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15 março 2007

O hóquei em patins em Moçâmedes nas decadas de 1954 a 1969


Independente de Porto Alexandre. 1952. Em cima, da esq para a dt.: Humberto Tendinha, Mário Lopes, Álvaro Faustino, Hernani Silva e Zéquinha Carvalho. Embaixo: Parente, Venâncio e Abel Lopes.
Atlético Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt, em cima: Rui Coelho, Arménio Jardim, Tolentino Ganho e Geny Guerra. Embaixo: José Adriano Borges, Alvaro Jardim (Chamenga) e Henrique Minas . Mascote, Laurentino Jardim.  1954
Sport Moçâmedes e Benfica.  Da esq. para a dt. Em cima: Rui Coelho Oliveira, António Cardoso Alves (Gargalinhos), Emílio Teixeira e Edgar Aboim. Embaixo: António Rodrigues Araújo, Bento, Abrantes e José Fernando Soares. 1955

Da esq para a dt. Em cima:  Zeca Castro Alves e Ascenso. Emxaixo: Nono Bauleth,  Amável, e os irmãos Quim e Carlitos Guedes.

 
1. O SURGIMENTO DO HÓQUEI EM PATINS EM MOÇÂMEDES


Foi tardiamente que a modalidade de hóquei em patins surgiu no distrito de Moçâmedes. Já no período pós guerra, a selecção portuguesa havia sido tetra-capeã mundial de oquei em patins nos anos de 1947-1948-1949-1950, e Angola contava há bastante tempo com essa modalidade nas cidades de Luanda, Lobito, Benguela e Nova Lisboa, enquanto Moçâmedes, (que desde 1919 avançara noutras modalidades, como o futebol, com as equipes do Independente de Porto Alexandre e o Ginásio Clube da Torre do Tombo) se deixara atrasar por razões de ordem económica. Os clubes em permanente crise financeira e sem apoios das instituições oficiais, não possuiam fundos suficientes para partir mais cedo para a construção de «rinks», nem para e aquisição de equipamentos. Restava a «carolice» de alguns adeptos e o esforço e dedicação dos seus atletas, aos quais se deve o imparável desenvolvimento desta modalidade no início da década de 50.


O surgimento da modalidade de oquei patins de Moçâmedes em 1950, ficou a dever-se fundamentalmente a duas grandes individualidades personalizadas por José Adriano Borges, o popular, e Raul Radich Júnior. Zé Adriano, figura inegualável, amante do desporto, que ele próprio praticou, nas modalidades de futebol, ciclismo e hóquei em patins, trouxe o «bichinho» do hóquei em patins, do Lobito, onde praticou a modalidade, para Moçâmedes. Raul Radich Júnior, o mecenas que não só contribuiu monetariamente com a totalidade do custo do equipamento (patins sticks caneleiras e joelheiras) para que o Atlético tivesse uma secção de hóquei em patins, como contribuiu para o surgimento da modalidade em Moçâmedes. Infelizmente Raul Radich Júnior, dado o seu prematuro e inesperado falecimento, não viria a gozar os frutos da sua dádiva, ou seja, as alegrias proporcionadas pelo oquei do Atlético Clube de Moçâmedes, que culminaram com a conquista de nada menos que 7 campeonatos se Angola, 3 campeonatos de Angola de júniores e 4 de séniores, os primeiros nos anos 1962, 1963 e 1964 e os segundos nos anos 1965, 1967, 1969 e 1971. Uma verdadeira proeza, com realce para o facto de o campeonato de 1975 ter sido ganho pela célebre e extraordinária «Equipa Maravilha», no ano da sua estreia na classe de seniores.


2. PIONEIROS DO HÓQUEI EM PATINS EM MOÇÂMEDES (seniores): Atlético Clube de Moçâmedes


Como já atrás ficou dito, a história do óquei em patins em Moçâmedes começou com o Atlético Clube de Moçâmedes, por volta de 1950/51, quando José Adriano Borges, transferido dos Caminhos de Ferro do Lobito para os Caminhos de Ferro de Moçâmedes resolveu criar ali uma equipe de hóquei em patins. Zé Adriano não perdeu tempo. Habituado que estava às lides desportivas na cidade do Lobito, e envolvido que se encontrava naquela modalidade, começou a treinar a 1ª equipe pioneira de oquei em patins na classe de seniores do distrito, na qual para além do próprio Zé figuravam os seguintes elementos: Zico Cristão, Faquica Guerra, Henrique Minas , James, José Manuel Frota, António Minas (Tonico).

A escolha recaiu no Atlético talvez por ser na altura o único clube da cidade a possuir um campo de jogos disponível para o efeito, talvez por inclinação pessoal do Zé. Contudo, esta primeira tentativa de constituição de uma equipe foi sol de pouca dura, porque logo após a realização de um primeiro jogo contra a equipe do Lobito, no campo de jogos do Atlético, logo se esboroou por falta de competição. Na altura o campo de jogos do Atlético não estava vocacionado para o basquetebol e para que esse 1º jogo pudesse realizar-se tiveram que ser improvisadas tabelas com blocos de cimento de construção civil, colocados à volta do campo.


