19 março 2011

O Concurso de "Miss" Angola e "Miss" Portugal 1971, Riquita Bauleth, na Revista "Tempo"










Da Revista moçambicana "Tempo"
Para lêr, clicar aqui: LER PDF


ELEIÇÃO DE MISS ANGOLA 1971
    
 
LUANDA: a noite da mais bela. O correspondente de «TEMPO» em Angola, descreve assim a noite de coroação de Made Celmira:

Na noite da eleição muita gente em Angola deitou-se já dia claro. Cinco rádioclubes, transmitindo directamente, mantiveram dezenas de milhares de pessoas agarradas aos rádios e, no Lobito, espalhadas pelos jardins onde tinham sido colocados altifalantes. Toda a gente queria saber, em cima da hora, quem era a primeira «Miss»  Angola.
Quase sete horas demorou o espectáculo da eleição de «Miss» Angola. Mas ninguém se queixou, tal como ninguém se queixara dos duzentos escudos desembolsados pelo bilhete de ingresso.  A caça ao bilhete foi aliás um sintoma claro do interesse despertado pelo espectáculo. No dia anunciado para abertura da bilheteira - nove dias antes do Espectáculo houve quem se pusesse na bicha às seis da manhã! As onze abria o «guichet», ao meio dia encer rava, afixando «lotação esgotada». O nosso colega «Notícia» - que organizou a eleição -foi acusado de reter demasiados bilhetes. Esclarecido que não, passou tal responsabilidade para a empresa proprietária do cinema Aviz.  A verdade maior parece ser, no entanto, a de que havia mais de dez mil pessoas interessadas em assistir e apenas mil e trezentos lugares posíveis...»
 
CELMIRA BAULETH COMO A MAIS BELA DAS ANGOLANAS

«Miss» Angola 71 e as suas súbditas:
Maria Celmira. tem à direita Maria Clélia, a 2.ª classificada e, à esquerda, Ana Paula.  Em redor as outras finalistas: para o ano, talvez...
Uma jovem morena de 18 anos de idade, pele cor de mel suavizada pelo vento morno do deserto de Moçâmedes e admiradora de Jean Paul Sartre é «Miss» Angola 1971. Foi eleita há dias em Luanda e, quando após muitas horas de discussão o juri anunciou o seu nome - Maria Celmira Bauleth - ele nada mais fez do que sancionar uma escolha que o público angolano fizera já.  Com um metro e setenta de altura, olhos enormes numa face extremamente belae actualmente estudante, Maria Celmira disputará assim muito em breve em Lisboa-ao lado de «Miss» Moçambique e de «Miss» Metrópole- o, ceptro de «Miss» Portugal.

MISS ANGOLA VEM DO DESERTO

JÚRI E PÚBLICO UNÃNIMES NA ESCOLHA DE MARIA CELMIRA BAULETH COMO A MAIS BELA DAS ANGOLANAS

Miss Angola 71 e as suas súbditas: Maria Celmira. tem à direita Maria Clélia, a 2.ª classificada e, à esquerda, Ana Paula.  Em redor as outras finalistas: para o ano, talvez...

Uma jovem morena de 18 anos de idade, pele cor de mel suavizada pelo vento morno do deserto de Moçâmedes e admiradora de Jean Paul Sartre é «Miss» Angola 1971. Foi eleita há dias em Luanda e, quando após muitas horas de discussão o juri anunciou o seu nome - Maria Celmira Bauleth - ele nada mais fez do que sancionar uma escolha que o público angolano fizera já.  Com um metro e setenta de altura, olhos enormes numa face extremamente bela e actualmente estudante, Maria Celmira disputará assim muito em breve em Lisboa' -ao lado de «Miss» Moçambique e de «Miss» Metrópole- o, ceptro de «Miss

