Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...
1) - Assim como a maioria dos meus familiares e dos milhares de conhecidos, colegas e amigos, nascemos em ANGOLA,onde antes de 11/11/1975 (antes da revolução), éramos "TODOS PORTUGUESES" (além de verdadeiros "ANGOLANOS", fruto de algumas gerações de três Continentes (EUROPA - AMÉRICA DO SUL(BRASIL) -- ÁFRICA).
2) - Muitos outros milhares de residentes então em ANGOLA (não me vou referir aos outros territórios ex-ultramarinos,onde nunca vivi), eram PORTUGUESES CONTINENTAIS, que, em pouco tempo,se tornavam como verdadeiros Angolanos !
3) - Não eram,então, também "PORTUGUESES" apenas os "BRANCOS" nascidos em ANGOLA !
4) - Não sei, não faço ideia,onde nasceu ou viveu a jornalista RITA GARCIA, autora do artigo (reportagem/Destaque)acima referido. Até gostava de saber...
5) - Como "ANGOLANO / PORTUGUÊS",descendente de algumas gerações nascidas e vividas em ANGOLA, assim como muitos dos meus diversos familiares,dos amigos e dos conhecidos,NÃO DEVO, NEM POSSO, deixar de manifestar a minha parcial discordância com o conteúdo e espírito do mencionado artigo (reportagem, que nem sabemos como foi efectuada !).
6) ANGOLA,embora com uma faixa marítima bastante extensa, apenas tinha (e tem ainda) poucas cidades e poucas vilas ou povoações importantes junto desta. Assim,alguns milhões dos seus habitantes naturais,algumas centenas de milhares dos "PORTUGUESES" até então ali residentes,viviam no seu imenso interior(várias vezes superior ao território português na Europa),instalados até a muitos quilómetros da costa marítima. Residiam e viviam no "SERTÃO",no "MATO". Muitos deles permaneceram anos a fio sem ...irem à cidade"...! Estavam mesmo muito longe das praias ! Praias,só conheciam as dos rios e tinham jacarés !... Nem andavam ..."em caçadas de elefantes e leões"...! Tudo isso era então muito bem controlado e vigiado por fiscais próprios e pelas leis em vigor. A sua conservação era respeitada. Não eram então dizimados por armas de guerras ("coloniais ou civis"),ou de ricos turistas de ocasião,como aconteceu depois de 1974/75 !
7) - Poucos locais "adequados" existiam e nem todos os PORTUGUESES andavam em paródias ou noitadas de fins-de-semana em..."clubes exclusivos e festas na praia"...! Era uma população trabalhadora (não havia desempregados permanentes,nem subsidiados profissionais). Também essas leis eram respeitadas.
8 ) - Quanto ...às "boas casas, com espaço, jardim e criados para os servir"...nem só alguns dos ditos PORTUGUESES (ULTRAMARINOS) eram seus exclusivos possuidores ou utilizadores legais. Isso era comum, necessário, conveniente até para os próprios trabalhadores.
Esses PORTUGUESES não tinham, na sua grande maioria, automóveis de luxo, nem motoristas privativos...como alguns dos grandes senhores e os "Continentais" (cá por estas bandas)!
9) - Tudo isso também já se verificava no CONTINENTE e com proventos bastante semelhantes ! Muitos anos antes,as construções (as residências) dos PORTUGUESES em ANGOLA tinham,obrigatoriamente, uns anexos com quarto(s) e sanitários para o(s) criado(s),mesmo dentro das cidades ! As tais..."boas casas com espaço,jardim (até com piscina privativa) também se encontram hoje em muitas zonas deste "pobre" país,pertencentes aos Continentais,(I) Emigrantes ou não,bastante valiosas e, em muitas delas,se realizam as tais ..."FESTAS"... e nem precisam de outras praias em fins-de-semana (em especial nos prolongados por modernas "pontes horárias",ou até mesmo sem serem de "surpresa",dos amigos (de ocasião ou à espreita de certas oportunidades ou favores,nem que sejam "inimigos disfarçados de outras mais adequadas cores"...e numa mais do que conivente ..."ERA DOURADA" !
10) - Por lá, ANGOLA desses tempos "dourados",muito boa gente, já com certa idade,nunca tinha visto uma "PRAIA",tal a imensidão do território.E muito menos tinha sido beneficiado com..."um pires de marisco (de camarão ou outro) à borla,nem mesmo duma cerveja fresca em zonas em que ainda nem havia electricidade, nem "geleiras" domésticas ! Normalmente nem eram pires de "camarões" à borla mas sim, de tremoços ou ginguba. Pelo contrário,viviam quase isolados,carentes,passando privações,sem qualquer "assistência social". Eram terras de trabalho duro e de boas produções e não de "farras",regabofes, festivais,etc. Eram trabalhadores sérios,honestos,patrióticos, que acabaram sendo traídos e nunca recompensados !
11) - ANGOLA, na sua maior parte, a grande ANGOLA, era a "ÁFRICA MISTERIOSA", a verdadeira ÁFRICA,não só de "Elefantes e Leões",que nos velhos tempos desciam aos povoados, ás cidades (até à LAGOA DE KINAXIXE, então nos arredores de LUANDA).sendo conveniente caçá-los.
12 ) - Os outros "caçadores",amigos ou familiares dos "VINHAS", dos "MELOS" e doutros ilustres "continentais",eram abastados turistas,fazendo esquecer os esfarrapados "pumbeiros" do sertão ou os caçadores furtivos de marfim,associados aos grandes chefes locais !
13) - O imenso título "MOÇAMBIQUE" aplicado por cima duma enorme foto de alguns veraneantes na ILHA DE LUANDA (pág. 48 da citada Revista), está mesmo... "a matar" ! Diremos então que... ANTES NÃO ERA ASSIM"...!
14) - CONCLUINDO : - RITA GARCIA,... "A VIDA EM ÁFRICA...(NÃO) ERA ASSIM"...como descreve ! Seja humilde, peça desculpas aos muitos milhares de PORTUGUESES ULTRAMARINOS que ofendeu !...