3. PIONEIROS DO HÓQUEI EM PATINS EM MOÇÂMEDES (juniores): Atlético Clube de Moçâmedes

Com a desaparecimento precoce da 1ª equipe séniores do Atlético, mais uma vez Zé Adriano não perde tempo. Desta vez (1951) volta-se para um grupo de miúdos com cerca de 12 anos de idade que andavam a patinar no campo do Atlético com vulgares patins winshester (patins de rodas finas, sem botas, ajustados aos sapatos com engates e com uma correia sobre o peito do pé), e que tinham por «heróis» oquistas portugueses como os primos Jesus Correia e Correia dos Santos, da selecção nacional, que na altura ganhara vários campeonatos do mundo seguidos, e cujos relatos, difundidos pela emissora nacional, seguiam atentamente. Eram eles o Nico Maló de Abreu (mais tarde guarda-redes na Académica de Coimbra), o Arménio Jardim, o Rui Mangericão, o Leston Martins, o Tolentino Ganho , Chiquinho Ganho, Rui Frota, e o Pierino. Deste grupo nasceu a equipa pioneira de hóquei em patins júniores do Atlético Clube de Moçâmedes e do distrito, usando os patins e equipamento da fugaz equipa pioneira de seniores.

Em seguida (1952) é criada a equipe de júniores do Sporting Clube de Moçâmedes, com os irmãos Quim e Carlitos Guedes, os irmãos Castro Alves, o Nono Baulleth, o Artur Trindade, o Alvarinho Ascenso, e ainda o Rui Mangericão e o Maló de Abreus que entretanto haviam saído do Atlético para a esta equipa.

Quase ao mesmo tempo, surge a equipe de hóquei em patins juniores do Independente de Porto Alexandre, com Venâncio, Parente, Mário Lopes, Hernâni Silva, Baptista, Faustino, Zequinha Carvalho e Humberto Tendinha. Nessa altura nenhum clube possuia equipe de hóquei sénior.


3. O PRIMEIRO JOGO (juniores)
O 1.ª jogo de hóquei em patins no distrito de Moçâmedes foi efectuado entre o Independente de Porto Alexandre e Atlético Clube de Moçâmedes, na classe de júniores e no campo de jogos do Independente, tendo saído vencedor o Atlético. Sobre este jogo vou deixar aqui uma curiosidade: Porto Alexandre nessa altura ainda não possuia luz eléctrica e os jogos tinham que ser efectuados antes do anoitecer. A equipe do Atlético saira de Moçâmedes rumo a Porto Alexandre às 7 manhã com tempo de sobra para chegar a horas ao jogo, marcado para as 4 hs da tarde. Chegada a hora, com o campo apinhado de gente, os jogadores ainda não haviam chegado. A carrinha de caixa aberta que os transportava na carroçaria por aquela estrada de terra solta, comendo pó o caminho todo partira o veio de transmissão e só chegara a Porto Alexandre 12 hs mais tarde, era já noite. No campo de fronte à Igreja e junto à praia, ninguém havia arredado pé, e este 1º jogo acabou por decorrer à luz de candeeiros de petromax o que obrigava a que de vez quando o jogo tivesse que parar para se dar à bomba nos referidos candeeiros. Nesta época, uma viagem de Moçâmedes a Porto Alexandre (100 km), em estrada não asfaltada, demorava cerca de 3 /4 horas, e se fosse efectuada na carreira da empresa de Zé de Sousa (Sousa & Irmão), chegava a levar 6/7 horas. Curioso era também o método como se efectuava o contacto telefónico em pleno deserto entre a carreira e a respectiva oficina Sousa e Irmão em Moçâmedes: o motorista, na passagem pelo «Buraco» (zona a meio do caminho onde o terreno faz uma depressão), saía da carrinha com um telefone na mão, subia ao tejadilho e ligava-o à linha telefónica! Estava o assunto resolvido.

Nesse 1º jogo alinharam pelo Atlético: Leston Martins, Henrique Minas, Arménio Jardim, Tolentino Ganho e Pierino Nobrega, e pelo Independente de Porto Alexandre: Venâncio, Parente, Mário Lopes, Hernâni Silva, Zequinha Carvalho, Humberto Tendinha, Abel Lopes e Alvaro Faustino

4. A primeira equipa de Moçâmedes a jogar fora de portas



A primeira equipa de Moçâmedes a jogar fora de portas foi a equipe de júniores do Atlético Clube de Moçâsmedes, em Nova Lisboa (Huambo), no ano de 1953, onde foram mais uma vez os ganhadores. Antes haviam vencido o Independente de Porto Alexandre tanto em Moçâmedes como naquela vila. A equipa do Atlético era contituida por Leston Martins, Henrique Minas, Arménio Jardim, Tolentino Ganho e Pierino. 
5. A NOVA EQUIPE DE SENIORES DO ATLÉTICO CLUBE DE MOÇÂMEDES


De um ano para outro e por falta de regulamentação adequada, estes miúdos deram um salto em altura, e passaram de júniores a séniores, passando a equipe de Atlético a ser assim constituída: na baliza, Alvaro Jardim (Chamenga) em substituição de Leston Martins que se ausentou da cidade, Henrique Minas (defesa), Arménio Jardim (médio), Tolentino e Pierino (avançados).

