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15 abril 2007

Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe» : finais da década de 60


 
Era aqui a sede da Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe»,
Grande nr de casas em Moçâmedes tinham na parede o distintivo da Cooperativa
 



Elementos da direcção da Cooperativa de construção «O Lar do Namibe»,
do livro «Recordar Angola» 2. vol.

  Cooperativa «O Lar do Namibe»

Nesta foto podemos ver elementos da direcção da Cooperativa de habitação «O Lar do Namibe» reunidos em casa de Mariano Pereira Craveiro, o seu fundador e presidente, em Moçâmedes. Da esq. para a dt: João dos Santos (polícia Santos). Luís de Sousa Simão, Mariano Pereira Craveiro, Maria de Lurdes, José G. Henriques de Freitas, Arménio Matos, Maria Isabel Cardador, António Rodrigues Tavares e por detrás destes, José Antunes Salvador e José Alves.

De entre todas estas figuras que deram o seu esforço e saber àquela que foi a nossa grande «Cooperativa o Lar do Namibe», salienta-se, sem desprestígio para os demais, a extraordinária figura que foi Mariano Pereira Craveiro (à esq. de camisa branca e óculos). Mariano Pereira Craveiro foi um dos espíritos mais empreendedores, se não mesmo o mais empreendedor, a quem a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe muito ficou a dever. 
 
Foi graças a esta Cooperativa, nascida na década de 1940, e a Mariano Pereira Craveiro, que as gentes de Moçâmedes que na sua maioria vivia do vencimento único do chefe de família, puderam, finalmente, aceder ao velho sonho de ter casa própria, através de reduzidas quotizações mensais que iam ali depositando, sendo a aquisição do direito de construção efectuada através de dois sistemas, um, por sorteio mensal entre os associados, outro por número de ordem de antiguidade (número de ordem também ele efectuado por sorteio, na fase de arranque da referida Cooperativa). Foi assim que na cidade de Moçâmedes, num tempo em que o único Branco era o emissor Banco de Angola, que não fazia empréstimos à habitação própria, começaram a surgir bonitas vivendas e moradias, o que permitiu à cidade modernizar-se, alindar-se, e ir vencendo as areias do deserto, transformando-se na bela cidade que um dia tivemos a infelicidade de ter que abandonar...

Mas a actividade da «Cooperativa o Lar Namibe» não se limitou apenas à cidade que a viu nascer, ela acabou por se estender, numa primeira fase, à cidade de Porto Alexandre (hoje Tombwa), em seguida à cidade de Serpa Pinto (hoje Menongue), acabando por se expandir por toda a Angola e restantes ex-províncias ultramarinas, chegando mesmo à Metrópole da época (Portugal) onde já havia associados, uma vez que não existiam à data, em Angola, financiamentos bancários à habitação própria.

Faço aqui uma referência especial à cidade de Serpa Pinto que estava a ser praticamente urbanizada pela «Cooperativa o Lar do Namibe», que a transformou de uma vilazinha do interior numa cidadezinha bonita e moderna à base de lindas vivendas, em cujas fachadas ainda hoje se pode ver o azulejo com o distintivo desta Cooperativa.

 Chamem-lhe colonização, chamem-lhe colonialismo, chamem-lhe aquilo que quiserem e entenderem chamar, a  vida em Angola, pelo menos até à década de 1960, e mesmo até 1975, só era facilitada para muito poucos, e se não fossem homens como Mariano Pereira Craveiro, em termos de habitação, Moçâmedes seria pouco mais que uma aldeia, e cidades como Serpa Pinto, por exemplo,  não existiam como tal à hora da independência.~Infelizmente toda esta obra acabaria por ser interrompida, com grande perda para as cidades de Angola e não só.
 
 
A Soc. Cooperativa de Habitação "o Lar do Namibe", fundada em 16 de Fevereiro de 1950, na qualidade de uma sociedade sem fins lucrativos que era, os lucros caiam em benefícios dos sócios, e foi no seu tempo a maior Cooperativa de Habitação de todo o Portugal. Para a escritura na sua fundação era necessário um mínimo de 10 sócios no pressuposto de que bastantes outros viriam a seguir, mas esta Sociedade surgiu logo de início com um elevado número de sócios fundadores, Cada sócio pagava uma quota mensal para um fundo destinado à construção das habitações. Depois desse fundo atingir determinado nível a Cooperativa começava a distribuir as casas. Por fim esta Cooperativa tinha atingido tal nível que já distribuía casas mensalmente. À medida que o fundo ia aumentando 3 modalidades de distribuição de casas foram sendo estabelecidas: 1) por ordem de antiguidade do sócio, 2) por sorteio mensal, 3) por leilão, para quem oferecesse a maior percentagem para uma "entrada" sobre o valor da casa a construir. Neste último caso, as pessoas com algumas economias e ainda sem direito à construção, quer por ordem de antiguidade, quer por sorteio, eram as que avançavam. Elas escolhiam o montante total para sua habitação bem como o montante da oferta que iam fazer. No caso de vencerem o leilão esse montante bem como o das quotas pagas serviam de amortização para a habitação, sendo a parte restante paga prestações mensais , deixando de pagar quotas.
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Para informação mais pormenorizada transcrevo o texto que segue:
 
