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06 outubro 2007

Familias de Moçâmedes no Caraculo: 1960

Reconheço nesta foto, de pé e da esq. para a dt.: Edith Torres, Rui Torres, Maria Amélia Parreira da Cruz, Eduardo de Mendonça Torres ( o proprietário das Hortas) e Parreira da Cruz.
À esq., sentadas na escada: Paula Chalupa e Rui Torres filho (em cima),
Finita Parreira da Cruz e Vitoca Torres ( sentados no 2º degrau), Estela (irmã da Maria Amélia Parreira da Cruz ) e Mélita Parreira da Cruz (em baixo).

SONHO

Num preclaro dia, sorria e sonhava;
num silêncio de fogos ao longe,
belo Pássaro azul, despertava,
me dizia: "Voemos, para Maconge!"

Assim sobre nuvens fomos, voámos,
nos extremos asas se tocando,
pelas celestes águas deslizámos,
o Sabedor a rota conduzindo.

Atlântico mar Diogo navegou
em lúcidas marés e brisa forte;
lá nos tempos de antanho desbravou
terra e céus, com a estrela da sorte.

Vão pelo aéreo sonho acicatados,
estes novos nautas, agora alados;
pelo vapor em leveza descendo,
do Cherungo, a enseada avistando.

Tendo a costa e praias sobrevoado,
rumo ao sol, no horizonte alçado;
meu companheiro tudo explicando,
pelo curso do Giraúl nos guiando.

Do Namibe quentes brisas vinham,
asas de outras formas e cores vieram;
pelo riso das águas se alegrando,
da providencial pedra bebendo.

Nas cores do alvor, um sunguiandondo;
lá do norte, bem do
Caraculo
um pica-pau vem, aqui bangula.
Alto, o astro-rei, belo e redondo.

Cruzando agora o rio, que é Munhino,
buscando o fluxo do seu afluente,
com o bando cantando, contente,
rápido seguíamos p´ro destino.

Aquando já das margens íamos saindo,
logo me disse meu Amigo de viagem:
"este é bico que vem de passagem:
tal um beija-flor", o mariapindo.

Da Bibala um kinkanga chegou
(tal como alguém disse, é um cuco)
havíamos de escutar o que nos informou:
"Um pouco mais abaixo, fica o Bruco!"

Voando ao lado um sumbo - maçarico
e atrás um xinquengue - periquito;
e já Capangombe avistávamos,
à esplêndida Leba chegávamos!

Terminada a viagem, inda era dia,
duas aves, um sonho e um coração,
cantam agora idêntica canção:

publicado por zé kahango in:
http://poemangola.blogs.sapo.pt/2006/03/

Recinto das «Festas do Mar» e Praia das Miragens









Enviaram-me hoje as fotos que tanto desejava ver aqui colocadas: as do recinto das «Festas do Mar», junto da Praia das Miragens, Club Nautico (Casino). Era aqui que anualmente, no mês de Março, se realizavam as Festas do Mar, sob o slogan «Moçâmedes, Mar e Março». Era um airoso recinto como se pode ver, todo engalanado, que funcionava como uma espécie de Feira Popular, onde não faltava o parque de diversões com dois carroceis, um deles para os mais pequeninos, barracas dos cavalinhos e de tiro ao alvo, barracas das rifas, de tômbolas, de «de comes e bebes», pavilhão de exposições, etc. etc. As «Festas do Mar» atraiam muita gente para este recinto, e com a construção da serra da Leba, passaram a ser também um cartaz atractivo para as gentes da vizinha Sá-da -Bandeira/Lubango e até de outros pontos de Angola, que em Março aproveitavam a época para banhos nas praias de Moçãmedes, ara um passeio ao deserto, para uma boa pescaria...


Na 1ª foto, o Pavilhão de exposições das Festas do Mar.

Na 2ª foto, a Praia das Miragens , num domingo a «abarrotar» de gente e de carros.

Na 3ª foto, podemos ver os baloiços que em determinada altura existiram em plena Praia das Miragens.Em 1º plano um grupo de pessoas descansa protegendo-se do sol por debaixo das casuarinas.

Na 4 ª foto, uma espécie de padrão que fora alí colocado junto dss arcadas.


Na 5ª e 7ª fotos: o parque de diversões das Festas do Mar, onde se pode ver as diversas barracas (cavalinhos, tiro ao alvo, rifas, tômbolas, comes e bebes, algodão doce, cachorros quentes, etc. etc e ainda os carroceis.

Na 6ª foto
: o palco da praia junto das arcadas onde realizavam espectáculos de música ao vivo, etc. Repare-se na pintura alusiva ao mar, ao deserto, à pesca e ao encontro de culturas...


Na 8ª foto: vista da praia e do palco para espectáculos devidamente cercados e engalanados.

