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06 fevereiro 2007

Vida religiosa em Moçâmedes. Acção católica,








 
Grupo de Jovens senhoras da JIC (Juventude Independente Católica) posam para a posteridade nas escadarias do páteo interior da Câmara Municipal de Moçâmedes. Entre outras, reconheço, de baixo para cima e da esq. para a dt:1ª fila: Aida de Jesus, Madalena Frota, Rosa Bento, Alice de Castro, Marieta Frota, ?, Lurdes Ilha, Gabriela Cerqueira, Manuela Bajouca, Odete Teixeira e Ermelinda Peleira. 2ª fila: Manuela Cerqueira, Lena Freitas, Leonor Bajouca, Fátima (do Cinema), Lili Cabral, Aurora, Dília Martins Nunes, ?, ?, Lúcia Gavino. 3ª fila: Noelma Veli, Adelina Teixeira, Flávia Teixeira, Isabel Ferreirim e Lili Trabulo 5ª fila: Josefina Sena, Luz Gavino, Eugénia Alves, Ruth Gomes e Aninhas Gouveia.

  Grupo do Sagrado Coração de Jesus
 Grupo do Sagrado Coração de Jesus

 Grupo de Acção cristã com mucubais
 Grupo de paroquianos com padres
 Senhoras de Porto Alexandre, com Padre Simões Serralheiro

Algumas das fotos aqui postadas são da década de 1950, as primeiras, outras já são dos anos 60. Portanto trata-se de dois periodos de actividade em Moçâmedes e em Porto Alexandre da Acção Católica, que foi a mais forte organização do laicado em Portugal, na época.

Começou no primeiro quartel do século XX, com S. Pio X e Bento XV.  Por volta de 1920, o Papa Pio XI preocupado com a missão da Igreja diante dos desafios e das grandes mudanças na realidade mundial (processo de urbanização e industrialização), estimulou a chamada Acção Católica como espaço de participação dos leigos no apostolado hierárquico da Igreja, para difusão e a atuação dos princípios católicos na vida pessoal, familiar e social.

Na década de  1950 surgiu a Acção Católica Especializada com a JAC (Juventude Agrária Católica), a JUC (Juventude Universitária Católica), a JEC (Juventude Estudantil Católica) a JOC (Juventude Operária Católica) e a  JUC (Juventude Independente Católica, o início de um novo modelo de evangelização para os jovens, sector da população mais vulnerável e mais levado a mudanças radicais.  A década de 1960 é marcada por profundas mudanças em âmbito político, económico, social e religioso sob o signo da Guerra Fria com mundo diividido zonas influencia EUA e USS .

No anos 1960, os jovens estudantes católicos que militavam na JUC denunciavam os males do capitalismo, reivindicavam a substituição da economia de mercado, que visava lucro, por uma economia mais igualitária de acordo com os princípios sociais. Nas fileiras católicas temia-se então a infiltração das ideias comunistas e socialistas, sob a capa do progressismo. É dentro desse contexto histórico que o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II, iniciado em 8/11/1962 e terminado no papado de Paulo VI em 8/12/1965, que ficou a marcar uma viragem na postura da Igreja, afastando-se da conservadora contemplativa na sua luta por alfabetizar e conscientizar politicamente as camadas populares proclamaram o direito da pessoa humana à liberdade religiosa reconheceram os valores contidos em outras religiões e chamaram seus fiéis ao diálogo com elas Igreja como uma estrutura hierárquica, mas como um conjunto de crentes iguais entre si.

A primazia do papa fica inalterada, mas os bispos, os clérigos e os laicos são convidados a se engajar mais na vida e na missão da Igreja. Em Portugal, os movimentos então surgidos foram os precursores da Acção Católica propugnada pelo Papa Pio XI, de que o grande paladino em  Portugal foi o Cardeal Cerejeira que previu as mutações do pós-guerra, o perigo comunista, com a vitória da Rússia entre os Aliados.

Com o Vaticano II, ao mesmo tempo que a Acção Católica entrava numa certa penumbra, iam surgindo com grande pujança, outros movimentos, como o Movimento por um Mundo Melhor, os Cursilhos de Cristandade,  com aspirações por uma sociedade justa, igualitária, materializadas na luta contra as desigualdades sociais, pelo acesso à educação e à cultura.o entanto, o indicador mais visível da mutação católica é mesmo a reforma litúrgica. A relegação do latim, em benefício das línguas vernáculas, desperta a oposição do monsenhor Lefebvre e de uma minoria tradicionalista. Mas estes contestam, na verdade, o espírito de abertura e reforma do Concílio.