05 novembro 2011

O passeio domingueiro às "Hortas" em Moçâmedes (actual Namibe). A "Horta" do Torres. A romaria anual à Capela do Quipola.



 
Numa das ruas de Moçâmedes, algures nos anos 1920. Foto cedida a LaySilva, por Antunes da Cunha e publicada em Mazungue.


Começo por colocar as fotos mais antigas a que tive acesso sobre o  assunto em questão, na Moçâmedes daquele tempo (esta, de princípios do século XX. Trata-se, na maioria,  de um grupo crianças e jovens de origem europeia, cerimoniosamente vestidos, preparando-se para serem levadas, no interior de uma carroça tipo boer, para uma qualquer  festa, talvez mesmo até para um passeio às Hortas, ou em romaria à capela de Nossa Senhora do Quipola, como acontecia no dia 8 de Dezembro de cada ano.  Tirada por volta de 1910/20 (?). Quero lembrar que naquele tempo, até mesmo para as caçadas no deserto do Namibe, as pessoas de uma pequena burguesia que ali se desenvolveu, integrando alguns descendentes de luso-brasileiros fundadores, e não só, vestiam-se como mandava o figurino metropolitano a época. Homens de gravata, e senhoras vestidas de acordo com meio ambiente a frequentar... Há fotos que mostram isso mesmo. 

Nesta foto elementos da mesma família (Antunes da Cunha), numa das Hortas de Moçâmedes, que à época exibia um arvoredo luxuriante como se pode ver.  Os Antunes da Cunha eram uma família bem posicionada socialmente. Foto de Antunes da Cunha por via de Lay Silva (Sanzalangola).


 
Hortas de Moçâmedes



Segue na íntegra um texto interessante sobre esse Oásis, da obra "Distrito de Mossamedes", 1892, Pereira do Nascimento, J. (José), 1861-1913:  
"...A 3 kilometros ao norte da villa de Mossâmedes encontra-se a povoação das Hortas, delicioso oásis, que pela abundância e frescura da sua viçosa arborisação, cuidadosamente cultivada em alamedas de refrigerantes som-bras e parques de odoríferas flores e saborosos fructos, forma um ameno sitio de villegiatura com bellos chales e óptimas casas de campo, banhadas pelas frescas brisas do  mar e onde se abriga a elite da sociedade de Mossamedes durante a estação calmosa.

Esta povoação com vastos terrenos agricultados assenta sobre o valle do rio Bero, cujo fértil solo se acha occupado por 40 propriedades agrícolas que abastecem Mossamedes de fructos, legumes e hortaliças. Os terrenos doeste valle occupam extensas várzeas cultivadas sendo as principaes: as Hortas, Cavalleiros, S. António, Boa Esperança, Boa Vista, e Bemfica, por entre as quaes passam boas estradas carreteiras. As principaes culturas são: cana saecharina, que fornece boa aguardente, o cará, que constitue a principal alimentação dos serviçaes, o algodão, muitas variedades de legumes, hortaliças e cereaes e grande numero de arvores fructiferas da Europa, como: larangeiras, limoeiros, figueiras, macieiras, pereiras, alfarrobeiras, cidreiras, oliveiras, videiras, etc.

A sua producção annual em aguardente é de 500 pipas. A distancia de 8 kilometros do rio Bero, caminhando para o norte, encontra-se o valle do rio Giraul, cavado em terreno accidentado por montanhas de grés e gneiss e profundas ravinas escalvadas. Nelle estão estabelecidas 6 propriedades agricolas que produzem : algodão, cana, cará, hortaliças, cereaes e fructas. Estas propriedades luctam com grandes difficuldades por falta d'agua para a irrigação das culturas, sendo necessário nos annos seccos extrahil-a de poços por meio de
bombas centrífugas e estanca-rios movidos a vapor á pro-fundidade de 20 e 31 metros. Produzem annualmente 410 pipas de aguardente." 

Fim de transcrição.

Continuemos...


A "ida às Hortas" começou na Europa como um hábito burguês cultivado nos finais do século XIX, que tinha por fim aliviar a pressão exercida nas pessoas pelo ambiente contaminado das cidades, devido ao fumo das fábricas por força do avanço da industrialização. 

Este hábito com o decorrer do tempo foi-se democratizando, e como tantos outros, penetrou em Portugal e foi levado para África, neste caso para Moçâmedes, em Angola, através dos colonos que idos da Metrópole, iam chegando, e popularizou-se.

Imaginemos as primeiras famílias que o cultivaram em Moçâmedes, deslocando-se em carroças de estilo boer, puxadas por manadas de bois,  munidas dos seus "comes-e-bebes" destinados aos piqueniques...
Não sou deste tempo, mas recordo que almoços e piqueniques, tal como as romarias ao Quipola, ainda aconteciam em meados da década de 1950. Era aos domingos, preferencialmente no verão, pois nesse tempo o dia de sábado era dia de trabalho, pelo menos da parte da manhã. 