09 setembro 2007

RIQUITA MISS PORTUGAL E AS 6 HORAS DE NOVA LISBOA











Riquita, a moçamedense que foi Miss Portugal 1971 faz a volta de honra da edição de 1972 das "6 Horas" de Nova Lisboa, cujo vencedor foi Carlos Santos. O entusiasmo foi tal que a assistência entusiasmada ao ver desfilar Riquita, esquecera-se rapidamente do vencedor da prova e só tinha ovações e gritos para ela e para Nicha Cabral que a fora buscar para o descapotável.

Para saber mais sobre esta matéria, clicar AQUI

29 agosto 2007

Alunos e professores: Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre
























































1ª foto: Entre outros Renato,?,?, Zanga Sancadas, Jerónimo, António Júlio Bastos, Psota, , ?, Leopoldo, ?, Guerra, Prof Manuel Lopes Henriques, Jota Jota, o Prof Chicharro, Prof Palmira? , José João...
1973-74.

2ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind.
Bartolomeu Dias : ?, Yolanda, Prof.Eurico, Prazeres, Profª.Marrão, Julieta, Lurdes França, Leopoldo.

3ª foto: Finalistas da Escola Comercial e Ind. Bartolomeu Dias- Porto Alexandre. Em cima e da esq para a dtª: ???, Renato, Jota Jota, Prof Barreto, Teacher, Prof Eurico, ? , Jeronimo, Psota e Lemos.
Em baixo e da esqª p/dtª: Zanga Sancadas, João Toucinho, Kady, Jorge, António Julio e Leopoldo. Ano 1972/73

4ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias de Porto Alexandre.
Em baixo, da esq para a dt: Zanga Sancadas, (?), Vasquinho,(?), Renato, Leopoldo e Kady.
Em cima: ?,Marçal,?,João Toucinho, Mansinho, Pessanha (meio encoberto) e Mutchada: e ainda Domingos DannyKey, Belbuto, Mandinho , Mario Zé, Lemos,e o Reginaldo Bodião e ainda entre outros: Diamantino, Joãoznho, Beto Bodião....
Só uma nota para terminar. Alguns destes nomes poderão estar enganados. Não conheço toda a gente, e foram-me fornecidos por várias pessoas que conheço. Por favor, se detectarem algo errado, peço-vos que não critiquem, mas colaborem no local destinado aos comentários. MT OBG.


















5ª foto: Professores da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre.
De cima para baixo - Esperança Traguedo (ao centro), António Ferreira e Neves -Palmira (de óculos escuros), (?), (?),Pdre Pinto Lobo (falecido), João Manuel (Chicharro) e Albano -Céu Nogueira (esposa do prof.António), (?) - (3ºdegrau)- Natália, Adélia Clara (EU), Mª Batista Paulo -(2ºdegrau)-MªRosário (Zarita) Marrão, MªAlbertina Coelho Estácio, Eurico Henriques e Padre Jaime Fernandes -(1ºdegrau)-Anabela Lara, António Machado(o Director), Sameiro e Carlitos Alves (falecido)

VINHAM DO MAR CACIMBOS
( para o Neco )

vinham do mar cacimbos
refrescar tombuas sequiosas,
calemas, submersos vulcões
e helio-fornos
provar a fibra sibilina
de homens e mulheres
que agarram a vida
pelos cornos.
vinham pinguins escorraçados
de um país ao sul,
a preto-e-branco pintados,
ond’é ignara a soma
de todas as cores
que realiza o negro.
vinham navios, botes,
arrastões e palhabotes
encalhar nos fundões ao arear,
que o leteu namibe
conforma de grão a grão
para marcar que ali
só os filhos sabem navegar.

vinham coros boatados,
e as notícias de guerra,
e as guerras de notícia,

e do deserto a garroa colava
areia nos olhos ressudados.

admário costa lindo
7.06.2005


28 agosto 2007

Gente de Moçâmedes: a familia Tito de Gouveia

                                                                    
 


Nesta foto podemos ver uma família reunida, a família Gouveia: Tito de Beires Lopes Freire de Gouveia (pai) de pé, Cecília (mãe) e os três filhos, Abílio, Maria (à esq.) e Maria Augusta (à dt.).Abilio (à janela), era um excelente guia do deserto, filho de um outro guia, Tito, que trabalhava para a DTA, as antigas linhas aéreas de Angola.

Tito de Gouveia, pai, um dos pioneiros da aviação em Angola, foi quem pilotou a avionete que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Fátima até nós, em 1948, no decurso da peregrinação por terras de Africa.



