01 fevereiro 2008

Romagem à capelinha do Quipola em Moçâmedes (Angola)



A Capela da Senhora da Conceição do Quipola, e o recinto devidamente engalanado onde anualmente, no dia  08 de Dezembro decorriam os festejos e a procissão.  Foto Salvador. Esta foto representa uma romagem ali efectuada algures no início do século XX. Repare-se as "charretes" encostadas à parede lateral da capela. Era em charretes e em carroças de estilo boer, puxadas por manadas de bois que naquele tempo os moçamedenses se deslocavam a locais mais ou menos distantes da vila como era o sitio do Quipola.  

Quanto à data exacta em que foi construida esta Capela não temos noticia, mas encontrámos o seguinte o texto que segue e que nos diz  que a mesma se encontrava projectada, ou até mesmo já em construção, em 1884 (1), porquanto decorrera na altura, na vila, uma subscrição entre moradores para o efeito, em que a filha do então Governador Sebastião Nunes da Mata, de nome Beatriz, deu a sua contribuição para a construção da mesma:


"...Em 3 de Outubro de 1884, efectuaram-se novas provas de exame em Moçâmedes.   Além das provas do ensino primário elementar, havia uma aluna que fazia o exame de Francês, e era exactamente a filha do Governador Sebastião Nunes da Mata, de nome Beatriz da Conceição da Mata. O prémio referido, de noventa mil réis foi dividido em quatro fracções, cada uma delas atribuída a um aluno. A filha do Governador também foi premiada. O Coronel Sebastião da Mata levantou-se e pediu licença ao júri e à Câmara Municipal para oferecer a importância do prémio concedido à sua filha à Capela de Nossa Senhora da Conceição do Quipola. Declarava que esta atitude não diminuía o seu reconhecimento às pessoas relacionadas com esse prémio, nem a satisfação que tivera por a sua filha ter sido distinguida, assim como não significava desacordo com qualquer das decisões tomadas. " Fonte deste texto

Como era comum acontecer em obras de cariz religioso e popular, subscrições entre a população eram o meio de as levar por diante, não se estranhe pois que a filha do Governador Sebastião da Mata, tivesse oferecido nesse longínquo 1884,  à Capela de Nossa Senhora da Conceição do Quipola, a importância em dinheiro de um prémio que recebera. 1884 foi também o ano em que o destino da África mudou, com Conferência de Berlim, a célebre Conferência que reuniu as potências europeias interessadas na "Partilha de África". Foi também o ano da chegada à Huila, do primeiro contingente de madeirenses. Portugal praticamente nunca tinha efectivamente colonizado, o interior estava por ocupar, e apressou-se a fazê-lo mais a sério perante pressões exteriores, e porque a faixa de Angola a sul de Moçâmedes era cobiçada por alemães.
"Quipola" era o nome de um dos sobas da região de Moçâmedes, cujo sobado se encontrava estabelecido junto das margens do rio Bero, onde tinham as suas cubatas e onde cuidavam das suas lavras e do pastoreio do gado, a sua maior riqueza.  Um pouco mais distante havia o sobado do Giraúlo que, cujo soba e as suas gentes habitavam uma zona junto ao rio Giraúl, onde levavam o mesmo estilo de vida. Foram os primeiros povos africanos que os portugueses contactaram quando chegaram a Moçâmedes, em 1849, oriundos de Pernambuco, Brasil, e desde logo estabeleceram com eles um pacto de amizade e cooperação, o mesmo é dizer de "vassalagem".

Acredita-se que desde o momento em que a Capela do Quipola foi erguida começaram as peregrinações.


Esta é a foto mais antiga que possuímos de uma romagem à capela da Senhora da Conceição do Quipola, pertencente a Antunes Salvador. A ter em conta a indumentária, pensamos que seja dos anos 1920. A foto sugere tratar-se de um grupo de famílias de classe média, pelo modo como se acham apresentadas. Abro aqui um parêntesis para referir que nesse tempo de escasso comércio em Moçâmedes, existia no rés do chão do edifício da família Torres, no gaveto entre a Rua dos Pescadores e a Rua 4 de Agosto, uma loja de modas onde as "elegantes" da terra podiam fazer as suas encomendas ao "Printemps", o famoso Armazém de Paris, via Congo francês. O armazém de Moçâmedes denominava-se "Armazém Primavera". Há uma foto desse tempo.



