Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...
Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome e proveniência do autor, sendo considerado PLÁGIO quem não as respeitar. MariaNJardim
16 abril 2007
E assim nasceu o pavilh campo de jogos do Sport Moçâmedes e Benfica...
3º foto: Nesta foto, os dirigentes do Sport Moçâmedes e Benfica, Luís de Sousa Simão, João Maurício , João R. Trindade e Mário António Guedes da Silva recebem o então Governador Geral de Angola Horácio de Sá Viana Rebelo, de visita ao novo complexo desportivo, como se pode ver, já em construção (foto tirada em 13.03.1959).
4ª foto: O complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica ainda em construção (vista aérea).
5ª foto: Mário António Guedes da Silva (Tesoureiro) e Lourdino F. Tendinha (Presidente da Assembleia geral) expõem ao Presidente do Conselho Provincial de Educação Física, major Fausto Simões, o plano de obras para o novo complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica. Foto tirada em 08.11.1959.
Apesar da riqueza de Angola, só com muito esforço, muita luta e muita dedicação por parte de dirigentes e atletas, os Clubes desportivos conseguiam subsistir. Sem quaisquer subsídios por parte do Estado nem das Câmaras Municipais, os Clubes mantinham-se financeiramente através das pequenas quotizações dos seus associados, do precário produto dos jogos, e pouco mais. Neste contexto, era sempre uma aventura enveredar por quaisquer melhoramentos que viessem beneficiar os Clubes, o Desporto e a Cidade em geral, uma vez que não possuíam uma base financeira estável. Foi por uma destas aventuras que enveredou a Direcção do Sport Moçâmedes e Benfica, quando no ano de 1957, a 11 de Março, após várias reuniões levadas a cabo para o efeito, a sua Direcção resolveu empossar uma «Comissão Pró-Sede e Parque de Jogos» constituída pelos seguintes elementos: Intendente José da Silva Vigário (Presidente), Gaspar Gonçalo Madeira (Vice-Presidente), Mário António Gomes Guedes da Silva (Secretário), João Soares (Vogal), Arménio Joaquim Lemos (Vogal), Ernesto do Oliveira (Vogal), José Alberto Pereira Monteiro (Vogal) e Pedro Lopes da Silva (Vogal). O Benfica não possuía nem uma sede nem um campo de jogos com as condições minimamente exigidas e muito menos de acordo com a excelência dos seus atletas, como ficara comprovado no ano de 1956 com as vitórias alcançadas nas modalidades de basquetebol feminino e masculino
Criada a Comissão, em seguida, e por deliberação de 22 de Março de 1957, são iniciadas diversas campanhas tendo em vista a angariação de fundos entre a população, industriais e comerciantes. Outras resoluções se seguiram quanto à aquisição do terreno, projectos, cálculos de betão, exposição ao Governador Geral de Angola solicitando a comparticipação no investimento, etc., etc.. Foi assim que começaram a surgir os primeiros fundos e foi possível arrematar o terreno com cerca de 4900 mts 2 por 16.802$10 à Câmara Municipal de Moçâmedes e partir para a elaboração do projecto que incluía o parque de jogos e o edifício-sede, da autoria do desenhador-técnico, António Coelho. A Câmara Municipal da cidade ofereceu as primeiras carradas de areia, e Gaspar Gonçalo Madeira, membro da «Comissão Pró-Sede e Parque de Jogos» prontificou-se a assegurar a cobertura dos camarotes e a fornecer todo o ferro necessário para a respectiva construção a preço do custo. O produto das subsequentes angariações de fundos permitiu erguer as paredes de todo esse complexo. O sonho dos benfiquistas de um estádio completamente circundado de bancadas e camarotes com a capacidade de cerca de 4 mil pessoas sentadas, estava finalmente em marcha... Faltava, porém, para que a obra pudesse avançar o subsídio do Governo Geral, e foi perante essa necessidade que Mário António Guedes da Silva foi levado a deslocar-se a Luanda para angariar também alí donativos, tendo regressado com a quantia de 20 mil escudos que foi imediatamente aplicada. Esgotados todos os recursos, e com a obra em risco de parar, em 19.11.1957 foi apresentada uma 2ª exposição ao Governo Geral de Angola, desta vez despachada favoravelmente, tendo sido atribuído um subsídio de 150 mil escudos. Como refere Mário Guedes no seu livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes - Angola»: «trilhava-se diariamente os caminhos da fé para se chegar à ilha dos sonhos»... No ano de 1958, perante o reconhecimento dos esforços efectuados, o Governo Geral acabaria por reforçar a verba inicial com mais 1o0 contos, perfazendo um total de 250 mil escudos. Contudo esta verba era ainda insuficiente e não permitia avançar para a conclusão do empreendimento, e no ano de 1959, no decurso da visita do Governador Geral de Angola a Moçâmedes e ao complexo desportivo a 13.03.1959, uma 3ª e última verba foi concedida, no valor de 150 mil escudos, face ao reconhecimento dos trabalhos já executados. Esta verba permitiu a conclusão do campo de jogos, porém não permitiu a total concretização do sonho: a construção da Sede, integrada no Complexo. Faltava ainda uma nova étape bem como verbas mais elevados... o que daí para a frente se tornara mais difícil. E foi assim que o Sport Moçâmedes e Benfica conseguiu o seu complexo desportivo, inacabado embora, mas funcional e mais de acordo com as aspirações dos seus atletas, afinal os grandes inspiradores deste projecto! Entretanto os tempos mudaram...