 
Jovens moçamedenses banhando-se no tanque da "Horta" do Torres. Foto Salvador
A Horta do Torres era a minha preferida.  Nesta foto podemos ver elementos da juventude moçamedense da época banhando-se no tanque da Horta do Torres, que era para os mais jovens um grande atractivo. Destinado ao represamento de água doce para rega das plantações, que era efectuada através de um sistema de valas, etc, este tanque, com a sua forma rectangular, situado ao ar livre, convidava a malta feliz e contente a umas banhocas e a uns mergulhos, qual piscina olímpica de tratasse.  Os jovens que aqui se banham, refrescam e divertem-se, no início dos anos 1950, são: de frente para trás: Mavilde, Fernando Andrade Vieira (com a bola), Dudu Carvalho, Costinha, Calila, ?, Mário Bagarrão, Maria Augusta Esteves, Carvalho (Caparula), Orlando Salvador (junto do muro),?,?, Na parte exterior do tanque, de frente para trás: ???, Celeste Barbosa, Fernanda Pólvora Dias, Carolina Mangericão, ?, ?, e Luzete Sousa.

Sem sombra para dúvidas, tal como as romarias ao Quipola, os passeios às Hortas proporcionavam momentos de lazer inesquecíveis que ficaram para sempre gravados nas memórias das gentes que por lá passaram. Na ida às "Hortas" passeava-se, dançava-se, conversava-se, namorava-se, cantava-se, tocavam-se vários instrumentos: guitarra, bandolim, acordeão, etc. (se houvesse no grupo alguém vocacionado para tal), jogava-se às cartas, descansava-se e até se dormia a sesta (os homens mais velhos...), e tudo isso à sombra de frondosas àrvores carregadas de saborosas mangas, goiabeiras, oliveiras,  e junto a latadas de videiras carregadas de uvas que o solo do Namibe era pródigo em oferecer.

Pormenorizando, diremos que a hora da refeição representava um momento essencial que reunia toda a família e amigos em volta da longa mesa onde eram estendidas várias toalhas e onde cada família colocava o seu «farnel», cada um melhor que o outro, onde nada faltava: croquetes, rissóis, panados, pastéis de massa tenra, frangos corados, sandwiches, bolos, pudins, refrigerantes da fábrica do Pereira Simões (gasosas), e outros como as deliciosas carbo-cidrais,  as coca-pinhas muito angolanas, e ainda cervejas, vinhos, etc. E um nunca mais acabar de pequenas gulodices que faziam as delícias  de miúdos e graúdos.  

Muitas vezes as refeições eram  confeccionadas já após a chegada às "Hortas". As famílias levavam de casa  para além dos ingredientes,  um pequeno fogão alimentado a petróleo ,  e era ali mesmo, a um cantinho, que se cozinhava algo delicioso que podia bem ser uma caldeirada de peixe acabado de pesca, ou de cabrito encomendado de véspera num dos talhos da cidade, fornecidos por criadores do distrito.  O momento da refeição era todo ele um momento de alegre confraternização, e no final da mesma enquanto as nossas mães  cuidavam da louça e da arrumação dos cestos, nossos pais jogavam às cartas uns, outros descansavam, os jovens divertiam-se conversando, namorando, e as crianças  corriam, saltavam, trepavam às àrvores, colhiam frutos com os quais se deliciavam, investigavam cantos recantos, davam os restos da comida aos animais do pequeno zoo, e desfrutavam a valer daqueles momentos de verdadeira «rédea solta».

Abro aqui um parêntesis para fazer um elogio às mães de família da minha terra, daquele tempo. Eram senhoras muito prendadas, que sabiam fazer de tudo um pouco, com organização e método, e faziam o dinheiro esticar como boas gestoras que eram do orçamento familiar. Estou a falar desse tempo em que as nossas mães eram donas de casa, inteiramente dedicadas com esmero à família e ao lar.



Uvas de Moçâmedes. Foto da Agência Geral do Ultramar

Não deixarei de lembrar  o quanto na região de Moçâmedes  poderia ter sido altamente rentável a cultura da vinha e da oliveira, não fosse o proteccionismo exasperado que  a Metrópole fazia em relação ao Ultramar, impedido a sua exploração. É que da Metrópole vinha o vinho e o azeite para as colónias, cujo consumo representava uma boa renda em relação à qual os interessados não estavam dispostos a abdicar. 


 

Oliveiras das Hortas


Era de facto deslumbrante a diversidade de árvores de fruto existentes no Distrito, desde mangueiras,  goiabeiras, macieiras, bananeiras, laranjeiras, tangerineiras, figueiras, oliveiras, tamarineiros, mamoeiros,  etc. etc, que lançavam para o ar o seu agradável e característico odôr.




