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18 fevereiro 2007

Radio Clube de Moçâmedes Namibe, Angola : décadas de 50 e 60



Na foto: Colaboradores do RCM, no velho "campo de aviação", despedindo-se do Presidente Augusto  Cantos de Araújo. 1947 (ao centro): Mário Leitão, Raúl de Sousa Jr., José Costa Santos, Rui de Mendonça Torres, José Alves Roberto, Lúcia Reis, Eugénia Alves de Oliveira, Rosa Bento, Bernardete Cochat, Cantos de Araújo, Ana Liberato, Maria Manuela Costa, Maria Emilia Nascimento, Lurdes de Sousa Veli, Hirondina Mangericão, Lili Trabulo, Lúcia Gavino, Evaristo Fernandes, Guilherme Magalhães, Artur Caleres, Júlio Gomes de Almeida, e Adriano Parreira. Foto Salvador.


 
Dirigentes, locutores e colaboradores junto da sede do Rádio Clube de Moçâmedes quando esta ainda funcionava no prédio junto do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da República (de cima para baixo e da esq. para a dt.) : 1. Raul Gomes, Dr Marques Mano, Raul Gomes Jr. /Lito Baía, Firmo Bonvalot, Estevão Coelho, Santos César , Martins, Alfredo Falcão, Santos Osório, Pedro Malaguerra, J. Oliveira (Maboque), Evaristo Fernandes, Norberto Gouveia (Patalim), Nito Santos, Álvaro Mendes, Armando Campos, José Luís Ressurreição, José Antunes Salvador e Carlos Cristão. 2. Leonor Bajouca, Manoca, Noelma de Sousa (Esteves), Júlia Gomes, Manuela Evangelista (Carvalho), Dr Romão Machado (Pres. do RCM) e esposa, Maria Manuela Bajouca, Julieta Bernardino, Lili Trabulo, Maria Emilia Ramos, Arminda Alves de Oliveira (pianista) e Rosa Bento (César), pianista. Foto Salvador.  

Curioso nestas fotos é a forte componente de elementos femininos que entre finais da década de 1940 e o início dos anos 1950 prestavam voluntária e gratuitamente a sua colaboração ao Rádio Clube de Moçâmedes, incluso em "programas de variedades" que eram lançados para o ar. Mais curioso ainda é o facto de se tratar de uma geração feminina diferente das anteriores, que já não se conformava com o papel da mulher inteiramente dedicada ao lar e à familia, e que se dispôs a participar voluntariamente em eventos sociais quando a possibilidade de emprego faltava, pois o acesso da mulher ao mundo do trabalho entre nós esteve desde sempre dependente da evolução lenta das actividades económicas do nosso  pequeno burgo, que só ganharia mais vigôr a partir dos anos 1960, quando a par da guerra levada a cabo pelo exército português contra os movimentos independentistas, foi feito um grande esforço de recuperação económica em Angola, para o que muito contribuiu  o surgimento da Banca privada.


Seguem algumas fotos que registaram para a posteridade os primeiros programas de rádio, noticiários, etc, lançados para o ar através do RCM, numa fase pouco conhecida e oficialmente não divulgada, a fase da  carolice dos primeiros entusiasmpos que juntou inúmeros colaboradores que de modo algum poderiam ficar de fora deste registo.  O nosso Rádio Clube de Moçâmedes (CR6RM) começou numa casa  frente ao Caminho de Ferro de Moçâmedes, ao lado da loja de tecidos do sr. Pinheiro (Pirilau),  que dividia com o Sindicato dos Empregados do Comércio (SNECIPA. Dada a proximidade, quando havia relatos de futebol era costume estender-se um cabo que ligava o relator à “regie”, e era assim que  faziam as transmissões. E quando havia jogos de interesse para Moçâmedes, em Sá da Bandeira, que eram transmitidos através da linha telefónica do C.F.M., também era assim que se fazia.

No exterior utilizavam uma carrinha emprestada pelo Sindicato de Pesca, conduzida por Domingos Alves Figueiras, que se pode ver nesta foto de Salvador, onde se encontram Evaristo? Fernandes, Alfredo Falcão, Orlando Salvador e Carlos Cristão.

 

Interessante foto dos primeiros tempos do RCM, que juntou  inúmeros colaboradores: Ana Liberato e Rui de Mendonça Torres. Foto Salvador

 

Aqui podemos ver Celeste Gouveia (a Néné Carracinha) e Herondina Mangericão, entusiasmadíssimas no seu trabalho. Foto Salvador

 
Colaboradores/as do Rádio Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt: Néné Alves de Oliveira ao acordeon, ?, Julia Gomes à guitarra (fadista) e Manuela Evangelista (viola). Inauguração da sede do RCM? Foto Salvador.

