Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome e proveniência do autor, sendo considerado PLÁGIO quem não as respeitar. MariaNJardim

07 novembro 2016

Raul Radich Junior









RAUL RADICH JÚNIOR



A terra que me tem e que me guarda os ossos
É a mesma que amei e que servi!,
Aquela onde nasci
E onde sempre medi
Os homens por colossos!

Amei a minha terra como ama
A luz seus brilhos!
Foi para mim orgulho, honra e fama
Ter sido, embora humilde, um dos seus filhos!
Por ela me nasceram sonhos de riquezas,
E a alma se me abriu de toda fascinada:
Ah!, vê-la transformada
Na mais rica e feliz das terras portuguesas!
Lutei conforme pude
E a ela me entreguei sem outro norte
Que servi-la com honra e com virtude
Do berço até à morte!
A vida, à terra, dei-a
Com sonho e com labor
Na grande maré cheia
De todo o meu amor!
Quando tombei,
Tive-a no pensamento!
E lembro-me que chorei,
Nesse momento!



( Angelino da Silva Jardim )


  


Texto da Homenagem prestada ao Raul Radich
Júnior, a 1 de Agosto de 2004 no Encontro anual
em Caldas da Rainha.
in: Adimo

27 outubro 2016

Inauguração do Estádio Municipal de Moçâmedes, em 26 de Novembro de 1972






Inauguração do Estádio Municipal de Moçâmedes (actual Namibe) «Telmo Vaz Pereira», em 26.11.1972.



Estávamos a 3 anos da independência de Angola, quando finalmente Moçâmedes passou a dispôr de um novo Estádio Municipal: o "Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira", no local conhecido por "furnas de Santo António". Este local, que ficava perto do antigo campo de aviação, foi aproveitado para o efeito por se tratar de um baixio que se adaptou perfeitamente àquela construção. Uma curiosidade: era para essas "furnas" que em tempo de cheias do rio Bero escoavam as águas que transbordavam do leito,
quando as margens do rio ainda não se encontravam reguladas.


 

                            Descerramento da placa comemorativa pelo Governador do Distrito de Moçâmedes.
 
 Na bancada de honra: o Governador do Distrito, Luís Gonzaga Bacharel, Presidente interino da Câmara Municipal de Moçâmedes, o Eng.Alípio Pinheiro da Silva, Lourdino Tendinha, Presidente da Câmara Municipal de Porto Alexandre.
Sentadas: as respectivas esposas



Este dia, para além da cerimónia tradicional de descerramento da placa comemorativa pelo então Governador do Distrito de Moçâmedes, foi marcado por um desfile de atletas de todas as modalidades desportivas, e ainda por um jogo de futebol disputado entre o Independente de Porto Alexandre e o Varzim Sport Clube. A partir de então, atletas e espectadores passaram a dispor de melhores condições e a cidade em geral passou a beneficiar de instalações mais compatíveis com a época e as necessidades crescentes do um distrito em permanente evolução.







  Desfile de atletas de todas as modalidades no dia da inauguração do Estádio Municipal «Telmo Vaz Pereira», dia 26 de Novembro de 1972



Para trás ficaram os campos de terra batida e sem condições onde se efectuavam os encontros de futebol, primeiro em frente ao edifício dos Caminhos de Ferro, em seguida no largo um pouco mais ao fundo, com bancadas e balneários rudimentares, e inadequadas ao tempo.


