Da esq. para a dt: Ildalete Jardim Ribeiro da Cruz (Leika), Fátima
Rosete Jardim Agostinho, Elizabete Jardim Ribeiro da Cruz, Eduarda
Jardim Martins, Adelaide Castro Jardim (mãe e avó), Julia Jardim Vilaça,
Fátima Jardim Ribeiro da Cruz, tendo ao colo o baptizando Fernando
Júlio Jardim Vilaça e Fernando Vilaça (pai). À frente, reconhece-se,
entre outros, Filó Jardim Frota, Patrícia Gomes, Julio Pestana Almeida
(Juleco), e Jorge Ramos (?). Foto datada de 1962, cedida por Juleco a
Facebook.
Praticamente todos nascidos em Moçâmedes, são filhos, netos e bisnetos de Manuel da Silva Jardim (falecido) e de Adelaide Castro, a senhora mais idosa da foto. Manuel da Silva Jardim era por sua vez filho de João da Silva Jardim e de Maria Augusta Fernandes, um dos casais de madeirenses pioneiros da colonização das terras altas da Huíla, na leva mais seleccionada pelo governo português, de 1885, numa altura em que decorria a Conferência de Berlim cujo objectivo era o estabelecimentos de regras para a "partilha da África" entre estados europeus avançados na industrialização e Portugal, o país "descobridor" que à época já desde há meio século perdera a colónia do Brasil de onde vinham os proventos que alimentavam em Lisboa uma corte perdulária, e que continuava ainda, apesar de Império colonial,um país esmagadoramente rural e atrasado e com um povo 90% analfabeto, apesar do triunfo do Liberalismo sobre o absolutismo monárquico em 1834 e os esforços no sentido de uma regeneração, desde 1851, era grande o conflito de interesses entre facções de politicos e a falta de meios, grande o endividamento.
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Manuel da Silva Jardim, o patriarca desta familia, nasceu em Angola, na Humpata, região do Lubango, tal como seus irmãos, Aires da Silva Jardim, Álvaro da Silva Jardim, José da Silva Jardim, Laura da Silva Jardim, Maria da Silva Jardim e Matilde da Silva Jardim, sete ao todo, se não incluirmos o Tolentino, falecido ainda criança. Mais tarde Manuel da Silva Jardim mudou-se para o Bába e em seguida para Moçâmedes, como aliás toda a familia.
Do casamento de Manuel da Silva Jardim com Adelaide Castro (ambos de origem madeirense), nasceram Manuel, Ester, Horácio, Laura, Celeste, Adelaide (Dinha) Carmen, Mariazinha, António, Júlia, Carlos e Álvaro. Ao todo 13 filhos! Naquele tempo era assim. A familia tradicional, alargada, era ainda uma realidade em terras de Portugal, enquanto na Europa industralizada a familia conjugal, restrita no número de filhos, era já uma realidade-
Uma particularidade desta família é que a maioria dos seus
elementos apresentam olhos claros (azuis ou verdes) e cabelos loiros,
uma característica dos povos nórdicos. Não admira. A Madeira atraiu a partir de meados do século XV, para além de gente oriunda do norte de Portugal, uma vaga de forasteiros,
mercê da prioridade na ocupação e na exploração do açúcar, resultante
dos circuitos comerciais madeirenses com o Mar Mediterrânico e o Norte da
Europa. A Coroa facultava a entrada e a fixação
de galegos, italianos (florentinos e genoveses), flamengos, franceses e
bretões, por meio de privilégios especiais, como forma de assegurar um
mercado europeu para a industria açucareira. Fixaram-se na Madeira gentes das mais variadas origens e condições sociais, escravos,
ciganos, cultivadores, comerciantes,
rendeiros, produtores e exportadores.
Praticamente todos nascidos em Moçâmedes, são filhos, netos e bisnetos de Manuel da Silva Jardim (falecido) e de Adelaide Castro, a senhora mais idosa da foto. Manuel da Silva Jardim era por sua vez filho de João da Silva Jardim e de Maria Augusta Fernandes, um dos casais de madeirenses pioneiros da colonização das terras altas da Huíla, na leva mais seleccionada pelo governo português, de 1885, numa altura em que decorria a Conferência de Berlim cujo objectivo era o estabelecimentos de regras para a "partilha da África" entre estados europeus avançados na industrialização e Portugal, o país "descobridor" que à época já desde há meio século perdera a colónia do Brasil de onde vinham os proventos que alimentavam em Lisboa uma corte perdulária, e que continuava ainda, apesar de Império colonial,um país esmagadoramente rural e atrasado e com um povo 90% analfabeto, apesar do triunfo do Liberalismo sobre o absolutismo monárquico em 1834 e os esforços no sentido de uma regeneração, desde 1851, era grande o conflito de interesses entre facções de politicos e a falta de meios, grande o endividamento.