O primeiro jogo de hóquei em patins séniores desta equipe deu-se entre o Atlético Clube de Moçâmedes e uma equipe representativa da cidade de Sá da Bandeira, tendo vencido o Atlético. Sá da Bandeira possuía vários Clubes e alguns elementos desses clubes como Zeca Araújo e Calota Fontoura encontravam-se em Moçâmedes em férias balneares, reuniram-se, formaram uma equipe (espécie de selecção), e jogaram não só contra o Atlético Clube de Moçâmedes mas também contra o Sporting. No jogo contra o Atlético foi este o clube vencedor.

Os tempos decorridos de 1954 até 1960, época em que começaram os campeonatos de Angola de hóquei em patins foram tempos interessantes em que se viveram momentos gloriosos desta modalidade na cidade de Moçâmedes. As equipas do Atlético, do Sporting e até do Benfica aproximavam-se muito umas das outras e mantinham um alto nível de competição que dava gosto ver, recheadas que se encontravam de magníficos oquistas, sobretudo nos dois primeiros clubes, e os encontros rodeavam-se sempre de forte emotividade. Os campos do Atlético e do Sporting enchiam-se de adeptos, gente de todas a idades, homens e mulheres que afluiam em massa para ovacionarem as suas equipes preferidas. Eram apenas jogos particulares entre equipes moçamedenses, numa época em que actividade desta modalidade não durava mais que três meses em cada ano, e em que os jogadores de hóquei praticavam também basquetebol e até futebol para estarem sempre envolvidos.

Os hoquistas de Sá da Bandeira, na altura, consideravam-se os senhores do oquei em patins do sul Angola e ficaram admirados com a habilidade e o nível alcançado pelos jovens de Moçâmedes. Desta época transcrevo aqui um texto de um dos melhores oquistas de Sá da Bandeira, o Zeca Araújo (...)

A modalidade de hoquei em patins do Independente Clube de Porto Alexandre durou muito pouco tempo com ida de Mário Lopes, Hernâni Silva para o Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira para prosseguirem os estudos, uma vez que aquela vila, nessa altura, sequer possuía o secundário e Moçâmedes não possuía ainda a instituição liceal. A velha ideia de que a escola deveria estar em consonância com as actividades comerciais e industriais das cidades, prejudicou as suas gentes. Na óptica do lesgislador as vilas e cidades dedicadas à industria da Pesca, não precisariam de doutores…mas sim de profissionais mais ou menos aptos para tudo quanto andasse à volta de ramos como o comércio e a indústria. Mas voltemos ao assunto que interessa, o oquei em patins.

Em 1960 dá-se o 1º campeonato de seniores de Angola, em Luanda. Nesse 1º campeonato coube ao Sporting Clube de Moçâmedes a representação da cidade do Namibe, com uma equipe constituida por Calo, Briguidé, Carlitos e Quim Guedes, Rui Sampaio e Rui Mangericão. Participaram nesse campeonato as equipes da Casa do Pessoal do Porto do Lobito e do Hóquei Clube do Huambo. O clube vencedor foi o Benfica de Luanda no qual alinharam Fernando Cruzeiro, Roque (baliza), Marques (defesa) Fernando Cruzeiro (Médio) Arménio Jardim e Filipe (avançados).

Nessa altura o Atlético Clube de Moçâmedes estava sem equipe com os primos Jardins, Carlos, Alvaro e Arménio na tropa, o 1º em Nova Lisboa a alinhar pelo Benfica daquela cidade 2º em Luanda a alinhar pelo Benfica, e com o afastamento pura e simples de Henrique Minas e Zé Adriano. Aliás, o periodo que decorreu entre 59 /60/61, foi um período em que o hóquei seniores moçamedense praticamente desapareceu com a ida para a tropa da maioria dos jogadores dos três clubes da cidade, como foi também o caso dos jogadores do Sporting Quim Guedes, Carlitos Guedes, Mangericão, Briguidé, e Rui Sampaio e do Benfica....

Na tropa em Nova Lisboa Rui Mangericão e Alvaro Jardim, passaram a alinhar pelo Benfica daquela cidade e mais tarde em Luanda, Mangericão pelo Maianga e Alvaro pelo.... E quando a tropa acabou, a maioria não regressou à sua terra, como foi o caso de Rui Mangericão, Chamenga, ... e os que regressaram como foi o caso de Quim Guedes afastaram-se definitivamente.

Entretanto começa a surgir uma nova «fornada» de futuros jogadores...




 
 
5. OS NOVOS VALORES: A "EQUIPA MARAVILHA"

O Atlético Clube de Moçâmedes mais uma vez descobre um grupo de miúdos que andavam a patinar pelas pelas ruas da cidade fazendo corridas com patins e que tinham como seus 'heróis' os hoquistas bons do Atlético e no Sporting Clube de Moçâmedes. Este grupo coeso conseguiu reunir todas as condições que motivaram o aparecimento da célebre equipa "MARAVILHA", sobre a qual irei relatar vários episódios.

