04 março 2009

Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes: Finalistas dos cursos de Formação Comercial e Formação Feminina em 1956/7




Estes são os alunos da minha turma do Curso Geral de Comércio, da Escola Comercial de Moçâmedes, no ano lectivo de 1956/7, no decurso do baile dos finalistas realizado no salão do Atlético Clube de Moçâmedes (Namibe, Angola). Ao todo 14 raparigas e 4 rapazes! Dá para interrogar: onde estão os rapazes que faltam?  Em cima e da esq. para a dt: Maria do Rosário Antunes, Noémia Girão Rosado, Ricardina Guedes Lisboa, Maria de Lurdes Ponteviane Infante da Câmara, Maria Augusta, Aurora Vieira, Violete Velhinho, Cacilda, Lurdes Faustino (Pitorrinha), Rosalina Nunes, Maria Eduarda Bauleth de Almeida, Celísia Vieira Calão, Maria Nídia Almeida, e Ildete Almeida Bagarrão. Embaixo, da esq. para a dt: Rui Coelho de Oliveira, Eugénio Guerra (Geni), Daniel Santos e Jorge Carrilho. Foto do meu álbum.



No mesmo baile dos finalistas do Curso Geral de Comércio,  no famoso salão, o grande animador da década. Quantos casamentos se arranjaram neste amplo salão, mas não sei porquê, nenhum deles entre colegas de Escola nem de ano. Da esq. para a dt., são: Rui Alberto Coelho de Oliveira, Aurora Vieira, Geni Guerra, Violete Velhinho, Dr. Olímpio Nunes (Director e professor de História), Celísia Vieira Calão e Daniel Santos. Fotos do meu álbum.



Nesta foto, as raparigas marcam uma presença total. Alunas dos cursos Geral de Comércio e Formação Feminina posam juntamente com o corpo docente, no decurso do baile dos finalistas, no salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes, em 1957. Embaixo, e da esq. para a dt: Luisa (gémea), M. Graça de Nunes de Sousa, Ivone Serra, Graciete (gémea), Suzete Alves, Mitsi Aboim, Lili Salvador, Guida Frota, M. Lurdes Infante da Câmara , Maria do Carmo Domingues e M. Lurdes Tavares.  Professores, da esq. para a dt., reconheço entre outros, o Dr Campos, o professor Minga , o professor Cecílio Moreira e o professor Carrilho ...Foto do meu álbum.



Baile dos finalistas da mesma Escola englobando os mesmos cursos (Curso Geral de Comércio e Formação Feminina), realizado no salão do Atlético Clube de Moçâmedes em 1957.  Nesta foto são eles que predominam... Em cima, da esq. para a dt., são: ?, ?, Virgilio Couto, ?, Graciete, Ivone, Luisa, ?, Maria do Carmo Domingues, Lili Salvador, Mitsi Aboim, Guida Frota, Carlitos Guedes (por detrás), Lurdes Infante da Camâra, Lurdes Tavares e Fausto Gomes.
Embaixo: António Carrilho, Marmelete, Alhinho ll, ?, Nunes, Cocas Silva, Carapanta, Patrício, Dudu Silva, ?, Luis Dolbeth e Costa e Aldorindo. Foto de Antunes Salvador retirada de Sanzalangola.

 

 



1956 e 1957 foram despedidas da vida estudantil em cheio que culminaram com um sarau no Cine Teatro de Moçâmedes (o popular Cinema do Eurico), onde estiveram presentes, também, os grupos de ballet e de ginástica rítmica de Mme Sibleyras, entre outros participantes da festa. Nesta cinco colegas do Curso Geral de Comércio   e do Curso de Formação Feminina (Noémia Rosado, Susete Oliveira, Antonieta Rodrigues (Boneca), Guida Frota, Lili Salvador e Maria da Graça Nunes de Sousa) declamam Camões.

Fez parte deste espectáculo uma cena de teatro na qual José Fernando Soares, sentado numa secretária, imitava o gorducho e austero Director da nossa Escola, Dr Domingos da Ressurreição Borges, no seu gesto e no seu modo de lidar com os alunos, cena por sinal muito bem interpretada e muito aplaudida.


Na foto anterior a esta, trata-se do momento da apresentação dos alunos finalistas do Curso Geral de Comércio, do ano de 1976. Da esq. para a dt: Eduarda Bauleth, Ildete Bagarrão, Lurdes Faustino (Pitorrinha) Fernanda Neves Almeida, Aurora Vieira, Cacilda, Violete Velhinho, Daniel Santos, Geni Guerra, José Fernando Soares, Jorge Carrilho e Rui Alberto Coelho de Oliveira. As raparigas mais atrás, à esq. encontram-se encobertas.




Finalistas do Curso Geral de Comércio da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes com a professora Albertina, nos jardins da Avenida de Moçâmedes. Da esq. para a dt. Em cima: Roberto Trindade, Daniel Santos, Leitão, Clélio Cunha, Rui Almeida Barbosa, António Pessoa, Rui Coelho, Fausto Gomes, Claudino Alhinho (Joldino). Embaixo: ?, Geni Guerra, professora Albertina, Jorge Carrilho e José Fernando Soares.