Os clubes no distrito de Moçâmedes, sem quaisquer subsídios por parte do Estado e das Câmaras Municipais, foram até ao fim da colonização portuguesa, carentes de recursos materiais, e iam sobrevivendo na dependência das quotizações dos seus sócios, das poucas receitas dos jogos que se iam efectuando, e de outros mecanismos como o bingo (quino), festas, etc... Restava o esforço e empenhamento dos atletas, a «carolice» e dedicação de uns quantos, que nas horas de lazer se dedicavam à causa clubista, bem como o incentivador calor dos aplausos das gentes de Moçâmedes no momento dos jogos.  
Nunca é demais lembrar que em Moçâmedes os pioneiros do futebol partiram para estas lides adquirindo equipamentos com o seu próprio dinheiro, que suportaram todos os sacrifícios e limitações, treinando e jogando em campos de terra batida, em péssimas condições e que nunca se deixaram vencer, fazendo rejubilar de alegria uma cidade inteira. 
Nunca é demais lembrar que desses mesmos campos sairam «vedetas» que foram alimentar o desporto desta modalidade noutras paragens longínquas, levando consigo o nome da cidade, e de Angola. Um exemplo, talvez o máximo, foi Fernando Peyroteo, conhecido por «o pé de canhão», que fez parte dos célebres «cinco violinos» do Sporting Clube de Portugal e da Selecção Nacional e que figurou entre os melhores do desporto português de todos os tempos, chegando a ser seleccionador nacional o ano de 1961. Fernando Peyroteo era natural da Humpata-Angola e inciou-se no futebol em 1832, aos 14 anos, no Atlético Clube de Moçâmedes. E já em meados do século XX, nomes como de João Luis Maló de Abreu que começou em Moçâmedes, sua terra natal, a sua actividade futebolística e que se revelou um grande guarda-redes na Académica de Coimbra, quando para aquela cidade se deslocou para prosseguir os estudos, onde se formou, e onde hoje é conhecido como o Professor Dr. Maló, catedrático da Faculdade de Medicina, principal responsável pela criação do Curso de Medicina Dentária.  
E já próximo da independência de Angola as gentes do distrito rejubilaram com a grande proesa do Independente Clube de Porto Alexandre, que foi não só o único Clube do distrito  a ganhar o Campeonato de Futebol de Angola, como a vencê-lo por três anos sucessivos (1969, 1970 e 1971), tendo ficado na posse da monumental taça «Cuca». Uma vitória estrondosa que ficou a dever-se ao esforço abnegado dos seus jogadores e do seu jogador-treinador, Manuel Gancho e de dirigentes tais como Rui Filipe Barreto de Lara e Manuel Trocado. Dessa equipa tri-campeã de Angola fizeram parte: Gavino, Gancho l (treinador e capitão), Gancho ll, Fernando, Cardeal, Quicas, Estrela ll, Estrela l, Osvaldo Bastos, Armandinho, Mário José, Castro, Agostinho e Neto.

Apesar do Independente ter sido um dos clubes pioneiros no desporto do Distrito, durante muito tempo este clube viu bloqueadas as suas aspirações de ir mais além, na medida em que não possuía instalações, e o campo de que passou a dispor para os treinos de futebol, a partir de 1953, reduzia-se a um areal nas traseiras da antiga Delegação Marítima. E também, porque as deslocações semanais a Moçâmedes para participarem nos campeonatos distritais exigiam um grande espírito de sacrifício aos seus jogadores, dado a morosidade e penosidade dos percursos até à década de 50,  uma vez que tinham que atravessar o deserto em incómodas camionetas que chegavam a demorar 4 ou mais horas para percorrer apenas 100 km. Seria caso de nos interrogarmos: o que seria então o Independente, se este clube pudesse disponibilizar aos seus desportistas as condições existentes hoje nos países avançados?


Para texto mais completo sobre Futebol em Moçâmedes, ver aqui: 
 http://memoriasdesportivas.blogspot.pt/2007/11/blog-post_5439.htm


 
Nota: Após ter sido publicada esta postagem, recebi um contacto de alguém que me informou, que, não obstante  de início,  o nome escolhido ter sido "Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira", tal não se concretizou.  Manteremos contudo o nome, enquanto aguardamos uma clarificação do assunto, pois não me souberam esclarecer. No livro de Mário Guedes da Silva sobre o desporto moçamedense , consta o "Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira".