 Logo depois de ter recebido os signos da sua realeza como a mais bela angolana de 1971, Maria Celmira foi instada por Ivon Curi a fazer uma declaração pública. Visivelmente comovida mas mostrando na face cansada a emoção do momento que vivia, «Miss» Angola disse apenas: Quero agradecer ao público todo o apoio que me deu... »

Na verdade, logo que os nomes das dezanove finalistas foram conhecidos, Maria Celmira Bauleth passou imediatamente a ser a grande preferida dos angolanos.  O juri nada mais fez, portanto, do que ser o porta-voz da vontade popular.  Caso raro em certames do género... As candidatas eram dezanove, pertencentes a seis cidades. Dezanove sorrisos, que eram um mundo de sonhos e de esperanças, na noite tropical polvilhada de estrelas...

Organizado com exemplar entusiasmo pelo semanário «Notícia», uma publicação que disfruta de justa popularidade, o concurso para escolha de «Miss» Angola, vencidas as fases de apuramento distrital, teve, pois, condigno encerramento com a festa que apaixonou a opinião pública. As candidatas que desfilaram perante a assistência, entre actuações dos artistas brasileiros Clara Nunes e Ivon Curi e do conjunto angolano «Os Ngoleiros do' ritmo», foram as seguintes, por ordem de entrada: Paula dos Santos, estudante, de Luanda; Maria Natal, funcionária pública, de Luanda; Anete Ferraz, estudante, do Lobito; Maria Moço, empregada numa agência de viagens, de Luanda; Maria Isabel de Oliveira, estudante, de Nova Lisboa; Olga Morais, empregada comercial, de Luanda; Maria Célia, estudante, de Luanda; Maria do Rosário, estudante, de Nova Lisboa; Ema Paula, estudante, de Luanda; Fernanda Costa Dias, estudante de Nova Lisboa; Maria Celmira Bauleth, estudante, de Moçâmedes; Catarina de Oliveira, em pregada de escritório, de Luanda; Maria dos Anjos Alfredo, de Sá da Bandeira; Anabela Meneses, empregada bancária, de Luanda; Fernanda de Jesus Rodrigues, empregada de escritório, de Luanda; Ana Paula Ferreira, estudante, de Nova Lisboa; Maria ElfridaReis, funcionária púlica,de Luanda e Rosemary Pedroso da Silva, estudante, de Benguela.


Breve diálogo com “Miss” Angola 1971:



“SARTRE” E BIFES COM BATATAS FRITAS

P -Qual o seu escritor preferido?
M. Celmira-Para mim, Sartre é o maior.
P- Como se define a si própria?
M. C. -Sou extremamente descontraida, moderna, com um mínimo de vaidade
feminina, que eu acho essencial.
P.- Passatempos preferidos?
M. C. -Música, praia a cinema.
P, - Namora?
M. C.-Não.
P- Que sentiu ao ser eleita «Miss» Angola?
M. C.- É dificil exprimir, mas sei que fiquei extremamente satisfeita.
P.-Como encara a sua próxima participação no concurso para escolha de
«Miss» Portugal?
M. C. Irei a Lisboa com uma única certeza: a de que, quando se concorre
a uma coisa, seja ela qual for, se tem sempre esperança,
P –Que licenciatura quer seguir?
M. C. Engenharia Química é o curso que pretendo tirar.
P,-Qual o seu prato preferido?
M. C.-Bifes com batatas fritas,
P.- Sabe faz ovos fritos?
M. C. - Não, sim. Tenho pouca experiência, mas desde que haja livro de cozinha toda a gente sabe cozinhar.


