21 julho 2008

Basquetebolistas do Ginásio Clube da Torre do Tombo em terras de Benguela: 1956































































































Basquetebolistas do Ginásio Clube da Torre do Tombo, campeãs do distrito de Moçâmedes em viagem para Benguela, tendo em vista a participação no torneio do sul de Angola: 1956

1ª foto: Celísia Calão a bordo do navio, à chegada a Benguela.

2ª foto: A equipa de basquetebol do Ginásio Clube da Torre do Tombo, à sua chegada a Benguela.
Da esq. para a dt.
Em cima: Fernando França Galvão, Francelina Gomes, Paula Ferreira, Manuela Bodião, Nidia Almeida e Emelina Galvão (mulher do treinador).
Embaixo: Ricardina Lisboa, Eduarda Bauleth de Almeida, Helena Gomes e Celísia Calão.

3ª foto: No Parque Infantil de Benguela:
Da esq. para a dt.
Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Francelina Gomes e Nídia Almeida (eu). Embaixo, Amilcar Almeida.

4ª foto: Equipa de basquetebol feminino do Ginásio Clube da Torre do Tombo antes do início de um jogo em Benguela.
Da esq. para a dt.
Em cima: Celísia Calão, Frencelina Gomes, Paula Ferreira e Ricardina Lisboa.
Embaixo:
Nidia Almeida, Helena Gomes, Manuela Bodião e Eduarda Bauleth de Almeida.

5ª foto:
Basquetebolistas das equipas do Ginásio da Torre do Tombo e do Clube Feminino de Benguela, no decurso de uma visita à cidade:
Da esq. para a dt.
Rm cima:
Helena Gomes (Ginásio), Virginia Mendonça, Eteanete, ? Mendonça, Helena Soeiro ( todas do Feminino de Benguela), Francelina Gomes (Ginásio), Alexandra (Feminino de Benguela)ne Paula Ferreira (Ginásio)
De pé, à dt. e mais à frente: Celisia Calão (Ginásio), ?, Manuela Bodião (Ginásio) e Nidia Almeida (eu- Ginásio).
Embaixo
Eduarda Bauleth de Almeida (Ginásio), ?,?, Ricardina Lisboa (Ginásio) e Teresa ? (Feminino de Benguela)

6ªfoto:

Equipa (efectiva) do Ginásio Clube da Torre do Tombo:
Em cima
Nidia Almeida, Francelina Gomes e Helena Gomes
Embaixo:
Eduarda Bauleth de Almeida e Celísia Calão.

7ª foto:
As equipas do Ginásio Clube da Torre do Tombo e do Clube Feminino de Benguela:
Em cima:
Nidia Almeida, Paula Ferreira, Eduarda Bauleth de Almeida, Celísia Calão, Francelina Gomes, Helena Gomes e José Pedro Bauleth (treinador)
Embaixo: Gina Mendonça, Delfina, Eteanette, Edith Soeiro, ???Helena Morezo, Teresa..
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20 julho 2008

O padre Galhano na equipa de futebol (reservas) do Ginásio Clube da Torre do Tombo: 1955


Esta era a quipa de reservas do Ginásio Clube da Torre do Tombo, em 1955, momentos antes da realização de um jogo no campo de futebol da vizinha Porto Alexandre. Da esq. para a dt, em cima: Pedro Eusébio, Aires Domingos, ?, Fernando Peçanha, Abano, Joaquin Gregório e ? Embaixo: Pacheco, John Pereira, Padre Galhano, Fernando Pestana e Amilcar de Almeida. Foto tirada em 1955. Foto gentilmente cedida por Amilcar de Sousa Almeida. Repare-se nla figura do gentil homem de barbas e barrete negro. Trata-se do Padre Guilhermino Galhano, pessoa muito estimada em Moçâmedes, carola do Ginásio Clube da Torre do Tombo e do futebol, que ele próprio praticou, descontraidamente, lado a lado com os jovens daquele clube pioneiro. Aliás, o Padre Galhano era um padre moderno, no bom sentido do termo, que sabia chamar a si os jovens e as crianças da terra. Ainda recordo com a sua imagem, de longas barba, boina e meias negras, com sua batina branca esvoaçante, a jogar à bola com as crianças, no descampado que ficava entre a Igreja Paroquial de Santo Adrião e o Palácio do Governador. Ver tb:  Memórias Desportivas,

Moçâmedes, Ponta do Pau do Sul, Canjeque. 1956



A vista da cidade de Moçâmedes a partir da Ponta do Pau do Sul era um espectáculo digno de se ver embora esta foto, a preto e branco e tirada com máquinas antigas, não o mostre. Aqui estou eu e  as duas amigas do peito Betinha e Gracietinha Bagarrão...

