30 abril 2009

Circuito automóvel das Festas do Mar, Moçâmedes



























13º Festas do Mar Iniciados. Classificação
No podium em 1º lugar, Acácio Silva (Capri 3000). À dt., Salavessa Antunes, à esq. Jorge Maló de Almeida, 1º Clas B-2º Geral.
Na 1ª foto, à esq., Rui Manuel de Oliveira Frota.
Imagens e descrições gentilmente cedidas por Manuela Lopes

28 abril 2009

Rally do Caraculo das Festas do Mar/Moçâmedes (actual Namibe): 1958


 
Junto ao edifício dos CTT, Carlos Cristão, à dt. dá o sinal de partida... Entre os espectadores, vê-se à dt, entre outros,  o moçamedense Mário Guedes

 
Fiat 1100 TV e MGA

Na curva para subida da Fortaleza, onde se pode ver o aglomerado de gente aque ba altura se encontrava alí a assistir às provas.


27 abril 2009

Escola Nr. 55 de Fernando Leal (Escola Portugal),

A Escola N. 55 de Moçâmedes ou ESCOLA PORTUGAL


Em Moçâmedes (cidade) existiam e escolas primárias, a Escola Portugal, ou Escola 55 de Fernando Leal, criada em 22 de Abril de 1926, a Escola nr. 49, e a Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, na Torre do Tombo. A Escola Portugal foi a primeira que nasceu em instalações próprias.  Conhecida também como Escola Nr. 55 de Fernando Leal, hoje Escola Pioneiro Zeca, apresenta-se aqui,  na década de 1930,  ainda em fase de construção,  da qual foi patrono, o 5º Governador de Moçâmedes, Fernando da Costa Leal. (1)

Esta Escola era na época em que foi erguida a melhor escola primária de Moçâmedes, e  saiu da fusão origem,  em 20 de Maio de 1925, das escolas masculina e feminina da cidade que se juntaram num único estabelecimento. Portanto, a Escola Portugal foi mandada construir no quadro da 1ª República, antes do golpe militar de 28 de Maio de 1826, que levou à queda a 1ª República, e à instauração do Estado Novo.  O empenhamento na Educação foi, aliás bandeira do regime republicano. O local escolhido da a sua construção foi  a então "Praça Sá da Bandeira" que ocupava um enorme quarteirão que convergia para as ruas Calheiros, Fábrica e respectivas transversais. Resolveu-se na altura transferir dessa Praça que se encontrava  contornada por um gradeamento, o OBELISCO  que se encontrava ao centro erigido à memória do General Sá da Bandeira, (Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, 1.º barão, 1.º visconde e 1.º marquês de), que em 1836, no quadro da ditadura setembrista fez passar, em 10 de Dezembro de 1836, o decreto que abolia o tráfico de escravos em território, ainda que totalmente só viesse a ser aplicado em 1869, dada a resistência dos traficantes que passaram a actuar na clandestinidade.


O Diploma legislativo do Alto-Comissariado da República Portuguesa em Angola, António Vicente Ferreira  atribuíu em 16 de Abril de 1927 às escolas primárias nomes de figuras mais ou menos destacadas da História de Portugal e da História de Angola (Patronos), e  fundiram-se também nesta altura os sectores masculinos e femininas das escolas da Torre do Tombo e de Porto Alexandre. Esta última teve como patrono Maria da Cruz Rolão, à época o único elemento do sexo feminino a emprestar o nome a uma Escola.

A Escola Portugal era a escola das nossas aflições na altura dos exames nacionais. Era ali que os alunos de todas as outras escolas iam prestar provas de exame, não apenas do primário e de admissão para o secundário, mas por vezes e em determinada altura, também do secundário, naquele tempo em que aulas e exames decorriam segundo o modelo e o calendário metropolitano. Isto quer dizer que não só os programas eram os mesmos, como os períodos das férias escolares de três meses coincidiam com os da Metrópole. Neste caso, as férias na Metrópole decorriam no Verão, e as férias em Angola e demais colónias, decorriam em pleno Inverno, uma vez que as aulas terminavam para todos em Junho. Éramos os eternos sacrificados do sistema! Numa terra de clima quente, em vez de estarmos na praia, estávamos encerrados no interior das salas de aulas, enquanto na mesma altura as crianças metropolitanas se divertiam e colhiam os benefícios do sol e da praia. O regime tinha destas coisas! As colónias deviam estar eternamente submetidas às directivas da Metrópole, e nem os Governadores Gerais possuíam a mínima  autonomia.