OUTRAS NOTÍCIAS SOBRE O COOPERATIVISMO NAS COLÓNIAS
 
4.1. Cooperativismo em Moçâmedes 
 
De Angola, o Boletim Cooperativista nº 104, de junho de 1962, publica o artigo «O LAR DO NAMIBE» - UMA COOPERATIVA DE CONSTRUÇÃO EM FRANCO PROGRESSO, de autoria de Alberto Alves Carneiro. as mais animadoras e sem dúvida entusiásticas as informações que constantemente nos chegam sobre o modelar funcionamento e proveitosa actividade, da sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com sede em Moçâmedes, Angola. 
 
Fundada em 16 de Fevereiro de 1950, data da assinatura da escritura pública, esta teve a outorgá-la elevado número de sócios fundadores, e desde então o seu desenvolvimento tem-se acentuado de maneira notável com realizações dignas de registo, facto que muito tem contribuído para a valorização da propriedade, em sistema colectivo, de várias localidades em África. Se bem que a sua sede seja em Moçâmedes, a acção construtiva da Cooperativa estende-se, com indiscutível projecção, a outras terras de todo aquele continente africano. Pontos de vista interessantíssimos e grandemente favoráveis no que se refere a benefícios e direitos dos respectivos associados tornam em moldes diferentes a organização de «O Lar de Namibe» de muitas outras sociedades congéneres existentes em terras da Metrópole.O número de sócios em 31 de Março último elevava-se a 9714, e as construções efectuadas desde a sua fundação em fins de Dezembro do ano findo eram representadas por 291 habitações, 28 apartamentos, 26 estabelecimentos, 2 sedes destinadas a colectividades, 1 capela e 1 hotel. Perante os trágicos acontecimentos ocorridos no princípio do ano de 1961, em Angola, em que muitas foram as famílias que se retiraram da Província, foi de notar, por tal motivo, a falta de pretendentes às habitações construídas.A instituição, num alto sentido de objectividade dos princípios que representa e defende, não fez paralisar as construções que tinha a seu cargo e responsabilidade, garantindo dessa forma o trabalho ao pessoal da construção civil, como procurou ainda adquirir, num local muito central da cidade de Moçâmedes, um amplo terreno para início de novas construções onde pudesse aplicar as verbas disponíveis de capital, previstas nos Estatutos. Um imóvel de positivo valor - uma Estalagem, no sentido mais digno e nobre da palavra - aí teria a sua edificação, com o fim de testemunhar, aos vindouros, um exemplo dado pelos moçâmedenses levado a efeito numa hora séria e grave.As diligências para que tal imóvel apareça aos olhos da população de Moçâmedes, ou aos seus futuros visitantes e residentes, prosseguem, activa e inteligentemente, por parte da Direcção da Cooperativa, dado que certas dificuldades surgiram a tão simpático empreendimento, da entidade oficial que superintende e autoriza as respectivas construções citadinas.Como no início se afirma, a acção de «O Lar do Namibe», abrange toda a terra portuguesa, e a prová-lo está o facto de, a seguir a um sem número de consultas, ter construído a sua primeira Delegação, cabendo à cidade do Porto, essa honra. Desde Maio do corrente ano, que uma metódica e insistente propaganda está sendo feita por intermédio de comunicados oficiais, publicados e distribuídos directamente a uma parte da população e firmas comerciais da referida cidade, no sentido de tornar bem conhecidos os elevados objectivos que animam e orientam a Instituição, interessando aquelas entidades, pessoais ou colectivas, nas finalidades sociais que são a razão da existência da Sociedade «O Lar do Namibe». Desta forma, em contacto com a Delegação agora criada, os inscritos residentes no País, ficam com a faculdade de, com mais possibilidades, estabelecerem as suas relações sociais com a sua Cooperativa.O «Boletim Cooperativista», que é distribuído aos sócios do «Lar do Namibe», graças à simpática decisão dos amigos que compõem a Direcção da Cooperativa, ao adquirir certo número de exemplares, não podia deixar de se referir a mais uma iniciativa - a sua Delegação - que vem muito valorizar a acção dos dirigentes cooperativistas que, em terras de África, procuram com inteligência, dedicação e alta visão social, resolver um problema de interesse vital, a construção de uma casa para cada sócio. Tal como em Moçambique, as cooperativas de habitação terão sido o ramo cooperativo mais pujante na outra ex-colónia portuguesa do sul de África. A menção à abertura de uma delegação na metrópole, no Porto, e a referência feita ao início da guerra independentista na colónia, pode significar que os membros se estariam a precaver para o caso de terem de abandonar o território. Mas apesar de uma outra notícia sobre a cooperativa surgida mais adiante no tempo, nada se conhece sobre o andamento do dito projeto do Porto, e depois de Abril não existe registo de que a delegação da cooperativa tenha funcionado.Ainda ligada à cooperativa «O Lar do Namibe», o Boletim Cooperativista, no seu nº 106, de agosto de 1962 epigrafa um artigo com COOPERATIVA EDITORIAL ANGOLANA.

