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26 novembro 2010

Passeio às «Hortas» reune familias huilanas e moçamedenses num domingo. algures em 1942

Esta foto, mostra-nos um grupo de famílias de Sá da Bandeira ("chicoronhos") e Moçâmedes ("cabeças de peixe") a caminho das «Hortas»  de Moçâmedes para um piquenique domingueiro, algures numa manhã de Verão, em 1942. Consigo identificar, entre outros, da esq. para a dt: Beatriz Cruz, e filha Lúcia,  Angelina R. Freitas Ferreira, filha e mãe, Delfina R. Freitas e neto, Florinda R. Jardim e  filho Arménio, Irene Pita de Sousa e  filha Lurdes?, Vina de Castro e as filhas Isabel Castro e Júlia Castro, Maria Teixeira e filhas Aurora e Manuela e ainda Leonel de Sousa, marido de Irene Pita de Sousa. Embaixo: ?, Manuel Máximo Ferreira, (marido de Angelina), ?, Ernesto Freitas (filho de Delfina). 

O passeio às "Hortas" era um escape para as gentes de Moçâmedes (Namibe), nesse tempo em que o número de habitantes não chegava aos 10 mil. Era geralmente no Verão,  aos domingos, dia de descanso semanal,  e era  a  Horta do Torres a preferida, por ser uma das mais bonitas da terra, situada próximo das margens do rio Bero,  para além de outras também  interessantes de visitar, na mesma zona, como as  do Venâncio Guimarães (Benfica e Quipola), a de João Martins Pereira, etc, etc. 


Cultivado na segunda metade do século XIX como um hábito burguês europeu que se instalou no Portugal Metropolitano,  o "passeio às Hortas" foi transladado para as colónias de África através de "colonos" portugueses que iam chegando, e acabou por se estender a todos os grupos sociais, popularizando-se. Um "passeio às Hortas" era até finais da década de 1950 sempre motivo de grande prazer e  de muita alegria. Passeava-se, dançava-se, conversava-se, namorava-se, cantava-se, tocavam-se vários instrumentos (guitarra, bandolim, concertina, etc,  se houvesse no grupo alguém vocacionado para tal, jogava-se às cartas, descansava-se, e, até  havia quem aproveitasse para  dormir uma sesta (sobretudo os homens mais velhos, ou os mais esgotados, após a semana de trabalho). E tudo isto à sombra de frondosas àrvores que o solo do Namibe era pródigo em oferecer. 

A hora da refeição era o momento especial em que todos confraternizavam  em volta de uma longa mesa (no caso da Horta do Torres), acobertada do sol por frondosas árvores que proporcionavam ao visitante um ambiente fresco e acolhedor, onde toalhas eram estendidas e sobre a qual se colocavam os vários  «farnéis», preparados por cada grupo, de acordo com as respectivas bolsas, e que na melhor das hipóteses poderia incluir de tudo um pouco: croquetes, rissóis, bifes panados, pastéis de massa tenra, frangos corados, frutos diversos, sandwiches variadas, queijo, fiambre, paio, bolos, pudins, queques, refrigerantes, cervejas, vinhos, etc.

Famílias havia  que  levavam consigo um pequeno fogão (alimentado a petróleo) e os ingredientes necessários, para mesmo ali, a um cantinho, cozinharem o almoço para o grupo, cuja ementa poderia ser uma caldeirada do bom peixe de Moçâmedes,  ou uma caldeirada  de cabrito, encomendado de véspera no talho do Barbosa que fivava ali bem juntinho à sede dos Bombeiros, próximo da Praia das Miragens, ou outra qualquer ementa combinada para o efeito. Terminada a refeição, enquanto as mães e avós iam tratando da louça e preparando o regresso a casa, ao mesmo tempo que, tagarelando sem parar,  punham a conversa em dia, os jovens confraternizavam, namoravam e divertiam-se e os mais novos corriam, saltavam, trepavam às àrvores, colhiam frutos, investigavam todos os recantos das "Hortas,",com a curiosidade natural e própria de uma idade que nada deixa escapar. 

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No tanque, à frente: Fernando de Andrade (Caguincha) e Mavilde. Mais atrás: Mário Bagarrão, Calila e  Du Carvalho,  Caparula..., ao fundo, à dt. Àlvaro Sereiero e Orlando Salvador.  De pé, junto ao tanque e da esq. para a dt: Alice de Castro, Maria Fonseca, Carolina Mangericão, Fernanda Pólvora Dias, Celeste Barbosa,...

Um outro atractivo da Horta do Torres, para os jovens, era um grande tanque ali existente, uma espécie de depósito de água de onde escoava, a determinadas horas do dia, para um sistema de rega através de valas,  a água necessária para as plantações. Era alí que nesses fins de semana de passeio às "Hortas",  rapazes e as raparigas da terra, à falta de uma piscina em Moçâmedes, nadavam, disputavam "provas de natação", ou exibiam os seus acrobáticos mergulhos, em amena confraternização.
 