Finalistas do mesmo Curso Geral de Comércio nos jardins da Avenida de Moçâmede. Eem cima - Claudino Alhinho, Violete Velhinho, Cacilda, Fausto Gomes, Daniel Santos, Portela, Rui Coelho de Oliveira, Geni Guerra, Leitão, José Fernando Soares, António Pessoa, Jorge Carrilho, Roberto Trindade, Clélio Cunha e ... (perdoa-me, colega, esqueci o teu nome!) Embaixo: Fernanda Neves Almeida, Lurdes Faustino (Pitorinha), Ildete Bagarrão, Mª de Lurdes Infante da Câmara, Eduarda Bauleth de Almeida, Mª do Rosário G. Santos e Aurora Vieira. Mais à frente: Ricardina Guedes Lisboa, Mª Nídia Almeida (eu) e Celísia Vieira Calão.

Nesse dia, as raparigas combinaram vestir-se de negro e os rapazes de laço ou gravata preta! Porquê? O preto, símbolo de nostalgia, num presente que começávamos a sentir já, como passado? Influência das capas negras coimbrãs? Sei, que até no Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira os estudantes nesse tempo já ostentavam capas negras...



Finalistas dos Cursos de Formação Comercial e Formação Feminina, no ano de 1957, em Moçâmedes. Da esq. para a dt. Em cima: ?, Lili Salvador, Guida Frota, Mª de Lurdes Infante da Câmara, Maria Antonieta Rodrigues (Boneca), Lili Carrilho Martins (Eurico), Laurete, ?, Maria do Carmo Domingos, Susete Alves e Mª de Lurdes Faustino (no cnto dt., de perfil) Atrás : Da esq. para a dt: ?, Nidia Almeida (eu), Lena Brás de Sousa, ?? Mitsi Aboim (de óculos escuros), ??
 



 Em cima e da esq. para a dt.: Noémia Girão Rosado, Maria do Rosário Gabriel dos Santos, ?, Maria José, Gastão, Maria de Lurdes Faustino (Pitorrinha), Rosalina Nunes, Mistsí Aboim, Margarida Frota (Guida), Maria de Lurdes P. Infante da Câmara, Lili Salvador, (?.....) e Mª Nídia Almeida (eu).  Embaixo: Helena Brás de Sousa (Lena), ? , Boneca, Violete Velhinho, Cacilda, Maria da Graça Nunes de Sousa, Suzete Alves de Oliveira , Maria do Carmo Domingues, Ildete Almeida Bagarrão e Celísia Calão. O professor que se encontra nesta foto é o prof. de História, Olimpio Nunes, recente aquisição da nossa Escola, que veio sibstituir o Dr Borges, e que nos veio encher de grande satisfação. Era uma pessoa charmosa, simpática, educada, que nos tratava com muita educação. Uns meses depois assumia o lugar de Director da Escola, com a saída do Dr. Domingos da Ressurreição Borges.  Foto do meu álbum.




Alunos e alunas do Curso de Formação Comercial e Industrial de Moçâmedes.  Em cima e da esq. para a dt.: Madalena?, M. Carmo Domingues, Suzete Alves de Oliveira, Ivone Serra, M. da Graça Sousa, Álvaro Jardim/Chamenga (por detrás),Guida Frota, Lili Salvador, Fausto Gomes e Aldorindo (por detrás) , Luisa (gémea). Segue-se o corpo docente, de entre os quais reconheço Dra. Isabel Serrano (Inglês), o Dr Mário da Ressurreição Borges (Director cessante),o professor Carrilho (Dactilografia e Caligrafia),  ?, no topo, o novo Director, Dr Olimpio Nunes, o professor de Contabilidade, o Professor Silva de Canto Coral e ?. Embaixo, de entre alunas do curso Comercial e do Curso de Formação Feminina, reconheço, da esq. para a dt.: M. Nídia Almeida (eu), M. Lurdes Infante da Câmara, Lurdes Tavares, Mitsi Aboim, e Graciete (gémea) Do grupo de rapazes à dt, reconheço, da esq. para a dt., de pé: Ferreira da Silva (Cocas), ????? De joelhos: Mouzinho,Patrício, Ferreira da Silva (Dudu), Carapanta, Calão (Miga) e José Fernando Soares.


 


Cerimónia da despedida ao Dr. Domingos da Ressurreição Borges, o Director cessante da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. A ler o discurso de despedida, na foto, o novo Director, Dr. Olímpio Nunes, ladeado pelo corpo docente da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. Do corpo docente e outros, reconheço entre outros, à dt. do novo Director: Robalo (da União Nacional), Dr Borges (director cessante), ?,Prof. Marques (Escola Portugal). À sua esq.: Augusto Martins (Latinhas), func. da ECIM, prof. Minga, prof. Cecílio Moreira, prof. Carrilho. De costas os grupo masculino da Mocidade Portuguesa de então (1956).Foto do meu álbum.



