05 julho 2011

Familias de Moçâmedes: Soledade Bauleth Duarte



Na foto acima podemos ver Amadeu Pereira, o filho e Soledade Bauleth Duarte, a sogra. Gostei de ver esta foto pois através dela pude recordar Soledade, a mãe da Fátima, prima directa do meu pai, filha de uma irmã da minha avó. 

Soledade nasceu em Moçâmedes no início do século XX, cidade onde casou com José Duarte, irmão do comerciante e industrial da praça, João Duarte.

Era filha Maria do Carmo Ferreira e de José Bauleth. Era irmã de António Bauleth (casou com Celmira),  de Albano Bauleth (?), de Maria do Carmo Bauleth (casou com Mário dos Anjos Almeida*) e de  Maria Alice Marta Bauleth. (casou com Armindo Bruno Almeida**). As irmãs de Soledade,  Alice Marta e a Mª do Carmo casaram com dois irmãos:  Armindo Bruno de Almeida e  Mário dos Anjos Almeida, respectivamente.

Recuando um pouco na sua genealogia, a mãe de Soledade, Maria do Carmo Ferreira era  filha dos  meus  bisavós paternos, Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira. Estes  resolveram na última década do seculo XIX emigrar para Moçâmedes, no sul de Angola, mais propriamente para Porto Alexanbre. Agostinho Ferreira (pai) e Agostinho Ferreira (filho), o mais velho,  avançaram primeiro,   deixando em Lisboa na residência do bairro de Santa Catarina (Bairro Alto),  Catharina Ferreira  e as cinco filhas, Júlia, as trigémeas Beatriz,  Baptista e Lucinda Ferreira, e Maria do Carmo ( futura mãe de Soledade). Já em Porto Alexandre nasceu  o 7º e último  filho do casal, Álvaro.

Mais tarde  famíla  resolveu mudar-se para Moçâmedes, onde foi morar no Bairro da Torre do Tombo.
Sem dúvida, Moçâmedes era até 1950 era  uma grande família. Uma terra  onde todos se conheciam, e onde era comum dizer-se, "todos eram primos e primas"... , situação favorecida pelo isolamento em que viviam as pessoas, pela fraca mobilidade que perdurou,  devido à  escassez de transportes e vias de comunicação, e à contenção da emigração, que deu origem a um crescimento demográfico bastante lento. Para se ter uma ideia do tipo de colonização que Portugal praticou em relação às colónias de África,  e no caso particular de Angola, importa referir que ainda no início da década de 1950 eram exigidas "cartas de chamada"  aos portugueses que quisessem ali fixar-se, dando-se preferência a famílias constituídas. Também até aos anos 1950,  a população  africana  que vivia  no interior das cidades em Angola era reduzida. Em Moçâmedes  e  no Lubango, era mesmo minoritária.



Na foto que segue, tirada em Moçâmedes (Torre do Tombo) por volta de finais  da década de 1920, encontram-se  alguns elementos desta família: À dt,  vê-se Alice Marta Bauleth de Almeida com a filha mais velha Maria do Carmo(?), e ao fundo, ainda mais à dt., o marido, Armindo Bruno d' Almeida que há época já andava doente (problemas psicológicos). Ao centro, Idalinda Lopes Ferreira*** e Albano Bauleth? Albano Almeida? com a pequenita Maria Etelvina  Ferreira. À esq, amigos e familiares:  à esq. Mário dos Santos Frota e ?.  À porta da casa, uma filha da então muito conhecida enfermeira na cidade, Júlia.


Tentarei trazer para aqui alguns dados genealógicos mais completos de Soledade (ramo materno):

Soledade era filha de Maria do Carmo Ferreira (Bauleth) e de José Bauleth; era neta materna de Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira; Era irmã das trigémeas Beatriz Ferreira, Baptista Ferreira e Lucinda Ferreira, e ainda de Júlia Ferreira, Álvaro Ferreira (o caçula), e Agostinho Ferreira (o primogénito). 

Desta descendência vamos encontrar Riquita Bauleth, miss Portugal 1971, (bisneta de Maria do Carmo e de José Bauleth, logo trineta de Catarina e Agostinho Ferreira).