Orlando Salvador, José Roberto e Adriano Parreira. Foto Salvador




Frederico Costa e Magalhães Monteiro. Foto Salvador


Fernando Andrade Vieira, Orlando Salvador, Francisco Velhinho, Raúl de Sousa Fr/Lico Sousa,  e... Foto Salvador

 


?, Frederico Costa, Rodolfo Ascenso,  e à frente, Oliveira (Maboque), César (electricista do RCM), Rui Bauleth de Almeida e António José Carvalho Minas. Foto Salvador


Com uma verba de não mais que 153 contos, conseguida por uma comissão organizadora para angariar fundos com vista à criação da sua emissora, um grupo de "carolas" moçamedenses partiram para a aprovação dos Estatutos do Rádio Clube de Moçâmedes, em Fevereiro de 1945, sendo a data oficial da sua criação o dia 20 de Novembro de 1944.

Em Abril de 1945 foi eleita a primeira direcção do Rádio Clube de Moçâmedes, com a curiosidade pioneira de integrar a primeira mulher em toda a radiodifusão de Angola.

O Rádio Clube de Moçâmedes (CR6RM) “nasceu” numa casa que dividia com o Sindicato dos Empregados do Comércio (SNECIPA), frente ao Caminho de Ferro de Moçâmedes, ao lado da loja de tecidos, a Casa Pinheiro (Pirilau). Dada a proximidade, quando havia relatos de futebol
estendiam um cabo que ligava o relator à “regie”. Era assim que faziam as transmissões. O mesmo se passava quando havia jogos de interesse para Moçâmedes, em Sá da Bandeira, que eram transmitidos através da linha telefónica do C.F.M. No exterior utilizavam uma carrinha emprestada pelo Sindicato de Pesca, conduzida por Domingos Alves Figueiras, da qual deixo  aqui uma foto. 





Mostro-lhes agora a mesma carrinha, cujos piscas saiam dos lados da cabine e tinham uns trinta centímetros de comprimento. Quando avariavam o condutor metia o braço de fora...  Foto Salvador. Em pose (Evaristo?) Fernandes, Alfredo Falcão, Orlando Salvador e Carlos Cristão.

Prossigamos...



Nos primeiros anos da década de 1950 surgiu em Moçâmedes a figura simpática do grande radialista que foi Carlos Moutinho e que ficou célebre com os seus "Programas da Simpatia" realizados no palco do Cine Teatro da cidade  Foto Salvador

 


Entre outros, da esq. para a dt: Luciano Sena, Evaristo Sena Fernandes, Sousa Santos, Soares e Silva, Domingos Barra, Embaixo: Rui Bauleth de Almeida, ?, Carlos Moutinho, Cecília Victor, Calila, ?, Antóno José Minas. Em cima, 1ª fila, Bica, Salvador, ?, Rui Torres, ?. Foto Salvador
 


Carlos Moutinho e Cecília Victos (ao centro) rodeado de outras figuras ligadas ao RCM, entre as quais  Lico de Sousa, Arlete Pereira, à dt e Rui Bauleth de Almeida atrás. Foto Salvador
 

Carlos Moutinho "entrevistando" a foca que "foi morta a tiros vis" por um então capitão do Porto, na praia junto da Fortaleza . Foto Salvador



José Manuel Frota
 
Rodrigues Costa

Edgar Teixeira

Sebastião Coelho
 
Joana Campina
Carlos Meleiro deixou a sua marca como chefe de produção do RCM


Como pioneiros costumam figurar na história do Rádio Clube de Moçâmedes os nomes de Augusto Cantos de Araújo, Augusto Cantos de Araújo, Carlos Cristão, Joana Campina, Sebastião Coelho, Maria Manuela, Costa Pereira, Carvalho Minas, Carlos Moutinho, Carlos Meleiro, Ernesto de Oliveira, José Manuel Frota, Arlete Pereira, Rui Rodrigues Costa. A estes nomes, acrescento os nomes de Carlos Cristão,  Maria Manuela Bajouca, Magalhães Monteiro,  Cecília Victor, Adriano Parreira, Rui Bauleth de Almeida, Orlando Salvador, Edgar Teixeira, Cruz Almeida, Alberto Sousa Marques, Rui Torres, Celeste Gouveia (Néné Carracinha). Foram eles, juntamente com tantos outros nomes já aqui mencionados que no decurso desses anos deram ao RCM todo o seu esforço e dedicação como locutores, colaboradores, directores, etc.