Aproveito para colocar no final desta postagem algumas hiperligações que nos possibilitem o acesso a  um conjunto de fotos de "Miss" Brasil-EUA 1997, a bela, simpática e elegante ANA CAROLINA DA FONSECA. Adivinhem o porquê, neste blog, de  fotos de Miss Brasil-EUA?
  Nada mais nem menos porque ANA CAROLINA DA FONSECA, a "Miss" Brasil-EUA 1997 e MARIA CELMIRA BAULETH (Riquita), a "Miss" Angola e "Miss" Portugal 1971, são primas!  A primeira é filha e neta de moçamedenses, ainda que nascida no Brasil, a segunda, é natural de Moçâmedes, tal como o seu pai e avô. Ambas têm as suas "raízes"  em Moçâmedes, terra para onde partiram um dia, algures em finais dos anos 1880, os seus tetravós e trisavós, respectivamente, CATARINA E AGOSTINHO FERREIRA, que foram também os meus bisavós. Como poderiam eles alguma vez imaginar virem a ser bisavós e trisavós de tais beldades?
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17 março 2011

Moçâmedes : eleição das "Miss Mar" e "Miss Moçâmedes" 1971



O "Miss Mar" 1971

Este foi o Concurso de "Miss Mar" 1971, que aconteceu na cidade de Moçâmedes, hoje Namibe, no decurso de um Baile realizado no edifício da Associação Comercial, integado nas X "Festas do Mar". A eleita foi Marilia da Conceição Campos Rodrigues (Lita)  que vemos na foto ladeada por Riquita Bauleth, "Miss Angola" 1971, à dt, e por  "Miss Moçambique", à esq. Na foto encontram-se também as Damas de Honor, Paula Chalupa, à esq (n.6), a mais séria concorrente ao título de "Miss Mar" 1971 , e Fernanda Lourenço "Dama de Honor, à dt (n. 7). Mais à dt, Miss Simpatia.   Nesse ano Celmira Bauleth  (Riquita) havia sido eleita "Miss Angola" 1971, e preparava-se  para, com todo o mérito, no Casino do Estoril, em Lisboa, disputar o título de Miss Portugal, que acabaria por vencer.



 

Chegada a Moçâmedes da Miss Moçambique 1971,  das Damas de Honor de Miss Angola 1971, Maria Clélia Pereira dos Santos (2ª classificada),   Ana Paula Varela Antunes (3ª classificada e  "Miss" Simpatia),   Rosemary Pedroso (Miss Informação) , Ana Paula Antunes da Silva, "Miss" Futuro,  e de outras candidatas ao título de miss beleza angolana que vieram fazer parte, juntamente com Riquita, do juri deste Concurso.  Estiveram igualmente presentes, Maria dos Anjos Roque Alfredo e Fernanda de Jesus Rodrigues. A aguardá-las, elementos de algumas familias de Moçâmedes em cujas casas iriam ficar hospedadas. 

          Finalistas do concurso de "Miss Mar" 1971:  Marilia da Conceição Campos Rodrigues (Lita) "Miss Mar" 1971, ladeada por Paula Chalupa
e Fernanda Lourenço. Concorreram ao título, também, Paula de Carvalho,
 e Ani de Freitas. Cedida por Paula Chalupa


 

No dia seguinte, no campo de jogos do Benfica, o espectáculo foi repetido, com entradas mais em conta, de modo a que mais gente pudesse assistir. Participaram no espectáculo o conjunto musical "Os Desafinados"  de Sá da Bandeira, a Banda do Cassequel e o Grupo Folclórico de S. Nicolau, que se exibiram com muito agrado da parte do público assistente.



 Recorte do "Jornal Namibe" + foto, com Paula Chalupa. Cedida por Paula Chalupa

Conforme o jornal "O Namibe",  o desfile das candidatas no campo de jogos do Benfica foi algo de espectacular, tendo as misses e as concorrentes sido delirantemente aplaudidas,  com especial realçe para as Miss Moçambique e  Miss Angola, e Maria Paula de Sousa Joyce Chalupa, a  1ª dama de honor favorita do público.  Seguiu-se um baile que decorreu com grande animação.