Em Angola, distrito de Moçâmedes, Tito Gouveia era fiscal de caça
 

Maria e Maria Augusta (as irmãs Tito, como eram conhecidas nos meios desportivos da cidade) foram pioneiras do basquetebol feminino na cidade de Moçâmedes tendo alinhado nos finais da década de 40, pelo Sport Lisboa e Benfica e mantido uma longa actividade desportiva, primeiro como jogadoras deste clube, e posteriormente integrando no Atlético Clube de Moçâmedes, onde viriam a terminar a sua carreira desportiva, já na 2ª metade da década de 50.
Pioneiras de basquetebol feminino em Moçâmedes
Maria Gouveia e MariaAugusta Gouveia (as irmãs Tito), por volta de finais da década de 1940   integraram a equipe pioneira de basquetebol feminino em Moçâmedes, o Sport Moçâmedes e Benfica. Como o Benfica na época não possuia nesta modalidade clubes competidores em Moçâmedes o clube teve que criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela faziam parte: Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria Guerra Em baixo: Maria Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato.
Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Maria Augusta na nova equipa.
 
O casal Abilio e Manuela Sena Costa

photo

Manuela Sena Costa nos seus tempos de solteira também chegou a integrar uma das equipas de Basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica. Ei-la aqui integrada  neste conjunto, envergando a camisola n.9 . São, da esq. para a dt. Em cima: Isaura Aguilar, Alice Teixeira, Manuela Costa e Carla Frota. Em baixo. Ivone Bernardino, Carolina Frota 
Em Porto Alexandre,  Manuela Sena Costa ladeada pelas amigas Eduarda Carvalho e América Pisoeiro
Abilio e as filhas do casal, Isa e Neide

[casa+Titos+1.jpg]
                                                                         
Nesta foto, tirada no decurso de uma festa de aniversário em casa da família Gouveia, reconheço, entre outras/os, no canto à esq., Maria Augusta Gouveia com o pai, o Tito Gouveia por detrás, a mãe Cecília (ao centro), ladeada pelas duas netas, Isa e Neide, e logo atrás, Maria Gouveia
Aniversário de Neide (a menina que está a apagar o bolo), filha de Manuela Costa e de Abílio Tito de Gouveia, tendo a seu lado o irmão mais novo. Ao fundo, à dt de Maria Augusta Gouveia, sentado, de óculos encontra-se António José de Carvalho Minas (Tó Zé), rodeado das filhas Milu e ?  De pé, à dt, Isabel (Isa), então com 11 anos, tendo, na foto, à sua dt. a tia Isabel Maria Sena Costa (Belita) que confeccionou o bolo, e sentada a seu lado mãe Lurdes Minas (enfermeira).  Na foto encontram-se também Tozé, Leninha, e Riquito. Em frente a Maria Augusta  de pé, Cláudia (prima) e à esquerda Felipe e Vasco Sousa Coutinho, e os vizinhos e amigos de brincadeiras Ani Abreu, Manelzinho, o irmão Paulinho e o mais velho Julinho.

Pela data escrita podemos ver que se estava a passos largos a caminhar para o 11 de Novembro de 1975, dia da independência de Angola, o mesmo é dizer para a grande fuga de portugueses, angolanos brancos, mestiços e até negros, ainda que em menor número do território, onde já nesta altura os movimentos de libertação se degladiavam entre si na luta pelo poder, perante a passividade do exército português que, pelo menos até  ao arrear da bandeira lusa, deveria estar alí para assegurar, em paz, o momento da transmissão do poder, que se pressupunha, segundo os Acordos de Alvôr, vir a ser antecipado de eleições.

A 12 de agosto desse ano a familia Gouveia desembarcaria no Rio e nunca mais voltaria a  pisar terras de Angola. E assim Moçâmedes, hoje Namibe, ainda antes da data marcada para a independência, se despojou de mais de 90 da sua população de origem europeia. Os que persistiram, acabariam por debandar nos meses que se seguiram ao 11 de Novembro de 1976.

No blog do moçamedense Roberto Correia, ANGOLABRASIL, na parte que respeita a militares portugueses que esriveram envolvidos em campanhas em Angola  e que no do século XX optaram por não regressar à Metrópole, consta o nome do 1º Cabo de Infantaria Tito Lopes Freire Gouveia (Moçâmedes).

Clicar aqui: «album de fotos de desporto na cidade de Moçâmedes»
e aqui: equipe pioneira de basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica.
E ainda, no UTUBE, este slideshow
Créditos de imagem: http://groups.msn.com/ComunidadeVirtualdeNamibe

Ver aqui :
O BLOG DA NEIDE

Gente de Moçâmedes



1ª foto
Da esq. para a dt.
? Nunes e Reis

2ª foto:
Da esq. para a dt.
Nesta visita a um navio de passagem por Moçâmedes no tempo qm que ainda não existia a marginal nem o cais comercial, reconheço, entre outras: Josefa do Ó. Faustino e Maria Monteiro.


2ª foto:
D
a esq. para a dt.
Em cima: Adriana Varandas(2),,,,, Soledade (10),,,,,, Artur Tarira(16)
Em baixo: no canto esq., os filhos de Adriana, Edna, Cidália e Adelino Teixeira, ....,,,,
NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002