeira e Benguela em desdobramento da de Nova Lisboa.
O edificio primitivo onde ficava a Escola 49, e que aqui se vê, era um edifício antigo situado na Rua Governador Calheiros, próximo da Escola Portugal, ou Escola 55 de Fernando Leal, e da cadeia antiga, que passou a ser ocupado pela Cooperativa de Consumo dos Funcionários Públicose por já não possuir as condições mínimas exigídas para o nº de alunos que a frequentava, e assim sendo na década de 1950, a Escola acabou por se deslocalizar para um local próximo do Bairro da Facada, em edifício construido para o efeito.
Na década de 1950 de acordo com um plano quinquenal estabelecido pelo Governo para Angola, Moçâmedes foi dotada com várias edifícios públicos, e o nova Escola n.49 foi um deles. Ficava em frente ao bairro da Facada e do Bairro Maria da Glória onde havia por perto uns tamarineiroscujos frutos (Tamarindos) faziam as delícias dis alunos no intervalo das aulas. As traseiras davam para a rua Governador Mata, a rua onde ficava a Praça (mercado), o Colégio... etc.
Nos anos 40 e seguintes havia as seguintes escolas primárias em Moçâmedes (cidade):
1. Escola 56 de Pinheiro Furtado
A Primitiva Escola 56 de Pinheiro Furtado nesta altura com as velhas instalações já em decadência, no início dos anos 50, e com gente a habitá-la...
Era
uma escola de madeira de tipo colonial com varanda a toda a volta,
construida sobre pilares (tipo palafita) , uma construção interessante
digna de ser preservada o que não aconteceu. Ficava na Torre do Tombo,
entre o chamado "Bairro Feio", o do edifício de 1ºandar amarelo,
propriedade do Padre Almeida, e a Padaria do Esteves. Em frente a esta
Padaria e à Escola existia um chafariz, numa elevação era seguida de um
grande depressão no terreno, hoje preenchida com terra . Era nesse
chafariz que nesse tempo em que não havia ainda água canalizada na Torre
do Tombo, as pessoas se forneciam de água. Foi director desta Escola,
antes de se transferir para novas instalações, em 1951, o Professor
Duarte, e aí leccionou, nos ultimos tempos, a professora Laura, esposa
do Enfermeiro Rodrigues.
Garotas da Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, no Bairro da Torre do Tombo, São, da esq. para a dt. Atrás: Luisa Bagarrão. Lili Gois Teles, Lidia e Vitória Rosa. à frente: Victória Franco, Zazá Almeida, Guida Franco, e?
Garotas da Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, no Bairro da Torre do Tombo,da esq. para a dt. Atrás:
?, Fernando Matias. Maria do Carmo Domingos, ? e Eduarda Vicente. À frente: Carlos Ferreira (Miroides), Manuel Eugénio (Cocas) Ferreira da Silva, Miga Calão e Dudu Ferreira da Silva.
?, Fernando Matias. Maria do Carmo Domingos, ? e Eduarda Vicente. À frente: Carlos Ferreira (Miroides), Manuel Eugénio (Cocas) Ferreira da Silva, Miga Calão e Dudu Ferreira da Silva.
A nova Escola N. 56 , de Pinheiro Furtado, na Torre do Tombo, alunos e o Director José Duarte
As novas instalações da Escola 56 de Pinheiro Furtado passaram a ficar em local próximo da Torre do Tombo perto da zona onde foi construida a Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique.
Prof. Julio Soares Marques (foi director da Escola Portugal ou Escola 55),
Grupo de alunos e alunas . com a professora Berta, na escadaria da Escola Portugal, ou Escola n. 55 de Fernando Leal. Reconhecem-se alguns rostos nesta foto dos anos 1940. Em cima á dt, Aninhas Gouveia; A meio à dt: Eduarda Malaguerra e Lena Freitas (Barata). Em frente , à esq. Calila Rodrigues. Sentadas a meio, a Dina Ascenso e a Cecilia Victor.
Grupo de alunos e alunas . com a professora Berta, na escadaria da Escola Portugal, ou Escola n. 55 de Fernando Leal. Reconhecem-se alguns rostos nesta foto dos anos 1940. Em cima á dt, Aninhas Gouveia; A meio à dt: Eduarda Malaguerra e Lena Freitas (Barata). Em frente , à esq. Calila Rodrigues. Sentadas a meio, a Dina Ascenso e a Cecilia Victor.
Na Escola Portugal, nos anos 1950, com professor Marques.
A Escola Portugal reunia alunos de todas as Escolas , incluso secundárias, que iam ali fazer os seus exames
Esta era a escola Nr 49, enquanto na rua Governador
Calheiros, ao lado da Escola Portugal, num prédio perto da cadeia antiga, Esta Escola na década de 1950 foi
transferida para um novo edifício lá para os lados do Bairro da Facada.
De nível secundário, liceal e técnico profissional Moçâmedes contava com a Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, que passou a intutular-se Escola Comercial no inicio da década de 1950, e mais tarde Escola Comercial e Industrial. Por fim Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique. Na Rua da Fábrica o Liceu Almirante Américo Tomás perto da rotunda Radich Junior, esta instituição apenas a partir de 1961.
Alunas do Colégio das Doroteias de Moçâmedes, Anos 1950
Alunas do Colégio das Doroteias de Moçâmedes, junto das novas instalações, enquanto em construção. Anos 1950
4. Colégio das Madres Doroteias
Colégio de Nossa
Senhora de Fátima ficava em frente ao Parque Infantil , e foi
construido no final dos anos 50. Na década de 1950, este Colégio teve
por Directora a Madre Paiva Couceiro , filha do Governador Geral de
Angola Paiva Couceiro . Foi a 2ª Superiora Directora . "...A primeira
foi a velhinha e paciente Madre Arraiano. Tantas , boas e amigas freiras
nós tivémos, ainda hoje recordam as antigas alunas ...! Não raro
ouvi-las recordar também a "terrível " Madre Torres , a bondosa Sister,
sua companheira de bola no jogo das "queimadas"; a Madre Moita ; e
muitas , muitas outras ".
Foto em dia de Comunhão, em Moçâmedes. Podemos ver aqui um grupo de crianças junto do Bispo e de duas Irmãs da Doroteias, creio que no interior do novo Colégio de Nossa Senhora de Fátima. Deste grupo de crianças maioritariamente africanas, 5 europeias. Não consigo concluir se se trata de num sector de ensino gratuito e correspondente ao das Missões, a funcionar no Colégio.
5. "Casa de Santa Filomena"
Antes o Colégio de Nossa Senhora de Fátima funcionava numa casa enorme, ao fundo da Avenida da República, a caminho da estrada da Águada , perto estação de Rádio dos CTT ,frente ao Campo de Futebol antigo. Este edifício, bastante antigo, pode ser visto em postais de finais do século XIX, de uma época em que ainda não existia a Estação do Caminho de Ferro, mas já se via por perto o edifício de estilo colonial, do Cabo Submarino, e o Matadouro Municipal, este daqs mais antigas construções de Moçâmedes. Por perto ficava também a "Casa de Santa Filomena" , construção de estilo colonial, em madeira, e com varandas a toda a volta, onde a professora D. Aline, da parte da tarde ministrava o catecismo. Ficava num recindo de terra batida, próximo do velho campo de futebol, também ele de terra batida, ao fundo da Avenida da República. Ao lado ficava um dos mais antigos edifícios da cidade, o Madouro Municipal (este uma construção que diremos ser mesmo pioneira da fundação, com um desenho original, onde na parte que ficava ao ar livre se metiam os bois destinados ao abate, e vem referida em livros bastante antigos. Há relatos de em tempos recuados irem ali hienas durante a noite em busca de vísceras de bois.) . Era alí que D. Aline, gratuitamente, dava aulas de todo o tipo aos alunos mais necessitados da terra que frequentavam o primário, formando-os para a vida, como testemunham os que viveram aquela época. Com D. Aline, tudo era gratuito , inclusivé a alimentação . Ela conseguiu um subsídio da C.M.M. para este fim ,e também era muito ajudada por amigos . A cidade como prova de gratidão deu o seu nome ao Parque Infantil, num gesto de reconhecimento pelos serviços prestados, e concedeu-lhe a medalha de honra da Cidade.
D. Aline Marques Campos Rodrigues dos Santos exerceu durante décadas em Moçâmedes, o professorado primário, tendo abrangido várias gerações de alunos e os marcado a tal ponto que ainda hoje, passados que foram mais de 70 sobre esta foto, muitos daqueles que foram seus alunos e alunas falam com carinho da veneranda senhora. Como professora na Escola Portugal, começou a leccionar a partir de 1918 o ensino das Primeiras Letras, foi professora de minha mãe, que frequentou o primário entre 1919 e 1922, e dela sempre ouvi a seu respeito os mais rasgados elogios, dirigos tanto à sua competência como à sua bondade, seguidora que era dos princípios humanistas do Cristianismo, que procurava incutir nos seus educandos. Nasceu na Freguesia de Cabanas de Viriato, Viseu - Beira Alta, a 13 de Novembro de 1891. Fez o Curso do Magistério Primário na Escola Normal de Coimbra, terminando com a classificação de dezassete valores. Ainda em Portugal, mas já destinada aos quadros de Angola, no ano de 1918, foi nomeada para exercer o professorado do Ensino Primário em Moçâmedes. Apresentou-se na Escola Portugal, a Escola Primárial Nº 55 de Fernando Leal, hoje denominada do "Pioneiro Zeca", no dia 2 de Abril de 1918, e começou a leccionar a 1 de Maio de 1918, no "inicio do cacimbo" * , de acordo com a antiga calendarização que permaneceu até meados de 1950. (*).
Era na "Casa de Santa Filomena" que D. Aline de Campos vivia na companhia de sua irmã Maria Amélia, e da mãe D.Olimpia, após a morte do marido, e quando enviuvou, em Moçâmedes, se já era católica ainda mais se agarrou à Igreja e à religião, tendo, inclusivamente, sido a fundadora da famosa "Casa de Santa Filomena". De início a Casa pertenceu aos Ingleses, proprietários da casa do Cabo Submarino. Era uma linda casa de madeira conhecida como casa de Santa Filomena , em virtude de D. Aline por ser sua devota de Santa Filomena . Infelizmente , e para grande desgosto de D. Aline , esta santa foi desclassificada pelo Concílio do Vaticano..