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Manuel da Silva Jardim, o patriarca desta familia, nasceu em Angola, na Humpata, região do Lubango, tal como seus irmãos, Aires da Silva Jardim, Álvaro da Silva Jardim, José da Silva Jardim, Laura da Silva Jardim, Maria da Silva Jardim e Matilde da Silva Jardim, sete ao todo, se não incluirmos o Tolentino, falecido ainda criança. Mais tarde Manuel da Silva Jardim mudou-se para o Bába e em seguida para Moçâmedes, como aliás toda a familia.
Do casamento de Manuel da Silva Jardim com Adelaide Castro (ambos de origem madeirense), nasceram Manuel, Ester, Horácio, Laura, Celeste, Adelaide (Dinha) Carmen, Mariazinha, António, Júlia, Carlos e Álvaro. Ao todo 13 filhos! Naquele tempo era assim. A familia tradicional, alargada, era ainda uma realidade em terras de Portugal, enquanto na Europa industralizada a familia conjugal, restrita no número de filhos, era já uma realidade-
Mas a vida tem
destas coisas, se em certas alturas a Ilha da
Madeira foi aglutinadora de povos das mais diversas proveniências, incluindo
estrangeiros que para ali emigraram nos tempos aureos do açúcar, outras vezes, a voragem da
necessidade que também desde sempre sugou os insulares, levava os madeirenses a
espalharem-se pelas quatro partidas do mundo, em busca de riqueza ou de uma vida melhor,
com especial realce para o Brasil, EUA, e já no século XIX para
Demerara, Ilhas Sandwich, colónias inglesas das Indias Ocidentais,
Guianas, etc, a tal ponto que chegou quase a despovoar-se a Ilha. Em 1884 e 1885 foi a vez de África...
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Porquê Africa?
Resta um pouco de História para se compreender a decisão!
Desde meados do século XIX, vivia-se na Europa um período de expansão industrial que impunha a busca matérias primas, mercados consumidores, mão de obra disponível e barata, locais de fácil investimento. Leopoldo II da Bélgica, em 1876 abre uma conferência dedicada à África, reunindo sábios de países como Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, França, Inglaterra, Itália e Rússia. O objectivo era "...abrir para a civilização a única parte do globo onde ela ainda não penetrara”, levar a cabo a exploração científica do continente negro, estabelecer vias de comunicação, abolir a escravatura.
Desde meados do século XIX, vivia-se na Europa um período de expansão industrial que impunha a busca matérias primas, mercados consumidores, mão de obra disponível e barata, locais de fácil investimento. Leopoldo II da Bélgica, em 1876 abre uma conferência dedicada à África, reunindo sábios de países como Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, França, Inglaterra, Itália e Rússia. O objectivo era "...abrir para a civilização a única parte do globo onde ela ainda não penetrara”, levar a cabo a exploração científica do continente negro, estabelecer vias de comunicação, abolir a escravatura.
Não foi por acaso que esse mesmo ano de 1875, fosse o ano em que em Portugal é fundada a Sociedade de Geografia de Lisboa, não oficial, à semelhança de congéneres europeias... Portugal havia abolido definitivamente em 1869, o tráfico de escravos, que já havia sido abolido por Sá da Bandeira com o Decreto de 12 de Dezembro de 1836, dois anos após o triunfo do liberalismo e queda do absolutismo monárquico em 1834 (depois de 14 anos de sangrentas guerras entre liberais e absolutistas), mas havia entretanto entrado na clandestinidade através de embarques em praias desérticas a norte de Luanda e a sul de Benguela.
A cobiça pelo continente africano originou confrontos
internacionais, jogos de poder. Em
1884, ano do inicio e da Conferência de Berlim, o Reino Unido procurou fazer um Tratado com Portugal visando
acabar com as disputas quanto à região contestada no Congo, Bismark rejeita. A soberania que Portugal reclamava era considerada inexistente, redizida que era na altura a uma faixa
estreita do território, no caso de Angola, junto ao mar, abrangendo as cidades de Luanda e de
Benguela, por onde fluiu durante 3 séculos e meio o tráfico de escravos
para o Brasil e Américas, e sem penetração interior.