"O distrito de Moçâmedes possuia uma rica flora nas terras humosas das margens do Bero e do Giraul: leguminosas, figos roxos, variadas árvores de fruto, videiras, oliveiras, tamarindeiros, goiabeiras, tangerineiras, mulembas ou figueiras, etc. Era contudo nas margens do rio São Nicolau, especiamente na margem esq, que se cultivaram as melhores àrvores de fruto de todo o sul do distrito. Na margem esquerda eram os mamoeiros, os diospirios, as bananeiras ,as nespera-cereja-dendém, o palmeira de óleo palma., et., etc. A razão é que na margem esq., dada a inclinação do terreno e à presença de uma lage cerca 5 km , há curso de àgua permanente e à dt. apenas por infiltração. Na margem esq., o 1º colono aí se instalou foi o bacharel em medicina J. Duarte de Almeida tendo bastado construir uma vala para apoveitamento água do rio ao longo do qual instalou comportas que forneciam água necessária ao regadio das suas culturas agrícolas. Na margem direita, foi necessário a Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da Companhia de Moçãmedes, proprietária da fazenda, abrir uns quantos poços para obter água que entretanto desaparecia tendo que a aguardar de novo por infiltração que as águas voltassem a ter o nível estático dos poços. Também a terramargem dt. necessitava de mais qualidade de matéria orgânica e adubos químicos, e até os próprios animais diferenciavam o seu aspecto, porquanto nas margens esq. os corvos eram totalmente negros e menos brilhantes e os da dt. a plumagem era negra, luzidia e com uma gola branca no pescoço. Mesmo as rolas e piriquitos tinham aspecto diferente, côr e tamanho. Havia no distrito 8 exemplares de alfarrobeira cidade a dar fruto e decorar rua cidade entre Administração do Concelho Civil do Concelho e a Escola Portugal e também pitangueiras e tamareiras a embelezar as propriedades e os jardins. Também nas ruas, havia a jubea trazida pelos colonos de Pernambuco, a gravílea ,a acácia, o jacarandá, a ravenela ou árvore dos viajantes, a buganvília as euforbiáceas, os hibiscus e tantas outras. Havia a paleira de leque «Ravenala» (urânia-soberba), que crescem margens Cunene, Cuando e Bero, descoberta em Madagáscar no século xvi e trazida para os jardins de várias cidades mundo…" Fim de citação.

Seguem algumas fotos disponibilizadas pelos nossos conterrâneos...
Uma família num desses passeios às "Hortas" de Moçâmedes.





Piquenique típico que juntou alguns elementos das famílias Mascarenhas, Ferreira e Almeida. À entrada da Horta existia uma grande mesa que ficava a meio de uma rua ladeada por arvores de fruto. Cedida por Margarida Mascarenhas. 

Foto do meu álbum

1951. Euzinha, quando tinha 11 anos e a minha tia Lídia Rosa de Sousa Alcario, posando para a posteridade na Horta do Torres. A tia Lídia  que vivia em Porto Alexandre onde o marido, poeta alentejano de Moura, Rodrigo Baião Alcario, era chefe da Guarda Fiscal. Foto do meu álbum.


 

 Passeio à Horta do Torres em 1955. Euzinha de novo aqui já com  15 anos, à frente e à esq. Ao meu lado a minha avó Maria da Conceição, , a seguir Eduarda Vicente, Guilherme Jardim, e no lado dt. 
a tia Maria do Carmo (Carminha), e marido, António Gonçalves de Matos. A seguir o João Ilha (óculos escuros) Vicente, Edmundo Seixal, etc etc Foto do meu álbum. 




Outra foto tirada no mesmo dia na "Horta" do Torres em Moçâmedes. Foto do meu album.


Também no mesmo dia na "Horta" do Torres, em meados de 1950. Com o braço no ar Arnaldo Bagarrão, tendo a seu lado Arnaldo Nunes de Almeida, seguido de Alberto Miranda, de mim . À dt Claudete Bagarrão  e Elizabete Bagarrão e ao fundo Eduarda Vicente e Guilherme Jardim. Em cima da mesa o pormenor das espigardas (para caçar pássaros?). Foto do meu álbum.






No mesmo dia, na "Horta" do Torres: Em cima: O casal António Gonçalves de Matos (Sopapo) e Maria do Carmo Paulo Matos (Carminha), Maria da Purificação Vicente (Gigi), e  Manuela Seixal (Nélita). Embaixo: Alberto Miranda e Maria Lizete Ferreira. Foto do meu álbum.



Ainda no mesmo dia , junto do Chalet da "Horta" do Torres, de cima para baixo, ali estou de novo, seguida da Eduarda Vicente e as manas Claudete e Elizabete Bagarrão.  Foto do meu álbum.



