Gente do meu tempo (baú de recordações)

Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...

Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome e proveniência do autor, sendo considerado PLÁGIO quem não as respeitar. MariaNJardim

03 outubro 2019

TORRE DO TOMBO, MINHA PAIXÃO

O Luso Clube, com Juju, Zé Rosa, Manuel Monteiro, Amilcar, Antonio Joaquim,  ? e Carlos Ferreira
Uma baleeira da arte da sacada, então a mais comum em águas de Moçâmedes


Esta foto é panorâmica, vale a pena aumentar para vêr. Trata.se da baía de Moçâmedes nos anos 1940. Aqui aina não havia traineiras,
Outra vista das pescarias que contornavam parte da baía, até meados de 1950
 

 Licenciou-se em Direito em Lisboa onde foi Conservador e por fim Notário em Almada. Faleceu em 2021.

A 1ª traineira de Moçâmedes

Em Portimão encostada à muralha do porto, próxima da «Casa Inglêsa», a primeira traineira que sulcou os mares de Moçâmedes. Comprada  pela Cooperativa «Galinho», era de início movida a vapôr através de caldeiras. Nos anos 1940 foi adquirida pela família Grade, residente em Moçâmedes, mas teve que nos estaleiros de Portimão o ser submetida a modificações que incluíram a retirada do cano, uma vez que passou a funcionar a motor a gasoil. Foi levada até Luanda como carga de um navio, porém  de Luanda para a Baía dos Tigres, onde ficava a pescaria do proprietário, viajou pelos seus próprios meios. O primitivo nome que lhe foi então dado foi o de «Nossa Senhora da Luz». Ao chegar a Moçâmedes foi baptizada com o nome da filha do proprietário: «Maria José». Viajaram com ela, António Gonçalves de Matos (Sopapo) e outros algarvios dedicados à arte da pesca, que acabaram por se radicar em Moçâmedes, onde permaneceram até à independência de Angola, em 1975. (1)
O Amilcar numa zona do topo do morro da Torre do Tombo


Na praia do Mexilhão, junto da Ponta do Pau do Sul (Noronha), em 1953, com os amigos da Torre do Tombo: , Zéziinho Duarte, Norberto Almeida,  Lolita Lisboa, Patrício  e Carlos Calão. 
Na Praia das Miragens, com Zeca Ilha e?

Com o Zéquinha Esteves


Na praia do Mexilhão, junto da Ponta do Pau do Sul (Noronha), em 1953, com os amigos da Torre do Tombo: Patrício,  Lolita Lisboa, Zeziinho Duarte, Juju Almeida,Victor Domingos e  Carlitos Ferreira

No deserto,  à dt., em 1953, com os amigos Norberto Edgar Almeida ( Nor), Carlos Calão, Lolita Lisboa,  Patrício, Zezinho Duarte.
Embaixo,  à esq. na equipa do GCTT, em 1954/5


A equipa de futebol de reservas do Ginásio Clube da Torre do Tombo, momentos antes da realização de um jogo no campo de futebol da vizinha Porto Alexandre.  Da esq. para a dt. em cima: Pedro Eusébio, Aires Domingos, ?, Fernando Pessanha, Rui Abano, Joaquim Gregório e ? Embaixo: Pacheco, John Pereira, Padre Galhano, Fernando Pestana e Amilcar de Almeida. Foto tirada em 1955, e gentilmente cedida por Amilcar de Sousa Almeida. O homem de barbas e barrete negro a que me refiro, trata-se do Padre Guilhermino Galhano, pessoa muito estimada em Moçâmedes, carola do clube azul e branco  e do futebol, que ele próprio praticou, descontraidamente, lado a lado com os jovens daquele clube pioneiro. O Padre Galhano era um padre moderno, no bom sentido do termo, que sabia chamar a si os jovens e as crianças da terra. Ele, aliás , depois do catecismo, aos domingos, jogava futebol com as crianças, no descampado que ficava entre a Igreja Paroquial de Santo Adrião e o Palácio do Governador.

Com os amigos da Torre do Tombo e do GCTT; ?. Carlos Calão, Albino Aquino (Bio) e Amilcar
As primitivas pescarias da Torre do Tombo, que contornavam a baía (metade sul)

A  Fábrica de conservas "Africana", mais tarde "Sociedade Oceânica do Sul".


TORRE DO TOMBO, bairro onde nasci, cresci e me fiz homem. Que trago na minha memória e no fundo do coração.
 
Torre do Tombo, terra de pescadores, de homens do mar .Gente de trabalho duro De mãos" gretadas" pela linhas de pesca. De muitas madrugadas a caminho do mar. Das baleeiras de pesca à vela e só depois a motor. Das traineiras que chegaram no final dos anos quarenta vindas de Portimão. Trouxeram novos amigos para a Escola e para o futebol. 
 
A CASA DOS MEUS PAIS, ao lado a casa do meu tio Aníbal e do "casarão" do João Duarte e da D.ª Micas. 
DOS COMPANHEIROS DE INFÂNCIA Necas, primo Juju, Zézinho e Miróides. 
 
DA LOJA DO MONTEIRO, pai do amigo Necas, com o forte cheiro dos barris de vinho. Das baleeiras carregadas até mais não de cachuchos e choupas. Cachucho a 50 centavos cada. Dos trabalhadores negros- os contratados - de Caconda, Ganguelas e do Baixo Cunene, " a escalar" e "fazer secar" o peixe nas tarimbas.Por um salário miserável.Das MOCUBAIS, bem giras, com os seus trajes reduzidos e pulseiras com argolas nos braços e pernas. 
DOS JOGOS DE FUTEBOL no" descampado " em frente da casa do João Duarte. "Meia-linha" e já está , futebol até ao anoitecer. Faz-se hora de jantar. Torre do Tombo do CHAFARIZ ao centro, onde se enchiam os barris de água para haver água em nossas casas.Dos jogos às escondidas no casarão do Reis. DA ESCOLINHA DO CABO ALMEIDA onde muitos aprenderam as primeiras letras. Cabo Almeida que ajudava as pessoas do Bairro a escrever cartas e requerimentos. e fazia "outras coisas" que não veêm para o efeito.
 
DO BAIRRO FEIO que para nós era mesmo bonito. Ali vamos nós de BATA BRANCA vestida, a caminho da velha Escola de madeira. Nela fiz "com distinção" a 1ª. 2ª, 3ª e 4ª classes. Das "caniçadas" na cabeça dos cabulões. 
 
Do LUSO , meu clube de palmeiras e bordões, campeões de futebol da rua. Do cheiro a peixe seco nas tarimbas e do "guano" da SOS. Do cheiro a pó das "garroas" que vinham do deserto. Das "armadilhas" aos "papaareias".na serra. Das partidas "aos neófitos" com a caça aos gambuzinos.
 
Da Casa do Amigo Lisboa, a casa do Brás, e subir as escadinhas até ao Ginásio. 
DAS FESTAS DO GINÁSIO nos Santos Populares com as saborosas "iscas" no pão e os bolos confeccionados pelas nossas simpatizantes. Das "malas de peixe seco"oferecidas pelos pescadores ao Ginásio para o Clube poder sobreviver.Ginásio ostracizado como estava pelo Pode" colonial "da Vila Dos "BAILES DA PINHATA" onde se faziam amizades que davam em casamento. 
 
Do FUTEBOL , equipas de honra e de reservas, com o dragão ao peito. G.C.C.T. ! G,C.C.T.! Ginásio campeão de Moçâmedes em 1946 ! Cabouco, Eugenio Estrela, Baraço, Cabral Vieira, Artur Estrela, Lumelino, Eduardo Braz, Abilio, Pombinha, João Ilha e Sopapo, os nossos campeões.Ginásio visita o Lubango em 1953 com a minha equipa. GINÃSIO DO BASKET FEMININO, um grupo de meninas habilidosas e decididas. Convidadas para jogar em Benguela.Fizeram figura. Fazem frente ao Benfica campeão a modalidade.Francelina, Celisia, Helena, Eduarda, Nidia,Paulita e Ricardina, as nossas jovens basquetebolistas. GCTT!GCTT!
Dos amigos e companheiros da adolescência Carlos Lisboa, Zézinho e Calão, também jogadores na equipe de futebol do Ginásio. 
 
Dos GASOLINAS E DOS BATELÕES sulcando A BAÍA, para lá e para cá, num caminho de espuma. 
Da estrada de "areia" para a Praia Amélia e Canjeque, onde as rodas dos carros se enterravam e tinhamos um trabalhão para as safar. 
 
DOS GRANDES BANHOS aos Domingos na Praia Amélia, a mergulhar com valentia na forte ondulação. DAS PESCARIAS às garoupas vermelhas com pintinhas no mar das Barreiras, 
Do enfermeiro negro Franco do Grémio , que sucedeu por bem ao malogrado Coelho , terror dos "rabinhos" dos meninos e meninas com as injeções de quinino. Dos passeios com os amigos até à PONTA DO PAU DE SUL. Cacau e bolos. Hora de "pescar moreias" nos buracos das rochas, As mais pequenas, fritas , eram uma delícia. Dos bons banhos nas "prainhas" do Pau de Sul. Há que subir a falésia sem medos. 
 
DA PESCARIA DO MEU PAI nas " pedras ", com as suas baleeiras "Laura" e "Maravilha", fundeadas em frente. A "Laura" campeã das regatas à vela. Muito me honrou. Hora de nadar até às baleeiras.De subir a bordo para mergulhos valentes. De nadar para a praia e ali "caçar" tremelgas, chocos e polvos com um arpão. 
 
Da caminhada diária para a ESCOLA DE PESCA,livros e cadernos na sacola, passando pelo casarão azul do João Pereira, pelo velho Hospital de Madeira, pela Igreja e Palácio, até à ESCOLA DE PESCA. Dos nossos mestres Dr.Borges ( Contabilidade ), Tenente Faustino ( Matemática), Drª Brigite ( Português e Inglês), dos Profs, Carrilho ( Caligrafia,Dactilografia e Estenografia) e Cecilio Moreira ( Educação F´isica ). 
Da PADARIA DO ESTEVES e dos amigos da bola Nélinho, Trovão e Zequinha. Que fiz a desfeita de marcar um golo de cabeça ao Nélinho pelos Infantis do Sporting.Do Zéquinha que jogou no Sporting de Portugal, ao lado do Travassos. Do cheiro a pó das " garroas" e do cheiro a "guano" da S.O.S. 
 
Da Casa ao cimo da rua da minha querida Avó. Dos afamados "bolos de folha" que ela fazia no Natal e Ano Novo. 
 
Das longas corridas na minha "Raleigh" de casa até à HORTA DO TORRES, com "sacola" para carregar de mangas que "surripávamos" das mangueiras.
 
DA IGREJA DO PADRE GALHANO com as suas longas barbas e batina " arregaçada" para os jogos de futebol com a malta do catecismo. 14 anos, adeus Igreja, adeus Padre Galhano, é a hora dos jogos de futebol aos Domingos na saudosa Praia do Cano. Que o progresso fez desaparecer com o cais acostável. 
PADRE GALHANO que à noite jogava à sueca e socopas no Ginásio com os pescadores, sem "cobrar" O Pai Nosso de cada dia. 
 
A FÁBRICA DA SOS, de atum em conserva, onde o meu Pai entregava o atum que pescava e em troca recebia "vales" que eu ia cobrar no fim de cada mês. Da FALÉSIA que dominava a paisagem da Torre do Tombo onde "os navegantes" que por ali passavam deixavam mensagens a admirar a nossa" Angra do Negro"... 
 
Torre do Tombo do SINDICATO, depois Grémio, com a azáfama das suas duas pontes e o forte odor das "malas de peixe seco" nos Armazéns para exportar , onde trabalhava o meu Avô Manuel Paulo.
 
TORRE DO TOMBO da " riqueza" da pesca mas TÃO ABANDONADA pelo poder "colonial" da Vila. Treinem-se na rua se quiserem ! TORRE DO TOMBO que deixei em Março de 1956 para vir para Lisboa. Parti com o coração apertado. Adeus baía de Moçâmedes, adeus Ponta do Pau do Sul, adeus Rio Bero, adeus Farol, cá vou pela vida fora. 
 