Sob o patrocínio da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com gente sua e para seguir a mesma rota de trabalho, foi constituída em Moçâmedes, por escritura pública de 15 de Janeiro p. p., a «Cooperativa Editorial Angolana». Como determinam os Estatutos, a Cooperativa é absolutamente alheia a qualquer espécie de manifestações de carácter político e religioso e podem ser sócios dela, todos os indivíduos, maiores, de ambos os sexos, e menores quando devidamente autorizados por seus pais ou tutores, e também as entidades comerciais, industriais, agrícolas, culturais, de recreio, ou quaisquer outras, quando devidamente legalizadas.São considerados sócios fundadores, todos aqueles que fizerem a sua inscrição até ao dia 30 de Setembro de 1962. Os sócios estão divididos por várias categorias, a saber:Efectivos - Pagando o mínimo de 10 acções, no valor de 100$00 cada, mas podendo estas ser liquidadas mensalmente, no mínimo de vinte prestações de 50$00, acrescidas de 10%, para encargos de administração. Nesta qualidade de sócios efectivos, não ficam obrigados a outros encargos futuros, a não ser de 2$50 mensais, para a construção do Edifício Sede da «Cooperativa Editorial Angolana». Sócios Auxiliares - Sem encargos de Acção, pagam a quota mínima, mensal, de 5$00, que pode ser cobrada nas condições que o sócio indicar. Esta qualidade de sócio, não tem direitos de voto nem de discussão nas Assembleias, nem sobre os destinos da Cooperativa. Limitam-se a colaborar financeiramente nos objectivos sociais da Cooperativa.Sócios Beneméritos - São todos aqueles que contribuem com um mínimo de 5.000$00 (cinco mil escudos), pagáveis num máximo de 10 prestações Sócios Honorários - São todos aqueles que prestem à Cooperativa, auxílios de qualquer natureza, de ordem moral ou financeira.A traços ligeiros foi dito, quais os propósitos da «Cooperativa Editorial Angolana» e a orgânica no que se refere à admissão de associados. O QUE OFERECEMOS?Quem entra para qualquer agregado social visa, regra geral, conhecer as benesses de ordem material que possa escolher. Essas são ínfimas na «Cooperativa Editorial Angolana».O fim dela não é o balcão, nem operações rendosas que ofereçam garantias ao pequeno capital a despender por quem venha a inscrever-se na Cooperativa. No entanto, o Artigo 8º dos Estatutos prevê um desconto de 10% nos livros editados e 5% em jornais ou revistas, para todas as categorias de sócios.Com o tempo, o sócio receberá a compensação, mas dos que vierem até nós é de esperar a compreensão de utilidade social que representamos e não rentabilidade da sua cooperação financeira, porque, como foi dito, à parte o encargo inicial, o sócio efectivo não mais terá quotas a pagar, a não ser o mínimo de 2$50 mensais para fins de construção da Sede. À juventude, à mocidade estudiosa e aos homens para quem os problemas angolanos fazem parte da sua razão espiritual de ser, oferece a «Cooperativa Editorial Angolana» campo vasto para em livros e folhetos poderem apresentar as suas ideias Um Conselho Técnico formado em condições que o Regulamento Interno mencionará, fará a apreciação e decidirá quais as obras que de preferência deverão ser editadas.É evidente que será dada primazia às produções intelectuais dos associados, mas não obsta que se considere também o trabalho de indivíduos alheios à Cooperativa. Dirigimo-nos, pois, não apenas aos que têm sede e fome de justiça, mas, acima de tudo, àqueles que vêem no Homem um valor a elevar, a dignificar, a respeitar.Como se fosse um anúncio, e na primeira página, este artigo mostra-nos uma cooperativa com incursões pelos ramos da cultura e da produção editorial. Porém, ao contrário da Coop de Moçambique, a actividade levou à criação de uma nova cooperativa e não ao alargamento de actividades da cooperativa ‘mãe’, a de habitação.No Boletim Cooperativista nº 118, de agôsto de 1963, surge-nos uma derradeira referência à cooperativa de habitação criada em Moçâmedes: 