Grupo de moçamedenses num passeio à Horta do Torres, em meados da década de 1950. Em cima, da esq para a dt: Etelvina Ferreira, Graciana Martins Nunes, Olimpia Aquino, Marizete Veiga e Lizete Ferreira. Embaixo: Raquel Nunes, Violete Velhinho e Fernando Miranda. Foto do album de Olimpia Aquino.


A "Horta do Torres" ficava na margem esquerda do rio Bero, antes da passagem da ponte sobre o mesmo rio. Eis como um registo jornalístico efectuado por ocasião da visita a Moçâmedes, em 1938, do Presidente Carmona, tão fielmente a descreve: 

«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e mão do homem a orientar e trabalhar. A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.» 


Boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162



Mas havia outras "Hortas" nas margens direita e esquerda do rio Bero, igualmente agradáveis de  visitar. Eram elas as "Hortas" do Venâncio Guimarães (Benfica e Boavista, esta no Quipola), a do Costa Santos (Macala), a do Vaz Pereira (um pouco antes do Quipola), a do Martins Pereira (na margem direita do rio), etc. Mais recente, a "Horta" de Prazeres Madeira, na margem esquerda do Rio Bero, que integrava um belo palacete conhecido por "Chalet da  Horta da Nação". O edifício apresenta-se  ainda em bom estado, com pintura em côr azul forte, como se pode ver.  Acredita-se que seja o  palacete  mencionado por Balsemão,  mandado construir pelo Dr Lapa e Faro, o 1º médico de Moçâmedes, que foi  contemporâneo  da fundação, ainda que não pertencesse ao grupo dos fundadores luso-brasileiros de Pernambuco. 

 Segundo Vitor Mendonça Torres, "...fazia parte da propriedade que vinha das salinas até às Hortas  do Torres (Benfica incluso) e foi vendida em lotes ao seu tio Gaspar Madeira e depois passou em herança para o irmão Prazeres,  e a de Benfica para o Venâncio Guimarães.

As "Hortas" situadas na margem esquerda do Bero tinham a vantagem de facilitar os transportes, sobretudo em épocas de cheias, antes da construção da ponte, devido às enxurradas que por vezes aconteciam, vindas do planalto, que tornavam problemática a travessia do rio.  
Lá para finais dos anos 50 em diante, as "Hortas" passaram a ser um lugar de atração para grupos de jovens, rapazes e/ou raparigas, que para ali se deslocavam de bicicleta já sem a presença das famílias, à guisa de exercício físico ou até mesmo para fazerem pequenos piquenique.


Foto cedida por Fernanda Barata

Esta foto tirada na década de 1960 mostra-nos um grupo de estudantes divertindo-se  nas "Hortas". Entre eles, reconheço, à esq. Cidália Calão (1ª à esq.) e Miguel (Miguelito, o 4º à esq.. falecido ainda jovem), irmão de Fernanda Barata (Porto Alexandre/Moçâmedes).

Outras iam de bicicleta... Reconheço nesta foto, da esq. para a dt, de pé: Lalai Jardim, Nide e Claudete Figueiredo? Sentada reconheço Júlia Castro (a 3ª à dt). Tudo gente do Atlético Clube de Moçâmedes, basquetebolistas ou adeptas do clube.

Quanto aos meios de transporte utilizados, se de início as pessoas eram transportadas para as "Hortas" em carroças puxadas por bois, ou até mesmo em tipoias, lá para finais dos anos 1940, quando os veículos automóveis em Moçâmedes já eram uma realidade, mas ainda não abundavam, juntavam-se grupos de familiares e de amigos, quotizavam-se, e faziam-se transportar em carrinhas ou em camionetas de aluguer, de caixa aberta. Acontecia porém, que o trajecto para as Hortas era por vezes problemático. A estrada não era asfaltada, e muito pó se "comia" pelo caminho, sobretudo aqueles que viajavam na parte de trás das tais carrinhas e camionetas. Ver as 2 fotos a seguir.

 

Familias em camioneta alugada a caminho das Hortas...Foto cedida por amigos.   Eis uma "camioneta"!  Era assim que entre nós era conhecido este tipo de veículo automóvel, de caixa aberta, destinado a transporte de mercadorias,  que nestas ocasiões servia para transportar pessoas, uma vez que nesse tempo não eram muitas as famílias  que dispunham de transporte automóvel próprio. Nesta foto encontra-se muita gente conhecida de Moçâmedes e de Sá da Bandeira. Estão aqui elementos das famílias Teixeira, Castro, Sousa, Ferreira e Jardim




Familias em camião alugado a caminho das Hortas... Foto Salvador

Outras vezes organizavam-se passeios à "Praia das Conchas", à "Praia Amélia", etc etc. Aqui as famílias Matias, Paulo, Marques, Salvador. Foto cedida gentilmente por amigos. Interdita para reprodução em obras e para fins lucrativos

.. 