Esta equipe do Atlético Clube de Moçâmedes ganhou 4 campeonatos seguidos, de 1962 , 1963 e 1964 como júniores. A equipe de júniores era constituida pelos seguintes jogadores: Laurindo Couto, Laurentino Jardim (Tininho), Carlos Chalupa, Eloy Craveiro, Mário Grauna, Rui Minas, Raul Jardim (Baía), Carlos Brazão (Touro) e Orlando Santos (Camona), salientando-se Couto, o capitão da equipe, Chalupa e Tininho. Arménio Jardim e Henrique Minas foram dois dos treinadores da «equipe maravilha» e ainda José Adriano Borges, Rui Coelho, Álvaro Ascenso e Chibante. Foi de facto uma proeza digna de rasgados elogios,o facto desta equipa ter chegado ao fim de tantas competições sem ter sofrido uma única derrota, o que revelava uma esmagadora superioridade sobre as restantes equipas. O Atlético encontrava-se bem preparado e com um grande espírito de equipa. Os briosos rapazes eram o orgulho da cidade. À sua chegada inúmeras pessoas aguardavam no aeroporto onde dispensaram uma calorosa recepção, tendo em seguida, em várias viaturas, percorrido as ruas da cidade, onde os foram saudados e aclamados. Uma singela homenagem para um feito tão elevado! Não porque os Tri-Campeões não merecessem mais, mas porque porque o pouco que foi feito era já muito em relação às disponibilidades do Clube. Já foi dito aqui neste blog, como sobreviviam os clubes desportivos nessa Àfrica, que de longe era vista com um lugar onde nascia a «àrvore das patacas»... E os Tri-Campeões de Angola, desportistas na verdadeira acepção da palavra, sabiam reconhecer isso! E ficaram satisfeitos à mesma, como se homenagens fora do vulgar lhes houvessem sido prestadas.

Abro aqui um parentesis para referir que em 1962 enquanto a equipe de Júniores do Atlético Clube de Moçâmedes vence o campeonato de Angola, a equipe de oquei seniores do Atlético fica em 2º lugar no Campeonato de Angola Séniores de Hóquei em Patins. Que no ano de 1963 esta equipe do Atlético sobrevivia com alguns dos seus jogadores como Arménio Jardim e alguns elementos recém chegados como Arménio Minas, Guto, .... E que em 1964 esboroa-se totalmente com a transferência de Arménio Jardim para o Banco de Angola em Luanda, onde passa a alinhar pelo Maianga. Nesta fase, como referido atrás, é a «equipe maravilha» a equipe de júniores do Atlético Clube de Moçâmedes que brilha, ganhando 4 campeonatos seguidos, de 1962 , 1963 e 1964.

No ano de 1965, os júniores subiram a séniores e ganharam com grande brilho e autoridade o quadrangular das Festas do Mar, goleando fulminantemente todos os adversários.

Casa Pessoal Porto do Lobito 16 - 3
Ferroviário de Nova Lisboa 8 - 1
Sporting da Maianga -Luanda 6 - 2
Marca total 30 - 6 Média por Jogo 10---2
 
Os hoquistas júniores de Moçâmedes, considerados os melhores de Angola, pretendiam exibir-se na Metrópole a disputar o Campeonato Nacional (ou taça de Portugal), onde as equipas vencedoras de Angola e de Moçambique deveriam estar presentes. Contudo, pr essa altura toda a «equipe maravilha» ia partir para tropa. Uma situação que a Direcção do Atlético se esforçou por contornar, tendo sido para tal feita uma exposição ao Ministro do Ultramar que mereceu a sua concordância. Porém, e infelizmente ,a TAP não dispunha de vagas nos seus vôos, e o Ministro, para compensar, prometeu que a equipe que vencesse em Lisboa iria a Moçâmedes jogar contra o Atlético, o que e facto aconteceu em 1965, coma ida da equipe de Moçambique, o Malhangalene, vencedora em Lisboa. 
 

Escusado será dizer que a jovem equipa do Atlético foi mais uma vez a vencedora, e agora pelo esmagador resultado contra a equipa moçambicana, de ...

No ano de 1966 com o seu ingresso em massa no Serviço Militar, a jovem «equipa maravilha» acabaria por se desmantelar para sempre, ficando dela e destes jovens para sempre, a triste recordação de uma carreira que acabaria por ter tanto de fulgurante como de demasiado rápida. E o Atlético Clube de Moçâmedes deixou de ter qualquer representatividade na modalidade de hóquei em patins. Foi o Sporting Clube de Moçâmedes quem representou Moçâmedes no Campeonato de Angola séniores.
 
 
 
De novo, a equipa do Atlético Clube de Moçâmedes com Arménio, Laurentino, Zé Adriano (treinador), Camacho, eEmbaixo: Alvaro Ascenso, Psico, Briguidé e Carlos Chalupa.
 
 
Entretanto, em 1967, a equipe Atlético é totalmente transformada. Da nova equipe passam a fazer parte: Briguidé, Álvaro Ascenso, Carlos Chalupa ( o único sobrevivente da «equipe maravilha» que se manteve no serviço militar em Moçâmedes), Arménio Jardim e Rui Sampaio, tendo como suplentes, Magareth, Psico e.... É esta equipe que vai a Nova Lisboa (Huambo) disputar o campeonato de Angola em que o Atlético Clube de Moçâmedes volta de novo a ser campeão, proeza efectuada após uma meia dúzia de treinos.

