13 setembro 2007

Agência do Banco de Angola na Rua dos Pescadores- Moçâmedes







Mandado construir por Francisco Rodrigues Pinto da Rocha para sua moradia ---colono fundador vindo de Pernambuco em 1850 ---, foi vendido pelos herdeiros ao BNU,  Banco Nacional Ultramarino, fundado em 1868, e por extinção deste, passou a pertencer ao  Banco de Angola, gundado  em 14 de Agosto de 1926 com sede em Lisboa

Trata-se de um edifício de genuína traça oitocentista portuguesa, representativa de uma época e de um estilo irrepetíveis, que muito veio valorizar a baixa da cidade, e que ainda se pode ver actualmente na então Rua da Praia do Bonfim, a olhar a Avenida da República, gaveto com a Rua  Bernardino Abreu e Castro, ainda que em lastimável estado de degradação.  Mais tarde, já no início dos anos 1960, passou o Banco de Angola de Moçâmedes, para a Rua dos Pescadores, ali mesmo ao lado, igualmente a convergir com a Rua  Bernardino Abreu e Castro. Devoluto desde essa data, este belo edifício que desde há muito clama por obras de recuperação, corre presentemente o risco de vir a perder-se para sempre se nada entretanto vier a ser feito.  Aliás o Banco de Angola  tinha comprado todo o quarteirão onde ele se encontra, entre as Ruas da Praia do Bonfim e Pescadores, e as transversais, Rua de S. João e Rua Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, com o objectivo  de demolir todos os edifícios, incluindo  este, para que no referido quarteirão fosse  erguido a meio um edifício novo, rodeado de zonas ajardinadas, etc, etc, porém a Câmara Municipal de Moçâmedes entendeu recusar, por considerar que se tratava de um edifício histórico, que fazia parte da memória da cidade, e que alterações ao nível dos quarteirões iriam modificar a paisagem do centro histórico que devia manter-se inalterável com a sua quadrícula rigorosa, bem como os edifícios existentes. Era  o despontar da consciência do valor do património cultural como um bem a preservar. que estava em causa. Mas as obras no edifício foram sendo adiadas até à independência de Angola, em 1975. Resta saber se este belo edifício, na linha do Palácio do Governador, do  Hotel Moçâmedes, da Estação do CFM,  do antigo Hotel Central dos Zuzarte de Mendonça Torres, hoje Museu Etnográfico, etc, será classificado e recuperado tal como as estruturas arquitectónicas de todo os edifícios da cidade de Moçâmedes construídos há mais de cem anos, ou se irá ser deixado ao abandono até que o tempo determine a hora do seu fim, o que resultaria em crime de lesa património cultural e histórico imperdoável.

 Aqui o mesmo edifício, enquanto ainda pertencia ao Banco Nacional Ultramarino.



O Banco de Angola teve até 1957 o exclusivo do comércio bancário em Angola, para além de emissor. Nesse ano surgiu o Banco Comercial de Angola, e  posteriormente o Banco de Angola passou a ter a concorrência de  outros  Bancos Comerciais, tais como o Banco Pinto & Sotto Mayor, o Banco Totta e Standard,   o Banco de Crédito Comercial e Industrial, O Banco Inter Unido, e quatro instituiçoes de crédito: O Instituo de Crédito de Angola,  o Montepio de Angola,  o Banco de Fomento Nacional,   a Caixa de Crédito Agrícola e Pecuária



Foto meu álbum de recordações.1972



As novas instalações do Banco de Angola de Moçâmedes, no início da década de 1960. Ficava numa esquina da Rua dos Pescadores que convergia para a Rua Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro (nome dado à transversal que nascia na Rua da Praia do Bonfim e prosseguia até à Rua da Fábrica). Este edifício, recentemente construído, era alugado pelo Banco ao conhecido industrial da Praia Amélia, João Duarte.  Em cima (na sobre-loja), ficavam o gerente, (na altura, Daniel Gavino Dias) e os funcionários de apoio à gerência. Embaixo, ficavam os serviços de atendimento ao público. No 1º andar, ficavam a secção de contabilidade e o arquivo. Nesta foto reconheço, da esq. para a dt: Ao balcão, atendendo o público: Osório e Hernâni Nunes. Um pouco mais atrás: André e Gonzaga (de pé), Mário Luis Figueiredo, Mário Cruz, Edgar Aboim (ao centro), Arménio Jardim ( à dt.). Ao fundo: Rui dos Santos Carapinha e Nunes de Andrade (ambos de pé) e à secretária João Morgado, Artur Caleres e Teixeira de Jesus.