25 março 2016

Poema "Encontro", de Angelino da Silva Jardim


Foto: O Clube Nautico (Casino) de Moçâmedes (Namibe), em dia de "calema", num tempo em que a "Praia das Miragens" ainda não possuia as suas arcadas...





ENCONTRO


Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!
Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!
Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!
E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!
E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!
De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!


(Angelino da Silva Jardim)
.............................................................................



Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

24 fevereiro 2016

Concha Pinhão in "Sabor Amargo Amargo Sabor"



Concha Pinhão, a poetisa, junto do marido, o médico Dr Pinhão, Delegado de Saúde, na época



Moçâmedes, a minha terra e suas suas gentes, foram fonte inspiradora de poetas que por ali passaram, ou que ali nasceram, e nos legaram poemas dignos de serem dados a conhecer ao mundo. tocados pelo sentimento e pelas emoções sentidas e vividas pela acutilância da mensagem que procuraram passar .

É o caso de Concha Pinhão que no seu livro "Sabor Amargo Amargo Sabor" nos mostra  toda exuberância de artista numa Angola que a fascinou quer pela sua majestática beleza quer pelas suas gentes com quem partilhou anos mais dourados  de sua vida.

[Confrat.+Zete.jpg]
Concha Pinhão ( a meio da foto, de óculos escuros) participando num almoço de confraternização do pessoal da Casa de Saúde do Sindicato dos Empregados do Comércio e Industria de Moçâmedes,  juntamente com o marido, Dr Pinhão, Delegado de Saúde 
 


No seu livro "Sabor Amargo Amargo Sabor", a Concha mostra logo de início, toda a exuberância de artista para aquela Angola que a fascinou , quer pelas suas gentes com que partilhou os anos mais doirados da sua vida quer pela sua magestática beleza:


"Tem no corpo cheiro a manga
Braços longos de palmeira
Na boca gosto a pitanga
Saída da Pitangueira"


Seguem mais alguns dos seus poemas:


AQUELA ANGOLA

Aquela Angola Mulata!...
Aquela Angola Mestiça!...
Beleza que às vezes mata
E se não mata enfeitiça!...
"Sabor Amargo, Amargo Sabor"
de Concha Pinhão
Poesia Angolana


NAMIBE
Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.
E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.
Angola 1968


Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»)


EMBONDEIRO

Irei amar-te,
Embondeiro
Meu tronco seco no teu,
Braços que vão pocurar
Outros que buscam o céu,
que nesse monte cimeiro
onde vives desolado,
Vou cobrir teu peito nu.
Com o meu cabelo enrolado!


Na solidão... eu e tu.


Estendo tuas raízes
A dar seiva a quem passa,
Agente que passa a rir,
Fingindo que são felizes
Num mundo todo a ruir.


Ao menino deserdado,
mais pobrinho,
mais sozinho,
Que brinca lá na lagoa,
Dou teu fruto aveludado
Para fazer uma canoa.


Dou o teu ventre fibroso,
A mendigo desditoso,
Por abigo em noite fria;
E as feras mansas, tremendo,
No medo sem companhia.


Nós vamos rindo embondeiro
Desse teu monte cimeiro,
De quem ri da solidão.
De ti, que não vales nada,
Nem dás tábua para caixão


Como é bom ser esse nada!...
Não dar tábua serrada,
Não ser madeira forrada,
A transportar podridão!...

....

Concha Pinhão foi a vencedora do 1º prémio dos Jogos florais das «x Festas do Mar» 1971, com o poema «Embondeiro»
 Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»)


Nota: fotos dispensadas pelo grupo Moçâmedes/Namibe
 No entanto, devo lembrar que pelo facto de estarem disponíveis online não significa que possam ser usadas sem o respeito pelas condições em foram licenciadas. Essa licença CC significa que qualquer pessoa as pode usar desde que: 1) refira claramente quem é o autor da foto; 2) O uso da foto não seja comercial; 3) A obra resultante seja partilhada nos mesmos termos desta licença.