Na Escola N.55 de Fernando Leal, D. Aline foi contemporânea de muitos outros "ilustres mestres de escola", de entre os quais recordo os professores Júlio Soares Marques (director); Canedo; Maria da Conceição Borges (esposa do Dr. Borges, director da Escola de Pesca); Maria Alice Mendo Trigo; Lucilia Campos Rocha; Salomé Mendonça Torres; Abel Duarte; João Fontes; etc etc. A piedosa senhora aposentou-se em 23 de Fevereiro de 1957, e faleceu em Luanda, a 5 de Julho de 1971, aos 80 anos de idade, onde se encontrava a viver na companhia do seu filho, Augusto Carlos, engenheiro electrotécnico, que foi presidente da Camara Municipal de Silva Porto (Bié), posteriormente, Director da Junta de Electrificação de Angola.
.............................................................................................................
Professores do Ensino Primário:
-prof. Alina Marques Campos (prof. muito considerada, foi a última professora da Escola Feminina de Moçâmedes),
- prof. Martins, da Escola Portugal ou Escola 55 de Fernando Costa Leal
-prof. Freire da Escola Portugal ou Escola 55 de Fernando Costa Leal
-prof. Julio Sores Marques (foi director da Escola Portugal ou Escola 55),
-prof. Berta, (Escola 49)
-prof. Maria Simões, (Escola 49)
-prof Roque e esposa,
-prof. Canedo (Escola 49),
- prof. Laura Rodrigues (Escola 56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),
-prof. Abel Duarte (foi Director da Escola N.56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),
- prof Vieira , (Escola 49)
- prof. Maria Alice Bensabá Duarte de Ameida (Escola 56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),
-prof. Maria Lucilia Campos Rocha (Escola Portugal ou Escola Nr. 55),
-prof. Maria da Conceição Borges (esposa do Dr. Borges, director da Escola de Pesca),
-profª Alice Mendo Trigo (Escola Portugal ou 55),
-prof. Auriza,
-prof. Maria Salomé Zuzarte de Mendonça,
-prof. Mercedes Campos de Menezes,
.prof. Carreira
-prof Matos
-prof. Elizabeth Marques Leitão, pprof. Gina Saavedra,
-prof. Maria do Rosário Gabriel dos Santos (Escola Portugal ou 55),
-prof. Berta (neta da 1ª),
-prof. Eulália Charneco,
-prof. Cesária Rosa Santos, prof. João Fontes e muitos outros...
Sobre a professora primária Maria Alice Trigo, da Escola 1955 Fernando Leal , Escola Portugal , enviaram-me os seguintes elementos que por achar que se encaixam aqui passarei a transcrever:
Sobre Maria Alice Trigo encontrei este texto: "...era natural de terras de Trás os Montes , Mirandela , e membro de uma família tradicional do norte do País , a famíla Mendo . Foi casada com com o Veterinário Dr .João Elias Trigo que deixaram Portugal rumo à nossa a Angola tendo chegado a Moçâmedes quase no final dos anos 30 e logo começaram a trabalhar, e a muitos e bons serviços à nossa terra; o Dr Elias Trigo , seu marido, na Inspecção dos Serviços Veterinários, tornou-se Director algum tempo depois, e veio a substituir o digníssimo Veterinário, Dr Carlos Carneiro, do qual recebeu preparação para o cargo de grande responsabilidade para a Indústria do Pescado de Moçâmedes e Porto Alexandre que iria ocupar, e que honrosamente exerceu por mais de 20 anos , com inteira dedicação à nossa terra. A professora Alice Trigo ali permaneceu até à saída de Moçâmedes, no início dos anos 1960. O casal Trigo teve duas filhas, Luisa e Marilia, tendo a mais velha, a Luisa, após ter-se formado em Lisboa, voltado para Moçâmedes , já casada , onde também foi professora. A professora Alice faleceu em Lisboa. Foi uma professora à moda antiga, bastante austera e exigente, naturalmente seguiu os hábitos da sua época que sua personalidade e instrução académica que recebeu, apurou. Era contudo uma óptima professora , respeitada , que legou aos seus alunos uma nobre conduta pelos valores do Ensino e Educação. Assim a recordam muitos dos seus antigos alunos."
D. Aline Marques Campos Rodrigues dos Santos exerceu durante décadas em Moçâmedes, o professorado primário, tendo abrangido várias gerações de alunos e os marcado a tal ponto que ainda hoje, passados que foram mais de 70 sobre esta foto, muitos daqueles que foram seus alunos e alunas falam com carinho da veneranda senhora. Como professora na Escola Portugal, começou a leccionar a partir de 1918 o ensino das Primeiras Letras, foi professora de minha mãe, que frequentou o primário entre 1919 e 1922, e dela sempre ouvi a seu respeito os mais rasgados elogios, dirigos tanto à sua competência como à sua bondade, seguidora que era dos princípios humanistas do Cristianismo, que procurava incutir nos seus educandos. Nasceu na Freguesia de Cabanas de Viriato, Viseu - Beira Alta, a 13 de Novembro de 1891. Fez o Curso do Magistério Primário na Escola Normal de Coimbra, terminando com a classificação de dezassete valores. Ainda em Portugal, mas já destinada aos quadros de Angola, no ano de 1918, foi nomeada para exercer o professorado do Ensino Primário em Moçâmedes. Apresentou-se na Escola Portugal, a Escola Primárial Nº 55 de Fernando Leal, hoje denominada do "Pioneiro Zeca", no dia 2 de Abril de 1918, e começou a leccionar a 1 de Maio de 1918, no "inicio do cacimbo" * , de acordo com a antiga calendarização que permaneceu até meados de 1950. (*).
Era na "Casa de Santa Filomena" que D. Aline de Campos vivia na companhia de sua irmã Maria Amélia, e da mãe D.Olimpia, após a morte do marido, e quando enviuvou, em Moçâmedes, se já era católica ainda mais se agarrou à Igreja e à religião, tendo, inclusivamente, sido a fundadora da famosa "Casa de Santa Filomena". De início a Casa pertenceu aos Ingleses, proprietários da casa do Cabo Submarino. Era uma linda casa de madeira conhecida como casa de Santa Filomena , em virtude de D. Aline por ser sua devota de Santa Filomena . Infelizmente , e para grande desgosto de D. Aline , esta santa foi desclassificada pelo Concílio do Vaticano..
Na Escola N.55 de Fernando Leal, D. Aline foi contemporânea de muitos outros "ilustres mestres de escola", de entre os quais recordo os professores Júlio Soares Marques (director); Canedo; Maria da Conceição Borges (esposa do Dr. Borges, director da Escola de Pesca); Maria Alice Mendo Trigo; Lucilia Campos Rocha; Salomé Mendonça Torres; Abel Duarte; João Fontes; etc etc. A piedosa senhora aposentou-se em 23 de Fevereiro de 1957, e faleceu em Luanda, a 5 de Julho de 1971, aos 80 anos de idade, onde se encontrava a viver na companhia do seu filho, Augusto Carlos, engenheiro electrotécnico, que foi presidente da Camara Municipal de Silva Porto (Bié), posteriormente, Director da Junta de Electrificação de Angola.
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Professores do Ensino Primário:
-prof. Alina Marques Campos (prof. muito considerada, foi a última professora da Escola Feminina de Moçâmedes),
- prof. Martins, da Escola Portugal ou Escola 55 de Fernando Costa Leal
-prof. Freire da Escola Portugal ou Escola 55 de Fernando Costa Leal
-prof. Julio Sores Marques (foi director da Escola Portugal ou Escola 55),
-prof. Berta, (Escola 49)
-prof. Maria Simões, (Escola 49)
-prof Roque e esposa,
-prof. Canedo (Escola 49),
- prof. Laura Rodrigues (Escola 56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),
-prof. Abel Duarte (foi Director da Escola N.56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),
- prof Vieira , (Escola 49)
- prof. Maria Alice Bensabá Duarte de Ameida (Escola 56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),
-prof. Maria Lucilia Campos Rocha (Escola Portugal ou Escola Nr. 55),
-prof. Maria da Conceição Borges (esposa do Dr. Borges, director da Escola de Pesca),
-profª Alice Mendo Trigo (Escola Portugal ou 55),
-prof. Auriza,
-prof. Maria Salomé Zuzarte de Mendonça,
-prof. Mercedes Campos de Menezes,
.prof. Carreira
-prof Matos
-prof. Elizabeth Marques Leitão, pprof. Gina Saavedra,
-prof. Maria do Rosário Gabriel dos Santos (Escola Portugal ou 55),
-prof. Berta (neta da 1ª),
-prof. Eulália Charneco,
-prof. Cesária Rosa Santos, prof. João Fontes e muitos outros...
Sobre a professora primária Maria Alice Trigo, da Escola 1955 Fernando Leal , Escola Portugal , enviaram-me os seguintes elementos que por achar que se encaixam aqui passarei a transcrever:
Sobre Maria Alice Trigo encontrei este texto: "...era natural de terras de Trás os Montes , Mirandela , e membro de uma família tradicional do norte do País , a famíla Mendo . Foi casada com com o Veterinário Dr .João Elias Trigo que deixaram Portugal rumo à nossa a Angola tendo chegado a Moçâmedes quase no final dos anos 30 e logo começaram a trabalhar, e a muitos e bons serviços à nossa terra; o Dr Elias Trigo , seu marido, na Inspecção dos Serviços Veterinários, tornou-se Director algum tempo depois, e veio a substituir o digníssimo Veterinário, Dr Carlos Carneiro, do qual recebeu preparação para o cargo de grande responsabilidade para a Indústria do Pescado de Moçâmedes e Porto Alexandre que iria ocupar, e que honrosamente exerceu por mais de 20 anos , com inteira dedicação à nossa terra. A professora Alice Trigo ali permaneceu até à saída de Moçâmedes, no início dos anos 1960. O casal Trigo teve duas filhas, Luisa e Marilia, tendo a mais velha, a Luisa, após ter-se formado em Lisboa, voltado para Moçâmedes , já casada , onde também foi professora. A professora Alice faleceu em Lisboa. Foi uma professora à moda antiga, bastante austera e exigente, naturalmente seguiu os hábitos da sua época que sua personalidade e instrução académica que recebeu, apurou. Era contudo uma óptima professora , respeitada , que legou aos seus alunos uma nobre conduta pelos valores do Ensino e Educação. Assim a recordam muitos dos seus antigos alunos."