Saliente-se que o tráfico abolido em 1836, tornado clandestino até
1869, data da abolição definitiva. E que entretanto,
desde
1840 uma excepção, Moçâmedes! Que após o decreto da abolição em 1836
fundou o Presidio/Fortaleza a macar a posse dos territórios adjacentes, e
que em 1849 recebeu os primeiros colonos em 1849 fugidos do Brasil
independente em 1822, onde estavam sendo maltratados, uma decisão
fortuita que Portugal resolveu aproveitar para dar início a um novo
paradigma colonos de desenvolvimento e progresso para a colónia, neste
caso Angola. Portugal era olhado como uma pequena peça no tabuleiro
internacional, com fracos recursos económicos, baixa demografia, grande
taxa de analfabetismo, um país abalado pela perda do
Brasil, que procurava com os poucos meios de que dispunha, encontrar nas
colónias de África, essencialmente em Angola, a nova "joia da
Corôa", manter-se Império, onde não ocupava
muito mais que algumas feitorias ao longo da costa, nas cidades de
Luanda e de Benguela, quase sem penetração interior.
Não bastava apenas invocar uma presença
antiga, havia que controlá-los e havia que demonstrá-lo. Havia que
conhecer o território e prová-lo. Havia que estabelecer limites de
desenhar fronteiras, mesmo que na prática, no território, os fluxos
reais de pessoas, de animais, de bens, de palavras, línguas e
solidariedades sociais e políticas subvertessem os limites marcados nos
mapas.
Caso Portugal não estivesse à altura dessa ocupação deveria
ceder os territórios a potência estrangeira em condições de o fazer. Para além do mais, e com grande
preocupação para Portugal, na mesma Conferência a Alemanha vira o seu
desejo satisfeito, passando a administrar o "Sudoeste Africano" que
fazia fronteira com o sul de Angola...
A situação deficitária e política não permitiu dispensar os meios para uma mais larga colonização efectiva, em particular da vasta área entre Angola e Moçambique que havia sido objecto apenas de algumas viagens de exploração.
As obrigações impostas eram ruinosas para Portugal, falido como se encontrava. Tratava-se de reformar todos os serviços, desde o militar ao aduaneiro. E havia ambições ínvias e externas pairando sobre as terras de influência lusitana.
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Foi no último quartel do século XIX, que o patriarca desta familia, João da Silva Jardim, juntamente com a esposa, Maria Augusta Fernandes e mais um filho de nome Tolentino, que faleceu criança, resolveram emigrar para Angola, integrando o primeiro contingente de madeirenses que partiu do Funchal com destino a Moçâmedes (actual cidade de Namibe), em Novembro de 1884, no vapôr "India". Iam dar início ao povoamento branco das Terras Altas de Mossâmedes (Huila), de acordo com o projecto de Câmara Leme. Em 8 de Junho de l885, no vapor "ÁFRICA", foi a vez de um segundo contingente.
Para a viagem dos madeirenses para o Lubango, foram concedidos aos futuros colonos um conjunto de apoios que supostamente garantiria o começo de lavouras. Era-lhes dado um subsídio em dinheiro, utensílios para o trabalho agrícola, equipamento doméstico, uma arma de fogo, proteção à chegada, e um destino no planalto. Esperava-se que desse conjunto se formasse uma colónia saudável e capaz de reproduzir a vida rural portuguesa (Diário de Governo, 1881).
Será que o casal João da Silva Jardim e de
Maria Augusta Fernandes, estavam cientes dos perigos com que se poderiam vir a confrontar?
A verdade é que em todo o Portugal surgiram editais publicados em jornais e colados dos adros das Igrejas exortando os portugueses a partir, e f oram praticamente os madeirenses que responderam à chamada. Desviara-se para tal o rumos da emigração que à época era dirigida para .....
O que o jovem casal desconhecia é que os madeirenses estavam a ser instrumentalizados, e que estavam a ser ali colocados pelo governo português com propósitos nacionalistas imperiais, garantes da fronteira, ante o receio do avanço alemão, e também para contrabalançarem a presença boer na região, numa altura em que decorria a pacificação do território, e aconteciam as invasões guerreiras do soba do Huambo que tinham por propósito conseguir prisioneiros Helelos, agora Mucubais, Mucocolos, Muílas, Mubumbes, essencialmente para serem vendidos como “peças” ou “escravos” nas praças comerciais de Benguela e Catumbela. Tinha sido abolido o tráfico, mas o regime de escravatura interna continuava, e acabou por opôr os interesses daquelas praças como Benguela, que defendiam a velha ordem, aos interesses de Moçâmedes que se lançara num novo paradigma colonial, de fixação de familias portuguesas, desenvolvimento e progresso.