O projecto de um sonho irrealizado... Foto Salvador


O Rádio Clube Moçâmedes foi sem dúvidas, o grande impulsionador da cidade, tendo a sua actividade, para além do campo cultural  e lúdico, se expandido ao desporto através da promoção regular de relatos de futebol, hóquei em patins e basquetebol masculino e feminino. Seguem fotos de outros valiosos colaboradores do RCM:

Seria assim a futura sede do RCM, obra que tendo como seu grande impulsionador Carlos Moutinho,  não chegou a ser concluida, reflexo da penúria dos meios e da ausência de ajuda do Estado para projectos deste género. Tudo quanto entre nós fosse dirigido  ao lazer das populações, era conseguido a ferros em termos de ajudas estatais. Foi o que aconteceu com o Complexo Desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica, outra obra inacabada que já foi neste blog abordada através de uma postagem. Por exemplo, ao nível da habitação, não fosse Mariano Pereira Craveiro e outros "carolas" fundadores da sociedade cooperativa "O Lar do Namibe", Moçâmedes chegaria a 1975 reduzida ao velho casario do  seu centro histórico ou pouco mais, pois sequer havia créditos bancários destinados a habitação, indústria de pesca, etc.


Ruinas que entristecem... Foto Salvador

Em 15/08/1952 foi inaugurada a sede do RCM num edifício construído exclusivamente para o efeito. Mas havia sonhos que falavam mais alto e devido à carência de meios e à ausência de ajudas oficiais nunca chegaram a ser concretizados. Não admira! Os Rádios Clubes, pela sua natureza associativa, com direcções democraticamente eleitas, eram como bem referiu Leonel Cosme, o único espaço de relativa autonomia onde se manifestava a "opinião pública" das populações angolanas...


Visita do Governador Nunes da Ponte à antiga sede do Rádio Clube de Moçâmedes, em 1957 tendo à sua esq. e à sua dt, Albérico Sampaio e Mário Rocha, ambos elementos da Direcção do RCM na altura,

Visita Governador do Distrito Salles Grade às novas instalações do RCM em 1956, acompanhado pelo "Capitão do Porto",  comandante Marrecas Ferreira,  Joyce Chalupa, Newton da Silva, Mário Rocha e Ferreira da Silva. Orlando Salvador e Sousa Jr. dão conta das modernas caracteristicas dos novos gira-discos. Elementos ligados ao Rádio Clube de Moçâmedes.


Mas o RCM também teve a sua orquestra ...

 
"Orquestra do Rádio Clube de Moçâmedes"
Foto Salvador

Moçâmedes em matéria de divertimento das populações, desde os tempos mais recuados não deixava nada por mãos alheias. Este conjunto musical participava na altura no programa «Variedades» do Rádio Clube da cidade. Corria o ano de 1954, nessa famosa década que mobilizou toda uma população desde os mais jovens até aos de meia idade, em que foi lançada a ideia da organização de um conjunto ou "orquestra do Rádio Clube de Moçâmedes", tendo à cabeça o fotógrafo e músico amador, José Antunes Salvador, saxofonista e chefe da orquestra, para além dos pianistas Afra Leitão, Arminda Alves de Oliveira, Rosa Bento e Martins da Alfândega, dos violinistas Santos César e Fernando Osório (do Banco de Angola), do acordeonista, Raúl Gomes Filho (que também tocava guitarra e viola), e dos bateristas Firmo Bonvalot e Albertino Gomes, não esquecendo o trompetista, Anselmo de Sousa que há época trabalhava na empresa de Abilio Simões. Conforme podemos ler num dos seus livros sobre Angola, de Paulo Salvador, "...as músicas em pauta, eram conseguidas junto das orquestras de bordo dos paquetes que 2 vezes por mês aportavam à  baia de Moçâmedes. O pai fazia amizades com os músicos de bordo e estes cediam, por gentileza, as músicas e canções em voga na Metrópole, que seriam cantadas aos microfones do Rádio Clube, depois de orquestradas pelo mestre Salvador. Os jovens e moças do Namibe, respondendo ao apelo, apresentavam-se para ver se tinham jeito, ( os castings de hoje...) .  Recordando algumas das vozes que davam brilho aos programas de "Variedades", citaremos as de Isabel Maria Sena Costa, Noelma de Sousa (Velim), Maria Emilia Ramos (que se destacou no dia em que cantou La vien Rose), Octávia de Matos com as suas marchinhas brasileiras (a Carmen Miranda do Namibe). De destacar a grande fadista do Namibe, Júlia Gomes, filha do Raúl Gomes, o guitarrista oficial da cidade que nos surpreendia em todas as actuações acompanhadas à viola pelo seu irmão "Baía" e pelo seu pai, à guitarra. No rol dos cançonetistas do RCM que dia a dia aumentava, recorde-se, ainda, as bonitas vozes de Rosa Bento, Nélinha Costa Santos, Lili Trabulo com o seu cantar lânguido, Néne Evangelista "Boneca" que casou com o Turra, o romântico José Luis da Ressureição que nos deliciava com o reportório do saudoso Francisco José. Sobre o Zé Luis, está ainda na minha memória o lindo e sentido fado, com musica e letra do juiz da Comarca Dr. Marques Mano, intitulado NAMIBE. O José Luis entregava-se de alma e coração cantando este fado com o estilo "Coimbrão" . Também cantava fados de Coimbra, o amigo Estevão que trabalhava na Robert Hudson.  Não quero esquecer a voz de Adriano Parreira, o Mário Lanza do Namibe, sempre presente nestes programas de variedades. Que me perdoem outros Amigos e Amigas que também enriqueciam este programa, a quem, por lapso momentâneo de memória, não faço agora referência".