MariaNJardim 

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Do  Banco Nacional Ultramarino ao Banco de Angola ...



 Até à criação do Banco Nacional Ultramarino, em 1864, a actividade económica em Angola repousava essencialmente sobre os mecanismos do tradicional sistema de troca de géneros.(1) A situação económico/financeiro em Angola era de facto deplorável.Não existia em Angola qualquer instituto económico para funcionamento do crédito, o que tornava impossível a aquisição de toda e qualquer aparelhagem agrícola e industrial, e impedia o aperfeiçoamento dos processos de trabalho e dificultava o movimento das transacções mercantis e a própria vida dependente dos resultados das produções.   Havia pouco dinheiro, as receitas que entravam nos cofres públicos eram na sua maior parte constituídas por letras e títulos de dívida.  Com o objectivo de fazer afluir metal sonante aos cofres, decidiram as autoridades coloniais suprimir a aceitação de letras, limitando os pagamentos apenas a dinheiro e aos irrecusáveis títulos de dívida. Mas esta medida também não surtiu efeito, extinta a moeda de cobre carimbada, assim como as cédulas de papel, passou toda a moeda circulante da colónia, a macuta (moeda de cobre), a exprimir-se pelo valor Real, moeda do reino português.


Manuel Júlio de Mendonça Torres, na sua obra dedicada a «Moçâmedes», lembra-nos que no início da colonização quando de Pernambuco, Brasil, começaram a chegar os primeiros contingentes de portugueses, em parte, foi o Estado que supriu essa lacuna ao prestar-lhes a necessária assistência financeira, que lhes possibilitou a compra de três engenhos de fabricação de açúcar que foram distribuídos a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, José Joaquim da Costa e José Leite de Albuquerque, com a condição de retribuírem o seu custo com o produto de três safras consecutivas. Na mesma altura, foi ordenada, também, a remessa de três máquinas, duas das quais para descaroçar algodão dirigidas a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, e uma terceira de prensar o algodão, a Manuel José Correia para serem pagas com os lucros das primeiras colheitas. Para além destes foram concedidos outros auxílios que seria ocioso enumerar, substituindo-se o Estado à instituição bancária nas suas funções subsidiárias de crédito. Importa referir, que, embora sem meios de prova, essa faceta também foi exercida no distrito por simples particulares (agiotas), que, tal como em toda a província, emprestavam dinheiro a juros em condições pouco inspiradoras de confiança.

Com o BNU começaram as emissões de papel-moeda nas colónias de África,  e acabou a enorme variedade de moedas que corriam localmente (pesos, florins, marias teresas, águias, soberanos, luízes, etc.). As Emissões de papel-moeda foram emitidas em diversas unidades monetárias – réis, escudos, patacas, rupias e libras esterlinas, conforme o tempo e o espaço onde circularam. A primeira emissão impressa pelo Banco foi para a Sucursal de Luanda, em 1865.    O Governo de então procurava assim  libertar as colónias da penúria de meios em que se achavam,  sendo  a primeira sucursal estabelecida em Luanda, a que se juntaram balcões em Benguela e Moçâmedes em 1868, em Novo Redondo em 1915, no Lobito e em Malange em 1918, em Cabinda em 1919 e no Bié (depois Silva Porto) e no Lubango (depois Sá da Bandeira), em 1921. 

O BNU logo disponibilizou ao Estado os meios para a regularização do pagamento dos vencimentos dos funcionários da colónia, que andavam sempre atrasados.  Neste período Angola acabava de sair do nocivo tráfico de escravos, que obrigou à saída forçada de milhares de indivíduos negros para o Brasil e para as Américas, braços de trabalho que faziam falta à própria colónia. A publicação do decreto de 10 de Dezembro de 1836, de Sá da Bandeira não teve resultados práticos imediatos e foi já só com o decreto de Abril de 1878, que regulamentava o trabalho rural livre que o tráfico foi definitivamente irradicado. Nesta  fase a província ficou propensa a iniciativas particulares, manifestando-se desde logo a concorrência de empresas agrícolas, comerciais e mesmo industriais, perante o novo regime de trabalho.  Foi então que surgiu a ideia de criação de uma instituição bancária que representasse um incitamento e um apoio material a todas as iniciativas de investimento, nas antigas províncias ultramarinas portuguesas, auxiliando o comércio, a agricultura, a indústria e promovendo os melhoramentos materiais em Angola e nas restantes possessões ultramarinas. Eis algumas dessas iniciativas:

Logo em 1876, o BNU assumiu o encargo da navegação a vapor no rio Cuanza, financiado a navegação, algo considerado  indispensável ao desenvolvimento do comércio em Angola, então ainda sem uma linha de caminho-de-ferro. Este foi o tempo do início das expedições de exploração dos territórios africanos portugueses, com Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens, tendo o BNU comparticipado com os meios necessários para a realização das viagens (1877). 

Em 1900, o BNU avançou com a Companhia Agrícola do Cazengo, para que as propriedades não ficassem em mãos estrangeiras, ficando o banco detentor de ações da mesma Companhia  e procedendo a emissões de 1.200 contos. Dois anos mais tarde, o Governo era autorizado a construir o caminho-de-ferro de Ambaca e Malanje, como prolongamento de Luanda a Ambaca, que já vinha sendo explorado por aquela Companhia. O BNU concedeu um empréstimo de 150:000$000 réis para financiamento de parte da obra.

Em 1901, novo contrato entre o Governo e o Banco para o exercício do privilégio da emissão de notas e de obrigações prediais nas províncias do ultramar. O contrato incluia o dever imposto ao Banco de aumentar o número de agências em território ultramarino português e o de estas se constituírem como caixa do tesouro do Estado, nesses mesmos territórios.

Apesar de todo o seu esforço para desenvolver Angola, chegados a 1903, a situação do BNU não era estável em Angola. Os empréstimos concedidos para o financiamento de algumas obras públicas, como a construção do caminho-de-ferro de Lucala até Malange, contribuíram para um esforço suplementar do Banco. Por outro lado, o Governo recorria muitas vezes aos saques do BNU para colmatar défices na província. 

No ano de 1913, a construção da agência do Lobito esperava-se promissora pelas vantagens do futuro caminho-de-ferro para o Catanga. Em 1914 o Tesouro da Província de Angola encontrava-se numa situação debilitária já com antecedentes. Norton de Matos levou a que todas as dívidas da província fossem liquidadas, contando para o efeito com o auxílio do BNU. 

Em 1915, visando o incremento comercial e agrícola das colónias, eram erigidas agências privativas nas localidades onde se justificava o seu estabelecimento. Foi quando surgiu em 1915, em Novo Redondo; em 1916 no Lobito eem Malange. Nesse ano o BNU assinava a escritura que reconhecia a Companhia dos Diamantes de Angola, sendo o mesmo um dos acionistas. A Companhia era uma empresa de capitais mistos de grupos financeiros de Portugal, Bélgica, Estados Unidos, Inglaterra e África do Sul.

 Em 1917, o BNU continuava a prestar auxilio ao Estado sempre que este o solicitava. Foi o caso de um empréstimo até 800 contos, satisfazendo o pedido do último ministério de Afonso Costa para o pagamento de despesas militares com a ocupação de Angola.  

Em 1918 o BNU adquiriu ações de algumas poderosas companhias coloniais, Entre aquelas figuravam as antigas ações da Companhia Agrícola do Cazengo. 

Em 1919, era inaugurada uma agência do BNU em Cabinda, e reforçados os interesses acionistas daquele Banco na Companhia das Pesquisas Mineiras de Angola, na Companhia do Petróleo de Angola e na Companhia dos Diamantes de Angola – cujas explorações se apresentavam prometedoras.

Obedecendo a diretas solicitações do Governo ao Ministério das Colonias, o BNU apresentou uma proposta para a realização do empréstimo destinado aos serviços do caminho-deferro de Luanda. Assegurando ao mesmo tempo em sua subscrição, vantajosa preferência aos portadores de obrigações da Companhia dos Caminhos-de-Ferro através d’Africa, o qual visada ao alargamento da rede ferroviária da província, dotando-a com o material necessário à sua exploração.