25 julho 2015

VIDEO DA CIDADE DO NAMIBE COM FOTOS RECENTES

Autoria de MARIANJARDIM

22 maio 2015

Para a História do desporto em Moçâmedes (actual Namibe, Angola): O glorioso Atlético Clube de Moçâmedes e os seus pioneirissimos do hóquei em patins







 
Fotos cedidas por Artur Trindade.



Nestas fotos encontram-se os seguintes hoquistas; José Adriano Borges (Zé Adriano), João Luis Maló de Abreu (Nico), Arménio Jardim,  Rui Figueiredo (Rabiga), Rui Mangericão,  Nono Bauleth, Artur Trindade...


Foi tardio o surgimento da modalidade de hóquei em patins no distrito de Moçâmedes.

Nascida no Condado de Kent em Inglaterra entre 1908/1910, e dinamizada em Portugal com a Fundação da Federação Portuguesa de Patinagem em 1933, Angola já contava com a modalidade desde 1947, nas cidades de Luanda, Lobito, Benguela e Nova Lisboa, e, no período pós guerra, já a selecção portuguesa havia sido nos anos de 1947-1948-1949-1950 tetra-campeã do mundial de hóquei em patins, enquanto que Moçâmedes se deixara se atrasar por razões sobretudo de ordem económica. Os clubes em permanente crise financeira, e sem apoios das instituições oficiais, não possuiam fundos suficientes para avançar mais cedo para a construção de rinks, nem para a aquisição dos respectivos equipamentos cujos preços eram incomportáveis para as suas posses, restando a carolice de alguns adeptos e o esforço e dedicação dos seus atletas, aos quais se ficou a dever surgimento e o imparável desenvolvimento a modalidade, no início da década de 50.

Em Moçâmedes, em 1947, num «boletim desportivo» editado pelo Sport Lisboa e Moçâmedes (posteriormente Sport Moçâmedes e Benfica), comemorativo do seu 11º aniversário, José da Cruz Almeida, ex-cabo do exército e carola do Benfica, denunciava a presumível falta de criatividade dos dirigentes desportivos pondo em causa a inexistência de uma equipa de hóquei em patins. Também a cidade de Sá da Bandeira era englobada nesta crítica. Na verdade Moçâmedes, que desde 1919 avançara em modalidades como o futebol, ténis, ciclismo, remo, vela, etc, e parecia alheada em relação à modalidade do hóquei em patins e tanto mais quanto a selecção portuguesa foi a primeira a ganhar o campeonato europeu e o campeonato do mundo, simultaneamente, mantendo-se por muito tempo como grande potência na roda deste desporto.

O surgimento da modalidade de hóquei em patins de Moçâmedes aconteceu em 1951 através do Atlético Clube de Moçâmedes, e ficou a dever-se, fundamentalmente, a três grandes individualidades personalizadas por José Adriano Borges, Raúl Radich Júnior (despachante oficial) e José Patrício Correia (industrial de pesca). Para além, é claro, da habilidade e do esforço de um grupo de miúdos com cerca de 12/13 anos de idade que andavam a patinar por tudo quanto que eram passeios da baixa da cidade de Moçâmedes, e nos campos do Atlético e do Casino, com vulgares patins winchester (patins de rodas finas, sem botas, ajustados aos sapatos com engates e com uma correia sobre o peito do pé, e sticks feitos com galhos de madeira , paus, etc.), e que tinham por ídolos oa hóquistas portugueses Jesus Correia e Correia dos Santos (primos), da selecção nacional, que na altura ganhara vários campeonatos do mundo seguidos,  cujos relatos difundidos pela emissora nacional seguiam atentamente. Eram o Nico Maló de Abreu (mais tarde guarda-redes de futebol da Académica de Coimbra), Arménio Jardim, Rui Mangericão, Artur Trindade, Leston Martins, Tolentino Ganho, Chiquinho Ganho, Rui Frota, Pierino e mais alguns já esquecidos pela voragem do tempo, tendo por treinador /jogador ele próprio, José Adriano Borges. Deste grupo nasceu aquela que na verdade foi a equipa pioneira de hóquei em patins da cidade de Moçâmedes e do Distrito, a equipa da classe de juniores do Atlético que passou a usar os patins e o equipamento da fugaz equipa pioneira de seniores que haviam sido oferecidos, bem como todo o equipamento por Raúl Radich Jr. (despachante oficial).