Se no início as pessoas deslocavam-se em carroças de estilo boer, bois-cavalo, e em charretes, neste caso como a foto acima comprova, mais tarde o Caminho de Ferro de Moçâmedes, inaugurado em 1907, passou a colaborar nas festividades pondo à disposição das gentes da terra o seu comboio. Na foto: Peregrinos chegando de comboio ao Quipola. Anos 1940. Na foto abaixo encontra-se já muita gente conhecida.
Foto Salvador.



Grupo de peregrinos posando junto do comboio que os transportou ao Quipola. (1949/50).
Foto Salvador.




De entre os peregrinos destacam-se alguns alunos das escolas de Moçâmedes, filiados na Mocidade Portuguesa e familiares. (A MP era uma instituição de cariz obrigatório ao nível das escolas, mos tempos do Estado Novo). Reconheço, em 2º plano:, e da esq. para a dt. Júlia Almeida,  Alice Freiras, Ilda Nunes, Idalinda Ferreira, Maria Etelvina Ferreira, Odete Maló de Almeida (a mais alta, à dt.) e Iolanda Freitas.  E em 1º plano, entre os jovens mocitários: Soares, Carlos Ferreira ( Carlitos Miroides), Pedro Gomes e João Luis Maló de Abreu (o mais alto).

Ainda nos finais da década de 1950, esta tradição que reunia grande número de  crentes e de não crentes, mantinha-se viva entre a população de Moçâmedes, sendo para tal posto à disposição  dos interessados um comboio que assegurava as idas e vindas, ajudando a impulsionar as festividades, uma vez que não eram muitos os habitantes da cidade que nesta altura possuíam meio de transporte automóvel. Ao comboio chamavam o «Camacouve», porque levava «camas» para os passageiros devido à morosidade dos percursos, e também transportava «couves». Ou seja, era misto, para pessoas e mercadorias.  A morosidade era tal  que demorava o dia inteiro para completar os 250 Km, do arrastado percurso de Moçâmedes a Sá da Bandeira.  Inaugurado em 1907, o Camacouve que só em 1923 trepou a Chela, já há muito se encontrava ultrapassado sim, mas era acarinhado, pois era  através dele que a população ia tendo acesso a distâncias mais ou menos longas, e  podia estar presente neste tipo de festividades sem necessitar de se fazer transportar nas incomodas carroças de bois, e nas morosas charretes.

Chegada ao Quipola, a população assistia  a «missa campal» seguida de procissão, e a festa prosseguia com um arraial em recinto de terra batida, enfeitado com mastros, bandeiras, dísticos, folhas de palmeiras,  etc, onde  eram erguidas barracas que vendiam de tudo um pouco, estatuetas, rifas, gulodices, bebidas, cigarros, etc. etc, e pavilhões onde se comia, bebia, dançava e confraternizava. Uma misturada à boa maneira portuguesa, entre sagrado e profano!


Na década de 1950 era o carismático e popular Padre Guilhermino Galhano, com a sua bata branca e sua longa barba negra quem ministrava a missa campal. Aqui podemos em pleno acto, como podemos vê-lo mais adiante em outra foto em meio à procissão que juntava peregrinos europeus e africanos, prova de que entre os portugueses e os africanos não havia apartheid. Foto Salvador.
 


Outro momento da preparação para a procissão junto da Capela de Nossa Sra da Conceição do Quipola. Foto Salvador. 
.

A procissão em andamento dirigida pelo Padre Galhano. Ao fundo o pavilhão onde decorriam os comes-e-bebes, o estrado para a dança e as barracas onde se vendiam vários artigos, rifas, guloseimas, bebidas, etc. Foto Salvador.