Recordando a figura de Antunes Salvador, numa revista teatral que foi levada à cena em Moçâmedes, brincando com os seus dotes musicais, cantavam :


Tocam hinos, tocam óperas
tocam marchinhas e valsas
e o Salvador tanto assopra
         que arrebenta o cós das calças ...







Ficam mais estas fotos  e estas doces recordações de momentos momentos passados num outro tempo naquela que é hoje a cidade do Namibe.

MariaNJardim



Encontrei na NET:

O Rádio Clube de Moçâmedes, com um emissor de 50 W, em 1945.
As primeiras notícias da criação do Rádio Clube de Moçâmedes surgem no jornal "O Lobito" de 11/06/1938, onde se anuncia a formação de uma Comissão organizadora, para angariar fundos com vista à criação da sua emissora.
Com uma verba de 153 contos, aquela comissão vê aprovados os Estatutos do Rádio Clube de Moçâmedes em Fevereiro de 1945. No entanto, a data oficial da sua criação é 20 de Novembro de 1944.
Em Abril de 1945 foi eleita a primeira direcção do Rádio Clube de Moçâmedes, com a curiosidade pioneira de integrar a primeira mulher em toda a radiodifusão de Angola.
Em 15/08/1952 foi inaugurada a sua sede num edifício construído exclusivamente para o efeito.
Como pioneiros figuram na história do Rádio Clube de Moçâmedes os nomes de Augusto Cantos de Araújo, Carlos Cristão, Joana Campina, Sebastião Coelho, Maria Manuela, Costa Pereira, Carvalho Minas, Carlos Moutinho, Carlos Meleiro, Ernesto de Oliveira, José Manuel Frota, Arlete Pereira, Rui Rodrigues Costa.
http://www.geocities.com/dpmonteiro/




Sobre a Rádio em Angola. A grande contributo de Sebastião Coelho que também foi Chefe de Produção do RCM


A iniciativa da Rádio Angolana ficou a dever-se, sem dúvida, aos Rádios Clubes que cobriam inteiramente a Província: Rádio Clube de Angola, em Luanda, do Huambo em Nova Lisboa, de Benguela, de Moçâmedes, da Huila, em Sá da Bandeira, do Quanza Sul, em Novo Redondo, de Malange, do Congo Português, em Carmona, de Moxico, no Luso, do Sul de Angola, no Lobito, do Bié, em Silva Porto e de Cabinda. Em Luanda, acrescente-se a Emissora Católica de Angola e a Emissora Oficial de Angola. Havia também a Rádio Diamang, privativa da Companhia de Diamantes destinada ao recreio e cultura do seu pessoal, na Lunda, o que dá  uma ideia do valor potencial da rádio angolana.

Os Rádio Clubes eram emissoras locais subsidiadas pelo Governo da Província, por outras entidades locais e pela cotização dos seus associados, e estavam autorizadas a fazer publicidade radiofónica. Aliás, em Angola, dada a imensidão das distâncias, a rádio possuia bastante mais interesse do que o jornal, ao proporcionar aos ouvintes noticiários actualizados. Daí que fosse a publicidade radiofónica a atingir as maiores cifras nos orçamentos dos comerciantes e industriais.