..............
Finalistas da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henriques/ Moçâmedes (actual Namibe)



1ª foto: Entre outros Toni Barba Azul, Lecas, Germano, Umbelina Maçanita, Angela, Armanda Ferreira, Manuela Latinhas, Ana Paula Sá e Castro, Ilda Bacalhau, Ineida Matos, Dr.Brandão, Dr.Balsa, Armando Oliveira, Fátima Cruz, Couto, Fátima Pontes,etc.
2ª foto: Entre outros: Horácio Reis, ?, Ineida Matos, Lecas Van der Kellen, A. Martins, Filomena, Dolbeth e Costa, Fátima Cruz, Armando Oliveira, Ana Paula e Castro, Ilda Bacalhau, Arménio Minas (Tchifufa), Manolo Couto, Angelinha, Armanda Ferreira, Manuela Monteiro, Toni Barba Azul, Manuela Martins. Em baixo: Germano, J. Rocha, Fátima Pontes, Dr. Galvão Brandão, Umbelina Maçanita, Pascuinha, Anita Reis
3ª foto: Entre outros: Russo, Vieira (gémeo), Manuela Oliveira, Fátima Jardim Cruz, Antónia, Dr Campos, Dra.Isabel Serrano, Dr. Balsa, ?,Guida, Zala, Ni Assis, Rosa, Júlia, Fátima, São Duarte, Raquel, Vieira (gémeo), etc....
Fotos Sanzalangola
Etiquetas:
Alunos e Escolas distrito Moçâmedes
15 abril 2007
No deserto do Namibe em Moçâmedes

O DESERTO DO NAMIBE
Sua fauna e seus parques
No deserto de Moçâmedes, o célebre deserto do Namibe, local fascinante pela sua monotonia, aridez e imensidão, há caça em grande quantidade e bastante variada, razão porque lhe chamavam de ...«paraiso de fotógrafos e caçadores». Nele desfilam as tímidas gazelas; os altivos guelengues: as aristocraticas avestruzes, as «bailarinas do deserto», as zebras; o trombudo elefante; os magestosos leões; os olímpicos leopardos, o «neura» do imenso areal; o rinoceronte e muitos outras espécimes.
A 60 km de Moçâmedes, no Pico do Azevedo, situa-se a reserva Parcial de Moçâmedes onde existe um acampamento da guarda do Parque. Mais para o sul, a cerca de 240 km da cidade, fica o Parque Nacional do Iona, onde se topa com realtiva facilidade todas as espécies selvátivas da região.«Deserto do Namibe, perante ti sentimo-nos como vermes! - disse alguém ao tomar contacto pela primeira vez com a sua solidão, monotonia, aridez, miragens e imensidão incomparáveis!
in caderno/programa das Festas do Mar- Moçâmedes Março-1970
1ª foto: Uma espinheira e uma welwitschia, od dois símbolos do Deserto do Namibe.
2ª foto: Nesta foto, tirada no deserto do Namibe, junto a uma welwitschia, reconheço entre outros, em cima e da esq. para a dt: a esposa de Zeca Castro Alves, Zica Castro Alves, (?) Guida e Álvaro Ascenso com o filho Telmo ao colo. Em baixo à esq. José Alves, Paulinha, Gestosa e esposa. Não posso deixar aqui de fazer uma referência especial e carinhosa à D. Zica, que me traz à recordação os saborosos bolos por sí confeccionados (canudos, bêbados, suspiros, pastéis de nata, nógados, etc., etc), que deliciaram a minha infância e a de muitas crianças e jovens, e não só, de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por Telmo Ascenso.
............
E já agora alguns poemas alusivos â Welwitschia Mirabilis:
Welwitschia Mirabilis
Welwitschia de longos braços
Que vive e nasce aos abraços
Que vive e morre em tormento.
Por tanto amar o deserto
Por tê-lo perto, tão perto
Num amor sem casamento.
VELVÍTCHIA
Mora a velvítchia no emo solitário,
A flor de Angola, dum areal do Sul,
Braços coleantes, sob céu azul,
Á flo da sede, em prece, num calvário...
A estranha raridade vegetal
Será, talvez, num velho mar extinto
Um polvo exótico o a flor do mal,
Vencendo a morte, no vigôr do instinto...
Será, talvez, no cálido deserto,
Uma estrela cadente que tombou
Da convulsão da noite, em céu aberto,
ou a alma dum aspro que expirou...
Seja o que for - estrela, monstro,flor -
Eu sinto-lhe nos braços revoltados
A trágica expressão da imensa dor,
talvez, de belos sonhos destroçados...
E eu penso que a velvítchia exilada
N seu mundo de sede e solidão,
É irmã de tanta alma torturada.
Que anda sózinha em meio da multidão...
(José Galvão Balsa)
De «Feitiço do Namibe»
NAMIBE
Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.
Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.