Para voltar com muita alegria para visitas curtas em 1958, em 1960, 1965 e por último em Março de 2005.TORRE DO TOMBO, O MEU ADEUS ETERNO

Amilcar Sousa Almeida

Amilcar estava gravemente doente há muitos anos a resistir a doença  prolongada. Desde 1955 jovem ainda foi estudar para Portugal, onde se formou em Direito, foi Notário, casou e por lá ficou. Faleceu em 2020, e
deixou-nos estas memórias.
 
 
(1)
Quando se deu a independência de Angola,  esta enorme traineira pertencia a uma sociedade de que faziam parte Virgilio Gonçalves de Matos, Francisco Velhinho e Miguel de Freitas. Com o aumentar dos conflitos os sócios resolveram partir de avião para o Brasil, enquanto a traineira atravessou o mar, rumo às terras de Santa Cruz (Brasil), conduzida pelo seu mestre, de origem madeirense, que com ele levara a família constituída pela mulher seis ou sete filhos. No Brasil, em Santos, acabaria vendida dada a dificuldade na aquisição de licenças de pesca para barcos estrangeiros.
 
Ver tb:
http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/2008/10/maria-petronila-monteiro-mossmedes.html

Publicada por MariaNJardim à(s) quinta-feira, outubro 03, 2019 Sem comentários:
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04 setembro 2019

As Festas de Nossa Senhora da Conceição do Quipola, no dia 08 de Dezembro de cada ano






 



O Padre Galhano


EVOCAÇÃO:
Moçâmedes (Namibe), séc. XX, anos 50
SENHORA DO QUIPOLA


Na Torre-do-Tombo (Moçâmedes) o dia mal se adivinhava e já D. Maria “Cambuta”, minha mãe que Deus tenha (como se usa dizer!), se afadigava nos preparativos para mais um 8 de Dezembro, dia de consagração da Imaculada Santa-de-Todos-Nós. Feitos de véspera, bolinhos de bacalhau e “jaquinzinhos” aguardavam a entrada na cesta do farnel; agora, era a hora de fritar os panados, as fatias de pão e o frango, cozer os ovos e a batata doce. Num canto da mesa, o indispensável palhinhas tinto de cinco (que os amigos haviam de aparecer!), e as garrafas de bulunga e de gasosa: desde a véspera haviam repousado na selha repleta de gelo; agora, era questão de conservar.
Farnel pronto, cesta composta, era a abalada, "a butes", ate´ `a estação do C.F.M., ora andando, ora correndo, tentando acompanhar a passada de “mestre” Cambuta na pressa de apanhar um aglomerado ainda não muito grande de candidatos a uma viagem de “Camacouve” que nos transportasse ate´ ao recinto das festas. Este, o contributo do C.F.M. para as celebrações da Senhora do Quipola: comboios grátis num vaivém constante, vagaroso, carregando e descarregando avalanches de povo que se apinhava nas carruagens na ânsia de chegar a tempo de um bom lugar.
Mal chegados, procurávamos onde estender mantas e esteiras, `a sombra de uma qualquer arvore que atenuasse o sol abrasador de Dezembro, mesmo que afastada do recinto onde o ar festivo era evidente : mastros decorados, bandeiras e fitas, altifalantes pendendo de arvores e mastros. Afastadas do recinto fronteiro da capela, livre para permitir a passagem da Procissão, pequenas barracas aprestavam-se para o arraial. Eram tômbolas e rifas, barracas de cavalinhos e comes-e-bebes, de venda de um pouco de tudo, e entre o chiar das rodas dos carros-de-bois vindos das Hortas carregados de trabalhadores, e o bater cadenciado dos cascos dos cavalos puxando as “charretes” dos abastados senhores da terra, desde cedo o agradável cheiro do churrasco enchia os ares.
Depois da Missa Campal e da Procissão, a cargo do conceituado e barbudo Padre Galhano, era a corrida aos farnéis aconchegantes dos estômagos e criadores de forças para a tarde que despontava. Primeiro, era a diversão, com jogos e concursos diversos: corridas de cavalinhos, corridas de sacos, lançamento de argolas, entre outros, e o inevitável “Pau Ensebado”, espécie de “ex-libris” de quanto era festa ou arraial, e que tinha por premio a garrafa colocada no alto. E enquanto a petizada, correndo, ia jogando o que lhes era permitido e assistindo a tudo (mas tudo, não e´, Ricardo? ) os adultos dividiam-se entre os jogos e os palhinhas acompanhados pelos bolinhos de bacalhau, “paracucas” e crocantes “macocas” picantes e salgadas.
Finalmente, a meio da tarde, o som de acordeões ou gramofones invadiam o recinto marcando o segundo ponto alto dos festejos: o baile. E enquanto uns se deixavam contagiar pelo pé-de-dança, a maioria do povo, arrumada a trouxa, procurava um lugar no “Camacouve” que a levasse de regresso.
José António Teixeira



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Publicada por MariaNJardim à(s) quarta-feira, setembro 04, 2019 Sem comentários:
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12 abril 2019

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro e o seu tempo


 



DA DITOSA TERRA NOSSA AMADA...

TEXTO DE BERNARDINO FREIRE DE FIGUEIREDO ABREU E CASTRO, O DIRECTOR DA 1ª COLÓNIA DE EMIGRANTES FUNDADORES DE MOÇÂMEDES VINDOS DE PERNAMBUCO- BRASIL EM 04 de AGOSTO DE 1849. In Nossa Senhora de Guararapes, publicado ainda em Recife de Pernambuco, 1847:


«Aceita cá de longe o suspiro da mais viva saudade, que te envia o desterrado filho teu. Foi em ti que passei a primavera da vida, que tão rápida se esvaece , que mal se sente! Veiu apoz a estiva quadra que apenas toquei e gozar não pude no solo teu; Malfadada sorte me afugentou de ti, e cá de longe ouço os teus gemidos, que estalar de dor me fazem o coração!... Oh! como me lembro do solar paterno, e aquelles em cujas veas corre o mesmo sangue.
- como os amigos da infância, os folguedos innocentes, os sítios das primeiras impressões!
- como ... os bellos dias, as suas lindas manhãs, em que a vista se recrea..., os ouvidos se afinam...; e em que o olfato se apura pelos esquesitos perfumes... que diffícil fora enumerar!
Dias ditozos! que manso a manso vos evaporastes todos , para mais não volver, e que só deixastes saudades tantas, para onde voaste? Meigos sorrisos que vos agitáveis nos innocentes lábios meus, para onde fugistes? Luz insolente! que brilhavas nos meus puros olhos para onde te ausentaste, que agora ou elles tristes derramam copiosas lágrimas, ou retratam da alma a profunda meditação? Tudo, tudo se esvaneceu, e apenas resta a esperança - esta de todas a mais fiel amiga, a mais constante companheira - esta sim, esta eu cá sinto d'entro da alma...
Saudade,
Saudade, nome melodioso e suave, mas enternecedor! vocábulo sem par! que inveja fazes a tantos povos; os quaes porque te não sentiram, não te souberam exprimir! Ditosa língua que tal expressão possuis...»

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Em 1839 Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro exilou-se em Pernambuco, Brasil, após o triunfo do liberalismo em Portugal sobre os absolutistas, e a partida de Dom Miguel para o exílio.

Porquê Bernardino absolutista?

Quando jovem universitário Bernardino deixou os estudos em Coimbra para se alistar, como tenente de caçadores, nos voluntários realistas do exército de Dom Miguel, levado pelos princípios e sentimentos de sua família, uma família católica, conservadora e legalista, e pela influência de um parente próximo, general das armas da província.

A verdade é D. Pedro era o legítimo herdeiro do trono, mas com o rei seu pai, D. João VI e a corte, refugiados no Brasil, em consequência das invasões francesas (1808-11), tudo se alterou em termos da legitimidade da sucessão. Com a revolução de 1820 em Portugal, Dom João VI, teve que regressar a Portugal deixando o seu filho mais velho, Dom Pedro, como príncipe regente do Brasil. Em Portugal Dom João VI quis efectivar uma recolonização (volta à condição de colónia) do Brasil, mas os brasileiros, recusaram as imposições do Parlamento português e rapidamente a independência do Brasil aconteceu. Logo a seguir Dom João VI morre, e deputados portugueses exigiram o retorno de Dom Pedro, mas o príncipe regente proclamou a sua permanência no Brasil, voltou costas ao trono em Portugal, e perdeu toda legitimidades para os legalistas. A 09 de Janeiro de 1822, ficou conhecido como o dia do “fico”, e o 07 de Setembro desse ano como o dia em que Dom Pedro proclamou a Independência do Brasil: “É tempo: independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”.  A seguir, no dia 12 de Outubro de 1822, Dom Pedro foi nomeado imperador do Brasil (1822-1831). Em 1825 Portugal assinou um acordo com a Inglaterra reconhecendo a autonomia política brasileira.

Entretanto no Brasil cresce a impopularidade do imperador, e em 1824, iniciou-se em Pernambuco um movimento contrário a Dom Pedro que rapidamente ganha proporções, sendo castigados violentamente os líderes. A imprensa brasileira  subiu de tom contra o Imperador e levou a crescentes agitações populares nas províncias, até que no ano de 1831 Dom  Pedro abdicou do trono e retornou a Portugal, onde tal como acontecera a seu pai, depressa faleceu acometido por tuberculose no ano de 1834. Como a monarquia era hereditária, seu filho Pedro de Alcântara, com apenas cinco anos na época, passou ser o herdeiro do trono. Com este facto, findou o Primeiro Reinado no Brasil, iniciando outra fase da história brasileira, o Período Regencial (1831-1840). Brasil e Portugal continuavam nas mãos da mesma família, com Dom Pedro II no Rio de Janeiro e Maria II em Lisboa.


A fase do professorado no Brasil

Quanto a Bernardino, exilado no Brasil, renuncia a toda a actividade política, dedica-se exclusivamente ao ensino no Colégio Pernambucano, regendo as cadeiras de História, Geografia e Latim. Não perdeu o amor aos livros, às letras. Escreveu livros de carácter didáctico, como a História Geral, em seis volumes. O Primeiro volume sobre a “História Sagrada do Antigo Testamento”; o segundo sobre a “História da Vida de Jesus Cristo” e dos Apóstolos, e História dos Judeus desde a dispersão até aos nossos dias “; o terceiro a “ História Antiga e Grega”; o quarto sobre a “História Romana e da Idade Média”, o quinto sobre a “História Moderna”; e o sexto sobre a “História de Portugal e do Brasil”. Mas o erudito professor não se ficou por aqui, escreveu outros livros dos quais destacamos “Nossa Senhora de Guararapes – romance histórico, descritivo, moral e crítico”, que tem por fundo os encontros sangrentos entre portugueses e holandeses, em 1648 e 1649, nos altos montes dos Guararapes, na região do Recife.


A opção por África e a fundação de Moçâmedes

Bernardino impunha-se como condutor de homens, pelas suas qualidades de liderança e iniciativa. Por essa época o Brasil era já um país independente, foi então que cheio de saudades da sua sua pátria escreveu este texto, numa época em que em Pernambuco, as coisas iam bem. Em 1844, na Assembleia Provincial de Pernambuco, propõe-se que “se expulsem da cidade (ou da província) todos os portugueses solteiros”- (E Bernardino era solteiro).

Em 1847 arruaceiros espancaram pelas ruas da cidade “quantos portugueses encontravam ou que supunham tais”. Foram esses espancamentos que o levaram a incentivar seus conterrâneos a fundarem um colónia bem longe dali, onde tremulasse a bandeira portuguesa, e onde todos juntos pudessem em paz viver e trabalhar: MOÇÂMEDES !

Em 1849, tinha Bernardino 40 anos de idade, quando a Tentativa Feliz  capitaneada pelo brigue Douro, atravessando o oceano, levou-o e aos  165 companheiros para Moçâmedes, onde teve um papel de relevo nesses momentos primordiais da fundação, e onde acabou os seus dias.

