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10 maio 2011

Maria da Cruz Rolão, a primeira autoridade civil (regedora) de Porto Alexandre

Monumento a Maria da Cruz Rolão a primeira autoridade civil (regedora) de Porto Alexandre



Esta estátua, que presentemente não existe em Tombwa, a ex-Porto Alexandre, cidade litorânea mais a sul de Angola, foi mandada erigir pela sua Câmara Municipal, em 1972, em homenagem a Maria da Cruz Rolão, a primeira autoridade civil  de Porto Alexandre (regedora), como tributo pela sua capacidade de liderança, coragem e decisão.

Quem foi então Maria da Cruz Rolão?


“A indústria piscatória em Março do mesmo ano [1861] foi fortalecida com a chegada de novos Algarvios : José Rolão, sua mulher Maria da Cruz Rolão e dois filhos, João da Cruz Rolão e Francisco Pedro da Cruz; Manuel Tomé do Ó, Manuel Galambas e José Mendonça Pretinho; em Julho, da mesma proveniência, de Olhão, no vapor D. António, João da Rosa Machado, José Martins Ganho, João Lourenço Galarão, João do Sacramento Pintassilgo, Lourenço de Sousa Farroba e Manuel Nunes de Carvalho, «o quais trouxeram a primeira rede e se fizeram acompanhar de uma canoa.

”Para intrépidos e valentes filhos de Olhão, a viagem em vapor, tendo barcos seus, não era coisa com que se conformassem; e, assim, Bernardino do Nascimento, O. Brancanes e Francisco Ferreira Nunes, societários do Caíque Flor de Maio, resolveram ir até Mossâmedes, arranjando para isso uma companhia em que entravam, além dos dois, Pedro Mendes. Pelo José (piloto), Manuel Ramos de Jesus Pereira, João da Encarnação Peleira, e um pequeno chamado Baptista.

“O intento desses destemidos, porém, esbarrou contra a decisão das autoridades, que lhes proibiram a viagem, com fundamento nas poucas possibilidades do barco e do diminuto número de tripulantes. No entanto o travão não foi de carácter definitivo. A intervenção do Dr. Estêvão Afonso, junto de José Estêvão, então deputado por Aveiro, removeu a dificuldades encontradas, e os cotados algarvios chegaram a Mossâmedes em 3 de Agosto, daquele mesmo ano de 61.

“Foi à corrente emigratória algarvia que Mossâmedes e baías próximas ficaram
devendo o empurrão que as transformou em apreciáveis centros piscatórios.”


Delgado, Ralph,  vol. II pp. 60/61

“Elegeram, entre si, o seu próprio chefe. A escolha recaiu no colono Cruz Rolão, algarvio que deve ter indo da sua terra na primeira viagem do caíque «D. Ana», em 1860, com Francisco de Sousa Ganho, ou no caíque «Flor de Maio», que em 1863 fundeou na baía de Porto Alexandre.

“Cruz Rolão era homem humilde, mas sensato e sabedor. Houve-se muito bem nas funções em que foi investido. Após a sua morte, em data que ignoramos, sucedeu-lhe a viúva, Maria da Cruz Rolão. Esta sabia ler e escrever, tinha alguma cultura e, sobretudo, era possuidora duma coragem e decisão muito fora do vulgar. Impunha-se aos seus administradores e a todos pela sua energia e prestígio. Por várias vezes, Maria da Cruz tomou decisões importantíssimas para a comunidade que chefiava. Em dada altura, os hotentotes, vindos do Sudoeste, acossados pelos alemães, passaram ao nosso território e dedicavam-se à pilhagem e ao massacre. A povoação de Porto Alexandre estava nesta contingência. Porém, a regedora procurou estabelecer contacto com os chefes daquela gente, o que conseguiu, e teve com eles uma conferência, no local denominado por Arco do Carvalhão, a uns trinta e cinco quilómetros para Leste do aglomerado populacional, e este foi salvo.

“Igualmente, em data que não ficou registada ( mas deste facto nos fala o grande almirante Augusto Castilho, fundeou um navio de guerra inglês na baía, em frente à habitação de Maria da Cruz. Pouco depois, os súbditos de Sua Majestade, esquecendo-se que estavam em território duma nação que lhes devia merecer muito respeito, iniciaram exercícios de tiro para a restinga que forma a baía. Muitos dos projécteis iam cair do outro lado, no mar, onde andavam, calma e despreocupadamente, os nossos pescadores, nas suas actividades. Este acto arrogante levantou protestos das mulheres e crianças que estavam em terra, porquanto traziam no mar os maridos, pais e irmãos. Em pranto, dirigiram-se a casa da regedora e pediram-lhe que acabasse com aquele abuso do navio estrangeiro. Maria da Cruz mandou içar a Bandeira Nacional num tosco mastro que tinha à sua porta, meteu-se num bote e dirigiu-se para bordo do navio britânico. Saias arregaçadas, punhos cerrados, gesticulando e no seu fraseado de gente do mar, intimou o comandante inglês a acabar imediatamente com a perigosa brincadeira. Aquele, que apenas deve ter compreendido a indignação e o desassombro duma verdadeira mulher de armas, fez suspender o fogo, abandonando o fundeadouro no dia seguinte.”

