29 agosto 2007

Alunos e professores: Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre
























































1ª foto: Entre outros Renato,?,?, Zanga Sancadas, Jerónimo, António Júlio Bastos, Psota, , ?, Leopoldo, ?, Guerra, Prof Manuel Lopes Henriques, Jota Jota, o Prof Chicharro, Prof Palmira? , José João...
1973-74.

2ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind.
Bartolomeu Dias : ?, Yolanda, Prof.Eurico, Prazeres, Profª.Marrão, Julieta, Lurdes França, Leopoldo.

3ª foto: Finalistas da Escola Comercial e Ind. Bartolomeu Dias- Porto Alexandre. Em cima e da esq para a dtª: ???, Renato, Jota Jota, Prof Barreto, Teacher, Prof Eurico, ? , Jeronimo, Psota e Lemos.
Em baixo e da esqª p/dtª: Zanga Sancadas, João Toucinho, Kady, Jorge, António Julio e Leopoldo. Ano 1972/73

4ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias de Porto Alexandre.
Em baixo, da esq para a dt: Zanga Sancadas, (?), Vasquinho,(?), Renato, Leopoldo e Kady.
Em cima: ?,Marçal,?,João Toucinho, Mansinho, Pessanha (meio encoberto) e Mutchada: e ainda Domingos DannyKey, Belbuto, Mandinho , Mario Zé, Lemos,e o Reginaldo Bodião e ainda entre outros: Diamantino, Joãoznho, Beto Bodião....
Só uma nota para terminar. Alguns destes nomes poderão estar enganados. Não conheço toda a gente, e foram-me fornecidos por várias pessoas que conheço. Por favor, se detectarem algo errado, peço-vos que não critiquem, mas colaborem no local destinado aos comentários. MT OBG.


















5ª foto: Professores da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre.
De cima para baixo - Esperança Traguedo (ao centro), António Ferreira e Neves -Palmira (de óculos escuros), (?), (?),Pdre Pinto Lobo (falecido), João Manuel (Chicharro) e Albano -Céu Nogueira (esposa do prof.António), (?) - (3ºdegrau)- Natália, Adélia Clara (EU), Mª Batista Paulo -(2ºdegrau)-MªRosário (Zarita) Marrão, MªAlbertina Coelho Estácio, Eurico Henriques e Padre Jaime Fernandes -(1ºdegrau)-Anabela Lara, António Machado(o Director), Sameiro e Carlitos Alves (falecido)

VINHAM DO MAR CACIMBOS
( para o Neco )

vinham do mar cacimbos
refrescar tombuas sequiosas,
calemas, submersos vulcões
e helio-fornos
provar a fibra sibilina
de homens e mulheres
que agarram a vida
pelos cornos.
vinham pinguins escorraçados
de um país ao sul,
a preto-e-branco pintados,
ond’é ignara a soma
de todas as cores
que realiza o negro.
vinham navios, botes,
arrastões e palhabotes
encalhar nos fundões ao arear,
que o leteu namibe
conforma de grão a grão
para marcar que ali
só os filhos sabem navegar.

vinham coros boatados,
e as notícias de guerra,
e as guerras de notícia,

e do deserto a garroa colava
areia nos olhos ressudados.

admário costa lindo
7.06.2005


28 agosto 2007

Gente de Moçâmedes: a familia Tito de Gouveia

                                                                    
 


Nesta foto podemos ver uma família reunida, a família Gouveia: Tito de Beires Lopes Freire de Gouveia (pai) de pé, Cecília (mãe) e os três filhos, Abílio, Maria (à esq.) e Maria Augusta (à dt.).Abilio (à janela), era um excelente guia do deserto, filho de um outro guia, Tito, que trabalhava para a DTA, as antigas linhas aéreas de Angola.

Tito de Gouveia, pai, um dos pioneiros da aviação em Angola, foi quem pilotou a avionete que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Fátima até nós, em 1948, no decurso da peregrinação por terras de Africa.