Sabe-se que à chegada houve recepção de boas vindas, discurso oficial pelo governador do distrito na presença dos sobas Mossungo e Giraúl e da maior parte dos colonos. Ficaram alojados em barracões construídos de pau a pique, cobertos de palha e amarrados com mateba ou cordas de cascas de árvores. E que Bernardino seguiu para Luanda no dia seguinte a fim de apresentar cumprimentos ao governador geral, tendo a 21 de Outubro procedido à instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar, com cerimónia às 7 da manhã em que foi içada a bandeira portuguesa, na presença do governador do distrito, e com uma salva de 21 tiros, seguida .  houve arraial com largada de foguetes, seguida de almoço e jantar em barracas improvisadas.

Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.

No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Interessado em tudo conhecer, tudo avaliar, tudo projectar, fez viagens de estudo, contactou sobas, colaborou com as autoridades,subiu e desceu a Chela, viajou até ao Cunene, este homem da rija têmpera dos "barões assinalados"apostado no 

Mas a natureza não se compadeceu dos recém-chegados. Uma estiagem de 3 anos secou as terras, perdendo-se todas as sementeiras. A 1ª. colónia luta com falta de tudo, desde alimentos a vestuário. A situação é desesperada. Alguns opinam mudar a colónia e comentam: "Antes fôssemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas cheias de carne e comíamos pão com fartura, em vez de padecer com fome neste deserto." Bernardino mantém-se firme e lança a máxima: "Vence quem perseverar até ao fim".
O governador do distrito ante a desesperada situação faz um apelo à solidariedade em Luanda e em Benguela, promovido pelas respectivas câmaras municipais. Os víveres, vestuário, dinheiro e outras ofertas chegam finalmente a Moçâmedes. A situação vai normalizando. Em 26 de Novembro de 12950 entra na baía de Moçâmedes um segundo grupo de colonos, trazidos pela Barca Bracarense, chefiada pelo mesmo Brigue Douro. Estes a expensas suas igualmente direccionados para a  agricultura em Moçâmedes, e  chefiados por José Joaquim da Costa. A pesca foi  outro ramo ao qual se dedicaram naquela terras onde cardumes do pescado entravam
 baía a dentro e vinham dar à praia. Aprenderam a escalar e a secar o peixe, jogando mãos a deetentores dessa técnica que haviam tabalhado na primeira feitoria de Moçâmedes montada em 1939 pelo olhanense Cardoso Guimarães.

Bernardino orgulha-se destes seus companheiros de colonização, o maior exemplo de perseverança em toda a Província, aqueles a quem ele exortou para que conseguiram vencer as adversidades e o deserto. e nunca desistissem nesses primeiros tempos em que a natureza não se compadeceu dos recém-chegados, com uma estiagem de 3 anos que lhes ressecou as terras, levando à  perda as primeiras sementeiras.

O rápido crescimento da povoação é contemplado coma elevação a vila por decreto de 26 de Março de 1855. Em 1857 já existiam 16 pescarias onde trabalham 280 escravos recuperados aos navios negreiros por brigadas inglesas e portuguesas que patrulhavam a costa, após o decreto da abolição do tráfico de escravos que escoava para o Novo Mundo.
Quando no dia 4 de Agosto de 1859, festejaram o 10º aniversário da 1ª colónia já ali havia 83 propriedades agrícolas espalhadas pelas margens do rio Bero, Giraúl, no Bumbo, em S. Nicolau, no Carujamba, no  Coroca, e 
 na Huíla.

O sonho do Barão de Moçâmedes, Luz Soriano e Sá da Bandeira, de fixar populações nas regiões a sul de Benguela tinha se concretizado, graças  à liderança forte de Bernardino, que também se empenhou na abolição da escravatura. Bernardino bateu-se e até ganhou alguns inimigos. Escreveu em 1857: "os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros e por isso não me fogem e vivem satisfeitos. Não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. Todos são agricultores com iguais direitos e obrigações".

 Em 1858 foi decretado que dali a 20 anos  não poderia haver escravos. Em 1869, foi abolido o estado de escravidão.

Como memória visual de Bernardino resta um  quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal. Até 1975  existia um busto seu implantado sobre uma coluna a meio da Avenida de Moçâmedes ali colocado na d´cada de 1950. 

Sabe-se que Bernardino faleceu no dia 14 de Novembro de 1871, aos 62 anos de idade, no regresso de uma viagem a Luanda para onde se tinha deslocado em serviço da comunidade. Desconhece-se  o local onde foi sepultado. Outros opinam que se encontra sepultado algures junto a um muro da Quinta dos Cavaleiros, sítio da Bandeira. Não deixou fortuna. Morreu pobre e endividado. Sabe-se também que a Quinta dos Cavaleiros foi assolada por três devastações, e que  este homem que todos reconhecemos como o fundador de Moçâmedes, nunca teve o reconhecimento que merece. As autoridades portuguesas não  prestaram a homenagem merecida a este homem sério, inteligente, culto, cheio de iniciativa e empreendedor, que não admitia escravos na sua fazenda, que sofreu ainda em vida várias devastações à sua Quinta, e que chegou mesmo a ser ostracizado pelas autoridades da terra. 

Mas o povo nunca o esqueceu e lá estava o 04 de Agosto de cada ano  para o lembrar. Assim o demonstrava a claque que acorria ao velho campo de futebol de terra batida, no fundo da Avenida quando em  uníssono invocava  o nome de BER...NAR...DI...NO, BER...NAR...DI...NO, para que a sua alma ajudasse a alcançar a vitória. Vitória que era sempre conseguida nas competições interselecções .

A história da vida de Bernardino não pode nem deve ficar perdida  em meio a um conjunto de papéis
imprestáveis nas prateleiras de algum arquivo oficial, ou das colecções de alfarrabistas.

Gostaríamos de acreditar que escrevendo e publicando sobre Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro não estaremos a fazê-lo em vão, e que um dia a História  possa trazer de volta o seu nome
 como exemplo de fé, inteligência, perseverança, dignidade, honradez, trabalho, iniciativa, fidelidade à palavra dada, qualidades de que a nossa humanidade tanto carece.


MariaNJardim


Publicada por MariaNJardim à(s) sexta-feira, abril 12, 2019 Sem comentários:
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16 novembro 2018

Calipalula e as Campanhas do Cuamato de 1907.

 

Na foto: Calipalula e as Campanhas do Cuamato de 1907. Fidalgo Cuamato que conduziu as tropas à embala do Cuamato Pequeno, em Maghogo.Autor: José de Almeida "Pesca-Rãs". Estando de relações cortadas com o sóba, foi o guia da coluna. Ao ver a embála d'este destruida, suicidou-se. Documentos Carvalhão Duarte/Rocha MartinsTipo


 Na foto: Calipalula e as Campanhas do Cuamato de 1907. Aqui Calipalula encontra-se ao lado de sua mulher cuamato prisioneira.
 
 
 TRANSCREVE-SE NA ÍNTEG
 
"A esse tempo acabava seus dias no Cuanhama, o regulo
Calipalula, que tantos serviços prestou ás tropas portugaczas, servindo de guia nas campanhas do Cuamato,

Calipalula, fidalgo das tribus do Cuamato, era um verdadeiro heroe de romance. De estatura gigantesca, e com conhecimentos litterários, impuzera-se ao gentio, e o Soba Chaula receoso, julgou vêr nelle um pretendente. Um conselho secreto resolvia a sua morte e nas florestas era o negro atacado á zagaia, escapando porém e sendo tratado na missão allemã do Cuanhama, onde novos elementos de instrução lhe foram ministrados. De regresso ao território do Cuamato, sem no coração reter ódios, teve logo novas investidas contra a vida e o gentio, levado pelo soba, revoltava-se, dizendo-o traidor, amigo dos brancos A tuga impôs-se e Calipalula, dessa vez cheio de ameaças, resolveu procurar os portuguezes a despeito do tio lhe predizer má recepção, visto ter sido um dos auctores do desastre de 1904 das forças lusitanas. O que foi esse desastre?

N'um acto de reconhecimento aos negros revoltados do Cuamato, feito por 16 officiaes, 2 primeiros sargentos, 10 segundos sargentos e 907 praças europeas com o appoio de 146 indígenas, o inimigo, apparecendo ao transpor do Cunene. trucidava a columna do commando do capitão de artilharia Pinto de Almeida, sendo 1.as victimas o tenente de Marinha João de Faria Machado Pinto Roby de Miranda Pereira e o medico naval dr.Manuel João da Silveira, e escapando apenas pequeno numero de praças irregulares que lograram fugir, aos primeiros tiros. No Cuamato pereceram 254 heroes da Atrica. Levado pela sua ideia, Calipalula, monta a cavallo e parte. No caminho, um troço de cuamatos, assalta-o.Destroça-o e é ferido, conseguiu passar o Cunene e abrigar-se nom Calú, donde transitou para o Humbe, apresentando-se ao commando portuguez. Era a vingança de Calipalula. Descrevia a chacina de 19o4: nem um branco escapara, visto os de Cuamato não perdoarem vidas;as armas apprehendidas foram para o Cuamato grande e dos guerreiros da época, muitos ambicionavam nova guerra, estando o armamento Já todo no matto. Fornecia elementos para a incursão , traçou itinerários e a expedição de 1907 fazia-se servindo ele de guia levado pelo ódio pelo espirito de reivindicta. O expatriado pôs-se à frente da coluna que ia para o Cubango e guiou-o pelos meandos misteriosos de África, até que Portugal se apossava do Cuamato Grande. Ao içar a bandeira azul e branca o capitão Alves Roçadas, investia-o solenemente no sobado. O reconhecimento pelo gentio consistia na entrega de uma negra, a mais linda da tribo. Os vassalos trouxeram-lhe contudo uma velha horrível , feia, entre os esgares de alguns e o voltar costas de outros . O desprestígio era patente. e Calipalula tentou suicidar-se desfechando um tiro sobre o queixo. Voltava ao Humbe ferido e sem esperanças. O régulo vencido atormentava-o nos seus sonhos e Calipalula, usando a sua vingança ao mesmo tempo que o íntimo o censurava a traição aos seus, recusava continuar a viver com os portugueses e internando-se no Cuanhama, ali falecia ignorado e solitário, fim predicto pelos "quimbandas" como recompensa ao seu acto.  

A sua atitude nas campanhas de 1907 foi relembrada numa conferência realizada em 31 de Maio de 1908 na Sociedade de Geographia pelo então já tenente coronel Alves Roçadas e exalçada, como a de um oficial precioso dos portugueses para a conquista do Ovampo..


In "A Revolução Portuguesa - 1915 - Armando Ribeiro.
https://pt.scribd.com/…/2661154…/A-Revolucao-Portuguesa-1915

Publicada por MariaNJardim à(s) sexta-feira, novembro 16, 2018 Sem comentários:
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04 novembro 2018

Aguarelas de Namibe


 Serra da Leba

Os cerca de 200 km que separam o Namibe do Lubango são feitos pela nacional 280, uma estrada agora de bom asfalto que inicialmente atravessa superfícies arenosas quase desérticas à cota do mar, até se aproximar da Serra da Leba onde pela sua influencia tudo se vai tornando mais verdejante e fresco. Aí iniciamos um dos percursos mais curtos, mas mais contrastantes e vertiginosos de todos os que fizemos em Angola. A Serra da Leba constitui um enorme degrau geográfico que divide aquela zona de África da influencia atlântica e da influencia continental. Em pouco mais de 20 Km passamos quase do nível do mar até mais de 2000 metros de altitude. Nas curvas que serpenteiam a subida vamos sentindo as mudanças climáticas, passamos pelas nuvens, pelas sombras frias, por cascatas cobertas de musgo, assim como pelas escarpas expostas ao calor tórrido, também por trovoadas e aguaceiros que na curva seguinte se dissipam na evaporação do asfalto ainda quente. Todo o cenário é já um filme, mas não havia espaço para parar e filmar. Saí do carro e subi alguma parte a pé entalado entre o esmagamento do rodado dos camiões que desciam a chiar dos travões e a vertigem das escarpas separadas pelos rails de protecção que pareciam não ter espaço na beira onde se agarrar. Numa curva uns quilómetros mais acima havia de estar o Câmera-men que com a lente me ia seguindo à distancia.