Recordo como nesse dia e em outros mar azul de Moçâmedesme entrava nas profundezas da alma, a tal ponto que ainda hoje, passados que foram 32 longos anos, é a olhar o mar que me sinto bem.. O local é um autêntico miradouro sobre a cidade! Ano 1956


 

Amilcar Almeida e as manas Betinha e Gracietinha Ilha Bagarrão observam o mar de Moçâmedes, do topo da falésia,   numa zona entre a Ponta do Pau do Sul e o Canjeque...
 
 [Canjeque+e+P+Amelia.jpg]

Olhando do cimo da Ponta do Pau do Sul, para o mar e para a esq,  vemos o Canjeque... Esta era a zona onde o mar era mais calmo e excelente o fundeadoro..
http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SH4NX-Ta5vI/AAAAAAAAI1k/CbMhzIb5Txo/s400/Calemas%2BMo%C3%A7%C3%A2medes.jpg
Para além do Canjeque, a olhar a Praia Amélia, ter uma pescaria alí com ponte e as instalações de salga na base da falésia rochosa e em cima do mar, era uma ventura! Em 1955, data em que esta foto foi tirada, fustigantes "calemas" desmantelaram pontes e destruiram instalações...
 
 
Até 1950 quem subisse à falésia da Torre do Tombo, a caminho da Ponta do Pau do Sul, era esta a vista que tinha sobre a cidade...Em 1954  já todas estar pescarias haviam sido demolidas para darem lugar ao cais comercial...e à ARAN!
 
 
 
 
NAMIBE

Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.
E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola 1968

Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»

Fábrica Africana Figueiredo e Almeida, Lda.





















Trata-se da primeira fabrica iniciada em Moçâmedes no ano de 1915 , a Fábrica Africana Figueiredo e Almeida, Lda. Desta Fábrica dizia-se, era proprietária a Companhia do Sul de Angola.

Esta fábrica foi
destinada de início a enlatados dos legumes cultivados nos vales dos rios “Bero” e “Giraul” (as célebres “Hortas de Moçâmedes”), carne de vaca ou de porco e de peixe em salmouras e escabeche ou mesmo algumas semi-conservas de charcutaria, conf. consta do apontamento histórico «Pescas em Portugal-Ultramar», de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa), citando a obra do Dr. Carlos Carneiro, então Director dos Serviços Veterinários de Moçâmedes.

No topo das janelas da Fábrica Africana , encontrava-se escrito os produtos enlatados que ali se produziam: conservas de carnes salgadas, conservas em azeite (
de atum, sarrajão, cavala, merma), conservas de fruta, conservas de escabeche, peixe fumado, etc., bem como símbolo da Fábrica, uma águia (fotos 7 e 8).

O peixe era transportado através de «vagonetas» sobre linha férrea que entravam em linha recta para dentro da Fábrica, onde era descarregado para ser escalado (1ª, 2ª e 6ª fotos) e cozido em grandes caldeirões (4ª foto). Em seguida era a fase do enlatamento (3ª foto).
No seu início esta Fábrica recrutou de Olhão pessoal feminino para trabalhar no sector de enlatamento das conservas, sector que mais tarde passou a ser ocupado por pessoal africano como aqui podemos ver.

Há indicações que na década de 20 e 30 exportava-se para o mercado italiano e para os Congos-Belga e Francês e o Gabão produtos de alta qualidade que rivalizavam com os de outras origens por serem mais baratos, o que levaria ao surgimento de novas conserveiras.

No livro Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão encontrei o nome do 1º colono se instalou numa fazenda na margem dt. do rio Bero, de nome Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da Companhia de Moçâmedes, proprietária da fazenda. Não sei se tem alguma relação com o 1º proprietário da Fábrica Africana. Há uma referência no livro de Paulo Salvador «Era uma vez...Angola » a um Sr. de nome Santana como o proprietário da referida Fábrica (?).