O ponto culminante da festa era como não podia deixar de ser, o baile, que decorria sobre um estrado em madeira, devidamente embandeirado e enfeitado com o que havia à mão, por exemplo, com  folhas de bananeira, onde gente de todas as idades se divertia ao som da velha concertina ou  do gramofone, que atirava para o ar através de  um altifalante pendurado em qualquer árvore, as modinhas dos tempos de então. E enquanto uns dançavam e rodopiavam, ali mais adiante outros disputavam  os mais variados jogos (tiro ao alvo, o jogo das argolas, dos cavalinhos, concursos de corridas do saco, da colher e do ovo, etc, etc). E ainda outros disputavam a subida ao cimo do  «pau ensebado»,  um elevado mastro ou poste de madeira impregnado de sebo no topo do qual era pendurada uma garrafa de bebida que desafiava  quem o ousasse subir para a ir buscar. Este concurso era sempre ganho por africanos quimbares (1), cuja estratégia era, para não escorregarem, levar areia nos bolsos das calças, de forma a que, de quando em quando pudessem esfregar as mãos e  subir um pouco mais, até alcançarem a garrafa de bebida. Tudo decorria ali mesmo ao lado da Capela.

 Acreditamos que as romarias começaram logo após a Capela construida. Sabemos que enquanto duraram, elas foram sempre bem vindas a uma população crente e carente de festas e distrações, e porque essa era a forma de quebrarem a rotina do quotidiano, tornando vida mais agradável e digna de ser vivida. Não esqueçamos  que nos finais dos anos 1940 muitas casas de Moçâmedes  eram  ainda iluminadas a petróleo, os "aparelhos de rádio" eram alimentados a bateria, e  às 9 horas da noite já toda a gente estava na cama. Como não aproveitar todas essas ocasiões?



Foto Criança africana junto a um nicho de pedra  com a imagem de Nossa Senhora. À esq. duas quadras gravadas sobre a pedra caiada dedicadas à Santa.

No decurso do Estado Novo as festividades religiosas, missas, procissões, etc, ganharam novo impulso. O poder político mantendo embora a separação do Estado/Igreja, estabelecida pela I República, não ignorou a realidade social e cultural, a crença e o culto predominantes entre os portugueses -a religião católica- o cimentado da tradição histórico-cultural e referencial da moralização social.


Mas o tempo não pára, e estas festividades, como tudo na vida,  tiveram a sua época, elas foram aos poucos perdendo o brilho  até que deixámos completamente de delas ouvir falar. A ida ao Quipola passou para o rol das nossas recordações, tal como passaram os "Passeios na Avenida", o nosso picadeiro, que marcaram, e de que maneira, a nossa infância e a nossa juventude.

Depois que chegou a luz eléctrica a Moçâmedes, nos anos 1940, e surgiu o Cine Teatro de Moçâmedes que veio tomar o lugar o velho Cinema Garret (onde se realizaram os primeiros filmes  a preto e branco e em cinema mudo),  multiplicaram-se as sessões cinematográficas, os saraus, as peças de teatro, de dança, etc, e já na década de 1950 surgiram os muito concorridos e apreciados "Programas da Simpatia", que esgotava plateias. Os bailes que antes decorriam  no salão do velho Ginásio Clube da Torre, passaram também a realizar-se no Aero Clube de Moçâmedes, e logo de seguida no Ferrovia, no Atlético, e no Nautico, cujos salões se enchiam de gente vinda de todos os cantos da cidade, gente de todas as idades e de ambos os sexos.  Novos ventos começaram a soprar... Com o fim da II Grande Guerra (1839-45) a população europeia alargou-se, os portugueses deixaram de ter a exigência das "cartas de chamada" para emigrar para as colónias de África,  e mais gente passou a viver em Moçâmedes bastante mais gente, constituindo  a década de 60 em relação às anteriores um  verdadeiro "boom". Paralelamente as práticas desportivas que antes se encontravam reduzidas praticamente ao futebol, diversificaram-se e expandiram-se através de novas modalidades com especial realce para o hóquei em patins, o basquetebol masculino e feminino, o andebol, desportos nauticos, etc etc. toda uma situação que arrastava aos fins de semanas inúmeros expectadores para os campos desportivos do Benfica, do Atlético, do Sporting, quando não para os salões de festas dos clubes , espalhados pela cidade.  Enfim, novos usos e costumes fizeram-se substituir aos antigos. Acabaram os passeios na Avenida, surgiram as "Festas do Mar", e,  no campo religioso, assistiu-se ao declínio das romarias que se realizavam anualmente à Capela de Nossa Senhora do Quipola.   Ficam recordações de um tempo que ficou para trás no tempo, e de uma realidade vivida algures num recanto do litoral ocidental de África, na bela cidade de Moçâmedes, erguida entre o deserto e o mar... 