 Várias famílias: Nascimento, Custódio, Gastão, Passos Marques, Salvador,  num passeio à Hortas em finais de 1950. Foto Salvador.

 

Famílias Almeida, Mascarenhas, Carequeja, Teixeira...,   num passeio à Hortas em finais de 1950.

Mas pessoas havia que optavam pelos piqueniques tradicionais feitos no chão, onde estendiam uma toalha, sobre a qual depositavam os comes e bebes, as guloseimas, etc, e à roda da qual  ficavam sentadas, e ali se mantinham, conversando e divertindo-se, com pausas para pequenos passeios e caminhadas, e assim perfaziam o tempo até que chegasse a hora de regressar a casa.  Foto Salvador.

 



  Esta foto mostra-nos a entrada da "Horta" do Torres.  Vista do interior, podemos os visitantes procuram interagir sim as gazelas e com  um guelengue que por ali andavam.  À esquerda podemos ver parte do chalé do proprietário (foto Salvador). Esta Horta possuía um pequeno zoo com alguns animais capturados no Deserto do Namibe (gazelas, olongos, bambis, guelengues, impalas, etc.) para além de macacos, viveiros com passarinhos, etc. E creio que cheguei a ver por ali, algures nos anos 1940, um velho leão enjaulado...




Horta do Torres vista de fora

A "Horta" do Torres é aquela em relação à qual possuo memórias mais vivificadas. A entrada para a Horta  fazia-se através de um grande portão de ferro, datado do século XIX, que ficava aberto durante todo dia. Deste portão tive recentemente notícia que o mesmo se encontra desaparecido. Passando o portão, o visitante tinha à sua frente uma extensa rua a percorrer ladeada por frondosas árvores que proporcionavam uma sombra refrescante,  a meio da qual ficava uma longa mesa servida de  bancos corridos, preparada para almoços e piqueniques , que comportava  um elevado número de pessoas.  
 


Eis a parte central do bonito Chalet da "Horta" do Torres que não foi convenientemente protegido nos tempos que se seguiram à independência de Angola, em 1975, e que acabou por cair naturalmente após umas fortes chuvadas,.. Uma pena, pois seria uma mais valia para Moçâmedes e a sua História.

O belo casarão de estilo colonial, de inspiração romântica/arte noveau, que pertenceu à familia  Mendonça Torres (foto retirada da Separata Nr.6 da Revista Africana, Universidade Portugalense, Porto, 1990, intitulada " Das Pedras de Filtro à Arte Funerária dos Quimbares no Sul de Angola" ,  do autor Cecílio Moreira).  

Por estas escadarias subiu o Principe Real quando em 1907 visitou Moçâmedes, nesse ano da subida de vila a cidade em cerimoniais que tiveram a sua presença. o Principe  deslocou-se às"Hortas", à casa de campo da familia "Torres",  subiu os degraus da varanda senhorial  que dava acesso à vasta sala de jantar da bela mansão, apreciou o chão de azulejaria à belle-époque, o tecto de pinho da Metrópole, as paredes cobertas de frescos com cenas campestres algo barrocas. Ali almoçou em meio àquele  cenário idílico, ponto de encontro de piqueniques e almoçaradas, dotado de um espaçoso pátio com seus coretos, longas alamedas, numa palavra frescos oásis  onde as oliveiras com viviam com as bananeiras, as  palmeiras, as mangueiras, etc, e onde se cultivava a mandioca, a papaia, o melão, cultivos de várias espécies para consumo da cidade.


A ida às"Hortas" constituiu-se, pois, num verdadeiro culto  que perdurou forte, entre nós, pelo menos até finais dos anos 1950, pelo menos durante todo um tempo em que em Moçâmedes "todos nos conhecíamos, e todos éramos primos e primas...".

O culto do "Passeio às Hortas" surgiu na Europa em finais do século XIX, inícios do século XX, na chamada "Belle Époque", numa altura em que no seio do povo que vivia nas grandes cidades havia emergido uma nova classe, a burguesia, fruto da industrialização, essa mesma classe que dispondo de melhores condições, sentiu necessidade de respirar ares do campo, face à poluição do ar produzida pelos fumos das fábricas. Por mecanismos de imitação social, com o rodar do tempo este uso e costume proletarizou-se, vulgarizou-se, estendendo-se a todas as classes sociais.
Moçâmedes foi fundada em 1849, e presume-se que este culto tenha sido muito forte desde a fundação, e começou a declinar com o surgimento de novas formas de lazer e de  entretenimento que foram penetrando no nosso pequeno burgo, com as inovações surgidas em todo o mundo ocidental no pós II Grande Guerra (1939-45), que vieram  alterar  usos e costumes antigos, como este, que em breve não passariam de gratas recordações em velhos albúns e retratos de família. A partir dos anos 60, tudo em Angola mudou vertiginosamente, com a chegada em massa de muitos metropolitanos.