 Nos anos 1950 era director da Escola Portugal Escola o Professor Marques. Foto Salvador.


O professor Marques com alunos da Escola Portugal. Foto cedida por uma conterrânea.

 Na escadaria da Escola Portugal, nos anos 1940. Foto Salvador.


Esta foto mostra-nos a professora Berta e os seus alunos e alunas nas escadarias da Escola Portugal, por volta de 1940. Alguém me sabe dizer quem são estas meninas e estes meninos? Consigo reconhecer, sentadas, a Dina Ascenso e a Cecilia Vitor (a 2ª e a 3ª sentadas, embaixo, a contar da esq. para a dt.); de pé, à esq. na 2ª fila, junto de um cão, a Calila Rodrigues. Na 3ª fila à dt, por detrás de uma jovem com laço, a Helena Freitas (Barata); na 4ª fila, à dt. Eduarda (Malaguerra), e na 5ª e última fila, à dt, Aninhas Gouveia.


Na escadaria da Escola Portugal, nos anos 1940, só raparigas... Foto Salvador.


Em foto tirada por volta de 1942 nas escadarias da Escola Portugal, com a professora D. Berta, mostra-nos alunas várias classes não apenas da Escola Portugal (primário), mas também da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes (secundário), uma vez que era nesta Escola que à época se prestavam as provas dos alunos e das alunas das escolas de Moçâmedes.

Um tanto escondida no meio das alunas podemos ver a carismática professora primária D. Aline de Campos (ao centro, no 3º degrau a partir de cima, vestida de preto), bem como a professora D. Berta, (no 2º degrau, vestida de preto, e ainda outra professora (em cima, tb de preto, Felismina?) . Reconheço, de cima para baixo, e da esq. para a dt:, no 1º degrau: Manuela Madeira (prima da Mimélia e da Maria do Carmo Abreu), Odete Lisboa Braz, Bernarda Cochat, Octávia de Matos, Etelvina Ferreira, Maria do Carmo Abreu, Maria Amélia (Mimélia) e Lucília Falcão. No 2º degrau: Cremilde Victor, Né Figueiredo, Maria Luisa Ferreirim, Maria Adelaide Abreu, Edvige, Professora Berta, Maria Emilia (enteada do Coelho enfermeiro), Isilda Tomás, Elizette Gouveia, ? Coquenão, Alice Freitas, Bico (neta do velhote Bonvalot), Orlanda Teixeira (Cabeça), Salomé Inácio,Olimpia Aquino, ?, e Jaqueline Simão. No 3º degrau: Maria Isabel Ferreirim, Aninhas Gouveia, ? Godinho (tranças), ?,?,??. Entre as 8 mais à dt. desta fila: Emilia Coelho? de tranças, Eduarda Malaguerra, ?, um pouco mais abaixo, Madalena Freitas (Barata) , irmã da Aidinha, um pouco mais abaixo, Lili Trabulo, um pouco mais acima , Alice de Castro, Professora Benvinda (de preto), Maria do Carmo Bauleth de Almeida, Ernestina e ?. No 4ª degrau: junto ao vão da escada, Maria Simão, Ludovina, Iolanda Freitas, Maria Helena Ramos, professora Felismina mais ao centro a caeismatica professora D. Aline, ????? e mais ´dt., Luz Gavino (com a mão na escada e laço na cabeça). No 5º degrau: Leta Abreu (com o braço no vão da escada), ?,?,?,?, Amélia Mangericão, ? Pereira (filha do mestre Alfredo, ?????????? Noémia Bagarrão (do Baba), Lili Trabulo. No 6º degrau: ??????????????? . No 7º degrau: Prof. na Escola de Pesca, filha de um capitão da Fortaleza, ? , Maria Simão (encostada ao pilar), ?. Manuela Bajouca, ?, ?, ?,?,?,?;Estrela, ??? ??????? Maria Emilia Ramos (junto ao pilar à dt.), Lida Pires Correia, ?,?,. No 8º degrau: ?,?,?, . No 9º degrau: ?, ?,?,?,?,?,?, Orbela Guedes (de laço na cabeça, ao centro), a filha do Prof Freire, e um pouco à frente, Lúcia Reis, ?,?, Henriqueta Barbosa-Miqueta, com laço na cabeça, Lizete Ferreira, ??, Ilda Silva, ???. No último degrau: Isabel Valente (risco ao meio e laços),?, ?,Edith Pinho Gomes (tranças)?,?, Herondina Mangericão (a 5ª, de caracois), Fátima Cunha, Maria Augusta Esteves, Elizete Costa (Sintética), ?, Noémia Bagarrão Martins Pereira?,?,Néné Trindade (tranças),?. Foto e nomes gentilmente cedidos por Maria Etelvina Ferreira de Almeida.



