"A ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR DE MOSSÃMEDES"
A "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes" encontrava-se estabelecida no edificio â dt. pintado de escuro, sita na Rua da Praia do Bonfim , na cidade de Moçâmedes
A 1ª República Portuguesa (1910-1926) com a reforma de 1911, dividiu o ensino primário em três graus: o elementar, o complementar e o superior, este um tipo de ensino inteiramente novo, com base no princípio de que era necessário facultar mais cultura aos que completavam o ensino elementar e não tinham a possibilidade de ingressar no ensino liceal.
Assim surgiu a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes" criada em 23 de Agosto de 1919, mas posta a funcionar apenas em 1925, um ano antes da queda da 1ª Republica Portuguesa. Esta Escola, vista por muitos como "o seu Liceu", embora ostentasse a designação considerada por muitos depreciativa de "Escola Primária Superior", possuía um currículo de cariz literário que a demarcava de um ensino profissional e primário, e a colocava a par de um ensino secundário, situação que causava o desânimo dos respectivos professores. Foi o caso de Manuel Júlio de Mendonça Torres, autor da obra "O Distrito de Moçâmedes", então professor a leccionar na referida Escola, bem como de uma parte da população que não deixava, por todos os meios de que dispunham de salientar que a Escola Primária Superior "Barão de Mossãmedes", dada a carga literária do seu currículo, era uma escola de ensino secundário, pugnando para que assim fosse considerada. Mas a Escola Primária Superior "Barão de Mossâmedes" acabaria, com grande desapontamento dos professores e da população em geral, por não apenas não ter sido assim reconhecida, como por ser dissolvida, sendo em seu lugar inaugurada a "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", uma escola de cariz técnico- profissional, considerada mais adequada à população estudantil de uma cidade voltada para as coisas do mar, que deveria possuir um cariz profissionalizante isenta da considerada "desnecessária carga literária" de um Liceu, instituição considerada propedêutica a um ensino superior ainda inexistente em Angola. Por sua vez, a "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", por natural evolução, passou a ser denominada "Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes", em 1952, tendo mais tarde, em 13 de Agosto de 1960, passado a ser denominada "Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique" então já em edifício próprio.
Quanto à "aversão" governamental à expansão da instituição liceal nas colónias, essa era tal que a determinada altura, um Director dos Serviços de Instrução chegara mesmo a publicar um artigo nos jornais, em que desmerecia o ensino liceal em Angola. Os argumentos avançados eram de que o Liceu formava burocratas, que os colonos não tinham dinheiro para mandarem os filhos estudar para a Metrópole, etc etc.. Insinuava-se até que "os angolanos não tinham propensão para intelectuais, e denotavam “insuficiências para os estudos superiores”. No entanto enquanto a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes" passava por esta situação de pura extinção para dar lugar a uma Escola Tácnico-Profissional, na vizinha Sá da Bandeira, a "Escola Primária Superior Artur de Paiva", foi transformada no Liceu Diogo Cão, criado em 1929, passando a ser, juntamente com o Liceu Salvador Correia de Luanda, fundado em 1919 pela portaria n. 51, equiparados aos liceus metropolitanos, sendo à época os únicos liceus em Angola. Porém importa não deixar passar em claro que no ano de 1937, no quadro da nova orientação política para Angola, iniciado por Armindo Monteiro, Ministro das Colónias em 1932, chegaram a tentar anular o "Liceu Diogo Cão" de Sá da Bandeira, seguindo a regra aplicada à Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes", porém a população levantou-se, e de tal modo que tal não chegou a acontecer.