Em Lourenço Marques... em 1967  a equipa de hóquei em patins seniores do Atlético Clube de Moçâmedes começou a renascer das cinzas e vence o Campeonato de Angola, e vão ao Campeonato Nacional de Hóquei realizado em Lourenço Marques (Moçambique).
Da esq. para a dt. Em cima: Arménio Jardim, Dirigente, Álvaro Ascenso, Laurentino Jardim e Carlos Chalupa. Um pouco atrás, Rui Sampaio.

Equipa de Hóquei em Patins do Atlético Clube de Moçâmedes, campeã de Angola 1967, no Nacional de Hóquei realizado em Lourenço Marques (Moçambique).
Da esq. para a dt:Em cima: José Adriano Borges (treinador), Álvaro Ascenso, Arménio Jardim, Eloi Craveiro e Argentino Matos.
Embaixo: Carlos Chalupa, Carlos Brazão,(Touro) Briguidé e Rui Sampaio.
 
Em 1967 que a equipa de hóquei em patins seniores do Atlético Clube de Moçâmedes começou a renascer das cinzas e vence o Campeonato de Angola, e vão ao Campeonato Nacional de Hóquei realizado em Lourenço Marques (Moçambique).
Da esq. para a dt:
Em cima: Arménio Jardim, Dirigente, Álvaro Ascenso, Laurentino Jardim e Carlos Chalupa. Um pouco atrás, Rui Sampaio.

 
 
 
 
 
 
É também nesse ano (1967), que o Atlético Clube de Moçâmedes vai disputar pela 1.ª vez o Campeonato Nacional em Lourenço Marques, tendo alinhado como suplente, Laurentino Jardim ( outro sobrevivente da «equipe maravilha», então de licença do serviço militar que estava a fazer no Lubango). Ganhou o Sport Lisboa e Benfica.

A partir 1968 os Campeonatos de Angola mudam de metodologia. Até 1967, eram normalmente disputados em Luanda, Lobito e Nova Lisboa, com prevalêcia e vantagens para Luanda, ficando Moçâmedes sempre de fora e em desvantagem. A partir de 1968 passaram a ser disputados em duas mãos, um jogo em casa, outro fora. Foi a partir daí que os Moçamedenses começarm a ver o Atlético jogar com equipes de fora na sua terra, tais como o BCA, o Sport Luanda e Benfica, o Ferrovia, etc., e passaram a viver a glória do oquei em patins.

No ano de 1968 a equipe do Atlético recompõe-se com Arménio, os sobreviventes da antiga de júniores «equipe maravilha» reduzida à dupla Chalupa e Laurentino Jardim..., e irá alternadamente ganhar, nos anos de 1969 e 1971, os campeonatos Angola. Finalmente, em 1972, com a partida de Carlos Chalupa e de Laurentino Jardim para Luanda para as equipas do Banco Comercial e do Benfica, enquanto o veterano Arménio retira-se, chegam ao fim dos tempos áureos do Atlético e do hóquei patins de alto nível em Moçâmedes.
 
 

Arménio Jardim, o capitão da equipa do Atlético, seguido dos seus companheiros, faz a entrada no campo de jogos, passando entre alas formadas pelos hoquistas da equipa adversária, a equipa da casa do Pessoal do Porto do Lobito.
 
No final do Jogo entre a Casa do Pessoal do Porto do Lobito e o Atlético Clube de Moçâmedes em que o Atlético se sagrou Campeão de Angolade Hóquei em patins 1969 . Este jogo teve a particularidade de no decurso do jogo a orquestra "Diabos do Ritmo", instalada no cimo de um camarote, sempre que o Atlético metia um golo arrancavam uma música....
 
 Arménio Jardim, capitão da equipa do Atlético a ser entrevistado por José Manuel Frota, do Rádio Clube de Moçâmedes, no final do jogo que deu a vitoria à equipa do Namibe. Por detrás Guilherme Jardim, e à direita, Fernando Vilaça, na altura Presidente do Atlético Clube de Moçâmedes.
 
 
A equipa do Atlético Clube de Moçâmedes exibindo as campeonissimas faixas, posa para a posteridade no final do jogo que lhe deu a vitória neste Campeonato de Angola de 1969...
Da esq. para a dt. Em cima:Fonseca (Direcção), Laurentino Jardim, Nito Gomes Freitas, Vasco Luz, Camacho, Arménio Jardim e José Adriano Borges (treinador). Embaixo: Ginho Chalupa. Moura (Psico),Leonel Oliveira (Briguidé), Carlos Chalupa e Alvaro Ascenso.
 
