Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome e proveniência do autor, sendo considerado PLÁGIO quem não as respeitar. MariaNJardim

10 outubro 2025

O Edificio dos CTT de Moçâmedes





O Edificio dos CTT de Moçâmedes  foi construido no inicio dos anos 1950, pela Empresa local, a Cicorel, em lugar  privilegiado, ao fundo da Avenida da República, na Rua Bastos,  muito próximo da Estação do Caminho de Ferro, e do velho campo de futebol.  Até então estes serviços funcionavam no edifício da Alfandega, numa das alas laterais, a convergir para a Praça Leal, ou Praça de Táxis. 
 
No inicio dos anos 50, a cidade de Moçâmedes até então como que estagnada, em termos populacionais e de desenvolvimento, devido ao desenrolar da 2ª grande Guerra de 1939-45, à exigência de "Cartas de chamada" que entravavam a fixação de gentes idas da Metrópole para Angola, à suspensão no decurso da guerra do  plano quinquenal  que se destinava a melhoramentos das infraestruturas consideradas necessárias para a cidade e distrito,  dado que o material era quase na totalidade importado da metrópole e do estrangeiro, e  as fábricas europeias fornecedoras haviam  passado, nesse período crítico, a estar ao serviço da guerra. 
 
Foi  pois, no periodo pós guerra que a construção do edifício para os Correios, Telégrafos e Telefones, cuja foto aqui exponho, arrancou,  tornada uma necessidade absoluta.  Até então era por meios primários de comunicação, instrumentos acústicos e estafetas que o sistema funcionava.  
 
Desde 1798 que os Correios, no quadro de um sistema rudimentar, surgiram em Luanda e em Benguela, mas como tudo em Angola, o interesse de Portugal pela colónia foi-se revelando apenas e só apenas ,após a independência do Brasil, a conta gotas, e com poucas realizações, sob o impulso da Conferência de Berlim, em 1884, as necessidades na área das comunicações levaram o Governador Geral de Angola, Francisco Joaquim Ferreira de Amaral, em 14 de maio de 1885, após ter constatado os bons resultados de dois telefones modernos, a enviar um oficio ao Ministro da Marinha e do Ultramar sobre o estabelecimento de uma rede geral de telefones em todas as estações oficiais e em casas particulares, fazendo uma encomenda de 50 telefones à Alemanha.
 
Foi a partir de 1900, que se verificou uma evolução rápida na regulação dos serviços dos CTT. Em 1902 o Regulamento dos Correios Ultramarinos centralizou os vários serviços num único organismo, os CTT. A rede dos CTT existente em 1910 era composta por 44 estações postais, 122 estações telégrafo/postais, 22 estações rádio telegráficas, e 2 estações telegráficas. Em 1916 uma nova organização dos CTT coloniais veio substituir o regulamento de 1902.  
 
O edificio dos CTT de Moçâmedes em construção



Outra perspectiva do edificio dos CTT de Moçâmedes

Em 1936 a imprensa angolana  lamentava ainda o deficiente e moroso serviço postal na Colónia, reduzidos a duas malas regulares mensais que eram conduzidas por vapores que faziam a carreira de Moçambique, porque outros vapores tinham uma periodicidade irregular  tocando vários pontos da costa africana. Reclamava-se os prejuízos para a economia e empresas devido ao deficiente serviço postal prestado pelos CTT, porquanto a vizinha Moçambique desde 1834 possuia ligações aéreas regulares com Portugal e a Europa, em conexão com a Imperial Bristsh Airways. 
 
Em Angola os CTT procuravam encontrar uma saida dada a inexistencia de um serviço postal por via aérea, procurando negociar com a Sabena  negociação com a SABENA a possibilidade de uma ligação quinzenal entre Leopoldville e Luanda, que o governo de Lisboa recusou por questões politicas. Angola ao contrário de Mocambique não possuia aviação civil e aceitar a entrada de uma companhia de aviação belga era perante a comunidade internacional sinónimo da incapacidade de Portugal para desenvolver ecomicamente os territórios ultramarinos. Porém desde finais de 1935 existiam contactos com os CTT de Mocambique a fim de colher informação sobre processos administrativos e documentação  relacionadas com correio aéreo, dada a grande experiencia detinham em matéria de serviço aéreo postal.

VER AQUI SELOS
e AQUI
e AQUI

 
Em matéria de comunicações, foi em 9 de Julho de 1884 assinado um contrato provisório entre o conde Thadeu Oksza e o Governo português para o estabelecimento do um Cabo Submarino entre Lisboa e Luanda, tocando S. Tomé com ramais para o Senegal e Bissau. Em 5 de Junho de 1885 é assinado o contrato definitivo e autorizada a transferência da concessão dada ao Conde relativa ao cabo telegráfico submarino de Luanda a Cape Town. Em 15 de Abril de 1886 é publicado o decreto autorizando um acordo com a West African Telegraph Company e a African Direct Telegraph Company, respeitante à construção e exploração de cabo telegráfico submarino para a costa ocidental de África.  Em 28 de Setembro desse ano no dia do aniversário do Rei D. Carlos, é inaugurado com todas as solenidades o Serviço Telegráfico entre Lisboa e Luanda. E em 1 de Maio de 1889 é inaugurado o cabo telegráfico submarino entre Luanda e o Cabo da Boa Esperança, tocando Moçâmedes e Benguela. Mas estes avanços estiveram intimamente ligados à Campanhas Militares  que  começaram a desenrolar-se a seguir à Conferência de Berlim e que iriam se arrastar até às primeiras décadas do séc xx, periodo que  se completa o estabelecimento definitivo de fronteiras no território angolano, e que culmina  na total submissão avassalamento das populações africanas revoltadas.

Sem comentários:

Enviar um comentário