Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome e proveniência do autor, sendo considerado PLÁGIO quem não as respeitar. MariaNJardim

19 março 2007

Grupo de «caçadores» a caminho da Serra da Neve, e na região do Iona (distrito de Moçâmedes/actual Namibe),



Interessante foto que nos mostra um grupo de moçamedenses posando para a posteridade ao lado de uma família mucubal, quando iam a caminho da Serra da Neve, no chamado «território mucubal" que  abrangia uma área que se estende pelas encostas da Serra da Chela, entra pelo Deserto do Namibe e chega muito perto do Chiange, serra abaixo. Da esq. para a dt, embaixo: Arménio Jardim, Mário Cruz e? Foto pessoal.

 

 
Arménio Jardim, Mário Cruz, David Proença, Jorge Carrilho e ?

 


Numa viagem destas pelo Deserto do Namibe era muito fácil encontrar-se grupos da etnia mucubal
 

MUCUBAL

Mãe dos pastores,
do deserto solene
a altivez levas em teu plácido rosto.

Vais segura da eternidade,
serena como os bois que guardas,
como ainda os segredos do nonpeke.

Gioconda do Iona
chamar-te-iam os guardiões dos ateliês
se para tanto se despissem de todos os setentrionais atavios
e apenas ao teu pano de toucado se ativessem.

publicado por zé kahango
in blog BIMBE


Dos mucubais tenho viva a ideia de um povo exótico, pastor, nómada, semi-nú, pouco sociável, que não se funde com outras etnias e raças, que se cobre com peles e panos típicos, que afia os dentes, usa a catana, e tem na criação de gado bovino, a sua maior riqueza.  Um povo que vive organizado em kimbos (várias cubatas dispostas em círculo), onde o patriarca mucubal  reúne todas as suas mulheres e a família, uma vez que entre este povo um homem pode ter quantas mulheres quizer (poligamia), todas elas vivendo em harmonia, trabalhando nos campos e tendo o máximo número de filhos para pastarem o gado.  O homem mucubal limita-se à gestão do trabalho e ao prazer. Os herdeiros do mucubal não são os filhos, mas sim os sobrinhos, filhos da irmã, para assim terem a certeza de que os herdeiros são do mesmo sangue. Apesar da poligamia ser usual, o adultério é um crime, porém punível com o pagamento de vários bois ao queixoso.

 
Mulher mucubal solteira. Foto gentilmente cedida por Fernanda Barata.

As mulheres mucubal, enquanto solteiras, andavam nuas da cintura para cima, seios ao léu, apenas tapadas por colares e pulseiras untados com esterco de boi, e um pano curto amarrado à cintura a fazer de saia
 
Mulher mucubal casada e mãe.  Foto tirada da década de 1950  na zona do Caraculo e gentilmente cedida por Fernanda Barata.


Outros Donos d'África


Seminus...
ricos de bois
de peles se cobrem...

Em seu passo rápido
as encostas da Chela
descem e sobem...

Os donos do Namibe!!!!

Povo d'antepassados
guerreiros e pastores
de típicos panos coloridos

pouco expostos à convivência
sem fronteiras...
viventes demais isolados

Os senhores do Deserto!!

portadores de cultura e arte
gestores de trabalho e prazer...
seus tempos... os mais preferidos

Marcados do espírito africano
tribo d'excelência...
percebidos e não entendidos

Os Mucubais!!!

Aileda in Mazungue


Mulher mucubal casada e mãe.  Foto gentilmente cedida por Fernanda Barata, tirada da década de 1950  na zona do Caraculo


Casadas e mães, as mulheres mucubal costumavam  amarrar os seios com tiras finas de couro (fios) até os espalmarem. Os homens mucubal cobriam-se apenas com peles, panos típicos e não dispensam a catana. O Soba é o chefe, uma espécie de patriarca, juiz e representante junto das entidades oficiais.A sua grande riqueza são os bois e são conhecidos por roubar gado às tribos em seu redor.