De um modo geral, dado o bairrismo das gentes de Angola, os habitantes de cada cidade ouviam preferencialmente o Rádio Clube local. Assim, amparada pelo Governo da Província e auxiliada pelos comerciantes que vêem na rádio enorme força de publicidade aos produtos que vendem, a Rádio em Angola ia cumprindo a sua missão.


Joana Canpina
 


De um texto publicado por Leonel Cosme em Fevereiro de 2003, «IN MEMORIAM DE SEBASTIÃO COELHO SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA RADIO ANGOLANA, passarei a transcrever asseguintes passagens da parte que diz respeito ao Rádio Clube de Moçâmedes:

«...Sebastião Coelho, à frente da emissora de Moçâmedes, dá guarida e colabora, em parceria com Leston Martins, então naquela cidade, num programa de divulgação dos jovens poetas angolanos, que era igualmente apresentado no Rádio Clube de Benguela, em colaboração com a jornalista Helena Soeiro (Mensurado, por casamento com outro jornalista, José Mensurado também ele um dos dinamizadores da Mensagem.)

"...Na pequena e mais puxada ao Sul cidade de Angola - fundada, só na segunda metade do século XIX, por colonos luso-brasileiros fugidos de Pernambuco às defenestrações nativistas e sem assinaláveis tradições culturais - tem particular significado a acção quase "missionária" de Sebastião Coelho, apoiando a entronização, no Namibe, de um Movimento da "novi-angolanidade", que os seus promotores já queriam ver distinto do "lusotropicalismo teorizado pelo brasileiro nordestino Gilberto Freyre, aproveitado pelo regime colonial e, ainda hoje, como que travestido numa difusa "crioulidade" que é, no fundo, um desvio da "angolanidade" defendida pelos "mensageiros" com o sentido de afirmação de uma personalidade autónoma e prospectivamente africana.

Sebastião Coelho, ao longo dos anos em que me relacionei com ele, sobretudo por motivos profissionais, mas não só (uma ligação que durou até aos primeiros meses de 1976, comigo já em Portugal e ele em vésperas de partir para a Argentina), fez a sua" guerra" pela angolanidade, sem anúncio nem ostentação.

"...Por ironia da história, como consequência dos "ventos de mudança", em 1975 (em tempo de grande agitação política, como se sabe ou imagina), o principal administrador, em Luanda, da Rádio Comercial de Angola, Mota Veiga, confia a Sebastião Coelho, com quem mantinha relações de grande confiança, a direcção das duas emissoras do grupo: a de Luanda e a de Sá da Bandeira. E, ironia das ironias, delega em mim (o "inimigo" confesso) a administração da Rádio Comercial de Angola, em Sá da Bandeira, que durou, com Leston Bandeira e Fernando Alves na direcção da informação e programas até que o MPLA perdeu o controlo da cidade, e consequentemente da Imprensa e da Rádio locais, com a ascensão dos profissionais ( e o beneplácito do sócio minoritário da empresa, residente naquela cidade, Venâncio Guimarães Sobrinho) apoiantes das forças coligadas da FNLA-UNITA, que se mantiveram até depois da chegada à cidade do exército sul-africano, no dia 23 de Outubro de 1975.

Depois da independência de Angola, ainda Sebastião Coelho se bateu contra a hegemonia de uma Rádio Nacional' centralizadora, fazendo dos ex-Rádio Clubes emissoras de repetição e assim coartando as autonomias regionais. No livro que publicou em 1999, Angola-História e Estórias da Informação (que constitui a melhor fonte de informações conhecida sobre este e outros temas), ele diz suficientemente do seu desgosto por não ter visto concretizadas as expectativas. In « MEMORIAM DE SEBASTIÃO COELHO SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA RADIO ANGOLANA, by Leonel Cosme, 2003

                                                      

09 fevereiro 2007

Escola Comercial de Moçâmedes (década de 50)




As instalações da Escola Comercial de Moçâmedes (década de 50). Esta Escola nasceu como Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes

 

Concentração de alunos/as da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no terreno que ficava em frente à antiga Secretaria da Escola e Departamento da Mocidade Portuguesa, onde foi construida a Maternidade do Sindicato dos Empregados do Comércio e Industria de Moçâmedes.  Neste dia chegava a Moçâmedes, de comboio, vindo de Sá  da Bandeira, o Presidente da República Portuguesa, Craveiro Lopes. Corria o ano 1954, o Presidente da República portuguesa tinha acabado de inaugurar, em Vila Arriaga (Bibala), a nova bitola dos Caminhos de Ferro, e vinha presidir ao lançamento da 1ª pedra do cais comercial. Sobre o Ensino Secundário em Moçâmedes clicar aqui




Finalistas do Curso Geral de Comércio da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes com a professora Albertina, nos jardins da Avenida de Moçâmedes. Da esq. para a dt. Em cima: Roberto Trindade, Daniel Santos, Leitão, Clélio Cunha, Rui Almeida Barbosa, António Pessoa, Rui Coelho, Fausto Gomes, Claudino Alhinho (Joldino). Embaixo: ?, Geni Guerra, professora Albertina, Jorge Carrilho e José Fernando Soares.


