26 março 2008

Postais de Moçâmedes














































Três lindissimos postais de Moçâmedes, onde podemos ver o Brazão de Armas, o Deserto do Namibe com os seus olongos, gazelas e zebras, o Palácio do Governador, a Praia das Miragens, a Welwitschia Mirabilis, parte do Bairro dos Herois de Mucaba, a baía, o Palácio da Justiça e os belos jardins da Avenida da Praia do Bonfim tal como eram na década de 50, antes da plantação das palmeiras.

E agora, uma pausa para os nossos poetas:

NAMIBE


Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.


Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.


Namibiano Ferreira


19 março 2008

Lucira: Moeda não fiduciária





1. Foto que nos mostra uma perspectiva bastante agradável da Lucira (distrito de Moçâmedes)

 



 


Lucira: Moeda não fiduciára I & I (Inácio & Irmão ?).






Chegou-me às mãos esta imagem com o pedido da sua identificação e origem. Sabe-se apenas que se trata de uma moeda emitida por uma antiga empresa domiciliada na Lucira e supostamente denominada Inácio & Irmão. Terá alguma ligação com a empresa de João Maria Inácio - Lucira (Angola), da época colonial? Algum leitor saberá informar?


Não quer dizer que seja este o caso, mas recebi esta mensagem de um leitor, que dá uma explicação lógica para a existência deste tipo de moedas. Ela aí vai:

«Estas moedas serviam de pagamento aos contratados ou seja; o salário era pago em tantas moedas e o restante em angolares com o intuito destes gastarem as moedas nas suas despesas nas cantinas dos próprios patrões. Como se sabe certos empresários tinham cantinas quer nas pescarias quer nas fazendas e usando este método os valores acabavam por ficar de novo nos bolsos dos patrões por não se poder gastar noutro local. Era uma moeda de troca dentro de uma empresa e com determinado valor. Espero ter contribuido para algo.
(Cabeto Benguelense )»

Obrigado Cabeto Benguelense pela informação. Uma coisa é certa (passando por cima da ideia de exploração, se é que se enquadra a este caso), se não houvesse alí uma pescaria com uma dessas cantinas, onde o pobre pessoal poderia aceder a alguns bens essenciais, no isolamento daquela terra?

E para quem estiver interessado em dar um olhada a notas antigas de Angola, é só clicar AQUI


20 fevereiro 2008

Alunos e professores do Liceu de Moçâmedes junto do Palácio da Justiça








A escadaria do Palácio da Justiça de Moçâmedes (vulgo Tribunal) era o palco preferido de professores e alunos das escolas, quando pretendiam , em conjunto, tirar fotos que se constituíssem em recordações para a posteridade

































 





1ª foto: O imponente Palácio da Justiça (Tribunal) no topo da Avenida da Praia do Bonfim.

2ª foto: Alunos e professores do Liceu Almirante Américo Thomás, nas escadarias do edifício do Palácio da Justiça (clicar para ampliar). Clicar para ampliar. A foto não permite ver com clareza, porém distingo entre outros, o Dr Coutinho, o Reitor Dr. António de Sousa (ao centro), ladeado à esq. pelo prof. de matemática Dr Vasco Coutinho e esposa, prof. de inglês, e à dt. pelo prof. de desenho Esequiel Jorge. parece-me ver ainda as prof. Olimpia Moreira (português) Mitó (Inglês), Alda (Canto Coral), a prof. de História cujo nome não lembramos mas que era conhecida por Marisol no Japão devido aos laços no pescoço, para além de Maria Julia Maló de Abreu (Pitula) e o padre Mascarenhas (pro. de Moral) à dt.
Atrás, identifico Helena ( a mais loura), e mais atrás, com fita no cabelo parece ser Helena Ramos. Alguém poderá dar uma ajudinha?

Gente de Moçâmedes: finais da década de 50











































1ª foto: Reconheço à esq. Rosa Matos (mulher do Matos da Praça de Táxis) e Eneida (filha) e Rui (filho)
2ª foto: Familia Azevedo: Reconheço Maria José Azevedo, embaixo à esq.