 Rio Muninho


Entre Namibe e Lubango procuramos nas margens do Rio Muninho a correspondência possível às descrições dos relatos que Cabelo e Ivens tinham feito do mesmo lugar ou de um lugar próximo há 127 anos atrás. O carro ficou parado na beira da estrada e não muito longe dali corria este rio de água limpa e fresca, onde fiz o desenho que ia sendo interrompido entre as repetições dos takes e os ajustes do plano. O sol estava a pique o calor era abrasador, mas banhos só mesmo o dos salpicos, nestes lugares por mais bela que seja a paisagem os banhos nunca são tranquilos.
Entre Namibe e Lubango procuramos nas margens do Rio Muninho a correspondência possível às descrições dos relatos que Cabelo e Ivens tinham feito do mesmo lugar ou de um lugar próximo há 127 anos atrás. O carro ficou parado na beira da estrada e não muito longe dali corria este rio de água limpa e fresca, onde fiz o desenho que ia sendo interrompido entre as repetições dos takes e os ajustes do plano. O sol estava a pique o calor era abrasador, mas banhos só mesmo o dos salpicos, nestes lugares por mais bela que seja a paisagem os banhos nunca são tranquilos. 



 

 No Namíbe

No Namíbe tudo se estende na horizontal, a construção é de baixa densidade e de baixa altura, há muito espaço para tudo se espraiar junto do litoral pelo solo árido e desértico. O caminho de ferro de Moçâmedes começa ali num emaranhado de carris até à data ferrugentos. Esta é segunda linha férrea mais importante de Angola começada a construir logo no início do século XX pouco depois da linha de Benguela. Em Agosto passado foi reactivada, pouco a pouco as artérias de Angola sejam em ferro ou asfalto vão recomeçando a funcionar.
No Namíbe tudo se estende na horizontal, a construção é de baixa densidade e de baixa altura, há muito espaço para tudo se espraiar junto do litoral pelo solo árido e desértico. O caminho de ferro de Moçâmedes começa ali num emaranhado de carris até à data ferrugentos. Esta é segunda linha férrea mais importante de Angola começada a construir logo no início do século XX pouco depois da linha de Benguela. Em Agosto passado foi reactivada, pouco a pouco as artérias de Angola sejam em ferro ou asfalto vão recomeçando a funcionar. 


 

 A Baía de Namibe


A Baía de Namibe é desolada suja e encantadora. Felini podia bem ter rodado ali um filme, mesmo no seu tempo e nos anos que a cidade conheceu alguma prosperidade o cenário não terá sido muito diferente. Agora com a patine impressa pelo tempo, a ferrugem dos aparelhos de pesca que restam, as brincadeiras das crianças descalças que chutam qualquer coisa que sirva de bola, as carcaças das embarcações, a vadiagem de canitos pele e osso, o ar desocupado das pessoas numa cidade com tanta terra ainda por ocupar, torna tudo verdadeiramente encantador, com tanto tempo que parece ter para gastar apetece ficar a fazer um filme sem mais nada, montar o tripé e deixar a câmera ligada. Esse seria o verdadeiro registo da Baía de Namibe, mas a história que tinha-mos de contar era outra. Foram estas as primeiras casas algumas edificadas outras escavadas na falésia que os Portugueses vindos do Algarve construíram. Quando Capelo e Ivens aqui chegaram em 1884 a cidade de Moçâmedes (actual Namibe) ainda mal figurava no mapa, aqui formaram a caravana de guias, carregadores e toda a logística necessária, deixaram o atlântico e partiram por terra a caminho do Índico na contra costa de África.  




No sul de Angola tudo continuava a parecer muito familiar, já tarde depois de procurarmos alojamento numa pequena pensão numa casa de traça algarvia com um pátio interior empedrado, onde se seca e lava a roupa num tanque de cimento como nas casas que se alugavam nas férias no Algarve antes da oferta de camas ser o que é hoje. No clube Naval do Namibe ainda nos serviram jantar, na ementa não havia um só ingrediente que não fosse completamente familiar. A corrente fria de Benguela faz com que ali seja um dos lugares de pesca mais importantes de Angola, terra de bom peixe mas a fome ditou que em pleno Namibe o que veio à mesa fosse depois de uma sopa de legumes com rodelas de chouriço a flutuar uma bela carne de porco à Alentejana. 


Contra todas as advertências e expectativas sobre a resistência e a capacidade que o pequeno Chevrolet teria em conseguir transpor os obstáculos que encontrou pela frente, lá chegámos ao Namibe graças sobretudo à perícia de condução dos nossos produtores. Esse sempre foi aliás o meu maior receio antes e depois de partir para África, o facto de não conhecer devidamente a equipa com quem me ia enfiar dentro de um carro durante cerca de um mês para atravessar África de Angola à Contra Costa. A noite caía rápido algumas dezenas de quilómetros antes de chegar ao Namibe, quando alguém nos avisou que teríamos de voltar para trás porque uma ponte tinha caído recentemente durante a estação das chuvas. Já bem cansados e com a expectativa da meta à vista tornava-se bem mais difícil de segurar o moral. Tínhamos mesmo de voltar para trás e conforme as indicações, seguir já de noite durante largos quilómetros por um desvio sobre pistas de pedras e areia sobre o deserto do Namibe, passámos por vários jeeps parados com pneus furados, uma família com o carro atolado montava um abrigo à luz dos faróis, para ali pernoitar junto dos trilhos de areia que se iam abrindo com a passagem dos jeeps. Com sorte escolhemos o trilho certo. Chegamos à antiga cidade de Moçâmedes onde Capelo e Ivens teriam organizado a sua comitiva de guias e carregadores que os acompanharam atravessar África a pé até do Atlântico até ao Índico. 

Depois de Benguela o caminho mais curto pelo mapa até ao Namibe, seria pela estrada do litoral, cujo asfalto termina pouco depois de Benguela e daí segue por atalhos e desvios, por montes e vales desérticos atravessando pequenas povoações de pescadores por uma costa de praias e falésias arenosas infindáveis e quem sabe até com baías de água cristalina e ondas perfeitas ainda por descobrir. Essa era a via que eu gostava de ter feito mas impensável para o nosso pequeno chevrolet citadino. A estrada transitável para sul é só uma, a que segue por Chongoroi, pelo interior até ao Lubango e depois ruma a oeste desce as curvas da Serra da Leba e daí até ao Namibe segue por uma planície na mesma cota do mar. Depois de Chongoroi afinal a dita via transitável pelo interior, a seguir à estação das chuvas deixara de o ser. Há muito que o asfalto tinha sumido, havia vestígios de antigos marcos de estrada, de bermas empedradas e protecções em cimento como as que vemos na estrada marginal entre Cascais e Lisboa a mais de um metro de altura do nível onde hoje os camiões escavam na lama um novo rodado. Vários foram os que paravam para nos avisar de que a estrada não estava transitável para o pequeno Chevrolet sem tracção total, mas se os Kupapata ou mesmo alguns candongueiros passavam nós também havia-mos de passar. 
 http://cargocollective.com/conversas/Joao-Catarino
Publicada por MariaNJardim à(s) domingo, novembro 04, 2018 Sem comentários:
Etiquetas: Aguarelas; Namibe;

07 outubro 2018

O "SOBRADO" de Moçâmedes, a Companhia de Mossâmedes, e o património histórico e cultural do centro-histórico

  Há 5 anos atrás era ainda assim...  (foto identificada pelo autor). Repare-se na arquitectura, nos detalhes telhado, nos remates em ferro rendilhado  à volta do mesmo,  nas sacadas das portas do 1º piso, marca de uma época. Todo esse material em ferro fundido e folha de ferro com efeitos rendilhados vinha da Europa industrializada, já prontos e acabados, em navios da Marinha Mercante, após encomendas que eram efectuadas através de catálogos, naquele tempo em que o ferro estava na moda, tendo como ícone máximo das construções naquele material, a Torre  de Eiffel em Paris, a "dama de ferro" da França, construída entre os anos de 1887 e 1889.
Seria necessário conhecer a HISTÓRIA antes de se proceder a qualquer dano nos edificios.  Este é um edifício emblemático para a cidade de Moçâmedes, como o próprio nome da Companhia sugere.
                                                             Aqui já sem o famoso telhado
Como foi possível esta barbaridade que irá acelerar a sua queda? Trata-se do único SOBRADO de Moçâmedes. E quanta HISTÓRIA esta construção encerra?



 
O "SOBRADO" da  "COMPANHIA DE MOSSÂMEDES"


Este SOBRADO cuja decadència tem acelerado nos últimos 5 anos, desde que alguém lhe mandou retirar o telhado, não se sabe porquê, excepto para que degrade  ainda mais rapidamente, é um edificio  pleno de carácter e de História, que pertenceu à Companhia de Mossâmedes,  o único  do género na  terra, o que só por si já o torna digno de preservação, para além daquilo que significa ao nível da sua História e da sua Arquitectura.
 
A este nível, o  telhado que foi arrancado tinha por característica assentar sobre um remate em folha de ferro rendilhado, tal com as sacadas das varandas contruidas em ferro fundido.   Contemporâneo de uma época  em que o ferro estava na moda, tendo como ícone máximo das construções a Torre Eiffel, a "dama de ferro" da França, construída entre os anos de 1887 e 1889, em pleno arranque para a 2`fase da Industrialização, por ocasião da Exposição Universal de Paris, o SOBRADO de Moçâmedes é também ele herdeiro  de tudo isso.
 
Importa referir que a arquitectura do ferro tornou-se emblemática na segunda metade do século XIX e nos inícios do século XX, quando o ferro fundido começou a integrar o material de construção, substituindo a madeira e a pedra,  graças à maleabilidade e durabilidade, tornando possível as mais variadas formas e aplicações, incluso em obras de arte de rara beleza.  A folha de ferro rendilhado era aplicada em detalhes, o ferro em geral passou a ser utilizado em ferrovias, pontes, elevadores, pavilhões de exposição, quiosques, coretos, mercados, estações, teatros, fontes, postes de iluminação, portões, gradeamentos, e até em diversos tipos de mobiliário, etc. A técnica de ferro forjado  permitia a reprodução de diversos estilos de elementos decorativos, etc.  Da Europa industrializada, eram remetidas peças já confeccionadas, que eram encomendadas através de catálogos, e que viajavam  em grande número em navios para as colónias de África, para o Brasil e para todo o mundo. Edifícios de ferro, e detalhes para edifícios podiam ser fabricados longe do local onde eram montados, porque eram facilmente desmontáveis e podiam ser transferidos de lugar. Teria sido o caso dos detalhes em  rendilhado de ferro que ainda é visível neste edificio, e sobre o qual assentava o telhado.

Finalmente, um SOBRADO é um tipo de habitação característico de um certo modo de ser e de estar, que ficou a marcar uma época pela sua arquitectura específica. Muito difundido no Brasil colonial, segundo o sociólogo Gilberto Freire,  SOBRADOS disseminaram-se precisamente no momento em que começou a dissolver-se o sistema económico fundado no tráfico de escravos, quando os proprietários rurais, aburguesados, se transferiram  de suas "Casas Grandes" rodeadas de "Senzalas", erguidas junto das plantações, para os centros urbanos, onde procuraram manter, nesta fase, usos e costumes tradicionais, levando consigo a criadagem que se habituaram a ter por perto para os servir. O SOBRADO permitiu-lhes um tipo de habitação muito especial, com características próprias em termos de espaço interior, de divisões, etc, adaptados ao  estilo de vida citadino, sem um corte abrupto com o passado rural, nessa fase de transição. Permitiu-lhes essa superação e essa adaptação.
 