 Grupo de alunas da Escola Comercial de Moçâmedes e corpo docente, no quintal do edifício, situado nas traseiras do mesmo

 Grupo de alunas da Escola Prática de Pesca e  Comercio de Moçâmedes e corpo docente, no quintal do edifício, situado nas traseiras do mesmo, à época bastante degradado. 1950

Grupo de alunas e alunos da Escola Prática de Pesca e  Comércio de Moçâmedes em excursão à Matala. 1956


Grupo de alunas e alunos da Escola Prática de Pesca e  Comércio de Moçâmedes em excursão à Matala. 1956
  



 Na Praia das Miragens numa abertura sem aulas. Em cima, da esq. para a dt: Lurdes Faustino (Pitorrinha) , Graça Nunes de Sousa, e Rosalina Nunes. Embaixo: Lurdes Tavares, Ricardina Lisboa, Mª Rosário e Nidia.
 Cerimónia da despedida do antigo Director da Escola Comercial de Moçâmedes, Dr Ressurreição Borges e da passagem do lugar ao novo Director, Dt Olimpio Nunes.  Do corpo docente, encontravam-se a assistir ao acto , de entre outros, o mestre Cecilio Moreira (Educação Fisica), o professor Carrilho (dactilografia e estenografia). Encontravam-se também presentes o Professor Marques, Director da Escola Portugal,  Egidio Robalo, da União Nacional,  etc, para além de alunos e alunas da referida Escola.
Alunos finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956 posam para a posteridade, vestidos de negro , na Avenida de Moçâmedes, após o último dia de Aula. São, da esq para a dt. Em cima: Alhinho, Violete Velhinho, Cacilda, Daniel Santos,  José Fernando Siares, Tio Coelho de Oliveira, Geni Guerra, Leitão, Antonio Pessoa, Jorfe Cattilho, Roberto Trindade e ?. Embaixo, atrás: Fernanda Almeida, Lurdes Faustino, ?, Ildete Bagarrão,  Lurdes Infante da Câmara, Eduarda Bauleth Almeida, Maria do Rosário Antunes e Aurota Vieira. Á frente; Ricardina Lisboa, Nidia Almeida e  Celisia Calão .

 
Baile dos finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956, no salão so Atlético Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt: M. Rosário, Noémia Tosado, Ricardina Lisboa, Mª de Lurdes Infante da Câmara, Fernanda Almeida, Aurora Vieira, Violete Velhinho, Lurdes Faustino, Rosalina Nunes, Esuarda Bauleth Almeida, Celisia Calão, Nídia Almeida e Ildete Bagarrão

 
  Peça de Teatro no Cine Moçâmedes dos alunos e alunas finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956

 



Peça do mesmo espectáculo interpretada por: Noemia Rosado, Antonieta, Guida Frota, e Maria da Graça Nunes de Sousa tirada no decurso de um espectáculo realizadio no Cine Moçâmedes, por ocasião da festa de despedida dos alunos/as do Curso de Formação Comercial da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes 1956.





2º foto:
Da esq. para a dt: Eduarda Baulleth de Almeida, Ildete Almeida Bagarrão, Lurdes Faustino (Pitorrinha), Augusta Neves Almeida, Aurora Vieira, Cacilda, Violete Velhinho, Daniel Santos, Geny Guerra, José Fernando Soares, Jorge Carrilho e Rui Coelho de Oliveira
Fez parte do espectáculo uma cena de teatro na qual José Fernando Soares sentado numa secretária imitava o Dr Ressurreição Borges no seu modo de lidar com os alunos, cena muito bem interpretada e muito aplaudida.

Fotos do meu album


Grupo de alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. Data provável: 1955/6. 