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Onde teriam sido ministradas as primeiras aulas do Ensino Primário de Moçâmedes ?
Como atrás ficou dito, naturalmente de início foi em barracões. Sabe-se que quando já existiam casas construídas a pedra e cal , algumas delas foram alugadas para funcionarem como escolas ; mas antes disso terá sido mesmo em barracões. Aliás, os habitantes do povoadoque de início se dedicaram à agricultura nas várzeas do Bero e Giraúl, e também ao comércio, viviam em feitorias onde as habitações eram, simplesmente, barracões levantados a "pau a pique" ,com coberturas de capim , caniços , palha e outras materiais muitíssimo rudimentares . Com o rodar dos tempos tudo foi melhorando. Sabe-se também que funcionou uma Escola Primária nas instalações do Palácio para alunos da Torre do Tombo. Também havia a Escola da Câmara Municipal. Mas isto foi lá muito para trás, na segunda metade do século XIX, e inícios do século XX.
Finalmente, gostaria de recuar ainda mais no tempo, ao tempo das primeiras aulas de Instrução Primária ...
Estas iniciaram-se em Moçâmedes após ter sido publicada a Portaria Nº 83 de 25 de Julho de 1849 , tendo sido nomeado para as ministrar, com a designação de "Mestre das Primeiras Letras", o 1º Sargento de Infantaria, José Inácio dos Reis, que, antes de poder exercer aquelas funções foi submetido a um exame para ser apurado se " se achava apto para o exercicio do magistério primário " 1849 foi o ano da fundação de Moçâmedes pelo primeiro grupo de pioneiros vindos de Pernambuco (Brasil), na Barca Tentativa Feliz capitaniada poelo Brigue Douro, e chefiado por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o director da Colónia, também professor, antes de partir, no Colégio Pernambucano (História). Não houve pois tempo a perder... Naturalmente ainda os colonos viviam no interior de grandes barracões que se ergueram naquela que conhecemos por Avenida da República, e que seria destinada a sala de visitas da cidade.
Quem na época avaliou o professor pioneiro foi o Major José Herculano Ferreira da Horta. que veio a ser o Governador do Distrito, de 10 de Agosto de 1851 a 03 de Outubro de 1852, e considerou "assaz satisfatória" tal avaliação, ainda que não possuísse todos os conhecimentos que seriam para desejar a quem tivesse para o cargo do ensino da mocidade, como não deixou de reportar superiormente. Ao "mestre" foi fixada, para o ministrar das "primeiras letras", uma gratificação de 5.00 Réis/mensais, além do seu salário enquanto 1º Sargento. E tinha como "meta oficialmente estabelecida": organizar uma escola regular com duas horas de aulas de manhã e outras duas à tarde, onde os jovens do "sexo masculino" deveriam aprender a: "ler, escrever e contar, principios de gramática e doutrina cristã, todos os dias da semana, com excepção dos dias santificados e as quintas-feiras, quando não houvesse dia santificado na semana" (Boletim Oficial Nº 204 de 25 de Agosto de 1849).
A frequência dessas aulas - segundo documentação desse tempo -, terá sido "quase nula ", tendo em conta o número de alunos que as frequentaram no período de 1849-1952, e que oscilou entre 1 e 9 (o máximo conseguido), como consta de um mapa estatístico referido a Agosto de 1851. Por razões que não se detectam, a 31 de Janeiro de 1850, foi o 1º Sargento José Inácio dos Reis, primeiramente suspenso do cargo de Mestre (Portaria Distrital Nº 6), e, pouco depois demitido, sem que se consiga descortinar, qual a portaria e a data?! Tendo sido nomeado para o substituir naquelas funções o Professor Primário Alberto da Fonseca Abreu e Costa (Portaria Nº 198 de 23 de Julho de 1850), de que se demitiu (Portaria Provincial Nº 255 de 26 de Março de 1851). E essa função foi logo preenchida por um outro professor primário Francisco António Mesquita .(Portaria Provincial Nº 267 de 22 de Maio de 1851). De assinalar que, nesses poucos anos, exerceram funções de ensino primário somente esses ditos professores primários (um deles militar e em acumulação, apenas mestre escolar) consagrados aos jovens do sexo masculino , tendo sido o número de alunos (9) muitíssimo fraco. Não existem quaisquer elementos ou referências, no que concerne ao ensino primário feminino, apenas, existe, isso sim, a nomeação de uma professora do sexo feminino, de seu nome Joaquina da Conceição Mesquita, desconhecendo-se completamente (por falta de dados) se, essa referida Sra. alguma vez ministrou aulas primárias às meninas da nossa terra ?
A cadeira de mestra de meninas, em Moçâmedes, foi criada pela portaria ministerial de 16 de Abril de 1852, que autorizou a inclusão no orçamento anual da província da verba necessária para pagar o vencimento da respectiva professora. Havia então somente duas escolas femininas em Angola, Luanda e Benguela.
No dia 2 de Maio de 1866, em portaria assinada pelo governador-geral Francisco António Gonçalves Cardoso, foi confirmada a suspensão do cargo de professor primário de Moçâmedes ao P. António Castanheira Nunes, devido a comportamento altamente repreensível como professor de instrução primária e inteiramente desregrado como eclesiástico, tendo até já por isso sido suspenso de pároco pelo bispo da diocese e não convindo que continue no desempenho de tão importante serviço do ensino um semelhante funcionário. Aproveitamos a oportunidade para dizer que encontraremos este nome em lugares destacados do ensino, com reputação sólida de mestre competente, embora pouco dedicado à escola e aos alunos, chegando no entanto a exercer funções orientadoras de grande responsabilidade. Soube aproveitar a lição! Moçâmedes estava em maré de pouca sorte, pois na mesma altura foi suspensa do cargo a sua mestra de meninas, Ana Catarina Weyer, conf. portaria de 23 de Outubro de 1866, sendo a demissão aplicada pela portaria de 28 de Dezembro. No dia em que foi suspensa era nomeada para o seu lugar outra senhora, Guilhermina Bettencourt de Almeida, senso contudo curta a sua osupação visto que no dia 29 de Agosto de 1867 era nomeada outra mestra de meninas, já carácter definitivo e permanente, Maria José Ferreira, enquanto aquela era exonerada do cargo.
Moçâmedes tinha, por esta altura, segundo documentos oficiais, 1.211 habitantes, sendo 837 escravos 99 libertos e 275 indivíduos livres. Quanto a estes, havia 210 pessoas de raça branca sendo os demais, negros e mestiços. Luanda tinha, segundo informações referentes a 18 de Janeiro de 1856, o elevado número de 14.124 escravos; o comentador da situação dizia que era altamente desproporcional à população livre da cidade. O governador do distrito, Joaquim José da Graça, afirma no seu relatório de 1867 que no dia 11 de Janeiro daquele ano começou a exercer as respectivas funções o novo pároco, acumulando com elas o cargo de professor de primeiras letras. Deveria tratar-se do P. João Bento Gil Carneiro, pois é ele que assina os mapas escolares do final do ano lectivo. Este sacerdote exerceu durante pouco tempo o professorado professorado em Moçâmedes, dado fins de 1868 já os mapas eram assinados por outro sacerdote.
Por esta altura poucas vezes as funções de mestre e de pároco se sobrepuseram em Moçâmedes, havendo quase sempre dois sacerdotes nesta povoação. Em Dezembro 1868, os mapas referentes à escola de instrução primária de Moçâmedes foram assinados pelo P. Augusto Severino Freire de Figueiredo, sacerdote que foi alvo da atenção das autoridades, conforme portaria régia de 21 de Janeiro de 1874, assinada pelo ministro João de Andrade Corvo, onde chamava atenção do governador-geral e da Junta de Saúde para o facto de este missionário exercer ilegalmente a medicina, vendendo remédios da sua invenção, para além de ser autor do livro intitulado Manual da Medicina Ecléctica, em que aconselhava o uso de certas drogas da sua lavra. Recomendava-se expressamente que fosse aplicado contra este padre todo o rigor da lei. Em 23 de Abril de 1869 o ministro Latino Coelho comunicava que os produtos oferecidos pelo P. Augusto Severino Freire de Figueiredo e por ele coleccionados tinham sido enviados à Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, a fim de serem examinados, por haverem sido reputados como medicinais, em Angola. Solicitava-se que o sacerdote completasse a notícia, enviando informações sobre o uso terapêutico dessas substâncias, assim como a fórmula e doses em que eram aplicadas, para se fazerem as experiências com maior segurança e eficácia, ficando a conhecer-se o seu préstimo como medicamento. Nas informações necrológicas publicadas no Boletim Oficial de Angola pode ler-se que morreu tragicamente, em Moçâmedes, no dia 8 de Março de 1876, por afogamento que se dizia voluntário.