Os anos entre 1921 e 1926, período entre guerras , foi um tempo de grandes dificuldades económicas e caos financeiro. Em 1921 chegava a Angola o alto-comissário Norton de Matos, com o objetivo de realizar uma obra de fomento rápida e colonial, promover a abertura ao capital estrangeiro, das atividades impossibilitadas de obter capital nacional. Apesar da estratégia apresentada, a situação em Angola não apresentava melhorias quanto ao desenvolvimento, e à luta contra a escassez de numerário. Durante o seu cargo, procurou implementar moeda privativa para Angola e retirar o exclusivo da emissão de papel-moeda ao BNU. Apesar do esforço do BNU, que contribui com vastos empréstimos, assim como o Governo da República, não se viam resultados de investimentos efetuados. Prova do empenho do BNU foi a criação da Companhia Agropecuária de Angola, destinada a exercer a agricultura cerealífera, a fruticultura e a exploração pecuária na província. .
Em 1923, estala uma crise financeira grave, com falta de créditos externos e atraso na conclusão de algumas grandes obras. As dívidas eram imensas e não havia capacidade de as pagar. O BNU, principal financiador de Angola, não permitia transferências para o exterior.  Tal condicionou as alterações monetárias que levaram à perda da função emissora do Banco no território e à criação do Banco de Angola, como novo agente emissor e exclusivo para essa então colónia portuguesa.

Norton de Matos foi Alto Comissário de Angola entre 1921 e 1923, e no primeiro ano do seu mandato, determinou, para que Governo colonial pudesse emitir cédulas, que as do BNU, que se encontravam em circulação, fossem retiradas até Dezembro de 1922. As ‘cédulas do Alto Comissário de 1921’, no valor facial de 50 centavos, tiveram um montante elevado de emissão: 60.000 cédulas. Os seus lucros e prejuízos eram revertidos e suportados pelo Estado. Ao mesmo tempo, em 23 de julho de 1922, foi renegociado o contrato com o BNU de modo a obrigar este último a substituir as notas em curso por uma nova emissão privativa para Angola. Havia carência de meios de troca, o que afetava o comércio local,  insuficiente lançamento de papel-moeda por parte do BNU. No entanto, num relatório do Governador do BNU, este dever-se-ía antes aos créditos, a que se recorria e que se concediam desregradamente. A problemática dos créditos, exercida pelo BNU no período 1922-24, tinha a ver com o facto de aqueles serem concedidos na forma de descontos e contas correntes para uma população e classe empresarial que, apesar das transações comerciais, tinha falta de capitais próprios.

Em 1926, foi criado o Banco de Angola que recolheu do BNU o privilégio da emissão de moeda naquele território, e  tomou as suas agências para continuidade da actividade bancária, integrado neste novo banco, a agência que o BNU  possuía em Leopoldville. Nas restantes colónias africanas, permaneceu como único Banco emissor até aquelas se transformarem em países independentes.


Pesquisa e texto by MariaNJardim
(1)







A MOEDA CIRCULANTE...


Antes da época colonial, era o zimbo, pequenos búzios cinzentos que por muito tempo funcionaram como capital circulante na hora da troca.. Apareciam em toda a costa de Angola, embora os mais belos fossem da ilha de Luanda. Pescavam-nos as mulheres, na contracosta da ilha, avançavam pela água alguns metros e, mergulhando, enchiam de areia uns cestos estreitos e compridos, a que chamavam “cofos”. Em seguida retiravam os “zimbos” da areia recolhida, que depois separavam, segundo o critério de classificação em “puro,” “cascalho,” e “meão.”
~
Com o passar do tempo o Zimbo começou a ser desvalorizado, e, assim, um “cofo”, que no tempo de Mbemba a Nzinga, valia trinta e três cruzados, desce para dez mil réis em 1615. Porém, já em 1616 não valia mais do que três mil réis. Mais tarde o Zimbo deu lugar aos “panos” como moeda mais generalizada com origem no Congo e Luango. Estes panos traduziam riqueza em paralelo aos escravos que também durante longos anos serviram de moeda de troca monetária para o comércio. O sal também teve o seu valor como moeda especialmente quando viesse da Kissama e das salinas de Benguela. Depois veio o cobre, um dos metais que desde 1801 despertou interesse dos portugueses, cuja proveniência era um dos segredos mais bem guardados dos povos que fundiam. O marfim também fez história, o cauris, as contas feitas de missangas, as fazendas, a macuta, moeda de cobre angolano. Os “cauris” eram uma concha branca de rara beleza. A sua generalização em Angola e no Congo teve lugar a partir do século XVI e foi consequência das relações comerciais dos mercadores portugueses que, por via marítima, o importavam do Oriente. Neste percurso de valores Pré-Monetários de proveniência exterior, circularam no actual território de Angola, a partir do Séc. XVI, as contas e missangas das mais variadas cores e feitios, que acabaram por suplantar as conchas, em especial o “zimbo” e o “cauris” na sua função de moeda.