Também contribuiu para esse recuo a afirmação do modelo de família nuclear,mais restrita, mais autónoma e individualista, que desenvolveu um modo de ser e de estar que nada tinha a ver com a família extensa dos tempos, constituída por um grande número de filhos, onde coexistiam 3 gerações, chegando a juntar-se à volta de uma  mesma mesa, em amena confraternização, avós, pais, filhos, netos, bisnetos,  até tios, primos, sobrinhos, e mesmo compadres e amigos...  


Quanto às novas formas de lazer que tiveram lugar, estou a lembrar-me dessa famosa década de 1950 em que num repente a pacata cidade de Moçâmedes (que desde há uns anos tinha passado a dispôr do seu Rádio Clube e do seu Cine Teatro), passou a contar com um grande número de pessoas,  homens e mulheres, jovens e adultos,  intensamente envolvidos em eventos sociais de toda a ordem: programas radiofónicos de variedades organizados pelo mesmo RCM,  "Programas da Simpatia" (o grande sucesso de Carlos Moutinho), momentos de prazer que cativaram gente de todas as idades.  Até os passeios na Avenida, que não se sabe desde quando, mas que até bem dentro dos anos 1950 se encontrava transformada numa espécie de "picadeiro",  o nosso "passeio público", sobretudo após as sessões da tarde (matinées) no Cine Moçâmedes, não resistiu à viragem do tempo num mundo em mudança. Como eram doces esses tempos em que altifalantes pendurados em frondosas árvores na Avenida da República, transmitiam para quem quisesse ouvir (e curiosos não faltavam), música a pedido, entrevistas ocasionais que eram feitas às pessoas,  e se realizavam concursos infantis, etc, etc., tendo como epicentro o velho Coreto, onde de quando em quando bandas de música iam tocar...

A década de 1950, a primeira grande década da mudança, foi também aquela em que se assistiu à organização de inúmeros  bailes e matinées dançantes, realizados aos fins de semana quer no salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes, quer no Clube Náutico "Casino".   Para trás tinham ficado os salões do Ginásio da Torre do Tombo e do Aero Clube de Moçâmedes, bastante concorridos nos anos 1940.   

Também no campo desportivo esta década foi aquela em que se assistiu a uma autêntica  explosão de novas modalidades, com especial ênfase para o hóquei em patins e para o basquetebol feminino, com toda a juventude a participar, e gente de todas as idades e de ambos os sexos a acorrer aos campos de jogos para aplaudir os clubes e os atletas da sua preferência.  Para além destas, outras modalidades se incrementaram, tais como a vela (Sharps e Snypes), a pesca desportiva, a caça submarina, os circuitos automóveis, etc, etc.

A partir dos anos 1960, foi a vez da inauguração das animadas e deveras atractivas "Festas do Mar".  Dir-se-ia que o Verão de Moçâmedes em menos de uma década tornara-se curto para comportar tanta opção ao alcançe de uma pequena população,  como era a daquele tempo.

E foi assim que o passeio domingueiro às Hortas foi ficando para trás... E as romarias ao Quipola foram perdendo o brilho.

Não posso terminar este texto sem deixar aqui um registo muito especial aos proprietários das "Hortas do Torres" que as disponibilizavam de tal modo que tinham sempre as suas portas totalmente abertas aos visitantes, e a tal ponto que nem havia necessidade de se pedir autorização para lá entrar. E mais, no regresso a casa, geralmente levávamos connosco sacos cheios de fruta que nos era oferecida, e enquanto ali, retirávamos quanta fruta quiséssemos das árvores para comer, sem quaisquer problemas.

Não me lembro de ter saboreado tão deliciosas mangas como as pequeninas (manguitos) das Hortas de Moçâmedes!

Sobre as romarias à Capela de Nossa Senhora do Quipola, pode ver AQUI




Ficam mais estas recordações.

(ass) MariaNJardim



(1) Em Angola como sabemos chove no Verão. Em Moçâmedes, não obstante a baixa pluviosidade (não chovia  durante os 8 meses do ano),  de quando em quando aconteciam grandes enxurradas,  que aconteciam normalmente em Fevereiro ou Março, e prejudicavam o trajecto entre a cidade e as zonas para além rio, nesse tempo em que o leito do rio Bero não estava regulado como viera a acontecer mais tarde, nem havia ainda a ponte sobre o Bero. Quando tal acontecia, os abastecimentos diários de legumes e frutas às «quitandas» da cidade eram transportados, atravessando o rio em carroças puxadas por bois, cujas rodas facilmente enterravam na lama. Também enterravam na lama os pneus dos veículos automóveis que se atreviam à travessia.  Alturas havia em que os próprios comboios que vinham de Sá da Bandeira tinham que ficar no Saco do Giraúl, e as pessoas e mercadorias tinham que ser transportadas através de barcaças ou batelões para a cidade.  Salvava a situação, a escassez de chuvas e o facto do rio só possuir água noVerão, quando chovia.Era o atraso em que, intencionalmente, por esta altura, ainda se encontrava Angola!