Em Angola existem dezenas de tribos e dialectos, e, apesar da guerra ter originado muitas movimentações e descaracterização, existem tribos que nunca abandonaram os seus territórios. O Sul é típico. Na Huíla habitam os Mumuilas e os Nhanheca Humbe. No Cunene podemos encontrar os Cuanhamas. Muitos dos costumes e organização social são idênticos. Video AQUI


 

Prosseguindo viagem a caminho do Iona: Arménio Jardim, Briguidé e David Proença

Na Lagoa
Paragem para uma pequena refeição...
Os irmãos Guilherme e Laurentino Jardim junto da então chamada "gruta do Turra"

Junto da Gruta

Fotos do meu album

Pelo interesse e relevo neste tópico, transcrevo um trecho do "Contacto de Culturas no Congo Português - Achegas Para o Seu Estudo", do Dr. Manuel Alfredo de Morais Martins, Edição do Ministério do Ultramar - Junta de Investigações do Ultramar - Centro de Estudos Políticos e Sociais, publicado Lisboa em em 1958, e relacionado com os povos do Antigo Reino do Congo:

«A família conjugal era poligínica, em que todo o homem possuía as mulheres que queria e podia adquirir. A residência familiar não era una. Cada chefe de família possuía um grupo de palhotas nas imediações da sua própria, e cada uma delas era destinada a cada uma das mulheres (e seus filhos). Entre as esposas havia duas categorias: as escravas que tinham sido compradas, e sobre as quais o marido tinha direitos absolutos, a ponto de serem sacrificadas quando da sua morte, para continuarem a servi-lo na outra vida, e as livres, cedidas por empréstimo, por assim dizer, mediante o pagamento de uma indemnização. Este conjunto era e é denominado lumbu. (...)

Se bem que todas as mulheres livres tivessem os mesmos direitos e obrigações, havia entre elas uma preferida, quase sempre a primeira, que servia de conselheira (...)

O marido pernoitava com cada uma das mulheres segundo uma escala estabelecida. Cada mulher habitava com os seus filhos mais pequenos na sua própria cubata e aí tinha os seus bens próprios e preparava a alimentação para si e seus filhos e também para o marido, quando lhe chegava a vez. à mulher competia o fornecimento dos géneros agrícolas e ao homem o do sal e da carne. (...)

A economia da família conjugal estava também regulada. Cabia ao homem a escolha do local para as lavras e a sua divisão em tantos campos independentes quantas as mulheres e mais um, destinado a ele próprio, no qual trabalhavam todas as mulheres. O serviço do marido na agricultura resumia-se à derruba das árvores, na qual era muitas vezes ajudado por outros homens, em sistema de cooperação (...) »


Sobre os povos de Angola, clicar AQUI
http://www.nossoskimbos.net/Etnografia/Povos/index.htm 
Slideshow povos do sul de Angola 
Slideshow Deserto do Namibe
Blog: Memórias de um caçador
Mucubal, in Rui Carvalho AQUI

16 março 2007

Eventos na nossa terra: festas e bailes nos salões do Atlético Club de Moçâmedes e do Clube Nautico : anos 50/ 60/




1ª foto: Baile no Clube Nautico, onde se pode ver, a dançar, o casal Ascenção e Luis Gonzaga Bacharel, e um pouco atrás o protésico Santos.

2ª foto: Festa no Clube Nautico.

3ªBaile no Atlético. Nesta foto reconheço Lili Salvador e Jorge Carrilho, Nide e Quim Guedes. Finais da década de 60.

4ª foto: Baile no Atlético. Ao centro, de óculos, Rui Carapinha?