Seguem alguns textos e poemas de conterrâneos encontrados na Net:

«...Senhora da Quipola
Eu lembro-me como se fosse hoje. Apanhamos o comboio, de carvão ainda! E quando finalmente chegamos trilhamos aquele terreiro de cor farrusca, onde o cheiro dos assados persistia a me abrir o apetite, mas era garoto e não tinha dinheiro! Passei lá uma tarde maravilhosa com os meus irmãos! Mais tarde a caminho de Moçâmedes a rapaziada entusiasmada cantava uma canção que só ouvi uma vez mas nunca mais esqueci:

Quem quiser ver
é só ir à Quipola.
Comer churrasco
e beber coca-cola!
Pergunta ao João
ele sabe a picada
ele sabe a morada
do meu barracão...
Pergunta ao João...
(paro por aqui... porque a emoção é bastante elevada!)
Estavamos em 1966 (penso)
tony araujo  in Mazungue


  ***


Em marcha lenta o comboio lá vai...  
Voltámos a Angola numa doce oração...  
aquecemos o coração com a Senhora do Quipola...  
A tal urbe abençoada, com fulgor, em romaria...
pede à Senhora do povo um esgar de calmaria...
  desejo de mundo novo!!!
Em marcha lenta o comboio lá vai...
Cada um faz a oração à benção do vinho e do pão...
  entre comes e bebes a Festa esquenta...
  tudo mais se inventa...
  bailarico p'ros imberbes há vivas ao mais folião...
há caçador de coração...  
estamos no Quipola...
a assentar a meninice a reunir a mocidade
  a rever a traquinice da tal palavra Saudade  
da Menina-Mãe ANGOLA!!!
em marcha lenta o comboio lá vai...


(recordando...)







Aileda (in Sanzalangola)



 





À  Sr.ª da Quipola


Dia da nossa Senhora da Quipola
Que Moçamedense não esquece
Passem lá os anos que passarem
O nosso coração nunca arrefece

Surgem lembranças bem marcantes
Recupera-se o tempo da mocidade
Revive-se cada ano a lembrança
E rola uma lágrima de saudade

Mesmo á entrada da Cidade
Numa simples casinha amarela
Nossa Senhora vai abençoando
Quem passa ou entra na Capela

Era repouso de cada visitante
Na alegria ou revés para louvar
Era fonte do peregrino sequioso
Quando Nela, se queria sedentar

Era a festa, a romaria a procissão,
A homenagem á Senhora nossa Mãe
Por te sabermos nossa protectora,
Nunca te esqueceremos também.  


     

Manuela Lopes





MariaNJardim



Créditos de imagem: algumas fotos de Antunes Salvador, outras cedidas por amigos de Moçâmedes

Gente de Moçâmedes: 1951



1ª foto: Nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim, junto do edifício dos Correios e do Laboratório de Análises de Júlio de Mac-Mahon Victória Pereira, que se pode ver ao fundo, a «dona» deste blog, posa para a posteridade, já lá vão tantos anos...
Decada de 50.

2ª foto: Outra perspectiva da mesma Avenida da Praia do Bonfim, junto à subida da Fortaleza, onde podemos ver os caramanchões que sustentam as trepadeiras e que davam um bonito enquadramento ao conjunto. Década de 50.

3ª foto:
O aspecto luxuriante dos Jardins da Avenida da Praia do Bonfim na década de 50.

4ª foto:
Foto tirada junto a um tanque de água, nos belos jardins da Avenida da Praia do Bonfim. No prédio de esquina, ao fundo, à dt., onde se veêm duas janelas, ficava o Aero Clube de Moçâmedes. Este prédio foi mais tarde demolido para dar lugar a um edifício de vários andares propriedade de José Alves, onde passou a ficar, no rés-do-chão do mesmo, o Banco de Crédito Comercial.
Da esq. para a dt:

Em cima:
Malaguerra, ?, Graciana Matins Nunes, Dilia Martins Nunes e Irene Ilha.
Embaixo: Raquel Martins Nunes e Maria Etelvina Ferreira.


....

NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002

31 dezembro 2007

Gente de Moçâmedes








Os bisavós Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira
 
 Os avós João Nunes de Almeida e Beatriz Ferreira de Almeida. Data provável: 1912

 Os avós João Nunes de Almeida e Beatriz Ferreira de Almeida com os filhos mais velhos: João, Virgilio, Jesuina e Fernando ou Laura (?). Data provável: 1912
O avô João Nunes de Almeida com os filhos, da esq para a dt: Eduardo (Aníbal), Virgilio (meu pai), João Nunes de Almeida, Arnaldo, Jesuina ou Laura?, Beatriz e Ângelo. Data provável: 1930


A avó Catharina Ferreira já em idade muito avançada com as suas netas e bisneta: Etelvina Ferreira,  (à esq.) , Maria do Carmo Bauleth Almeida (no centro) , e Maria Lizete Ferreira (à esq.). Data provável: 1935






A tia que não conheci, porque faleceu cedo: Laura Almeida e Manuel Barbosa (conhecido com Manuel Barbosa do talho) acompanhado dos filhos Rui em 1940/1.


 


 Os tios Eduardo (Anibal), Virgílio, Arnaldo e Aníbal com a sobrinha (Eugénia?  filhas de Jesuina?) . Estavam de luto pela avó Beatriz. Anos 1930



 
 Na pescaria de João Duarte, na Praia Amélia, em 1946.  Da esq. para a dt. Em cima: Virgilio Nunes de Almeida, Arnaldo Nunes de Almeida, Ângelo, Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida e Julia Rosa Almeida. Embaixo os filhos: Ângelo Almeida (Lito), Júlio Eduardo Almeida (Juju), Rogélia Maló de Almeida (Gélita) e Eduarda Almeida (Dáda)

O meu pai, tios e primos:  Virgilio Almeida, Odete Maló de Almeida e Ângelo Nunes de Almeida, Julia Rosa de Almeida e Eduardo (Aníbal)Nunes de Almeida. Embaixo: Rogélia Maló de Almeida (Gélita), Julio Eduardo de Almeida (Juju), Ângelo Almeida (Lito) e Eduarda Almeida (Dáda). Data provável: 1947

Estas fotos mostram-nos três irmãos da família Nunes Almeida e suas descendências. Todos nascidos em Moçâmedes, todos ali residentes até 1975, filhos de Beatriz Ferreira de Almeida e de João Nunes de Almeida, netos de Fernando dos Santos Almeida.
Os primos Dáda e o Juju em Moçâmedes, na casa da Torre do Tombo

Os primos Dáda e o Juju à janela da casa na Torre do Tombo




Os primos Dáda e  Juju em Moçâmedes

 Eu, à posta da casa, em 1954
 
 O meu irmão Amilcar à porta da casa em 1956


Com minha familia, pais, irmão e avó materna, em 1956
Com minha familia, pais, tio Angelo Almeida, avó Conceição (avó materna) tia Carminha (irmã da minha mãe) e avó materna, em 1956, Celeste Guedes, nossa prima e as amigas Paula Ferreira e Elizabete Bagarrão. Em 1956 a bordo do paquete Império, quando meu irmão vai estudar para Portugal




ÁRVORE GENEALÓGICA


Origem paterna:

1. Bisavós Catharina Ferreira e Agostinho Ferreira

Avós:

Beatriz Ferreira (Almeida),  filha de Catharina Ferreira+Agostinho Ferreira. Beatriz era irmã gémea de Lucinda e de Maria Baptista; tinha também outros irmãos: Júlia, Maria do Carmo, Álvaro e Agostinho. 
João Nunes de Almeida. Filho de Fernando dos Santos Almeida e de Maria da Piedade.  João tinha também um irmão, o António dos Santos Almeida que casou com uma irmã da minha avó materna Maria da Conceição Frota Martins Gaivota. Desconhecemos se havia outros irmãos.