Além da escola para o sexo masculino, havia em Moçâmedes por aquele tempo, 1867, a escola de meninas, a cargo da mestra régia Maria José Ferreira. Era pouco frequentada, informa o governador do distrito no relatório a que já nos referimos. As aulas haviam começado no início do ano lectivo em curso e a concorrência à matrícula não fora grande. No tempo das outras mestras, a frequência não era maior. Quanto ao sexo masculino, a situação era mais agradável, o professor desempenhava com zelo as funções do seu cargo e os resultados obtidos eram satisfatórios. O governador lembrava sobre a exiguidade do vencimento anual de 120 mil reis, pago à mestra de meninas, em Moçâmedes, insuficiente para uma vida digna numa região das mais cara da Província, e defendia que os professores de instrução primária da vila deveriam receber mais que noutros lugares, ou construir-se alí casas mobiladas onde pudessem viver sem pagar renda. E que deveriam ser nomeadas para tal cargo somente pessoas com as necessárias habilitações, provadas em exame público, como no reino, e isso para ambos os sexos, e considerava ruinoso o quase inútil o que se estava a fazer, pela ausência de resultados face à despesa efectuada com a mestra régia. A professora deveria ser a esposa ou a filha (devidamente habilitada) de algum funcionário público, porque mais fácilmente poderia suportar despesas, dado o baixíssimo vencimento que o orçamento lhes destinava.
O relatório da visita do secretário-geral de Angola, Eduardo Augusto de Sá Nogueira Pinto de Balsemão, em Março de 1868, reforça em muitos pontos a opinião do governador do distrito. Em 14 de Novembro de 1866, foi remetido para Moçâmedes um estojo com material didáctico para o ensino do sistema métrico decimal, a se adoptado no território, substituindo os antigos pesos e medidas. Juntavam-se outros objectos auxiliares para a ministração das noções a divulgar. Em Fevereiro de 1868 foi remetida à escola primária de Moçâmedes, uma colecção de pesos e medidas decimais para que os alunos pudessem ter prática directa da sua utilização. Vinte anos antes tinha sido dado conhecimento de abusos em Luanda, que consistiam no uso de pesos e medidas diferentes, conforme se tratava de compra ou de venda. Talvez por isso, para que o mercado municipal funcionasse sem enganos ao comprador.
Em Moçâmedes, nas localidades e concelho do Bumbo, salientava Joaquim José da Graça, não havia então nem igreja nem padre, apesar de se tratar de uma população branca superior à da Huíla; não havia também nem escola nem professor de instrução pública. Era o pároco da Huíla que exercia a dupla função de missionário e de professor, mas vira-se obrigado a suspender-lhe a gratificação porque não dava aula por falta de alunos, motivada pelo desinteresse manifestado por aquele sacerdote. Este procedimento deu resultado, já que logo apareceram alguns alunos e a aula recomeçou a funcionar. Apesar de pouco, agradava poder receber a gratificação mensal por tal serviço. Na mesma altura, no ano de 1868, foi cortado o abono de vencimento de professor do ensino primário ao cónego Timóteo Pinheiro Falcão, por ter encerrado a escola primária que funcionava anexa ao seminário-liceu e que durante bastante tempo foi a melhor e mais frequentada da cidade. O P. Falcão não pode ser considerado pessoa sem merecimentos ou consideração social; como nativo de Luanda, foi um dos mais destacados elementos da cidade; tinha já sido membro do Conselho Governativo, em 1865, no final do primeiro período de governo de José Baptista de Andrade. Foi agraciado, nesse mesmo ano e por diploma de 24 de Janeiro, com o grau de cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, hoje extinta. FONTE
Onde teriam sido ministradas as primeiras aulas do Ensino Primário de Moçâmedes ?
Como atrás ficou dito, naturalmente de início foi em barracões. Sabe-se que quando já existiam casas construídas a pedra e cal , algumas delas foram alugadas para funcionarem como escolas ; mas antes disso terá sido mesmo em barracões. Aliás, os habitantes do povoadoque de início se dedicaram à agricultura nas várzeas do Bero e Giraúl, e também ao comércio, viviam em feitorias onde as habitações eram, simplesmente, barracões levantados a "pau a pique" ,com coberturas de capim , caniços , palha e outras materiais muitíssimo rudimentares . Com o rodar dos tempos tudo foi melhorando. Sabe-se também que funcionou uma Escola Primária nas instalações do Palácio para alunos da Torre do Tombo. Também havia a Escola da Câmara Municipal. Mas isto foi lá muito para trás, na segunda metade do século XIX, e inícios do século XX.
Finalmente, gostaria de recuar ainda mais no tempo, ao tempo das primeiras aulas de Instrução Primária ...
Estas iniciaram-se em Moçâmedes após ter sido publicada a Portaria Nº 83 de 25 de Julho de 1849 , tendo sido nomeado para as ministrar, com a designação de "Mestre das Primeiras Letras", o 1º Sargento de Infantaria, José Inácio dos Reis, que, antes de poder exercer aquelas funções foi submetido a um exame para ser apurado se " se achava apto para o exercicio do magistério primário " 1849 foi o ano da fundação de Moçâmedes pelo primeiro grupo de pioneiros vindos de Pernambuco (Brasil), na Barca Tentativa Feliz capitaniada poelo Brigue Douro, e chefiado por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o director da Colónia, também professor, antes de partir, no Colégio Pernambucano (História). Não houve pois tempo a perder... Naturalmente ainda os colonos viviam no interior de grandes barracões que se ergueram naquela que conhecemos por Avenida da República, e que seria destinada a sala de visitas da cidade.
Quem na época avaliou o professor pioneiro foi o Major José Herculano Ferreira da Horta. que veio a ser o Governador do Distrito, de 10 de Agosto de 1851 a 03 de Outubro de 1852, e considerou "assaz satisfatória" tal avaliação, ainda que não possuísse todos os conhecimentos que seriam para desejar a quem tivesse para o cargo do ensino da mocidade, como não deixou de reportar superiormente. Ao "mestre" foi fixada, para o ministrar das "primeiras letras", uma gratificação de 5.00 Réis/mensais, além do seu salário enquanto 1º Sargento. E tinha como "meta oficialmente estabelecida": organizar uma escola regular com duas horas de aulas de manhã e outras duas à tarde, onde os jovens do "sexo masculino" deveriam aprender a: "ler, escrever e contar, principios de gramática e doutrina cristã, todos os dias da semana, com excepção dos dias santificados e as quintas-feiras, quando não houvesse dia santificado na semana" (Boletim Oficial Nº 204 de 25 de Agosto de 1849).
A frequência dessas aulas - segundo documentação desse tempo -, terá sido "quase nula ", tendo em conta o número de alunos que as frequentaram no período de 1849-1952, e que oscilou entre 1 e 9 (o máximo conseguido), como consta de um mapa estatístico referido a Agosto de 1851. Por razões que não se detectam, a 31 de Janeiro de 1850, foi o 1º Sargento José Inácio dos Reis, primeiramente suspenso do cargo de Mestre (Portaria Distrital Nº 6), e, pouco depois demitido, sem que se consiga descortinar, qual a portaria e a data?! Tendo sido nomeado para o substituir naquelas funções o Professor Primário Alberto da Fonseca Abreu e Costa (Portaria Nº 198 de 23 de Julho de 1850), de que se demitiu (Portaria Provincial Nº 255 de 26 de Março de 1851). E essa função foi logo preenchida por um outro professor primário Francisco António Mesquita .(Portaria Provincial Nº 267 de 22 de Maio de 1851). De assinalar que, nesses poucos anos, exerceram funções de ensino primário somente esses ditos professores primários (um deles militar e em acumulação, apenas mestre escolar) consagrados aos jovens do sexo masculino , tendo sido o número de alunos (9) muitíssimo fraco. Não existem quaisquer elementos ou referências, no que concerne ao ensino primário feminino, apenas, existe, isso sim, a nomeação de uma professora do sexo feminino, de seu nome Joaquina da Conceição Mesquita, desconhecendo-se completamente (por falta de dados) se, essa referida Sra. alguma vez ministrou aulas primárias às meninas da nossa terra ?
A cadeira de mestra de meninas, em Moçâmedes, foi criada pela portaria ministerial de 16 de Abril de 1852, que autorizou a inclusão no orçamento anual da província da verba necessária para pagar o vencimento da respectiva professora. Havia então somente duas escolas femininas em Angola, Luanda e Benguela.
No dia 2 de Maio de 1866, em portaria assinada pelo governador-geral Francisco António Gonçalves Cardoso, foi confirmada a suspensão do cargo de professor primário de Moçâmedes ao P. António Castanheira Nunes, devido a comportamento altamente repreensível como professor de instrução primária e inteiramente desregrado como eclesiástico, tendo até já por isso sido suspenso de pároco pelo bispo da diocese e não convindo que continue no desempenho de tão importante serviço do ensino um semelhante funcionário. Aproveitamos a oportunidade para dizer que encontraremos este nome em lugares destacados do ensino, com reputação sólida de mestre competente, embora pouco dedicado à escola e aos alunos, chegando no entanto a exercer funções orientadoras de grande responsabilidade. Soube aproveitar a lição! Moçâmedes estava em maré de pouca sorte, pois na mesma altura foi suspensa do cargo a sua mestra de meninas, Ana Catarina Weyer, conf. portaria de 23 de Outubro de 1866, sendo a demissão aplicada pela portaria de 28 de Dezembro. No dia em que foi suspensa era nomeada para o seu lugar outra senhora, Guilhermina Bettencourt de Almeida, senso contudo curta a sua osupação visto que no dia 29 de Agosto de 1867 era nomeada outra mestra de meninas, já carácter definitivo e permanente, Maria José Ferreira, enquanto aquela era exonerada do cargo.
Moçâmedes tinha, por esta altura, segundo documentos oficiais, 1.211 habitantes, sendo 837 escravos 99 libertos e 275 indivíduos livres. Quanto a estes, havia 210 pessoas de raça branca sendo os demais, negros e mestiços. Luanda tinha, segundo informações referentes a 18 de Janeiro de 1856, o elevado número de 14.124 escravos; o comentador da situação dizia que era altamente desproporcional à população livre da cidade. O governador do distrito, Joaquim José da Graça, afirma no seu relatório de 1867 que no dia 11 de Janeiro daquele ano começou a exercer as respectivas funções o novo pároco, acumulando com elas o cargo de professor de primeiras letras. Deveria tratar-se do P. João Bento Gil Carneiro, pois é ele que assina os mapas escolares do final do ano lectivo. Este sacerdote exerceu durante pouco tempo o professorado professorado em Moçâmedes, dado fins de 1868 já os mapas eram assinados por outro sacerdote.