By Roberto Correia
blogue http://angola-brasil.blogspot.com
Acrescento:
O QUE FAZ CORRER A JORNALISTA RITA GARCIA?
O QUE A LEVA A EXORBITAR, CONFUNDINDO A GENERALIDADE DA POPULAÇÃO BRANCA QUE VIVEU EM ANGOLA COM UMA ÍNFIMA PARCELA DE GENTE JOVEM ÀVIDA DE FESTAS E DE GOSOS, QUE EXISTE SEMPRE EM TODAS AS SOCIEDADES ?
SERIA HONESTO CONFUNDIR O MODUS VIVENDI DA POPULAÇÃO DE PORTUGAL COM O INFIMO "JET SET" DE CASCAIS?
PORQUE IGNORA O VIVER DA GENTE SIMPLES, SEM POLÍTICAS, SEM ESPLANADAS, SEM MARISCO, SÓ COM TRABALHO ESPALHADA POR TODA ANGOLA?
PARA ATRAIR O PÚBLICO LEITOR? SERÀ HONESTO?
QUE PORTUGUESES VIVERAM ESSES TAIS "ANOS DOURADOS EM ÁFRICA?"
GENTE QUE AJUDOU A ARROTEAR A TERRA? A LEVANTAR PONTES? A RASGAR CAMINHOS E ESTRADAS? A CONSTRUIR IGREJAS, ESCOLAS, HOSPITAIS? GENTE QUE ERGUEU ALDEIAS, VILAS, CIDADES, QUE GANHOU, POUPOU, INVESTIU, CRIOU EMPREGOS E CONDIÇÕES DE VIDA ?
POR ONDE ELES ANDAVAM? ONDE ESTAVAM? SABE, JORNALISTA RITA GARCIA, O PROBLEMA É QUE UMA MENTIRA MIL VEZES REPETIDA ACABA QUASE SEMPRE POR SE TRANSFORMAR EM "VERDADE".
O PROBLEMA É QUE BASTA UMA GOTA DE TINTA PARA TURVAR UM BALDE DE ÁGUA LÍMPIDA.
HONESTIDADE INTELECTUAL SERIA O MÍNIMO A EXIGIR A QUEM ESCREVE!
NÃO SE VENDEM ESCRITOS ASSIM. COM ASSUNTOS SÉRIOS NÃO SE BRINCA!
REPARÁMOS QUE COMEÇOU POR COMETER O ERRO, QUANDO NÃO A MALDADE; LOGO NA CONTRACAPA DO LIVRO: "OS QUE VIERAM DE ÁFRICA" E PROSSEGUE NA INTRODUÇÃO.
E NÃO DIGA QUE ESTÁ EM MELHOR POSIÇÃO PARA INTERPRETAR E COMPREENDER A HISTÓRIA QUE AQUELES QUE A VIVERAM E QUE CONSIDERA PERPASSADOS DE RESSENTIMENTO.
O PROBLEMA É QUE POSSUI UMA VISÃO ALGO DISTORCIDA DA REALIDADE. POUCO OU NADA SABE DAQUILO QUE ERA A VIDA DOS PORTUGUESES EM AFRICA. E DO POUCO QUER FAZER ESCRITA, QUER BRILHAR...
CONVIDO-A A LEVAR MAIS LONGE A SUA "PESQUISA" INDO VERIFICAR QUAIS OS MONTANTES DAS CONTAS BANCÁRIAS QUE OS DITOS "RETORNADOS" DEIXARAM NOS BANCOS EM ANGOLA. VERIA COMO CAIRIA POR TERRA TAIS ARGUMENTAÇÕES. DEIXE A HISTÓRIA PARA OS HISTORIADORES!
CONVIDO-A A LÊR OS SETE CAPÍTULOS QUE SEGUEM. ESTARÀ SEMPRE A TEMPO DE APRENDER! AQUI E também: AQUI
Junto a uma welwitschia no Deserto do Namibe. Foto cedida ao grupo Moçâmedes por Nhuca.Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio.
Mme. Parreira da Cruz no Deserto do Namibe, com mucubal. Foto gentilmente cedida por Mélita Parreira da Cruz. Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio.
NAMIBE
Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.
Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.
Namibiano Ferreira
000
TENACIDADE
Aberta ao infinito árido sem tempo,
a Welwitschia é um poeta ermo e solitário
aspirando a Vida escassa em cada missanga húmida
pérola minúscula de cacimbo luz e cristal.
Namibiano Ferreira
000
Welwitschia Mirabilis
Welwitschia de longos braços
Que vive e nasce aos abraços
Que vive e morre em tormento.
Por tanto amar o deserto
Por tê-lo perto, tão perto
Num amor sem casamento.
«Deserto do Namibe,
perante ti sentimo-nos como vermes! - disse alguém ao tomar contacto
pela primeira vez com a sua solidão, monotonia, aridez, miragens e
imensidão incomparáveis!"in caderno/programa das Festas do Mar- Moçâmedes Março-1970
Mulher da tribo mucubal caminhando pelo deserto, então coberto por capim...
Welwitschia Mirabilis
Saindo da cidade na direcção do Tombwa, antiga Porto Alexandre, podemos apreciar a célebre Welwitschia Mirabilis, considerada única no
mundo também conhecida por "tumbo" pelos povos da região, a planta que escolheu o Deserto do
Namibe, no sul de Angola, para seu habitat, uma zona a cerca de 80 km para o interior, a partir da linha do
mar, entre as coordenadas 14º e 30´, e 17º e 20´ de latitude sul; e 11º e
40', e 12º e 30' de longitude leste, que penetra o antigo Sudoeste
Africano, a Damaralândia onde aparecem alguns exemplares, mas pouco
desenvolvidos e em pequena quantidade. Os mais surpreendentes exemplaresa da Welwitschia, quanto ao porte,
ficam para os lados da Damba dos Carneiros, já a caminho da foz do rio
Cunene. também conhecida por "tumbo" pelos povos da região
Planta milenar, disforme, rasteira, de folhas longas em forma de fita larga, rijas, fibrosas, achatadas, de côr verde
escura, por vezes verde-alaranjado quando já em pleno
desenvolvimento, de caule lenhoso, suculenta, atinge alguns metros de comprimento, e uma largura
que muitas vezes ultrapassa também 1,m00, em determinados pés,
continua a crescer durante toda a vida, podendo atingir mais
de dois metros de comprimento, apesar das condições severas do deserto (com uma precipitação
de cerca de 500 mm) numa área de cerca de 50 000km², em condições áridas
ou semi-áridas, entre desertos escaldantes e leitos de rios
desesperadamente
secos, suportando temperaturas de 60° na sombra, e
uma humidade ambiente baixíssima.