17 fevereiro 2008

Entrega de prémios das provas desportivas integradas nos festejos anuais comemorativos do aniversário do Banco de Angola (agência de Moçâmedes)

















Cordália Gavino Dias, ladeada por Daniel Gavino Dias e por Artur Caleres, gerente e guarda-livros da agência do Banco de Angola em Moçâmedes, faz a entrega (no Cine-Esplanada Impala) das taças aos vencedores das provas desportivas realizadas no âmbito dos festejos anuais comemorativos do aniversário daquele Banco. A receber a taça, o moçamedense Eduardo Bento. À esq. reconhece-se, José Manuel Frota.

Constavam geralmente do programa dos festejos anuais do Banco de Angola em Moçâmedes as modalidades de ping-pongue, xadrez, damas, pesca desportiva e futebol de salão. Um ano houve em que a estas se juntou também um mini-rally a nível interno realizado no Caraculo. Os festejos terminavam sempre com um jantar de confraternização entre os empregados daquele Banco e alguns convidados especiais, que umas vezes se realizava no Hotel Moçâmedes, outras no Hotel Turismo.

16 fevereiro 2008

Alunas do Colégio Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes







O novo edifício do Colégio das Doroteias de Moçâmedes, construido em local privilegiado, na parte alta da cidade, zona de vivendas, por detrás do Parque Infantil e muito próximo do Liceu Almirante Américo Tomás.  Repare-se como a cidade estava a ficar linda, com as suas rasgadas avenidas e os seus floridos jardins...

Ainda em meados do século XX, as Irmãs de Santa Doroteia encontravam-se instaladas num edifício próximo do antigo campo de futebol e do edifício dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes, onde funcionava o Colégio que conheciamos como Colégio das Madres, ou Colégio de Nossa Senhora de Fátima. O sucesso da instituição foi de tal ordem que na década seguinte houve que começar a construir um novo edifício concebido para o efeito, com excelentes instalações, junto do local onde fica o Parque Infantil da cidade.






Esta foto ainda diz respeito a alunas que frequentaram o entigo edifício deste Colégio, situado ao fundo da Avenida da República.. Muitas caras conhecidas, entre as quais, na fila de cima: Maria Simão, Carolina Mangericão, Calila Rodrigues, Inês, Lúcia Brazão, Fátima Cunha, Bia Mangericão. Na fila intermédia: Henriqueta Barbosa (Miqueta),  Fernanda Pólvora Dias,  Raquel Martins Nunes, Maximina Teixeira e Julia Jardim. Na fila da frente: Lizete Ferreira, Noemia Van der Kellen,  Néné Trindade e Celeste Matos.

Outro grupo de alunas que frequentaram o Colégio, quando este estava no edificio  ao fundo da Avenida da República. São elas, em cima e da esq para a dt:  Lucia Brazão, ?, Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, ?,?, Fernanda Braz de Sousa, ?, Fátima Cunha, ?,?. Embaixo; ?,?, Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Antonieta Bagarrão (Dédé) Mª Amália Duarte de Almeida (Mamaia), Mélita Braz de Sousa ???.

Alunas do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Moçâmedes,  junto à "Casa de Santa Filomena, onde D. Aline ensinava o catecismo. Era casa vizinha do antigo Colégio que era frequentado por estas alunas.
Alunas do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima, junto à "Casa de Santa Filomena, onde D. Aline ensinava o catecismo


Aqui as novas instalações do Colégio ainda estavam em construção


Foto tirada por volta de 1953, numa época em que o Colégio ainda se encontrava em fase de construção. Nesta foto cedida por Fernanda Barata (a 3ª , sentada a meio da porta), reconheço, entre outras, no 2º degrau, à dt. Maria Adelina, no 1º degrau, à dt. , Eloisa Peixoto?, ?????