Por esta altura poucas vezes as funções de mestre e de pároco se sobrepuseram em Moçâmedes, havendo quase sempre dois sacerdotes nesta povoação. Em Dezembro 1868, os mapas referentes à escola de instrução primária de Moçâmedes foram assinados pelo P. Augusto Severino Freire de Figueiredo, sacerdote que foi alvo da atenção das autoridades, conforme portaria régia de 21 de Janeiro de 1874, assinada pelo ministro João de Andrade Corvo, onde chamava atenção do governador-geral e da Junta de Saúde para o facto de este missionário exercer ilegalmente a medicina, vendendo remédios da sua invenção, para além de ser autor do livro intitulado Manual da Medicina Ecléctica, em que aconselhava o uso de certas drogas da sua lavra. Recomendava-se expressamente que fosse aplicado contra este padre todo o rigor da lei. Em 23 de Abril de 1869 o ministro Latino Coelho comunicava que os produtos oferecidos pelo P. Augusto Severino Freire de Figueiredo e por ele coleccionados tinham sido enviados à Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, a fim de serem examinados, por haverem sido reputados como medicinais, em Angola. Solicitava-se que o sacerdote completasse a notícia, enviando informações sobre o uso terapêutico dessas substâncias, assim como a fórmula e doses em que eram aplicadas, para se fazerem as experiências com maior segurança e eficácia, ficando a conhecer-se o seu préstimo como medicamento. Nas informações necrológicas publicadas no Boletim Oficial de Angola pode ler-se que morreu tragicamente, em Moçâmedes, no dia 8 de Março de 1876, por afogamento que se dizia voluntário.
Além da escola para o sexo masculino, havia em Moçâmedes por aquele tempo, 1867, a escola de meninas, a cargo da mestra régia Maria José Ferreira. Era pouco frequentada, informa o governador do distrito no relatório a que já nos referimos. As aulas haviam começado no início do ano lectivo em curso e a concorrência à matrícula não fora grande. No tempo das outras mestras, a frequência não era maior. Quanto ao sexo masculino, a situação era mais agradável, o professor desempenhava com zelo as funções do seu cargo e os resultados obtidos eram satisfatórios. O governador lembrava sobre a exiguidade do vencimento anual de 120 mil reis, pago à mestra de meninas, em Moçâmedes, insuficiente para uma vida digna numa região das mais cara da Província, e defendia que os professores de instrução primária da vila deveriam receber mais que noutros lugares, ou construir-se alí casas mobiladas onde pudessem viver sem pagar renda. E que deveriam ser nomeadas para tal cargo somente pessoas com as necessárias habilitações, provadas em exame público, como no reino, e isso para ambos os sexos, e considerava ruinoso o quase inútil o que se estava a fazer, pela ausência de resultados face à despesa efectuada com a mestra régia. A professora deveria ser a esposa ou a filha (devidamente habilitada) de algum funcionário público, porque mais fácilmente poderia suportar despesas, dado o baixíssimo vencimento que o orçamento lhes destinava.
O relatório da visita do secretário-geral de Angola, Eduardo Augusto de Sá Nogueira Pinto de Balsemão, em Março de 1868, reforça em muitos pontos a opinião do governador do distrito. Em 14 de Novembro de 1866, foi remetido para Moçâmedes um estojo com material didáctico para o ensino do sistema métrico decimal, a se adoptado no território, substituindo os antigos pesos e medidas. Juntavam-se outros objectos auxiliares para a ministração das noções a divulgar. Em Fevereiro de 1868 foi remetida à escola primária de Moçâmedes, uma colecção de pesos e medidas decimais para que os alunos pudessem ter prática directa da sua utilização. Vinte anos antes tinha sido dado conhecimento de abusos em Luanda, que consistiam no uso de pesos e medidas diferentes, conforme se tratava de compra ou de venda. Talvez por isso, para que o mercado municipal funcionasse sem enganos ao comprador.
Em Moçâmedes, nas localidades e concelho do Bumbo, salientava Joaquim José da Graça, não havia então nem igreja nem padre, apesar de se tratar de uma população branca superior à da Huíla; não havia também nem escola nem professor de instrução pública. Era o pároco da Huíla que exercia a dupla função de missionário e de professor, mas vira-se obrigado a suspender-lhe a gratificação porque não dava aula por falta de alunos, motivada pelo desinteresse manifestado por aquele sacerdote. Este procedimento deu resultado, já que logo apareceram alguns alunos e a aula recomeçou a funcionar. Apesar de pouco, agradava poder receber a gratificação mensal por tal serviço. Na mesma altura, no ano de 1868, foi cortado o abono de vencimento de professor do ensino primário ao cónego Timóteo Pinheiro Falcão, por ter encerrado a escola primária que funcionava anexa ao seminário-liceu e que durante bastante tempo foi a melhor e mais frequentada da cidade. O P. Falcão não pode ser considerado pessoa sem merecimentos ou consideração social; como nativo de Luanda, foi um dos mais destacados elementos da cidade; tinha já sido membro do Conselho Governativo, em 1865, no final do primeiro período de governo de José Baptista de Andrade. Foi agraciado, nesse mesmo ano e por diploma de 24 de Janeiro, com o grau de cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, hoje extinta. FONTE
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Para que a memória não desvaneça, quero deixar aqui expressos alguns nomes de professores/as alguns dos quais ainda recordo, que no decurso dos anos e sobretudo entre 1940 e 1975 leccionaram na ensino Primário em Moçâmedes:
Recuando bastante mais atrás, por via de terceiros, encontramos Alcina da Cruz Sampaio Nunes. Natural de Seia-Guarda, Beira Alta, nasceu por volta de 1893. Foi professora na escola primária do sexo feminino, em Porto Alexandre (Tombwa), nomeada a 1 de Junho de 1915 por alvará do Governador do Distrito, em substituição da detentora do lugar, Elisa Lopes e Faro, e por razões de que não encontramos dados, estava impedida de exercer. A 9 de Julho foi nomeada e tomou posse, para o exercício dessa mesma docência, tendo sido, posteriormente, confirmada neste cargo (24 de Janeiro de 1916). Era diplomada por uma das Escolas Normais Portuguesas, desconhecendo-se em qual delas ?, e terá concluído o seu curso do Magistério Primário. Por falta de elementos mais detalhados sobre a sua vida e acção escolar em Porto Alexandre (Tombwa), nada mais estamos em condições de avançar, aguardando eventuais acrescentos sobre esta professora e outros professores que por Moçâmedes cidade e Distrito leccionaram em épocas recuadas.Para além do ensino público, algumas famílias de Moçâmedes recorriam ao privado, sobretudo na educação das raparigas em determinadas classes sociais. Foi assim que apareceu na vila a ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França
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ENSINO PARTICULAR: Preceptoras
"... Para encerrar este capítulo, faremos referência muito especial a uma ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França e cujo nome aportuguesado é Henriqueta Deehan: Miss Herriet (Herreeth) Deehan, pessoa de maneiras muito distintas, professora consciente da sua missão, dedicada ao ensino e invulgarmente culta. Viajara por diversos países da Europa, Ásia, África e Oceania. Residira na Inglaterra e na França. Exercera o magistério em Lisboa. Deveria ter-se fixado em Moçâmedes pelo ano de 1880, mantendo-se ali em 1894. Ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Desenho, Música, etc. A sua escola era frequentada pelas jovens do sexo feminino das mais distintas famílias da cidade, mantendo-se ali até bastante tarde, algumas só saíam para casarem... No dizer de um inspector, era a escola que em Angola ministrava mais vasto programa educativo, rivalizando com as melhores de Portugal e mesmo da Europa! Preenchia, por si só, o lugar de muitas mestras, emprestando ao ensino grande seriedade e importância, insistência e intensidade. Os desenhos e bordados das suas educandas poderiam colocar-se a par dos mais perfeitos das exposições escolares realizadas em qualquer país! Embora, em regra, recebesse só meninas, aceitava algumas vezes, por excepção, alguns rapazinhos, mas exclusivamente quando eram irmãos das suas alunas. Preenchia só ela o lugar de muitas mestras. Manteve-se na cidade cerca de pelo menos quinze ano. O moçamedense António A. M. Cristão, no seu livro «Memórias de Angra-do-Negro Moçâmedes», no cap. II.4-EDUCAÇÂO, pg.221 refere que se devia. por altura de 1920, em parte, senão muito, à elite da época, constituida por um interessante elenco de Senhoras já dali naturais, que no exterior, e, especialmente em Londres, concluiram umas o curso de alta-costura, outras o do conservatório de música e dança, formação que, então, passaram a ministrar às jovens dali naturais. A beleza e o fino porte destas jovens encantavam todos aqueles com elas conviviam. Refere entre outras, Ema Zuzarte Mendonça, solteira, diplomada com o curso do Conservatório de Música de Lisboa, que em Moçâmedes até à década de 50 foi professora particular de Música. Era um tempo em que o cultivo dessas «prendas domésticas» faziam parte da educação de uma rapariga, e faziam as delícias dos seus admiradores... Mas a vida das mulheres mudou após a II Grande Guerra Mundial (1939-1945), com a entrada decisiva da mulher no mundo do trabalho, e abertura de outras perspectivas para as suas vidas. Até aí a maioria desempenhava no interior do lar o papel tradicional de esposas e de mães.221 :
MariaNJardim
(*) Era assim na época, porém, mais tarde (1954-1955) o início e final das aulas foi radicalmente alterado - Setembro a Julho do ano seguinte - por forma a coincidir com a abertura dos Cursos Universitários em Portugal, para que os muito poucos jovens de Angola que iam prosseguir os estudos pudessem ingressar nas faculdades sem perda de tempo Ou então, para que os funcionários públicos de Angola durante esses meses, pudessem demandar a metrópole nas sua Licenças Graciosas beneficiando das águas termais de climas mais privilegiados. Foi uma mudança de horários de prejudicou muita gente em favor de uma minoria pois obrigava os alunos estarem encerrados no interior de uma sala de aula, a transpirar, vestidos e cobertos pela bata branca, quando deviam estar na praia. Recordo que Rui de Mendonça Torres assinalou publicou em defesa dos alunos que em Angola tinham de permanecer e suportar estoicamente as aulas, exactamente em períodos de escaldante Verão, como consta de um brilhante e aceso artigo publicado nos jornais de Angola.