Filhos de João Nunes de Almeida+Beatriz Ferreira (meus tios)
 
João Nunes de Almeida (casou com Eugénia );
Jesuina Almeida (casou com José Fernandes de Carvalho -Zeca);
Virgilio Nunes de Almeida (meu pai, casou com Olga de Sousa Almeida, minha mãe),
Fernando Nunes de Almeida (casou com Isabel);
Laura Almeida (casou com Manuel Barbosa);
Arnaldo Nunes de Almeida (casou 1ª núpcias com Francelina?, de Benguela, divorciou-se, e tornou a casar, em 2ªs. núpcias com Maria Etelvina Ferreira, filha de Álvaro, o filho mais novo do casal ascendente Catharina+Agostinho Ferreira;
Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida, casou com Júlia Rosa);
Ângelo Nunes de Almeida (casou com Odete Maló);
Beatriz Almeida (casou com Álvaro dos Santos Frota).

                                         Beatriz Almeida Frota, Álvaro Frota e Carla
Dada e Juju



Lina Frota e filhas
Arnaldo Almeida e Etelvina

 À direita: Eduardo (Aníbal) e Júlia em Moçâmedes, na década de 1950, à dt, no dia da inauguração do novo edifício do Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes

O casal  Jesuina   e José Carvalho. Jesuína era a filha  mais velha de Beatriz e de João Nunes de Almeida, irmã de João, Laura, Fernando, Eduardo (Aníbal),  Virgílio, Arnaldo,  Eduatdo (Aníbal), Ângelo e Beatriz


 Beatriz Almeida Frota 
 Encontro de familia (cunhadas) em Portugal. Da esq. para a dt: Etelvina Ferreira e filha Maria Regionalda, Beatriz Almeida Frota e Julia Almeida
 Encontro de familia (cunhadas): Julia Almeida e Beatriz Almeida Frota



















22 dezembro 2007

Parque de Campismo de Moçâmedes 1970





1ª foto: Placa que ainda hoje se conserna à entrada do Parque de campismo, em homenagem a Raúl de Sousa Júnior.

2ª foto: Os primos Ascenso no terreno em frente ao Parque de Campismo «Raul de Sousa Júnior». Ao fundo fica a Praia das Miragens.

3ª foto: Nesta foto podemos ver as instalações do Parque de Campismo. Ao lado, o pequeno Rodolfo Ascenso.

Sobre este Parque, à beira-mar plantado, mesmo ali junto da Praia das Miragens, tenho a dizer que a sua construção partiu da iniciativa de Raul de Sousa Júnior (Lico de Sousa) enquanto vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes responsável pelo pelouro do Turismo e o grande impulsionador do projecto. Congratulo-me pelo facto de 32 anos após a independência de Angola continuar ali colocada a placa com o seu nome. Raul merecia-o, não apenas pelo facto de ter sido o seu obreiro, como pelo amor que dedicou à sua terra e às suas gentes e pela pessoa bem formada e boa que foi.

14 novembro 2007

Almoço de confraternização do pessoal ligado à Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio de Moçâmedes







1ª foto: A Nova Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio de Moçâmedes, sita na rua perpendicular à Avenida da Praia do Bonfim que passa à frente do Palácio da Justiça e da Fonte das gazelas.

2ª e 3ª fotos: Almoço de confraternização dos Empregados da Casa de Saúde do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Moçâmedes, corpos directivos e convidados, onde se podem ver, em 1º plano, de fronte, e da esq. para a dt.: o casal Manuel João T. Carneiro (advogado), esposa Manuela e filhos, e o casal Chalupa e filhos. À esq., Américo (Sofrio) e esposa, Luís Gonzaga Bacharel e esposa, ?,?,?. Ao fundo, Manuel Bagarrão (Nelinho) e filho, ?,?, .

4º foto: Outra perspectiva do mesmo almoço onde se podem ver, de fronte, e da esq. para a dt.: ??, Eduarda Carvalho e marido, Zete Veiga e marido, Diogo Baptista; Dr. Pinhão de Freitas (médico), esposa e filho, Dr Vaz (médico) e esposa, Américo (Sofrio) e esposa. De costas: o casal Chalupa e filhos e o Dr. Carneiro e filho.
 
Fotos gentilmente cedidas por Marizete Veiga, então escriturária na Secretaria da Casa de Saúde deste Sindicato.


                                *********************************************

Sem desprestígio para os demais, aproveito para fazer aqui uma referência a uma senhora, uma poetisa, que no decurso da sua  não muito demorada passagem estadia em Moçâmedes deixou a sua marca: Concha Pinhão 
 
Tinham passado 33 anos...  Num dos encontros anuais na mata de Caldas da Rainha voltei a ver Concha Pinhão. Estava ali a oferecer aos moçamedenses interessados na sua poesia alguns exemplares do livro de poemas «Sabor Amargo, Amargo Sabor». Tive o prazer de ser uma das contempladas. 
 