Os SOBRADOS de dois pavimentos eram destinados às classes mais abastadas, comummente possuem um espaço livre frontal cercado por grades, um amplo lance de escadas que leva ao pavimento superior composto por uma sala e portas que se abrem para os quartos de dormir, além das quais se situa a varanda, onde a família geralmente faz as refeições e recebe visitas durante o dia. A parte mais baixa da construção era ocupada pelos serviçais, ex-escravos, por animais ou destinada a fins domésticos, ou ocupados por lojas. Dava-se grande importância às varandas internas voltadas para dentro, às bandeiras nas portas e janelas, e às sacadas externas voltadas para a rua, com grades de ferro. Os SOBRADOS podiam ter uso residencial, comercial ou misto. O uso determinava  a compartimentação.

No Brasil existem muitos SOBRADOS a recordar esses velhos tempos que em que o trabalho escravo alimentara secularmente uma economia que tinha por base as plantações de cana de açúcar. Em Angola também os há, sobretudo em Luanda e em Benguela. Em Moçâmedes onde a colonização foi tardia, fez-se com colonos foragidos do Brasil, desde 1949, e já após a abolição do tráfico de escravos para o Brasil e Americas, onde não consta ter havido tráfico, mas sim escravatura interna, com o encaminhamento desde Luanda da mão de obra libertada de navios negreiros aprisionados,    conhecemos apenas este, o que denota até neste pormenor, o tipo de colonização ali levada a cabo. Até porque muito poucos podiam ter a veleidade de mandar construir um SOBRADO!  Ora este ao que pudemos apurar, pertenceu à Companhia de Mossâmedes, Companhia de responsabilidade limitada, com sede em Paris, criada em 1894 pela Royal Society, com a maioria do capital francês, na sequência do Tratado assinado entre França e Portugal, em Maio de 1886,  por altura da célebre Conferência de Berlim,* e da assinatura do Mapa Cor-de-Rosa**, o célebre mapa com o qual Portugal pretendia que lhe fossem reconhecidos os direitos às regiões entre Angola e Moçambique, "descoberta" pelos oficiais da Marinha Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens entre 1884 e 1885, pretensão que levou ao Ultimato Inglês de 1890 (1), uma verdadeira declaração de guerra da Inglaterra a Portugal, numa época em que o interesse pela colonização do sul de Angola se encontrava legitimado perante as potências europeias concorrentes, pelas explorações realizadas nos anos 1870 e seguintes, e pela colonização iniciada com colonos oriundos de Pernambuco, Brasil, no final dos anos 1840, e outros vindos do Algarve a partir dos anos 1860, nomeadamente de Olhão, bem como pela presença dos colonos madeirenses chegados à região planáltica da Huila (1884-5), enquanto em Berlim decorria a célebre Conferência. 
 
Por essa altura a soberania de Portugal em toda uma faixa do território angolano a sul de Benguela e seu Interland encontrava-se em perigo. Os ancoradouros e portos do sul, estavam sendo alvo da cobiça dos alemães do Sudoeste Africano (actual Namibia), que aspiravam a construção de um caminho de ferro transafricano que garantisse aos territórios que ocupava uma saída para o mar, ligando o Índico ao Atlântico, e chegaram a realizar uma expedição à Baía dos Tigres. Questão sensível numa época em que não estavam ainda definidas as linhas de fronteira, era grave a crise financeira portuguesa, e com nitidez se  revelava ao exterior a  incapacidade  dos portugueses de subjugarem os povos guerreiros do Cuamato e do Cuanhama, que habitavam a sul do Cunene.   Foi então que a Companhia fez deslocar para Moçâmedes vários especialistas, de prospectores a engenheiros, biológos e agronómos, etc., com o objectivo de levar a Angola a dar o grande salto de que necessitava para progredir e se modernizar, e para que Portugal ganhasse o respeito de nações cobiçosas. 

Eram  tempos de reconversão económica, o tráfico de escravos que durante 3 séculos escoara de Angola na direcção do Brasil e Américas, tinha sido definitivamente abolido em 1869, o investimento da parte dos colonos, sem grandes capitais, não era suficiente para levar por diante o desenvolvimento de infra-estruturas necessárias, nomeadamente a construção da ferrovia, a implantação e o desenvolvimento da produção agrícola, bem como a exploração de recursos minerais, etc etc, o principal objectivo da Companhia.

Na 2ª foto acima, a foto a preto e branco, está a prova acabada de que este  SOBRADO, situado na ex-Rua da Praia do Bonfim, em Moçâmedes, a olhar para a ex-Avenida da República e para o edificio dos CTT, cujo último proprietário foi Venâncio Guimarães,  pertenceu à  Companhia de Mossâmedes, ou "Mossâmedes Society".
 
Estes são alguns pedaços da História de Moçâmedes, que se confundem com a história deste SOBRADO que mereceria ser salvo, antes que o processo de destruição se torne irreversível. Este o meu apelo a quem tem nas suas mãos o poder de manter ou de deixar cair este edifício, que foi também fruto do trabalho árduo de tantos africanos que ali deixaram o seu suor, para além daquilo que representa para a compreensão da História de Moçâmedes e de toda a região sul de Angola. Olhemos para os edifícios antigos, procurando ler através deles a mensagem que do fundo dos tempos nos estão enviando!

Como alguém muito bem disse:
“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”

MariaNJardim


O  CONTEXTO DA ÉPOCA

(1) No contexto da  chamada "Partilha da África" entre as potencias europeias, Portugal apresentou um projecto de ligação entre Angola e Moçambique (o "mapa cor-de-rosa"), na tentativa de alargar a sua presença no continente africano, projecto que colidia com os interesses da Inglaterra que sonhava com um caminho-de-ferro ligando a África do Sul ao Egipto, e apresentou a Portugal o Ultimato de 1890, que intimava a desocupação dos territórios compreendidos entre Angola e Moçambique num curto espaço de tempo: "Ou esquecem o mapa ou têm guerra!  O Ultimato levou Portugal ao abandono das pretensões assinaladas, e foi uma verdadeira declaração de guerra, que na Metrópole caiu como uma bomba face à humilhação provocada, tendo à época levantado uma onda de patriotismo, que foi aproveitada para incentivar os portugueses a partir para uma Africa que à maioria ainda despertava temores e medos.

Publicada por MariaNJardim à(s) domingo, outubro 07, 2018 Sem comentários:
Etiquetas: Companhia de Mossâmedes, Moçâmedes. Angola, Sobradi; Venâncio Guimarães;, Sul de Angola
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"Sem a História nós estaríamos em um eterno recomeço, não teríamos como avaliar os erros do passado, para não errarmos novamente no futuro".

(Rafael Hammerschmidt)

"Resiliência é a capacidade de transformar o trauma em crescimento, o sofrimento em competência"

Adalberto Barreto

Chamavam a esta foto o "Selo de Povoamento":Ermelindo Costa, Arménio Jardim e José Espirito Santo

Chamavam a esta foto o "Selo de Povoamento":Ermelindo Costa, Arménio Jardim e José Espirito Santo

Uma coisa eram as LEIS, outra coisa eram as PESSOAS. Não se pode meter tudo no mesmo saco.

Uma coisa eram as LEIS, outra coisa eram as PESSOAS. Não se pode meter tudo no mesmo saco.
MOMENTOS DE UMA COLONIZAÇÃO. FOTOS DIZEM MAIS QUE PALAVRAS. A MINHA FILHA E UMA AMIGUINHA EM MOÇÂMEDES. ANO 1970. Proibida a reprodução.

FOTOS DIZEM MAIS QUE PALAVRAS...

FOTOS DIZEM MAIS QUE PALAVRAS...
Momentos de uma colonização. Convivendo em harmonia com povos autóctones que persistiam em viver de acordo com seus ancestrais usos e costumes, os mucubais. Anos 1960, Deserto do Namibe, em Moçâmedes. Foto de João Thomás da Fonseca..Proibida a reprodução.

Fotos dizem mais que palavras...

Fotos dizem mais que palavras...
Momentos de uma colonização. Convivendo em harmonia com povos aportuguesados "quimbares", na Baía das Pipas, 1950. Cedida por Ascenção Bacharel. Proibida a reprodução.

Himbas da minha autoria

Himbas da minha autoria

Himbas da minha autoria.

Himbas da minha autoria.

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Moçâmedes e Deserto do Namibe na ponta do lápis... (desenhos by MariaNJardim)

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Deserto do Namibe

Desenhos de MariaNJardim: Moçâmedes/Namibe, Praia das Miragens by me

AVISO


Este blog é dedicado a um grupo muito particular de pessoas, ou seja, a todos aqueles que viveram em Moçâmedes, Angola, até 1975. É na prática um "álbum de recordações" que lhes permite
revisitar o passado através de textos de minha autoria e não só, e de fotos que muitos julgavam perdidas para sempre, na barafunda da partida. São centenas e mesmo milhares de fotos, grande número das quais partilhadas entre moçamedenses, outras retiradas dos meus álbuns e de álbuns de amigos e digitalizadas para o efeito, que não podem nem devem ser daqui retiradas por aqueles a quem este assunto não diga respeito, para serem publicadas em outros sites, blogs, etc, e muito menos para publicações que tenham em vista fins lucrativos, excepto com a autorização daqueles a quem as mesmas pertencem, incorrendo em falta grave quem assim proceder. Aos interessados pela História de Moçâmedes, hoje Namibe, convido-os a visitarem o blog "Mossâmedes do Antigamente". Aos interessados no Desporto, indico o "Moçâmedes, Memórias Desportivas". Aos que gostam de fotos e postais antigos, uma visitinha ao "Fotos e Postais Antigos do Namibe". Poderão ainda ver fotos de encontros mais recentes em "Encontros e Reeencontros", e fotos e postais antigos de Moçâmedes em "Fotos e Postais de Moçâmedes. Basta pôr no Google cada uma destas referências. Muito obrigado!

A autora do blog




"Vivíamos tão protegidos do resto de Angola e do mundo em redor, que estávamos sentados num barril de pólvora e sentíamo-nos num paraíso. Quando o barril de pólvora rebentou, tudo foi súbito, devastador, um tiro nas costas. O destino errado como uma corda ao pescoço."

Dragon's Quest blog




"Resiliência é a capacidade de transformar o trauma em crescimento, o sofrimento em competência"

Adalberto Barreto



Valeu a pena?
Sim, tudo vale a pena,
Se a alma não é pequena.
Quem passar além do Bojador,
Tem que passar além da dôr.

Fernando Pessoa




Ser angolano é meu fado,é meu castigo.
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor,
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras,
de língua, de costumes ou maneiras...

A questão é de dentro, é sentimento,
e nas parecenças de outras terras,
longe das disputas e das guerras,
encontro na distância esquecimento!

Neves e Sousa (Pintor e Poeta Angolano)


Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by me"

Himbas by me

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Himbas by me

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As minhas pinturas: série HIMBAS

Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by Me"

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As minhas pinturas

Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by Me"

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Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by Me"

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GENTE DA MINHA TERRA

Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by Me"

Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by Me"



Desenhos de MariaNJardim: "Himbas by Me"





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"Vivíamos tão protegidos do resto de Angola e do mundo em redor, que estávamos sentados num barril de pólvora e sentíamo-nos num paraíso. Quando o barril de pólvora rebentou, tudo foi súbito, devastador, um tiro nas costas. O destino errado como uma corda ao pescoço." In Dragon's Quest blog




Nota: Caso haja neste blog algo que não possa ser publicado por imperativos legais, solicita-se ao detentor dos seus direitos que comunique o fato. Será imediatamente retirada.
MariaNJardim



O meu olhar ...

O meu olhar é nítido como um girassol...

Tenho o costume de andar pelas estradas,
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez en quando, olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes tinha visto.
Eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial,
Que tem uma criança se,
ao nascer reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
para a eterna novidade do mundo!

Alberto Caeeiro




ÁFRICA MINHA CANTORA

Guitarra, que estás tocando ?
Não vês a cor do luar ?
Não vês a cor do Sertão ?

Não vês a erma magia
Romântica Tentação
Desta Angola que nos criou
E nos toca o coração ?