Namibiano Ferreira
Sobre caça:Memórias de um caçador
e ainda Blogdangola
Conheça a história da vida de Luis Carriço, o botânico falecido repentinamente no ano de 1935 no Deserto do Namibe:
http://www.uc.pt/herbario_digital/hist_botanica/carrisso
...................
WELWITSCHIA MIRABILIS
«A planta que recebeu o binome de Welwitschia Mirabilis Hook. F. era tão diferente, morfologicamente de todas as espécies botânicas conhecidas, que dada a grandeza dessa diferenças, não “cabia” em nenhum dos géneros já descritos.
Houve, por isso, a necessidade de criar um género novo, o qual ainda se conserva, como uma única espécie consequentemente.
Houve ainda que definir uma nova família de plantas para este único género, a família das WELWITSCHIACEAE.
WELWITSCHIA , é também conhecida por "Tumbo", pelos autóctones, nativos da região do deserto de Moçâmedes.
As suas flores são unisexuadas.
Os estames masculinos atingem aproximadamente 6 cm (antenas com 3 divisões) localizam o óvulo estéril envolto pelo periano.
Diversos trabalhos mundiais sobre a Welwitschia encontram-se em exposição em vários
Jardins botânicos espalhados pelo mundo.
Que se encontram descritos no livro Botanical Gardens of the World
Entre outras pessoas que deram igualmente o seu contributo na pesquisa desta espécie no período de 1953 a 1955, podemos destacar os seguintes Professores:
A.H. Church,
E. Salisbury,
Henri Humbert,
Jose Dalton Hooker,
Luís Wittnich Carrisso,
Melo Geraldes,
R. J. Rodin,
W.J.Hooker
Mais recentemente, Maria Helena Boavida
"A "welwitschia mirabilis", descoberta nas vizinhanças do Cabo Negro, da costa odicental africana, é a mais curiosa das gnetaceas e talvez que de todas as dicotiledoneas. Este bizarro vegetal é conhecido entre os indígenas pelo nome de TUMBO." Publicada por Francisco
Clicar aqui para saber mais sobre o Deserto do Namibe
...............
Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.
Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.
Namibiano Ferreira
Sobre caça:Memórias de um caçador
e ainda Blogdangola
Conheça a história da vida de Luis Carriço, o botânico falecido repentinamente no ano de 1935 no Deserto do Namibe:
http://www.uc.pt/herbario_digital/hist_botanica/carrisso
...................
WELWITSCHIA MIRABILIS
Eis a imponente WELWITSCHIA MIRABILIS planta milenar contemporânea dos dinossauros apenas existente no deserto de Moçâmedes. Esta espécie vegetal foi descoberta a 3 de Setembro de 1859 pelo botânico explorador austríaco Frederich A. Welwitsch 
Frederic Welwitsch (1809-1878) foi para Lisboa em 1839, onde consegue autorização para entrar em Angola, para onde embarcou a 8 de Agosto de 1853 e onde fez demoradas explorações botânicas tendo descoberto a Welwitschia Mirabilis no deserto de Moçâmedes, actualmente Deserto do Namibe. 
«A planta que recebeu o binome de Welwitschia Mirabilis Hook. F. era tão diferente, morfologicamente de todas as espécies botânicas conhecidas, que dada a grandeza dessa diferenças, não “cabia” em nenhum dos géneros já descritos.Houve, por isso, a necessidade de criar um género novo, o qual ainda se conserva, como uma única espécie consequentemente.
Houve ainda que definir uma nova família de plantas para este único género, a família das WELWITSCHIACEAE.
WELWITSCHIA , é também conhecida por "Tumbo", pelos autóctones, nativos da região do deserto de Moçâmedes.
As suas flores são unisexuadas.
Os estames masculinos atingem aproximadamente 6 cm (antenas com 3 divisões) localizam o óvulo estéril envolto pelo periano.
Welwitschia é uma planta da família das gimnospérmicas adaptada á vida nas regiões desérticas da África tropical.
É uma planta acaule de grandes dimensões, com a forma de um gigantesco cogumelo dilatado e côncavo de 50 a 75 cm de altura que parece partida pelo golpe de um machado em tiras. As suas grandes folhas, duras e muito largas, deitadas no chão, arrastam-se pelo deserto podendo atingir dois ou mais metros de comprimento.
É uma planta acaule de grandes dimensões, com a forma de um gigantesco cogumelo dilatado e côncavo de 50 a 75 cm de altura que parece partida pelo golpe de um machado em tiras. As suas grandes folhas, duras e muito largas, deitadas no chão, arrastam-se pelo deserto podendo atingir dois ou mais metros de comprimento.
Diversos trabalhos mundiais sobre a Welwitschia encontram-se em exposição em váriosJardins botânicos espalhados pelo mundo.
Que se encontram descritos no livro Botanical Gardens of the World
Entre outras pessoas que deram igualmente o seu contributo na pesquisa desta espécie no período de 1953 a 1955, podemos destacar os seguintes Professores:
A.H. Church,
E. Salisbury,
Henri Humbert,
Jose Dalton Hooker,
Luís Wittnich Carrisso,
Melo Geraldes,
R. J. Rodin,
W.J.Hooker
Mais recentemente, Maria Helena Boavida
Coisas que já se disseram acerca da "welwitschia mirabilis":
"A "welwitschia mirabilis", descoberta nas vizinhanças do Cabo Negro, da costa odicental africana, é a mais curiosa das gnetaceas e talvez que de todas as dicotiledoneas. Este bizarro vegetal é conhecido entre os indígenas pelo nome de TUMBO."