Recordo a figura de Concha Pinhão quando, na companhia do marido, Dr Pinhão de Freitas (médico) esteve em Moçâmedes. Recordo que em 1971, Concha fora contemplada com o 1º prémio dos Jogos Florais das «X Festas do Mar». Aliás, o Diploma e a medalha que lhe foram entregues na altura pela Câmara Municipal de Moçâmedes, ilustram a última página deste seu livro.

A Concha Pinhão que vi em Moçâmedes, era mulher de altura mediana, magra, têz clara e cabelo negro penteado ao alto, que fazia lembrar uma sevilhana. Concha emanava uma certa exuberância que dava nas vistas. Para quem não conhecesse a sua faceta intelectual e de poetisa, era o penteado que a distinguia das demais mulheres da minha terra.

Desconhecia o tom provocatório que imprimia nas quadras que fazia  dedicadas à "flor fina" de Moçâmedes, apanhando-lhes os geitos bons e maus. Fiquei maravilhada com a erudição, simplicidade e  ritmo dos seus escritos, grande parte dos quais nos remeteram para os meus 30 anos e despertaram em mim sensações de toda a saudade que Concha sentiu ao escrevê-los. A sua poesia de cariz social muito bem observada com apelos tocantes é por si só reveladora da sua fina sensibilidade.

Passarei transcrever alguns dos seus versos, respeitando tanto quanto possível as respectivas datas:


MAR DESFEITO

Na praia das Conchas, fito
O mar revolto, infinito,
Bater nas rochas, desfeito...
E olhamo-nos, tanto, tanto,
Que suas ondas são pranto,
Que vem bater no meu peito...

Angola, 1968
(Concha Pinhão)
......................


À Querida amiga Celeste Fonseca


Fala bem esta Senhora
Mais parece uma doutora
Tal o seu vocabulário
Que uma amiga despeitada
Diz que ela come em salada
Folhas de Dicionário

Moçâmedes, 1971
(Concha Pinhão)
..........................................................

UM JUIZ AMIGO

Do doutor Juiz, eu sei
Que ao dissertar sobre a lei
Crê dizer coisas sagradas;
Mas a rir sinto vertigens
Porque sei que leis e virgens
Nascem pra ser violadas

Moçâmedes, 1971
(Concha Pinhão)
..........................................


NAMIBE

Por tê-lo assim tão de perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.

E vive ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola, 1968
(Concha Pinhão)

.......................

BRUMA

Chora minha bandeira,
Chora
Que o teu corpo de quinas
Vai amanhã enrolar
Como trapo no mercado
Dos sem fé a governar.

Chora minha bandeira,
Chora
Pelo vermelho sangrento
Do gentio abandonado
De gente que deu suor
Foi escravo,
Foi senhor
E foi evangelizado.
Chora minha bandeira,
Chora
Por portugueses, corsários
Aventureiros,
Audazes
Negreiros
Homens rapaces
Homens que rasgaram mares
Descobriram continentes
Juntaram sangues diferentes
Inventaram essas gentes
Portugueses d'Além Mar

Os homens passam
Pequenos
tempo curto no viver
Ficarão no pó da estrada
Sem merecimento ter

Nossa bandeira irmanada
Há-de brilhar desfraldada
Nos mundos que viu nascer

Estoril, 1976
(Concha Pinhão)

...............................

Boina Azul

Partirão de novo
Pela madrugada
Percorrendo trilhos
Em que ninguém crê
No corpo do povo
A boina azulada
Heróis andarilhos
Não sabem porquê!...

Comando ambição
Ordena lá vão
Cumprindo a lei
Lá fora sem fronteir
Perdida bandeira
Perdido seu rei.

Estoril 1987
(Concha Pinhão)
........................

TERRA TRISTE


Ai! Moços da terra triste
A vossa esfera armilar
Não tremula não existe
Nos campos por cultivar

Ai! Moços da terra triste
Andais mesmo sem saber
Onde encontrar lar ausente
Sem pai... sem mãe... sem mulher

Logro de mãe erudita
Embrulhada na desdita
De quem nasceu menos forte
Tenta saida de sorte
Pela porta que resiste

Os filhos no infantário
Lar comprado - imaginário

Ai! Moços da terra triste...