Gostaria de deixar aqui registado o quanto a população de Moçâmedes era grata à família Torres, os proprietários das Hortas  aqui referidas, pela amabilidade com que as disponibilizavam, e de tal modo, que tinham sempre as suas portas totalmente abertas aos visitantes, e a tal ponto que nem havia necessidade de se pedir autorização para lá entrar. E mais, no regresso a casa, geralmente levávamos connosco sacos cheios de fruta que nos era oferecida, e enquanto ali, assistiamos muitas vezes a grupos de crianças trepando às árvores de onde retiravam quanta fruta  lhes apetecesse, sem quaisquer problemas. E como era saborosa!
 


A Horta do Torres possuia, entre outros atractivos,  um bonito "chalé", um pequeno zoo com alguns animais capturados no Deserto do Namibe, tais como gazelas, olongos, bambis, guelengues, impalas,  para além de macacos, viveiros carregados de passarinhos, para além de inúmeras àrvores das mais variadas espécies carregadas de deliciosos frutos, como mangas, de goiabas, tengerinas, laranjas, mamões, papaias, etc, etc.

O trajecto para as "Hortas", até ao início dos anos 1950, era por vezes problemático. A estrada não era asfaltada, e muito pó se "comia" pelo caminho, sobretudo aqueles que viajavam na parte de trás das carrinhas e camionetas de caixa aberta, que eram em grande número, como se pode ver pela foto. 


Mais problemática aonda era a travessiado rio Bero, antes da construção da ponte, em tempo de "cheias", quer para quem pretendesse aceder  às Hortas que ficavam do lado de lá do rio, ou desejasse prosseguir mais adiante, rumo às terras altas da Huila, uma vez que a estrada e a linha de comboio atravessavam o leito do rio, e devido às enxurradas vindas do planalto ficava completamente submerso. Quanto ao comboio, nessas ocasiões, este tinha que ficar no Saco do Giraúl, e as pessoas e mercadorias tinham que ser transportadas através de barcaças ou batelões dalí para Moçâmedes e vice-versa. Salvava a situação, o facto de não chover em Moçâmedes durante os 8 meses do ano, e o rio só possuir água no Verão, quando chovia. Ainda até bem dentro da década de 1950, o transporte diário de legumes e frutas que abasteciam as  "quitandas" da cidade,  era efectuado em carroças puxadas por bois, cujas rodas facilmente enterravam na lama. O leito do rio Bero não estava regulado, como veio a acontecer mais tarde quando da construção da primeira ponte.

Com o passar do tempo, esta tradição da ida às Hortas que foi forte até meados da década de 1950, e que reunia gente de todas as idades e de todos os parentescos, avós, pais, filhos, netos, bisnetos, tios, primos, sobrinhos e até amigos, que se juntavam amiúde para confraternizar, foi-se tornando cada vez mais esporádica, até que, praticamente, se extinguiu. Contribuiu para tal, o novo modelo de familia restrita, na maior parte dos casos reduzida ao casal e  dois filhos, que veio gradualmente substituir a  família alargada do tempo dos nossos avós,  e que levou, consequentemente, a uma maior privacidade, e a um tipo de vivência diferente daquela que anteriormente se cultivava, e deixara de ter lugar. 
Também com o fim da II Grande Guerra (1939-1945), por toda a parte aconteceram mudanças aos nível dos costumes que acabaram por chegar até nós. As pessoas tornaram-se mais soltas, os locais de diversão diversificaram-se,  o Cinema impôs-se como o entretenimento de eleição, os filhos tornaram-se mais cedo independentes, surgiram novas modalidades desportivas e outras tantas actividades voltadas para o lazer, que acabaram por canalizar o  habitantes do pequeno e pacato burgo.  A partir dos anos 1960, com a nova política de povoamento, Moçâmedes perdeu a feição que socialmente a caracterizava como uma cidade, onde  entre a população branca se dizia, todos se conheciam, e todos eram primos e primas. Muito gente nova foi chegando à cidade,  fruto da nova política de povoamento do Estado Novo,  enquanto por outro lado muitos jovens ali nascidos, descendentes dos chamados "velhos colonos", filhos e netos de gerações enraizadas à terra, partiram para o serviço militar obrigatório, arranjaram emprego noutras paragens, por lá casaram, e por lá ficaram.  E do "Passeio às Hortas", a esses deliciosos oásis  com a sua viçosa arborização cuidadosamente cultivada, de refrescantes sombras,  odoríferas de flores e saborosos frutos que fizeram o encanto dos nossos pais e avós, e que nós ainda chegámos de certo modo a partilhar, nada mais restou que  gratas recordações em antigos albúns de familias.
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Voltando ao tempo em que eram efectuados com maior persistência estes passeio às "Hortas", um tempo que remonta talvez aos promórdios da colonização luso-brasileira e algarvia e perdurou forte até meados dos anos 1950, direi que a vida não foi fácil para quem ali vivia, e que confundir colonos, simples emigrantes, com colonialistas, será extrapolar para a generalidade da população de origem europeia uma situação que, quando muito, era de meia dúzia. Na verdade o colonialismo criou o sistema e para ele arrastou colonos a maioria dos quais gente trabalhadora, que tudo o que queria era vir a ter uma vida digna e melhor que aquela que tinha na pátria-mãe, sendo que a grande percentagem acabaram as suas vidas sem fortuna, como simples trabalhadores pot conta de outrem, pouco mais ganhando para o dia a dia com alguma dignidade.
   