Ja nas novas instações do  Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Moçâmedes

Alunas do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Moçâmedes,  familiares e catequistas, junto à "Casa de Santa Filomena, onde D. Aline ensinava o catecismo.(clicar sobre a foto para ampliar. É grande)


Alunas do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima , em passeio pelas Hortas de Moçâmedes

No interior do Colégio


Nesta foto, em que as alunas ( na maioria internas oriundas de Porto Alexandre) se encontram alinhadas em forma de pirâmide à volta da «madre superiora», a madre Paiva Couceiro, reconheço:
Na ala esq. da pirâmide exterior, de baixo para cima: Odete Leal, Lurdes Pessoa (dois degraus acima) e Rosário Pacheco (no degrau seguinte).
Na ala dt. da pirâmide exterior, de baixo para cima: Beta (junto à coluna), e Fátima Pacheco (a 6ª, de baixo para cima). Na pirâmide interior, à esq., Vanda Freire e no topo Stela Sena. As fitas em forma de V que as alunas ostentam nas suas batas, eram fitas estreitas de côr vermelha com uma medalha pendurada distintivo das «Filhas do Sagrado Coração de Jesus».
 




Creio que esta foto foi tirada no decurso de uma visita a Moçâmedes da irmã que superentendia em Angola a rede de colégios das irmãs Doroteias, por ocasião da inauguração das novas instalações.

----------------------
1. Madre Duarte

2. Madre Ferreira Costa

3. Madre Superiora?


4. Madre Camilo

5. Madre Zulmira Oliveira

6. Madre Tulsson

7. Madre Lucas



8. Madre Mateus

Nota: Acabaram de me enviar estas ultimas 8 fotos com  recomendação: Fotos Salvador in Sanzlangola

.................

1971
1971
 
1971

A data 1966 que consta da figura de ferro forjado que está na foto, na parede deste Colégi, é a do 1º Centenário da presença da Congregação em Portugal fundada em 1866  data da entrada em Portugal das primeiras Irmãs de Santa Doroteia, que fundaram em Lisboa um primeiro Colégio para raparigas das classes desfavorecidas.  Existe na Net informação de que nesse mesmo ano as Irmãs de Santa Doroteia do colégio de Lisboa lançaram mãos à missão de fixar um primeiro grupo de religiosas em Angola e o local escolhido foi Moçâmedes , onde abriram um colégio para a educação de meninas.
















Para muitos pais em Moçâmedes, a educação das suas filhas num colégio dirigido por religiosas dava-lhes a garantia de melhores condições de ensino e de educação para as suas filhas, e o facto de o Colégio ser uma instituição não mista, ao nível do secundário, onde não havia o "perigo" do contacto com rapazes, era outro atractivo, sobretudo em relação às filhas adolescentes. Ali não apenas se encontravam mais protegidas, como podiam prosseguir os seus estudos, sem interrupção, desde a 1ª classe ao 5º ano (mais tarde o Colégio passou a incluir também as classes infantil e pré-primária).

 Em Moçâmedes  até 1961 não existia a instituição liceal, contudo esta já existia em Sá da Bandeira, desde 1937, ano  da fundação naquela cidade do colégio das Doroteias, "Paula Frassinetti". 

O Colégio possuia um currículo no secundário  equiparado ao dos Liceus, diferente portanto da formação mais técnico/profissional recebida na Escola Comercial,  o que permitia  àquelas que desejassem prosseguir os estudos para níveis superiores,  a possibilidade de após concluirem em Moçâmedes o 5º ano, transitarem para o Liceu Diogo Cão,  na vizinha Sá da Bandeira (Lubango) onde  os estudos progrediam até ao 7º ano, habilitação imprescindível para ingressar numa Universidade, Instituto, etc,   um sonho praticamente irrealizável para a maioria dos jovens moçamedenses,  porque acessível a muito poucos, uma vez que implicaria grande dispendio de capitais.porque só seria possível na Metrópole ou num país estrangeiro (como a vizinha Africa do Sul, por exemplo). Para além de não haver em Moçâmedes a instituição Liceal  até 1961,  também Angola  até 1969 não possuia uma Universidade.  Ao nível do secundário, a única Escola existente em Moçâmedes era a Escola Comercial, mais tarde Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, escola mista de cariz técnico-profissional ao nível do Curso Geral (5º ano) que não dava acesso aos Liceus. O Liceu de Moçâmedes só viria a ser criado em 1961, quando da visita do Ministro do Ultramar Professor Adrano Moreira, numa primeira fase ao nível dos estudos gerais, mais tarde incluindo também o complementar. Contudo esta já existia o Liceu em Sá da Bandeira, desde 1937.