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MariaNJardim
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sexta-feira, agosto 10, 2007
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Alunos e Escolas distrito Moçâmedes
09 agosto 2007
«Kazecutas» da nossa terra, num carnaval de rua na década de 50, e mais adiante no tempo...
A concentração começava no antigo campo de futebol de terra batida, situado em local próximo da Estação dos Caminhos de Ferro (fotos 1 e 2). Anualmente pelo Carnaval e durante três dias as "danças de rua" indígenas desfilavam pela cidade, cantando, batucando, dançando, soprando apitos, erguendo paus, cartazes, bandeiras e estandartes... Era a festa que o povo africano tanto adorava e nós, a garotada branca, negra e mestiça daquele tempo, também!
Nestes dias de Carnaval, na Moçâmedes dos anos 1950, descarregam-se energias, ânimos, desânimos, emoções...
As danças indígenas, eram nem mais nem menos o que vemos aqui: povo na rua, uns exibindo chapéus de abas largas, outros, lenços, panos garridos, calças listadas, casacas ornamentadas com adornos representando postos de exército, bonés, soutiens, óculos, etc... E ainda outros, semi-nús, saia curta sarapilheira, soutiens, colares, brincos, rostos pintalgados, penas na cabeça simulando índios em suas lutas e rituais, apito na boca, pau na mão, máscaras rudimentares de papelão, etc. etc.
"Quimbares" ensaiam passos de dança no interior do campo de futebol de Moçâmedes
E a dança sai à rua passando junto às pérgulas e aos caramanchões da Avenida...
Os tocadores utilizavam bombos, cornetas, reco-reco, marimbas, quissanges, apitos para cadência rítmica, para além de outros objectos julgados necessários tais como latas, garrafas, etc., etc.
Regra geral eram três as danças indígenas carnavalescas, a do plateau da Torre do Tombo, a da Aguada, e a do Forte de Santa Rita, ambas formadas por quimbares *, homens, mulheres e crianças.
Estas «danças» eram lideradas pelos seus reis e as suas rainhas que trajavam carnavalescamente à guisa dos reis e rainhas europeias, aos quais não lhes faltava as respectivas coroas e os ceptros reais...coroas que nas rainhas eram colocadas em cima de véus que vinham até ao chão fazendo lembrar as santas dos altares nas igrejas católicas... Atrás seguiam os músicos com diversos instrumentos para marcar o ritmo, especialmente tambores. Anda mais atrás seguiam os bailarinos, vestindo trajes individualistas ou, nos grupos "mais ricos", apresentando trajes repetitivos de tecidos de algodão de cores fortes. Enfim, toda uma encenação que dava um tom característico ao Carnaval de rua que se desenrolou em Moçâmedes, acredita-se, desde a chegada dos 1º colonos vindos de Pernambuco, Brasil, em 1849 e 1850, sob a influência dos serviçais, escravos e livres que os acompanharam e que carregavam em sí, já uma mistura de influências afro-brasileiras.
As danças ao desfilarem pelas ruas da cidade paravam em determinadas portas e faziam a sua exibição, passo para a frente, passo para trás, que terminava com uma vénia cortês do líder, que recebia um «mata-bicho», gratificação em dinheiro, ou uma garrafa de vinho e algo para comer, o que vinha a calhar sobretudo quando a fome e a sede começavam a apertar...
O Dominguinhos ceguinho, poeta muito conhecido e acarinhado na cidade que aos sábados a percorria de ponta a ponta em busca de esmolas, era quem compunha a música e a letra da «dança» do Forte de Santa Rita. O cozinheiro do ti Óscar Almeida, era sempre o rei da «dança» do plateau da Torre do Tombo. As letras continham críticas sociais, apontavam para assuntos na ordem do dia, como o alcoolismo, o endividamento, as mulheres de mau porte, os amores perdidos, achados, frustrados e maculados, mas também a crítica velada ao sistema político vigente era tema para canções.
E a festa terminava em apoteose, quando ao fim do dia, no regresso a casa, já bem bebidos e excitados, fruto da colheita de vários donativos conseguidos pelas "danças" no decurso das exibições efectuadas às portas das casas, os componentes de grupos rivais se encontravam frente a frente, lá para os lados do Cemitério, e do encontro redundava numa autêntica batalha campal, de luta corpo a corpo, que obrigava, em último recurso, à intervenção da polícia..
Era a grande festa do povo, a festa dos «cazecutas» da nossa terra, que se constituía em momentos de autêntica catarze, e que terminou abruptamente com a proibição de manifestações populares e exibição de máscaras nas ruas da cidade pelas autoridades portuguesas, a partir das sublevações no norte de Angola e dos acontecimentos trágicos de 1961.
Em Luanda, o centro de informação e turismo de Angola (CITA) criou mais tarde regulamentos próprios para o Carnaval de rua junto das câmaras municipais, determinou os locais onde deveriam decorrer os desfiles, proibiu o uso das máscaras incrementaram os corsos, corsos alegóricos que desfilavam nos espaços que separavam os grupos carnavalescos e incentivaram cada vez mais as festas de salão, entre outras acções.
O mesmo aconteceu com o Carnaval de rua no Lobito que passou a constituir um cartaz turístico para a cidade. Nesse período, depois de Luanda, só o Carnaval de Lobito, na província de Benguela, se destacou, chegando a ser considerado o mais animado e mais organizado Carnaval de Angola. A Câmara Municipal fazia desfilar na bela restinga e desde o início do Porto do Lobito à colina da saudade.
Porém em Moçâmedes e não se sabe bem porquê, o Carnaval de rua extinguiu-se a partir de 1961, e nunca mais voltou. A Terminou também a "batalha de cocotes" que durante décadas. messes 3 dias, deixava a Avenida da República toda coberta de farinha... E as danças de rua indígenas acabaram substituídas por dolentes batucadas, das quais apenas se ouviam os ecos vindos de entre muros, lá dos lados da Aguada, Forte de Santa Rita e Plateau da Torre do Tombo ...
Uma década depois...
Fevereiro de 1974. Estava-se a mês e meio antes do golpe militar de 25 Abril em Portugal, que depôs o Estado Novo, e a pouco mais de ano e meio da independência de Angola...
Carnaval de 1974, sem dúvida! O próprio cartaz o comprova. Desfilando pela Avenida da Praia do Bonfim, grupos de jovens africanas vestidas de côr alaranjada, sedas e setins, brincos, colares, turbantes, etc, inauguram um outro modo de viver o Carnaval, bem diferente das tradicionais "danças indígenas" que não mais tinham voltado às ruas de Moçâmedes!
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Este foi, pois, como que um derradeiro encontro de culturas a encerrar o ciclo dos carnavais coloniais em Moçâmedes. Mas o derradeiro Carnaval festejado mas ruas da cidade foi mesmo o de 1975, a poucos meses da independência de Angola. Desse já nada sei!
Angola foi independente em Novembro de 1975, com a cidade de Moçâmedes esvaziada da sua população europeia. Seguem algumas fotos daquele que penso ter sido o 1º Carnaval (pós dipanda), festejado nas ruas do Namibe:
Ver também AQUI, tudo sobre os carnavais em Moçâmedes
MariaNJardim
* Chamavam-se quimbares os nativos urbanizados naturais de Moçâmedes, em grande parte descendentes de antigos serviçais, livres e escravos, que em 1849 e em 1850 desembarcaram em Moçâmedes acompanhando os seus senhores, que, vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos das hostilidades nativistas, iam dar início à colonização do Distrito de Moçâmedes. Retornados a África, escravos ou livres, esses africanos de origens várias, sobretudo ambundos, transportavam consigo uma cultura própria, cristianizada, eivada de usos e costumes lusos, que haviam adquirido no contacto com seus patrões nas relações de trabalho, no Brasil. Vestiam-se de panos da cintura para baixo, com pequenas blusas cobrindo o busto (as mulheres), e com calças e camisas (os homens) e sabiam festejar o Carnaval, ao qual emprestaram um cunho próprio, com danças de rua e mascaradas acompanhadas de cânticos e batuques, cuja ritmica fazia lembrar danças de recriação espírita, em dias de óbito. Não andavam pois, nús, nem semi-nus como os povos que foram encontrar fixados nas margens dos rios Bero, Giraúl, Coroca, etc, ou deambulando, numa vida nómade e semi-nómade pelo Deserto do Namibe, vivendo da caça, do gado e do pastoreio.
Com o rodar do tempo esse núcleo inicial dp povo designado por quimbar foi-se alargando, em resultado da misceginação aos poucos verificada com indivíduos de outros grupos étnicos que com eles se cruzaram. Refiro-me a escravos libertados de navios negreiros apresados e enviados de Luanda para Moçâmedes, nesses tempos de abolição e de luta contra o tráfico clandestino para o Brasil e Américas, tempo de grande carência de mão de obra, quando se pretendia enveredar para um um novo paradigma colonial, de povoamento e desenvolvimento do território.
Passaram a integrar também o grupo quimbar, povos oriundos das margens do Bero, Giraúl e Curoca, entre os quais os Cuisses, Curocas e Hereros, ou mesmo os mais distantes Nhanecas-Humbes, Ambós e Ganguelas (W), estes não tanto, que, atraídos para trabalhar na agricultura e na indústria da pesca, e que, deslocados do seu meio, ao passarem a viver na região quimbar (Moçâmedes, Porto Alexandre e outras povoações pesqueiras e agrícolas entre Moçâmedes e Benguela, e mesmo Lubango, Humpata e Chibia) e ao atingirem um certo grau de aculturação no contacto com os brancos e com os primitivos quimbares, passaram a adoptar os modos de ser e de estar quimbar. Ou seja, aprenderam a falar português, assimilaram alguns usos e costumes que já eram uma mistura de costumes afro-europeus. Tanto que na língua cuanhama o termo que os define o "quimbar", bali, lwimbali ou vimbali, significa, literalmente, "aqueles que vivem como os brancos". Aos primitivos quimbares Lopes Cardoso designaria de "Mbalis próprios", enquanto aos do segundo grupo designaria de"Virados". Olumbali, foi língua por eles criada, para cuja formação contribuiram decisivamente o quimbundu e o umbundu, bem assim como, em menor escala, o português e algumas línguas do sudoeste de Angola.