pesar dos muito propalados "500 anos da presença portuguesa em terras de África",  excepto  as ruas da baixa da cidades, as estradas estavam por asfaltar, e, buraco aqui, buraco alí, entre nós todo o percurso para as "Hortas" era efectuado aos saltos, e com a areia levantada do chão a fustigar o rostos.  Em consequência da guerra, desde 1939 a 1945, tudo era racionado, senhas eram distribuidas às populações para racionamento de bens, e porque as fábricas nos países europeus industrializados de onde vinha o material para obras de fomento, etc, estavam ao serviço do armamento, havia restrições de toda a ordem que se faziam sentir nas colónias  onde tudo tinha que ser importado.    Por via de tais restrições,  o progresso de Angola e das colónias, já de si restringido e atrasado, esteve paralizado, e os parcos meios de transporte  existentes foram-se degradando. Era difícil a aquisição de viaturas, incluindo viaturas próprias, que naquele tempo era considerado um luxo raro, e toda e qualquer reparação ficava inviabilizada por falta de material. As viagens entre Moçâmedes e Lubango lá se iam fazendo, nos poucos veículos que existiam, através da perigosa Chela, ou no  velho e ronçeiro comboio  (o Camacouve) que demorava o dia inteiro para completar o percurso de 250 Km, obrigando as pessoas a munirem-se de farnéis para a viagem. Inclusive, o projecto  promulgado pelo Marechal Óscar Carmona, na 1ª viagem Presidencial, a Moçâmedes, em 1938, que previa para os Caminhos de Ferro alguns melhoramentos (substituição do material fixo, alargamento da bitola, rectificação do traçado, e o prolongamento até ao Tchivinguiro), acabou por ser travado, dada a impossibilidade de aquisição de apetrechamento, máquinas, etc. 

