Mais uma foto de mulheres da etnia mucubal, em Moçâmedes/Namibe (Caraculo-2ª foto)
Eram assim as mulheres da etnia mucubal, povo exótico e semi-nú que vive no deserto do Namibe e Serra da Chela, e que ainda hoje, 32 anos após a independência de Angola, resiste à integração.
As mulheres mucubal, quando solteiras, andavam nuas das cintura para cima, seios ao léu, apenas tapadas por colares e pulseiras untados com esterco de boi, e um pano curto amarrado cintura a fazer de saia. Casadas e mães, amarravam os seios com tiras finas de couro (fios) até os espalmarem. Um mucubal pode ter quantas mulheres quiser, eles limitam-se à gestão do trabalho e ao prazer enquanto elas trabalham nos campos e têm o máximo número de filhos para pastarem o gado. Cada mucubal dispõe de um kimbo (várias cubatas dispostas em círculo) onde reúne todas as suas mulheres e família. O curioso é que elas vivem em harmonia umas com as outras e os herdeiros do mucubal não são os filhos, mas sim os sobrinhos, filhos da irmã, para assim terem a certeza de que os herdeiros são do mesmo sangue. Trata-se, pois, de um tipo de sociedade em que os casamentos plurais (poligamia) são normais permitindo ao homem ter múltiplas esposas (poligenia).
Pelo interesse e relevo neste tópico, transcrevo um trecho do "Contacto de Culturas no Congo Português - Achegas Para o Seu Estudo", do Dr. Manuel Alfredo de Morais Martins, Edição do Ministério do Ultramar - Junta de Investigações do Ultramar - Centro de Estudos Políticos e Sociais, publicado Lisboa em em 1958, e relacionado com os povos do Antigo Reino do Congo:
«A família conjugal era poligínica, em que todo o homem possuía as mulheres que queria e podia adquirir. A residência familiar não era una. Cada chefe de família possuía um grupo de palhotas nas imediações da sua própria, e cada uma delas era destinada a cada uma das mulheres (e seus filhos). Entre as esposas havia duas categorias: as escravas que tinham sido compradas, e sobre as quais o marido tinha direitos absolutos, a ponto de serem sacrificadas quando da sua morte, para continuarem a servi-lo na outra vida, e as livres, cedidas por empréstimo, por assim dizer, mediante o pagamento de uma indemnização. Este conjunto era e é denominado lumbu. (...)
Se bem que todas as mulheres livres tivessem os mesmos direitos e obrigações, havia entre elas uma preferida, quase sempre a primeira, que servia de conselheira (...)
O marido pernoitava com cada uma das mulheres segundo uma escala estabelecida. Cada mulher habitava com os seus filhos mais pequenos na sua própria cubata e aí tinha os seus bens próprios e preparava a alimentação para si e seus filhos e também para o marido, quando lhe chegava a vez. à mulher competia o fornecimento dos géneros agrícolas e ao homem o do sal e da carne. (...)
A economia da família conjugal estava também regulada. Cabia ao homem a escolha do local para as lavras e a sua divisão em tantos campos independentes quantas as mulheres e mais um, destinado a ele próprio, no qual trabalhavam todas as mulheres. O serviço do marido na agricultura resumia-se à derruba das árvores, na qual era muitas vezes ajudado por outros homens, em sistema de cooperação (...) »
Os homens mucubal cobrem-se apenas com peles e panos típicos e coloridos, e não dispensam a catana. O Soba é o chefe, uma espécie de patriarca, juiz e representante junto das entidades oficiais. São pouco sociais, não se fundem com outras raças, afiam os dentes e recusam-se a ir à escola. A sua grande riqueza são os bois e são conhecidos por roubar gado às tribos em seu redor.
Em Angola existem dezenas de tribos e dialectos, e, apesar da guerra ter originado muitas movimentações e descaracterização, existem tribos que nunca abandonaram os seus territórios. O Sul é típico. Na Huíla habitam os Mumuilas e os Nhanheca Humbe. No Cunene podemos encontrar os Cuanhamas. Muitos dos costumes e organização social são idênticos.
A vida destes povos indígenas era tida ela voltada para os seus rebanhos, para a busca de pastos e água , uma vida errante e que exige uma deslocação permanentemente, na busca de terras, que atinge momentos dramáticos em tempos de secas , que no sul são recorrentes.