Sobre a indústria conserveira de Moçâmedes, transcrevemos aqui uma passagem de um apontamento histórico
de Antonio Martins Mendes da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa que encontrei na Net, subordinado ao tema «Pescas em Portugal - Ultramar- Um apontamento historico», onde o autor nos relata algumas passagens de um importante relatório do Carlos Carneiro, veterinário em Moçâmedes nas décadas de 20, e 30 do século passado, no qual

«... Estava-se em 1931, quando foi publicado o seu primeiro relatório de serviço (Carneiro, 1931). Nesse tra- balho começa por evocar o ano de 1921, ...«No seu importante trabalho o Dr. Carlos Carneiro aborda o estado da Industria de Conservas. Ficamos a saber que a construção da primeira fabrica fora iniciada em Moçâmedes no ano de 1915 e estava destinada aos legumes cultivados nos vales dos rios “Bero” e “Giraul” (as célebres “Hortas de Moçâmedes”), carne de vaca ou de porco e de peixe em salmouras e escabeche ou mesmo algumas semi-conservas de charcutaria. Preparavam também óleos de pescado que, depois de várias análises e melhoramento da técnica de fabrico, tinham colocação fácil nos mercados britânicos. A fábrica obedecia às exigências da época mas a I Grande-Guerra iria causar grandes dificuldades. A chaparia para o fabrico das embalagens, que era importada e litografada em Lisboa, faltou e a fábrica foi obrigada a fechar. A indústria viria a reanimar-se a partir de 1923, preparando conservas de atum, sarrajão, cavala, mermo, principalmente destinadas ao mercado italiano que tudo absorvia, mas exportava-se também para os Congos- Belga e Francês e o Gabão. Os produtos exportados eram de alta qualidade e rivalizavam com os de outras origens por serem mais baratos. Por isso fundaram-se outras conserveiras. » (...)

Enquanto Sociedade Oceânica do Sul (SOS), pertencia ao Capitão Josino da Costa, creio que até 1960
...........Olimpio Aquino era o gerente da parte fabril (anos 50).....

Na década de 60, e após um período aureo de grande produção como Sociedade Oceânica do Sul (SOS), esta fábrica deixou pura e simplesmente de produzir e, vendida a Gaspar Gonçalo Madeira, acabaria por se transformar num entreposto para exportação de peixe congelado para Moçambique.

MNidiaJardim


Créditos de Imagem
Fotos de ICCT (1 a 7)
foto Salvador (n.8).



Tudo neste blog está em aberto para alguém que queira colaborar com mais informações quer sobre este assunto quer sobre os restantes.



18 julho 2008

Inauguração do 1º troço do cais do porto de Moçâmedes em 24.05.1957


Foto: No cais, junto do paquete «Uije» aguardava...
 Foto: Panarâmica da baía no decurso das obras da construção do cais acostável e da avenida marginal de Moçâmedes.


 Fotos históricas que marcam o momento da chegada do Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo a Moçâmedes, no paquete Uíge, em 24.05.1957, para proceder às cerimónias da inauguração do 1º troço das obras do cais do porto, iniciadas no dia 24.06.1954, por ocasião da visita do Presidente da República, General Francisco Higino Craveiro Lopes. 

 
Do cimo da falésia da Ponta do Pau do Sul, vislumbra-se, devidamente engalanado o paquete «Uije», o primeiro a aportar ao cais de Moçâmedes. Junto do navio, parte da multidão que ali se havia deslocado para assistir à inauguração.
Nesta 1ª fase das obras ainda a maioria das primitivas pescarias  alí se encontravam. Não tardaria muito a ser demolidas.

 
Podemos ver neste aglomerado populacional que aguarda o desembarque do Governador Geral, a fazer a guarda de honra, um grupo alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes e respectiva Irmã Doroteia. Reconhece-se, entre outros, à esq. Mário Guedes da Silva (aqui em prepresentação da direcção do Sport Lisboa e Benfica); ao centro Mário da Ressurreição Maia Rocha (Chefe de Repartição da Câmara Municipal de Moçâmedes, e, um pouco mais à dt., o professor primário Canedo (com a mão co cabelo).



Celísia Vieira Calão, faz as honras da «casa» entregando a «chave da cidade» ao Governador Geral de Angola. A descer a escada do navio, de fato escuro, o então Governador do Distrito de Moçâmedes, Vasco Nunes da Ponte.

