14 agosto 2007

Jovens estudantes de Moçâmedes: Décadas de 50 (meados) e 60


 
1ªfoto:
Nesta foto, tirada na década de 60 a um grupo de rapazes reconheço, entre outros, da esq.para a dt.:
Angelino Martins, Fragata, Henriques, João Manuel Jardim, (?), Calita Maria Inácio Cabral Vieira e Modesto

2ª foto:
Nesta foto, tirada a um grupo de raparigas, estudantes da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes no ano de 1957, reconheço , entre outras, de baixo para cima e da esq. para a dt.:
1ª fila: Emilia Alves (Milocas), irmã da Boneca e Simone
2ª fila: ?, Julia Minas, Zelda Ferreira da Silva, ?, Marialia Matos e Claudia Guedes
3ª fila: Boneca, Rosália Bento, ?, Didi Minas, ?, Professora Edwige, Irene Barata, ?
4ª fila: ????? Claudino Alhinho (anocentro)
, ?,?
5ª fila: ???? Aldorindo, ? Carlos Jardim e ?

12 agosto 2007

Salão de Fotografia do Mar : 1973





























Um amigo meu teve a gentil ideia de me enviar um catálogo relativo ao «1º Salão de Fotografia do Mar» (1973), realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito com o fim de promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza marítima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123º aniversário da chegada à Baía de Moçâmedes da 2ª Colónia de Povoadores Portugueses oriunda do Brasil.
Desse catálogo, resolvi colocar aqui, a capa, uma foto do mar de Moçâmedes com traineiras a sulcá-lo e
este belo poema do poeta moçamedense, Angelino da Silva Jardim, que vem colocado na página central:

O Mar!

Bate o mar!
Ressoa nas cavernas do meu peito!
Velho monstro a rosnar
Raivoso e eternamente insatisfeito!

Atira-se, impensado, na vertigem
Da sanha que o devora!
Os seus gestos não fingem!
Sinto a sua verdade quando atingem
A alta penedia onde o meu sonho mora!

Eterno revoltado
Inconformista e louco,
Ergue o possante dorso musculado
E atira à rocha o grito fero e rouco!

E dia e noite fora,
Na sua danação – minaz desesperança –
Luta, esbraveja, escuma a toda a hora;
Grita, tressua, salta e não se cansa!

Arrasta atrás de si, na mesma fúria louca,
A força incontrolável das marés!
E rindo e praguejando escancara a boca,
Arrepela o cabelo e escarva com os pés!

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Na penedia alta,
Onde o meu sonho mora,
O velho mar que salta
É a minha razão de toda a hora!

Angelino da Silva Jardim

Jornal o COMÉRCIO: Diálogo (imaginário) com Angelino Jardim: poeta moçamedense


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Chegou-me às maõs o 2º caderno do Jornal O COMÉRCIO, editado em Luanda no dia 4.8.1970, e dedicado à passagem do 121º aniversário da cidade de Moçâmedes, com este interessante diálogo (imaginário) com Angelino Jardim. Por se tratar de um poeta moçamedense, considerado por aqueles que conhecem a sua obra, como um dos valores mais autênticos da poesia angolana, (lamentavelmente ainda desconhecido do grande público), resolvi digitalizar esta parte do referido caderno e colocá-la aqui.
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Os poemas que integraram o diálogo:

CÂNTICO

Bendito seja quem te visionou
Aquém do grande mar,
E, escorraçando medos te encontrou
E sorriu ao teu virgem despertar!

Bendito seja quem te abriu o seio
E nele fecundou o gosto pela vida!
E misturou o trigo e o centeio
Com o maná da terra prometida!

E quem te deu a vida incondicionalmente,
Só pelo gosto puro de ser teu;
E quem por ti lutou e o sangue quente
Por ti feliz verteu!
E mais sincerasmente:
BENDITO SEJA QUEM POR TI MORREU!
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Bendito seja quem te pôs a água
No seio do deserto a arder em mágoa!
Bendito quem te deu cravos e rosas
E carnes sãs e frutas saborosas!
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Bendito quem te deu as velas brancas,
Os risos claros e as almas francas!
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Bendito seja quem te abriu as ruas
E que te fez linda como virgens nuas!
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Benditos sejam todos os que lutam,
Os que aqui vivem, sofrem e labutam,
Pioneiros do Sonho e da Verdade!
Benditos sejam todos! Que o meu grito
Repercuta sonoro no infinito
E faça eco em Deus na eternidade!

(Angelino da Silva Jardim)


 
ENCONTRO

Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!

Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!

Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!

E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!

E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!

De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!

(Angelino da Silva Jardim)
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Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

MAR ALTO

Ir mar em fora,
Ao sopro de ligeira e doce brisa,
Quando mal rompe a aurora
E o dia é só pronúncio e a hora se eterniza!

Sentir a alma cheia
do frio ar salino,
Livre de toda a areia
do mísero destino!

E como um deus antigo
-Desses que só existem por sonhados-
Dar ao perigo
A proa, sob os ventos admirados!

E ir e navegar!
E ser feliz,
Sem nunca achar
Nem porto, nem país!

(Angelino Silva Jardim)

11 agosto 2007

Desfile de carros alegóricos na Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes (ex-Namibe) no Carnaval de 1955

O Carnaval de 1955 foi especial. Nesse ano até houve um desfile de carros alegóricos (Corso), no qual concorreram mais de uma dezena de carros, como se pode pelas várias fotos aqui colocadas.

1ª foto:
Este bonito, se não o mais bonito carro alegórico do corso, representa o Grupo Desportivo do Banco de Angola. Repare-se no requinte dos enfeites floridos, nos tufos de papel de seda, na espécie de trono onde as raparigas se encontram sentadas, nas figuras da frente, etc, etc...
Das participantes no corso, apenas reconheço Maria Amália Duarte de Almeida e Lita Ventura, para além de alguns elementos do simpático e brilhante conjunto musical «Os Diabos do Ritmo»: Lito Baía, Frederico Costa, Albertino Gomes e Marçal. Faltam aqui o Bio Aquino (pianista) e o Sereeiro, pelo menos.

2ª foto: Nesta foto, podemos ver o carro representativo do Ginásio Clube da Torre do Tombo passando junto ao edifício dos CTT de Moçâmedes. Por curiosidade, este carro foi construido na Torre do Tombo, na garagem da casa de Olímpio Aquino, sita na Rua da Colónia Piscatória, junto à estrada para a Praia Amélia, e na sua construção colaboraram, entre outros, Eurico e José Arvela. De entre as raparigas intervenientes no desfile, na sua maioria pertencentes ao time de basquetebol feminino daquele clube, reconhece-se, da esq. para a dt: M. Nídia Almeida, Eduarda Bauleth de Almeida, Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Manuela Bodião, Salette Braz (não jogadora) e Francelina Gomes. De entre os rapazes, reconhece-se : Osvaldo, Óscar, José Guedes Duarte (Zézinho), Eurico...
Fotos do meu album.