Sobre os irmãos de Maria do Carmo Ferreira (Bauleth), a mãe de Soledade:


1. Agostinho Ferreira, nunca casou.
2. Beatriz Ferreira (Almeida)  casou em Moçâmedes (Namibe) com João Nunes de Almeida. Desta união nasceram João Nunes de Almeida (casou com Eugénia ), Jesuina Almeida (casou com José Fernandes de Carvalho (Zeca), Virgilio Nunes de Almeida (casou com Olga de Sousa Almeida), Fernando Nunes de Almeida (casou com Isabel), Laura Almeida (casou com Manuel Barbosa), Arnaldo Nunes de Almeida (casou 1ª nupcias com Francelina, divorciou-se, e tornou a casar, em 2ªs. núpcias com Maria Etelvina Ferreira), Ângelo Nunes de Almeida (casou com Odete Maló), Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida (casou com Júlia Rosa), Beatriz Almeida (casou com Álvaro dos Santos Frota).
3. Baptista Ferreira  casou em Moçâmedes (Namibe) com ? Nunes, em 1ªs. núpcias, e por falecimento deste, tornou a casar com João Nunes de Almeida, cunhado, em 2ªs. núpcias. Este casamento aconteceu após o falecimento da irmã gémea, Beatriz, no decurso do trabalho de parto de gémeos por falta de assistência. Da 1ª união nasceu Jaime Nunes que casou com Reis.
4 Lucinda Ferreira (Trindade) casou em Moçâmedes (Namibe) com João Rodrigues Trindade. Desta união nasceram Leovegilda (casou com Serafim Frota), Zenóbia (casou com Raul de Abreu), João (casou com ? da Silva) e Lumelino Trindade (casou com Helena Águas e por divórcio, tornou a casar com Laurinda...).
5. Júlia Ferreira (Gomes) casou em Moçâmedes (Namibe) com Francisco Gomes do Armazém. Desta união nasceram Virgilio Gomes (casou com Gertrudes Ferreira); Júlia Celeste Gomes (casou com António Guedes da Silva); Libânia Gomes (casou com Arlindo Cunha); Maria Ilda Gomes (casou com José Maria de Freitas), Maria Alice Gomes (casou com Rogério Ilha).
6. Álvaro Ferreira casou com Idalinda Lopes Ferreira. Desta união nasceram Maria Etelvina Ferreira (casou com Arnaldo Nunes de Almeida) e Maria Lizette Ferreira (casou com Alberto Miranda/div)




Nesta foto tirada na PRAIA DAS MIRAGENS, em Moçâmedes, em 1950, ao centro, sentada de chapéu de abas largas na cabeça podemos ver Fátima Duarte, filha de Soledade Duarte e de José Duarte, nesta altura ainda solteira, junto a um grupo de jovens casadoiras da época. Ao fundo, a baía e a falésia da Torre do Tombo que termina na Ponta do Pau do Sul ou ponta do Noronha. Da esq. para a dt: em cima (de pé): Carlos Pinho Gomes e Calila Rodrigres. Mais abaixo (de joelhos): Adelaide Ernesto, Maria Ilda Silva, Claudino Peleira e Carlos Oliveira (Carlitos). À frente (sentados): Orlando Salvador, José Luís Gonçalves, Humberto Pinho Gomes, Fátima Duarte, Isalda Uria e Melanie Sacramento. Ainda mais à frente, (deitados): Albano Costa Santos (Carriço), Mavilde e Mário Bagarrão. Foto de Salvador.



Ficam estas recordações


MariaNJardim






***Idalinda Ferreira (foto) era casada com Álvaro Ferreira, e do casal nasceram 2 filhas,  a Maria Etelvina (foto), e a Maria Lizete. Álvaro Ferreira (marido de Idalinda) era irmão de Maria do Carmo e tio de Soledade.

21 junho 2011

Os bairros de Moçâmedes (Namibe) e as suas gentes no tempo colonial: "Sanzala dos Brancos" ou Bairro Stº. António


Vejamos o que sobre este bairro e as suas gentes encontrámos na Net  (Sanzalangola):

«...Sanzala dos Brancos ou Bairro Stº. António, bairro onde vivi a minha infância e parte da adolescência, situava-se entre a estrada da Circunvalação e a rua do Rádio Clube de Moçâmedes. Rua essa que terminava no arreal em frente ao Impala Cine. Tenho dificuldade em lembrar-me do nome, e era atravessado pela Rua 4 de Agosto, aliás esta rua começava aí.