Em Angola, distrito de Moçâmedes, Tito Gouveia era fiscal de caça
 

Maria e Maria Augusta (as irmãs Tito, como eram conhecidas nos meios desportivos da cidade) foram pioneiras do basquetebol feminino na cidade de Moçâmedes tendo alinhado nos finais da década de 40, pelo Sport Lisboa e Benfica e mantido uma longa actividade desportiva, primeiro como jogadoras deste clube, e posteriormente integrando no Atlético Clube de Moçâmedes, onde viriam a terminar a sua carreira desportiva, já na 2ª metade da década de 50.
Pioneiras de basquetebol feminino em Moçâmedes
Maria Gouveia e MariaAugusta Gouveia (as irmãs Tito), por volta de finais da década de 1940   integraram a equipe pioneira de basquetebol feminino em Moçâmedes, o Sport Moçâmedes e Benfica. Como o Benfica na época não possuia nesta modalidade clubes competidores em Moçâmedes o clube teve que criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela faziam parte: Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria Guerra Em baixo: Maria Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato.
Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Maria Augusta na nova equipa.
 
O casal Abilio e Manuela Sena Costa

photo

Manuela Sena Costa nos seus tempos de solteira também chegou a integrar uma das equipas de Basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica. Ei-la aqui integrada  neste conjunto, envergando a camisola n.9 . São, da esq. para a dt. Em cima: Isaura Aguilar, Alice Teixeira, Manuela Costa e Carla Frota. Em baixo. Ivone Bernardino, Carolina Frota 
Em Porto Alexandre,  Manuela Sena Costa ladeada pelas amigas Eduarda Carvalho e América Pisoeiro
Abilio e as filhas do casal, Isa e Neide

[casa+Titos+1.jpg]
                                                                         
Nesta foto, tirada no decurso de uma festa de aniversário em casa da família Gouveia, reconheço, entre outras/os, no canto à esq., Maria Augusta Gouveia com o pai, o Tito Gouveia por detrás, a mãe Cecília (ao centro), ladeada pelas duas netas, Isa e Neide, e logo atrás, Maria Gouveia
Aniversário de Neide (a menina que está a apagar o bolo), filha de Manuela Costa e de Abílio Tito de Gouveia, tendo a seu lado o irmão mais novo. Ao fundo, à dt de Maria Augusta Gouveia, sentado, de óculos encontra-se António José de Carvalho Minas (Tó Zé), rodeado das filhas Milu e ?  De pé, à dt, Isabel (Isa), então com 11 anos, tendo, na foto, à sua dt. a tia Isabel Maria Sena Costa (Belita) que confeccionou o bolo, e sentada a seu lado mãe Lurdes Minas (enfermeira).  Na foto encontram-se também Tozé, Leninha, e Riquito. Em frente a Maria Augusta  de pé, Cláudia (prima) e à esquerda Felipe e Vasco Sousa Coutinho, e os vizinhos e amigos de brincadeiras Ani Abreu, Manelzinho, o irmão Paulinho e o mais velho Julinho.

Pela data escrita podemos ver que se estava a passos largos a caminhar para o 11 de Novembro de 1975, dia da independência de Angola, o mesmo é dizer para a grande fuga de portugueses, angolanos brancos, mestiços e até negros, ainda que em menor número do território, onde já nesta altura os movimentos de libertação se degladiavam entre si na luta pelo poder, perante a passividade do exército português que, pelo menos até  ao arrear da bandeira lusa, deveria estar alí para assegurar, em paz, o momento da transmissão do poder, que se pressupunha, segundo os Acordos de Alvôr, vir a ser antecipado de eleições.

A 12 de agosto desse ano a familia Gouveia desembarcaria no Rio e nunca mais voltaria a  pisar terras de Angola. E assim Moçâmedes, hoje Namibe, ainda antes da data marcada para a independência, se despojou de mais de 90 da sua população de origem europeia. Os que persistiram, acabariam por debandar nos meses que se seguiram ao 11 de Novembro de 1976.

No blog do moçamedense Roberto Correia, ANGOLABRASIL, na parte que respeita a militares portugueses que esriveram envolvidos em campanhas em Angola  e que no do século XX optaram por não regressar à Metrópole, consta o nome do 1º Cabo de Infantaria Tito Lopes Freire Gouveia (Moçâmedes).

Clicar aqui: «album de fotos de desporto na cidade de Moçâmedes»
e aqui: equipe pioneira de basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica.
E ainda, no UTUBE, este slideshow
Créditos de imagem: http://groups.msn.com/ComunidadeVirtualdeNamibe

Ver aqui :
O BLOG DA NEIDE

Gente de Moçâmedes



1ª foto
Da esq. para a dt.
? Nunes e Reis

2ª foto:
Da esq. para a dt.
Nesta visita a um navio de passagem por Moçâmedes no tempo qm que ainda não existia a marginal nem o cais comercial, reconheço, entre outras: Josefa do Ó. Faustino e Maria Monteiro.