    Bela foto onde podemos ver Paula Chalupa (ao centro) ladeada por Marilia Campos (Lita), à esq. e Ani de Freitas, à dt. Cedida por Paula Chalupa




Como se sabe, neste tipo de Concurso, nem sempre a escolha do jurí coincide com a escolha do público, e nem sequer com a escolha dos orgãos de informação. No que diz respeito à escolha do júri para do Concurso de "Miss Mar" 1971,  a redacção do Jornal "Namibe" veio a público  manifestar a sua discordância por entender que este deveria ser constituido por gente independente e não, como foi, integralmente  constituido por jovens, também elas concorrentes a rainhas de beleza. Também a redacção do mesmo Jornal   manifestou-se  surpreendida por não lhe ter sido dado conhecimento pela Organização do Concurso de "Miss" Mar 1971,  de que iria ser eleita uma "Miss" Informação: "concordamos  com a escolha de Maria José, mas estranhamos que não tivessemos sido avisados de que ia haver uma  "Miss" Informação ... Porque o "Namibe" também é Jornal,  e por sinal o único deste Distrito, e não fomos tidos nem achados...



O "Miss Moçâmedes 1971"

 http://1.bp.blogspot.com/-HMNXqtVgNt4/TZYwNzTVuyI/AAAAAAAAWeU/s4ZnxDpdk2s/s1600/de+paula+chalupa+s%25C3%25A3o+orquidea+nabais+lidia+ferreira+elizabete+cruz+guida+bento+cesar.jpg

Nesse ano decorreu também,  como atrás foi citado, o "Miss Moçâmedes 1971", sendo candidatas, por ordem do desfile: Maria Dulce Pontes, Conceição Ramos Cruz, Elsa Maria, Maria Raquel Gomes,  Maria de Fátima, Elsa Maria Formosinho,  Lidia Rosa Couto, Orquidea Nabais, Maria Eugénia Sena, Maria Lidia Ferreira, Elizabeth Sena, Orieta Bagarrão, Elizabeth Loureiro, Maria Paula de Carvalho, Aurea Maria Novo, Maria de Lurdes Pinto, Alcina Loureiro, Elizabeth Cruz e Guida Bento César.

Destas concorrentes, Maria de Lurdes Pinto  viria a ser eleita, em 1972, "Miss" Angola.  Maria Paula de Carvalho e Maria Lídia Ferreira, as duas Damas de Honor. Maria Paula de Carvalho foi ainda eleita Miss Jovem Internacional no Japão. Desde a eleição de Celmira Bauleth  (Riquita) , como Miss Angola e Miss Portugal 1971, as beldades de Moçâmedes estavam imparáveis.

É caso para repetir mais uma vez  este badalado poema:
 


                                                                              AS GAROTAS DO MAR


Todos ficaram sabendo
que assim mesmo é que isto é,
contra as garotas do Mar
é remar contra a maré...

Vencemos em toda a linha!
Foi vitória das mais lindas,
pois nós ganhamos a todas,
Preciosas, Caraslindas...

Contra o que muitos pensavam
nós vencemos o despique,
pois entre ondas de beleza
não podemos ir a pique.

Que as moças iam vencer
era aqui por nós sabido,
pois o Namibe jamais
em beleza foi vencido!

Ninguém nos pode tirar,
cá nesta terra angolana
no campeonato das lindas
a posição soberana.

Todos queriam com bairrismo,
do fundo do coração,
neste Concurso famoso,
a bela repetição.

Lurdes tu és segunda
(Riquita foi a primeira)
e as Miragens do Deserto
hão-de indicar a terceira.

Em loucura colectiva,
no momento final,
a alegria sem limites
dominou a Areal.

Muitos cortejos de carros!
Bancos, pretos... Da cama,
homens, mulher's, crianças,
vêm pr'a rua de pijama!

As Welwistchias ajudaram,
com mil palmas prazenteiras,
que deram com frenezi,
as mil palmas das palmeiras!