Alunas do mesmo ano lectivo da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes (Curso Geral de Comércio), à saida de uma aula. Elas com as tradicionais batas brancas como era hábito na época (Só elas, porque seria? ).Da esq. para a dt. Em cima: Violete Velhinho, Eduarda Bauleth de Almeida, Celísia Calão, José Fernando Soares. Em baixo: Ildete Bagarrão, Ricardina Lisboa e Nídia Almeida (eu). Foto do meu álbum.





Da mesma Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes e do mesmo ano lectivo (1956), alunas do Curso Geral de Comércio. Aqui estávamos em plena escapadela até à praia, devido a um «furo» do horário escolar... Ainda não estávamos no tempo do Dr. Vitória Pereira que ia de jeep buscar os alunos à praia de retorno às aulas, caso o professor se tardasse e estes se pisgassem...Em cima: Lurdes Faustino (Pitorrinha), Maria da Graça Nunes de Sousa e Rosalina Nunes. Embaixo: Lurdes Tavares, Ricardina Lisboa, Maria do Rosário e Nídia Almeida. (eu) Foto gentilmente cedida por Ricardina Lisboa. Ao fundo, ponte da Praia das Miragens. Foto do meu album


Após 1975, a dispersão foi total, e salvo algumas excepções passamos a saber muito pouco uns dos outros... Uma separação em relação à qual (pelo menos para mim), se seguiram décadas até que nos encontrássemos de novo. Os Encontros anuais da nossa Escola, em Maio de cada ano que passaram a ter lugar, bem como os encontros na Mata da cidade de Caldas da Rainha, e as visitas ao Facebook têm sido um meio de aproximação.


Outro grupo de professores e alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, mas este já em 1957/8. De entre os professores reconheço a Dra Isabel Serrano, da cadeira de Inglês (1)

MariaNJardim



Créditos de imagem: Praticamente todas estas fotos fazem parte do meu álbum pessoal.




Segue um pouco da História do ensino secundário em Moçâmedes:


Depois de ter exposto aqui a série de fotografias que ficaram a marcar o ano do encerramento dos meus estudos na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, irei debruçar-me um pouco sobre a História do Ensino Secundário no nosso distrito, pelo menos até ao início da década de 1960.

Naquele tempo persistia ainda a ideia retrógada de que a escola pública deveria realizar uma reprodução social e cultural, ideia que levou as autoridades portuguesas a entenderem que Moçâmedes, considerada que sempre fora uma cidade essencialmente voltada para as coisas do mar, não deveria possuir uma instituição liceal, bastando proporcionar à sua juventude estudos práticos, considerados mais adequados ao meio, numa escola secundária e apenas ao nível do curso geral. Isto quer dizer que quando um aluno completava os estudos ao nível do 5º ano da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1956, não tinha qualquer chance de os prosseguir, e entrar numa Universidade, porque em  Moçâmedes não havia um Liceu. E mesmo se houvesse um Licei, em Angola não havia uma Universidade.

Os estudos liceais eram considerados como propedêuticos ao ensino superior, destinar-se-iam aos futuros candidatos a uma Universidade na Metrópole,  uma vez que a Universidade de Luanda só veio a ser criada em 1969,  ideia que não apenas veio prejudicar os filhos de Moçâmedes, como obrigou aqueles que pretendiam prosseguir os estudos para níveis superiores, a muito cedo terem que deixar as suas casas, para ingressarem no Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira, a cidade mais próxima, a expensas de suas famílias, e  em muitos casos com os maiores sacrifícios.

Recuando no tempo, abordaremos a seguir um pouco daquilo que foi a evolução histórica do "Ensino Secundário" em Moçâmedes:

- Foi em 1918 que surgiu pela primeira vez uma fugaz tentativa de criação de uma escola para o Ensino Secundário em Moçâmedes, a "Escola Marítima de Moçâmedes", prevendo-se para a mesma um curso preparatório com a duração de dois anos, um ensino primário complementar, o que só podia conceber-se se soubessem já ler e escrever correntemente e efectuar as operações aritméticas. Estava previsto que, além da parte literária propriamente dita, aprendessem outras coisas, como ginástica educativa, exercícios paramilitares, natação, remo, trabalhos de velame, cordoaria e calafate. Deveriam estudar também os acidentes geográficos litorais de Angola, sobretudo os da costa do distrito de Moçâmedes, a influência e orientação predominante dos ventos, correntes, etc.. Eram ainda ministradas aos alunos noções relacionadas com a História da Colonização do Sul de Angola. O curso especial, que durava também dois anos, consistia no estudo de Aritmética e Geometria, Físico-Química, Ciências Histórico-Naturais, Legislação, Contabilidade, Escrituração Comercial, Desenho, Indústrias Marítimas, Construções Navais, etc.. A parte prática do curso obrigava a aprender a fazer sondagens, medir a força das correntes, treino na caça à baleia, fabricação de óleos, guanos e colas, curtume de peles. etc. Contudo esta ideia não chegou a ser levada à prática.