As sementes da Welwitschia germinam com rapidez formando uma raiz
cónica de 6 a 18 m de profundidade, e conseguem captar através de suas folhas a
água do orvalho e do nevoeiro proveniente do Oceano Atlântico, distante
a menos de 150km. Durante o dia, as folhas mantêm
os estomas foliares fechados, impedindo a transpiração, mas à noite
eles abrem-se, para absorver o dióxido de carbono, necessário à
fotossíntese. Todos estes aspectos permitem viver nesta região. Do centro desse tronco surgem as
inflorescências ramificadas em 2. Quando os cones femininos entram no
“cio”, um líquido pegajoso cobre o estigma, para receber os grão de
pólen (vindas pelo vento ou por uma vespinha noturna) da planta
masculina.
Assim como a “Ginkgo”, existe a planta macho e a planta fêmea na mesma planta e na mesma
flor, sinal de evolução. Ou seja: Na Botânica
define-se como sendo planta dióica, provavelmente um
sinal de primitividade. Faz parte das gimnospermas, portanto trata-se de uma planta primitiva,
do período Jurássico, como os pinheiros. É difícil avaliar a idade que estas
plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos.
Antílopes e rinocerontes alimentam-se do suco das folhas durante o
período de seca total.
Esta
espécie foi descoberta em 1859, e foi baptizada a partir do nome do Dr. Friedrich Welwitsch, que
contribuiu para o conhecimento desta e de muitas outras plantas de
Angola. Devido às suas características únicas, é considerada uma espécie
ameaçada.
Mesmo nas condições severas do deserto (com uma precipitação
de cerca de 500 mm) as sementes germinam com rapidez formando uma raiz
cônica de 6 a 18 m de profundidade. Admite-se, inclusive, que elas
possam viver mais do que mil anos.
Welwitschia Mirabilis
Inflorescêncías femininas
VELVÍTCHIA
Mora a velvítchia no emo solitário,
A flor de Angola, dum areal do Sul,
Braços coleantes, sob céu azul,
Á flo da sede, em prece, num calvário...
A estranha raridade vegetal
Será, talvez, num velho mar extinto
Um polvo exótico o a flor do mal,
Vencendo a morte, no vigôr do instinto...
Será, talvez, no cálido deserto,
Uma estrela cadente que tombou
Da convulsão da noite, em céu aberto,
ou a alma dum aspro que expirou...
Seja o que for - estrela, monstro,flor -
Eu sinto-lhe nos braços revoltados
A trágica expressão da imensa dor,
talvez, de belos sonhos destroçados...
E eu penso que a velvítchia exilada
No seu mundo de sede e solidão,
É irmã de tanta alma torturada
Que anda sózinha em meio da multidão...
(José Galvão Balsa)
De «Feitiço do Namibe»
O Arco do Carvalhão, um espetáculo da natureza.
“Entre os morros descansa como doce surpresa, uma lagoa sonhadora,de onde se levantam aves ribeirinhas, entre balsas muito verdes. É um dos suaves mistérios do Deserto. E não é só fresca esta lagoa. É imponente também, com a sua moldura de fantasmas pardos, os seus buracos escancarados, as suas guardas bárbaras e muito quietas. Formou-se com águas do Coroca, rio que tira a alegria e o pitoresco, do contraste em que está com as terras depiladas que banha e que viaja no Deserto, desde as bandas da Chela até Porto Alexandre”Henrique Galvão
O Arco do Carvalhão e a Lagoa do Arco
Partindo de Moçâmedes/Namibe em direcção ao sul, lá para os lados de Porto Alexandre/Tombwa, após uma longa caminhada em meio à aridez do deserto, ao aproximarmo-nos da
margem direita do rio Curoca, em frente à fazenda de S. João do Sul,
deparamo-nos com este singular Oásis. Um local estranho que
nos faz sentir em um outro planeta, pelos constrastes que se nos
oferecem aos sentidos. A Natureza esculpira um arco natural com dois grandes orifícios, numa das rochas da
montanha, permitindo-nos visualizar a lagoa tanto de um lado, como
do outro. Um trabalho de arte de indiscritível beleza! Lá
dentro, a lagoa, os nenúfares flutuando na sua superfície... A
temperatura ali nada tem a ver com o calor do deserto. O
Arco é uma magnífica formação rochosa natural onde se respira um
ambiente de silêncio, de paz e calmaria. As
rochas sedimentares mostram o que terá sido esta zona há milhões de
anos atrás: um braço de mar, ou talvez um lago marinho que
progressivamente teria secado em consequência da acção do sol, que se abate sobre o
deserto, da carência de chuvas, e dos ventos que secularmente as vem
fustigando e desgastando...
A Lagoa do Arco
Neste Oásis conhecido pelo "Oásis das
três torres", fica o maior lago do mundo num deserto. É um pequeno mar.
O rio Curoca é um
rio seco, tipo rio de enxurrada, que só transporta água no período das
chuvas, que ocorrem de Outubro a Maio, e que normalmente revive entre
Fevereiro e Abril. As chuvas que o fazem transbordar com águas
barrentas e furiosas, não caem no deserto mas a centenas de
quilómetros, nas terras altas da Huíla. O deserto aperta o rio que
aqui consegue espraiar-se e formar um lago de grandes proporções ,
quando as chuvas são mais pródigas. Como um pequeno Nilo permite a
agricultura nas suas margens.
A Lagoa do Arco no seu esplendor. Os nenúfares em pleno deserto...