E o bom Mar que é nosso Amigo,
em vozes portentosas,
bradou logo o mundo inteiro:
-São nossas as mais formosas!

(Autor desconhecido)




O  "Miss" Mar 1972


 
 Concorrentes
 

 No ano seguinte foi a vez de Paula Chalupa ascender ao título de "Miss" Mar 1972.


 Paula Chalupa , uma das mais sérias concorrentes com o Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes, Rogério Marques dos Santos, António José da Costa Minas e Zé Pegado.
 
 Paula Chalupa
 

  Paula Chalupa



Chegou-nos esta foto, com esta descrição: "Concorreram também Maria José Pegado (foi escolhida para "Miss Informação"),  Teresa Neto, Eva Machado, Manuela Antoninho e Isabel Carvalho Gomes. Não conseguimos ainda confirmar o ano deste concurso..



O  "Miss" Mar 1973

 

 Em 1973 foi a Ondina Sancadas de Sousa a Miss Mar. 
Na foto a ser coroada por Paula Chalupa. Eram ambas funcionárias da Câmara Municipal de Moçâmedes.



Ficam mais estas recordações.


MariaNJardim



Clicar AQUI para ver Ana Paula Almeida, Miss Moçambique 1971,  3º lugar  no Miss Mundo substituindo Riquita, a ganhadora desistente.

Ver também AQUI
 


13 março 2011

Jovens de Moçâmedes em época carnavalesca: «Grupo os Jambalaias»: 1955





A juventude de Moçâmedes do meu tempo era uma juventude feliz. Veja-se o ar que irradiam estes jovens sempre prontos para a paródia, mas sempre, sempre, cumprindo as regras éticas e morais que norteavam a sua educação, decorrida num espaço e num tempo em que era bem mais fácil aos pais educarem os  seus filhos, que nos complicados dias de hoje...

Este é o auto-intilulado grupo «Os Jambalaias», título adoptado por ocasião do animado carnaval de  Moçâmedes de 1955. Entre eles reconheço, da esq. para a dt., em cima: Cláudia Guedes, Horondina Minas (Didi), Rosália Bento (Zala), Júlia Minas e Mª de Lurdes Pita de Sousa. Embaixo: Carlos Guedes (Carlitos), ? Andrade (Bica), Henrique Minas, Edgar Aboim e João António Guedes.
 

Porquê Jambalaia?

Jambalaia é o título de uma canção creditada à música country americana e ao cantor Hank Williams (1923-1953), lançada em 1952, que alcançou desde então grande êxito em vários países, toda ela uma mistura de ritmos e tendências musicais, tal como a «folk music», a «country music», a «western music», etc., que deram o «caldo» a esse novo ritmo. Traduzida em várias línguas, deu origem inúmeras versões, uma das quais bastante popularizada entre nós, a que lançou a cantora brasileira Celly Campelo no estrelato, e ajudou consolidar o rock no Brasil. 

A popularidade alcançada por esta canção, e a facilidade com que lhe eram adaptadas novas letras foi tal, que o nosso grupo carnavalesco, "Os Tragateiros", a adaptou para sí, e começava mais ou menos assim: "Tragateira é um malta porreira...", o resto peço a quem eventualmente leia esta postagem e a recorde, que nos envie uma mensagem, pois que a nossa memória não dá para mais!

Foto gentilmente cedida por Lurdes Jardim

Gente de Moçâmedes em passeio de camioneta em meados da década de 1950


(Clicar sobre a foto para aumentar)

Esta foto, colocada na Net por Carla Duarte, representa um grupo de gente nossa conhecida de Moçâmedes, no decurso de uma viagem em camioneta de caixa aberta, como era comum na época. Até meados dos anos 1950, em Angola,  não eram muitas as famílias na comunidade branca que possuiam transporte próprio, e quando  um grupo de familiares e de amigos pretendiam fazer um passeio ao Deserto do Namibe, às Hortas, à Praia das Conchas, à Praia Amélia, a Porto Alexandre ou mesmo a Sá da Bandeira, etc, o recurso era este tipo de transporte (de um amigo ou de aluguer), que carregava na carroceria um grande número de pessoas que, como é óbvio, "comiam" muito pó pelo caminho. O que interessaca afinal era passarem uns momentos diferentes em boa camaradagem, homens, mulheres e crianças, que lhes alegrasse o quotidiano como era passado num meio pacato e rotineiro como era Moçâmedes.