Manuel da Silva Jardim faleceu demasiado cedo, (década de 1940), quando fazia ainda muita falta à familia. Uma infecção intestinal acometeu-o quando estava na sua pescaria da Baía das Pipas. Naquele tempo em Angola morria-se muito de disenteria amebiana, febre tifóide, paludismo e tuberculose, entre outras doenças. A água da Baía das Pipas era salobra, os alimentos iam de barco a partir de Moçâmedes, não havia antibióticos nem médicos, nem enfermeiros naquela praia desértica. Manuel tinham seringas e agulhas em casa e aprendeu a dar injecções a si mesmo e à familia, fervendo as agulhas para desinfectar . Chegou possuir uma pequena pescaria na Baía das Pipas, mas foi em Moçâmedes que se fixaram a maior parte dos elementos desta familia, que ali se ramificou, e que com o rodar do tempo acabou disseminando-se um pouco por toda a Angola, mantendo embora, até 1975, na cidade do Namibe, o seu núcleo principal.
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Porquê o povo madeirense?
Em meados do século XIX, a Ilha da Madeira passara por uma grave crise. O comércio do vinho, principal motor da economia da Madeira, entrou em forte declínio. A fome espalhou-se rapidamente e a emigração foi mesmo uma questão de sobrevivência para muitas famílias. Muitos madeirenses que aceitaram o desafio de emigrar, fizeram-no porque recusaram-se a viver num quadro de pobreza estrutural, numa sociedade altamente estratificada, onde a terra estava totalmente na posse de alguns. Partiam em veleiros para o Havaí, então Ilhas Sanduích, onde deixaram o seu sangue e o seu suor, e aceitavam em muitos casos, situações de trabalho que pouco se distanciava da escravatura e, como os escravos antes deles (1), deixavam a vida nos canaviais de açúcar. Iam também para as ilhas do Caribe e para as Guianas, onde criaram comunidades que até hoje sobrevivem.
Mas diga-se a verdade, a 1ª colónia (1884) misturou gente boa e gente má, porque na pressa de recrutar o governo português não promoveu a devida selecção. Estavam habituados a socorrer-se de degredados e à falta de gente decente, enviava-se para as colónias a escória que Portugal e a ex-colónia do Brasil dispensavam, neste caso, gente que em nada ajudaria e que só iria deitar má fama à colonização do Lubango. Daí que alguns, chegados ao destino, acabaram por se internar no mato e nunca mais ninguém soube deles.
Bibliog consultada para a parte final do texto: Foi no último quartel do século XIX, que o patriarca desta familia, João da Silva Jardim, juntamente com a esposa, Maria Augusta Fernandes e mais um filho de nome Tolentino, que faleceu criança, resolveram emigrar para Angola, integrando o primeiro contingente de madeirenses que partiu do Funchal com destino a Moçâmedes (actual cidade de Namibe), em Novembro de 1884, no vapôr "India". Iam dar início ao povoamento branco das Terras Altas de Mossâmedes (Huila), de acordo com o projecto de Câmara Leme. Em 8 de Junho de l885, no vapor "ÁFRICA", foi a vez de um segundo contingente.
Para a viagem dos madeirenses para o Lubango, foram concedidos aos futuros colonos um conjunto de apoios que supostamente garantiria o começo de lavouras. Era-lhes dado um subsídio em dinheiro, utensílios para o trabalho agrícola, equipamento doméstico, uma arma de fogo, proteção à chegada, e um destino no planalto. Esperava-se que desse conjunto se formasse uma colónia saudável e capaz de reproduzir a vida rural portuguesa (Diário de Governo, 1881).
A verdade é que em todo o Portugal surgiram editais publicados em jornais e colados dos adros das Igrejas exortando os portugueses a partir, e f oram praticamente os madeirenses que responderam à chamada. Desviara-se para tal o rumos da emigração que à época era dirigida para .....