A Lagoa, com os belos e elegantes flamingos que por ali campeiam, a vegetação aquática e a profusão de nenúfares que sobressaem do seu azul esverdeado quando chuvas esporádicas alimentam o caudal do rio Coroca que lhes dá força e vida, é algo a que ninguém pode ficar indiferente.
Os flamingos
Henrique Galvão, quando lá passou escreveu:
“Entre os morros descansa como doce surpresa, uma lagoa sonhadora, de onde se levantam aves ribeirinhas, entre balsas muito verdes. É um dos suaves mistérios do Deserto. E não é só fresca esta lagoa. É imponente também, com a sua moldura de fantasmas pardos, os seus buracos escancarados, as suas guardas bárbaras e muito quietas. Formou-se com águas do Coroca, rio que tira a alegria e o pitoresco, do contraste em que está com as terras depiladas que banha e que viaja no Deserto,
A cerca de 150 Km a sul da Cidade do Namibe, na estrada
que liga esta localidade ao Parque Nacional do Iona à Foz do Cunene e
Posto fronteiriço de Calueque, no limite com a Namíbia, surge ao
viajante actual um pequeno lodge com cerca de 5.000h, totalmente
vedado, virado para a
preservação de algumas espécies de animais selvagens em vias de
extinção (como é o caso da zebra montanha), e para a criação de
outras espécies que outrora habitaram esta região, bem como para
permitir às pessoas desfrutarem de tours pelo Deserto e da companhia de
cerca de 300 de animais de diversas espécies: gazelas elegantes,
guelengues majestosos, punjas, babuínos, avestruzes e a passarada
que assim vão aguentando as agruras da seca, guardando energias,
lutando pela vida.
Junto da "gruta" desfrutando do aquecimento de uma fogueira...
Omauha (pedra em dialecto regional) fica situado numa
região de características sub-desérticas de paisagens planas entre
grandes maciços graníticos, fornece apoio ao turismo, organizando
visitas ao deserto, contactos com a tribo Mucubal e Himba, às pinturas
rupestres às quais nos referiremos a seguir, a construções de interesse
arqueológico, à welwitchia mirabilis, ao oásis e águas termais,
organiza safaris fotográficos no Parque Nacional do Iona, com destinos
diversos e tours ao rio e Foz do Cunene, ao longo da costa e dunas,
para além de organizar momentos de pesca e caça submarina.
Neste lodge o
visitante pode fazer uma paragem para descansar, ou junto a ele erguer
suas tendas, bem como para uma pequena refeição ou para petiscar e
confraternizar num restaurante, que é uma caverna no interior de uma pedra que se apresenta cada vez mais"sofisticado". Pode desfrutar de um olhar para a
multidão de estrelas que à noite brilham na negritude do céu e parecem
vir até nós, bem como aquecer-se, virar as costas ao frio em frente a
uma fogueira... para na manhã seguinte partir para um safari, para ver orixes, cabras de leque, avestruzes...
Um acampamento
No interior da "gruta" em amena confraternização
Hoje, no interior desta enorme pedra funciona a sala de refeições e de estar.Ver AQUI
Alguns testemunhos...
"...Não
sei se era mar ou rio, que milhares de anos antes por ali andava nas
correrias de menino, o certo é que deixou marcas das traquinices de
então. A sala de refeições é uma caverna, parece que talhada a
escopro, mas não, foi o tal de mar ou rio que assim fez....água mole
em pedra dura...o quarto também aproveitado em pedra oca e outro ainda
também. Pedras, calhaus rolados, mas enormes, que viraram casas da
gente, abrigo para descansar o corpo depois da picada. E malvadeza das
malvadezas....em pleno deserto sermos recebidos com caranguejos do
Namibe, é de fazer invejinhas e babar muita gente.
"...
Espaço, areia, dunas, ahh a Duna Vermelha, subir e ficar sem fôlego,
puro prazer e espanto, todo aquele conjunto de montanhas, dunas,
pedra, areal, esta diversidade única e que faz do Iona tão diferente,
único e sempre belo. Atravessar a Garganta do Mota e ver aquela
"cacofonia" de formas, caotica e extraordinária, qual paisagem lunar,
pintalgada de algum verde das Welvitchias ou cactus ou espinheiras ou
mutiatis.
"...À
noite, magia! As estrelas aos milhares, nítidas, quase ao alcance da
mão, ali mesmo e o som puro da voz da Filipa Van Eck (fixem este nome,
angolana/sul africana, 22 anos) a cantar ópera, tendo como palco uma
das grutas de Omahua e a Lua como maestrina. O tempo parou espantado e
aquele chão de pó sentiu as lágrimas de emoção de quem a escutava.
"...Ir
ao Iona, é como ir ao coração do deserto do Namibe, sentir o pulsar
indómito da natureza, ainda tão pura, é sentir como se estivessemos no
centro do Universo, pequenos seres, grãos de areia daquelas dunas,
atirados pelo vento segundo a vontade de qualquer lei e voltar, lavados
por dentro.O Iona e ainda por cima com ópera...morremos felizes vivendo
mais um pouco.
By Mário Tendinha
Pista de Capim - Parque Iona
O Parque Nacional de Iona, a cerca de 240 km de Moçâmedes (Namibe), estende-se desde as dunas de areia junto ao oceano atlãntico até às montanhas de Tchamalinde, a leste. Ocupa a área de 15.150 km². é limitado a Norte pelo Rio Curoca, a Sul pelo Rio Cunene, a Oeste pelos Rios Cunene e Curoca e, a Leste, pelo Rio dos Elefantes. Foi estabelecido como reserva de caça em 1937 e transformado em parque nacional em 1964. O centro do Parque é de planícies abertas. A pluviosidade média anual varia entre 100 mm a 500mm, aumentando à medida que nos afastamos do mar. Existem trinta e uma fontes naturais dentro do Parque.