Estoril 1988
(Concha Pinhão)

.....................

A LISONJA


É a lisonja nefasta
Quando a verdade se afasta
Da verdade que nós somos
Nosso ego croa sinhos
De bergantim sobre o mar.

Com o falar lisonjeiro
Tem cautela marinheiro
não te deixes afundar.

Estoril 2002
(Concha Pinhão)
............................

Poema dedicado ao marido, o Dr. Pinhão, (nas fotos, ao fundo, de óculos escuros).


Esse médico...que conheci



Corria na madrugada
Sempre que alguém gritava
Por um filho que nascia
Na mata verde parava
Cubata se iluminava
O milagre acontecia

Exausto mas deslumbrado
Sorvia cheiro a molhado
Do capim rasgando o chão

Só quem viu terra-parida
Conhece a força incontida
Nessa terra em convulsão


(Concha Pinhão)

-------------------
Concha Pinhão foi a vencedora do 1º prémio dos Jogos florais das «x Festas do Mar» 1971, com o poema «Embondeiro»:

EMBONDEIRO

Irei amar-te,
Embondeiro
Meu tronco seco no teu,
Braços que vão pocurar
Outros que buscam o céu,
que nesse monte cimeiro
onde vives desolado,
Vou cobrir teu peito nu.
Com o meu cabelo enrolado!

Na solidão... eu e tu.

Estendo tuas raízes
A dar seiva a quem passa,
Agente que passa a rir,
Fingindo que são felizes
Num mundo todo a ruir.

Ao menino deserdado,
mais pobrinho,
mais sozinho,
Que brinca lá na lagoa,
Dou teu fruto aveludado
Para fazer uma canoa.

Dou o teu ventre fibroso,
A mendigo desditoso,
Por abigo em noite fria;
E as feras mansas, tremendo,
No medo sem companhia.

Nós vamos rindo embondeiro
Desse teu monte cimeiro,
De quem ri da solidão.
De ti, que não vales nada,
Nem dás tábua para caixão

Como é bom ser esse nada!...
Não dar tábua serrada,
Não ser madeira forrada,
A transportar podridão!...


(Concha Pinhão)

Ficam mais estas recordações




MariaNJardim



Recordando ainda mais ...

Seguem alguns nomes de médicos, dentistas, analistas, enfermeiros e parteiras, que no decurso dos anos passaram pelas cidades de Moçâmedes e Porto Alexandre:
 
1. Médicos
Dr. Paixão, Dr. Damas Mora, Dr. Aguiar Branco, Dr. Moreira de Almeida, Dr. Raul Farrica,
Dr. Dr. Julio Monteiro, Baptista Coelho (dentista), Dr. Milheiro de Campos (dentista), Dr. Luis Serra de Matos, Dr. Mário Castelo Branco Biscaia, Dr. Augusto Herculano de Morais Alvim, Dr. Jaime Delgado (falecido em acidente de aviação na estrada para a Praia Azul), Dr. Julio Monteiro, Dr. Mário Miranda Garrido, Dr. Maia, Dr. Veloso (último médico de Porto Alexandre), Dr. Gata, Dr. Vaz, Dr. Pinhão de Freitas, Dr. Sotero, Dr José Manuel Marques de Carvalho (falecido juntamente com a esposa, Maria do Rosário, num acidente de avião nas dunas da Baía dos Tigres),

2. Analistas:
Dr. Julio Mac-Mahon Vitória Pereira...
 
3. Enfermeiros:
Coelho, Franco, Reinaldo Chibante, Egídio da Silva Jesus (Enfº do CFM), Milagre (Dispensário), Fernanda (Dispensário), Rodrigues (Hospital Moçâmedes), Cortês (enfº chefe do Hosp. Moçâmedes)

4. Parteiras: Maria Júlia Pinto Pereira Duarte de Almeida (neta do 1º residente bacharel em medicina), Fauna Souto, Olga, Aurea Marina Duarte Pereira de Lima, Ângelo, Isabel, Paula, Crescencio Lopes, Leal, Loureiro,