Era composto por dois núcleos de casas, a norte um bloco de casas económicas divididas por um corredor de acesso aos quintais traseiros, umas com a fachada principal para a Estrada da Circunvalação e outras para a rua do RCM. Nesse bloco viviam entre outros, o Vergílio, o Matias (tio do Vergílio), o Edgar Teixeira, a família Espírito Santo (filho do último Soba de Porto-Alexandre), o senhor Pinto táxista, o Mário de Albufeira, o Horta, o António Homem(filho do enfermeiro), o Jorge Almeida, o Turra, os Ilhas, o Tiago Costa, o Lanucha Dolbeth e Costa, o Claúdio Dolbeth e Costa, o António Soares, a Augustinha e outros de que já não me lembro os nomes.

Esse corredor que divide os dois blocos norte, tinha muros altos que eram as paredes dos anexos e portões de acesso aos quintais, por isso era um lugar com sombra e fresco, ideal para a garotada.

Era o local predilecto para brincar, pois assim estávamos protegidos dos carros e outros perigos, e ao mesmo tempo controlados pelas nossas mães. Era aí que se faziam os jogos tradicionais infantis, como a cabra cega, saltar os sóis, escondidas, saltar à corda e outros, foram tempos inesquecíveis.

O núcleo sul era composto por vivendas de maiores dimensões, que estavam dispostas como no núcleo norte, mas sem corredor a separar os quintais, começavam na Rua 4 de Agosto e acabavam na rua do Sr. Esteves da padaria, também não me lembro do nome, o Rádio Clube de Moçâmedes era mesmo em frente, e aí viviam a Lucy (filha do Zé de Sousa), os Grilos, o Sr. Abel (do Benfica), a familia Sequeira, a Mária Viegas, os Formosinhos, entre outros.

O Jorge Van Der Kelen vivia na 4 de Agosto mas muito próximo da famosa esquina.

Lembro-me de ir espreitar ao quintal dele os treinos de alterofilia que o pai fazia com alguma malta lá do bairro, lembro-me do Alfredo Grilo, era pequenino mas tinha um grande “caparro”.

Vivia-se modestamente, mas bem, o pessoal dava-se bem e ajudava-se muito, lembro-me daquele ceguinho chamado “Trimtimtim” que pedia cantando “oh trimtimtim um quinhento só” a minha mãe ajudava-o a sentar-se na cadeira da varanda e dava-lhe prato de sopa, para além do “quinhento” claro.

Lembro com saudade as festas populares que lá se faziam por altura do Santo António, montava-se um arraial com enfeites de papel colorido, balões e tudo, no areal em frente à casa do Edgar Teixeira. Cada um trazia bebida e comida, iamos á Mercearia do Sr. Oliveira, na Rua das Hortas, pedir alguns barris de vinho vazios, pregávamos uns aos outros, enchiamos de lenha, papel velho o que estivesse à mão e faziamos belas fogueiras, outra vez a estória da reciclagem que o amigo Xindere fez questão de enaltecer na sua crónica, era mesmo uma cidade muito avançada.

byToninho da Sanzala dos Brancos (Sanzalangola)

Sanzala dos Brancos ou Bairro Stº. António, bairro onde vivi a minha infância e parte da adolescência, situava-se entre a estrada da Circunvalação e a rua do RCM. Rua essa que terminava no areal em frente ao Impala Cine. Tenho dificuldade em lembrar-me do nome, e era atravessado pela Rua 4 de Agosto, aliás esta rua começava aí. Era composto por dois núcleos de casas, a norte um bloco de casas económicas divididas por um corredor de acesso aos quintais traseiros, umas com a fachada principal para a Estrada da Circunvalação e outras para a rua do RCM. Nesse bloco viviam entre outros, o Vergílio, o Matias(tio do Vergílio), o Edgar Teixeira, a família Espírito Santo(filho do último Soba de Porto-Alexandre), o senhor Pinto táxista, o Mário de Albufeira, o Horta, o António Homem(filho do enfermeiro), o Jorge Almeida, o Turra, os Ilhas, o Tiago Costa, o Lenucha Dolbeth e Costa, o Claúdio Dolbeth e Costa, o António Soares, a Augustinha e outros de que já não me lembro os nomes. Esse corredor que divide os dois blocos norte, tinha muros altos que eram as paredes dos anexos e portões de acesso aos quintais, por isso era um lugar com sombra e fresco, ideal para a garotada. Era o local predilecto para brincar, pois assim estávamos protegidos dos carros e outros perigos, e ao mesmo tempo controlados pelas nossas mães. Era aí que se faziam os jogos tradicionais infantis, como a cabra cega, saltar os sóis, escondidas, saltar à corda e outros, foram tempos inesquecíveis. O núcleo sul era composto por vivendas de maiores dimensões, que estavam dispostas como no núcleo norte, mas sem corredor a separar os quintais, começavam na Rua 4 de Agosto e acabavam na rua do Sr. Esteves da padaria, também não me lembro do nome, o RCM era mesmo em frente, e aí viviam a Lucy (filha do Zé de Sousa), os Grilos, o Sr. Abel(do benfica), a familia Sequeira, a Mária Viegas, os Formosinhos, entre outros. O Jorge Van Der Kelen vivia na 4 de Agosto mas muito próximo da famosa esquina.Lembro-me de ir espreitar ao quintal dele os treinos de alterofilia que o pai fazia com alguma malta lá do bairro, lembro-me do Alfredo Grilo, era pequenino mas tinha um grande “caparro”.