Antes da independência de Angola e da Guerra Civil que se seguiu, o
Iona era um "paraíso animal, rico em caça grossa", mas a caça
ilegal e a destruição das infra-estruturas vieram causar danos
consideráveis ao parque. Existem três tipos de vegetação: anharas, dunas com arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Abunda a Welwitschia, a exótica planta do Namibe atrás referida, que pode atingir mais de mil anos de vida. O parque também é conhecido por flora única e incríveis formações rochosas. O antílope emblemático do Parque era a palanca negra gigante, praticamente extinta, mas existiam outros mamíferos como o elefante, o leão, o rinoceronte negro, a onça, a hiena, o guelengue, o olongo, e várias espécies de zebras.
Espinheira e welwitschias
Montanhas Tchamalinde e manada de cabras de leque, em foto actual no Parque Nac. do Iona
Pediva, lugar bonito à vista , do qual resultam, também, fotos lindas...
Povos do Deserto em foto da época colonial: mucubaes
Cabras de leque
Guelengues...
Cacto característico do Deserto do Namibe
O esplendor no deserto quando chove...
A ÁREA DESOLADA QUE BORDEJA A COSTA SUL DE ANGOLA E DA NAMIBIA
O Deserto de Namibe que bordeja a costa atlântica sul de Angola e da Namíbia surge-nos como que uma desolada cinta de contrastes, rochas, cascalhos e areia...
Em 1850, o explorador, pioneiro sueco, Charles Anderson, assim referiu a sua esterilidade; “As duras penas poderiam encontrar-se, procurando através do mundo, um lugar mais ajustado para representar as regiões infernais.Um estremecimento, quase equivalente ao medo, me sobreveio quando sua espantosa desolação se abriu pela primeira vez perante minha vista… Seria preferível a morte ao desterro em semelhante região”
Lagarto o Deserto
Lagarto do Deserto (Aporosaura anchietae), consegue mergulhar na areia em plena velocidade e nela desaparecer com movimentos ondulantes - protegido dos inimigos e das temperaturas extremas. In Revistage
O
Deserto de Namibe, com sua única fonte de humidade, suporta uma
variedade de animais que se adaptaram a este insólito meio. A maioria é
pequena, como os escaravelhos, as térmitas, as vespas, as aranhas e os
lagartos, porque apenas sobrevivem os animais que resistem a um pequeno
consumo de água.Os lagartos contam com os insectos que são sua comida, e
para satisfazer suas necessidades de água, contam com o escasso orvalho
acumulado durante as manhãs de nevoeiro.
É
realmente um dos lugares mais inóspitos do mundo. A aridez é causada
pela descida de ar seco arrefecido pela fria corrente de Benguela que
bordeja a costa do Namibe podendo chegar a até 60 °C. Menos de 1 cm de
chuva cai anualmente e o deserto é quase completamente estéril. A
natureza dos ventos predominantes do poente criou uma panorama único no
Deserto de Namibe. Fluindo para o norte desde as águas da Antártida,
encontra-se a poderosa, porém fria, “corrente de benguela”. Os ventos do
poente, carregados de humidade do cálido Oceano Atlântico, esfriam-se
quando se encontram com estas correntes, vendo-se forçados a soltar sua
chuva no mar. Como conseqüência, o Deserto recebe uma media anual de
chuva de apenas 2,5 mm.
Na
zona das dunas, só de jeep especial sendo necessário vazar os pneus e
seguir em alta velocidade para se atingir o sítio onde termina Angola
bem no canto sudoeste. A instalação é no
Lodge Flamingo, com a protecção próxima da tropa guarda fronteira.
Depois é ver os pelicanos e os pescadores e seguir rumo aos norte a
beira-mar. Pneus vazios e rolar com as velocidades mais altas. À
direita, uma parede de dunas e à esquerda, o mar. O tempo é contado, se
se pára o carro enterra e se enterra a maré sobe, se sobe leva o carro. É
o máximo que se pode exigir em termos de aventura. Perto de 400km de
fuga e com a Baía dos Tigres, deserta a acenar, como que dizendo
"Aventura, aventura, é vir à ilha que já foi cabo, que se isolou e
guarda os canídeos mais famosos de Angola". Os edifícios estão lá,
vêm-se da costa. À espera de quem for capaz.
As desconfiadas Suricatas
Suricatas:
Estes animais são exclusivamente diurnos e vivem em colónias de até
40 indivíduos, que constroem um complicado sistema de túneis no
subsolo, onde permanecem durante a noite. Dentro do grupo, os animais
revezam-se nas tarefas de vigia e proteção das crias da comunidade. O
sistema social dos suricates é complexo e inclui uma linguagem própria
que parece indicar, por exemplo, o tipo de um predador que se
aproxima. Estudos mostram que os suricates são capazes de ensinar
activamente suas crias a caçarem, um método semelhante à capacidade
humana de ensinar. Ver AQUI e AQUI
As
suricatas habitam normalmente zonas de uma imensidão escalvada e
pedregosa, crestada de mil sóis, onde a vegetação, definhada e
triste, que se animava a espaços com manchas de arbustos e arvoredos
ralos. Na parcela mais meridional deste mundo inóspito estendem-se
grandes dunas movediças, a que as ventanias salgadas arrancavam
turbilhões espessos que encobrem a luz solar...
São as gravuras do "Morro Sagrado dos Mucuisses", atribuídas aos antepassados dos khoisan (bosquímanos ou mukankalas), os primeiros povos que habitaram Angola na Proto-História. Trata-se de um dos mais valiosos conjuntos rupestres da Pré-História de Angola, situado num morro granítico denominado Tchitundo-Hulo, no Capolopopo, a cerca de 137 km para leste da cidade de Moçâmedes, actual cidade do Namibe, area do Virei, nas fronteiras da concessão do Caraculo, um pouco a sul do paralelo de Porto Alexandre (Tombwa) .
QUANDO PASSEI POR TCHITUNDU-HULU
Quando passei por Tchitundu-Hulu
tinham acabado de gravar as paredes.
Terminados os rituais de consagração, cá fora,
o povo mágico dançava, comemorando alegremente.
Depois, o povo mágico partiu subindo o Kane-Wia*
– a montanha sagrada onde Deus dorme –
e não mais voltou.