Resumidamente, a designação quimbar passou a abranger africanos de várias proveniências, sem radicação étnica, nem língua única, povos quimbundos, sobretudo ambundos, povos umbundos, e outros que se expressavam em idiomas do sudoeste de Angola, e que deslocados do seu meio, passaram a adoptar o modo de ser quimbar, e inclusive, com o rodar dos tempos passaram a mandar os filhos à escola oficial.
Lingua oficial de Angola: o português
Idiomas existentes em Angola: umbundo, quimbundo, quicongo, fiote, tchocwe, n'ganguela e cuanhama.
Mas também desfilarem carros alegóricos que transportavam em si outras mensagens, como o da JAEA (Junta Autónoma de Estradas de Angola), a sugerir a nova Angola, progressiva e multirracial, que agora se pretendia para o futuro... Por esta altura, fruto da nova política de assimilacionismo acelerado, levada a cabo pelo Estado Novo, já muitos africanos ocupavam lugares de destaque um pouco por toda a Angola, sobretudo no funcionalismo público. O processo de integração e miscegenação estava em marcha, mas todas as medidas visando recuperar o tempo perdido revelaram-se tardias demais...
Este foi, pois, como que um derradeiro encontro de culturas a encerrar o ciclo dos carnavais coloniais em Moçâmedes. Mas o derradeiro Carnaval festejado mas ruas da cidade foi mesmo o de 1975, a poucos meses da independência de Angola. Desse já nada sei!
Angola foi independente em Novembro de 1975, com a cidade de Moçâmedes esvaziada da sua população europeia. Seguem algumas fotos daquele que penso ter sido o 1º Carnaval (pós dipanda), festejado nas ruas do Namibe:
Ver também AQUI, tudo sobre os carnavais em Moçâmedes
MariaNJardim
* Chamavam-se quimbares os nativos urbanizados naturais de Moçâmedes, em grande parte descendentes de antigos serviçais, livres e escravos, que em 1849 e em 1850 desembarcaram em Moçâmedes acompanhando os seus senhores, que, vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos das hostilidades nativistas, iam dar início à colonização do Distrito de Moçâmedes. Retornados a África, escravos ou livres, esses africanos de origens várias, sobretudo ambundos, transportavam consigo uma cultura própria, cristianizada, eivada de usos e costumes lusos, que haviam adquirido no contacto com seus patrões nas relações de trabalho, no Brasil. Vestiam-se de panos da cintura para baixo, com pequenas blusas cobrindo o busto (as mulheres), e com calças e camisas (os homens) e sabiam festejar o Carnaval, ao qual emprestaram um cunho próprio, com danças de rua e mascaradas acompanhadas de cânticos e batuques, cuja ritmica fazia lembrar danças de recriação espírita, em dias de óbito. Não andavam pois, nús, nem semi-nus como os povos que foram encontrar fixados nas margens dos rios Bero, Giraúl, Coroca, etc, ou deambulando, numa vida nómade e semi-nómade pelo Deserto do Namibe, vivendo da caça, do gado e do pastoreio.
Com o rodar do tempo esse núcleo inicial dp povo designado por quimbar foi-se alargando, em resultado da misceginação aos poucos verificada com indivíduos de outros grupos étnicos que com eles se cruzaram. Refiro-me a escravos libertados de navios negreiros apresados e enviados de Luanda para Moçâmedes, nesses tempos de abolição e de luta contra o tráfico clandestino para o Brasil e Américas, tempo de grande carência de mão de obra, quando se pretendia enveredar para um um novo paradigma colonial, de povoamento e desenvolvimento do território.
Passaram a integrar também o grupo quimbar, povos oriundos das margens do Bero, Giraúl e Curoca, entre os quais os Cuisses, Curocas e Hereros, ou mesmo os mais distantes Nhanecas-Humbes, Ambós e Ganguelas (W), estes não tanto, que, atraídos para trabalhar na agricultura e na indústria da pesca, e que, deslocados do seu meio, ao passarem a viver na região quimbar (Moçâmedes, Porto Alexandre e outras povoações pesqueiras e agrícolas entre Moçâmedes e Benguela, e mesmo Lubango, Humpata e Chibia) e ao atingirem um certo grau de aculturação no contacto com os brancos e com os primitivos quimbares, passaram a adoptar os modos de ser e de estar quimbar. Ou seja, aprenderam a falar português, assimilaram alguns usos e costumes que já eram uma mistura de costumes afro-europeus. Tanto que na língua cuanhama o termo que os define o "quimbar", bali, lwimbali ou vimbali, significa, literalmente, "aqueles que vivem como os brancos". Aos primitivos quimbares Lopes Cardoso designaria de "Mbalis próprios", enquanto aos do segundo grupo designaria de"Virados". Olumbali, foi língua por eles criada, para cuja formação contribuiram decisivamente o quimbundu e o umbundu, bem assim como, em menor escala, o português e algumas línguas do sudoeste de Angola.
Resumidamente, a designação quimbar passou a abranger africanos de várias proveniências, sem radicação étnica, nem língua única, povos quimbundos, sobretudo ambundos, povos umbundos, e outros que se expressavam em idiomas do sudoeste de Angola, e que deslocados do seu meio, passaram a adoptar o modo de ser quimbar, e inclusive, com o rodar dos tempos passaram a mandar os filhos à escola oficial.
Lingua oficial de Angola: o português
Idiomas existentes em Angola: umbundo, quimbundo, quicongo, fiote, tchocwe, n'ganguela e cuanhama.
Grupos étnicos: perto de 90%, são de origem banto, sendo o principal grupo étnico banto o dos ovimbundos que se concentra no centro-sul de Angola e se expressa tradicionalmente em umbundo, a língua nacional com maior número de falantes em Angola. Por seu lado os ambundos que falam quimbundo, a segunda língua nacional, residentes maioritariamente na zona centro-norte (eixo Luanda-Malange e no Cuanza-Sul). Quimbundo é uma língua com grande relevância, por ser a língua tradicional da capital e do antigo reino dos N'gola. Legou muitas palavras à língua portuguesa e importou desta, também, muitos vocábulos. No norte (Uíge e Zaire) concentram-se os bacongos de língua quicongo que tem diversos dialectos. Era a língua do antigo Reino do Congo. Os quiocos ocupam o leste, desde a Lunda Norte ao Moxico, e expressam-se tradicionalmente em chocué (ou tchokwe), língua que se tem vindo a sobrepor a outras da zona leste do país. Cuanhama, nhaneca e mbunda são outras línguas de origem bantu faladas em Angola. O sul de Angola é também habitado por bosquímanos, povos não bantus que falam línguas do grupo khoisan.
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MariaNJardim
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quinta-feira, agosto 09, 2007
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05 agosto 2007
O Carnaval em Moçâmedes nos 1950: bilibaus, tragateiros, torredotombenses, e outros mais ..
"Bilibaus" e Tragateiros". Reconheço, da esq. para a dt., em cima: Leão da Encarnação, Mário Figueiredo, ?, António Ferreira (Penha), Amadeu Pereira, Fernando Peçanha, Anatálio Pereira, ?, ?, ?, Norberto Gouveia e António Barbosa. Em baixo: Albertino Gomes, José Adriano Boorges João Bernardinelli, Wilson Pessoa, Edgar Aboim, ?, João António Guedes, ? , Renato Sousa, Artur Paulo de Carvalho (Turra) e Mário Júlio Peyroteu...
Moçâmedes era assim nos três longos e animados dias em que decorria o Carnaval, que, sob a forma de Entrudo, era festejado na Avenida da Praia do Bonfim, na década de 1950, deixando-a completamente irreconhecível, toda coberta de farinha ...
Eram dias, em que toda a gente da cidade e arredores vinha para a rua, assistir às "enfarinhadelas", às batalhas de "cocotes" entre grupos rivais, "bilibaus", "tragateiros" e "torredotombenses", efectuadas no terreno, corpo a corpo, ou a partir do cimo de carrocerias de "camionetas" de caixa aberta, que percorriam de ponta a ponta a Avenida, ou para assistirem aos corsos, que de quando em quando aconteciam nesta quadra festiva, e que era ali que também se realizavam. E chegada a quarta-feira de cinzas, lá estavam os varredores da Câmara a tentar dar um ar civilizado àquele local, que era afinal a sala de visitas da cidade.
Eis o grupo dos rebeldes "torredotombenses". No topo: Zequinha Esteves, ? e Amilcar Almeida. De pé: Arménio Jardim, José Patrício (aviador), ?, Nelinho Esteves, Bulunga, Eduardo Faustino (gémeo) Lopes, Fernando Pessanha, Armando Esteves (Trovão), José Carlos Lisboa (Lolita), Manuel Cambuta, João António Bagarrão Pereira (John), Mário Ferreira e Gabriel. De joelhos: ?, Pedro Eusébio, Joaquim Gregório, Bernardino (Noca), Zeca Carequeja, ?, Eugénio Estrela, Dito Abano e Rui Carapinha. À frente ?.
Foliões reunidos no antigo campo de futebol, entre eles reconheço, em cima, e da esq. para a dt. Mário Luís Figueiredo, Artur Costa, ??? António Barbosa, ?? João Bernardineli. Embaixo: António Bernardino, Albertino Gomes, Renato Veli, ? Frederico Costa,?? Diogo,??