Para melhor se fazer uma ideia da penúria de meios, importa referir que o atraso já vinha detrás, e  que se alguma coisa começou a ser feita pelos transportes e vias de comunicação nesta zona do sul de Angola, começou por sê-lo por força de interesses de estratégia militare.  Basta referir que  o início da construção dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes se deu em 1905,  numa altura em que decorriam, no sul de Angola, as campanhas do Cuamato (1905,1906,1907),  embora a autorização do Governo remontasse a 1890. Em 1907, ficaram concluidos os primeiros 67 Km. O projecto previa que a linha chegasse a Sá da Bandeira (Lubango), mas em 1910 as obras pararam e só retomaram em 1917, ficando concluídas em 1923.  Na Revista GAZETA, nº 296, de 16.12.1946,  encontramos um artigo, assinado pelo engº Machado Faria e Maia, espécie de resumo de um livro do Coronel Lopes Galvão, onde vêm mencionados os estudos efectuados para a construção daqueles Caminhos de Ferro, desde Joaquim José Machado aos Engenheiros Torres e Costa Serrão, que incluiam a construção de uma cremalheira de Vila Arriaga ao planalto que não chegara a ser construida, sendo em 1930,  mais uma vez por força de operações militares, que o Governo se vira obrigado a avançar. Refere ainda o mesmo artigo, que foi o engº Pinto Teixeira quem finalmente logrou levar a cabo os Caminhos de Ferro até ao Lubango, de acordo com o projecto do Engº Torres, e quem na época tinha avançado com a ideia da ligação ferroviaria de Porto Alexandre à Baia dos Tigres e ao planalto, ideia que foi travada porque tiraria a importância ao porto de Moçâmedes. Não obstante, entre avanços e recuos, decisões e indecisões, interesses e desinteresses, sempre houveram aqueles que deram as suas vidas por Angola e contribuiram para esse algo que ia sendo feito. Há no mesmo artigo um elogio ao trabalho de dezenas de engenheiros (52) que estiveram envolvidos e faleceram no decurso das suas missões em prol da abertura de vias de comunicação em Angola, entre 1877 a 1918, para além daqueles que à época se encontravam envolvidos e ainda se mantinham vivos. Nesse tempo, Andrade Corvo é citado como o primeiro Ministro do Ultramar a precupar-se seriamente com o desenvolvimento das colónias de África, até então caidas na indiferença do Reino. E asim é comum ouvirmos com um refrain que, excepto no curto período em que governaram homens como Norton de Matos (1912/1914 e 1920/1923) , que olharam com novos olhos para Angola, e para as suas gentes, a colonização até finais dos anos 1940 tinha sido um desastre. Até 1836, Angola estivera reduzida a entreposto de tráfico de escravos para enriquecimento do Brasil e Américas. O tráfico teve a abolição definitiva já no último quartel do século e as famlias portuguesas praticamente só começaram a chegar nos anos 1920. Moçâmedes tinha  sido a excepção, a oportunidade que Portugal não deixou perder, quando luso-brasileiros perseguidos resolveram ali fixar-se (1849-50), e quando de sua conta e risco algarvios ali se fixaram (desde 1861). Houve ainda outra experiencia com familias madeirenses no sul, e potco mais no que tica a familias inteiras, Com a queda da l República em 1926,  veio a ditadura militar. Em seguida  surgiu Salazar e a ditadura civil. Utilizando o Acto Colonial  Salazar (1933)  reformulou a divisão administrativa do território e liquidou a pouca autonomia conquistada no periodo inicial da I Republica, com Norton de Matos como Alto Comissário, regime  que foi para as colónias motivo de esperança para portugueses e angolanos, mas que foi extinto e substituido pelo pelo sistema de Governadores Gerais  em consonância com o Concelho de Ministros presidido por Salazar. O aparelho repressivo do Estado instalou-se e foi  reforçado com a criação da Polícia Política (Pide), enquanto os partidos políticos foram substituidos pela União Nacional. A crise económica agravou ainda mais a situação, para além do manancial de leis abstrusas que vieram travar, social e economicamente o desenvolvimento de Angola. A II Grande Guerra Mundial (1939-1945), veio acompanhada novos condicionalismos, ainda que na década de 1950 se tivesse verificado alguma recuperação ao nível económico e social, mas Angola não  era  mais que um reservatório de matérias-primas e de produtos primários, um mercado dos produtos semi-transformados da economia metropolitana, praticamente sem indústria, com os investimentos desencorajados e a penetração dos capitais estrangeiros severamente regulamentada. O muito que foi feito por Angola foi, infelizmente, num tempo além do tempo, ou seja, un tempo extra já após 1960. Nos 13 anos finais da presença portuguesa na colónia, quando Salazar, sob a pressão dos massacres perpertados pela UPA, no norte de Angola,  lançou o grito  de alarme "para Angola, rapidamente e em força", e , ao mesmo tempo que acabou com toda uma panóplia de leis absoletas e  probições  que impediam o desenvolvimento económico  do território e a elevação social  das suas gentes, deu  início a uma guerra sem fim à vista contra os movimentos de libertação.

Foi como que uma corrida contra o tempo, que teve como resultado profundas transformações  no aparelho produtivo que beneficiaram uma boa parte do próprio conjunto social angolano. Em 1975, Angola passou  contar com mais de 3.000 km de linhas férreas, milhares de quilômetros de estradas de primeira qualidade, portos de mar devidamente apetrechados, e uma capital como Luanda, uma das mais bonitas, importantes e dinâmicas das cidades de toda a África ao sul do Sahara, a que ostentava o maior número de cidades, se exceptuarmos a África do Sul, e o povo angolano, inda assim, acabou por receber um grande país, com fronteiras definitivamente demarcadas, uma língua unificadora, e uma nação próspera e praticamente autosuficiente em tudo: indústria, agricultura, pescas, minérios, petróleo, diamantes, ferro, manganês, etc, para além de alimentos como milho, açúcar, café, de que chegou a ser o terceiro produtor mundial, carnes, peixe e marisco, e da farinha de peixe, considerada a melhor do mundo. Porém nos campos político e social podemos considerar que Portugal falhou redondamente. A   esmagadora maioria dos angolanos espalhados pelo interior do território, apesar do esforço efectuado, continuava a viver no limiar da subsistência, mantinha-se esmagadoramente analfabeta, e sem falar português. E os 13 anos de guerra, não obstante depressa reduzida a zonas fronteiriças do norte e leste do território, vieram comprometer decisivamente toda a boa convivência e todo o pacífico labor exercido pelos portugueses dignos em Angola! 
A História de Angola ainda está por se fazer!
MariaNJardim

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06 novembro 2010

Corso Carnavalesco em Moçâmedes (Namibe- Angola): 1955


O Carnaval de 1955 em Moçâmedes (Namibe-Angola) foi especial. Nesse ano até houve um desfile de carros alegóricos (Corso), no qual participaram mais de uma dezena de carros, como se pode pelas várias fotos aqui colocadas.