Entretanto, diariamente, sucederam aos dias
o veludo negro das noites
e, anualmente, os cacimbos trouxeram as chuvas
e as chuvas devolveram os cacimbos... sopraram ventos
Próximo do Virei, a 80 km da cidade de Moçâmedes (actual Namibe), fica o morro ao qual os mucubais chamam de Kane-Wia, que traduzido para português quer dizer "quem o subir não volta".
A verdade é que o Kane-Wia é um acidente geográfico pouco conhecido e mesmo caído no desinteresse, no entanto se se pedisse a um mucubal para nos acompanhar como guia ele de imediato se recusaria, e nem a oferta de uma manada de bois o faria mudar de ideias.
O Kane-Wia surge-lhes como que uma montanha sagrada onde Deus dorme, interditada ao comum dos mortais. O certo é que em 1937 acabou por sucumbir em pleno deserto o Dr. Luís Wittnich Carrisso, biólogo da Universidade de Coimbra, que se deslocara alí em missão de estudo da flora local. Como homem de ciência que era, resolveu contrariar a crença e subir o Kane-Wia, porém, ainda que socorrido pelo seu companheiro, já não voltou. Nesse local foi mais tarde erguida uma lápide com a seguinte inscrição: “Dr. L. W. Carrisso XIV-VI-MCMXXXVII.
O Deserto, tal como o mar apresenta-nos aspectos ilusórios, efeitos singulares produzidos pela luz solar nas areas finas e escaldanres - as Miragens - sobre as quais Henrique Galvão in Outras Terras, Outras Gentes refere: “Com a força do sol multiplicam-se efeitos de miragem. Ora vemos lagos espelhentos que se somem na terra, à medida que nos aproximamos, ora parece o próprio mar
que está na nossa frente, com arquipélagos fantásticos e silhuetas de veleiros”.
Muitos destes animais que outrora deambulavam livres e felizes pelo Deserto do Namibe, a guerra pós-independência fez liquidar e dispersar..
Alguém um dia passou por aqui e resolveu começar... Em seguida tornou-se um ritual para todos aqueles que passavam por aqui a caminho do parque do Iona... O viajante deve depositar uma pedra para ter sorte. Em consequência, já não há pedras no raio de 200 metros. Não obstante, hoje veicula-se a ideia da existência de uma tradição herero que diz ser este o local do túmulo de um soba. Será?
Mais um quilómetro e estamos no local em que o Cunene encontra o mar. Emoção sem medida. Pelicanos, patos e outras aves na foz do Cunene. Início do regresso rumo ao norte, sempre pela costa.
CANÇÃO DO SILÊNCIO
Ouvindo o silêncio das coisas remotas,
Distingo legendas que os outros não
lêem...
Vislumbro paisagens confusas, remotas,
- Silhuetas de imagens que muitos não
vêem!...
Desvendo os mistérios da selva distante,
Aonde costuma rugir o leão...
- Arroios cantando, num som murmurante,
Anharas perdidas p'ra além do sertão...
Capim verdejante nas húmidas chanas,
Lençol de esmeralda que o sol vai
Corando ...
Matizes da selva, luar das savanas,
Mabecos fugindo, pacaças pastando...
Silêncio das noites sombrias, caladas,
Segredos da selva, murmúrios da aragem...
-Holongos ligeiros, fugindo, em manadas,
Regatos correndo por entre a folhagem...
Latidos de hienas em torno dos quimbos,
Já dentro da noite, se a fome as aperta;
Quimbundas alegres, sachando os arimbos
Depois que o som cavo do goma as desperta
Chingufos ao longe - rufar permanente -
Chamando ao batuque de intensa folgança...
E os pretos, gingando pra trás e pra
Frente,
Agitam as ancas na febre da dança!...
E a lua, do alto - qual "hostia boiante" -
Envolve o cenário num manto sidério...
- Canção do silêncio da selva distante,
Bem poucos entendem teu som de mistério!
M. Correia da Silva
Situado sobre uma falésia frontal ao mar e à praia, próximo à foz do Rio dos Flamingos surge ao viajante o Flamingo Lodge, localizado na costa a cerca de 70 km de Moçâmedes, zona desabitada, cujo mar suporta populações de peixes praticamente intocadas, e paisagens desérticas altamente diversificadas, contendo algumas áreas de especial beleza. É hoje o local ideal para a pesca com anzol, mergulho, caminhadas, passeios em moto-quatro ou com veículos e barcos infláveis e quad-bikes, local onde podemos observar tartarugas, tubarões, golfinhos, baleias, pelicanos e flamingos, focas, caranguejos, etc, que povoam o mar e a praia...
Zona da Baía dos Tigres
Por aqui pode-se fazer uma paragem rápida para apanhar enormes de mexilhões ...
O trajecto até à Baía dos Tigres de jeep, ou melhor, à ilha que já foi cabo e que se isolou, ou indo mais além, através das escaldantes areias, entre uma parede de dunas o mar, é uma autêntica aventura que obriga o condutor a partir de determinada altura a ter que a vazar os pneus, seguir em alta velocidade num trajecto em que o veículo não pode parar para não enterrar e obriga a uma atenção permanente à subida da maré para que esta não o leve.
Para os lados do mar desdobrava-se um cordão arenoso de enseadas e baías, divididas por arribas de um dourado vivo, confinantes com o deserto do Namibe...
Finalmente e após uma viagem extenuante através do deserto em que dunas são vencidas graças a muita persistência, é possível alcançar-se o rio Cunene e passar para o outro lado, até à capital da Namíbia, Windhoek, ou prosseguir até à Africa so Sul...
Fotos retiradas da Net em relação às quais ainda não consegui detectar o autor para aqui colocar a devida referência
Nesta zona as águas da costa são geladas devido à corrente de Benguela, que flui para o norte ao longo do sudoeste da África, transportando consigo uma parte das águas antárticas. Com o movimento da corrente e o vento sudoeste intenso, ocorre o “upwelling”, fenômeno que traz camadas profundas de água mais fria e rica em nutrientes para a superfície, sustentando animais e plantas microscópicas que alimentam grandes populações de peixes, que por sua vez são fonte de proteína para animais maiores, como foca, golfinhos e aves.