   


Igualmente nas escadarias da Escola Portugal. Clicar sobre esta espectacular foto para aumentar. Como atrás referido também os exames do secundário era, nesta altura efectuados nesta Escola. Foto Salvador.


Reconheço de entre estes alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, que posam para a posteridade nas escadarias da Escola Portugal, em 1947 (de cima para baixo, e da esq. para a dt) : 1º degrau. Beto de Sousa, Mário Guedes, ?,?, José Carlos Guedes Lisboa (Lolita),?,?,?,?,? Manuela Bajouca, Fátima Duarte, ?,?,?,?,?,?,?,3º degrau: 5. ?,?,?, Salete Bráz, Isabel Ferreirim,?,?, 4º degrau: .?,?,? Aninhas Gouveia, Luzete de Sousa,?, ?, 5º degrau: 3. ?,?,?,?, ?, ?,?, 6º degrau: 2. Fernanda Pólvora Dias, ?,?,?,?,?, Maria Emilia Ramos, ? 7º degrau: Maria Helena Ramos, ?, ?, Raquel Martins Nunes, ?, Maria Orbela Gomes Guedes da Silva, Maria Augusta Esteves Isidoro, ?,?, Maximina Teixeira, Salette Leitão, ?, Elizete Costa ...


Alguns elementos do corpo docente da Escola Nr. 55 que consigo reconhecer: De branco professora Maria Dilva Castelo-Branco tendo ao seu lado, à direita, a professora. Maria Simões, e entre ambas. por detrás a professora Alice Trigo. Ao centro a professora Madalena (Néné) Trindade , tendo por detrás a professora Lucília Campos Rocha. Um pouco mais à direita a professora Salomé Mendonça. pouco à direita o Director da Escola, professor Marques. Foto cedida por Maria do Céu Castelo Branco.


Esta foto mostra-nos o dia da visita do Secretário Provincial de Educação de Angola José Pinheiro da Silva à Escola Portugal, Escola nº 55, de Fernando Leal. Em cima, à direita, de batas brancas, as Professoras Cesária Santos e Maria Dilva Castelo-Branco.Reconheço o Governador do Distrito Sales de Brito, o Comandante Alves da PSP, o Prof. Marques, Diretor da Escola, o Reitor do Liceu António Sousa e o sr. Moura. Em baixo, à esquerda, o professor Amaral. Cedida por Maria do Céu Castelo Branco.



Este era o ambiente de uma sala de aula naquele tempo, um ambiente austero que sugeria ordem e disciplina, como se pode ver no site "As leis de Salazar", de onde a mesma foi retirada.

Por volta dos anos 1950,  existiam na cidade outras escolas primárias. Havia por exemplo a Escola Nr. 49, da qual coloco a seguir uma foto, da primitiva, ficava um pouco mais para norte da Escola Portugal, na mesma Rua Calheiros, perto da Cadeia, e que posteriormente passou para novo edifício, erguido para o efeito, lá para os lados do Bairro da Facada. 






Junto ao edificio da Escola Portugal havia a Escola 49,  que vem mencionada em alguns textos antigos e ficava numa das extremidades daquela que foi a enorme "Praça Sá da Bandeira" que ocupava todo um quarteirão onde nos anos 1930 foi construída a Escola Portugal, hoje Escola Pioneiro Zeca. Essa Praça foi mandada erguer para comportar no centro o Obelisco em homenagem ao Marques de Sá da Bandeira, que foi paladino da abolição do tráfico de escravos em 1936. O Obelisco foi então transladado para a Avenida  e mais tarde para um largo perto do Bairro da Facada. Uma das criticas que se fazia a esta Escola nr 49 é que muitos dos alunos que a frequentavam até aos anos 1950, andavam descalços. A Escola Portugal seria então a mais elitista, um elitismo relativo dado tratar.se de uma cidade como Moçâmedes, nesta época feita de gente, quando muito  remediada. 

Esta foto tirada nas escadas da Escola 49, mesmo ao lado da Escola Portugal, num edificio não construído para Escola, possuía condições precárias como se pode ver. Esteve neste edificío mais tarde a Cooperativa dos Funcionários Públicos. que acabou por falir e ficar à exploração do Ferreira Carcereiro. Em cima, à dt., reconheço as professoras de então, D. Alina de Campos, D Berta e D.? 