Este foi o que apresentou mais bonito, e por tal, foi premiado (1ª foto). Representa o Grupo Desportivo do Banco de Angola. Repare-se no requinte dos enfeites floridos, nos tufos de papel de seda, na espécie de trono onde as raparigas se encontram sentadas, nas figuras da frente, etc, etc...

 

 


Até o simpático conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» participou, prestando maior brilhantismo e animação ao desfile, como podemos ver  na 1ª foto., onde se encontram: Lito Baía, Frederico Costa, Albertino Gomes e Marçal, o Albino (Bio) Aquino (pianista) e o Sereeiro. Das senhorinhas  participantes pelo Banco de Agola apenas reconheço Maria Amália Duarte de Almeida e Lita Ventura, sentadas atrás na espécie de trono. 





Aqui podemos ver o carro representativo do Ginásio Clube da Torre do Tombo passando junto ao edifício dos CTT de Moçâmedes. Por curiosidade, este carro, em forma de peixe, foi construido na Torre do Tombo, na garagem da casa de Olímpio Aquino, de que era proprietário o industrial e comerciante João Duarte,  sita na Rua da Colónia Piscatória, a  que termina no ponto em começa a subir para a Praia Amélia. Na sua construção colaboraram, entre outros, Eurico e José Arvela.  



Aqui o nosso grande peixe faz a sua passagem junto ao edifício do Banco de Angola, na rua da Praia do Bonfim, podendo ver-se alguns curiosos à janela. De entre as raparigas que se encontram neste carro, na sua maioria pertencentes ao time de basquetebol feminino daquele clube, reconhece-se, da esq. para a dt: M. Nídia Almeida, Eduarda Bauleth de Almeida, Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Manuela Bodião, Salette Braz (não jogadora) e Francelina Gomes. De entre os rapazes, reconhece-se : Osvaldo Correia, Óscar, Armando Sena, José Guedes Duarte (Zézinho), Eurico...


Foi de facto para mim uma surpresa, quando, ao fim de 35 anos fui abrir uma mala que a minha sogra trouxera de Angola, e encontrei  últimas 9  fotos. Que bela recordação!




Geralmente estes eventos tinham por detrás os Clubes desportivos da cidade, a Câmara Municipal e contavam com a colaboração e até participação de casas Comerciais, industrias, Banco de Angola, etc., que se faziam representar corso. É o caso deste carro, que parece inspirado nas  ameias da Fortaleza de S. Fernando, representativo da Firma Antunes da Cunha Lda., fundada em 1917, que ostenta não apenas figuras representativas das suas actividades, como também a designação das localidades por onde estas se encontravam espalhadas: Moçâmedes, Porto Alexandre, Pinda,  no Mariquita, etc.



 
Outro carro alegórico alusivo ao mar. Parece representar um «Gasolina», que era na época, antes da inauguração do cais acostável, o tipo de barco que transportava as pessoas, visitantes e passageiros, da ponte para os navios que ficavam fundeados na baía, e vice-versa, quando escalavam Moçâmedes, no decurso nas suas idas e vindas entre Lisboa e Moçambique.




Até nem faltou no Corso um tanque de guerra «americano», excrescência da 2ª Guerra Mundial, que o imaginário do seu autor (Chico da Conceição?) procurou materializar simbolicamente, neste Carnaval de Moçâmedes ...




Este carro alegórico representa a firma João Pereira Correia, Lda. (de João Pereira Correia e José Duarte). Eram os representantes em Moçâmedes dos produtos aqui representados: máquinas de costura Oliva, produtos Nestlé, vinho do Porto da Real Vinícola, para além de toda  uma  série de  artigos  que eram vendidos nas duas lojas da Rua das Hortas (mercearia, modas, etc. ).





Três gentis senhorinhas, romanticamente vestidas, desfilam neste carro que ostenta no cimo dois cisnes brancos, desconhecendo-se porém qual a actividade que o mesmo representa.






Este foi o desfile de carros alegóricos dos mais novos. Interessante e trabalhoso este carro que ostenta um cisne e que suscitou grande curiosidade na população, europeus e africanos. Reconhecemos, entre outros, os irmãos Álvaro Andrade Vieira e Fernando Andrade Vieira (junto do cisne), tendo por detrás, Lurdes Rodrigues Costa. Ao centro, a meio da foto, Angelino da Silva Jardim e Mário de Andrade Vieira.

Fica mais esta recordação de um tempo em que, não havendo ainda à venda em Angola  determinados materiais já disponíveis nos mercados da Metrópole, procurava-se suprir a carência através da imaginação e do engenho, tendo que se recorrer ao material que havia à mão quando se pretendia organizar um evento como este. Portugal, através de medidas proteccionistas,  garantia por um lado o fornecimento de matérias primas à Metrópole, e assegurava, através delas, mercados consumidores para os produtos metropolitanos. Daí que Angola estivesse demasiado tempo com a sua industria condicionada, para além de não interessar ao regime o surgimento de um operariado nas colónias.