A cunhagem das moedas de cobre constava de peças de 1 macuta, ½ macuta, ¼ de macuta e cinco réis, atribuindo-se à Macuta o valor de 50 réis. Quanto à emissão de moedas de prata, constava de peças de 12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, sendo estas, de uma forma geral, semelhantes às de cobre. Neste período viviam-se tempos particularmente difíceis na colónia, motivados pelo monopólio da moeda.


De 1910 a 1962 lança o Estado colonial português no mercado a emissão “Vasco da Gama”, o “escudo”, as cédulas do Banco Nacional Ultramarino, as “ritas” e os “chamiços”, os “angolares” e por último, em 1953, o “escudo” como unidade monetária.

A primeira moeda na Angola colonial chamou-se Reis, a segunda o “Escudo Angolano” a terceira o “Angolar” que passou a ser a moeda oficial de Angola entre 1926 e 1958. Substituiu o Escudo Angolano e foi por sua vez substituído por um novo Escudo. O Angolar foi emitido até Janeiro de 1929 por uma Junta de Moeda e a partir dessa data pelo Banco de Angola.Os angolares são um grupo étnico distinto que tem a sua origem atribuída ao naufrágio, ao sul da ilha de São Tomé, de um navio negreiro com escravos trazidos de Angola em meados do século XVI. Muitos angolares actualmente falam também português e há uma tendência para se integrarem nos forros que significa "homens livres" que constituem o principal grupo étnico de São Tomé e Príncipe.

A macuta foi uma unidade monetária introduzida em Angola por D. José I, foi cunhada em prata e cobre circulou até 1928.

Em seguida surgiu o “Novo Escudo”.














http://restosdecoleccao.blogspot.com/2014/06/banco-de-angola.html

09 setembro 2007

RIQUITA MISS PORTUGAL E AS 6 HORAS DE NOVA LISBOA











Riquita, a moçamedense que foi Miss Portugal 1971 faz a volta de honra da edição de 1972 das "6 Horas" de Nova Lisboa, cujo vencedor foi Carlos Santos. O entusiasmo foi tal que a assistência entusiasmada ao ver desfilar Riquita, esquecera-se rapidamente do vencedor da prova e só tinha ovações e gritos para ela e para Nicha Cabral que a fora buscar para o descapotável.

Para saber mais sobre esta matéria, clicar AQUI

29 agosto 2007

Alunos e professores: Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre
























































1ª foto: Entre outros Renato,?,?, Zanga Sancadas, Jerónimo, António Júlio Bastos, Psota, , ?, Leopoldo, ?, Guerra, Prof Manuel Lopes Henriques, Jota Jota, o Prof Chicharro, Prof Palmira? , José João...
1973-74.

2ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind.
Bartolomeu Dias : ?, Yolanda, Prof.Eurico, Prazeres, Profª.Marrão, Julieta, Lurdes França, Leopoldo.

3ª foto: Finalistas da Escola Comercial e Ind. Bartolomeu Dias- Porto Alexandre. Em cima e da esq para a dtª: ???, Renato, Jota Jota, Prof Barreto, Teacher, Prof Eurico, ? , Jeronimo, Psota e Lemos.
Em baixo e da esqª p/dtª: Zanga Sancadas, João Toucinho, Kady, Jorge, António Julio e Leopoldo. Ano 1972/73

4ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias de Porto Alexandre.
Em baixo, da esq para a dt: Zanga Sancadas, (?), Vasquinho,(?), Renato, Leopoldo e Kady.
Em cima: ?,Marçal,?,João Toucinho, Mansinho, Pessanha (meio encoberto) e Mutchada: e ainda Domingos DannyKey, Belbuto, Mandinho , Mario Zé, Lemos,e o Reginaldo Bodião e ainda entre outros: Diamantino, Joãoznho, Beto Bodião....
Só uma nota para terminar. Alguns destes nomes poderão estar enganados. Não conheço toda a gente, e foram-me fornecidos por várias pessoas que conheço. Por favor, se detectarem algo errado, peço-vos que não critiquem, mas colaborem no local destinado aos comentários. MT OBG.


