Em cima, da esq. para a dt: Antonieta Rodrigues (Boneca) , Rosália Bento, ?, Teresa Freitas, Herondina Minas,   Professora e Irene Barata. Embaixo:  ?, Julia Minas, Zelda Ferreira da Silva, ?, Mariália Matos e Claudia Guedes. à frente: Milocas, ? , ? Rodrigues e  ?Alhinho.
 Festa dos Finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes em 1956
 
 Professora Edvige com suas alunas de Formação Feminina

Professora Edvige com alunas da Escola Comercial e Industrial da Moçâmedes em 1956/7
Reconheço, entre outras: Vitória Franco, Betonha Bagarrão, Mariália Matos, e? Diogo,  à esquerda . À direita,  ?Rodrigues, ?, Simone Alhinho, Teresa Freitas e  Maria do Carmo Barra.
 

 Professora Edvige com suas alunas de Formação Feminina

As mesmas alunas com outra professora cujo nome não me ocorre
 

FIM





































Bailes de Carnaval e passagem de ano na década de 50 e princípios da década de 60.












Estas fotos levam-nos até aos animados bailes de Carnaval que se realizavam nos amplos salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino), nos finais da década de 50, princípios da década de 60.

1ª foto: Num baile de Carnaval, podemos ver em primeiro plano Noelma Coelho (basquetebolista do Sporting Clube de Moçâmedes) e José Luís Pardal.

2ª foto: Nesta foto reconheço também o moçamedense José Luis Gomes Ferreira (mais conhecido por José Luis Pardal)

3ª foto: Entre outros/as, reconheço, da esq. para a dt.: Luisa Polvora Dias, ?, Diogo Baptista e ? , Isaura Aguilar e Polvora Dias, e atrás Rui coelho de Oliveira e Rosália Bento. Ao centro e atrás, Amélia Castro.

4ª foto ao centro, Raquel Nunes e Diogo (mascarado), ensaiando uns passos de dança que Raquel tão bem sabia acompanhar.

5ª foto, um baile e passagem de ano no Club Nautico, nos finais da década de 50. Ao centro, pode ver-se, o casal Fernando(de costas) e Orlanda Cabeça, um pouco à dt., o casal Orlando e Amélia Salvador. À dt.???..

O salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes era um amplo salão, com todas as condições para servir os desejos de diversão das gentes da cidade do Namibe. Contudo, era o salão do Club Nautico, ou Casino, situado numa zona previlegiada, junto à Praia das Miragens,
o mais elegante da cidade, sendo frequentes em ambos, as matinées dançantes alí realizadas aos domingos, e os bailes, aos sábados à noite, em épocas festivas, como na passagem de ano, (Reveillon), no Carnaval, etc. Muitos dos jovens frequentadores dos bailes do Clube Nautico, sobretudo no Carnaval, que em  Angola decorre em pleno Verão, tinham o hábito de acabar a festa na Praia das Miragens , mesmo ali em frente., onde ficavam até à hora do almoço.  E o mesmo nos Reveillons, em fins de ano, também já considerada uma época quente, tinham o hábito de acabar dormindo na areia da praia até começar ao sol a raiar e  gente a chegar. 


Na década de 1950 os bailes e matinées dançantes eram abrilhantados pelo famoso  e muito estimado conjunto musical «Os Diabos do Ritmo», com Albino (Bio) Aquino ao piano (ou ao acodeão),  Lito Baía ao acordeão, ( ou à guitarra)  Albertino Gomes, o baterista,  Marçal ao saxofone, Frederico Costa e Serieiro com as suas maracas. Mas os «Diabos do Ritmo» também tinha os seus vocalistas. Recordo-me por ex. da voz de Henrique Minas e de José Manuel Frota, que actuavam de quando em quando. Quantos bailes de Carnaval e «Reveillons» ficamos a dever a este grupo de talentosos amadores de música cheios de vivacidade e contagiante alegria! Era quase uma orquestra! 

Quando estes «arrumaram» os seus instrumentos e deixaram de tocar, surgiram as «bandas», com menor número de intervenientes, geralmente constavam de dois à guitarra (o baixo e o solista), o sintetizador (o teclas) e o baterista, além do vocalista. Recordo a banda de Laurentino Jardim (baixo), Antero (bateria), Vieira (solista) etc. Outra banda denominada «Os Selvagens» era composta por Carlos Cristão (baterista),  Fernando Vieira (viola solo), Beto Leitão (viola ritmo) Ginho  Chalupa (viola baixo), Reinaldo Bento e Rui Vieira (vocalistas).

No Clube Nautico também se organizavam concursos infantis de máscaras de Carnaval, além de passagens de modelos esporádicas. Durante a época balnear, o Club Nautico chamava a sí a organização de competições de natação, vela, remo, e durante todo o ano, no seu campo de jogos, decorriam treinos e disputas em modalidades, como o ténis, sendo ainda este campo, frequentemente emprestado para treinos a outros clubs, como o Ginásio Club da Torre do Tombo, que alí ia treinar a sua equipe de basquetebol feminino. Nos últimos anos da colonização portuguesa, a actividade do Club Nautico, excepto os bailes que foram espaçando, mantinha-se ténis e os jogos de mesa, ou seja jogos de cartas, poker com seus «habitués», vulgo «batota». 