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Ainda que se trate de épocas diferentes, vale a pena ler o que sobre vegetais nas Várzeas do Bero, escrevia em 1858 (9 anos após a fundação de Mossâmedes, João Cabral Pereira Lapa e Faro, Cirurgião em Mossâmedes:

"...Em outra occasião darei uma enumeração de todas as plantas importantes que vivem em Mossamedes, liroitando-me por agora a mencionar as arvores e arbustos que já aqui se plantaram, e que são:
Amygdalus pérsica. L.—Pecegueiro.
Mangifera iudia L.—Manga,
Olea europea L.—Oliveira.
Pirus malus L.—Maceira. (Existe um só individuo de cada uma d'estas quatro espécies, e ainda com pequeno crescimento.)
Carica papaya—Mamoeiros. (Poucos ha plantados.)
Ficus carica L.—Figueira.
Anacardium occidentale—Cajueiro.
Pessidium pomiferum—Goiaba. (Estas tres ultimas espécies começam a propagar-se, e dão excellentes productos; as figueiras ganham pouca altura.)
Citrus aurantiura L.—Larangeira" bergamium L.—Limeira.  limonum L.—Limoeiro.  medica L.—Cidreira. (São ainda raras estas quatro plantas, e só vegetam bem nos logares abrigados das virações.)
Cocus nucifera L.—Coqueiro.
Phenixdactylifera L.—Tamareira. (Os coqueiros, e não ha muitos, têem bom desenvolvimento, mas parece que não fructiíicam. As tamareiras dão algum fructo de muito má qualidade.)
Gossypsium herbaceum L.—Algodoeiro. (Dá-se bem, e já existem algumas plantações d'este arbusto.)
Morus nigra L.—Amoreira. (Algumas ha, e com crescimento, que muito fructiíicam.)
Musa L.—Bananeira. (Esta é das plantas mais cultivadas, ofterecendo algumas quatro ou cinco espécies.)
Púnica granatum L.—Romeira. (Acha-se bastante propagada.)
Yitis vinifera L.—Videira. (Vegeta e fructifica muito bem. Apresenta cinco variedades: moscatel, ferral, malvazia, ainda com curiosidade de uma só pessoa, bastardo e dedo de dama, mais vulgarisadas. Todas eatas variedades ou espécies têem sido cultivadas para parreiras, ainda se não plantaram para vinha, o que muito conviria experimentar, porque as extensas e incultas várzeas dos Casados se devem prestar a esta cultura.)

"...A cultura mais ou menos aperfeiçoada constitui  um dos meios mais poderosos que o homem pôde aproveitar em favor da sua espécie. Um  solo sem cultura não offerece recursos para a subsistência do homem; e de todas as modificações que esta pode imprimir na salubridade das regiões, a mais importante é a formação de arvoredos; elles operam como apparelhos de condensação dos vapores atmosphericos, purificam o ar, assimilando as emanações miasmaticas, são obstáculos naturaes aos ventos violentos ou nocivos, e oppera-se ao desmoronamento dos terrenos.
Achando-se esta possessão ainda bastante afastada das referidas condições de salubridade, e merecendo os melhoramentos de que é susceptível, indicarei alguns meios que convém empregar.
Como para os habitantes de Mossamedes se torna muito difficil o obterem de outra parte qualquer cousa que precisem, pela falta de relações e communicações em que se acham, conviria que o Governo prestasse auxilio de mandar sementes, pés ou enxertos de arvores próprias tanto para viverem nos terrenos arenosos que circumdara a villa, escolhendo espécies de prompto crescimento e boa sombra, como para povoarem as várzeas quasi desertas, dando preferencia para este local ás espécies fructiferas. Alem d'isto, não podendo a agricultura n'esta colónia progredir, sem que obtenha o quádruplo dos braços que hoje possue, deveria o mesmo Governo facilitara transportação dos libertos de que os colonos necessitassem.