(Dr. José Dalton Hoecker, Presidente da Socidade Real de Londres e sócio da Academia das Ciências de Paris)
"Uma das curiosidades do deserto de Moçâmedes é a célebre "welwitschia mirabilis", planta estranha, verdadeiro aborto do reino vegetal. O caracteres aberrantes do seu aparelho vegetativo, conferem-lhe um lugar de destaque no conjunto das formas vegetais."
(Dr. Luís Wittnich Carrisso, Professor de Botânica da Universidade de Coimbra.)
"A "welwitschia mirabilis" é uma das maiores maravilhas que tem produzido a natureza."
(Dr. Augusto Henriques Rodolfo Griesbach, Professor de Botânica da Universidade de Göttingen)
"É sem sombra de dúvida a planta mais maravilhosa e também a mais feia que jamais trouxeram a este país."
(Regius Keeper, do Royal Botanic Gardens, Kew - 1863)
"Foi nos anos de 1858/59 que o botânico austríaco Dr. Welwitsch, contratado pelo governo português, descobriu e classificou a "welwitschia mirabilis", dando-lhe o nome de "tumboa bainesii". Os caracteres desta notável planta são de tal modo desconsertantes, que vindo a ser estudada há perto de 80 anos pelos mais eminentes botânicos, ainda hoje se discute qual o lugar que lhe compete na escala botânica, como se pode ler nos autores citados e nos trabalhos de Baines, Anferson, Júlio Henriques, Hallier, Chodal, etc..
A "welwitschia mirabilis" por consenso geral é tida como a maior descoberta botânica do século XIX e, em todo o globo, é o distrito de Moçâmedes o único lugar em que ela vegeta, havendo centenas de milhares na parte desértica, desde os minúsculos exemplares, até aquelas que, pelo seu porte, demonstram uma existência multissecular."
(M.A. de Pimentel Teixeira)
Consultar ainda:
»
Clicar aqui para saber mais sobre o Deserto do Namibe
...............
Etiquetas:
Deserto do Namibe; Welwitschia Mirabilis;
Gente da nossa terra: Porto Alexandre e Moçâmedes
Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe» : finais da década de 60
Era aqui a sede da Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe»,
Grande nr de casas em Moçâmedes tinham na parede o distintivo da Cooperativa
Elementos da direcção da Cooperativa de construção «O Lar do Namibe»,
do livro «Recordar Angola» 2. vol.
Cooperativa «O Lar do Namibe»
Nesta foto podemos ver elementos da direcção da Cooperativa de habitação «O Lar do Namibe» reunidos em casa de Mariano Pereira Craveiro, o seu fundador e presidente, em Moçâmedes. Da esq. para a dt: João dos Santos (polícia Santos). Luís de Sousa Simão, Mariano Pereira Craveiro, Maria de Lurdes, José G. Henriques de Freitas, Arménio Matos, Maria Isabel Cardador, António Rodrigues Tavares e por detrás destes, José Antunes Salvador e José Alves.
De entre todas estas figuras que deram o seu esforço e saber àquela que foi a nossa grande «Cooperativa o Lar do Namibe», salienta-se, sem desprestígio para os demais, a extraordinária figura que foi Mariano Pereira Craveiro (à esq. de camisa branca e óculos). Mariano Pereira Craveiro foi um dos espíritos mais empreendedores, se não mesmo o mais empreendedor, a quem a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe muito ficou a dever.
De entre todas estas figuras que deram o seu esforço e saber àquela que foi a nossa grande «Cooperativa o Lar do Namibe», salienta-se, sem desprestígio para os demais, a extraordinária figura que foi Mariano Pereira Craveiro (à esq. de camisa branca e óculos). Mariano Pereira Craveiro foi um dos espíritos mais empreendedores, se não mesmo o mais empreendedor, a quem a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe muito ficou a dever.
Foi graças a esta Cooperativa, nascida na década de 1940, e a Mariano Pereira Craveiro, que as gentes de Moçâmedes que na sua maioria vivia do vencimento único do chefe de família, puderam, finalmente, aceder ao velho sonho de ter casa própria, através de reduzidas quotizações mensais que iam ali depositando, sendo a aquisição do direito de construção efectuada através de dois sistemas, um, por sorteio mensal entre os associados, outro por número de ordem de antiguidade (número de ordem também ele efectuado por sorteio, na fase de arranque da referida Cooperativa). Foi assim que na cidade de Moçâmedes, num tempo em que o único Branco era o emissor Banco de Angola, que não fazia empréstimos à habitação própria, começaram a surgir bonitas vivendas e moradias, o que permitiu à cidade modernizar-se, alindar-se, e ir vencendo as areias do deserto, transformando-se na bela cidade que um dia tivemos a infelicidade de ter que abandonar...