De acordo com o veterinário Carlos Baptista Carneiro, " O regime de chuvas no sul de Angola é de uma irregularidade inquietante. Ora são torrenciais, enchendo de água os rios, inundando as planícies, formando lagoas nas terras baixas e fertilizando, com exuberância, o solo, ora são raras e tão escassas que mal refrescam a terra requeimada por um sol violento e torturante. Mas, por desgraça destas terras e das gentes que as habitam, são raros os anos de boa chuva e frequentes aqueles em que a seca traz desassossegos e causa destroços na vida animal e vegetativa deste recanto angolano. E em tais anos é atormentadora a vida dos seres animados que na terra buscam alimentos e água que resolvam, equilibradamente, as suas necessidades fisiológicas, o seu trabalho vital. É confrangedor o viver dos povos indígenas que, cuidando dos seus rebanhos como preocupação única , não encontram para eles os pastos precisos e a água que lhes é indispensável. A vida dos rebanhos é errante e comiseradora. em busca de pastos deslocam-se permanentemente, na esperança tantas vezes falível de encontrar terras que a seca não tenha atingido e que lhes dêem, ainda com seiva, ressequidas, gramíneas ou folhas viçosas de leguminosas, cheias de espinhos."
Mãe dos pastores,
do deserto solene
a altivez levas em teu plácido rosto.
Vais segura da eternidade,
serena como os bois que guardas,
como ainda os segredos do nonpeke.
Gioconda do Iona
chamar-te-iam os guardiões dos ateliês
se para tanto se despissem de todos os setentrionais atavios
e apenas ao teu pano de toucado se ativessem.
publicado por zé kahango
in BIMBE
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As mulheres mucubal, quando solteiras, andavam nuas das cintura para cima, seios ao léu, apenas tapadas por colares e pulseiras untados com esterco de boi, e um pano curto amarrado cintura a fazer de saia. Casadas e mães, amarravam os seios com tiras finas de couro (fios) até os espalmarem. Um mucubal pode ter quantas mulheres quiser, eles limitam-se à gestão do trabalho e ao prazer enquanto elas trabalham nos campos e têm o máximo número de filhos para pastarem o gado. Cada mucubal dispõe de um kimbo (várias cubatas dispostas em círculo) onde reúne todas as suas mulheres e família. O curioso é que elas vivem em harmonia umas com as outras e os herdeiros do mucubal não são os filhos, mas sim os sobrinhos, filhos da irmã, para assim terem a certeza de que os herdeiros são do mesmo sangue. Trata-se, pois, de um tipo de sociedade em que os casamentos plurais (poligamia) são normais permitindo ao homem ter múltiplas esposas (poligenia).
Pelo interesse e relevo neste tópico, transcrevo um trecho do "Contacto de Culturas no Congo Português - Achegas Para o Seu Estudo", do Dr. Manuel Alfredo de Morais Martins, Edição do Ministério do Ultramar - Junta de Investigações do Ultramar - Centro de Estudos Políticos e Sociais, publicado Lisboa em em 1958, e relacionado com os povos do Antigo Reino do Congo:
«A família conjugal era poligínica, em que todo o homem possuía as mulheres que queria e podia adquirir. A residência familiar não era una. Cada chefe de família possuía um grupo de palhotas nas imediações da sua própria, e cada uma delas era destinada a cada uma das mulheres (e seus filhos). Entre as esposas havia duas categorias: as escravas que tinham sido compradas, e sobre as quais o marido tinha direitos absolutos, a ponto de serem sacrificadas quando da sua morte, para continuarem a servi-lo na outra vida, e as livres, cedidas por empréstimo, por assim dizer, mediante o pagamento de uma indemnização. Este conjunto era e é denominado lumbu. (...)
Se bem que todas as mulheres livres tivessem os mesmos direitos e obrigações, havia entre elas uma preferida, quase sempre a primeira, que servia de conselheira (...)
O marido pernoitava com cada uma das mulheres segundo uma escala estabelecida. Cada mulher habitava com os seus filhos mais pequenos na sua própria cubata e aí tinha os seus bens próprios e preparava a alimentação para si e seus filhos e também para o marido, quando lhe chegava a vez. à mulher competia o fornecimento dos géneros agrícolas e ao homem o do sal e da carne. (...)