5ª foto: Nesta foto, apenas reconheço o casal Álvaro Ascenso e Guida (à esq.) e um pouco atrás Figueiras. Foto gentilmente cedida por Telmo Acenso

15 março 2007

Gente de Moçamedes (actual Namibe) em agradável convívio: 1964


































Hoje enviaram-me esta foto, que trás à recordação gente boa, gente amiga da minha terra com os quais tive o privilégio de conviver. Entre outros, da esq. para a dt: o saudoso José Adriano Borges, a esposa Ruth, a filha Manuela, Mário Rogério e Afra Leitão, Guida, Militão (do Banco de Angola), junto da esposa, mãe e filhos, e no canto dt. Aurélio Saavedra de Oliveira e Gina, a esposa. De Saavedra, o inesquecível Chefe de Repartição da Câmara Municipal de Moçâmedes, tenho a imagem de uma pessoa excepcionalmente bem disposta e brincalhona, junto da qual ninguém poderia estar infeliz.
Foto gentilmente cedida por Telmo Ascenso.

Parque Infantil: crianças e bichos nos anos 60 em Moçâmedes/actual Namibe




Através desta vista aérea da cidade de Moçâmedes, creio que dos anos 60, podemos ver, em 1º plano, o "Parque Infantil Alina Marques de Campos". A foto é cortada a meio, transversalmente, pela então denominada Rua da Fábrica, que, passando pelas traseiras da Escola Portugal (Escola nr.55), prosseguia além Sporting Clube de Moçâmedes na direcção do Bairro da Facada...

Sector dos animais do deserto
Zebra e avestruz

Gazela



Olongo

Através desta vista aérea da cidade de Moçâmedes, creio que dos anos 60, podemos ver, em 1º plano, o "Parque Infantil Alina Marques de Campos". A foto é cortada a meio, transversalmente, pela então denominada Rua da Fábrica, que, passando pelas traseiras da Escola Portugal (Escola nr.55), prosseguia além Sporting Clube de Moçâmedes na direcção do Bairro da Facada...

  Caitou e D. Maria
Caitou e jovem africano



Nas duas fotos acima, a tia Maria cuidando do Caitou quando era ainda um bébé. E o  bébé Caitou com um rapaz africano...  o elefante Caitou era a figura emblemática do Parque Infantil.  Conta-se que  teve origem numa história triste: o Abilio Tito Gouveia era então o fiscal de caça no Deserto do Namibe, e foi chamado um dia para abater um elefante que fazia estragos na zona do Caitou, Vila Arriaga.  Foi um cena triste passada junto do rio, e assim se matou a mãe do Caitou. Tito acabou por levar o pequenino Caitou para o quintal da sua casa em Moçâmedes, e mais tarde,  por o entregar à municipalidade para passar a habitar o Parque Infantil. Há noticia de que o elefante fémea tinha sido capturado por Afonso Duarte Correia. (2)


 
O elefante Caitou já adulto.


 [Xica+do+Parque+infantil+Mazungue.jpg]
 Outro residente deste Parque que qualquer criança  adulto de hoje que foi criança naquele tempo, recorda com saudade: a gorila

[Aldeia+dos+Macacos.Parque+Infantil-Mazungue.jpg]
E ainda outro: e o chipanzé...

 [Parque+Zete.jpg]

Frequentavam este Parque, mamãs babadas com os seus bébés... como podemos ver aqui aqui a  Marizete Romão Veiga Baptista e a  Lurdes Tavares Guedes da Silva... Data provável: 1962/3


 

E também tios, tias acompanhando seus sobrinhos...  a Teresa Banha e o José Duarte (Zézinho).  Foto de Kadypress (net)

 
 Primos....o Telmo e Matinela Ascenso... (cedida por Telmo)

Os primos João Ilha, Graciete Ilha Bagarrão, Rosário Sena Ilha e Pedro Ilha  junto das gazelas e das zebras. Foto de Pedro Ilha (net)
[Imagem+9271.jpg]

...e os primos Marizete, Luís, Marilia e Ana Paula Jardim...1971


 