A Costa dos Esqueletos, já na Namibia (ex-sudoeste Africano) é um território inóspito dentro de uma paisagem desoladora. Aos náufragos que alguma vez atingiam a praia, vencendo águas demasiado frias e correntes sobre-humanas, só lhes restava festejar o adiamento da morte porque os esperava um deserto quente e seco, ainda mais cruel que o oceano.
UMA REFERÊNCIA ESPECIAL AOS POVOS DO DESERTO DO NAMIBE:
Os primeiros habitantes do território actualmente ocupado por Angola foram povos caçadores caçadores-recolectores originários da África Central, os Pigmeus (Mbuti), que passaram a ocupar as florestas-galeria na metade norte do território (Províncias de Kongo, Uíge, Kuanza-Norte e Lundas) e os Khoisan, Bosquímanos ou Mukalas (escravos segundo os bantos). Foram provavelmente os únicos habitantes da zona até ao século XIV, e ocuparam os extensos planaltos interiores das províncias de Benguela, Huambo, Bié, Moxico, Kuando-Kubango, Cunene, Huíla e Namibe na época que os bantos vieram do norte e uma parte se teria fixado a norte e ao sul da parte inferior do Rio Congo ou Zaire. Acredita-se que os koisan tenham remota origem caucasiana.
Boquímanos ou mukankalas, "os verdadeiros donos" de Angola DAQUI
O povo bosquimano ou mukankala do grupo Koisan foi aquele que primeiro surgiu no território que é actualmente ocupado por Angola. Ancestralmente adaptados à vida no Deserto, possuem características físicas e antropológicas que os diferem de todas as outras raças do mundo: cor terrosa clara, olhos rasgados e oblíquos de oriental (bons para proteção da forte luminosidade ), as pernas são desproporcionalmente compridas em relação ao tronco. Os pés são bem largos, com dedos curtos, adaptados para as caminhadas pelas areias do deserto
Perseguidos pelos povos bantos quando estes, séculos mais tarde, provenientes da África Central começaram a descer rumo ao sul e a leste, este povo encontra-se actualmente reduzido a pequenas populações vivendo principalmente no deserto do Kalahari (Namíbia) e no deserto do Namibe (Angola). Os bosquímanos ou mukankalas vivem como vivíamos há 100 mil anos. Entre eles não existem guerras, porque daado a vida simples que vêm desde sempre mantendo, não têm pelo que lutar: não possuem terras, são nómades, e apenas precisam de se deslocar de um lado para outro com um mínimo de posses. Falam com estalidos na língua, como os xhôsas e outros bantos.
Mas há outros grupos não bantos descendentes deste povo: são os kuissis, mukuísses e kurokas, chamados pelos povos da etnia banto, por Wá-Twa (errantes), pelos escravos, por Ova-Zolotwa ( negros errantes, para distingui-los dos mukuankalas). Os kuissis vivem na faixa litorânea do norte do Namibe, entre o mar e o deserto, são descendentes mestiços dos mukuankalas e estão no mesmo estágio de evolução que eles. Vivem da caça e coleta de frutos, raízes, mel e répteis. Alimentam-se também de restos deixados pelos animais carnívoros. Os mukuisses "descendentes também dos mukuankalas -- linha étnica hotentote -- eram inicialmente sedentários. Alguns vivem atualmente nas cercanias do Morro Maluco, perto da Huíla. Não belicosos, sempre foram perseguidos pelos outros povos para serem utilizados como escravos. Tornaram-se em consequência, hábeis na fuga e na camuflagem. Como os seus perseguidores tentam pegá-los normalmente à mão, para não os danificarem para o trabalho escravo, os mukuísses untam o corpo com uma mistura à base de gordura animal, que os deixa escorregadios e lhes facilita se livrarem dos captores quando agarrados."Os kurokas são um povo pré-Bantu, com características físicas e antropológicas e fala similares às dos mukuankalas, mas em vez da cor terrosa, são negros.
Foi, pois, só depois, muito tempo depois, que chegaram os "bantos" que hoje dominam. Foi apenas nos primeiros quinhentos anos da era actual, que as populações da África Central deram inicio a uma série de migrações para leste e para sul, a que se chamou expansão banto, tendo uma parte se fixado a norte e ao sul da parte inferior do Rio Congo ou Zaire (bakongos), enquanto que outras populações que se fixaram inicialmente na região dos Grandes Lagos, no século XVII deslocaram-se para oeste, atravessando o alto Zambeze até ao Cunene (n`ganguelas, ovambos e xindongas). Em 1568 entraram pelo norte os jagas que são, através de cobates, empurrados pelos bakongo para sul, para a região de Cassange. No século XVI, ou mesmo antes, os Nhanecas entraram pelo sul de Angola, atravessaram o Cunene e instalaram-se no planalto Huila, enquanto ao mesmo tempo um outro povo, os Hereros, povo de pastores, abandonava a sua terra na região dos Grandes Lagos, entraram pelo extremo leste de Angola, atravessaram o planalto do Bié e instalaram-se entre o Deserto do Namibe e a Serra da Chela, no sudoeste angolano.Já no século XVIII
entraram os Ovambos ou Ambós provenientes do baixo Cubango, e estabeleceram-se entre o alto Cubango e o Cunene, enquanto os Quiocos abandonaram o Catanga, atravessaram o rio Cassai e instalaram-se de inicio na Lunda, no nordeste de Angola, migrando depois para sul. Finalmente, já no século XIX apareceram os cuangares, provenientes de Orange, na África do Sul , instalando-se primeiro no Alto Zambeze (macocolos), passando alguns passaram para o Cuangar no extremo sudoeste angolano, onde estão hoje, entre os rios Cubango e Cuando. As guerras entre estes povos eram frequentes. Os migrantes mais tardios eram obrigados a combater os que se estavam estabelecidos para lhes conquistar terras. Infs de Wikipedia
Ver tb AQUI
"...Secos, altivos e ferozmente independentes, os Cuvales chegaram ao território com as suas mulheres de invulgar beleza - os olhos amendoados e cintilantes, o sorriso enigmático, a cabeça coberta pelo gracioso chapéu de pele de carneiro - e procederam sem delongas à conquista das áreas mais fecundas. (...)