Repara a ganga infiltrando
Em selvagem natureza
O feiticeiro espeldor ;

Ouve o cantar das viuvinhas,
Dos chacais ouve os latidos ;
Vê o clarão das queimadas
E o romper das madrugadas
Em quadros belos... perdidos...

Guitarra, que estás tocando
Nesta noite de luar ?
Não vês para além das chamas
As mucaias a gingar ?
Olha as sombras africanas
Bricando sob o palmar...

Ouve o rugir do leão
Ouve o chorar duma hiena
E verás quão bem pequena
É tua voz no Sertão !

E quando vires o manto
Do grande Zaire entre as relvas...
Pára guitarra teu canto
E deixa cantar as Selvas


Uma abraço
Massemba/glória

Autor:
Eduardo Brazão-Filho
1972





Poema


O destino plantou-me aqui
e arrancou-me daqui.
E nunca mais as raízes me seguraram
bem em nenhuma terra.

Ter um destino
é não caber no berço onde o corpo nasceu,
e transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma.

Miguel Torga








Valeu a pena?
Sim, tudo vale a pena,
Se a alma não é pequena.
Quem passar além do Bojador,
Tem que passar além da dôr.

Fernando Pessoa



Meu pai respondeu:
- Ninguém é de uma raça.
As raças- disse ele -
são fardas que vestimos.

MIA COUTO


Colégio de Nossa Senhora de Fátima em Moçâmedes. Anos 1950. Foto de Teresa Carneiro


Portugal, talvez por ser um país pequeno e sem grandes recursos, talvez por ter seguido uma governação característicamente colonial, sempre entregou a escolarização dos africanos às missões religiosas, sobretudo aqueles que viviam afastados das cidades, nas regiões do interior. Nas cidades o ensino dos africanos ia acontecendo, mas sem uma obrigatoriedade escolar devidamente legislada, sendo muitos os que fugiam à escolarização. Estudavam em escolas públicas normais os considerados "assimilados" ou seja aqueles cujos pais não eram considerados indígenas porque haviam adquirido a cultura portuguesa. Foi a partir de 1961, que as coisas em Angola começaram a mudar mais aceleradamente em favor dos africanos, e aconteceu a explosão do ensino, a presença de crianças nas escolas estava finalmente a aumentar, embora fosse desejável mais, mais, e muito mais, devido à situação de atraso civilizacional em que a maioria se encontrava.

O triunfo no ensino foi obtido com o programa "Levar a Escola à Sanzala". Todos os povoados importantes passaram a estar apetrechados com centros de saúde, escola primária (incluindo carteiras, acrescente-se), e com os professores recebendo os seus salários todos os fins de mês. A revolução operada no ensino primário teve repercussão internacional. Sublinha o prestigiado "The Economist" que de 1961 a 1963 o número de africanos beneficiando de escolarização duplicou, comentando que "não podendo os alunos irem à escola, a escola vai agora até eles". Também o Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Georgetwon, em Washington, assinalou a africanização dos livros escolares, e o desejo neles patente de inculcar o espírito do multi-racialismo.

Verdade se diga, nunca os portugueses desenvolveram em relação aos africanos esses sentimentos de superioridade racial que na vizinha África do Sul conduziu ao apartheid. E sempre que a governação emanava legislação favorável à elevação os africanos, essa legislação era recebida por nós com satisfação . Até 1975, praticamente não tinhamos contactos com o Sudoeste Africano, nem com a Africa do Sul, apesar de aparentemente próximos, um vasto deserto nos separava. Não obstante nunca termos recebemos a mínima influência do apartheid, notícia errada e perversamente difundida andou por aí a tentar justificar uma influência/proximidade que nunca existiu. Fotos dizem mais que palavras...

[Alunos Escola Paiva Couceiro Professora Maximina 1945[16].jpg]


Alunos em frente da Escola Paiva Couceiro nº 45 com a Professora Maximina, datada de 1945. Retirado DAQUI

ano loectivo 67 -68 copy


Fotos dizem mais que palavras. Turma de alunos da Escola Primária Paiva Couceiro. Retirado DAQUI

Joana
Fotos dizem mais que palavras. Turma de alunos de uma Escola Primária Caluquembe- Paiva Couceiro. Retirado DAQUI

CULTURA, EDUCAÇÃO E ENSINO EM ANGOL

Ver tb AQUI, e AQUI


[Eu,+Betinha+e+Gracietinha+no+mirante.jpg]

Foto do meu album. Eu, MariaNJardim, entre duas amiguinhas a olhas a nossa terra, a partir do autêntico miradouro que é a Ponta do Pau do Sul. Foto de 1955
,


O meu olhar ...

O meu olhar é nítido como um girassol...

Tenho o costume de andar pelas estradas,
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez en quando, olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes tinha visto.
Eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial,
Que tem uma criança se,
ao nascer reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
para a eterna novidade do mundo!

Alberto Caeeiro

Naturalidade

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.

Rui Knopfli




POVEIROS EM PORTO ALEXANDRE (TOMBWA)

[PDF]

Fortis-000062E8.MAG



DESERTO

Cruzei tuas areias tantas vezes sem destino
Pasmei com a beleza agreste dos teus cactos
Nas tuas dunas fui solitário peregrino
Saciei a minha sede nos teus odres fartos

Dos alcantilados desnudos e arenosos
Dourei-me em poentes e mágicas auroras
Mergulhei no oceano meus olhos temerosos
Banhei-me em tuas águas sulfurosas.

Figuras monumentais, formas estranhas
Esculpidas pelos ventos cortantes erosivos
Escorpiões, lagartos coloridos e aranhas
Esgueirando-se ligeiros, prudentes e esquivos

Ágatas de mil cores colorindo o teu regaço
Arcos, gargantas e grutas majestosas
Fendido por rios aluviónicos o teu espaço
Florindo com a escassa chuva, a erva formosa

E à noite quando as estrelas brilham mais
Sentado ao calor das fogueiras na negrura
Ouviam-se histórias antigas de gado e mucubais
Evocando a terra do mel do leite e da fartura

E então nas madrugadas calmas, sonolentas
Aguardando do sol o cálido beijo matinal
Dissolvendo as neblinas, rasteiras, friorentas
Perante os meus olhos o meu deserto universal.

Dias de Sousa

Algarve

LIVRO "O CAÇADOR DE BRUMAS" Iº CAP

MP.CRUZEIRO GAGO COUTINHO 1959

L

  1. RECORDAÇÕES DO LICEU DIOGO CÃO, DO REINO DE ...Visualização rápida
  2. BLOG KIMBARES
  3. SITE DE CARLOS DUARTE

Himba by MariaNJardim em 2011

Experiências a lápis de côr ao serão..., com direitos de autor


A quem eventualmente pretender retirar daqui algo para os seus blogs, sites, para o facebook, etc, pede-se que não esqueça de dar a este blog os devidos créditos.


MariaNJardim





Era só plantar


Banana; abacaxi; manga; maracujá;
anona; pitanga; maboque; goiaba;
e muitos mais,
era só plantar, que a terra dava.
Batata; milho; feijão; mandioca;
arroz; tomate; pêra abacate;
e muitos mais,
era só plantar, que a terra dava.
Pargo; pescada; cherne; carapau;
garoupa; lagosta; camarão;
e muitos mais,
era só pescar, que o mar dava.
Veados; olongos; pacaças;
Palancas; javalis; impalas; gnus;
e muitos mais,
era só caçar, que a savana dava.
Amizade; fraternidade; solidariedade;
E muito mais,
era só abrir a porta, que logo entrava.

São Tomé Amora
in site Os Confrades da Poesia


Costa dos Esqueletos video


A PROPÓSITO DE SAUDADES E DE SAUDOSISMOS
"...Nossa performance na vida é determinada não apenas pelo QI, mas principalmente pela inteligência emocional. Na verdade, o intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional – ambos são parceiros integrais na vida mental. Quando esses parceiros interagem bem, a inteligência emocional aumenta – e também a capacidade intelectual. Isso derruba o mito de que devemos sobrepor a razão à emoção, mas ao contrário, devemos buscar um equilíbrio entre ambas." Daniel Goleman
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Video Riqueza Etnica de Angola
Angola: trabalhar num país em construção


OUÇA, CLICANDO AQUI O FADISTA MOÇAMEDENSE

HIMBAS: experiências a lápis de côr, ao serão...

HIMBAS: experiências a lápis de côr, ao serão...

HIMBAS by me




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RODOPIO


Sou um pássaro sem asas

que estranhamente voa

entre o certo e o incerto

no reino do sem sentido

onde dúvidas percorrem

os caminhos transversais

em circuitos de acaso

nessas verdades que morrem

e nascem uma vez mais

como fénix caída

dos verdes jardins suspensos

em contos orientais.


in Cantos do Crepúsculo (Poema 48),

Lisboa, 2010, Edições Colibri.


SABER SER

Saber ser

é saber estar

na arte difícil

de viver

sem renegar...

in Cantos do Crepúsculo (Poema 58),

Lisboa, 2010, Edições Colibri.





VIDEO "QUANDO EU FUI A BENGUELA" POR ÁFRICA TENTAÇÃO






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É expressamente proibido retirar algo deste blog tendo em vista fins lucrativos.


CONTADOR DESDE 7 DE ABRIL DE 2008

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“A pátria não são as bandeiras, nem os hinos, mas um punhado de lugares e de pessoas que povoam nossas lembranças e as tingem de melancolia” – Mário Vargas LLosa, no discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2010.

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura!


"Tenho lido com alguma frequencia que Angola era uma terra cheia de oportunidades, o que realmente é verdade, não deixa contudo de ser puro engano dizer-se que bastava alguém ser bom trabalhador para enriquecer. Li recentemente um livro cujo autor diz ter vivido alguns anos em Angola e espanta-me que também ele ajude a passar esta idéia enganadora. Embora seja um romance e por isso à partida classificado de pura ficção, não deixa contudo de cair neste erro. Lê-se ali que um casal chegado a Luanda, em pouco tempo já tinha negócios espalhados por toda a cidade e logo a seguir pelas principais cidades de Angola, isto sem falar da compra de uma "casa" na Vila Alice. Não espantava se esse casal fosse endinheirado e procurasse Angola para investir, o que não é o caso. Por vezes parece que existem duas Angolas diferentes, aquela que eu e a maioria conhecemos e uma outra, onde se chegava e se encontrava prontamente uma "àrvore das patacas" e se enriquecia duma hora para a outra. Eu nasci em Angola e embora houvesse diferenças de classes como na maioria dos países, a verdade é que era necessário muito trabalho para se viver com algum desafogo e a maioria pode atestar que também não dava para se fazerem muitas "avarias". Assim, das duas uma, ou eu e muitos outros fomos pouco inteligentes e nunca soubemos ver os "grandes negócios", ou simplesmente nunca encontramos a tal " árvore das paracas". É bom que se diga a verdade, era uma linda terra, um povo hospitaleiro e humilde, mas quem começasse do nada como o meu pai e muitos outros que ali chegaram na década de 50, mesmo com muito trabalho, nunca chegaram a ter essa tal vida faustosa que se encontram ilustradas nalguns romances. Lá como cá, se houvesse respeito pelo "próximo", creio que as oportunidades eram iguais! Facra Rone in Cubatangola ªªªª Fuga de Angola através do Deserto do Namibe

Muxima, Homenagem a Duo Ouro Negro



Africa natureza (video)

Zé Manel Martins "Moamba de Galinha"





Sim, este blog fala de SAUDADE!
E porque não?

SAUDADE não é Saudosismo,
termo de conotação negativa que reflecte o desejo, assaz interesseiro,
de retorno a um passado que o devir da História deixou para trás.

SAUDADE é sentimento puro!
Desinteressado!
Talvez, por isso, difícil de ser entendida por quem não a sente,
e porque não a sente, n'ela não crê!

"A casa da SAUDADE chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração." (*)

17.07.2011
MariaNJardim

(*) frase de Henrique Maximiliano Coelho Neto - Romancista e contista brasileiro - 1864/ 1934.


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"Porque metade de mim... é a lembrança do que fui e a outra metade... é saudade!"