O que o jovem casal desconhecia é que os madeirenses estavam a ser instrumentalizados, e que estavam a ser ali colocados pelo governo português com propósitos nacionalistas imperiais, garantes da fronteira, ante o receio do avanço alemão, e também para contrabalançarem a presença boer na região, numa altura em que decorria a pacificação do território, e aconteciam as invasões guerreiras do soba do Huambo que tinham por propósito conseguir prisioneiros Helelos, agora Mucubais, Mucocolos, Muílas, Mubumbes, essencialmente para serem vendidos como “peças” ou “escravos” nas praças comerciais de Benguela e Catumbela. Tinha sido abolido o tráfico, mas o regime de escravatura interna continuava, e acabou por opôr os interesses daquelas praças como Benguela, que defendiam a velha ordem, aos interesses de Moçâmedes que se lançara num novo paradigma colonial, de fixação de familias portuguesas, desenvolvimento e progresso.
Manuel da Silva Jardim faleceu demasiado cedo, (década de 1940), quando fazia ainda muita falta à familia. Uma infecção intestinal acometeu-o quando estava na sua pescaria da Baía das Pipas. Naquele tempo em Angola morria-se muito de disenteria amebiana, febre tifóide, paludismo e tuberculose, entre outras doenças. A água da Baía das Pipas era salobra, os alimentos iam de barco a partir de Moçâmedes, não havia antibióticos nem médicos, nem enfermeiros naquela praia desértica. Manuel tinham seringas e agulhas em casa e aprendeu a dar injecções a si mesmo e à familia, fervendo as agulhas para desinfectar . Chegou possuir uma pequena pescaria na Baía das Pipas, mas foi em Moçâmedes que se fixaram a maior parte dos elementos desta familia, que ali se ramificou, e que com o rodar do tempo acabou disseminando-se um pouco por toda a Angola, mantendo embora, até 1975, na cidade do Namibe, o seu núcleo principal.
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Porquê o povo madeirense?
Em meados do século XIX, a Ilha da Madeira passara por uma grave crise. O comércio do vinho, principal motor da economia da Madeira, entrou em forte declínio. A fome espalhou-se rapidamente e a emigração foi mesmo uma questão de sobrevivência para muitas famílias. Muitos madeirenses que aceitaram o desafio de emigrar, fizeram-no porque recusaram-se a viver num quadro de pobreza estrutural, numa sociedade altamente estratificada, onde a terra estava totalmente na posse de alguns. Partiam em veleiros para o Havaí, então Ilhas Sanduích, onde deixaram o seu sangue e o seu suor, e aceitavam em muitos casos, situações de trabalho que pouco se distanciava da escravatura e, como os escravos antes deles (1), deixavam a vida nos canaviais de açúcar. Iam também para as ilhas do Caribe e para as Guianas, onde criaram comunidades que até hoje sobrevivem.
Mas diga-se a verdade, a 1ª colónia (1884) misturou gente boa e gente má, porque na pressa de recrutar o governo português não promoveu a devida selecção. Estavam habituados a socorrer-se de degredados e à falta de gente decente, enviava-se para as colónias a escória que Portugal e a ex-colónia do Brasil dispensavam, neste caso, gente que em nada ajudaria e que só iria deitar má fama à colonização do Lubango. Daí que alguns, chegados ao destino, acabaram por se internar no mato e nunca mais ninguém soube deles.
Luis de Sousa Melo, (Presença Açoriana nos Registos Paroquiais do Funchal 1761 - 1860)
Alberto Vieira (Porto Santo - Breve Memória Histórica - Centro de Estudos de História do Atlântico).
Coronel Rui Carita (A Arquitectura Militar na Madeira nos Séculos XV a XVII)

5 comentários:
Olá o meu nome é Fábio, gostaria de entrar em contacto com a pessoa que escreveu este blog.
Sou membro da família e gostaria de trocar umas ideias.
Meu email: shinta80@hotmail.com
Cumprimentos,
Olá Fábio
Tive muito prazer na tua visita ao meu blog e mais ainda por saber-te da nossa família. brevemente irei contactar-te por email.
Cumprimentos
MariaNJardim
O meu nome é Carla. Também eu sou desta família, Laura era a minha avó e a outra Laura, a da foto, a minha tia e madrinha... Sou a filha mais velha da Maria do Céu Martins, irmã mais velha da Laura... Gostei tanto de encontrar esta foto! :)
Eu sou neta de Maria da Silva Jardim , casada com Joaquim Pedro Arroja, e informo que a minha Avó nasceu em Moçâmedes e segundo a minha Mãe e Tia os seus tios também aí nasceram.
Estava interessada em confirmar esta situação e saber mais sobre a família.
cump.
Filomena
Agradeço sua resposta para Mena59@sapo.pt
Bom dia MariaNJardim
As minhas saudações.
Gostava de a contactar o meu email é marco.arraya@marcoarraya.com
Obrigado
marco
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