Deste grupo, reconheço, da esq. para a dt, de pé, à frente: Lalai Jardim Baptista, ??, Eugénio Paulo, ???, Helema Félix Paulo e mãe, ?, Lurdes Sena, ?, Ana Felix Matias e Justina Salvador. Sentadas sobre o veículo: ?, Lili Salvador e Isabel Maria Sena Costa, e, de pé, um pouco mais à dt., Fernando Matias. Sobre a carroceria não consigo reconhecer ninguém.

Fica mais este registo de um tempo que já lá vai e não volta mais, e de uma realidade  que em menos de duas décadas se esfumou, restando dela apenas a recordação!

Gente de Moçâmedes (hoje, Namibe, Angola)


Deste grupo de jovens de então sentadas junto a um painel alusivo a Moçâmedes e à pesca, apenas consigo reconhecer a 2ª Eduarda Figueiredo?,  Graça Castro (3ª) Chana (4ª), e Dores (5ª). Quem poderá dar uma ajudinha?


Deste grupo reconheço, em cima: Xana, Graça Castro, Eduarda Figueiredo. Embaixo: Quem pode dar uma ajudinha? Data: anos 1960

11 março 2011

Famílias de Moçâmedes (hoje Namibe) em Angola: a família Lã

Em cima: José Lã,  esposa e filho,  Adelino Lã 
Embaixo:  Céu Lã (filha do casal), ladeada pelas primas Nelinha Pintassilgo e Eduarda Pintassilgo
A família Lã estabeleceu-se em Moçâmedes no sector da pastelaria/doçaria em finais dos anos 1940, início da década de 1950, tendo aberto a sua fábrica na Rua Costa, a rua que partindo do início da subida da Fortaleza, corre perpendicular às Ruas da Praia do Bonfim, Pescadores e Hortas e Calheiros.
                                      
Até então, em Moçâmedes os bolos eram confeccionados em casas particulares por algumas senhoras da cidade que,  para ajudarem o orçamento familiar faziam da doçaria profissão, e os punham a vender  na rua através de quitandeiros (empregados africanos), que os transportavam  muito bem acondicionados e  cobertos por um naperon branco  bordado  no interior de uma caixa de madeira com tampa, que os vendedores carregavam ao ombro,  presa por uma alça de lona. Os quitandeiros vestidos de branco, e impecavelmente limpos, corriam a cidade, do campo de futebol à Torre do Tombo, da Praia das Miragens à Estrada da Circunvalação,  campeavam nas imediações das Escolas da cidade, nas redondezas dos clubes desportivos, iam ao Bairro da Facada,  ao Bairro Maria da Glória, e só regressavam a casa das "patroas" quando o último bolo fosse vendido.  Eram bolos deliciosos que faziam o encanto da miudagem gulosa: suspiros, bêbados, canudos, doces de ginguba, fatias de torta recheadas com goiabada,  etc, que a D. Zica Martins e Castro, a D. Malila Ferreira, a D. Maria Amélia confeccionavam com grande mestria.

Seguem uns versos retirados  de uma composição dedicada a Moçâmedes onde a  Pastelaria do Lã é evocada com saudade:

Saudades da árvore gigante,  
frente ao prédio do Brian,
saudades das noites de Natal,
dos bailes de Carnaval,
e da Pastelaria do Lã.


Retirado DAQUI 

Fica mais esta recordação.