Ferreira Gullar

Se te interessas pela História de Moçâmedes, clica
AQUI
Reportagem histórica com fotos da VISITA DO CHEFE DO ESTADO OSCAR DE FRAGOSO CARMONA A MOÇÂMEDSES, em 1938
DESERTO NAMIBE (VIDEO)
ATENÇÃO: HÁ FOTOS DO ENCONTRO NO RESTAURANTE CAMELO NA LOURINHÃ (clicar para abrir, e quando chegar ao fim da pg. clicar em continuar...)
Se nasceu ou viveu em Sá-da-Bandeira (Lubango), Bela Vista, Silva Porto, Dondo, nos anos 1930-1940-1950, ou teve familiares que alí viveram, se pertence às famílias Brunido, Pereira, Costa e outras, e veja este extraordinário slideshow da família Rodrigues, clicando AQUI . Poderá ter surpresas agradáveis!
VÊR: FOTOS E POSTAIS DE MOSSÂMEDES DO ANTIGAMENTE


ÍNDICE DESTE BLOG
(clicar sobre o nº da pg.)

PG.INICIAL
2ª PG 12ª PG 22ªPG 32ªPG
3ª PG 13ªPG 23ªPG 33ªPG
4ª PG 14ª PG 24ªPG 34ªPG
5ª PG 15ª PG 25ªPG 35ªPG
6ª PG 16ª PG 26ªPG 36ªPG
7ª PG 17ª PG 27ªPG 37ªPG
8ª PG 18ª PG 28ªPG 38ªPG
9ª PG 19ªPG 29ªPG 39ªPG
10ªPG 20ªPG 30ªPG 40ªPG
11ª PG 21ª PG 31ªPG 41ªPG

OS MEUS BLOGS DEDICADOS A MOÇÂMEDES (ACTUAL NAMIBE)

. Mossãmedes do Antigamente
. Namibe em fotos dos tempos que já lá vão...
. Moçâmedes minha terra
. Memórias Desportivas
. Encontros e Reencontros

OS MEUS BLOGS DE OUTRAS TEMÁTICAS

. MEU BLOG DE ARTE
. DECORAR COM GOSTO


«O meu objectivo é colocar no papel o que vejo e o que sinto da forma mais simples e melhor.»

Ernest Hemingway


1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.


Constituição da República Portuguesa, Artigo 37.

Filme giro e muito bem conseguido. Só peca porque afirma uma não verdade. A Fortaleza de Moçâmedes nunca foi depósito de escravos que alí aguardavam o embarque em navios negreiros para o exterior.

Esta fortaleza foi construida após 1844, alguns anos depois da publicação do decreto da abolição do tráfico de escravos, em 10 de Dezembro de 1836.

Poderia ter sido, talvez, depósito temporário de escravos libertados de navios negreiros clandestinos apresados por patrulhas maritimas, e que, na condição de «libertos», espécie de semi-escravos, eram distribuidos por zonas de Angola onde se fazia sentir a falta de trabalhadores, de acordo com o novo paradigma colonial de ocupação povoamento e desenvolvimento do território nos termos da Conferência de Berlim (1884-1885).

Por Mossãmedes passava nessa altura toda uma problemática ligada à urgente definição de fronteiras, daí a importância da zona, considerada próxima do sudoeste africano, cobiçada por alemães.

Um pouco da História de Mossãmedes AQUI


Deixem que vos mostre a minha terra,
na sua imensidão, na sua grandeza
ímpar e na mais espectacular beleza de vida,
sã e primitiva, que ela encerra...


Para ver centenas de fotos, clicar também AQUI)


Filme publicitário sobre o Namibe



Não se fique pela 1ª página, caro visitante. Este blog tem muito mais para ver e lêr. É só clicar em messagem antiga, no final de cada página.




Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...

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«O raio e o trovão precisam de tempo, a luz dos astros precisa de tempo, as acções dos homens precisam de tempo para poderem ser vistas e ouvidas»


Nietztche

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«Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você as dizer.»..

VOLTAIRE

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O Palácio-residência do Governador e a Igreja Paroquial de Santo Adrião, dois dos mais antigos edifícios da cidade





A Saudade e o Saudosismo

Ontem um amigo telefonou para dar notícias. Dizer que tinha lido o blogue. Eu não estava. Deixou recado. Que estava giro, mas que "são saudosistas"(nós , os que aqui escrevemos, que damos o nome e as caras, para quem se lembra de nós)

É uma velha questão esta do saudosismo. Uma vezes, chama-se apenas saudade. Outras , saudosismo. É saudade quando alguém fala da sua infância, da sua adolescência, da sua juventude, ocorrida em locais sem anátemas. Para quem nasceu em Lisboa, vive em Lisboa e só daqui saiu para, por exemplo, ir à tropa ou a umas férias no Algarve, pode, à vontade, recordar. O bairro, a professora, a árvore frondosa, o polícia simpático, o guarda-nocturno.

Já os outros que nasceram ou cresceram longe, têm que fingir e esquecer. Sobretudo se , entretanto, a terra mudou de donos. Recordar é pecar!

O conceito de saudade é complicado e, na maior parte das vezes, tem um conotação negativa. Não é o que se passa aqui. Quando recordamos, valorizamo-nos porque nos completamos, porque não esquecemos.

Não somos saudosistas porque não queremos que nada volte para trás, não queremos que nada volte a acontecer. Aconteceu e nós, agora, interpretamos. Somos capazes de dar o nosso próprio retrato de realidades que aconteceram e nos alegraram ou entristeceram, que nos fizeram viver.

Pela minha parte não abdico da minha vida. Mesmo da que passou.

Posto isto, continuemos: prometo para o próximo post uma estória com o Irmão Celso, dos Maristas.

Publicada por Leston Bandeira in Africander

....................


"Que seria de nós
se não tivéssemos memória?...
Esqueceríamos as nossas amizades,
os nossos amores, as nossas lutas,
os nossos trabalhos. (...)
A nossa existência reduzir-se-ia
aos instantes sucessivos
do momento actual
que foge sem cessar.
A nossa vida é tão vã que, no fundo,
ela não é mais que o reflexo
da nossa memória."


Chateaubriand




Viviamos no quadro do de um regime colonialista, de ditadura, mas uma coisa era o regime outra eram as pessoas. Confundi-lo é não querer compreender, é escamotear a realidade dos factos. Viviamos no quadro do de um regime colonialista, de ditadura, mas a maioria de nós não tínhamos mentalidade colonialista, e isto é uma verdade inquestionável. Uma coisa era o "sistema", outra coisa eram as pessoas. E enquanto continuarmos a colocar tudo e todos no mesmo saco, não conseguiremos nunca compreender nada, seremos redutores e injustos nas nossas apreciações.

O "sistema" instituído cindiu as pessoas de acordo com a côr da pele, sem dúvida! Ergueu entre elas barreiras dificilmente transponíveis, criou o "indiginato" criou o "estatuto de assimilado". Fez tudo isso sem consultar a população branca, uma sector da população que politicamente estava longe de ser esclarecido. O "sistema" enveredou por essa via para manter o controlo sobre a população negra que era numericamente esmagadora, e ai daquele branco que tivesse a ousadia de o criticar. O poder tinha o seu programa para as colónias de África, centralizado no Terreiro do Paço, os Governadores Gerais não possuíam a mínima autonomia. Até 1961, Universidade em Angola nem pensar, poderia desencadear algo de subversivo. Quando nesse ano estalaram problemas no norte de Angola e zonas fronteiriças, e teve início a luta armada, o Governo procurou remediar o tempo perdido através de avanços económicos mais ousados e o lançamento de todo uma série de infraestruturas necessárias, incluso ao nível dos estudos superiores, porém a este nível isto não aconteceu sem que Venâncio Deslandes, o Governador, e o Professor Adriano Moreira, Ministro do Ultramar, logo no ano seguinte aos seus mandatos acabassem demitidos, devido às suas ousadias.

Nos anos 1950, os brancos nascidos em Angola eram considerados "brancos de segunda" ou euro-africanos, para que não pudessem ascender a determinados cargos públicos na administração do território, competindo com os reinóis, os brancos nascidos no reino. Eram olhados com suspeição! O trauma da independência do Brasil, estava sempre presente.

Moçâmedes só teve o seu Liceu em 1961, nesse fatídico ano em que tudo começou a mudar. Até então, em termos educacionais, dominava a ideia de que para as gentes de Moçâmedes, voltadas que eram para as coisas do mar, bastaria uma escola Técnico-Profissional, que estaria mais de acordo com as suas necessidades. Os moçamedenses não podiam prosseguir para estudos superiores. Nem o 5º ano da Escola Industrial e Comercial, dava equivalência ao 5º ano liceal , nem possuiam Liceu para o frequentar, excepto se se deslocassem para o Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira, ou similar. Os estudantes em Angola não possuíam uma Universidade. Não convinha um grau de instrução elevado para as pessoas do Ultramar. Só aqueles que tinham posses e podiam mandar os filhos para uma Universidade na Metrópole podiam realizar o sonho.

Os jovens saiam de Moçâmedes, o mesmo é dizer de Angola, completamente despolitizados. A censura prévia chegou a interditar até o acesso aos livros de Jorge Amado, na única Biblioteca existente, a Biblioteca do Ferrovia, considerados subversivos. Por isso a Casa dos Estudantes do Império na Metrópole depressa se tornou num alfobre de estudantes das colónias oposicionistas ao regime, que acabaram por ter que debandar do país para não serem metidos nas cadeias da Pide.

Não é sério abordar a problemática do colonialismo através de compartimentos estanques, colocando de um lado portugueses, do outro africanos, fazer dos colonos os "bodes expiatórios de todos os males", ignorando propositadamente aspectos como estes que tocaram um pouco a todos, ainda que em aspectos e em proporções diferentes. Bastante diferentes!





TER UM DESTINO


O destino plantou-me aqui
e arrancou-me daqui
E nunca mais as raízes
me seguraram bem em nenhuma terra

Ter um destino

é não caber no berço onde o corpo nasceu,
e transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma.

Miguel Torga..................
[welwitschia+2.jpg]
Welwitschia Mirabilis

Na desolada solidão enorme
Do Kalahari rasteja esta planta
Que em seu aspecto único, disforme,
Umas vezes me enerva, outras me encanta

Tem a aparência de um polvo gigante
Fossilizado sob o solo ardente
Que é hoje areia em fogo calcinante,
E foi fundo marinho antigamente

As folhas largas, contorcidas,
Parecem traduzir a sede, a mágua,
De línguas abrazadas, estendidas
Num desespero a ver fugir a água

Eu estremeço, quando a noite desce,
Ao ver aquela massa desgrenhada
Que me congela o sangue e me parece
Uma cabeça fria, decepada

Cabeça do Baptista sobre o prato,
De prata, que o luar funde na areia,
Cabeça de Holoformes ainda cheia,
De luxúria e de horror do assassinato

Furtado d'Antas

(Composição lírica publicada pelo semanário Mossãmedes de 1 de Janeiro de 1938)




Ainda é cedo...

«O raio e o trovão precisam de tempo, a luz dos astros precisa de tempo, as acções dos homens precisam de tempo para poderem ser vistas e ouvidas»


Nietztche

"É ESCUSADO. NÃO POSSO TER OUTRO PARTIDO SENÃO O DA LIBERDADE" MIGUEL TORGA

A todos os que souberam amar Angola, e foram muitos...

VIDEO ANGOLA Nr. 1 (impressionante reencontro em Caluquembe)
VIDEO ANGOLA Nr. 2 (impressionante reencontro em Caluquembe)

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Clicar para ver:

DESPORTO MOCAMEDES

MOSSÂMEDES ANTIGAMENTE

FILME ANTIGO DE SA-DA-BANDEIRA (LUBANGO)
(Muito completo)

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Páginas

  • LIVROS E OUTROS ESCRITOS DIGITALIZADOS
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Por onde andam as gazelas do espelho de agua da Avenida do Namibe? (Clicar na foto para ver...)
....

Acabadas de chegar 70 fotos recentes da cidade do NAMIBE (ex-Mocamedes). Clicar AQUI para ver

......