Vivia-se modestamente, mas bem, o pessoal dava-se bem e ajudava-se muito, lembro-me daquele ceguinho chamado “Trimtimtim” que pedia cantando “oh trimtimtim um quinhento só” a minha mãe ajudava-o a sentar-se na cadeira da varanda e dava-lhe prato de sopa, para além do “quinhento” claro.
Lembro com saudade as festas populares que lá se faziam por altura do Santo António, montava-se um arraial com enfeites de papel colorido, balões e tudo, no areal em frente à casa do Edgar Teixeira. Cada um trazia bebida e comida, iamos á Mercearia do Sr. Oliveira, na Rua das Hortas, pedir alguns barris de vinho vazios, pregávamos uns aos outros, enchiamos de lenha, papel velho o que estivesse à mão e faziamos belas fogueiras, outra vez a estória da reciclagem que o amigo Xindere fez questão de enaltecer na sua crónica, era mesmo uma cidade muito avançada.
Passávamos a noite toda a cantar, dançar e a saltar à fogueira, claro que no dia seguinte alguns tinham o cabelo chamuscado, aliás estas festas espalharam-se pela cidade e até havia uma certa rivalidade entre os bairros.
Era ver quem fazia a maior fogueira, lembro-me que houve um ano que o bairro da Facada fez uma fogueira com mais ou menos 17 metros de altura, diziam eles, e à qual chamaram Apollo 11, juntaram pneus e barris e formaram um foguetão. Tornou-se um hábito as pessoas andarem a passear pela cidade e a ver qual era o melhor arraial, claro que para mim o da Sanzala dos Brancos era sempre o melhor.
De vez em quando organizavam-se jogos de futebol com outros bairros, eram jogados no areal junto ao RCM, lembro-me de um em que o guarda-redes era o Edgar Teixeira, aliás ele ou era guarda-redes ou treinador, e era contra os Heróis do Mucaba salvo o erro, também jogavam os Grilos, o Lenucha, o Mário de Albufeira e um miúdo mais novo, da minha idade, e que era um crack, o Claúdio Dolbeth e Costa.
Bons tempos, não podiamos estar parados, quando não era futebol, eram corridas de carros de rolamentos, e aí eu também entrava pois tinha facilidade em arranjar rolamentos, o meu pai apesar de ser mecânico não mos podia arranjar, no Saco os comboios não tinham rolamentos, mas bastava ir à oficina do meu tio Abel e tinha logo ali os melhores rolamentos da praça, até eram melhores que os reciclados do Vadinho, pois eram os do carro do Novais. Arranjava duas duelas de barril para servirem de eixos, uma fixava na madeira que servia de assento, era o eixo traseiro e a outra levava um furo a meio e servia de eixo dianteiro. As duelas, devido à sua curvatura faziam de suspensão, era um espanto de carro, e lá iamos fazendo gincanas por entre pedras postas no meio da rua com intervalos entre elas, os mais velhos empuravam-nos, pois eramos mais leves, lembro-me que o meu “empurra” era o Claúdio, tinha cá uma velocidade, ganhávamos as corridas todas, pudera, eu era o mais leve!
Quem me dera que os nossos filhos, tivessem passado uma infância como a nossa, ou pelo menos parecida.
Que saudades eu tenho da SANZALA DOS BRANCOS.
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by Toninho da Sanzala dos Brancos (Sanzalangola)

 FOTOS DE MOÇÂMEDES
VIDEOS DE MOÇÂMEDES:
1. Centro cidade
2. Vivendas
3. Marginal e Praia
4. Torre do Tombo e Praias
5. Deserto do Namibe
6. Hortas até à Leba
7. Da Leba ao Lubango

14 junho 2011

Jovens raparigas de Moçâmedes (hoje Namibe), Angola, em 1950


Reconheço, entre outras, nesta interessante foto, em cima e da esq. para a dt: Lúcia Reis, Antonieta Botelho (Taneta), Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, ?, Irene Sena Evangelista, Fernanda Bráz de Sousa (Anselmo), ?, Fátima Cunha, Filomana Matos (Filó), Ercília Calheiros (Xila).