Mas a actividade da «Cooperativa o Lar Namibe» não se limitou apenas à cidade que a viu nascer, ela acabou por se estender, numa primeira fase, à cidade de Porto Alexandre (hoje Tombwa), em seguida à cidade de Serpa Pinto (hoje Menongue), acabando por se expandir por toda a Angola e restantes ex-províncias ultramarinas, chegando mesmo à Metrópole da época (Portugal) onde já havia associados, uma vez que não existiam à data, em Angola, financiamentos bancários à habitação própria.
Faço aqui uma referência especial à cidade de Serpa Pinto que estava a ser praticamente urbanizada pela «Cooperativa o Lar do Namibe», que a transformou de uma vilazinha do interior numa cidadezinha bonita e moderna à base de lindas vivendas, em cujas fachadas ainda hoje se pode ver o azulejo com o distintivo desta Cooperativa.
Chamem-lhe colonização, chamem-lhe colonialismo, chamem-lhe aquilo que quiserem e entenderem chamar, a vida em Angola, pelo menos até à década de 1960, e mesmo até 1975, só era facilitada para muito poucos, e se não fossem homens como Mariano Pereira Craveiro, em termos de habitação, Moçâmedes seria pouco mais que uma aldeia, e cidades como Serpa Pinto, por exemplo, não existiam como tal à hora da independência.~Infelizmente toda esta obra acabaria por ser interrompida, com grande perda para as cidades de Angola e não só.
A Soc. Cooperativa de Habitação "o Lar do Namibe", fundada em 16 de Fevereiro de 1950, na qualidade de uma sociedade sem fins lucrativos que era, os lucros caiam em benefícios dos sócios, e foi no seu tempo a maior Cooperativa de Habitação de todo o Portugal. Para a escritura na sua fundação era necessário um mínimo de 10 sócios no pressuposto de que bastantes outros viriam a seguir, mas esta Sociedade surgiu logo de início com um elevado número de sócios fundadores, Cada sócio pagava uma quota mensal para um fundo destinado à construção das habitações. Depois desse fundo atingir determinado nível a Cooperativa começava a distribuir as casas. Por fim esta Cooperativa tinha atingido tal nível que já distribuía casas mensalmente. À medida que o fundo ia aumentando 3 modalidades de distribuição de casas foram sendo estabelecidas: 1) por ordem de antiguidade do sócio, 2) por sorteio mensal, 3) por leilão, para quem oferecesse a maior percentagem para uma "entrada" sobre o valor da casa a construir. Neste último caso, as pessoas com algumas economias e ainda sem direito à construção, quer por ordem de antiguidade, quer por sorteio, eram as que avançavam. Elas escolhiam o montante total para sua habitação bem como o montante da oferta que iam fazer. No caso de vencerem o leilão esse montante bem como o das quotas pagas serviam de amortização para a habitação, sendo a parte restante paga prestações mensais , deixando de pagar quotas.
........................................................................................................................................................................
Para informação mais pormenorizada transcrevo o texto que segue:
Para informação mais pormenorizada transcrevo o texto que segue:
OUTRAS NOTÍCIAS SOBRE O COOPERATIVISMO NAS COLÓNIAS
4.1. Cooperativismo em Moçâmedes
De Angola, o Boletim Cooperativista nº 104, de junho de 1962, publica o artigo «O LAR DO NAMIBE» - UMA COOPERATIVA DE CONSTRUÇÃO EM FRANCO PROGRESSO, de autoria de Alberto Alves Carneiro. as mais animadoras e sem dúvida entusiásticas as informações que constantemente nos chegam sobre o modelar funcionamento e proveitosa actividade, da sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com sede em Moçâmedes, Angola.
Fundada em 16 de Fevereiro de 1950, data da assinatura da escritura pública, esta teve a outorgá-la elevado número de sócios fundadores, e desde então o seu desenvolvimento tem-se acentuado de maneira notável com realizações dignas de registo, facto que muito tem contribuído para a valorização da propriedade, em sistema colectivo, de várias localidades em África. Se bem que a sua sede seja em Moçâmedes, a acção construtiva da Cooperativa estende-se, com indiscutível projecção, a outras terras de todo aquele continente africano. Pontos de vista interessantíssimos e grandemente favoráveis no que se refere a benefícios e direitos dos respectivos associados tornam em moldes diferentes a organização de «O Lar de Namibe» de muitas outras sociedades congéneres existentes em terras da Metrópole.O número de sócios em 31 de Março último elevava-se a 9714, e as construções efectuadas desde a sua fundação em fins de Dezembro do ano findo eram representadas por 291 habitações, 28 apartamentos, 26 estabelecimentos, 2 sedes destinadas a colectividades, 1 capela e 1 hotel. Perante os trágicos acontecimentos ocorridos no princípio do ano de 1961, em Angola, em que muitas foram as famílias que se retiraram da Província, foi de notar, por tal motivo, a falta de pretendentes às habitações construídas.A instituição, num alto sentido de objectividade dos princípios que representa e defende, não fez paralisar as construções que tinha a