Moreira, Cecílio,  pp. 20/21


 

Outras informações 

A estátua de Maria da Cruz Rolão foi construida em Sá-da-Bandeira, em cimento pintado da côr do bronze e colocada à entrada da cidade. Para além desta havia uma outra estátua em bronze, erigida anteriormente, em homenagem ao Pescador, igualmente construida em Sá da Bandeira. A estátua de Maria da Cruz Rolão foi retirada, se não mesmo destruida,  mas creio que se mantém a estátua do pescador. 

Ainda relacionado com a odisseia destes pioneiros olhanenses em terras do sul de Angola, segundo informações contidas no blog Memórias e Raízes de Claudio Frota e de acorso com o Dr. Alberto Iria e outras fontes nas quais ele próprio foi beber, os Sousa Ganho, pai e filho "íam na canoa de pesca para Moçâmedes mas conseguiram entrar na barca D. Ana. Primeiro estiveram na Baía das Salinas onde se dedicaram á pesca á linha e á extracção de óleo de fígado de cação, e só depois rumaram depois para Porto Alexandre e Baía dos Tigres, sendo dos primeiros a fixarem-se nessas praias. O Júnior teve a sua primeira pescaria na Baía dos Tigres. Possuíam o caíque Restaurador que fazia o comércio de cabotagem na costa até S. Tomé, Gabão e Congo Francês. Estiveram no Mocuio, Baía das Pipas e Baba onde possuíam uma armação à valenciana destinada à pesca da sardinha, a 3ª. que foi montada no distrito. Foi o 1º.olhanense a construir uma casa em Moçâmedes.

Conta-se o seguinte episódio muito curioso: "Em 3 de Fevereiro de 1871 o olhanense Francisco de Sousa Ganho indemnizou Maria da Cruz Rolão por ter lançado ao mar as madeiras para construção duma casa e mais utensílios de pesca que Maria da Cruz Rolão desembarcava na Praia do Sal ao norte da Vila de Moçâmedes". E a seguir "declarou perante testemunhas que promete sob palavra de honra viver bem com os seus vizinhos residentes na Praia do Sal ou em qualquer parte deste distrito".(Maria da Cruz Rolão foi mais tarde heroína de Porto Alexandre e regedora).Pensa-se que sucederam alguns descontentamentos na fixação das populações em certas praias.

Há ainda um registo de 1921 em que foi concedido passaporte de Moçâmedes para Lisboa a Tolentino de Sousa Ganho, médico, casado com uma brasileira do Rio de Janeiro D. Adelina Salvatério Santos e a 2 filhas, Maria e Suzana, respectivamente de 7 anos e 14 meses. Tolentino era filho do Júnior.
Foi tudo o que encontrei sobre a sua ascendência graças ao Dr. Alberto Iria e à sua obra "Os caíques do Algarve no Sul de Angola".

03 junho 2009

Carnaval no Recreativo de Porto Alexandre (actual Tombwa)



Carnaval 1961 no Recreativo de Porto Alexandre.
Na 1ª foto:
Os quarto amigos inseparáveis, sempre prontos para a paródia : Eduardo Faustino, Manuel da Silva, Abel Lopes e
Álvaro Faustino.Ver mais AQUI

Na 2ª foto, reconheço entre outros, Manuela Lopes e Jorge Maló de Almeida (em 5º e 6º, em cima), à dt., Arlete Pereira. Embaixo, à dt. João Cabral Coimbra.

Se alguém reconhecer mais alguém, agradecia que entrasse em contacto através de «comentários». Muito obrigada.

26 janeiro 2009

Gente de Porto Alexandre (anos 60)












Mais uma foto de gente que viveu e trabalhou em Porto Alexandre até 1975, e que pelos motivos que todos os que lá estivemos sabemos, num abrir e fechar de olhos, em menos de 3 meses, tiveram que abandonar Angola, quando a segurança deixou de existir e a vida se tornara impossível.