Embaixo, da esq. para a dt: Aurora Freitas (Lola), Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Maria Amália Duarte de Almeida (Mamaia), Maria Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé) , Maria Amélia Braz de Sousa (Mélita), Ema Abano e Helena Osorio (Lena). Todas estas jovens frequentavam na altura o Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes e em grande número encontravam-se inscritas na JECF (Juventude Estudantil Católica Feminina), como aliás se pode ver pela braçadeira que ostentam no braço esquerdo. Mais uma foto que, como tantas outras neste blog disponibilizadas, poderá vir a  enriquecer os álbuns de famílias que alí nasceram, ali viveram e que em 1975 se dispersaram por Portugal e pelo mundo, muitas das quais sem ao menos  terem  levado consigo as suas recordações.


Maria Amalia disse...Adorei esta surpresa tão agradavel! Reconheço-as todas exepto a que esta atras da Julia Jardim! Ja agora e se me permite a liberdade vou legendar como ainda me recordo...
Na fila de tras e da esquerda para a direita estao:
Lucia Reis,Antonieta Botelho (Tanete), Lisete Ferreira , Julia Jardim, ? esta é que não consigo mesmo recordar, depois Fatima Santos, Fernanda Bras de Sousa (Anselmo) , Irene Sena Evangelista, Fatima Cunha, Filomena Matos (Filo), Ercilia Calheiros (Xila), em baixo e tambem da esquerda para a direita Aurora Freitas (Lola e que veio a casar com o meu irmao Armando), Maria Julia Maló de Abreu (Pitula), Maria Antonieta Almeida Bagarrao (Dedé), Euzinha (Mamaia), Mª Amelia Bras de Sousa (Mélita), Ema Abano e Helena Osorio (Lena).
Se ainda não se apercebeu eu sou a Maria Amalia Duarte d'Almeida (Mamaia)e agora Braz, pois estou ainda e felizmente casada com o Antonio.
E porque ja fui longa demais por aqui me fico com um grande abraço para si que teve a sensibilidade de nos proporcionar tao boa surpresa! E ja agora um beijinho para todas as minhas amigas que figuram na foto e que tenham como eu a felicidade de a rever! Bem haja!
17 de Julho de 2011 19:32

12 junho 2011

Grupo de moçamedenses nos finais da década de 1940

Grupo de moçamedenseso da JEC- Juventude Estudantil Católica, nos finais dos anos 1940, junto ao edifício do primitivo Colégio das Irmãs Doroteias, que ficava ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim (ex-Avenida da República), em Moçâmedes (Namibe), Angola . Reconheço, entre outras: Lizete Ferreira, Carolina Mangericão, ?, Lúcia Brazão, ? e Noémia Van der Kellen (Becas).

27 maio 2011

Juventude moçamedense no início dos anos 1971. Moçâmedes, Namibe, Angola

Vera Freitas, Paula e Anabela, Ondina Sancadas de Sousa e Marília Faustino, no salão nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Moçâmedes, quando da recepção oferecida a Riquita Bauleth, no regresso  à sua terra, após ter vencido, na Metrópole, o título de  "Miss" Portugal 1971. Foto da Ondina.

23 maio 2011

Famílias antigas de Moçâmedes: a família de João Thomás da Fonseca e a pescaria do Mucuio


João Thomás da Fonseca, o fundador do Mocuio, junta da esposa, 
Celeste e da filha Celeste, por volta de 1914


João Thomás da Fonseca, o proprietário da pescaria do Mucuio, ao centro, rodeado de amigos (1920), entre eles, Manuel Vaz Pereira (de branco)
João Thomás da Fonseca chegou ao Mocuio em finais do século XIX, e ali, naquela pequena praia deserta perdida nas escarpas do deserto montou a sua pescaria, que foi evoluindo ao longo do tempo, e mandou construir o seu bonito chalet onde nada faltava, inclusivamente um sistema de aquecimento e de canalização de água, um mirante a partir do qual podia, sentado de fronte para o oceano, observar os galeões que entravam e saiam fazendo o transporte de mercadorias para o norte de Angola (Cabinda), Ponta Negra e Gabão,  levando dalí ovas, peixe seco, barbatanas de tubarão, e recebendo a troco de bordão, madeiras, etc, enquanto ao mesmo tempo ia observando, lá de longe, a azáfama da laboração pesqueira.