José Adriano Borges, o popular Zé Adriano, figura inigualável, amante do desporto -que ele próprio praticou nas modalidades de futebol, ciclismo, atletismo, caça submarina e hóquei em patins - levou o «bichinho» do hóquei, do Lobito para Moçâmedes, quando foi transferido dos Caminhos de Ferro daquela cidade para os Caminhos de Ferro de Moçâmedes. Zé Adriano não perdeu tempo. Habituado que estava às lides desportivas, e envolvido que se encontrava naquela modalidade, de imediato resolveu criar em Moçâmedes uma equipa de hóquei em patins. A escolha recaiu no Atlético, talvez por ser na altura o único clube da cidade a possuir um campo de jogos disponível, ainda que vocacionado para a praticava o basquetebol masculino, ou talvez por inclinação pessoal do Zé. E para incentivar a malta e a população em geral resolve realizar um primeiro jogo de hóquei em patins em Moçâmedes convidando as equipas de hóquei em patins do Lobito Sport Clube (a antiga equipa do Zé) e a equipa da Mocidade Portuguesa de Sá da Bandeira  por ocasião das festas da cidade, em Agosto de 1951. Na altura, o campo de jogos do Atlético não estava vocacionado para o hóquei em patins, mas apenas para o basquetebol masculino, e para que esse primeiro jogo pudesse ser realizado tiveram que ser improvisadas tabelas com blocos de cimento de construção civil, colocados à volta do campo. Este primeiro jogo realizou-se no dia 5 de Agosto de 1951, e o entusiasmo foi tal, que havia gente a assistir até em cima dos telhados e dos postes de electricidade.

Raul Radich Júnior foi  na verdade o mecenas, aquele que não só contribuiu monetariamente com a totalidade do custo do equipamento (balizas, patins, sticks, caneleiras, joelheiras, bolas, camisolas, calções e meias) para que o Atlético tivesse uma secção de hóquei em patins, como deste modo contribuiu para o surgimento da modalidade na cidade de Moçâmedes. Dado o seu prematuro e inesperado falecimento, Raul Radich Júnior não viria, infelizmente, a gozar os frutos da sua dádiva, ou seja, as alegrias proporcionadas pelo hóquei do Atlético Clube de Moçâmedes como veremos mais adiante, com a conquista de nada menos do que 7 campeonatos de Angola, 3 na classe de júniores e 4 na de seniores, os primeiros 3, nos anos 1962, 1963 e 1964, e os restantes 4, nos anos 1965, 1967, 1969 e 1971. Uma verdadeira proeza, com realce para o facto de o campeonato de Angola de 1965 ter sido ganho pela extraordinária «Equipa Maravilha» precisamente no ano da sua estreia na classe de séniores.

José Patrício Correia, industrial de pesca e conserveiro,  que foi  o patrono da edificação da sede daquele clube com o seu apoio material e moral, sobretudo material, graças ao qual a tornou possível, com a colaboração do seu gerente Cantos de Araújo, e do seu guarda-livros, Eduardo Brazão. José Patrício Correia, agraciado com uma condecoração de Mérito Industrial pelo Presidente da República,  Craveiro Lopes, foi, pois, entre os anos trinta e cinquenta o patrono da edificação da sede do Atlético Clube de Moçâmedes com o seu apoio material e moral, sobretudo material, graças ao qual a tornou possível. Assim rezava uma imponente placa em mármore descerrada à entrada da sede deste Clube, e que, por motivos meramente histórico-políticos, em tempo de exaltações, acabou por ser retirada.