MariaNJardim


Equipes de Basquetebol Feminino do Sporting / Atlético / e Benfica (pioneiras):Moçâmedes/actual Namibe




Independente de Porto Alexandre. Anos 1950


Sporting Clube de Moçâmedes

Atlético Clube de Moçâmedes




1ª foto: Equipe feminina do Independente de Porto Alexandre. De cima para baixo e da esq. para a dt. podemos ver:em cima: ?, Manuela Costa, Carlitos Oliveita (treinador), Bernardette, Ernestina CoimbraEm baixo: Rosa Gancho, Clélia Viveiros e as irmãs Odete e ...Goelas

2ª foto: Equipe feminina de Basquetebol do Sporting Club de Moçâmedes, em 1954,
onde pode ver-se em cima, da esq para a dt, para além de José Pedro Bauleth (Treinador): Maria Julia Maló de Abreu (Pitula), Fátima Martins , Claudia Guedes e Julia Castro. Em baixo: Leontina Edith Pinheiro (Pequenina), Noelma Coelho, Orlanda Martins (Pequenó) e Antonieta Osório.
3ª foto: Equipe feminina de Basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes no ano de 1954, onde pode ver-se em cima e da esq. para a dt: Júlia Jardim, Claudete Figueiredo, Esmeralda Freitas, Maria Gouveia, Celeste Ornelas e Tó Gomes (treinador). Em baixo, da esq. para a dt. : Leonilde de Sousa (Nide), Maria Augusta Gouveis e Susete de Freitas.
4ª foto: Equipe PIONEIRA de basquetebol feminino no distrito de Moçâmedes: o Sport Moçâmedes e Benfica (1944). Nesta altura, na modalidade de basquetebol feminino, apenas existia o Sport Moçâmedes e Benfica o que o levou este clube a criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela fazem parte:Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria GuerraEm baixo: Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato
.





Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Augusta Gouveia (irmãs Tito, que haviam integrado, em meados da década anterior, a equipe pioneira de basquetebol feminino, o Benfica). Nesta altura, o Benfica passou a contar com Clarabela Trindade, uma das basquetebolistas de referência daquela equipe. A última equipe de basquetebol feminino a sugir foi a do mais antigo clube da cidade, pioneiro na modalidade de futebol (1919) em todo o distrito, o Ginásio Clube da Torre do Tombo, por iniciativa do treinador Manuel Inácio dos Santos. Para a fomação desta equipe, contribuiu a saída das irmãs Francelina e Helena Gomes, do Atlético para o Ginásio e a integração na equipe, vindas de Sá da Bandeira de Helena Santos e a irmã (filhas de Manel Inácio dos Santos).
Gostaria ainda de deixar aqui expressos os nomes de basquetebolistas moçamedenses que não foram aqui mencionados e que deram o seu cotributo para a modalidade na cidade e no distrito:
SPORT MOÇÂMEDES E BENFICA: Minelvina Cruz, Lurdes Teixeira, Lurdes Tavares, Margarida Tavares, Esmeralda Figueiredo, Manuela Costa, Ana Rosa, Alice, Ana Conceição, Maria dos Prazeres, Amélia Castro, Ana Rosa, Ivone Benardino, Marísia Pestana, Maria dos Prazeres, Maria do Céu Jardim, Carla Almeida Frota... ( a completar)GINÁSIO CLUBE DA TORRE DO TOMBO: Ricardina Lisboa, Cidália Calão, Rosa Seixal, ( a completar)SPORTING CLUBE DE MOÇÂMEDES: Bernardete Diogo, Zete Coelho...( a completar)ATLÉTICO CLUBE DE MOÇÂMEDES: Susete Moura ( a completar)INDEPENDENTE CLUB DE PORTO ALEXANDRE: Placitina Viveiros, Luisa Sena, Margarida Gomes Mamedes, Ana Julia Silva , Maia José Gomes.... ( a completar)
Ver aqui
centenas de fotos sobre as diversas modalidades desportivas em Moçâmedes.

Aproveito para fazer referência ao livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes», livro ilustrado e muito bem documentado, que constitui um contributo valioso para a história do desporto em Moçâmedes, na época da colonização portuguesa. O autor: Mário António Gomes Guedes da Silva

Alunos e Professores da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes/actual Namibe: ano 1972


Na 1ª foto a Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique inaugurada no ano de ....
Na 2ª foto, finalistas e professores da Escola no ano 1972.

retirada de www.sanzalangola.com

Entre outros, reconheço: Bonvalot, o 6º da dt. para a esq. (em cima), e à frente, Lito Abreu. Na 1ª fila, à esq.: a Dra Isabel Serrano, o Dr. Balsa, o Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira (de bata branca), professor de Físico-Quimicas e Mercadorias.
Mac-Mahon foi o professor mais carismático que passou pela Esola Comercial e Industrial de Moçâmedes e que marcou a vida de muitos estudantes. «Anjo e demónio», tanto era capaz de dar uma classicação de 19 valores como um «zero». Ficou célebre um exame da cadeira de «Mercadorias»:
O aluno Faroleiro foi «espremido até ao tutano» no referido exame e no final mandado sentar. A seguir o Mac-Mahon chamou a aluna Manuela e na primeira pergunta mandou-lhe descrever o «encadeamento das indústrias». Quando esta aluna começou a gaguejar, o Mac-Mahon virou-se de novo para o aluno Faroleiro, que já tinha obviamente terminado o seu exame, e mandou-lhe descrever também o mesmo «encadeamento das indústrias». Assustado, o Faroleiro disse: - ó sôtor, eu já
fiz o meu exame! Responde o Mac-Mahon: - está a contar... está a contar... Foi a debandada geral de todos os alunos que já tinham terminado os seus exames e que se encontravam na sala apenas a assistir aos restantes exames.
No entanto, Mac-Mahon era um professor capaz de «dar a camisa» a qualquer aluno que necessitasse de ajuda... Uma questão de ser e estar ....