Fica mais esta recordação.
MariaNJardim

05 novembro 2010

Contribuições para a História do Desporto em Moçâmedes (Namibe-Angola): as modalidades de futebol e ténis (lown ténis)

                                                Clicar na imagem para ampliar

Dedicação do Lubango e Benfica à vizinha e amiga cidade de Moçâmedes e aos seus briosos e simpáticos Desportistas

Dois dos melhores tenistas angolanos, fazendo parte da admirável pleíade que Moçâmedes nos oferece, da qual com admiração e saudade recordamos os irmãos Artur e Rogério Trindade, ex-campeões de Angola.

Jorge Rocha e Jorge Radich, também muito se distinguiram na prática do futebol, contribuindo de forma elevada para o elevado prestígio que Moçâmedes gosou e do qual foram destacados e brilhantes obreiros: irmãos Peyroteus, irmãos Telmo, Abel e Hugo Vaz Pereira, Raul Radich, Pedro Paulo, Velin de Sousa, Norberto dos Santos, Ermelino Abano, Julio de Andrade, Fernando Amboim, Mário de Andrade, António Martins (Latinhas), Estrelinha, e tantos outros actualmente bem representados por Norberto Gouveia (Patalim), Roberto Martins, Mário Leitão, Carlos Alves, José Bauleth, Carlos Inácio, Adriano do Nascimento, Abílio Braz, Alcino e Piedade, empenhados em manter a tradição de Moçâmedes de nos oferecer boa percentagem dos melhores artistas que Angola possui e tem possuido.
Os nossos amistosos votos pelas prosperidades do desporto moçamedense.

Da Revista do Sport Lubango e Benfica, Boletim desportivo N. 2. 1949

Seguem algumas fotos e um texto interessante sobre a modalidade do Ténis (lown-ténis), retirados do livro de Mário António Guedes da Silva  «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes Angola»

  




















Rogério Ferreira Trindade, campeão de Angola em 1937















Torneio de ténis no complexo desportivo do Benfica integrado nas Festas do Mar de 1970. Rogério Ferreira Trindade, campeãoo o Torneio recebendo a respectiva taça das mãos do Encarregado do Governo do Distrito de Mossãmedes, acompanhado do Presidente da Câmara Municipal de Mossãmedes.
 
Jorge Ressurreição Rocha, ex-tenista moçamedense e ex-campeão de Angola, homenageado em Março de 1970, estando presentes o Encarregado do Governo do Distrito de Moçâmedes, acompanhado do Presidente da Câmara Municipal.
TÉNIS (Lawn-Ténis)

Levava.se a sério, em Moçâmedes, a prática desta modalidade, principalmente até à década de quarenta (século XX), pressupostamente por a cidade estar dotada de alguns «courts de ténis» apropriados, e , crê-se, por não existirem outras alternativas desportivas senão o futebol. Ali foram formados vários campeões, reconhecidos não só em Angola mas também internacionalmente, para gáudio dos seus apaixonados adeptos.

A dedicação e a determinação dos respectivos atletas levava-os à concretização dos sonhos de uma jovem ciddae com justificadas ambições em todos os campos.

Fascinados pela elegância deste desporto e pela inclusão da modalidade nos jogos olímpicos, desde 1896, com acompanhamento entusiástico, alguns jovens da geração de ouro (décadas de trinta e quarenta) preparavam-se intensamente, até desejável conquista do pódio.

Por ser uma modalidade considerada selecta, o número de atletas praticantes foi sempre reduzido, comparado com os desportos colectivos.
Eram frequentes os torneios de «singulares» e de «duplos», de ambos os sexos, e não eram poucos os torcedores que extravasavam as suas emoções.

Após a criação da Federação Internacional de Ténis - FIT, em 1928, e a consequente profissionalização, em Moçâmedes continuou existindo o amadorismo puro, n~so obstante o somatório de sucessos dos seus tenistas.

No ano de 1939 o campeonato de Angola integrou alguns tenistas procedentes de Portugal, Domingos D'Avillez, António Calém, Nicolau de Almeida e Eduardo Ricciardi, figuras de relevo no ténis português. Neste ano os representantes do Continente evidenciaram inegável superioridade, tendo sido finalistas Avillez e Ricciardi, que este ganhou com mérito.

Destacamos alguns destes mitos e pioneiros, todos naturais de Moçâmedes-Angola, de geração de ouro, imortaliuzados pelas suas retumbantes e memoráveis vitórias:

ARTUR FERREIRA TRINDADE
Venceu os dois primeiros campeonatos de Angola, nos anos de 1934 e 1935 em singulares. Também vitorioso noutros torneios importantes e líder desta modalidade em várias épocas. Na variante de «pares» ganhou algumas competições destacadas, gazendo parceria com o irmão Rogério.