 

Apresentação de cumprimentos das «forças vivas da cidade» de Moçâmedes ao Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana . Ao centro, cumprimentando o Governador, Abílio Gomes da Silva (vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes). Da esq. para a dt.: o médico Dr. Mário Moreira de Almeida, (Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Raúl Radich Junior (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Rui Duarte de Mendonça Torres (Vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes), Virgilio Carvalho (Vereador da Câmara Municipal de Moçâmedes), Dr. Urbulo Antunes da Cunha (Presidente da Associação Comercial de Moçâmedes) e Dr. Manuel João Tenreiro Carneiro (Advogado).



O momento do descerramento da placa comemorativa da inauguração do 1º troço do cais do porto de Moçâmedes, em 24.05.1957, pelo Governador Geral de Angola.
  

Por baixo de um toldo erguido no cais, o Governador de Moçâmedes, Vasco Nunes da Ponte, entre o Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo, e o Dr. Mário Moreira de Almeida (Médico), presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes, procede à assinatura do auto da inauguração.



Nesta foto tirada do cimo da falésia da Torre do Tombo, podemos ver o Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo e o Governador do Distrito, Vasco Nunes da Ponte e Governador Geral de Angola, tendo ao fundo o paquete Uíge.Todas as fotos aqui expostas foram-me gentilmente cedidas por Amilcar Almeida e por Celísia Calão.
 Outras cerimónias foram efectuadas no decurso desta visita , como a inauguração do novo edifício-sede do Grémio dos Industriais de Pesca e Derivados do Distrito, e a cerimónia da colocação da primeira pedra que deu início à construção do complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica, ambos os actos presididos pelo Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo...enquanto o paquete Uige no cais aguardava...
 O porto de caes após 5 anos do início da sua construção, em 1954


O cais já a funcionar em pleno alguns tempos depois...



Para ver fotos do lançamento da 1ª pedra no decurso da visita a Moçâmedes do General Craveiro Lopes em 1954, clicar AQUI.


Quem construiu o porto de Moçâmedes?

Por contrato, a empreitada por 3 anos foi outorgada pelo Comandante Sarmento Rodrigues
 a firmas adjudicatárias Engº Rafael del Pino e Moreno

Foto tirada em 1961, 5 anos após a inauguração da 1ª fase da construção cais acostável de Moçâmedes, e 7 anos após o lançamento da primeira pedra para  o início da mesma. 
              
                                                                          *    *     *
Motivos aconselháveis quanto ao local para construção do futuro cais acostável


(Parecer do Comandante Correia da Silva).
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Pela ordem das condições de abrigo, segue-se a baía de Moçâmedes que é presentemente um bom fundeadoro em condições normais de tempo, e poderá tornar-se um excelente porto permanentemente abrigado, dada a direcção constante das vagas, se se dragar a enseada da Torre do Tombo, ao sul da baía, e se se fizer aí, não o porto de pescadores que hoje é, mas o porto comercial. A muralha acostável da Torre do Tombo não será nunca um porto grande, mas será um porto bom e mais que espaçoso para o movimento provável de Moçâmedes. Com essa muralha de mais a mais, dado o abrigo da enseada, poderá fazer-se acostável de qualquer lado e em qualquer direcção que seja construída, mais espaçoso será o porto de Moçâmedes.


Muito se tem pensado em fazer o porto acostável de Moçâmedes na enseada do Saco. Embora a terra que vem da ponta do Giraúl dê também a essa enseada um abrigo que lhe dá uma boa praia de águas tranquilas, e extensão abrigada é muito menor que na Torre do Tombo, e mais facilmente se ressentirá a ressaca do sudoeste, que incide directamente a uma pequena distância da praia abrigada. Além disso, o Saco fica a légua e meia, pela praia, de Moçâmedes. A Torre do Tombo é hoje um bairro de Moçâmedes, e, se as obras do porto se fizerem , como certamente haverá a ligação por caminho de ferro e por estrada, pelo mar, da Fortaleza de S. Fernando a distância do último extremo da Torre do Tombo ao centro da cidade actual, percorrer-se-á em poucos minutos.
… … … … … … … … …
A preferência dada por algumas opiniões que conhecemos, do Saco do Giraúl, funda-se principalmente na amplidão de terrenos para edificações, na profundidade actual da enseada e no facto de ficar essa praia num ponto da linha do Caminho de Ferro além da passagem do Bero, que constitui, por enquanto, um dos mais graves obstáculos ao trânsito regular dos comboios, por ocasião da cheia.