"....Por outro lado, á Camara Municipal do districto pertencem outros misteres. Deverá esta encarregar-se de dirigir a plantação das ditas arvores, escolhendo os sitios mais convenientes, vigiar no que diz respeito á conservação d'ellas, tomar mesmo a seu cargo e despendio o tratamento que exigirem as que forem postas em logares públicos, e impôr certas obrigações ou condições aos donos das propriedades onde também forem collocadas. A estrada plana e direita, que atravessa a várzea dos Casados, e conduz aos Cavalleiros, quanto ficaria bella se fosse cercada por duas alas de arvoredo; o mesmo direi de alguns caminhos da Boa Esperança, etc. É também de muita importância o limitar por meio de arvoredos a corrente do rio, que passa pelo meio das várzeas, porque sem este obstáculo se favorece a successiva ele vação do fundo sobre que correm as aguas, passando estas cada vez mais a invadir as margens. O ricinus communis, L , mamona; o populus nigra L., choupo; o salix alba, L, salgueiro, são as arvores que para isto melhor se prestam; crescem muito depressa, enraizam bem, e propagam-se com grande facilidade. Á mesma Camara compele mandar aterrar os logares cavados onde permanecem aguas estagnadas, ou abrir canaes para dar vasão a estas mesmas aguas. Emfim ainda uma outra medida resta a empregar mais tarde, vem a ser: o tirar do centro da villa as pescarias e colloca-las no sacco do Giraul. É este um local que reúne todas as condições favoráveis para taes estabelecimentos. Mossamedes, 15 de Fevereiro de 1858.= João Cabral Pereira Lapa e Faro, Cirurgião de segunda Classe da Armada, em commissão, Annais do Conc Ultramarino, Parte não Oficial, série 1 Set.1858


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Aqui vai o desenho de uma "sanga" (desenho de de Carlos Janeiro) que existia em muitas casas de Moçâmedes e nesta também, junto à varanda, para apanhar o fresco da noite.  Encontrei nas páginas de um das separatas do autor Cecílio Moreira, separata n.6 da Revista Africana. Univ Portucalense, Porto, 1990, com o título "Das Pedras de Filtro à Arte Funerária dos Quimbares no Sul de Angola.  A velha "sanga", que ,como dizia Cecilio Moreira, deixou saudades a quem mourejava pelas plagas africanas de Angola... Não só filtrava a água, como a tornava muito fresca e dava-lhe um gostinho muito agradável... Eram construidas por artistas canteiros de Moçâmedes (quimbares), que utilizavam para o efeito um bloco de pedra de forma de cubo ou de paralelipípedo, que desbastavam com maceto de ferro e cinzel até ganharem a forma interior e exterior pretendida. Na cavidade cónica ficava o depósito de água a ser filtrada (ia de 5 a 25 litros, tudo dependia do tamanho da "sanga"). A água infiltrava-se através dos poros da pedra e corria para dentro de um pote de barro. A utilização destes filtros era possível porque assentavam sobre um armário de madeira que tinha uma porta para o interior, onde era colocado um recipiente para aparar a água que para ali caia muito lentamente. Esse armário podiam ser de vários feitios, mais simples ou mais elaborados, e também servia de decoração. Eram, regra geral, colocados em varandas, e escolhia-se o lado dos ventos predominantes para que a água se mantivesse o mais fresquinha possível. Lembro-me que com o rodar o tempo a parte de baixo e exterior da pedra cobria-se de avencas. Para se fazer uma ideia do apreço que se tinha por estas sangas, em 1857 e 1858, menos de 10 anos após a fundação, segundo um apontamento do médico Dr Lapa e Faro, foram exportadas 150 pedras de filtro pela Alfândega de Moçâmedes, a 3 mil e 5 mil reis por unidade. Apontamentos existem que referem terem sido bons clientes desta pedra, na 2ª metade do sec XIX, a Ilha de Santa Helena,a Costa Oriental, o Congo Belga, o Congo francês, S. Tomé, e o Gabão. A pedra de filtro iria dar lugar, também, à célebre arte funerária Mbari ou Mbali, arte do povo quimbar.

 MariaNJardim





O Blog "GENTE DO MEU TEMPO" destina-se unicamente a todos aqueles que até 1975 nasceram ou viveram em Moçâmedes, hoje cidade do Namibe, sendo deles todas estas fotos e recordações, pelo que nada daqui deve ser retirado, por terceiros, a quem o assunto não diga respeito,  sem prévia autorização, sob pela de estar em falta quem assim proceder.






2 comentários:

Kalaari disse...

Gostei muito de matar saudades com esta crónica. Tanto mais, que em miuda, também as minhas visitas de sábado, às Hortas dos Torres, para visitrar minha tia Maria Eduarda Torres Carmona, quando por lá andava pois radicou-se em Cascais e tive o prazer de lhe mostrar estas fotos, que ela adorou ver.
Um abraço
Vera Lucia

MIZÉ disse...

Obrigada por partilhar uma parte da História de Angola. Uma boa investigação aliada à uma boa memória vivencial, devidamente narrada. São as raízes que nos seguram à terra. BEM HAJA Mizé

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