MARY MOTA
Igualmente a primeira campeã de Angola e vencedora de muitos torneios em algumas épocas.

JORGE RADICH
Um dos principais valores de ténis angolano - 4 vezes campeãoo de Angola em pares mistos, 7 vezes vencedor da «Taça Bulock». Vencedor de 29 trofeus e considerado o tenista angolano com o maior número de campeonatos ganhos.

ROGÉRIO FERREIRA TRINDADE
Nasceu em Moçâmedes no ano 1919 e começou a praticar ténis com 15 anos de idade, tendo recebido ensinamentos básicos, de técnica e táctica, da parte do seu irmão Artur, então praticante de excelente nível.
Campeão de Angola uma vez, em 1937, além de detentor de títulos em competições relevantes realizadas naquele território, inclusiv´r na variante de «pares», de parceria com o seu irmão Artur Ferreira Trindade.

JORGE DA RESSURREIÇÃO ROCHA

Campeão de Angola no ano de 1946 e também de outros torneios importantes. Sobre este atleta, correcto e de enorme valia, o comentarista, Carlos da Cruz Almeida, ao serviço da Radio Difusora do Lobito - CR 6 AA-, disse em 1947:
«Desportista-Tipo, é o homem de porte correcto e hábil na prática desportiva, espécie rara em Angola».
Aqueles que o conheceram como desportista polivalente, na prática de futebol (No Lobito Sport Clube e no Sport Lisboa e Luanda), ténis, atletismo, natação e outras, sabem bem o quanto é merecedor dos elogios patenteados, pois este desportista sempre conservou imaculado o ideal em prol do desporto do Desporto, na perfeita acepção da palavra.

Outros tenistas, como RAUL RADICH JUNIOR, EDUARDO FERREIRA TRINDADE, MAURÍCIO DE ANDRADE, MÁRIO DA RESSURREIÇÃO ROCHA, entre outros, também honraram o ténis Moçamedense, com a grandeza das suas brilhantes actuações e vitórias.

A homenagem a todos estes desportistas moçamedenses dedicados ao «ténis», não é um mero agradecimento pelos sucessos desportivos consagrados  à Terra onde nasceram, mas sim à perpetuação dos seus nomes como gloriosos filhos que a honraram.
É um dever fazê-la!
Olvidar seria renegá-los!

Fonte: Memórias Desportivas, de Mário António Gomes Guedes da Silva

04 novembro 2010

Fernando Peyroteu, uma glória do futebol nacional, começou a sua carreira no Atlético de Moçâmedes (Angola)



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Não possuo qualquer foto que possa exibir aqui de Fernando Seixas Peyroteu , o maior goleador português de todos os tempos , nascido a 10 de Março de 1918, na Humpata, Angola, que começou a sua carreira futebolística em Moçâmedes,  no Atlético Clube de Moçâmedes, aos 14 anos,  em 1932, daí passando para o Desportivo de Huíla, e mais tarde para o  Sporting Clube de Luanda e, finalmente pelo Sporting Clube de Portugal,  onde foi considerado o «stradivarius» dos «5 violinos», o quinteto atacante da famosa equipa, constituido por Albano, Jesus Correia, José Travassos e Vasques.
                                                                       

Recordado pelos moçamedenses como um ídolo e  uma máquina de fazer golos, Fernando Seixas Peyroteu foi viver para Moçâmedes numa altura em que sua mãe ali se encontrava a leccionar e  foi no Atlético Clube de Moçâmedes que desde logo  se revelou um marcador de golos  fora do vulgar. Com 15 anos foi convidado para integrar a selecção de Moçâmedes que enfrentou a selecção rival de Sá da Bandeira (Lubango), tendo se revelado um verdadeiro ídolo nacional.  Do Atlético  transitou para o desportivo da Huila, e jogou algum tempo no Sporting Clube de Luanda, de onde  foi transferido para o Sporting Clube de Portugal,  tendo viajado para Lisboa no paquete Niassa, onde se estreou aos 19 anos de idade, no dia 12 de Setembro de 1937, contra o Benfica de Portugal, como avançado, tendo marcado 2 golos.

Em 1945, foi expulso no jogo Benfica-Sporting, pela primeira e única vez, porque o jogador do Benfica insultou-o em murmúrio e Peyroteo respondeu-lhe a soco, para limpar a honra beliscada da mãe que não era para ali chamada. Ao nível da selecção nacional foi internacional 20 vezes, e exerceu o cargo de seleccionador em 1961/62. Em toda a sua carreira desportiva representou o Atlético de Moçâmedes, o Desportivo de Huíla, o Sporting de Luanda e o Sporting Clube de Portugal.