No ano seguinte, em 1919, Filomeno da Câmara ousou criar, à revelia do Poder Central, o Liceu de Luanda e duas Escolas Primárias Superiores, em Sá da Bandeira e Moçâmedes. Era um novo tipo
de Escola que seria regulamentada, três anos depois, por Norton de Matos. De facto a "Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes" foi posta a funcionar em 1925. Não obstante, houve ainda uma tentativa de se se criar em Moçâmedes essa outra Escola agora com a designação de Escola Industrial Marítima de Moçâmedes.  



A Escola Barão de Moçâmedes embora ostentasse a designação depreciativa de Escola Primária Superior, possuia um currículo de cariz literário que a demarcava de um ensino meramente profissional e primário, e a colocava a par de um ensino secundário. 

Em 1927, esta Escola, que de início era administrada pela Câmara Municipal, passou a sê-lo pelo Estado, e a partir de 1930, passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus, mantendo embora não o currículo distinto do liceal, apesar dos  sonhos, que já nesta altura, acalentavam professores, educandos e população, da sua elevação a categoria superior na escala da classificação. Contudo em 1936, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes foi extinta para dar  lugar à Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes.

-A Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, por sua vez foi substituída pela Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1952, e esta, por por evolução natural, deu lugar, em 1960, à actual Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, que passou a funcionar em novas e modernas instalações apropriadas para o efeito. O Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, foi o seu Patrono.   

Assim, até 1961, o ano em que tudo em Angola e nas restantes colónias começou a mudar,  ao nível estatal do ensino secundário, por motivos atrás salientados, existia em Moçâmedes apenas uma Escola de cariz tecnico-profissional, a Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, que não dava a equivalência ao Curso Geral dos Liceus.

Quanto à instituição liceal em Moçâmedes, esta só viria a ser fundada, com o nome de Liceu Almirante Américo Tomás, a partir de 21 de Outubro de 1961, nesse ano fatídigo, como atrás referi em que em Angola tudo começou a mudar, com os movimentos independentistas a começarem a movimentar-se como foram o assalto do MPLA às cadeias de Luanda e  os massacres da UPA levados a cabo contra populações trabalhadoras e indefesas, europeus e africanos, nas fazendas do norte de Angola.


Não esqueçamos (...) que a palavra «liceu» pertence à tradição aristotélica, porque está associada ao culto de Apolo, príncipe das nove musas e à vitória da humanidade sobre a animalidade. Não é a técnica nem a ciência o que humaniza o homem, e se (...) o liceu não deve ser mais do que um colégio das artes, temos de concluir (...) pela afirmação de que o liceu nada será se não cultivar a mais alta e difícil das artes, que é a de filosofar". Álvaro Ribeiro

Lembro-me perfeitamente do dia em que o Professor Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, de visita a Moçâmedes, no decurso de uma manifestação nocturna junto ao Palácio do Governador com gritos de ordem: queremos um Liceu!...queremos um Liceu!.. veio à varanda do Palácio dizer simplesmente à multidão: o Liceu de Moçâmedes chama-se «Liceu Almirante Américo Thomás». Conclusão óbvia: quando a manifestação foi preparada, a decisão já estava tomada, mas ainda bem, finalmente tínhamos alcançado o direito ao nosso Liceu, ainda que numa 1ª fase apenas ao nível dos estudos gerais liceais.

Apesar da inexistência de uma instituição liceal em Moçâmedes até 1961, e de uma Universidade em Angola até 1969, alguns moçamedenses, muito poucos, conseguiram ingressar no ensino superior, ou seja, uma Universidade na Metrópole, ou até mesmo na África do Sul. Um ou dois fizeram exposições a Salazar e lá conseguiam a bolsa de estudo, outros tiraram os seus cursos a expensas das respectivas famílias, com grandes sacrifícios financeiros, outros tiraram os seus cursos numa luta titânica contra toda uma série de condicionalismos, como era, por exemplo o caso das equivalências, que lhe dificultava a caminhada, obrigando-os a autênticos malabarismos. 


A seguir transcrevo um texto elucidavo dos transtornos que essa legislação acarretava para os filhos de Moçâmedes. Ele aí vai, assinado por alguém que foi aluno da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, a Escola de ensino secundário (até ao 5º ano, o Curso Geral, que foi extinta em 1951, para dar lugar à Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. ASA sofreu na pele o facto de ter querido prosseguir os seus estudos e só ter encontrado barreiras. Depois de terminado o 5º ano e já a trabalhar, aos 16 anos de idade, ele próprio esteve à frente de uma petição ao Governo para que a
Secção Preparatória para os Institutos Comerciais fosse possibilitada aos moçamedenses:

"
- A criação da Secção Preparatória para os Institutos Comerciais -
Mais tarde, já a trabalhar no Grémio da Pesca, resolvemos retomar os estudos.Na época, havia uma grande discriminação entre alunos da Escola Comercial e dos Liceus. Eram compartimentos estanques.Os alunos do Curso Comercial eram os patinhos"feios" e os do Liceu do Lubango os meninos "bonitos". Não se permitia que se transitasse de um curso - o comercial- para o outro - o liceal-.. O que significava que apenas era possível prossseguir os estudos na área de Economia e Finanças e em Lisboa.
Assim , tornou-se imperioso lançar um forte movimento para a criação da Secção Preparatória para os Institutos Comerciais na nossa escola, requerendo ao" poder colonial de Lisboa " a sua instalação. A iniciativa , com grande apoio dos diplomados da Escola, teve sucesso e veio a começar a funcionar pela primeira vez no ano lectivo de 1955, em regime de horário post-laboral.
Tivemos a honra de ser o primeiro aluno da Escola a frequentar o Instituto Comercial de Lisboa,que funcionava no palacete da Rua das Chagas.
ASA (ass) " Fim de citação.
Foram grandes as barreiras e inúmeras as dificuldades, é certo, mas os «cabeças de pungo» tinham já por toda a Angola fama de gente vivaz, inteligentes e capaz,  que por via dos seus cursos, gerais, médios ou superiores, atingiam cargos de prestígio, não só os que partiam em busca do ideal, e acabavam por ficar lá fora,  também os que regressavam e aqueles que nunca partiram, ali permaneceram, ali trabalharam e ali se projectaram como proprietários nas áreas da agro-pecuária, comércio e indústria piscatória, ou entre os que se evidenciaram no campo profissional em altos postos na função pública (sobretudo Finanças, Obras Públicas), e na Banca, onde inúmeros filhos da terra  ascenderam à categoria de Gerentes e Inspectores bancários.



MariaNJardim 

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Portaria n.º 17899 | escola província ultramar moçâmedes

Ministério do Ultramar - Direcção-Geral do Ensino
Sábado 13 de Agosto de 1960
188/60 SÉRIE I ( páginas 1866 a 1866 )

TEXTO :
Portaria n.º 17899
A Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes é a mais antiga da província de Angola entre as do grau de ensino a que respeita, pois resulta da conversão decretada em 1952 da anterior Escola de Pesca e Comércio.
Para a sua instalação definitiva foi construído edifício próprio, de aspecto condigno, e que pela sua situação domina a importante e laboriosa cidade a que pertence, bem como a vasta baía que lhe fica adjacente.
A inauguração da nova sede é um dos actos que na província hão-de constituir a comemoração do centenário da morte do infante D. Henrique, como participação da patriótica população de Angola em tão solene preito de justiça e reconhecimento de todo o País à memória gloriosa daquele excelso português.
Dado que as actividades características da cidade de Moçâmedes se associam aos trabalhos do mar ou em grande parte são deles resultantes, é do maior acerto que nele fique alguma coisa a recordar esta quadra comemorativa. Nada mais expressivo poderá haver, para esse efeito, do que invocar como patrono para a escola que ali prepara os trabalhadores mais graduados o nome do infante navegador.
Nesse sentido se manifestou o Governo-Geral da província.
Pelo que:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Ultramar, que à Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes seja dada a denominação de «Escola Infante D. Henrique».
Ministério do Ultramar, 13 de Agosto de 1960. - O Ministro do Ultramar, Vasco Lopes Alves.

Para ser publicada no Boletim Oficial de todas as províncias ultramarinas. - Vasco Lopes Alves.







(1)  Professores do EICIDH 

Alguém escreveu num comentário: "...Houve outros professores que me marcaram mais: Dr. Brandão, Dra. Isabel Serrano, Dra. Cristina Solas, Professora Leonor Bajouca, Professor Minga, Professora Lucília Falcão, Dra. Luísa Mesquita (tive mta pena qdo se foi embora para o Luso) e o querido Dr. Campos que era uma belíssima pessoa. Ainda vi a Dra. Luísa Campos, umas 2 vezes qdo trabalhava na escola n.o 26 dos Anjos. Fez-me uma festa. A minha tia Guida é que manteve contacto com a Dra. Luísa Mesquita até vir para cá. Há uns anos (muitos), organizaram uma visita ao Dr. Brandão. Éramos muitos, um autocarro cheio. Foi mto bom."

22 fevereiro 2009

Curso da «Oliva» em Moçâmedes e em Porto Alexandre



Na 1ª foto senhoras de Moçâmedes ladeiam  D. Elvira, a orientadora do Curso de Corte e Costura promovido pela «Oliva -máquinas de costura» representada pela Casa João Pereira Correia, Lda. Da esq. para a dt.: mãe da Riquita Bauleth, ?, Georgete Serra Duarte, ?,? orientadora do curso, ?, Mariazinha Jardim, ?,?.