Do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, em regime de externato e semi-internato, centenas de jovens sairam formadas e educadas segundo os princípios e valores eleitos por Paula Frassinetti de Souza Bezerra, a fundadora da Congregação das Irmãs Doroteias, ou seja, a educação e formação inspirada na fé cristã e nos aspectos culturais e sociais segundo os valores do Evangelho. Para Frassinetti, formar bem a criança seria transformar o mundo. A formação da pessoa humana estava em primeiro lugar. O enfoque não recaia tanto na preocupação com a formação profissional como infelizmente está a acontecer no nosso dias ao nível da Educação Pública. A Educação infantil tem como finalidade a formação integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a acção da família e da sociedade.

O Colégio era pago e possibilitava o acesso a crianças do sexo masculino mas apenas ao nível do primário. Ali as carenciados também tinham lugar, e estavam isentas de qualquer pagamento, As irmãs que por ali passaram, disciplinadoras, sim, mas também divertidas, deixaram em todas aquelas que no decurso dos anos por ali passaram, gratas recordações. Todas são unânimes na apreciação que fazem dos seus tempos do Colégio, e é com saudade que falam desse tempo que marcou para sempre as suas vidas.



Um pouco mais Sobre Paula Frassinetti ...(texto elaborado através de várias pesquisas na net)

Nascida a 3 de Março de 1809, em Génova, Itália
, a fundação da sua Obra, a Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, dá-se em 12 de Agosto de 1834, em Quinto, perto de Génova. Tendo começado com uma ‘escolinha’, abre novas escolas e Colégios em Génova. Incansavelmente, entrega-se com paixão ao ensino, à catequese e ao apostolado junto das classes populares. Em 1841, transfere-se para Roma, a fim de obter a aprovação pontifícia para a Congregação. A partir de Roma passa a difundir a Pia Obra de Santa Doroteia, que tinha como finalidade formar jovens pobres e necessitadas.

A paixão pela glória de Deus leva-a a enviar, em
Janeiro de 1866, algumas Irmãs para o Brasil e para Portugal (Junho do mesmo ano), numa época muito conturbada, a nível religioso, nos dois países. Deixou escrito: «Por amor do nosso Amor tudo nos deve parecer pouco.» A personalidade de Paula Frassinetti forja-se neste ambiente e o seu ideal de vida nascido no seio da família, vai ser determinante em toda a sua forma de viver e de educar. Mulher atenta ao seu tempo, Paula Frassinetti detecta a maior urgência da época: a promoção da mulher, através da educação de jovens de todas as classes sociais, capazes de virem a transformar a sociedade, como futuras esposas e mães cristãs. Tinha a consciência de que «Educar bem as crianças é reformar o mundo» e conduzi-lo à verdadeira vida.

Após uma laboriosa existência, marcada pela constante busca e realização da vontade de Deus, vem a falecer em 11 de Junho de 1882.
Reconhecida a santidade da sua vida, a 11 de Março de 1984 é canonizada pelo Papa João Paulo II.
No rasto de Santa Paula Frassinetti, as Irmãs Doroteias continuam o seu carisma de Educação Evangelizadora, abertas às novas urgências. Com a revolução de 1910, em Portugal, e a consequente expulsão das Congregações religiosas, as Irmãs Doroteias fundaram Comunidades em vários países: Espanha, Suíça, Malta, Bélgica, Inglaterra, Estados Unidos.
Actualmente, a Congregação está presente em 17 países: Itália, Brasil, Portugal (Continente e Açores), Espanha, Malta, Suíça, Estados Unidos, Angola, Peru, Moçambique, Inglaterra, Taiwan, Argentina, Albânia, S. Tomé e Príncipe, Camarões, Filipinas. Este dom de educar realiza-se, hoje, através de escolas, lares, catequese, animação paroquial, pastoral juvenil, promoção da mulher, inserção em lugares mais desfavorecidos.