seu cargo e responsabilidade, garantindo dessa forma o trabalho ao pessoal da construção civil, como procurou ainda adquirir, num local muito central da cidade de Moçâmedes, um amplo terreno para início de novas construções onde pudesse aplicar as verbas disponíveis de capital, previstas nos Estatutos. Um imóvel de positivo valor - uma Estalagem, no sentido mais digno e nobre da palavra - aí teria a sua edificação, com o fim de testemunhar, aos vindouros, um exemplo dado pelos moçâmedenses levado a efeito numa hora séria e grave.As diligências para que tal imóvel apareça aos olhos da população de Moçâmedes, ou aos seus futuros visitantes e residentes, prosseguem, activa e inteligentemente, por parte da Direcção da Cooperativa, dado que certas dificuldades surgiram a tão simpático empreendimento, da entidade oficial que superintende e autoriza as respectivas construções citadinas.Como no início se afirma, a acção de «O Lar do Namibe», abrange toda a terra portuguesa, e a prová-lo está o facto de, a seguir a um sem número de consultas, ter construído a sua primeira Delegação, cabendo à cidade do Porto, essa honra. Desde Maio do corrente ano, que uma metódica e insistente propaganda está sendo feita por intermédio de comunicados oficiais, publicados e distribuídos directamente a uma parte da população e firmas comerciais da referida cidade, no sentido de tornar bem conhecidos os elevados objectivos que animam e orientam a Instituição, interessando aquelas entidades, pessoais ou colectivas, nas finalidades sociais que são a razão da existência da Sociedade «O Lar do Namibe». Desta forma, em contacto com a Delegação agora criada, os inscritos residentes no País, ficam com a faculdade de, com mais possibilidades, estabelecerem as suas relações sociais com a sua Cooperativa.O «Boletim Cooperativista», que é distribuído aos sócios do «Lar do Namibe», graças à simpática decisão dos amigos que compõem a Direcção da Cooperativa, ao adquirir certo número de exemplares, não podia deixar de se referir a mais uma iniciativa - a sua Delegação - que vem muito valorizar a acção dos dirigentes cooperativistas que, em terras de África, procuram com inteligência, dedicação e alta visão social, resolver um problema de interesse vital, a construção de uma casa para cada sócio. Tal como em Moçambique, as cooperativas de habitação terão sido o ramo cooperativo mais pujante na outra ex-colónia portuguesa do sul de África. A menção à abertura de uma delegação na metrópole, no Porto, e a referência feita ao início da guerra independentista na colónia, pode significar que os membros se estariam a precaver para o caso de terem de abandonar o território. Mas apesar de uma outra notícia sobre a cooperativa surgida mais adiante no tempo, nada se conhece sobre o andamento do dito projeto do Porto, e depois de Abril não existe registo de que a delegação da cooperativa tenha funcionado.Ainda ligada à cooperativa «O Lar do Namibe», o Boletim Cooperativista, no seu nº 106, de agosto de 1962 epigrafa um artigo com COOPERATIVA EDITORIAL ANGOLANA.
Sob o patrocínio da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com gente sua e para seguir a mesma rota de trabalho, foi constituída em Moçâmedes, por escritura pública de 15 de Janeiro p. p., a «Cooperativa Editorial Angolana». Como determinam os Estatutos, a Cooperativa é absolutamente alheia a qualquer espécie de manifestações de carácter político e religioso e podem ser sócios dela, todos os indivíduos, maiores, de ambos os sexos, e menores quando devidamente autorizados por seus pais ou tutores, e também as entidades comerciais, industriais, agrícolas, culturais, de recreio, ou quaisquer outras, quando devidamente legalizadas.São considerados sócios fundadores, todos aqueles que fizerem a sua inscrição até ao dia 30 de Setembro de 1962. Os sócios estão divididos por várias categorias, a saber:Efectivos - Pagando o mínimo de 10 acções, no valor de 100$00 cada, mas podendo estas ser liquidadas mensalmente, no mínimo de vinte prestações de 50$00, acrescidas de 10%, para encargos de administração. Nesta qualidade de sócios efectivos, não ficam obrigados a outros encargos futuros, a não ser de 2$50 mensais, para a construção do Edifício Sede da «Cooperativa Editorial Angolana». Sócios Auxiliares - Sem encargos de Acção, pagam a quota mínima, mensal, de 5$00, que pode ser cobrada nas condições que o sócio indicar. Esta qualidade de sócio, não tem direitos de voto nem de discussão nas Assembleias, nem sobre os destinos da Cooperativa. Limitam-se a colaborar financeiramente nos objectivos sociais da Cooperativa.Sócios Beneméritos - São todos aqueles que contribuem com um mínimo de 5.000$00 (cinco mil escudos), pagáveis num máximo de 10 prestações Sócios Honorários - São todos aqueles que prestem à Cooperativa, auxílios de qualquer natureza, de ordem moral ou financeira.A traços ligeiros foi dito, quais os propósitos da «Cooperativa Editorial Angolana» e a orgânica no que se refere à admissão de associados. O QUE OFERECEMOS?Quem entra