E foi assim que novos valores começaram a emergir no hóquei em patins moçamedense.

Mas houve um pouco antes uma primeira experiência, por demasiado breve para ser expressiva, na modalidade de hóquei em patins do Atlético, com a criação de uma equipa (senior), que integrou, para além de  José Adriano, o treinador e organizador, os seguintes elementos: Zico Cristão, Faquica Guerra, Henrique Minas, James, José Manuel Frota e António Minas (Tonico). Foi sol de pouca dura e logo a seguir se esboroou, por falta de competição. E o mesmo será dizer: "Zé Adriano partiu para outra...!"



Estas foram as fotos mais antigas que conseguimos. Ainda que em péssimo estado, são preciosas, porque elas representam o momento do arranque da modalidade do hóquei em patins em Moçâmedes.

Não possuímos em nosso poder nenhuma foto das primitiva equipas, já constituídas e a operar no terreno, quer de hóquei em patins sénior, quer júnior, do Atlético Clube de Moçâmedes, o clube pioneiro da modalidade. Apenas estas de treinos... Os nossos três grandes álbuns dedicados a esta modalidade, em 1975, ficaram em Moçâmedes.

Sobre estes primeiros jogos encontrei as seguintes referências no fio Okário em Sanzalangola (Net), de Zeca Araújo, que na altura fazia parte da equipa de Sá da Bandeira : "...a equipa do Lobito chegou num Dakota e ficou hospedada no Hotel do Patalim ou Hotel Central e a equipa do Liceu Diogo Cão (MP) de Sá da Bandeira (Lubango), cujos jogadores foram transportados nas carroçarias de duas carrinhas e ficaram instalados no edifício do Cabo Submarino que ficava localizado a caminho da Aguada, no lado dt. Festejava-se nessa altura mais um aniversário da cidade, nesses dias de Agosto de 1951. Ganhou o Diogo Cão por 7-3. Foi árbitro, José Adriano Borges. Seguiu-se a 6.8.1951 uma desforra a pedido da equipa derrotada e esta torna a ser vencida pelos huilanos, agora contra a equipa "B" ou "infantis" dos juniores... Recorda José Araújo  -um dos hoquistas que alinhou nesse dia pela Mocidade Portuguesa de Sá da Bandeira-  no forum Okário em Sanzalangola: Os cabeças de peixe deliraram e no dia seguinte meteram mãos à obra... Menos de um ano depois defrontei uns tais Arménio Jardins, Chamengas, Minas, Mangericões, Sampaios... Bom. Resta-me dizer que os "cabeças de peixe" eram rápidos a aprender....rápidos demais para o nosso gosto... 



HINO DO ATLÉTICO CLUBE DE MOÇÂMEDES


Salvé Atlético, salvé Moçâmedes, águias salvé
As suas cores defenderemos
Com alma e fé,
 
E fé.

Vive em nós todos e em nós palpita
O desejo nobre das vitórias
Astro refulgente de luz bendita
Reclamado de prestígio e de glória
De glória

Sua bandeira simboliza a esperança
E a paz bendita
A paz que vive em nossos corações
Graça infinita
Avante, pois oh mocidade
Saudaremos todos o paladino desta cidade,
Mocidade, mocidade.

P'lo futebol, atletismo e natação
Todos os desportos nele se praticam com correcção
Com correcção.

Vive em nós todos e em nós palpita...


 








Texto escrito e dactilografado por MariaNJardim


Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome do autor e sitio de onde foi retirado do texto, sendo considerado PLAGIO quem não as respeitar.