Esta era a "juventude rebelde" daquele tempo, cujo comportamento se transformava radicalmente, quando, ao anoitecer, começavam as matinées dançantes, ora no salão do Atlético, ora no do Clube Nautico, sabendo ser romântica, qundo as circunstâncias convidavam a tal...
Depois do jantar, aos sábados, estes salões de festas do Atlético e do Casino animavam-se com bailes, no decurso dos quais eram eleitos o rei e a rainha do Carnaval, geralmente escolhidos entre os mais dados à folia... Era sem dúvida gratificante ser-se jovem em Moçâmedes na década de 1950!
Mas o Carnaval de Moçâmedes até aos anos 1950 apresentava também facetas mais populares, que num repente deixaram de acontecer. Reminiscências de outras épocas, costume trazido pelos colonos vindos de Olhão que se instalaram no bairro da Torre do Tombo, era geralmente depois do jantar que um grupo de parodiantes, que incluia por vezes membros de uma mesma família (homens, mulheres e crianças, sem distinção de idades), percorriam as ruas daquele bairro disfarçados com trajes improvisados de momento, que podiam ir de um simples lençol branco simulando fantasmas e um cajado na mão, até ao uso dos mais variados disfarces rudimentares (feitas de papelão, com buracos no lugar dos olhos, grandes narizes e bocas vermelhas, etc, etc...). E assim iam batendo às portas das casas de outras famílias, conhecidas e amigas, ou até mesmo desconhecidas, sendo o objectivo da brincadeira o desafio ao reconhecimento dos mascarados, que de modo algum se davam a conhecer, mudando para tal a tonalidade da voz, ou simulando um qualquer defeito físico, etc, etc. Nesse tempo não havia à venda as requintadas máscaras actuais, e a improvisação era a saída. Eram paródias nocturnas que foram perdendo actualidade conforme se avançava para finais da década de 1950.
Segue um poema de Neco Mangericão que sempre tem procurado eternizar em verso este tempo, que foi também o tempo da sua juventude:
PATALIM, PATALIM
Para a Nené Carracinha
e todos os Moçamedenses
O Norberto Gouveia, era um amigo especial
e, quem um dia o conheceu, não o esquecerá jamais.
Brindou-o a Natureza de dons e virtudes tais
que o elevaram e fizeram dele uma figura imortal.
Grande, muito grande em tudo que se meteu,
Honrou a camisola do Atlético, foi desportista,
brindou-nos com a graça e maestria de Artista.
Dos que o viram actuar na revista, quem se esqueceu
dele no papel de compère, junto do Mestre Campos
- que sozinho, com graça e arte podia o palco encher -,
a dar-lhe luta, e respostas brilhantes como pirilampos,
dançando, cantando e fazendo rir até mais não poder.
Foi Homem que, entre o sempre jovem povo Macongino,
como Arcebispo da Praia das Conchas, exerceu com graça
a função de benzedor – provador de barris de boa vinhaça
com prédicas e orações dignas d’um abençoado do destino.
Esta é tão só uma página das minhas Memórias
e, de entre o que me pesa meio século de ausência
da terra natal, é não poder hoje contar mais histórias
de quem que nos fazia rir sem usar da indecência.
João Manuel Mangericão (Neco)
Ficam mais estas recordações
MariaNJardim
Créditos de imagem: algumas destas preciosidades foram encontradas no baú de recordações da minha sogra, 30 anos depois... Outras foram retiradas dos livros de Paulo Salvador( 2ª e 3ª), e outras ainda, de Sanzalangola
Estas fotos captam momentos inesquecíveis dos «Tragateiros» envolvidos numa batalha de cacotes nos jardins da Avenida, junto do Quiosque do Faustino, do Cinema e da Alfândega de Moçâmedes.
Batalha de "cocotes" nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim,
em frente ao Quiosque do Faustino visível na foto
Batalha de "cocotes" nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim,
em frente ao Quiosque do Faustino visível na foto
O grupo «os Tragateiros» desfila na Avenida da Praia do Bonfim, empurrando (sobre rodas), uma enorme pipa de vinho. Nota-se perfeitamente nesta foto a antiga Farmácia do Pequito, à dt, que ficava entre a Papelaria Regina e o antigo Banco de Angola. Ao fundo, pintado de branco, o prédio do Brian.
Moçâmedes era assim nos três longos e animados dias em que decorria o Carnaval, que, sob a forma de Entrudo, era festejado na Avenida da Praia do Bonfim, na década de 1950, deixando-a completamente irreconhecível, toda coberta de farinha ...
Eram dias, em que toda a gente da cidade e arredores vinha para a rua, assistir às "enfarinhadelas", às batalhas de "cocotes" entre grupos rivais, "bilibaus", "tragateiros" e "torredotombenses", efectuadas no terreno, corpo a corpo, ou a partir do cimo de carrocerias de "camionetas" de caixa aberta, que percorriam de ponta a ponta a Avenida, ou para assistirem aos corsos, que de quando em quando aconteciam nesta quadra festiva, e que era ali que também se realizavam. E chegada a quarta-feira de cinzas, lá estavam os varredores da Câmara a tentar dar um ar civilizado àquele local, que era afinal a sala de visitas da cidade.
Eis o grupo dos rebeldes "torredotombenses". No topo: Zequinha Esteves, ? e Amilcar Almeida. De pé: Arménio Jardim, José Patrício (aviador), ?, Nelinho Esteves, Bulunga, Eduardo Faustino (gémeo) Lopes, Fernando Pessanha, Armando Esteves (Trovão), José Carlos Lisboa (Lolita), Manuel Cambuta, João António Bagarrão Pereira (John), Mário Ferreira e Gabriel. De joelhos: ?, Pedro Eusébio, Joaquim Gregório, Bernardino (Noca), Zeca Carequeja, ?, Eugénio Estrela, Dito Abano e Rui Carapinha. À frente ?.
Foliões reunidos no antigo campo de futebol, entre eles reconheço, em cima, e da esq. para a dt. Mário Luís Figueiredo, Artur Costa, ??? António Barbosa, ?? João Bernardineli. Embaixo: António Bernardino, Albertino Gomes, Renato Veli, ? Frederico Costa,?? Diogo,??
Reconheço Mário Luís Figueiredo e Albertino Gomes
Entrada em jeep no Campo de futebol
Grupo de foliões, do início dos anos 1950, concentrando-se para a paródia e cumprindo «rituais de iniciação» no antigo campo de futebol. Da esq. para a dt: José Adriano Borges, ?,?, Caala, ???, Artur Paulo Carvalho (Turra), ??
Esta era a "juventude rebelde" daquele tempo, cujo comportamento se transformava radicalmente, quando, ao anoitecer, começavam as matinées dançantes, ora no salão do Atlético, ora no do Clube Nautico, sabendo ser romântica, qundo as circunstâncias convidavam a tal...
Depois do jantar, aos sábados, estes salões de festas do Atlético e do Casino animavam-se com bailes, no decurso dos quais eram eleitos o rei e a rainha do Carnaval, geralmente escolhidos entre os mais dados à folia... Era sem dúvida gratificante ser-se jovem em Moçâmedes na década de 1950!
Mas o Carnaval de Moçâmedes até aos anos 1950 apresentava também facetas mais populares, que num repente deixaram de acontecer. Reminiscências de outras épocas, costume trazido pelos colonos vindos de Olhão que se instalaram no bairro da Torre do Tombo, era geralmente depois do jantar que um grupo de parodiantes, que incluia por vezes membros de uma mesma família (homens, mulheres e crianças, sem distinção de idades), percorriam as ruas daquele bairro disfarçados com trajes improvisados de momento, que podiam ir de um simples lençol branco simulando fantasmas e um cajado na mão, até ao uso dos mais variados disfarces rudimentares (feitas de papelão, com buracos no lugar dos olhos, grandes narizes e bocas vermelhas, etc, etc...). E assim iam batendo às portas das casas de outras famílias, conhecidas e amigas, ou até mesmo desconhecidas, sendo o objectivo da brincadeira o desafio ao reconhecimento dos mascarados, que de modo algum se davam a conhecer, mudando para tal a tonalidade da voz, ou simulando um qualquer defeito físico, etc, etc. Nesse tempo não havia à venda as requintadas máscaras actuais, e a improvisação era a saída. Eram paródias nocturnas que foram perdendo actualidade conforme se avançava para finais da década de 1950.
Segue um poema de Neco Mangericão que sempre tem procurado eternizar em verso este tempo, que foi também o tempo da sua juventude:
PATALIM, PATALIM
Para a Nené Carracinha
e todos os Moçamedenses
O Norberto Gouveia, era um amigo especial
e, quem um dia o conheceu, não o esquecerá jamais.
Brindou-o a Natureza de dons e virtudes tais
que o elevaram e fizeram dele uma figura imortal.
Grande, muito grande em tudo que se meteu,
Honrou a camisola do Atlético, foi desportista,
brindou-nos com a graça e maestria de Artista.
Dos que o viram actuar na revista, quem se esqueceu
dele no papel de compère, junto do Mestre Campos
- que sozinho, com graça e arte podia o palco encher -,
a dar-lhe luta, e respostas brilhantes como pirilampos,
dançando, cantando e fazendo rir até mais não poder.
Foi Homem que, entre o sempre jovem povo Macongino,
como Arcebispo da Praia das Conchas, exerceu com graça
a função de benzedor – provador de barris de boa vinhaça
com prédicas e orações dignas d’um abençoado do destino.
Esta é tão só uma página das minhas Memórias
e, de entre o que me pesa meio século de ausência
da terra natal, é não poder hoje contar mais histórias
de quem que nos fazia rir sem usar da indecência.
João Manuel Mangericão (Neco)
Ficam mais estas recordações
MariaNJardim
Créditos de imagem: algumas destas preciosidades foram encontradas no baú de recordações da minha sogra, 30 anos depois... Outras foram retiradas dos livros de Paulo Salvador( 2ª e 3ª), e outras ainda, de Sanzalangola
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
domingo, agosto 05, 2007
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carnaval em Moçâmedes






