2ª foto:
D
a esq. para a dt.
Em cima: Adriana Varandas(2),,,,, Soledade (10),,,,,, Artur Tarira(16)
Em baixo: no canto esq., os filhos de Adriana, Edna, Cidália e Adelino Teixeira, ....,,,,
NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002

26 agosto 2007

Snypes e banhistas na baía e Praia das Miragens: 1956

























1ª foto: snypes da Mocidade Portuguesa na praia.
Foto do livro de Paulo Salvador »Era uma vez Angola»

2ª foto: snypes da Mocidade Portuguesa na baía de Moçâmedes

3ª foto: Neste foto, tirada numa manhã de domingo, no ano de 1956 , na Praia das Miragens, reconheço, de cima para baixo e da esq. para a dt:
1º (?) e Laurentino Jardim
2º Fintas, (?), (?), Costa (Caála) e Fausto Gomes.
3º (?), (?), Dito Abano (de óculos), João Manuel Jardim, Guilherme Jardim, os irmãos Rui e José Henriques Figueiredo (Rabigas), e Arménio Minas (à dt.).
4º (?), (?), Luis Mota, (?).

Ao fundo, podemos ver a falésia da Torre do Tombo. E na baía, vários batelões, alguns barcos de pesca, um gasolina e um palhabote.

Pintura de Tchitundu-Hulu, Namibe, Angola.







Pinturas de Tchitundu-Hulu, Namibe, Angola.

"São as gravuras rupestres do “Morro Sagrado dos Mucuisses” um dos mais belos conjuntos rupestres da Pré-História de Angola. Encontram-se num morro granítico, chamado Morro do Tchitundo-Hulo ou Tchitundulo, situado em Capolopopo, a cerca de 137 km, para leste da cidade de Moçâmedes, no deserto do mesmo nome, na sua faixa semi-desértica, área do posto administrativo do Virei e nas fronteiras da concessão do Karaculo, um pouco ao Sul do Paralelo de Porto Alexandre.

Estão estas gravuras em riscos de desaparecer, pelo empolamento, por acções térmicas, de uma camada superficial que depois se fragmenta. A interpretação e conservação das pinturas do Morro do Tchitundulo, embora difícil, torna-se, por isso, urgente. Encontram-se essas inscrições no grande morro granítico que dá acesso à chamada Casa Maior que se abre sobre a falésia em forma de anfiteatro. Quase toda – talvez mesmo toda – a grande pedra de granito por onde se atinge a base Maior encontra-se atapetada de gravuras. Qual a idade daquelas gravuras e daqueles desenhos? Há quanto tempo aquelas gravuras foram executadas no morro?

Em primeiro lugar, os fragmentos das gravuras executadas sobre as placas de granito, atestam a existência de homens sobre o Tchitundulo anteriormente à clivagem da rocha. Assim, a história geológica da região e do Morro pode vir trazer dados concretos para a história dos primitivos homens das cavernas do Capolopopo.


 No interior das Covas surgem as pinturas rupestres que se afiguram mais recentes, apesar do estilo ser deveras parecido com o estilo das gravuras.
Quem teriam sido os primitivos habitantes das cavernas?
Elementos da raça Mucuisse?
O problema da raça que habitou o Morro do Tchitundulo é de difícil solução.
De qualquer maneira os Mucuisses não têm a mais pequena ideia sobre quem pudesse ter sido o autor das gravuras, mas mantêm uma certa veneração pelo monte, afirmando que os círculos concêntricos gravados no Tchitundulo são os astros, principalmente, o Sol.



Em nenhuma outra estação de arte rupestre de Angola há tão grande número de desenhos, representações de pequenos animais, como os desenhos esquematizados do Tchitundulo.
Qual o significado daquele chacal no início da vertente norte do Morro?
Haverá alguma relação entre as figurações do Tchitundulo e uma vaga manifestação em relação a determinadas plantas?
Que profundas intenções descobriremos nas figurações cruciformes e alguns desenhos "radiográficos”?