Junto da cerca, o pequeno zoo com alguns animais  capturados no Deserto do Namibe, sendo visíveis duas belas zebras. Da esq. para a dt: António Manuel Passos Marques, Carlos Vilhena Piedade,Virgilio Paradanta Marques Couto, António Cebolo (de óculos) e  Luís Rosa Palmeira. Embaixo, José Neves Almeida. Foto de Neves Almeida


Foto cedida por Mélita Parreira da Cruz (na foto, à esquerda)

E porque estamos fazendo uma descrição deste Parque Infantil, importa referir que havia ali um rink de patinagem, que de vez em quando era palco de eventos vários, nas manhãs ou tardes de sábados e de domingos, ou em datas festivas como no decurso das "Festas do Mar» ou em comemorações do aniversário da fundação de Moçâmedes, em 04 de Agosto de cada ano. Trata-se de um "Concurso de Caninos" nos anos 1960. À esq. segurando a trela do seu cão, a concorrente Mélita Parreira da Cruz. Entre a assistência já fora do rink reconhece-se, entre outros, Sónia Madeira (à esq.) e António Marques da Silva (António padeiro), industrial de panificação e proprietário de uma loja na Rua das Hortas.



De quando em quando  neste rink de patinagem realizavam-se  espectáculos proporcionados por "bandas" musicais que jovens iam formando nesses tempos em que estavam em moda os Beatles, os Pink Floyd, o Elvis Presley, etc. Ao fundo, o  edificio do Colégio de Nossa Senhora de Fátima.

 



MariaNJardim no Parque Infantil de Moçânedes, em 1960



Junto do Parque funcionava também, como atractivo, uma barraquinha onde vendiam  gelados e cachorros-quentes. Sabemos que hoje este Parque já não se chama «Parque D. Alina Marques de Campos», o que nos parece óbvio, não obstante o perfil humanista daquela que foi noutros tempos a sua Patrona. Temos notícia que este Parque se encontra presentemente muito bem cuidado, e que está sendo explorado por um privado, sendo as entradas pagas. Ficam mais estas recordações





Pesquisa e texto de MariaNJardim

Parque Infantil: anos 60 Moçâmedes/Namibe





























1ª foto: Por vezes, nas manhãs de domingo, nos finais da década de 60, uma banda de músicos animava o recinto de patinagem do Parque Infantil. É uma dessas manhãs que esta foto representa, com gente de todas as idades a assistir.


2ª foto: Eu junto à pista de patinagem do Parque Infantil de Moçâmedes: 1960
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O Parque Infantil de Moçâmedes, ao qual fora dado, em sinal de gratidão, o nome de «Parque Infantil D. Alina Marques de Campos», nome muito considerado entre os professores de todos os tempos, ficava em frente ao Colégio de Nossa Senhora de Fátima ou Colégio das Madres , era o encanto da pequenada. Aos sábados e aos domingos este Parque enchia-se de crianças que para alí se deslocavam na companhia das mães e aos domingos, de vez em quando, no Verão, actuava no ringue de patinagem uma banda musical. O Parque era dotado de um pequeno «jardim zoológico», onde não faltavam animais do Deserto do Namibe, tais como bambis, gaselas, impalas, olongos, guelengues, zebras, avestruzes, pinguins, focas, e outros animais que marcaram pela sua importância, como o elefante «Caitou» e os macacos.

O Parque, para além dos escorregas, dos baloiços de corda e de tábua, do pequeno carrocel etc, possuia uma pista de patinagem onde as crianças e jovens se divertiam patinando e aos domingos à tarde de vez enquando se desenrolavam sessões de música ao vivo como se pode ver neste blog em outras fotos.


Grupo de Jovens vicentinas de Moçâmedes/actual Namibe: princípios da década de 70

Grupo de Jovens vicentinas de Moçâmedes (actual Namibe) na companhia de Lucilia Falcão Braz (professora) e ? (professora)
Fotos retiradas de:
www.sanzalangola.com