Fernando Peyroteu  não assinou de imediato contrato, dando apenas a sua palavra de honra em como viria a jogar no clube, e sem sequer discutiu o ordenado a ganhar. Chegado a Lisboa,  não tardou que fosse abordado no Rossio por um emissário do Futebol Clube do Porto que lhe ofereceu  mais dinheiro, mas não aceitou o convite, porque acima de tudo estava a sua palavra. Escusado será dizer que para evitar que o pudessem perder para outro clube, logo os dirigentes do Sporting lhe fizeram um contrato por duas épocas, e como prémio de assinatura lhe ofereceram 500$00 e um ordenado mensal de 700$00, que seria reduzido a metade se arranjasse emprego.


 



Fernando Peyroteu é considerado o mais extraordinário futebolista de sempre dos que pisaram os relvados em Portugal, tendo conquistado o seu primeiro campeonato Nacional logo no ano em que entreou, na época 1937/1938. Ao nível da selecção nacional foi internacional 20 vezes, e exerceu o cargo de seleccionador em 1961/62. Possuía um pontapé rapidíssimo e fulminante, e sabia encontrar a melhor posição dentro do campo para receber os «centros» e  fazer belos golos sem deixar que a bola tocasse o «pelado». Desportista completo antes de se profissionalizar como futebolista, já havia praticado diversas modalidades desportivas, entre as quais o basquetebol, a natação, o remo, a equitação, o ténis e o box.  

No cômputo geral dos jogos oficiais pelo Sporting, Fernando Peyroteu marcou 529 golos em 327 jogos,  contabilizou 17 títulos, foi campeão nacional por cinco vezes, incluindo um “tricampeonato”:1940/41, 1943/44, 1946/47, 1947/48 e 1948/49 e ainda quarto Taças de Portugal: 1940/41, 1944/45, 1945/46 e 1947/48. Ganhou um campeonato de Portugal, ergueu a Taça de Portugal em quatro ocasiões e venceu por sete vezes o campeonato de Lisboa.  Pelos Leões fez um total de 183 jogos com 297 golos, e no Total da sua carreira fez 416 jogos com 689 golos. Sem dúvida um marcador nato.Tudo em 12 anos de ouro, tendo  ainda, ao nível da selecção nacional sido internacional 20 vezes, exercido o cargo de seleccionador em 1961/62, e lançado Eusébio com a camisola das Quinas. A nível pessoal recebeu seis vezes o prémio de melhor marcador do Campeonato Nacional: 1937/38 - 34 golos; 1939/40 - 29 golos; 1940/41 - 29 golos; 1945/46 - 39 golos; 1946/47 - 43 golos e 1948/49 - 40 golos e recebeu ainda o Prémio Stromp, na categoria "Saudade", em 1997. Peyroteo terminou a carreira de futebolista em 1949, com apenas 31 anos de idade, devido a questões de saúde.
 
O último jogo que efectuou foi a 5 de Outubro, na homenagem a si próprio. Peyroteo disse «fui soldado nas fileiras do desporto nacional e um soldado não foge ao cumprimento do seu dever, seja qual for e em que circunstâncias for! Mas, de hoje em diante, reconheço que sou um soldado velho. Não posso corresponder às exigências de preparação de um jogador de futebol que queira manter-se em forma e ser útil ao seu clube e à modalidade que pratica. Quando entro em campo, vou cheio de vontade de jogar mas, depois de meia dúzia de pontapés na bola, apodera-se de mim um enfastiamento inexplicável.»  E assim terminou a sua carreira, deixando uma enorme saudade a todos os que o adoravam como futebolista e ser humano, saiu em grande, com consciência e de cabeça erguida.


No dia 28 de Novembro de 1978, durante um jogo de veteranos disputado em Barcelona, Peyroteo sofreu uma lesão que acabou por lhe ser fatal. Numa operação ao tendão de Aquiles, foi vitimado por um ataque cardíaco e acabou por falecer, depois de já lhe ter sido amputada uma perna em 28 de Novembro de 1978 com apenas 60 anos de idade.




Em toda a sua carreira desportiva representou o Atlético de Moçâmedes, o Desportivo de Huíla, o Sporting de Luanda e o Sporting Clube de Portugal.


pesquisa e texto de MariaNídiaJardim

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29 outubro 2010

Grupo de jovens de Moçâmedes, finalistas EICIDH 1972 - 1973, em amena confraternização.

Grupo de jovens estudantes finalistas da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique de Moçâmedes em amena confraternização. Da esq. para a dt: Rui Torres, Bitacaia, Ferreira Zito , Carlos Matias , Rui Formozinho, Rui, Valter Serqueira, Walter, Odete, Ana Maria Almeida , Ana Maria Almeida , Ana Maria, Reinaldo Gaspar , Romão Gaspar, Dina Silva, Martinho.
Foto cedida a Sanzalangola (fio de Lay Silva), por Nhuca