 
Haverá qualquer semelhança entre alguns sinais da escrita Bamum (1) , em diversas fases da sua evolução e alguns desenhos do Tchitundulo?
Enfim, qual o significado, qual a finalidade, quais as intenções que teriam os autores das inscrições e pinturas rupestres do Morro Sagrado dos Mucuisses?" Alguma bibliografia sobre a Pré-História de Angola.(...)
Creditos: http://www.angola-saiago.net/cuissis2.html 

Existem referências às pinturas rupestes de Angola: Tchitundo Hulo e filho de Tchitundo Hulo: Um artigo de Henri Breuil e António Almeida, "Das gravuras e das pinturas rupestres do deserto de Moçâmedes (Angola)", in Estudos sobre Pré-História do Ultramar português, vol 2º, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1964. Essa antiga Junta de Investigações do Ultramar chama-se actualmente Instituto de Investigação Científica e Tropical. O artigo contém texto e fotografias a preto e branco de pinturas, consideradas do Paleolítico e Neolítico efectuadas por povos anteriores aos bantos e pode ser consultado no Instituto ou na Biblioteca Nacional ou outras que tenham depósito legal (até no Rio de Janeiro, no Real Gabinete de Leitura). Há muitos livros de Etnologia e História publicados por esta antiga Junta, escritos por etnólogos, missionários, geógrafos ... com a linguagem colonial mas ricos em informações. 







Noticia recente sobre estas «grutas alvejadas involuntariamente por chineses»:
http://portal.correiodigital.info/noticias.php?idnoticia=5786


VIDEO

14 agosto 2007

Jovens estudantes de Moçâmedes: Décadas de 50 (meados) e 60


 
1ªfoto:
Nesta foto, tirada na década de 60 a um grupo de rapazes reconheço, entre outros, da esq.para a dt.:
Angelino Martins, Fragata, Henriques, João Manuel Jardim, (?), Calita Maria Inácio Cabral Vieira e Modesto

2ª foto:
Nesta foto, tirada a um grupo de raparigas, estudantes da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes no ano de 1957, reconheço , entre outras, de baixo para cima e da esq. para a dt.:
1ª fila: Emilia Alves (Milocas), irmã da Boneca e Simone
2ª fila: ?, Julia Minas, Zelda Ferreira da Silva, ?, Marialia Matos e Claudia Guedes
3ª fila: Boneca, Rosália Bento, ?, Didi Minas, ?, Professora Edwige, Irene Barata, ?
4ª fila: ????? Claudino Alhinho (anocentro)
, ?,?
5ª fila: ???? Aldorindo, ? Carlos Jardim e ?

12 agosto 2007

Salão de Fotografia do Mar : 1973





























Um amigo meu teve a gentil ideia de me enviar um catálogo relativo ao «1º Salão de Fotografia do Mar» (1973), realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito com o fim de promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza marítima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123º aniversário da chegada à Baía de Moçâmedes da 2ª Colónia de Povoadores Portugueses oriunda do Brasil.
Desse catálogo, resolvi colocar aqui, a capa, uma foto do mar de Moçâmedes com traineiras a sulcá-lo e
este belo poema do poeta moçamedense, Angelino da Silva Jardim, que vem colocado na página central:

O Mar!

Bate o mar!
Ressoa nas cavernas do meu peito!
Velho monstro a rosnar
Raivoso e eternamente insatisfeito!

Atira-se, impensado, na vertigem
Da sanha que o devora!
Os seus gestos não fingem!
Sinto a sua verdade quando atingem
A alta penedia onde o meu sonho mora!

Eterno revoltado
Inconformista e louco,
Ergue o possante dorso musculado
E atira à rocha o grito fero e rouco!

E dia e noite fora,
Na sua danação – minaz desesperança –
Luta, esbraveja, escuma a toda a hora;
Grita, tressua, salta e não se cansa!

Arrasta atrás de si, na mesma fúria louca,
A força incontrolável das marés!
E rindo e praguejando escancara a boca,
Arrepela o cabelo e escarva com os pés!

...............

Na penedia alta,
Onde o meu sonho mora,
O velho mar que salta
É a minha razão de toda a hora!

Angelino da Silva Jardim

Jornal o COMÉRCIO: Diálogo (imaginário) com Angelino Jardim: poeta moçamedense


.


