Na 2ª foto jovens e senhoras de Porto Alexandre participantes num  outro Curso de Corte e Costura promovido pela «Oliva-máquinas de costura», entre as quais, em cima, da esq. par a dt.: Beta Silva, Marlene Caldeira, Tita Couto, Arminda Alves de Oliveira, Nela Viveiros, Zelinha, Belarmina Loureiro, ? e Cesária Barbeiro.
Embaixo: Julinha Carvalho, Silvina (irmã de Isaura"do Pinda"), Carolina Loureiro, Manelita Anacleto, Mª da Selva (filha do Mestre António - marceneiro - mais conhecido por "Olho de vidro").

Arminda Alves de Oliveira, que aqui podemos ver e recordar, vestida de preto, foi quem,
com os seus dotes de pianista, deu continuidade à obra da velha senhora, D. Ema de Zuzarte Mendonça que era possuidora do curso do Conservatório de Lisboa, e ensinava a tocar piano, em aulas particulares, várias meninas e senhorinhas de Moçâmedes. Arminda Alves de Oliveira foi uma daquelas figuras que se evidenciaram na cidades de Moçâmedes, quer pelos seus dotes artísticos como pelo seu espírito de entreajuda, sempre pronta a colaborar em todas as iniciativas culturais que viessem a favor do bem comum. Recordo Arminda a tocar orgão acompanhando as missas domingueiras na Igreja de Santo Adrião de Moçâmedes, bem como a participar em grande número de eventos sociais que se desenrolaram na cidade na década de 50. Fica aqui mais uma lembrança de «gente do meu tempo» que viveu e conviveu durante décadas nas pequenas e memoráveis cidades de Moçâmedes (Namibe) e Porto Alexandre (Tombwa), em Angola, e que um dia, já lá vão mais de 30 anos atrás, completamente se dispersou, deixando em nossas memórias, apenas a recordação.


Créditos de imagem: Sanzalangola
Nomes fornecidos por gentileza de Adélia Vaz (Aileda).

19 fevereiro 2009

Moçâmedes, Mar e Março: Miss Mar 1973

















Foto/Fonte: LaySilva in Sanzalangola.
















Da esq. para a dt:
Em cima
Isabel Camacho, Pinha, Treinador?,Manuela Camacho e
Embaixo
Manuela Faustino, ??
Foto retirada de Snzalangola

26 janeiro 2009

Basquetebol feminino em Moçâmedes: Ginásio Clube da Torre do Tombo

















































Equipa do Ginásio Clube da Torre do Tombo em 1954-1955-1956-1957

1ª foto:
Maria Helena da Costa Gomes (Lena Gomes
/ Ginásio ) num espectacular lance de bola ao cesto que mais faz lembrar uma gazela a saltar sobre as escaldantes areias do deserto do Namibe. Jogo realizado em Benguela/1955.

2ª foto:
Um dos primeiros jogos do Ginásio Clube da Torre do Tombo, em 1954, no campo de jogos do Sporting Clube de Moçâmedes, contra a equipa do Atlético Clube de Moçâmedes. Da dt. para a esq.: Suzete Freitas (Atlético), Lurdes Sena (Ginásio), Helena Gomes (Ginásio), Celísia Calão (Ginásio), Eduarda Bauleth de Almeida (Ginásio)
? e Maria José Gastão (Ginásio).

3ª foto:
Celisia Calão, da
Equipa do Ginásio Clube da Torre do Tombo, cumprimenta o Governador de Angola, Tenente Coronel Horácio de Sá Viana Rebelo, ao qual acabara de entregar um galhardete do clube. Em 1957 o Governador Geral de Angola deslocara-se a Moçâmedes para a inauguração do 1º troço do cais da cidade. Na mesma altura foi inaugurado o novo edifício do Grémio da Pesca, e foi colocada a 1ª pedra no novo estádio do Sport Moçâmedes e Benfica.

4ª foto:
Celisia Calão da
Equipa do Ginásio Clube da Torre do Tombo, a ser entrevistada por Carlos Moutinho.Por detrás, ao centro, Amilcar de Sousa Almeida. 1956

5ª foto:
Equipa do Ginásio Clube da Torre do Tombo em 1955 num jogo contra a equipa do Sport Moçâmedes e Benfica, efectuado no campo do Sporting. À esq., Celísia Calão, do Ginásio (nr.12) tenta passar a bola a Eduarda Bauleth de Almeida ( nº 1o, ao centro).


Ficam mais estas recordações dos embora breves, mas glorioso
s do basquetebol feminino na cidade de Moçâmedes, na década de 50, em que se disputavam renhidos jogos entre equipas com idêntico nível de competição, como eram, sobretudo, as do Ginásio Clube da Torre do Tombo, do Sport Moçâmedes e Benfica, do Atlético Clube de Moçâmedes e do Sporting Clube de Moçâmedes.
Para ver MAIS
e MAIS
fotos/fonte: álbum das minhas recordações

Gente de Porto Alexandre (anos 60)












Mais uma foto de gente que viveu e trabalhou em Porto Alexandre até 1975, e que pelos motivos que todos os que lá estivemos sabemos, num abrir e fechar de olhos, em menos de 3 meses, tiveram que abandonar Angola, quando a segurança deixou de existir e a vida se tornara impossível.