O que me impressiona quando faço postagens para este blog de fotos de grupos de alexandrenses é o traço de união que sempre se denota existir entre as pessoas. Este é um fenómeno infelizmente inexistente nas grandes cidades, onde as pessoas, mesmo as que vivem no mesmo prédio, já nem sequer se conhecem ou até mesmo nem sequer se cumprimentam. O crescimento desmesurado das cidades e o tipo de vida moderna acarretaram consigo o individualismo, a indiferença, o egoísmo e outros sentimentos que tais, que estão isolando as pessoas no interior de si próprias, tornando-as mais sós e mais tristes, enquanto a humanidade vai perdendo os valores antigos que deveriam ser cultivados, porque se tratam de verdadeiros valores. Em Porto Alexandre trabalhava-se, mas as pessoas conviviam. E não isoladamente, mas em grupos, tal como aqui as podemos ver.
E é isso que faz saudades!
Se alguém errou foi o sistema e não as pessoas.

São (irmã mais nova do Modague e Maguida)
; Claudia Ferreira (irmã de Isabel, casou com o saudoso Albertino);Rui Lara (dirigente - Presidente do ISC - já falecido); Rosa Gancho;Isaura ("do Pinda");Nela Viveiros; ?("A Pequenina", tia da Lourdes Brito); Clélia; Luisa Sena.

À frente: Necas Trocado (dirigente - já falecido);?, X ico Baptista; ? (treinador da equipa de Basquetebol); José Cristino Ferreira (meu primo, sogro da Nandi Veloso- foi treinador da equipa de futebol - já falecido);?; Alfredo Gancho.
Nomes gentimente fornecidos por AdéliaVaz (Aileda)

Créditos de imagem: Mazungue

24 novembro 2008

Gente de Porto Alexandre






Quem se lembra da primeira loja dos gémeos de Porto Alexandre, do Álvaro e do Eduardo Faustino?

Quem se lembra deste carro original e do seu proprietário?

Ao volante, Caciano, atrás, Taruca Pacheco + Álvaro Faustino...

01 outubro 2008

Finalistas da Escola Comercial Bartolomeu Dias em Porto Alexandre : ano lectivo 1973/1974
























































Finalistas da ECBD ano lectivo 1973/1974.
in MAZUNGUE
Clicar aqui para ver mais fotos e Relatório da Excursão a Luanda e outras paragens de Angola de finalistas dos Cursos Comercial e Formação Feminina do ano Lectivo 1973/1974, excursão essa feita num autocarro de carreira da EVA (Empresa de Viação de Angola) alugado pelos alunos.
Fical aqui alguns nomes e algumas das alunas destas fotos: Arlete Trocado (Leta Xanduca), Rosita, Nandita Cardoso, Zery Prazeres...
Quanto aos restantes alunos e alunas, espero a vossa colaboração em comentários, OK?

30 abril 2008

Gente de Porto Alexandre: anos 50

Alexandrenses reunidos recebem na sua cidade, creio que Nunes da Ponte, o novo Governador do Distrito de Moçâmedes

27 abril 2008

Gente de Porto Alexandre: Verão na praia...




























































Era assim a juventude alexandrense quando se divertia despreocupadamente na sua óptima praia de águas frescas e cristalinas, mesmo alí juntinho às casuarinas!
Não coloco aqui os seus nomes porque apenas reconheço dois ou três destes jovens de então, passados que foram todos estes anos. Não obstante, faço daqui um apelo para que, na eventualidade de algum visitante deste blog reconhecer alguém, que fizesse o favor de colocar os seus nomes nos comentários, o que muito agradeço.

.....

Poema ao Namibe
1 - Namibe, deserto onde nasci
Sol e maresia abundam por ali

Espectacular oásis onde brinquei
Sintam o lugar lindo que adorei

2 - Na Natureza dessas paragens
Vemos dunas e miragens

O chão ondulado no calor
Expira ar queimado do ardor

3 - Grãos amontoados de areia lisa
Moldados pelo vento e pela brisa

Infinita imagem de áridas ternuras
Inferno que amamos sem verduras

4 - No casario junto à praia
Onde cresci e sonhei
Muito que de mim saia
Dos pescadores herdei

5 - Tenro, nu nadei na enseada grande
De nome, era mas já não é Alexandre.
Tombua, nome novo. Esquisito!
Agora já soa, para mim, bonito.
À terra o homem quis e ligou
O que Deus há muito semeou

6 - Welwitschia é seu nome
Mirabilis seu sobrenome
Tombua foi nome primitivo
O da Europa é o conhecido

7 - No Namibe foi onde Ele quis
No deserto a planta é feliz
O botânico a beldade estudou
Ao mundo a raridade divulgou

8 - Terra e Planta, Planta e Terra
No Namibe, perfeita combinação
Abençoada Natureza encerra
Os meus sonhos e paixão

9 - Casuarina, taipando aquele Local
Pinheiro bravo, importante Vegetal
Serenou as areias do ventão
E todos viveram na povoação

10 - Ao Norte, na saliente pontinha
Onde o Diogo nos pôs na Historinha
Pela escuridão Cabo Negro baptizou
Logo com Padrão o sítio marcou

11 - Naturalmente defronte em homenagem
O Navegador teve a sua imagem
Donde peixe e mexilhão foi apanhado
No Museu está o padrão apresentado

autor: Abel Marques (divulgado por Cereza)


14 fevereiro 2008

Gente de Porto Alexandre: finais dos anos 50








































1ª foto: Mª.Peçanha e ?