Chegou-me às maõs o 2º caderno do Jornal O COMÉRCIO, editado em Luanda no dia 4.8.1970, e dedicado à passagem do 121º aniversário da cidade de Moçâmedes, com este interessante diálogo (imaginário) com Angelino Jardim. Por se tratar de um poeta moçamedense, considerado por aqueles que conhecem a sua obra, como um dos valores mais autênticos da poesia angolana, (lamentavelmente ainda desconhecido do grande público), resolvi digitalizar esta parte do referido caderno e colocá-la aqui.
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Os poemas que integraram o diálogo:

CÂNTICO

Bendito seja quem te visionou
Aquém do grande mar,
E, escorraçando medos te encontrou
E sorriu ao teu virgem despertar!

Bendito seja quem te abriu o seio
E nele fecundou o gosto pela vida!
E misturou o trigo e o centeio
Com o maná da terra prometida!

E quem te deu a vida incondicionalmente,
Só pelo gosto puro de ser teu;
E quem por ti lutou e o sangue quente
Por ti feliz verteu!
E mais sincerasmente:
BENDITO SEJA QUEM POR TI MORREU!
..................................................................................
Bendito seja quem te pôs a água
No seio do deserto a arder em mágoa!
Bendito quem te deu cravos e rosas
E carnes sãs e frutas saborosas!
..................................................................................
Bendito quem te deu as velas brancas,
Os risos claros e as almas francas!
..................................................................................
Bendito seja quem te abriu as ruas
E que te fez linda como virgens nuas!
..................................................................................
Benditos sejam todos os que lutam,
Os que aqui vivem, sofrem e labutam,
Pioneiros do Sonho e da Verdade!
Benditos sejam todos! Que o meu grito
Repercuta sonoro no infinito
E faça eco em Deus na eternidade!

(Angelino da Silva Jardim)


 
ENCONTRO

Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!

Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!

Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!

E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!

E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!

De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!

(Angelino da Silva Jardim)
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Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

MAR ALTO

Ir mar em fora,
Ao sopro de ligeira e doce brisa,
Quando mal rompe a aurora
E o dia é só pronúncio e a hora se eterniza!

Sentir a alma cheia
do frio ar salino,
Livre de toda a areia
do mísero destino!

E como um deus antigo
-Desses que só existem por sonhados-
Dar ao perigo
A proa, sob os ventos admirados!

E ir e navegar!
E ser feliz,
Sem nunca achar
Nem porto, nem país!

(Angelino Silva Jardim)

11 agosto 2007

Desfile de carros alegóricos na Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes (ex-Namibe) no Carnaval de 1955

O Carnaval de 1955 foi especial. Nesse ano até houve um desfile de carros alegóricos (Corso), no qual concorreram mais de uma dezena de carros, como se pode pelas várias fotos aqui colocadas.

1ª foto:
Este bonito, se não o mais bonito carro alegórico do corso, representa o Grupo Desportivo do Banco de Angola. Repare-se no requinte dos enfeites floridos, nos tufos de papel de seda, na espécie de trono onde as raparigas se encontram sentadas, nas figuras da frente, etc, etc...
Das participantes no corso, apenas reconheço Maria Amália Duarte de Almeida e Lita Ventura, para além de alguns elementos do simpático e brilhante conjunto musical «Os Diabos do Ritmo»: Lito Baía, Frederico Costa, Albertino Gomes e Marçal. Faltam aqui o Bio Aquino (pianista) e o Sereeiro, pelo menos.

2ª foto: Nesta foto, podemos ver o carro representativo do Ginásio Clube da Torre do Tombo passando junto ao edifício dos CTT de Moçâmedes. Por curiosidade, este carro foi construido na Torre do Tombo, na garagem da casa de Olímpio Aquino, sita na Rua da Colónia Piscatória, junto à estrada para a Praia Amélia, e na sua construção colaboraram, entre outros, Eurico e José Arvela. De entre as raparigas intervenientes no desfile, na sua maioria pertencentes ao time de basquetebol feminino daquele clube, reconhece-se, da esq. para a dt: M. Nídia Almeida, Eduarda Bauleth de Almeida, Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Manuela Bodião, Salette Braz (não jogadora) e Francelina Gomes. De entre os rapazes, reconhece-se : Osvaldo, Óscar, José Guedes Duarte (Zézinho), Eurico...
Fotos do meu album.

10 agosto 2007

09 agosto 2007

«Kazecutas» da nossa terra, num carnaval de rua na década de 50, e mais adiante no tempo...