para qualquer agregado social visa, regra geral, conhecer as benesses de ordem material que possa escolher. Essas são ínfimas na «Cooperativa Editorial Angolana».O fim dela não é o balcão, nem operações rendosas que ofereçam garantias ao pequeno capital a despender por quem venha a inscrever-se na Cooperativa. No entanto, o Artigo 8º dos Estatutos prevê um desconto de 10% nos livros editados e 5% em jornais ou revistas, para todas as categorias de sócios.Com o tempo, o sócio receberá a compensação, mas dos que vierem até nós é de esperar a compreensão de utilidade social que representamos e não rentabilidade da sua cooperação financeira, porque, como foi dito, à parte o encargo inicial, o sócio efectivo não mais terá quotas a pagar, a não ser o mínimo de 2$50 mensais para fins de construção da Sede. À juventude, à mocidade estudiosa e aos homens para quem os problemas angolanos fazem parte da sua razão espiritual de ser, oferece a «Cooperativa Editorial Angolana» campo vasto para em livros e folhetos poderem apresentar as suas ideias Um Conselho Técnico formado em condições que o Regulamento Interno mencionará, fará a apreciação e decidirá quais as obras que de preferência deverão ser editadas.É evidente que será dada primazia às produções intelectuais dos associados, mas não obsta que se considere também o trabalho de indivíduos alheios à Cooperativa. Dirigimo-nos, pois, não apenas aos que têm sede e fome de justiça, mas, acima de tudo, àqueles que vêem no Homem um valor a elevar, a dignificar, a respeitar.Como se fosse um anúncio, e na primeira página, este artigo mostra-nos uma cooperativa com incursões pelos ramos da cultura e da produção editorial. Porém, ao contrário da Coop de Moçambique, a actividade levou à criação de uma nova cooperativa e não ao alargamento de actividades da cooperativa ‘mãe’, a de habitação.No Boletim Cooperativista nº 118, de agôsto de 1963, surge-nos uma derradeira referência à cooperativa de habitação criada em Moçâmedes:
Sob o patrocínio da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com gente sua e para seguir a mesma rota de trabalho, foi constituída em Moçâmedes, por escritura pública de 15 de Janeiro p. p., a «Cooperativa Editorial Angolana». Como determinam os Estatutos, a Cooperativa é absolutamente alheia a qualquer espécie de manifestações de carácter político e religioso e podem ser sócios dela, todos os indivíduos, maiores, de ambos os sexos, e menores quando devidamente autorizados por seus pais ou tutores, e também as entidades comerciais, industriais, agrícolas, culturais, de recreio, ou quaisquer outras, quando devidamente legalizadas.São considerados sócios fundadores, todos aqueles que fizerem a sua inscrição até ao dia 30 de Setembro de 1962. Os sócios estão divididos por várias categorias, a saber:Efectivos - Pagando o mínimo de 10 acções, no valor de 100$00 cada, mas podendo estas ser liquidadas mensalmente, no mínimo de vinte prestações de 50$00, acrescidas de 10%, para encargos de administração. Nesta qualidade de sócios efectivos, não ficam obrigados a outros encargos futuros, a não ser de 2$50 mensais, para a construção do Edifício Sede da «Cooperativa Editorial Angolana». Sócios Auxiliares - Sem encargos de Acção, pagam a quota mínima, mensal, de 5$00, que pode ser cobrada nas condições que o sócio indicar. Esta qualidade de sócio, não tem direitos de voto nem de discussão nas Assembleias, nem sobre os destinos da Cooperativa. Limitam-se a colaborar financeiramente nos objectivos sociais da Cooperativa.Sócios Beneméritos - São todos aqueles que contribuem com um mínimo de 5.000$00 (cinco mil escudos), pagáveis num máximo de 10 prestações Sócios Honorários - São todos aqueles que prestem à Cooperativa, auxílios de qualquer natureza, de ordem moral ou financeira.A traços ligeiros foi dito, quais os propósitos da «Cooperativa Editorial Angolana» e a orgânica no que se refere à admissão de associados. O QUE OFERECEMOS?Quem entra para qualquer agregado social visa, regra geral, conhecer as benesses de ordem material que possa escolher. Essas são ínfimas na «Cooperativa Editorial Angolana».O fim dela não é o balcão, nem operações rendosas que ofereçam garantias ao pequeno capital a despender por quem venha a inscrever-se na Cooperativa. No entanto, o Artigo 8º dos Estatutos prevê um desconto de 10% nos livros editados e 5% em jornais ou revistas, para todas as categorias de sócios.Com o tempo, o sócio receberá a compensação, mas dos que vierem até nós é de esperar a compreensão de utilidade social que representamos e não rentabilidade da sua cooperação financeira, porque, como foi dito, à parte o encargo inicial, o sócio efectivo não mais terá quotas a pagar, a não ser o mínimo de 2$50 mensais para fins de construção da Sede. À juventude, à mocidade estudiosa e aos homens para quem os problemas angolanos fazem parte da sua razão espiritual de ser, oferece a «Cooperativa Editorial Angolana» campo vasto para em livros e folhetos poderem apresentar as suas ideias Um Conselho Técnico formado em condições que o Regulamento Interno mencionará, fará a apreciação e decidirá quais as obras que de preferência deverão ser editadas.