SOCIEDADE COOPERATIVA «O LAR DE NAMIBE
»Tomámos conhecimento com prazer do Relatório da Gerência de 1962 desta cooperativa de habitação cuja sede é em Moçâmedes. Do mesmo relatório transcrevemos:
 
«Nunca viemos, em qualquer ano da existência da nossa cooperativa, perante a massa associativa, declarar um recuo quanto ao aumento populacional e arrecadação de receitas.Assim acontece também este ano, que com íntima satisfação podemos dizer nesta Assembleia, que mais outro ano rodou sobre a vida da Cooperativa e com ele, mais um salto progressivo, embora Angola tivesse sofrido e continue sofrendo, a guerra e o terrorismo.Nem por isso estes factores impediram o progresso e engrandecimento da nossa organização.Podemos mesmo afirmar que todos os sectores se apresentam em franco progresso, que a verdade dos números se encarregará de demonstrar, com bastante eloquência».Durante o ano de 1962 foram admitidos 1059 sócios, havendo em 31 de Dezembro, no activo, 6500. Saudamos a Cooperativa «O Lar de Namibe» esperando que continue em franco progresso.

Fim de transcrição do Boletim Cooperativista - O Cooperativismo nas Ex-colónias / João Salazar Leite


 
Quanto à personalidade de Mariano Pereira Craveiro, era um republicano oposicionista do regime, fez parte juntamente com Carlos Martins Cristão, Pimentel Teixeira e outros mais, da campanha do General Humberto Delgado, na cidade de Moçâmedes.  Pela primeira vez na ditadura, a oposição concorria a eleições. e o facto fez despoletar a curiosidade e o ânimo de certos sectores da população para este tipo de acontecimento, antes proibido.   Ainda me lembro do discurso arrebatador de Carlos Martins Cristão, no palco do Cine-Teatro de Moçâmedes, em finais de Maio de 1958, por ocasião da campanha para as eleições presidenciais contra o Almirante Américo Tomás. Carlos Cristão, tendo Mariano Pereira Craveiro a seu lado, com a sua forte e bem timbrada voz, dizia, referindo-se ao regime vigente: "Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os braços para trabalhar...
 
O que veio a acontecer a Humberto Delgado foi  o que já se fazia esperar: acabou perdendo as eleições, apesar das retumbantes vitórias alcançadas,  e a reacção de Salazar ao General viria algum tempo depois a culminar num  bárbaro assassinado,  quando o General, refugiado desde há algum tempo em Espanha, atravessara a fronteira, em Villanueva del Fresno): http://www.youtube.com/watch?v=r9vSy1S0J6U
 
Conta-se que em 1972 ou 1973, já na chamada "Primavera Marcelista"  e enquanto vogal ("deputado") à Assembleia Legislativa de Angola por Serpa Pinto (Actual Menongue), Mariano Pereira Craveiro quis impressionar o Engº. Santos e Castro, e fez deslocar ao Caraculo, umas dezenas de empregados, sócios e dirigentes da Cooperativa com dísticos de "O Lar do Namibe" em dezenas de carros particulares que acompanharam a caravana do então Governador-Geral até ao interior da cidade de Moçâmedes (Namibe). Mariano Pereira Craveiro não se conformava pelo facto de não haver leis que permitissem a construção de condomínios  divididos em fracções, vários apartamentos num mesmo terreno, que facilitariam a vida aos de salários mais baixos, que poderiam adquirir  desde um T0 a pelo menos um T3, daí que a Cooperativa avançasse apenas para vivendas.   É um pouco o que a manifestação  que se vê na foto, por ocasião da visita do Engº. Santos e Castro, enquanto Governador Geral, testemunha. Foto  de José Fragata. Craveiro conseguiu a lei de condomínio, mas já num tempo à beira da independência. É claro que a ausência da referida lei até tornou Moçâmedes uma cidade mais bela, cheia de vivendas, evitou que se erguessem edifícios de porte vertical, divididas por várias fracções, por isso  estes em Moçâmedes eram poucos e de um só proprietário. 
 