A concentração começava no antigo campo de futebol de terra batida, situado em local próximo da Estação dos Caminhos de Ferro (fotos 1 e 2). Anualmente pelo Carnaval e durante três dias as "danças de rua" indígenas desfilavam pela cidade, cantando, batucando, dançando, soprando apitos, erguendo paus, cartazes, bandeiras e estandartes... Era a festa que o povo africano tanto adorava e nós, a garotada branca, negra e mestiça daquele tempo, também!

Nestes dias de Carnaval, na Moçâmedes dos anos 1950, descarregam-se energias, ânimos, desânimos, emoções... 

As danças indígenas, eram nem mais nem menos o que vemos aqui: povo na rua, uns exibindo chapéus de abas largas, outros, lenços, panos garridos, calças listadas, casacas ornamentadas com adornos representando postos de exército, bonés, soutiens, óculos, etc... E ainda outros, semi-nús, saia curta sarapilheira, soutiens, colares, brincos, rostos pintalgados, penas na cabeça simulando índios em suas lutas e rituais, apito na boca, pau na mão, máscaras rudimentares de papelão, etc. etc.


 
 
"Quimbares" ensaiam passos de dança no interior do campo de futebol de Moçâmedes

 
E a dança sai à rua passando junto às pérgulas e aos  caramanchões da Avenida...

Os tocadores utilizavam bombos, cornetas, reco-reco, marimbas, quissanges, apitos para cadência rítmica, para além de outros objectos julgados necessários tais como latas, garrafas, etc., etc. 

Regra geral eram três as danças indígenas carnavalescas, a do plateau da Torre do Tombo, a da Aguada, e a do Forte de Santa Rita, ambas formadas por quimbares *, homens, mulheres e crianças. 


  

Estas «danças» eram lideradas pelos seus reis e as suas rainhas que trajavam carnavalescamente à guisa dos reis e rainhas europeias, aos quais não lhes faltava as respectivas coroas e os ceptros reais...coroas que nas rainhas eram colocadas em cima de véus que vinham até ao chão fazendo lembrar as santas dos altares nas igrejas católicas... Atrás seguiam os músicos com diversos instrumentos para marcar o ritmo, especialmente tambores. Anda mais atrás seguiam os bailarinos, vestindo trajes individualistas ou, nos grupos "mais ricos", apresentando trajes repetitivos de tecidos de algodão de cores fortes. Enfim, toda uma encenação que dava um tom característico ao Carnaval de rua que se desenrolou em Moçâmedes, acredita-se, desde a chegada dos 1º colonos vindos de Pernambuco, Brasil, em 1849 e 1850, sob a influência dos serviçais, escravos e livres que os acompanharam e que carregavam em sí, já  uma mistura de influências  afro-brasileiras.   

As danças ao desfilarem pelas ruas da cidade paravam em determinadas portas e faziam a sua exibição, passo para a frente, passo para trás, que terminava com uma vénia cortês do líder, que recebia um «mata-bicho», gratificação em dinheiro, ou uma garrafa de vinho e algo para comer, o que vinha a calhar sobretudo quando a fome e a sede começavam a apertar...
 
O Dominguinhos ceguinho, poeta muito conhecido e acarinhado na cidade que aos sábados a percorria de ponta a ponta em busca de esmolas,  era quem compunha a música e a letra da «dança» do Forte de Santa Rita. O cozinheiro do ti Óscar Almeida, era sempre o rei da «dança» do plateau da Torre do Tombo. As letras continham críticas sociais, apontavam para assuntos na ordem do dia, como o alcoolismo, o endividamento, as mulheres de mau porte, os amores perdidos, achados, frustrados e maculados, mas também a crítica velada ao sistema político vigente era tema para canções.


E a festa terminava em apoteose, quando ao fim do dia, no regresso a casa, já bem bebidos e excitados, fruto da colheita de vários donativos conseguidos pelas "danças" no decurso das exibições efectuadas às portas das casas, os componentes de grupos rivais se encontravam frente a frente, lá para os lados do Cemitério, e do encontro redundava numa autêntica batalha campal, de luta corpo a corpo, que obrigava, em último recurso, à intervenção da polícia.. 

Era a grande festa do povo, a festa dos «cazecutas» da nossa terra, que se constituía em momentos de autêntica catarze, e  que terminou abruptamente com a proibição de manifestações populares e exibição de máscaras nas ruas da cidade pelas autoridades portuguesas, a partir das sublevações no norte de Angola e dos acontecimentos trágicos de 1961. 