Ora essas razões que justificam a existência actual, nessa praia, de uma atracação, não são, a nosso ver, suficientes para que se faça nessa enseada o futuro porto de Moçâmedes. Seria um porto novo a construir, não o porto de Moçâmedes, e , sem de forma alguma querermos dar a impressão de que existe, nesta origem de caminho de ferro, o mesmo duelo que há entre Benguela e Lobito, defendendo a orientação de fazer as obras definitivas na Torer do Tombo, seguimos apenas a velha predilecção, que sempre tivemos, como oficial de marinha, pelo maior abrigo das suas águas, que, neste caso, se combina com os interesses da cidade capital do distrito.
… … … … … … … … … …
(Cópia dactilografada do Relatório do comandante Correia da Silva, consultado em Moçâmedes, na Repartição Distrital de Administração Política e Civil).




Razões da opção quanto a um local a escolher para a construção do futuro cais acostável; parecer do Comandante Frederico da Cruz.

…Moçâmedes é, incontestavelmente, o terceiro porto da colónia, e tem condições para se trnasformar num dois mais importantes de toda a África Ocidental.
Escavado na latitude 15º e 10´Sul, a sua vasta área cobre 3.300 hectares. A área útil, ao Sul, próximo da cidade, não anda longe dos 600 hectares; ao Norte anda próximo dos 500 hectares.
A baía de Moçâmedes, profundo recorte em forma de concha, é limitada, ao Norte, pela ponta do Giraúl, e ao Sul, pela ponta Negra, se bem que o baixo Amélia, mais ao mar, tenha pretensões a esporão submerso.
O fundeadouro fica afastado da terra 750 metros.
Moçâmedes é testa do Caminho de Ferro de Sá da Bandeira, vias de comunicações que, fatalmente, se há-de alongar a caminho da Rodésia do Norte, em necessário paralelismo com a linha Lobito-Dilolo.
A sua importância futura, é pois, considerável.
Hoje, o porto de Moçâmedes serve principalmente a exportação do peixe seco, farinhas, óleos de peixe, e produtos agrícolas da Huila.
O seu movimento em toneladas de arqueação é já notável.
Em 1947 lançaram âncora nas suas águas navios nacionais de longo curso, totalizando 300.738 toneladas. Do livro «Moçâmedes» de Manuel Júlio de Mendonça Torres

Outras opiniões sobre o equipamento
:

(Manuel Pires de Matos, engºhidrográfico)


«Moçâmedes pode ser considerado um porto misto, predominando contudo nele as características de porto geral e de pesca.
O seu equipamento deve fazer-se no sentido de aproveitar o cais no quebra mar para embarque de pasageiros, carga e descarga de navios transportando deste ou para este porto, quantidade de mercadorias, carga e cereais a granel e carga e descrga de combustível líquido.
No cais longitudina, far-se-ão de preferência as operações de carga e descarga de navios com grandes quantidades de mercadorias a movimentar a carga de carne, peixe e frutas frigorificadas , pois os frigoríficos, armazéns , depósitos de carvão , etc., serão construidos junto deste cais, a servir por linhas férres em abundância para fácil manobra de grande quntidade de vagões, sem o receio de congestionamento.
De começo, o porto poderá dispôr de um frigorífico, armazéns, «gare» marítima, depósitos de carvão e silos, a construir nos terraplenos, que pelo presente ante-projecto se conquistam ao mar.
A construção de depósitos combustível líquido, entre a Ponta do Mexilhão e a Ponta do Noronha, é conveniente que se faça em subterrâneos a escavar na escarpa, para ficarem convenientemente abrigados dos ataques aéreos.
Além do equipamento já atrás indicado, serão precisos guindastes, a captação e a beneficiação, rede de distribuição de água aos navios e serviços do porto, a construção de uma central termo-electrica para as necessidades de Mossãmedes e do porto e um rebocado para as manobras de atracar e desatracar.
Mais tarde, quando as circunstâncias o aconselharem, deverá também considerar-se o equipamento do porto de pesca, a construção de carreiras para navios de vela e embarcações, armazens de redes e outros aprestos de pesca, doca seca para a reparação de navios, etc.
 

 Boletim Geral das Colónias . XVIII - 203
Nº 203 - Vol. XVIII, 1942, 1o1 pg.


Pesquisa de MariaNJardim
Para mais informação: AQUI


Fotos gentilmente cedidas por Amilcar de Sousa Almeida e Celísia Calão.

Para ver fotos sobre a visita do General Craveiro Lopes a Moçâmedes e a cerimónia da colocação da 1ª pedra, que em 24.06.1954 deu o arranque à construção do cais de Moçâmedes, clicar AQUI.