É evidente que será dada primazia às produções intelectuais dos associados, mas não obsta que se considere também o trabalho de indivíduos alheios à Cooperativa. Dirigimo-nos, pois, não apenas aos que têm sede e fome de justiça, mas, acima de tudo, àqueles que vêem no Homem um valor a elevar, a dignificar, a respeitar.Como se fosse um anúncio, e na primeira página, este artigo mostra-nos uma cooperativa com incursões pelos ramos da cultura e da produção editorial. Porém, ao contrário da Coop de Moçambique, a actividade levou à criação de uma nova cooperativa e não ao alargamento de actividades da cooperativa ‘mãe’, a de habitação.No Boletim Cooperativista nº 118, de agôsto de 1963, surge-nos uma derradeira referência à cooperativa de habitação criada em Moçâmedes:
SOCIEDADE COOPERATIVA «O LAR DE NAMIBE
»Tomámos conhecimento com prazer do Relatório da Gerência de 1962 desta cooperativa de habitação cuja sede é em Moçâmedes. Do mesmo relatório transcrevemos:
«Nunca viemos, em qualquer ano da existência da nossa cooperativa, perante a massa associativa, declarar um recuo quanto ao aumento populacional e arrecadação de receitas.Assim acontece também este ano, que com íntima satisfação podemos dizer nesta Assembleia, que mais outro ano rodou sobre a vida da Cooperativa e com ele, mais um salto progressivo, embora Angola tivesse sofrido e continue sofrendo, a guerra e o terrorismo.Nem por isso estes factores impediram o progresso e engrandecimento da nossa organização.Podemos mesmo afirmar que todos os sectores se apresentam em franco progresso, que a verdade dos números se encarregará de demonstrar, com bastante eloquência».Durante o ano de 1962 foram admitidos 1059 sócios, havendo em 31 de Dezembro, no activo, 6500. Saudamos a Cooperativa «O Lar de Namibe» esperando que continue em franco progresso.
Fim de transcrição do Boletim Cooperativista - O Cooperativismo nas Ex-colónias / João Salazar Leite
Quanto à personalidade de Mariano Pereira Craveiro, era um republicano oposicionista do regime,
fez parte juntamente com Carlos Martins Cristão, Pimentel Teixeira e
outros mais, da campanha do General Humberto Delgado, na cidade de
Moçâmedes. Pela primeira vez na ditadura, a oposição concorria a eleições.
e o facto fez despoletar a curiosidade e o ânimo de certos sectores da
população para este tipo de acontecimento, antes proibido. Ainda
me lembro do discurso arrebatador de Carlos Martins Cristão, no palco
do Cine-Teatro de Moçâmedes, em finais de Maio de 1958, por ocasião da
campanha para as eleições presidenciais contra o Almirante Américo
Tomás. Carlos Cristão, tendo Mariano Pereira Craveiro a seu lado, com a
sua forte e bem timbrada voz, dizia, referindo-se ao regime vigente:
"Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os
braços para trabalhar...
O que veio a acontecer a Humberto Delgado foi o que já se fazia esperar: acabou perdendo as eleições, apesar das retumbantes vitórias alcançadas, e a reacção de Salazar ao General viria algum tempo depois a culminar num bárbaro assassinado, quando o General, refugiado desde há algum tempo em Espanha, atravessara a fronteira, em Villanueva del Fresno): http://www.youtube.com/watch?v=r9vSy1S0J6U
Os belos jardins do Largo Heróis do Mucaba estavam assim... A cidade do deserto requintava.se a todo o vapor!
E a cidade do deserto encheu-se de belas vivendas...
![[0044vu.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioq2GOv70BvglzbMaGKtW84e5WHcdQJVO77f_sbigEfjeHOeN9zC6XiKSWEZyU2A_nawDl_uG9i0QIqaxPulpzARxYs7YNOU5eaVj2ZNn6MEsvGXHj4OTkvYBahWQgbjB9oK7ySf5TbH8/s1600/0044vu.jpg)
Fica a minha humilde homenagem à memória do grande «patrono» que foi MARIANO PEREIRA CRAVEIRO, figura que merecia ser erguida das brumas do esquecimento e ser para sempre lembrada pelo povo da cidade do Namibe. Mariano Pereira Craveiro mereceria, por exemplo, ter o seu nome ligado ao único largo totalmente construído por casas da «Cooperativa o Lar do Namibe»: o "Heróis de Mucaba"! Afinal, em boa parte, o melhor que o Namibe herdou de Moçâmedes, em termos de parque habitacional deve-o também ao espírito empreendedor de Mariano Pereira Craveiro!
São recordações de um tempo passado em Angola e em Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Um tempo que decorreu de forma que o mundo desconhece, e porque desconhece muitas vezes são praticadas graves injustiças através da pena de alguns autores, contra a memória dos que ali viveram, ali trabalharam, ali se sacrificaram, pouparam, investiram, e ajudaram a erguer aquela terra e aquele maravilhoso país, de Cabinda ao Cunene, a criar condições de vida. Num tempo em que o único Banco existente era o Banco de Angola, banco emissor que não concedia empréstimos para habitação própria, nem sequer pagava juros pelas pequenas poupanças.
MariaNJardim
15,04,07
MariaNJardim
15,04,07
Etiquetas:
Cooperativa «O Lar do Namibe» Moçâmedes




