 

Em Luanda, o centro de informação e turismo de Angola (CITA) criou  mais tarde regulamentos próprios para o Carnaval de rua junto das câmaras municipais, determinou os locais onde deveriam decorrer os desfiles, proibiu o uso das máscaras incrementaram os corsos, corsos alegóricos que desfilavam nos espaços que separavam os grupos carnavalescos e incentivaram cada vez mais as festas de salão, entre outras acções. 

 

O mesmo aconteceu com o Carnaval de rua no Lobito que passou a constituir um cartaz turístico para a cidade. Nesse período, depois de Luanda, só o Carnaval de Lobito, na província de Benguela, se destacou, chegando a ser considerado o mais animado e mais organizado Carnaval de Angola. A Câmara Municipal fazia desfilar na bela restinga e desde o início do Porto do Lobito à colina da saudade. 

Porém em Moçâmedes e não se sabe bem porquê, o Carnaval de rua extinguiu-se a partir de 1961, e nunca mais voltou. A Terminou também a "batalha de cocotes" que durante décadas. messes 3 dias, deixava a Avenida da República toda coberta de farinha...  E as danças de rua indígenas acabaram substituídas por dolentes batucadas, das quais apenas se ouviam os ecos vindos de entre muros, lá dos lados da Aguada, Forte de Santa Rita e  Plateau da Torre do Tombo ...

Uma década depois... 
 
Fevereiro de 1974. Estava-se a mês e meio antes do golpe militar de 25 Abril em Portugal, que depôs o Estado Novo, e a pouco mais de ano e meio da independência de Angola...

Carnaval de 1974, sem dúvida! O próprio cartaz o comprova.  Desfilando pela Avenida da Praia do Bonfim,  grupos de jovens africanas vestidas de côr alaranjada, sedas e setins, brincos, colares, turbantes, etc, inauguram um outro modo de viver o Carnaval, bem diferente das tradicionais "danças indígenas" que não  mais tinham voltado às ruas de Moçâmedes!
Outra foto do mesmo grupo


A influência a cultura europeia entre os moçamedenses brancos manteve-se até ao fim! De facto a raiz cultural de um povo, tem muita força. Para quê disfarçar?  No mesmo desfile participaram jovens  exibindo trajes que evocavam usos e costumes da cultura greco-romana, raiz da cultura europeia, onde não faltava o coche, símbolo do poder monárquico dos séculos XVII e XVIII.
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Mas também desfilarem carros alegóricos que transportavam em si outras mensagens, como o  da JAEA  (Junta Autónoma de Estradas de Angola), a sugerir a nova Angola, progressiva e multirracial, que agora se pretendia para o futuro... Por esta altura, fruto da nova política  de assimilacionismo acelerado, levada a cabo pelo Estado Novo, já muitos africanos ocupavam lugares de destaque um pouco por toda a Angola, sobretudo no funcionalismo público. O processo de integração e miscegenação estava em marcha, mas todas as medidas visando recuperar o tempo perdido revelaram-se tardias demais...

Este foi, pois, como que um derradeiro encontro de culturas a encerrar o ciclo dos carnavais coloniais em Moçâmedes. Mas o derradeiro Carnaval festejado mas ruas da cidade foi mesmo o de 1975, a poucos meses da independência de Angola. Desse já nada sei!


Angola foi independente em Novembro de 1975, com a cidade de Moçâmedes esvaziada da sua população europeia. Seguem algumas fotos daquele que penso ter sido o  1º Carnaval (pós dipanda), festejado nas ruas do Namibe:

 
 