O que me impressiona quando faço postagens para este blog de fotos de grupos de alexandrenses é o traço de união que sempre se denota existir entre as pessoas. Este é um fenómeno infelizmente inexistente nas grandes cidades, onde as pessoas, mesmo as que vivem no mesmo prédio, já nem sequer se conhecem ou até mesmo nem sequer se cumprimentam. O crescimento desmesurado das cidades e o tipo de vida moderna acarretaram consigo o individualismo, a indiferença, o egoísmo e outros sentimentos que tais, que estão isolando as pessoas no interior de si próprias, tornando-as mais sós e mais tristes, enquanto a humanidade vai perdendo os valores antigos que deveriam ser cultivados, porque se tratam de verdadeiros valores. Em Porto Alexandre trabalhava-se, mas as pessoas conviviam. E não isoladamente, mas em grupos, tal como aqui as podemos ver.
E é isso que faz saudades!
Se alguém errou foi o sistema e não as pessoas.

São (irmã mais nova do Modague e Maguida)
; Claudia Ferreira (irmã de Isabel, casou com o saudoso Albertino);Rui Lara (dirigente - Presidente do ISC - já falecido); Rosa Gancho;Isaura ("do Pinda");Nela Viveiros; ?("A Pequenina", tia da Lourdes Brito); Clélia; Luisa Sena.

À frente: Necas Trocado (dirigente - já falecido);?, X ico Baptista; ? (treinador da equipa de Basquetebol); José Cristino Ferreira (meu primo, sogro da Nandi Veloso- foi treinador da equipa de futebol - já falecido);?; Alfredo Gancho.
Nomes gentimente fornecidos por AdéliaVaz (Aileda)

Créditos de imagem: Mazungue

12 janeiro 2009

Cerimónia de «baptismo» da «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo (1946)





















1ª foto: Cerimónia de «baptismo» e lançamento ao mar, no ano de 1946, da «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, ocorrida sob o telheiro da ponte do Sindicato da Pesca de Moçâmedes, na Torre do Tombo.

Da esq. para a dt.

Sentados: Capitão do Porto de Moçâmedes, Dr. Novais (médico) e Padre Simões.

De pé : Álvaro Frota (ao centro, de óculos escuros), Luís da Piedade (marceneiro), Paulino Bexiga (de camisola desportiva) José dos Santos Frota (de óculos escuros, à dt.) e Mário dos Santos Frota (a discursar). As meninas, à dt., são: Maria Helena Ramos e Maria Celeste Custódio. De perfil, à esq., António Guedes e José Nascimento.

A «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, o clube pioneiro da cidade de Moçâmedes, criado em 1919, foi construida na pescaria de Óscar Duarte d´Ameida por Gilberto Abano, João Custódio e Urbano Canelas, numa altura em que, na presidência daquele clube (fundado em 1919) se encontrava o moçamedense Mário dos Santos Frota.

2ª foto: A «guiga» do Ginásio na Praia das Miragens, tendo por fundo a ponte e a Fortaleza de S. Fernando. Entre os «remadores» e curiosos, reconheçoída esq. para a dt.: António Martins Nunes (Cowboy), Eduardo Lopes Braz, José Ferreira (Penha), João Viegas Ilha, Velhinho, Mário Lisboa Frota (Mariuca), Virgiíio Gonçalves de Matos e António Gonçalves de Matos (Sopapo).

Sobressai por detrás dos ocupantes da «guiga»,
junto da ponte e do guindaste, a vela de um «sharpie», modalidade que nessa altura fizera a sua aparição em Moçâmedes, no quadro do desporto escolar levado a cabo pela Mocidade Portuguesa. Relativamente à modalidade «REMO», o entusiasmo decrescia, já que existiam somente três barcos, um do Independente de Porto Alexandre, mais leve, quase sempre vencedor, uma «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, e um «Yolle» do Centro Náutico da Mocidade Portuguesa. Embora musculosos os respectivos remadores careciam de treinamento adequado, situação que impediu o pleno sucesso das equipas respectivas. Contudo, a rivalidade entre eles foi sempre notória, sob manifestações populares de simpatia. Não havia condições, obviamente, de participar em grandes competições intra-muros, que eram então lideradas por tripulações do Lobito e de Luanda.

Ver também: MemóriasDesportivas
Fotos/Fonte: meu álbum de recordções

19 dezembro 2008

Passeio à Praia das Conchas em Moçâmedes (Namibe), Angola, na década de 1940




Nesta foto, tirada em 19.4.1941, por Rodrigo Baião Alcario, podem ver-se três dessas famílias. Reconheço nesta foto, em cima e da esq. para a dt: ?, Mário António Guedes da Silva (o 2º), seguido de António Guedes da Silva , Júlia Celeste Gomes Guedes da Silva, ?, Lídia de Sousa Alcario , Orbela Gomes Guedes da Silva (um pouco à frente), e os restantes ???? Em baixo, sentados: Élia Paulo, ?, José Nascimento?, ?, e Maria do Carmo Paulo (Carminha).