Chegou a haver em determinada altura, nos finais dos anos 1960, um grupo de moçamedenses que  procurou pôr em prática um projecto que consistia em fundir o Casino com o Rádio Clube sob o nome «Rádio Clube Nautico de Moçâmedes». Este projecto que nunca foi levado à prática passava pela venda do edifício do RCM  para com o produto  da mesma se proceder à conclusão do 1º andar do clube onde ficaria instalada a emissora de rádio.

Já  nos últimos anos da permanência portuguesa Marilia Cavaco  passou a explorar na cave do Clube Nautico aquela que foi a primeira Discoteca da cidade, na cave do Clube, fazendo-se a entrada para a mesma através das traseiras.Foi a partir daí que teve início uma sociabilidade separada, porquanto os jovens, principalmente as raparigas iam aos bailles do Atlético e do Casino geralmente acompanhadas da familia e amigos, gente de diferentes idades que frequentava estes  salões, e a partir daí passaram a encontrar-se com jovens da sua idade.


MariaNJardim



Foto: Era uma vez Angola...

Recordando eventos na nossa terra: baile de Carnaval no Atlético Clube de Moçâmedes em 1954


1ª foto: Os Reis de Carnaval eleitos num baile realizado no salão do Atlético Clube de Moçâmedes na década de 50. Foram eles Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula) e ?
Ao microfone, o grande chefe de produção do Rádio Clube de Moçâmedes, Carlos Moutinho, e a seu lado sustentando o microfone, Oliveira (Maboque). À esq. Lalai Jardim e por detrás da «rainha do baile», Silvestre.

Um baile de Carnaval no salão do Atlético Clube de Moçâmedes, e para mais abrilhantada pelo conjunto musical «Os diabos do ritmo», que aqui vemos na 1ª foto, era sempre uma festa animadíssima que se prolongava até às tantas da madrugada, quando não até ao despontar do dia, acabando os mais jovens, por, muitas vezes, por sairem dalí, directamente para um banho na praia das Miragens.

Para além do Atlético, os bailes de Reveillon também se faziam salão do Clube Nautico, vulgo Casino, meso de fronte da Praia das Miragens. Nesse tempo, jovens e gente de mais idade, confraternizava e divertia-se sem problemas, como se pode verificar pela foto. As jovens raparigas apareciam sempre acompanhadas das mães ou de familares e amigas de mais idade , como era de bom tom, não fosse o diabo tecê-las...

Por esta altura, meados da década de 1950, dançava-se, ainda não, o rock-and-roll ou o twist, mas tangos, valsas, slows, boleros, músicas basileiras, marchas, etc.. Mas nos dias de Carnaval eram as marchinhas brasileiras, os baiões, rumbas e passodobles...

Nesta foto, tirada na passagem de ano 1954, podemos ver entre outros, da esq. para a dt, em primeiro plano, Rui Bauleth de Almeida e Octávia de Matos, ( filha de Octávio de Matos) Maria Nídia Almeida e Arménio Jardim (hoquista do Atlético Clube de Moçâmedes), Antunes Salvador (o mais antigo fotógrafo profissional de Moçâmedes) e Justina Salvador. Mais atrás, e também da esq. para a dt.: Monteiro, Cristão (Quitolas), e mais ao fundo, Artur Homem da Trindade (desenhador de projectos de construção civil (*). Referi aqui o nome de Antunes Salvador (no canto dt., de óculos), gostaria de registar, que este Sr., foi o mais antigo fotógrafo de Moçâmedes, e touxe consigo de Àfrica, um valioso espólio em fotos de Moçâmedes que têm vindo a ser publicadas em livro, não deixando deste modo, morrer memórias, que são afinal um património de todos nós, angolanos e portugueses. Foto gentilmente cedida por M. Carmo Matos.

(*) Artur Homem da Trindade deixou a sua marca na cidade de Moçâmedes através do grande número de casas e edificios publicos de grande qualidade estética que desenhou, entre os quais creio que o edifício dos CTT, o da Associação Comercial e grande número das mais belas vivendas que alindavam a cidade.
(*)vidé GENTE DO MEU TEMPO.: Caça ao elefante no Deserto do Namibe, Moçâmedes, Angola