Senhores de uma nova pátria, desembaraçados de qualquer oposição séria, os Cuvales, tal como os restantes hereros, disseminaram pelo território a sua lei (...)."
(José Bento Duarte - Senhores do Sol e do Vento - Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos - Editorial Estampa - Lisboa, 1999)- Lisboa, 1999)
A tribo Himba é uma das mais fascinantes de África. Os Himbas (ou Ovahimbas) são uma tribo do grupo étnico dos Hereros, tal como os Cuvales, que, vindos da Etiópia com as suas ovelhas e bois no século XVI, atravessaram a Africa,estenderam-se pelo Sul de Angola, nas proximidades do Cunene, e um número elevado atravessou mesmo a correnteza, fixando-se nas paragens áridas e fascinantes do Norte da Namíbia (antigo Sudoeste Africano, colónia alemã), vivendo uma vida semi-nómada sem terem em conta fronteiras por onde vagam à vontade ainda hoje, caminhando pelo deserto às vezes mais de 80 Km a pé em busca de água para o gado. Criadores de gado excepcionais, são considerados como um dos últimos povos pastores nómadas.
É surpreendente hoje em dia a forma como ainda se mantêm tão ligados às tradições e, principalmente, ao seu antigo modo de vida. Parte da resposta, dizem alguns, reside no facto de se tratar de um povo extremamente orgulhoso, fiel às suas origens, que não tem pressa nem sequer pretende aderir às “maravilhas” civilizacionais a que outros grupos, tal como os bosquímanos, que acabaram por sucumbir, em muito por entre essa "maravilha" que se chama álcool.
A bela imagem de uma Himba
Um rapaz himba
as belas e coquetes "mulheres vermelhas" que não dispensam os seus adornos
e os seus artísticos e belos penteados...de um gosto estético fora do comum...
Mulheres da etnia Himba, habitantes da região Norte da Namíbia, consideradas as mais belas e elegantes habitantes do Deserto do Namibe...São objecto de muita curiosidade por aqueles que visita a zona onde habitam, em Angola, a norte do Cunene. Elegantes, coquetes e belas elas untam o corpo com um "creme ocre" que fabricam com manteiga do leite das vacas ou cabras, que misturam com uma fina terra avermelhada extraída do deserto, moida e misturada também com o suco de um cacto. Tudo isso faz a maquilhagem "atractiva" que usam e a cor avermelhada da pele que ostentam, maquilhagem que também lhes serve para se protegerem do vento e do sol, bem como das mordidas dos insectos. À estética utilizada no cuidado dos seus corpos e dos seus rostos, elas juntam o gosto pelos penteados e conseguem efeitos dignos de uma obra de arte. Adornam-se com uma infinidade de pulseiras, colares e curtas peças de vestuário, feitas de quase tudo o que lhes é possível utilizar: cobre, búzios, ráfia, pedrinhas, peles, paus e mesmo plásticos, que cortam e decoram de forma igualmente tradicional – não importa de onde vem, desde que possam utilizar como sempre utilizaram ou como bem entendem. São um povo de feições e estatura elegantes, de fazer inveja aos modelos ocidentais. Os Himba, trata-se de uma tribo baseada numa sociedade matriarcal, com as mulheres a ocuparem o papel central Elas gerem os filhos, possuem as casas, o gado e os vários utensílios que existem nas aldeias.
Onde já é Kalahari . Possui vasta área coberta por areia avermelhada sem afloramento de água com caráter permanente. Não é um deserto verdadeiro. Partes dele possuem bastante vegetação, sendo realmente árido somente no sudoeste (menos de 175 mm de chuva ao ano), o que dele faz um deserto de fósseis. As temperaturas no verão do Kalahari vão de 20 a 40°C. No inverno possui um clima seco e frio com geada à noite, e as temperaturas podem descer abaixo de 0°C. No verão em algumas regiões pode alcançar 50°C
Nos tribos
E assobios
Dos pássaros bravios
Ouço a tua voz Angola.
Dos fios
Esguios
Em arrepios
De mulembas sólidas
Escorre a tua voz Angola.
Nas ondas calemas
Barcos e velas
Dongos traineiras
Âncoras e cordas
Freme a tua voz Angola.
Em rios torrentes
Regatos marulhentos
Lagoas dormentes
Onde morrem poentes
Brilha a tua voz Angola.
No andar da palanca
No chifre do olongo
No mosqueado da onça
No enrolar da serpente
Inscreve-se a tua voz Angola.
No acordar dos quimbos
Nos cúmulos e nimbos
Nos vapores tímidos
Em manhãs de cacimbo
Flutua a tua voz Angola.
Na pedra da encosta
No cristal de rocha
Na montanha inóspita
No miolo e na crosta
Talha-se a tua voz Angola.
Do chiar dos guindastes
Do estalar dos braços
Do esforço e do cansaço
Emerge a tua voz Angola.
No ronco da barragem
No camião da estrada
No comboio malandro
Nos gados transumantes
Ecoa a tua voz Angola.
Dos bongos e cuicas
Concertinas apitos
Que animam rebitas
Farras das antigas
Salta a tua voz Angola.
A flor da buganvilia
A rosa e o lírio
Cachos de gladíolos
O gengibre e a cola
Perfumam a tua voz Angola.
Ouve-se e sente-se e brilha
A tua voz Angola
Inscreve-se nos seres talha-se nas rochas
A tua voz Angola
Vai com o vento goteja com o suor
A tua voz Angola
Por toda a parte por toda a parte
A tua voz Angola
Que voz é essa tão forte e omnipresente
Angola?
Que voz é essa omnipresente e permanente
Angola?
É a voz dos vivos e dos mortos
De Angola
É a voz das esperanças e malogros
De Angola
é a voz das derrotas e vitórias
De Angola
É a voz do passado do presente e do porvir
De Angola
É a voz do resistir
De Angola
É a voz dum guerrilheiro
De Angola
É a voz dum pioneiro
De Angola. Antero Abreu
in "A Tua Voz Angola"