Foto gentilmente cedida por Mário Guedes da Silva.



Familias de Moçâmedes na Praia das Conchas. Os Ribeiro/Pires Correia


Em Moçâmedes era costume uma ou mais familias irem ais fins de semana a um passeio até à Praia das Conchas

 


Chamavam praia, mas de praia não tinha nada, pois era pedregosa, não dava para banhos de mar, e até magoava os pés, mas ali apanhavam-se búzios, burriés, pequenos caranguejos, ostras, mexilhões, pescava-se à cana e à linha uma imensa variedade de peixe, como garoupas, pargos, sargos, etc.


O farol do Saco do Giraúl para além da função estritamente inerente à sua actividade, estava inserido num local onde as pessoas se deslocavam, designadamente aos fins de semana para passearem pela zona litorânea a norte de Moçâmedes, passando dali até à Praia das Conchas e Barambol.


 Aliás, toda a zona do Farol até à Praia das Conchas, onde se situava um banco rochoso, é uma zona de muita rebentação, e, se uns iam para o local com o fito de darem asas ao gosto pela pesca/caça aos peixes, outros iam simplesmente para as zonas menos rochosas apanhar búzios, burriés, pequenos caranguejos, ostras, mexilhões, sujeitando-se, a cortar os pés ou as sapatilhas com as conchas afiadas como lâminas, outros ainda para contemplarem o espectáculo que lhes era dado apreciar das altas ondas do mar envoltas em espuma a baterem furiosas nas altas rochas da zona, como que as querendo galgar.

Também era comum verem-se ao fim do dia pescadores desportivos dos  mais aguerridos a tentarem ali a sorte levar para casa uma variedade de peixes, tais como garoupas vermelhas pintadas, pargos, sargos / mariquitas, canelas, meros, moreias, anchovas, tinhas, badejos, chocos, polvos, lagostas, que davam para encher o frigorífico para a semana. Eram 3 zonas muito frequentadas, especialmente, por pescadores desportivos de pesca à linha, de pesca à cana e caça submarina, a partir da Praia das Conchas até foz do rio Giraúl.

Afinal valia mesmo a pena ir até ao Farol, à Praia das Conchas e ao Barambol! Uma curiosidade: na «Praia das Conchas», como em algumas outras praias como a do Chiloango, etc., é comum verem-se grandes ossaduras de baleias, que ali vão «encalhando» trazidas pelas correntes desde a Praia Amélia (*), em tempos mais para trás (década de 1920/30), uma vez que durante essa década existiu naquela praia, a 6 km a Sul do centro da cidade de Moçâmedes, uma grande empresa norueguesa que ali se instalou, vocacionada na industrialização de carne e gordura desses cetáceos.

MAR DESFEITO

Na praia das Conchas, fito
O mar revolto, infinito
Bater nas rochas, desfeito...
E olhamo-nos, tanto, tanto,
Que suas ondas são pranto,
Que vem bater no meu peito...

Angola, 1968
"Sabor Amargo, Amargo Sabor"
de Concha Pinhão


MariaNJardim

13 dezembro 2008

Rallies e circuitos em Moçâmedes













1ª e 2ª fotos: Avenida da Praia do Bonfim em dia de provas.

3º foto: Na curva da Fortaleza: José Pedro Bauleth e Moinhos?.

4ª foto: Assistindo à provas sobre o muro da Fortaleza e em frente ao Palácio do Governador: Arménio Jardim, Rui Alberto Sousa Jardim Leonel Sousa e Ana Paula Almeida Jardim.

5ª foto: Em frente ao Palácio do Governador, multidão assistindo às provas.
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Moçâmedes parava quando aconteciam circuitos automóveis e ralis. Aliás, todas as cidades de Angola paravam quando havia alguma prova , fosse em que cidade fosse: Moçâmedes, Lobito, Sá da Bandeira, Nova Lisboa, Benguela Luanda... Eram circuitos de rua demarcados com pneus e fardos de palha colocados em volta dos percursos, em pontos estratégicos e a certa distância das curvas, para evitar despistes e as suas consequências, uma vez que as localidades enchiam-se de gente, e muitas vezes, até não caberem mais. Um dia de provas automobilísticas, era sempre uma festa. Nesses tempos tempos participavam carros de turismo de diversas marcas e níveis de preparação, todos disputando as provas e correndo juntos, sem distinção. Corria-se porque se gostava, por amadorismo, e os carros com que se corria eram os mesmos do dia a dia e até os pneus eram os mesmos fosse qual fosse o seu piso. Mais tarde as pistas angolanas evoluiram com novas aquisições, entre as quais se salienta o Porsche 904 GTS adquirido por Henrique Ahrens de Novais etc., e na década de 70 as provas eram já divididas em corridas distintas de pilotos consagrados e de pilotos iniciados.
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