5ª foto: Professores da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre.
De cima para baixo - Esperança Traguedo (ao centro), António Ferreira e Neves -Palmira (de óculos escuros), (?), (?),Pdre Pinto Lobo (falecido), João Manuel (Chicharro) e Albano -Céu Nogueira (esposa do prof.António), (?) - (3ºdegrau)- Natália, Adélia Clara (EU), Mª Batista Paulo -(2ºdegrau)-MªRosário (Zarita) Marrão, MªAlbertina Coelho Estácio, Eurico Henriques e Padre Jaime Fernandes -(1ºdegrau)-Anabela Lara, António Machado(o Director), Sameiro e Carlitos Alves (falecido)

VINHAM DO MAR CACIMBOS
( para o Neco )

vinham do mar cacimbos
refrescar tombuas sequiosas,
calemas, submersos vulcões
e helio-fornos
provar a fibra sibilina
de homens e mulheres
que agarram a vida
pelos cornos.
vinham pinguins escorraçados
de um país ao sul,
a preto-e-branco pintados,
ond’é ignara a soma
de todas as cores
que realiza o negro.
vinham navios, botes,
arrastões e palhabotes
encalhar nos fundões ao arear,
que o leteu namibe
conforma de grão a grão
para marcar que ali
só os filhos sabem navegar.

vinham coros boatados,
e as notícias de guerra,
e as guerras de notícia,

e do deserto a garroa colava
areia nos olhos ressudados.

admário costa lindo
7.06.2005


28 agosto 2007

Gente de Moçâmedes: a familia Tito de Gouveia

                                                                    
 


Nesta foto podemos ver uma família reunida, a família Gouveia: Tito de Beires Lopes Freire de Gouveia (pai) de pé, Cecília (mãe) e os três filhos, Abílio, Maria (à esq.) e Maria Augusta (à dt.).Abilio (à janela), era um excelente guia do deserto, filho de um outro guia, Tito, que trabalhava para a DTA, as antigas linhas aéreas de Angola.

Tito de Gouveia, pai, um dos pioneiros da aviação em Angola, foi quem pilotou a avionete que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Fátima até nós, em 1948, no decurso da peregrinação por terras de Africa.



Em Angola, distrito de Moçâmedes, Tito Gouveia era fiscal de caça
 

Maria e Maria Augusta (as irmãs Tito, como eram conhecidas nos meios desportivos da cidade) foram pioneiras do basquetebol feminino na cidade de Moçâmedes tendo alinhado nos finais da década de 40, pelo Sport Lisboa e Benfica e mantido uma longa actividade desportiva, primeiro como jogadoras deste clube, e posteriormente integrando no Atlético Clube de Moçâmedes, onde viriam a terminar a sua carreira desportiva, já na 2ª metade da década de 50.
Pioneiras de basquetebol feminino em Moçâmedes
Maria Gouveia e MariaAugusta Gouveia (as irmãs Tito), por volta de finais da década de 1940   integraram a equipe pioneira de basquetebol feminino em Moçâmedes, o Sport Moçâmedes e Benfica. Como o Benfica na época não possuia nesta modalidade clubes competidores em Moçâmedes o clube teve que criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela faziam parte: Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria Guerra Em baixo: Maria Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato.
Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Maria Augusta na nova equipa.
 
O casal Abilio e Manuela Sena Costa

photo

Manuela Sena Costa nos seus tempos de solteira também chegou a integrar uma das equipas de Basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica. Ei-la aqui integrada  neste conjunto, envergando a camisola n.9 . São, da esq. para a dt. Em cima: Isaura Aguilar, Alice Teixeira, Manuela Costa e Carla Frota. Em baixo. Ivone Bernardino, Carolina Frota 
Em Porto Alexandre,  Manuela Sena Costa ladeada pelas amigas Eduarda Carvalho e América Pisoeiro
Abilio e as filhas do casal, Isa e Neide

[casa+Titos+1.jpg]
                                                                         