A economia da família conjugal estava também regulada. Cabia ao homem a escolha do local para as lavras e a sua divisão em tantos campos independentes quantas as mulheres e mais um, destinado a ele próprio, no qual trabalhavam todas as mulheres. O serviço do marido na agricultura resumia-se à derruba das árvores, na qual era muitas vezes ajudado por outros homens, em sistema de cooperação (...) »
Os homens mucubal cobrem-se apenas com peles e panos típicos e coloridos, e não dispensam a catana. O Soba é o chefe, uma espécie de patriarca, juiz e representante junto das entidades oficiais. São pouco sociais, não se fundem com outras raças, afiam os dentes e recusam-se a ir à escola. A sua grande riqueza são os bois e são conhecidos por roubar gado às tribos em seu redor.
Em Angola existem dezenas de tribos e dialectos, e, apesar da guerra ter originado muitas movimentações e descaracterização, existem tribos que nunca abandonaram os seus territórios. O Sul é típico. Na Huíla habitam os Mumuilas e os Nhanheca Humbe. No Cunene podemos encontrar os Cuanhamas. Muitos dos costumes e organização social são idênticos.
A vida destes povos indígenas era tida ela voltada para os seus rebanhos, para a busca de pastos e água , uma vida errante e que exige uma deslocação permanentemente, na busca de terras, que atinge momentos dramáticos em tempos de secas , que no sul são recorrentes.
De acordo com o veterinário Carlos Baptista Carneiro, " O regime de chuvas no sul de Angola é de uma irregularidade inquietante. Ora são torrenciais, enchendo de água os rios, inundando as planícies, formando lagoas nas terras baixas e fertilizando, com exuberância, o solo, ora são raras e tão escassas que mal refrescam a terra requeimada por um sol violento e torturante. Mas, por desgraça destas terras e das gentes que as habitam, são raros os anos de boa chuva e frequentes aqueles em que a seca traz desassossegos e causa destroços na vida animal e vegetativa deste recanto angolano. E em tais anos é atormentadora a vida dos seres animados que na terra buscam alimentos e água que resolvam, equilibradamente, as suas necessidades fisiológicas, o seu trabalho vital. É confrangedor o viver dos povos indígenas que, cuidando dos seus rebanhos como preocupação única , não encontram para eles os pastos precisos e a água que lhes é indispensável. A vida dos rebanhos é errante e comiseradora. em busca de pastos deslocam-se permanentemente, na esperança tantas vezes falível de encontrar terras que a seca não tenha atingido e que lhes dêem, ainda com seiva, ressequidas, gramíneas ou folhas viçosas de leguminosas, cheias de espinhos."
MUCUBAL
Mãe dos pastores,
do deserto solene
a altivez levas em teu plácido rosto.
Vais segura da eternidade,
serena como os bois que guardas,
como ainda os segredos do nonpeke.
Gioconda do Iona
chamar-te-iam os guardiões dos ateliês
se para tanto se despissem de todos os setentrionais atavios
e apenas ao teu pano de toucado se ativessem.
publicado por zé kahango
in BIMBE
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Outros Donos d'África
Seminus...
ricos de bois
de peles se cobrem...
Em seu passo rápido
as encostas da Chela
descem e sobem...
Os donos do Namibe!!!!
Povo d'antepassados
guerreiros e pastores
de típicos panos coloridos
pouco expostos à convivência
sem fronteiras...
viventes demais isolados
Os senhores do Deserto!!
portadores de cultura e arte
gestores de trabalho e prazer...
seus tempos... os mais preferidos
Marcados do espírito africano
tribo d'excelência...
percebidos e não entendidos
Os Mucubais!!!
Aileda in Mazungue
..............
Fotos de outras etnias AQUI
Sobre os povos de Angola, clicar AQUI
Video AQUI


2 comentários:
ADORO TUDO QUATO SE ESCREVA SOBRE MUCUBAIS E CUANHAMAS, POVOS QUE ME MERECEM A MAIOR ESTIMA.
CRESCI DESDE OS 2 ANOS EM ANGOLA, DESDE CABINDA AO NAMIBE.
VIVO EM LISBOA MAS O MEU CORAÇÃO FICOU LÁ!
Guerreiro Descendente
Povo de espírito forte e força indescritível, humana e defensor até as últimas consequências das causas justa.
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