Nota: Agradece-se se forem daqui tiradas fotos e textos que não esqueçam os respectivos créditos de texto e de imagem.

A 1ª traineira de Moçâmedes era pertença da família Grade

 


A 1ª traineira que sulcou os mares de Moçâmedes... A foto, inédita, foi-me cedida por José Vicente Arvela. A traineira encontra-se acostada em Portimão, podendo ver-se a meio o prédio a conceituada "Casa Inglêsa".



Esta enorme «traineira» que aqui vemos em Portimão encostada à muralha do porto, num local muito próximo da «Casa Inglêsa» (o café que tem à venda o melhor que se fabrica na doçaria regional algarvia), foi a primeira traineira que sulcou os mares de Moçâmedes. Chegada a Portugal, em tempos mais atrás, encomendada pela Cooperativa «Galinho», que se dedicava à pesca da sardinha, era movida a vapôr através de caldeiras. Mais tarde, por volta dos anos 1940, foi adquirida pela família Grade, oriunda de Portimão e residente em Moçâmedes, mas teve que passar pelos estaleiros de Portimão onde foi submetida a várias modificações, que incluiram a retirada do cano, uma vez que passou a funcionar a motor a gasoil.
 

ela fora ali comprada, levada num navio até Luanda, e de Luanda navegou pelos seus próprios meios até Moçâmedes, de onde rumou para a Baía dos Tigres, o local onde ficava a Pescaria do proprietário, por volta de 1940.

Foi levada até Luanda fazendo porte da carga de um navio, porém de de Luanda para a Baía dos Tigres, onde ficava a pescaria do proprietário, viajou pelos seus próprios meios. O primitivo nome que lhe foi então dado foi o de «Nossa Senhora da Luz». Ao chegar a Moçâmedes foi baptizada com o nome da filha do proprietário: «Maria José». 


Viajaram com ela, António Gonçalves de Matos (Sopapo) e outros algarvios dedicados à arte da pesca, que acabaram por se radicar em Moçâmedes, onde ficaram até à independência de Angola, em 1975. Quando se deu a independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, esta enorme traineira já tinha sido vendida a uma sociedade de que faziam parte Virgilio Gonçalves de Matos, Francisco Velhinho e Miguel de Freitas. Perante o agravar dos conflitos entre os movimentos em luta, e a degradação das condições de vida na cidade de Moçâmedes, os sócios resolveram partir de avião para o Brasil, enquanto a traineira atravessou o mar, rumo às terras de Santa Cruz (Brasil), conduzida pelo seu mestre, de origem madeirense, cujo nome não recordo, que com ele levara a família constituída pela mulher seis ou sete filhos. No Brasil, mais propriamente em Santos, esta traineira acabaria por ser vendida dada a dificuldade na aquisição de licenças de pesca para barcos estrangeiros. Nesse mesmo dia em que a enorme traineira partiu de Moçâmedes, com uma diferença de horas, partiu também na sua traineira rumo ao Brasil, José Vicente Arvela. Nunca se encontraram pelo caminho. A primeira foi dar a Porto Seguro, esta, a S. Salvador da Baía.

Imagine-se o que foi a chegada à baía da traineira de José Arvela, sem prévio aviso às autoridades portuárias daquela cidade, com a bandeira portuguesa desfraldada ao vento. A traineira entrou descontraidamente e ficou ali fundeada à espera. Do modo como foram recebidos o seu proprietário jamais esquecerá. A bordo subiu o chefe do Comando do 2º Distrito Naval do Brasil - Salvador da Baía, que logo lhes ofereceu alojamento e alimentação por um ano.


Na foto, a traineira encontra-se acostada em Portimão, podendo ver-se a meio o prédio a conceituada «Casa Inglêsa», o café que tem à venda a melhor que se fabrica na doçaria regional algarvia . À dt, é visivel a torre de uma das Igrejas da cidade.

Ao ter sido adquirida pela família Grade, esta traineira, como referi, ainda passou pelos estaleiros de Portimão, onde lhe foi, por ex., retirado o cano que aqui vemos, por força da substituição do motor, e atribuido o novo nome, o de «Maria José», nome da filha do proprietário. Viajaram com ela, António Gonçalves de Matos (Sopapo) e outros algarvios dedicados à arte da pesca, que acabariam por se radicar em Moçâmedes, onde ficaram até à independência de Angola, em 1975.