Nesta foto, tirada no decurso de uma festa de aniversário em casa da família Gouveia, reconheço, entre outras/os, no canto à esq., Maria Augusta Gouveia com o pai, o Tito Gouveia por detrás, a mãe Cecília (ao centro), ladeada pelas duas netas, Isa e Neide, e logo atrás, Maria Gouveia
Aniversário de Neide (a menina que está a apagar o bolo), filha de Manuela Costa e de Abílio Tito de Gouveia, tendo a seu lado o irmão mais novo. Ao fundo, à dt de Maria Augusta Gouveia, sentado, de óculos encontra-se António José de Carvalho Minas (Tó Zé), rodeado das filhas Milu e ?  De pé, à dt, Isabel (Isa), então com 11 anos, tendo, na foto, à sua dt. a tia Isabel Maria Sena Costa (Belita) que confeccionou o bolo, e sentada a seu lado mãe Lurdes Minas (enfermeira).  Na foto encontram-se também Tozé, Leninha, e Riquito. Em frente a Maria Augusta  de pé, Cláudia (prima) e à esquerda Felipe e Vasco Sousa Coutinho, e os vizinhos e amigos de brincadeiras Ani Abreu, Manelzinho, o irmão Paulinho e o mais velho Julinho.

Pela data escrita podemos ver que se estava a passos largos a caminhar para o 11 de Novembro de 1975, dia da independência de Angola, o mesmo é dizer para a grande fuga de portugueses, angolanos brancos, mestiços e até negros, ainda que em menor número do território, onde já nesta altura os movimentos de libertação se degladiavam entre si na luta pelo poder, perante a passividade do exército português que, pelo menos até  ao arrear da bandeira lusa, deveria estar alí para assegurar, em paz, o momento da transmissão do poder, que se pressupunha, segundo os Acordos de Alvôr, vir a ser antecipado de eleições.

A 12 de agosto desse ano a familia Gouveia desembarcaria no Rio e nunca mais voltaria a  pisar terras de Angola. E assim Moçâmedes, hoje Namibe, ainda antes da data marcada para a independência, se despojou de mais de 90 da sua população de origem europeia. Os que persistiram, acabariam por debandar nos meses que se seguiram ao 11 de Novembro de 1976.

No blog do moçamedense Roberto Correia, ANGOLABRASIL, na parte que respeita a militares portugueses que esriveram envolvidos em campanhas em Angola  e que no do século XX optaram por não regressar à Metrópole, consta o nome do 1º Cabo de Infantaria Tito Lopes Freire Gouveia (Moçâmedes).

Clicar aqui: «album de fotos de desporto na cidade de Moçâmedes»
e aqui: equipe pioneira de basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica.
E ainda, no UTUBE, este slideshow
Créditos de imagem: http://groups.msn.com/ComunidadeVirtualdeNamibe

Ver aqui :
O BLOG DA NEIDE

Gente de Moçâmedes



1ª foto
Da esq. para a dt.
? Nunes e Reis

2ª foto:
Da esq. para a dt.
Nesta visita a um navio de passagem por Moçâmedes no tempo qm que ainda não existia a marginal nem o cais comercial, reconheço, entre outras: Josefa do Ó. Faustino e Maria Monteiro.


2ª foto:
D
a esq. para a dt.
Em cima: Adriana Varandas(2),,,,, Soledade (10),,,,,, Artur Tarira(16)
Em baixo: no canto esq., os filhos de Adriana, Edna, Cidália e Adelino Teixeira, ....,,,,
NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002

26 agosto 2007

Snypes e banhistas na baía e Praia das Miragens: 1956

























1ª foto: snypes da Mocidade Portuguesa na praia.
Foto do livro de Paulo Salvador »Era uma vez Angola»

2ª foto: snypes da Mocidade Portuguesa na baía de Moçâmedes

3ª foto: Neste foto, tirada numa manhã de domingo, no ano de 1956 , na Praia das Miragens, reconheço, de cima para baixo e da esq. para a dt:
1º (?) e Laurentino Jardim
2º Fintas, (?), (?), Costa (Caála) e Fausto Gomes.
3º (?), (?), Dito Abano (de óculos), João Manuel Jardim, Guilherme Jardim, os irmãos Rui e José Henriques Figueiredo (Rabigas), e Arménio Minas (à dt.).
4º (?), (?), Luis Mota, (?).

Ao fundo, podemos ver a falésia da Torre do Tombo. E na baía, vários batelões, alguns barcos de pesca, um gasolina e um palhabote.