Quanto aos alunos, reconheço de frente para trás  e da esq, para a dt:  1º plano: ?, Tulio Parreira, Monteiro, Jorge, Beto Sousa, Figueiras e Dominguinhos  2.  Serafim, Manuel Cruz, Miranda, ?,?, ?, 
3ª À esq. do Bispo, Guilherme Jardim. tendo à frende Neco Mangericão. À dt do Bispo, José Manuel Frota, ?. ?. Sarmento à dt. 4. Dino Silva, Prof, Canedo, Prof Vieirs, ?, ?,Julia Jardim , Celeste Matos,  Esmeralda Freitas, ?, e as profs D. Alina, D Berta e D.?  5º ????





Mas havia também, para além da Escola Portugal, ou Escola 55 de Fernando Leal, criada em 22 de Abril de 1926,  e da 49, uma  outra escola na Torre do Tombo, a Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, em edifício de madeira em estilo colonial construído sobre pilares de cimento, no coração daquele bairro, que mais tarde passou para instalações próprias, também na parte alta da cidade, mas já a caminho da baixa da cidade. Pinheiro Furtado, seu patrono, fez o reconhecimento das terras de Benguela até à Angra do Negro, à qual denominou de "Baía de Mossâmedes", em homenagem ao Barão de Mossâmedes, e foi quem primeiro registou as inscrições que se achavam gravadas na rocha branda da parte sul da baía, no morro da Torre do Tombo. Em 1951, era director o Professor Duarte, e aí leccionou, nos últimos tempos, a professora Laura, esposa do Enfermeiro Rodrigues. Leccionou nesta escola, de entre outros a professora Maria Alice de Bensabat Duarte de Almeida. 


Alguns alunos que frequentaram nos anos 1950 esta escola na Torre do Tombo, a Escola n. 56 de Pinheiro Furtado.
A Primitiva Escola 56 de Pinheiro Furtado nesta altura com as velhas instalações já em decadência, no início dos anos 50, e com outras gentes a habitá-la. Foto cedida por uma conterrânea.



 

Meninas do meu tempo que frequentavam a Escola Nr. 56 de Pinheiro Furtado em Moçâmedes, na Torre do Tombo, 1950/51, gentis avózinhas de hoje!. São elas, da esq. para a dt, atrás: Maria Luisa Almeida Bagarrão, Maria da Conceição Gois Teles (Lili), ?, Victória Rosa e?. Embaixo: Victória Franco, Maria do Rosário Almeida (Zázá) e Guida Franco.

Outro grupo da mesma época e da mesma Escola: São elas, em cima e da esq para a dt: Maria do Rosário Almeida (Zázá), Zelda Ferreira da Silva (Neneca), Otília, Graciete Ilha Bagarrão, Guida Franco, Mª Elizabete Ilha Bagarrão (Bétinha), ? Seixal. Embaixo: Madalena Seixal, Augusta, Victória Franco, Georgete Aprígio, ?, Victória Rosa, Claudete e Otília. Néné e Guida, as meninas africanas da foto eram filhas do Franco (enfermeiro do Sindicato da Pesca e do Hospital de Moçâmedes) e de D. Júlia. Fomos durante décadas vizinhas e na nossa infância brincámos juntas, passei muitas tardes em sua casa e deliciei-me com os doces de ginguba e com os suspiros feitos pela senhora propositadamente para o nosso lanche. Tive a alegria de revêr a Guida há dois anos atrás no Encontro dos moçamedenses em Caldas da Rainha.

 
Deste grupo de alunos, da então Escola Nº 56 de Pinheiro Furtado (1)  na Torre do Tombo, no ano de 1949, reconheço, da esq. para a dt.:  Em cima: Lopes?, Fernando Matias, Maria do Carmo Domingues, ? e Eduarda Vicente  Embaixo: Carlos Ferreira (Miroides), Ferreira Silva, Miga Calão e Dudu Ferreira Silva

A nova Escola nr 56 de Pinheiro Furtado, com alunos  e Director, prof Duarte




Estas são algumas das fotos mais antigas sobre escolas e estudantes de Moçâmedes, ao nivel do primário que consegui até agora reunir. Referem-se aos anos 1940 e 1950. Presume-se que no tempo das nossas mães (anos 1920/30) não estivesse muito divulgada entre nós a arte de fotografar que o fotógrafo Antunes Salvador veio revolucionar, reunindo um extraordinário espólio, pois estava presente em todos os eventos sociais, a todos os actos públicos, levados a cabo da pacata Moçâmedes de então, quer por iniciativa própria (para fotografar e ganhar algum...), quer por solicitação dos habitantes.