Mora a Welwitschia no ermo solitário
A flor de Angola, dum areal do Sul,
Braços coleantes sob o céu azul,
A flor da sede, em prece num calvário...

A estranha raridade vegetal
Será, talvez, num velho mar extinto,
Um polvo exótico, ou a aflor do mal,
vencendo a morte no rigôr do instinto...

Seja o que fôr, estrela, monstro ou flor
Eu sinto-lhe nos braços revoltados
A trágica expressão da imensa dor,
Talvez, de belos sonhos destroçados...

Eu penso que a welwitschia exilada
No seu mundo de sede e solidão
É irmã de tanta alma torturada,
Que anda sózinha em meio à multidão...

Furtado d'Antas

Composição lírica publicada no semanário Mossãmedes, 1 de Janeiro de 1938





Deixem que vos mostre a minha terra, na sua imensidão, na sua grandeza ímpar e na mais espectacular beleza de vida, sã e primitiva, que ela encerra... (clicar AQUI)) .........

CRIANÇAS DO NAMIBE FESTEJAM O NATAL CRISTÃO

CRIANÇAS DO NAMIBE FESTEJAM O NATAL CRISTÃO

"O GRANDE POEMA" "Este é o poema que eu escrevi Para as crianças da minha terra !... Para as crianças negras, e brancas, e mestiças, sem distinção de cor... comungando o Amor que as unirá... Este é o poema que eu escrevi a sonhar... de olhos perdidos no mar, que me separa delas... O poema que eu escrevi a sorrir... a gritar confianças desmedidas nas ânsias partidas... quebradas... como velas de naufrágio !... O poema que eu escrevi a soluçar, sobre os livros onde não encontrei para os sonhos resposta um dia !..." de : ALDA LARA 1949 (extraído do blog O Lupango da Jinha) ...... Angolano Ser angolano é meu fado e meu castigo Branco eu sou e pois já não consigo Mudar jamais de cor e condição Mas, será que tem cor o coração? Ser africano não é questão de cor É sentimento, vocação, talvez amor. Não é questão, nem mesmo de bandeiras, De língua, de costumes ou maneiras… A questão é de dentro, é sentimento E nas parecenças doutras terras, Longe das disputas e das guerras Encontro na distância esquecimento. (Neves e Sousa 1979)
Video Comboio do Namibe (actual)

http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/


...............
Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade


Clicar aqui
: Mossãmedes do Antigamente
onde pode ver inúmeras fotos e postais do início da colonização incluindo de colonos pioneiros que poderão ser seus antepassados, tais como José Joaquim de Pinho cuja descendência está ligada aos Pinho Gomes; idem da família Torres; idem da familia Duarte de Almeida; idem das familias Peleira, Peixe, Ganho, etc.etc.
....


Reportagem recente sobre a ex-Moçâmedes (cidade do Namibe), em video AQUI (não perca)

....................

Entrevista a Riquita, miss Angola e Miss Portugal 1971: http://www.recordarangola.com/

Entrar
Seguidamente, clicar em "continuar"

depois, em "rádio"
depois, em "ouvir" (dia 03-10-2009)

.....................



CLICAR AQUI PARA VER MOSSÂMEDES DO ANTIGAMENTE

CLICAR AQUI PARA MATAR SAUDADES DE MOÇÂMEDES/NAMIBE


CLICAR AQUI PARA VER MOÇÂMEDES E O DESPORTO


CLICAR AQUI PARA VER PORTO-ALEXANDRE ESTÁ A RENASCER

BAÍA DOS TIGRES VAI DESAPARECER?



Seguidores


A memória longínqua de uma pátria
eterna mas perdida e não sabemos
se é passado ou futuro onde a perderemos


Sophia de Mello Breyner


Malhas que o Império tece...
(interessante relato de uma conterrânea nascida no Lubango)


Lembro-me de quando olhava para trás e todo esse passado era a minha infância. Depois, a criança que fui foi diminuindo, diminuindo, como se eu me afastasse num carro e ela ficasse no passeio a dizer-me adeus. A criança ficou para trás, numa pequena cidade do interior de Angola, perdida no grande continente africano. Aos onze anos essa infância foi guilhotinada. Desceu a Serra da Leba e subiu para um barco de carga que a levou a Luanda. Depois, atravessou a ponte aérea. Continua...
Veja, clicando AQUI , centenas de fotos da cidade de Moçâmedes, actual Namibe: casas, ruas, jardins, praias, arredores etc... E mate SAUDADES daquela terra!

Angolano

Ser angolano é meu fado e meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
Mudar jamais de cor e condição
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
É sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão, nem mesmo de bandeiras,
De língua, de costumes ou maneiras…

A questão é de dentro, é sentimento
E nas parecenças doutras terras,
Longe das disputas e das guerras
Encontro na distância esquecimento.

(Neves e Sousa 1979)


...................

“Se você é branco isso não interessa a ninguém, se você é mulato isso não interessa a ninguém, se você é negro isso não interessa a ninguém. Mas o que interessa é sua vontade de fazer uma Angola melhor, uma Angola verdadeiramente livre,uma Angola independente”.

Teta Lando:

.........................

Homem de Mello disse que Portugal deve pedir desculpa pela forma "vergonhosa" como retirou de África. "[O secretário de Estado norte-americano] McNamara pediu desculpa pelo Vietname, a Igreja pediu desculpa pela Inquisição. Só Portugal é que não pede desculpa"



Segundo Homem de Mello, Portugal "podia ter sido o primeiro Estado colonial] a sair do Ultramar e foi o último" a deixar as suas colónias. "Perdemos a guerra, que podíamos não ter feito. Perdemos o Ultramar, quando podíamos ter ficado se tivéssemos saído a tempo e horas."
................

«Ah, se eu tivesses menos vinte anos! Que faria ? Havia de pôr os brancos contra os brancos em África, e os pretos contra os pretos, e brancos e pretos uns contra os outros e nós haveríamos de sair incólumes no meio de tudo».

Frase proferida por Salazar em 1966 de acordo com o que vem exarado no livro de Franco Nogueira “Salazar O ultimo combate 1964-1970” 4ªedição ( 2000) da Companhia Editora do Minho S.A.
.......................

As diferentes "civilizações" ao longo da história não foram produto da livre criação do espírito e da mente humana, senão um emergente de estratégias e políticas orientadas à conquista (militar, económica, política e social) das classes mais poderosas sobre os extactos mais fracos da população humana.

A humanidade só terá paz, quando no coração do homem a paz for cultivada.




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LUANDA DO FUTURO

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Da terra

… era a minha sementeira
se eu tivesse a mesma sina
que aproveita a goiabeira

de semente pequenina
começou por ser verdinha
mas depois se avermelhou

depois
a passarada
chilreando à liberdade descuidada
leva no bico a goiaba
que a goiabeira gerou

Manuel Rui

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"Nunca desesperes face às mais sombrias aflições de tua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda." Provérbio chinês



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BAÍA DOS TIGRES VAI DESAPARECER?


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1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.


Constituição da República Portuguesa, Artigo 37.
..................

Responsabilidade

NOTA - Os textos assinados por outrem ou retirados de outros blogs ou sítios não reflectem necessariamente a opinião ou posição da autora deste blog, e serão retirados a pedido do respectivo autor ou responsável, salvo se tiverem sido enviados pelo próprio ou se houver uma autorização genérica de utilização.
O material de sua autoria só pode ser reproduzido por outrem para fins não comerciais desde que mencionem a fonte de onde tenham sido retirados, total ou parcialmente

.................


Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...

............


«O raio e o trovão precisam de tempo, a luz dos astros precisa de tempo, as acções dos homens precisam de tempo para poderem ser vistas e ouvidas»


Nietztche

............


«Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você as dizer.»..

VOLTAIRE

..........


A verdade que eu conto, nua e pura,
Vence toda a grandíloqua escritura!
(Camões - Os Lusíadas - Canto V, 89)




Cidades de Angola em franca recuperação:
NOVA LISBOA Actual HUAMBO
PORTO ALEXANDRE actual TOMBWA









TIVE SORTE


Tive sorte
Sorte de ter nascido onde nasci
de ter tido a família que tive
de ter crescido onde cresci
Sorte de ter os amigos que tive

Sorte de ter vivido onde vivi
de ter acreditado no que acreditei
de ter vivido na época em que vivi
Sorte de ter pensado o que pensei

Sorte de ter vivido o que vivi
de ter chorado o que chorei
de ter vivido com quem vivi
Sorte de ter amado quem tanto amei

Sorte que assim guardo para sempre
valendo mais que todo o ouro
Lembra; tudo o que acima disse,
como o meu mais valioso tesouro.

tirei DAQUI

.................


FUGA EM CARAVANA DE ANGOLA PELO CUNENE



ESCUTA

Solta a tua voz, não tenhas medo
Não cultives a flor da solidão.
Tens vontade tão firme, qual rochedo
Na chama que te aquece o coração.

Tens em ti força p’ra mover montanhas
Grita aos quatro ventos, a poesia.
Em tua alma, as belezas são tamanhas
Como o sol que renasce dia a dia.

São de vidro as paredes da cadeia,
Correntes que te prendem, mera teia
Onde algemas ideias, com receio
Da incompreensão que encontras de permeio

Olha que não há eco sem barreiras.
Audácia te proteja além fronteiras.
É hora de quebrares esse mutismo.
Só em ti, no medo, está o abismo.

É mero sulco, o fosso que te isola
O herói, não se rende, nem se imola.
Faz de espelho, reflecte a lua
A esperança que te é peculiar

A luz que tens no peito e não é tua
Que outro espelho, essa luz vá encontrar
E outro, e outro, sempre, sem parar
E o mundo inteiro hás-de iluminar.

poema de Aida Viegas






1. ANGOLA: "O 27 de Maio de 1977"
1 O início da Guerra de Angola Estado Português e espoliados do Ultramar 2. ANGOLA: Morte de Agostinho Neto na URSS (video)

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Há 32 anos atrás...
toda a realidade que estas fotos e descrições encerram de um dia para outro se volatilizou como se de fumo se tratasse. Uma ponte aérea sem retorno, apressadamente montada, símbolo de uma colonização mal orientada e de uma descolonização fracassada, trouxe-nos «de volta» à terra dos nossos trisavós, bisavós, avós... Sim! Não à nossa terra! Essa ficara para sempre para trás...
32 anos depois...
De Moçâmedes. restavam-me fragmentos dispersos de recordações! Da sua terra, os meus filhos nada sabiam!
Foi quando resolvi deitar mão à tarefa da reconstrução «virtual» de Moçâmedes e das suas gentes através das possibilidades que esta máquina maravilhosa nos oferece. Apenas porque... RECORDAR É VIVER. Sem saudosismos!

Para começar necessitava de fotos, muitas fotos, de factos e mais factos, de recordações, muitas recordações... Familiares e amigos permitiram-me as primeiras colheitas, as outras vieram a seguir, em catadupa, e numa progressão que julgava inconcebível, para além das conseguidas através da net, livros, revistas...

A criação deste blog, tem sido um exercício mental salutar!
Hoje, já consigo pensar a minha terra e as suas gentes quase com a nitidez de outros tempos. E os meus filhos já têm da sua terra uma imagem e uma ideia que antes desconheciam. Eram crianças!

Resolvi tornar público este blog, porque quero partilhar com os moçamedenses e com os amigos de Moçâmedes a satisfação que senti ao revisitar o passado. E não só partilhar este, mas também outros dedicados àquela terra, e cujas referências podem ser encontradas mais acima, na barra à direita, bem assim como os diversos slideshows (7) por mim elaborados e colocados no U tube.

Antes de terminar, quero agradecer mais uma vez a todos quantos comigo têm colaborado enviando-me fotos, postais, etc, bem como agradecer a eventuais outros que de ora em diante o queiram fazer através de : jardim.n@gmail.com
Bem haja
Lx, 2007 (ano do início deste blog)
De uma moçamedense para todos vós
MariaNJardim

Tema Simples. Com tecnologia do Blogger.