Ver também AQUI, tudo sobre os carnavais em Moçâmedes
 
MariaNJardim




* Chamavam-se quimbares os nativos urbanizados naturais de Moçâmedes, em grande parte descendentes de antigos serviçais, livres e escravos, que em 1849 e em 1850 desembarcaram em Moçâmedes acompanhando os seus senhores, que, vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos das hostilidades nativistas, iam dar início à colonização do Distrito de Moçâmedes. Retornados a África, escravos ou livres, esses africanos de origens várias, sobretudo ambundos, transportavam consigo uma cultura própria, cristianizada, eivada de usos e costumes lusos, que haviam adquirido no contacto com seus patrões nas relações de trabalho, no Brasil. Vestiam-se de panos da cintura para baixo, com pequenas blusas cobrindo o busto (as mulheres), e com calças e camisas (os homens) e sabiam festejar o Carnaval, ao qual emprestaram um cunho próprio, com danças de rua e mascaradas acompanhadas de cânticos e batuques, cuja ritmica fazia lembrar danças de recriação espírita, em dias de óbito. Não andavam pois, nús, nem semi-nus como os povos que foram encontrar fixados nas margens dos rios Bero, Giraúl, Coroca, etc, ou deambulando, numa vida nómade e semi-nómade pelo Deserto do Namibe, vivendo da caça, do gado e do pastoreio. 

Com o rodar do tempo esse núcleo inicial dp povo designado por quimbar  foi-se alargando, em resultado da misceginação aos poucos verificada com indivíduos de outros grupos étnicos que com eles se cruzaram. Refiro-me a escravos libertados de navios negreiros apresados e enviados de Luanda para Moçâmedes, nesses tempos de abolição e de luta contra o tráfico clandestino para o Brasil e Américas, tempo de grande carência de mão de obra, quando se pretendia enveredar para um um novo paradigma colonial, de povoamento e desenvolvimento do território. 

Passaram a integrar também o grupo quimbar, povos oriundos das margens do Bero, Giraúl e Curoca, entre os quais os Cuisses, Curocas e Hereros, ou mesmo os mais distantes Nhanecas-Humbes, Ambós e Ganguelas (W), estes não tanto, que, atraídos para trabalhar na agricultura e na indústria da pesca, e que, deslocados do seu meio, ao passarem a viver na região quimbar (Moçâmedes, Porto Alexandre e outras povoações pesqueiras e agrícolas entre Moçâmedes e Benguela, e mesmo Lubango, Humpata e Chibia) e ao atingirem um certo grau de aculturação no contacto com os brancos e com os primitivos quimbares, passaram a adoptar os modos de ser e de estar quimbar. Ou seja,  aprenderam a falar português, assimilaram alguns usos e costumes que já eram uma mistura de costumes afro-europeus. Tanto que na língua cuanhama o termo que os define o "quimbar", bali, lwimbali ou vimbali, significa, literalmente, "aqueles que vivem como os brancos". Aos primitivos quimbares Lopes Cardoso designaria de "Mbalis próprios", enquanto aos do segundo grupo designaria de"Virados". Olumbali, foi língua por eles criada, para cuja formação contribuiram decisivamente o quimbundu e o umbundu, bem assim como, em menor escala, o português e algumas línguas do sudoeste de Angola.

Resumidamente, a designação quimbar passou a abranger africanos de várias proveniências, sem radicação étnica, nem língua única, povos quimbundos, sobretudo ambundos, povos umbundos, e outros que se expressavam em idiomas do sudoeste de Angola, e que deslocados do seu meio,  passaram a adoptar o modo de ser quimbar, e  inclusive, com o rodar dos tempos passaram a mandar os filhos à escola oficial.

Lingua oficial de Angola: o português
Idiomas existentes em Angola: umbundo, quimbundo, quicongo, fiote, tchocwe, n'ganguela e cuanhama.
Grupos étnicos: perto de 90%, são de origem banto, sendo o principal grupo étnico banto o dos ovimbundos que se concentra no centro-sul de Angola e se expressa tradicionalmente em umbundo, a língua nacional com maior número de falantes em Angola. Por seu lado os ambundos que falam quimbundo, a segunda língua nacional, residentes maioritariamente na zona centro-norte (eixo Luanda-Malange e no Cuanza-Sul). Quimbundo é uma língua com grande relevância, por ser a língua tradicional da capital e do antigo reino dos N'gola. Legou muitas palavras à língua portuguesa e importou desta, também, muitos vocábulos. No norte (Uíge e Zaire) concentram-se os bacongos de língua quicongo que tem diversos dialectos. Era a língua do antigo Reino do Congo. Os quiocos ocupam o leste, desde a Lunda Norte ao Moxico, e expressam-se tradicionalmente em chocué (ou tchokwe), língua que se tem vindo a sobrepor a outras da zona leste do país. Cuanhama, nhaneca e mbunda são outras línguas de origem bantu faladas em Angola. O sul de Angola é também habitado por bosquímanos, povos não bantus que falam línguas do grupo khoisan.