Há que ter em conta que, com a subida ao poder de Salazar e do ESTADO NOVO, as matérias a leccionar eram na maioria de cariz mais prático e profissionalizante. Para além da justificação oficial avançada sobre a "falta de saídas profissionais", outros fatores estratégicos sustentavam estas barreiras a um ensino mais literário e formativo. Na verdade tais restrições não passavam de mecanismos de controlo. O regime temia que o acesso generalizado a um ensino superior e humanístico (liceal) criasse uma massa de intelectuais críticos que pudessem liderar movimentos de contestação. As colónias não precisavam de doutores que justificassem a abertura de Universidades, dado a inexistência na época de saídas profissionais à altura, para que estes não ficassem no desemprego. O que as colónias precisavam era de escolas técnico-profissionais O foco no ensino técnico-profissional , na realidade, visava formar "mão-de-obra qualificada" , menos intelectualizada, mais submissa, essencialmente voltada para a exploração de matérias-primas e para a dependência económica e financeira da colónia à Metrópole. Daí que até 1961 existissem apenas em Angola os liceus de Luanda e de Sá da Bandeira, e os alunos que quisessem prosseguir para estudos superiores tivessem que, logo aos 10 anos de idade, completada a 4ª classe, deixar a casa paterna e, e a expensas de suas famílias se deslocarem para a cidade de Sá da Bandeira, matricularem-se no Liceu DIOGO CÂO, e daí, completado o 7º ano, deslocarem-se para uma Universidade na Metrópole. Foi até 1961 o caso daqueles que viviam em cidades como Moçâmedes, às quais não era conferida a dignidade de possuirem um Liceu. A opção seria deixarem-se estar nas suas residências, desistirem de tais aspirações, frequentarem uma Escola Secundária, ficarem-se por um 5º ano de cariz técnico-proissional, sem equivalência ao 5º ano Liceal. O Ensino Liceal era encarado apenas como propedêutico à Universidade, possuía uma carga Literária que o Técnico Profissional, considerado o mais adequado ao estádio de desenvolvimento da colónia de Angola, não possuía. Na óptica do novo legislador, de nada serviria a habilitação superior, quando o país em seu estádio de desenvolvimento não garantia ainda saídas profissionais adequadas. Seria criar nos estudantes e familiares --falsas e desnecessárias expectativas. Não se colocava em questão o baixo índice de cultura geral tão necessária ao avanço civilizacional das população, e sua formação. Bastaria que a profissão do pai fosse prosseguida pelo filho, sem o conceito de ascensão sócio cultural, algo incomodativo para uma autoridade que fazia da censura prévia a livros, jornais, filmes, meios favoritos de combate a eventuais competidores.
Foi em 1961 que todos estes impedimentos finalmente caiam por terra, devido aos grandes descontentamentos gerados, uma vez que na realidade a redução ao ensino liceal a Luanda (Salvador Correia) e Sá da Bandeira (Diogo Cão) funcionava como um filtro geográfico e económico que limitava a ascensão de elites locais.
1961, o ano do início da Guerra Colonial (Fevereiro de 1961) e o contexto internacional de descolonização acabariam por forçar Portugal a mudar radicalmente de estratégia para tentar manter a soberania. É aqui que surgem as reformas de Deslandes, que vieram acelerar a abertura de novos liceus por todo o território. Em 1962, foram criados os Estudos Gerais Universitários de Angola, o embrião do ensino superior em Angola.
MNJARDIM
Inclui lista dos nomes dos primeiros candidatos à "ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR BARÃO DE MOSSÃMEDES" .
Marian Jardim
INAUGURAÇÃO SOLENE
DA ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR
DE MOSSÂMEDES. LISTA DOS ALUNOS CANDIDATOS a NOCTURNO.
Do Jornal “O Mossamedense”, nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série. Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro.
Marian Jardim
INAUGURAÇÃO SOLENE
DA ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR
DE MOSSÂMEDES. ALUNOS MATRICULADOS NA 1ª CLASSE DO ENSINO GERAL. Do Jornal “O Mossamedense”, nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série
Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro.
Chantelle Jesson
Maravilha!
Na lista constam alguns familiares e conhecidos!


Sem comentários:
Enviar um comentário