O Edificio dos CTT de Moçâmedes foi construido no inicio dos anos 1950, pela Empresa local, a Cicorel, em lugar privilegiado, ao fundo da Avenida da República, na Rua Bastos, muito próximo da Estação do Caminho de Ferro, e do velho campo de futebol. Até então estes serviços funcionavam no edifício da Alfandega, numa das alas laterais, a convergir para a Praça Leal, ou Praça de Táxis.
No inicio dos anos 50, a cidade de Moçâmedes até então como que estagnada, em termos populacionais e de desenvolvimento, devido ao desenrolar da 2ª grande Guerra de 1939-45, à exigência de "Cartas de chamada" que entravavam a fixação de gentes idas da Metrópole para Angola, à suspensão no decurso da guerra do plano quinquenal que se destinava a melhoramentos das infraestruturas consideradas necessárias para a cidade e distrito, dado que o material era quase na totalidade importado da metrópole e do estrangeiro, e as fábricas europeias fornecedoras haviam passado, nesse período crítico, a estar ao serviço da guerra.
Foi pois, no periodo pós guerra que a construção do edifício para os Correios, Telégrafos e Telefones, cuja foto aqui exponho, arrancou, tornada uma necessidade absoluta. Até então era por meios primários de comunicação, instrumentos acústicos e estafetas que o sistema funcionava.
Desde 1798 que os Correios, no quadro de um sistema rudimentar, surgiram em Luanda e em Benguela, mas como tudo em Angola, o interesse de Portugal pela colónia foi-se
revelando apenas e só apenas ,após a independência do Brasil, a conta gotas, e com
poucas realizações, sob o impulso da Conferência de Berlim, em 1884, as necessidades na área das
comunicações levaram o Governador Geral de Angola, Francisco Joaquim Ferreira
de Amaral, em 14 de maio de 1885, após ter constatado os bons resultados de dois
telefones modernos, a enviar um oficio ao Ministro da
Marinha e do Ultramar sobre o estabelecimento de uma rede geral de
telefones em todas as estações oficiais e em casas particulares, fazendo
uma encomenda de 50 telefones à Alemanha.
Foi
a partir de 1900, que se verificou uma evolução rápida na regulação dos
serviços dos CTT. Em 1902 o Regulamento dos Correios Ultramarinos
centralizou os vários serviços num único organismo, os CTT. A
rede dos CTT existente em 1910 era composta por 44 estações postais, 122
estações telégrafo/postais, 22 estações rádio telegráficas, e 2
estações telegráficas. Em 1916 uma nova organização dos CTT coloniais
veio substituir o regulamento de 1902.
Outra perspectiva do edificio dos CTT de Moçâmedes
Em 1936 a imprensa angolana lamentava ainda o deficiente e moroso serviço postal na Colónia, reduzidos a duas malas regulares mensais que eram conduzidas por vapores que faziam a carreira de Moçambique, porque outros vapores tinham uma periodicidade irregular tocando vários pontos da costa africana. Reclamava-se os prejuízos para a economia e empresas devido ao deficiente serviço postal prestado pelos CTT, porquanto a vizinha Moçambique desde 1834 possuia ligações aéreas regulares com Portugal e a Europa, em conexão com a Imperial Bristsh Airways.
Em Angola os CTT procuravam encontrar uma saida dada a inexistencia de um serviço postal por via aérea, procurando negociar com a Sabena negociação com a SABENA a possibilidade de uma ligação quinzenal entre Leopoldville e Luanda, que o governo de Lisboa recusou por questões politicas. Angola ao contrário de Mocambique não possuia aviação civil e aceitar a entrada de uma companhia de aviação belga era perante a comunidade internacional sinónimo da incapacidade de Portugal para desenvolver ecomicamente os territórios ultramarinos. Porém desde finais de 1935 existiam contactos com os CTT de Mocambique a fim de colher informação sobre processos administrativos e documentação relacionadas com correio aéreo, dada a grande experiencia detinham em matéria de serviço aéreo postal.
VER AQUI SELOS



Sem comentários:
Enviar um comentário