Dele assim falam os que foram seus alunos:

«... Só havia um professor por quem esperávamos depois do 2º toque - o Mac Mahon - se fossemos embora ele virava bicho e não se ensaiava nada em distribuir umas galhetas pelos alunos. Também não marcava falta a quem chegasse tarde. Entrávamos na sala só não podíamos dizer nem Bom Dia nem Boa Tarde - estávamos proibidos para não interromper a aula. O Mac era um homem tão bruto como bom. Tinha um coração de pomba. Se via um aluno com os sapatos rotos tirava dinheiro do bolso e mandava-o comprar uns sapatos apresentáveis. Gozava com os contínuos quando eles iam lá ler os comunicados da MP porque exprimiam-se mal. Dizia , lá vem um Kaitô ler uma folha de papel. Quando faltávamos às aulas dele ia-nos buscar de Mini Moke à praia - e ai de quem ousasse em recusar a boleia forçada!!! ....»
«....
O "Mac" era um professor fantástico- um touro com coração de pardal - pagava-nos bilhetes para o cinema e vinha buscar-nos de Mini Moke à praia quando faltávamos às aulas...» By Kady Press in Mazungue


Eduardo Brazão-Filho (Mossungo).







Escritor e poeta, Eduardo Brazão-Filho (Mossungo), nasceu em Moçâmedes (actual Namibe), no dia 06 de Novembro de 1937. Mossungo pode ser compreendido no quadro de uma geração que ficou conhecida, como a «Geração da Utopia» (*),  a geração de Pepetela, e outros tantos que acreditaram no sonho de uma pátria independente e unida, onde todos juntos, independente de raças superariam dificuldades e construiriam uma sociedade mais justa e fraterna, liberta da fome, da exploração e da miséria. Esse sonho que Mossungo viu ruir a partir de 1982, com o fim das utopias e que se extinguiu completamente com a adopção de novos paradigmas neoliberais.

A partir do ano de 1982, Mossungo exilou-se da pátria que amava, da terra que o viu nascer e jamais viria a esquecer, tendo a ela regressado em 2002, 20 anos depois, para alí falecer um mês depois, a 16 de Fevereiro de 2002 .
 

Deixo aqui este artigo de Cláudio Frota sobre este grande poeta moçamedense  que foi Eduardo Brazão-Filho (Mossungo):
"Mossungo/Moçâmedes/Namibe

Tive o privilégio de conhecer um grande poeta angolano chamado Eduardo Mossungo. A sua alma estava encarcerada nas memórias da terra que o viu nascer. Vivia amargurado num Portugal que não lhe trazia qualquer razão de viver e a sua vida decorria sem objectivos de futuro. Ansiava pelo dia que teria de pôr fim a esse desterro. E esse dia chegou. Estive com ele dias antes de partir. Disse-me que ía regressar a Mossungo, a sua Terra. Pouco tempo sobreviveu. O chão onde nasceu acolheu-o no seu seio num abraço eterno ao filho pródigo e amado. Foi um poema que nunca pôde escrever. Mas os seus amigos, aqueles que admiravam a sua luta, o seu amor, a paixão, nunca poderão esquecer o exemplar sentimento que nos legou.


Mossungo, Moçâmedes, Namibe, três fases no tempo. O mesmo mar piscoso e o mesmo deserto de microclima temperado. A pesca e a agro-pecuária em desenvolvimento galopante. Um casamento perfeito entre e Terra e o Mar. Dois povos pacíficos que se tornaram irmãos e que caminhavam lado a lado em direcção ao futuro que se visualizava promissor e feliz num progresso surgido no confronto de duas culturas que se apuraram no aproveitar útil de todas as suas capacidades em convivência pacífica. Por fim uma cidade que foi crescendo, filha desse Mar e desse Deserto, construída a pulso, onde abundavam as indústrias, as escolas que levavam o ensino a toda a população citadina e suburbana, o liceu, os clubes desportivos, os parques, o cais comercial e o de embarque de minério onde acostavam os maiores navios do mundo. E tudo isto fruto duma colonização que só pode ser exemplar pelo esforço, pela dedicação e pelo trabalho de todos e não pela devassa do burguês dissoluto como alguns querem fazer crer. Valeu o esforço, o sacrifício e o afecto do Homem na obra feita.


Este texto é uma homenagem a todos aqueles que lá viveram, construíram em Mossungo/Moçâmedes a sua Casa, desbravaram com charruas e enxadas o seu Chão, lançaram as suas linhas e redes no seu Mar generoso. Nos desalentos mais profundos foram buscar ânimo ao lema de Bernardino, o fundador: "vence, quem perseverar até ao fim", transformaram um pedaço de deserto em cidade e viram crescer a obra glorificada pelo trabalho árduo duma vida: a cidade de Moçâmedes. (Labor Omnia Vincit). 