 
 
 Os belos jardins do Largo Heróis do Mucaba estavam assim... A cidade do deserto requintava.se a todo o vapor!
 
E a  cidade do deserto encheu-se de belas vivendas...


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Fica a minha humilde homenagem à memória do grande «patrono» que foi MARIANO PEREIRA CRAVEIRO, figura  que merecia ser erguida das brumas do esquecimento e ser para sempre lembrada pelo povo da cidade do Namibe. Mariano Pereira Craveiro mereceria, por exemplo, ter o seu nome ligado ao único largo totalmente construído por casas da «Cooperativa o Lar do Namibe»: o  "Heróis de Mucaba"! Afinal, em boa parte, o melhor que o Namibe herdou de Moçâmedes, em termos de parque habitacional deve-o também ao espírito empreendedor de Mariano Pereira Craveiro!

São  recordações de um tempo passado em Angola e em Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Um tempo que decorreu de forma que o mundo desconhece, e porque desconhece muitas vezes são praticadas graves injustiças através da pena de alguns autores, contra a memória dos que ali viveram, ali trabalharam, ali se sacrificaram, pouparam, investiram, e ajudaram a erguer aquela terra e aquele maravilhoso país, de Cabinda ao Cunene, a criar condições de vida. Num tempo em que o único Banco existente era o Banco de Angola, banco emissor que não concedia empréstimos para habitação própria, nem sequer pagava juros pelas pequenas poupanças.

MariaNJardim

15,04,07



7 comentários:

Anónimo disse...

Olá,
Meu nome é António Júlio.
Gostaria de parabenizar e agradecer a possibilidade visitar a minha Moçamedes. Parabéns e obrigado pela ideia. Saí de Moçâmedes aos 12 anos. Hoje estou com 44. Lá se vão ,32 anos de saudades. Moro no Brasil. Vim com a minha madrinha MARIÁLIA MATOS. Acredito que conhecia, pois trabalhou consigo no LAR DO NAMIBE. Tenho algumas fotografias dessa época. Verei a possibilidade de publicá-las. Caso queira fazer contato meu endereço eletrónico é: ajulio@globo.com.
Mais uma vez obrigado por me remeter ao encontro de um passado muito FELIZ.

MariaNJardim disse...

Ainda bem que gostou e matou saudades, essa foi a ideia que me levou a dar início a este blog. Brevemente vou responder à sua mensagem através do mail indicado. Até lá, posso dizer-lhe que conhecia a Mariália muito bem, não porque tivesse trabalhado com ela como sugere, mas porque conhecia quase toda a gente da nossa terra, tais como o seu pai da mariália, o Sr. António, a sua mãe Estela e irmão Julica.
Cumprimentos e aé breve.

Unknown disse...

Sou filho de Jose Gonçalves Fialho Que era irmao da Maria de Lurdes Fialho e cunhado de Mariano Pereira Craveiro,o meu pai foi para Serpa Pinto em 1961 e era o encarregado e responsavel pela sucurçal la.A mesa que se ve na foto,fiz la muitas refeiçoes.Eu cheguei a serpa Pinto com 1 ano,nasci em 62.O que e feito do filho do Craveiro Jose Pereira Craveiro? O meu contato fialhopedro23@gmail.com facebook em Pedro Fialho Tel 926818684 Digam algo.moro em Almada

Unknown disse...

Voce é o maximo, na verdade sou de Angola e ando a ler o teu artigo todos os dias encontrei por acaso quando um amigo mandou-me saber sobre camacupa

Unknown disse...

Sou filha de Jorge Pereira Craveiro e neta de Jose Pereira Craveiro. Nasci em Mocamedes mas sai de la bebe.
Ia la todos os veroes passar ferias na casa dos meus avos Maria e Maximiano de Figueiredo.

Anónimo disse...

Da foto dos elementos da direcção da Cooperativa do Lar do Namibe, só conheço o 1º sr. de fato preto ao lado do sr. de óculos e de fato preto, que é o sr. João Luís dos Santos, que é meu avô.

Unknown disse...

Trabalhei no Lar do Namibe,com a Mariália Freire de Matos. Éramos não só colegas, mas também amigas. Frequentava a sua casa na Rua das Hortas, onde também morava e depois nos Heróis do Mucabapara onde a Mariália foi morar. Lembro me bem da D. Estela, do Henrique e de si , António Júlio. Dê noticias da.minha amiga Mariália. Beijinos Judite Freitad

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