O Mocuio não possuía água potável, era a partir de Moçâmedes que a água era de início transportada  em enormes pipas, em barcos e em carroças puxadas por  bois, e mais tarde em camiões. Segundo informações colhidas do livro "Baía dos Tigres", o Mocuio era uma importante pescaria que nos seus tempos áureos possuía salinas, fábrica de farinha de peixe e conservas, salga e seca, uma pequena congelação e estaleiro, para além de uma traineira de 80 toneladas, 2 sacadas só para a pesca do cachucho e da garoupa e 2 armações, que, para funcionarem precisavam no mínino de 4 barcos para efectuar a pesca à valenciana, e possuía também mais de 20 embarcações pequenas.


 


Na continuidade do Mocuio, navegando para norte de Moçâmedes (Namibe) ficam a Mariquita, o Chapéu Armado, S. Nicolau, Bába, Lucira, Vissonga, e a sul, a Baía das Pipas. Chegados  Moçâmedes e navegando para sul, encontram-se Porto Alexandre e  Baía dos Tigres. Em todas estas baías e enseadas isoladas de uma uniformidade que fadiga e desola, os portugueses foram se estabelecendo desde a segunda metade do século XIX. Para ali levaram as primeiras armações, alí  montaram as primeiras pescarias e lançaram ao mar as primeiras redes. Para saber mais, clicar AQUI.
A pescaria do Mocuio nos seus tempos áureos


Entre outros, João Thomás da Fonseca II (filho) e o gerente da pescaria, Faria, pessoa muito estimada que ali trabalhou durante 50 anos. Data provável: 1942.
Trata-se das instalações da pescaria do Mocuio. Em 1º plano tarimbas ou giráus para peixe seco.


 
Foto tirada por volta de 1914, onde se pode ver João Thomás da Fonseca, o patriarca desta família, rodeado de amigos e de algumas personalidades da Marinha portuguesa quando daziam uma paragem para descanso, no decurso de uma visita ao Mucuio. Não sei se terá alguma relação, mas foi em Moçâmedes que nos anos 1914 e 1915 desembarcou grande parte dos efectivos militares portugueses cujo objectivo era enfrentar a ameaça alemã vinda do Sudeste Africano e as populações sublevadas naqueles territórios. Repare-se que as senhoras  estão sentadas sobre pequenos caixotes de madeira devidamente rotulados. Naquele tempo e até 1950, a gasolina era importada dos Estados Unidos da América, em latas de 20 litros acondicionadas nesses caixotes, mas o precioso combustível também chegava a Angola em tambores de 200 litros. E porque nesse tempo fora das cidades não existiam de bombas de gasolina para abastecimento, os proprietário dos escassos transportes automóveis existentes em Moçâmedes, nas suas deslocações, tinham que levar consigo alguns desses caixotes com as respectivas latas para se abastecerem pelo caminho, quando o depósito esgotava. Aliás, as bombas existentes nas principais cidades de Angola e em certas povoações do mato, com um pouco de sorte, eram nesse tempo bombas manuais que eram oferecidas pelos produtores de petróleo do Texas aos potenciais importadores. Estas bombas eram constituídas por um carrinho, de duas rodas, que transportavam um tambor de 200 litros de gasolina, e tinham uma "torre" de 2,5 m de altura que terminava em dois reservatórios de 5 litros, para onde era elevada a gasolina através de uma bomba manual de êmbolo, num sistema de vai-vem. Enquanto se esvaziava um reservatório para o carro, por gravidade, bombeava-se a gasolina para o outro reservatório, e assim sucessivamente, em golfadas de 5 litros. As latas e os tambores vazios eram depois aproveitadas para transporte de água. Uma água que, por vezes, durante algum tempo, apresentava um certo sabor a gasolina ... África eram assim!


Estas as mais recentes fotos do Mocuio, onde se pode ver ainda, 35 anos depois, sobressaindo entre as areias douradas do deserto e as tonalidades várias de azul do mar e do céu, aquela que foi até 1975, a pescaria de João Thomás da Fonseca (Herds), e o seu chalet cor-de-rosa, que mais de perto podemos ver na última foto, já em estado de degradação.

Mocuio, outrora uma progressiva pescaria, hoje um destino para turistas?
Fotos antigas publicadas no Facebook por João Thomás da Fonseca (neto).