A Eduardo Mossungo, pseudónimo de Eduardo Brazão Filho: ele era o afecto, o exilado desesperado pelo regresso, a expressão mais sentida do Amor que alguma vez alguém sentiu pela sua Terra: a cidade de Mossungo, que segundo ele, poderia ser a nova e a mais apropriada designação para a cidade de Moçâmedes, quando Angola deixasse de ser colónia portuguesa. No entanto, logo no primeiro governo da nova República independente (República Popular de Angola) apareceu alterado o nome para cidade do Namibe.

A Namibe (cidade) o desejo que o desenvolvimento torne àquele espaço para que não seja o Namibe (deserto) a fazê-lo com as suas areias.

(posted by Cláudio Frota in Memórias e Raizeswww.memoriaseraizes.blogspot.com
) 

Eduardo Brazão-Filho, encontrava-se inscrito na União o dos Escritores Angolanos e da sua obra em poesia e prosa, na maioria inédita, contam a «Cidade e Sanzala» publicada em Dezembro de 1972, na cidade do Sá da Bandeira/Lubango. Deixou para publicar os seguintes livros: «Amar Angolamente» (poema de exílio), «Pelos Horrores da Guerra» (poesia), «Batuque, Amor e ... Traição», «Mukandas» (em versos Poemas de Ontem, Hoje e Àmanhã), «Meu Sonho de País«, «Parnaso» (poesias e sonetos). Em prosa temos: «Tchango e Tchango Tchango», «Dona Mikota e os seus passarinhos de estimação» e «O Exilado ou Diário do Absurdo de Si Mesmo». Seguem alguns dos poemas de Eduardo Brazão-Filho:

Existe um blog recente na net, para quem estiver interessado em saber mais sobre
Eduardo Brazão-Filho: http://mossungo.blogspot.com/ do qual retirei alguns dos seus belos poemas para colocar aqui bem como a foto do saudoso poeta moçamedense:



Fraternidade

Meu irmão branco, meu irmão negro,
A cor da nossa pele
É o desencontro de continentes
Colocados no mesmo mundo

Aqui estamos
Erguendo o estandarte da fraternidade
Unindo o desencontro dos continentes
Num mundo melhor.

Em cada uma das raças
O mesmo ideal de universalidade
Nos toca e nos anima
A desfazer preconceitos.

Numa taça de ouro ou numa taça de barro,
O nosso brinde selará o encontro
Dos nossos continentes
E a fusão das nossas raças

Meu irmão branco, meu irmão negro,
Perpetuamos o testamento
Deste ideal gigante
Por todas as gerações sem continentes.

Eduardo Brazão-Filho (Mossungo)
“Cidade e Sanzala”, 1972


Amar Angolanamente XX


Estou mas não sou da Europa
dos meus antepassados.
Sou África gigante;
Serei a pele do tambor gritante
que o imortal Neto descreveu outrora.

Não me encontro na cor
duma razão buscada;
minha Pátria é o solo onde nasci.
pelo meu Povo sofri
para a ver Libertada.

No punho erguido
sigo a flâmula progressista.
Eis minha razão buscada:
Sou um encontro no mundo - a pele do tambor esticada
do tantam imortal
repercutindo na harmonia dos tempos
em som triunfal
a dignidade de ter uma Pátria
sem igual !

Eduardo Brazão-Filho (Mossungo)
"Amar Angolanamente - Poemas de Exílio", inédito,


ÁFRICA MINHA CANTORA

Guitarra, que estás tocando ?
Não vês a cor do luar ?
Não vês a cor do Sertão ?

Não vês a erma magia
Romântica Tentação
Desta Angola que nos criou
E nos toca o coração ?

Repara a ganga infiltrando
Em selvagem natureza
O feiticeiro espeldor ;

Ouve o cantar das viuvinhas,
Dos chacais ouve os latidos ;
Vê o clarão das queimadas
E o romper das madrugadas
Em quadros belos... perdidos...

Guitarra, que estás tocando
Nesta noite de luar ?
Não vês para além das chamas
As mucaias a gingar ?
Olha as sombras africanas
Brincando sob o palmar...

Ouve o rugir do leão
Ouve o chorar duma hiena
E verás quão bem pequena
É tua voz no Sertão !

E quando vires o manto
Do grande Zaire entre as relvas...
Pára guitarra teu canto
E deixa cantar as Selvas

Eduardo Brazão-Filho (Mossungo) 1972




Filho branco de Angola, assumidamente progressista  e lutador pelo seu povo, em Mossungo sente-se África pulsar-lhe no sangue de uma forma tão sentida e tão intensa que até arrepia. E não só a África-terra, acima de tudo a das suas gentes. A sua poesia soa como um grito na defesa dos oprimidos,  das condições materiais e espirituais do seu povo, da sua nação, de todas as ânsias, sofrimentos, esperanças, realidades, revoltas. Trata-se de uma poesia de resistência, uma forma bela de manifestar o seu protesto, a de lutar cantando!
 
 

Alunos da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique: Moçâmedes/actual Namibe 196?




























Alunas da Escola Comercial de Moçâmedes/actual Namibe: 1959

Nesta foto tirada no antigo edifício da antiga Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes (ex-Escola de Pesca e Comércio), podemos ver, de cima para baixo e da esq. para a dt, entre outras:
Em Cima: Ana Maria Montenegro, Conceição, Fátima, Clotilde, América, Isabel e Rosário
Em baixo: Lúcia e ?