2ª foto: Gente de Porto Alexandre

3ª foto Família Guelas?


4ª foto:
Da esq. para a dt.
Em cima: Armindo Alves e Fernando Coimbra (filho)
Embaixo: Eduardo Faustino, João Faustino, João Faustino e Manuel Oliveira (Xerem)

Fotos gentilmente cedidas por A. Faustino


AROMAS DA MINHA TERRA (4)
1
Na planura do Pinda, verdura
As salinas, oásis de brancura
Estendia-se o manto puro tratado
Sal do mar límpido e salgado
Dos violentos raios com fartura
Para exportação uma doçura

2
O istmo da angra no pontão
Era local de natural diversão
Os baldes grandes encolhiam
Com amêijoa que os enchiam
A área, entenderam concessionada
E a irmandade ficou sem nada

3
Na ponta da “Ilha” a fauna crescia
Onde flamingos ali pastavam
Bico curvado amêijoas fartavam
Alimentados, o pernalta rosado partia

4
Iona, reserva majestosa
Com bicharada a pastar
Onde fiscal protegia por gostar
Com lei julgo muito rigorosa
E perseguição sem descansar

5
Árvores naturalmente plantadas
Lugar propício pràs patuscadas
Casbá, onde o folguedo foi bizarro
E maestro da folia o popular Pizarro

6
Na sanzala dos Quimbares
Afastados doutros habitares
O Mundo Novo batucava
Alegria que nunca faltava
Razão qualquer justificava

7
Nos “flamingos” dessa terra
Muito líquido se bebericou
O copo que a mão cerra
Nunca das voadoras se livrou

8
Habitações, portas redadas
Panorama protector habitual
Para afastar as borradas
Das moscas que viam mal


14/Fevereiro/2006
Abel Marques
in: Nossos Poetas
(Clicar aqui para ler a interpretação do texto)

Relembrando gente de Porto Alexandre aqui:
http://geohistharia.blogspot.com/2006/02/relembrando-porto-alexandre-i.html

01 fevereiro 2008

Gente e Porto Alexandre (décadas de 50 e 60)








1ª
foto: Sentadas neste banco de jardim, reconheço, da esq. para a dt:
Eduarda Carvalho, Manuela Costa e América Pisoeiro
Parque Infantil de Porto Alexandre. 1955

2ª foto: Parque Infantil de Porto Alexandre

3ª foto: Grupo de «motoqueiros» alexandrenses da época.

4ª, 5ª e 6ª fotos: Grupo de jovens alexandrenses posam para a posteridade junto aos jardins e pracetas do pequeno burgo de Porto Alexandre. Porto Alexandre, actual Tombwa, poderia bem chamar-se «cidade coragem», cidade conquistada ao deserto, às dunas de areia solta e aos ventos que as faziam mover
arrasando tudo à sua passagem e dificultando a fixação. Foi a persistência, o trabalho árduo e a ajuda das inúmeras de casuarinas que ali tiveram que ser plantadas desde a sua fundação, que permitiram a fixação. Os anos passaram, o milagre deu-se, e Porto Alexandre, nesta altura, até já ostentava os seus jardins com belos caramanchões, bem como os seus tanques e repuxos de água como se pode ver aqui.

09 outubro 2007

Paroquianos de Moçâmedes e Porto Alexandre


 


1ª foto: Igreja de Porto Alexandre
2ª foto: Grupo de paroquianos em confraternização com o padre Pinto Lobo. Entre outros, encontram-se na foto, da esq. para a dt: Mélita Parreira da Cruz, Parreira da Cruz e esposa, professora Albertina (irmã do Dr Rui Coelho), Januário Tendinha, Lurdes Ilha Tendinha. Odete Maló de Almeida e filho, e mais à dt. Ângelo Nunes de Almeida (marido)
, o casal, Mª Luísa Arrobas e marido, o Secretário da Administração de Porto Alexandre, (pais de João A. marido de Olívia Pisoeiro, Fernando, Mª Emília A.Carneiro e Mª Fernanda A.da Silva, (que casou com o Prof. Neves).

15 abril 2007

Gente da nossa terra: Porto Alexandre e Moçâmedes









































1ª foto:

2ª foto:
Manuel e Marianela Baptista e os dois filhos (em baixo), Aurélia e Constantino Faustino (em cima e ao centro).

3ª foto:
Foto cedida por Fernanda Barata (à dt.)
. As duas raparigas são a Laurete e a Suzele, tenso os pais por detrás.