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05 julho 2011

Familias de Moçâmedes: Soledade Bauleth Duarte



Na foto acima podemos ver Amadeu Pereira, o filho e Soledade Bauleth Duarte, a sogra. Gostei de ver esta foto pois através dela pude recordar Soledade, a mãe da Fátima, prima directa do meu pai, filha de uma irmã da minha avó. 

Soledade nasceu em Moçâmedes no início do século XX, cidade onde casou com José Duarte, irmão do comerciante e industrial da praça, João Duarte.

Era filha Maria do Carmo Ferreira e de José Bauleth. Era irmã de António Bauleth (casou com Celmira),  de Albano Bauleth (?), de Maria do Carmo Bauleth (casou com Mário dos Anjos Almeida*) e de  Maria Alice Marta Bauleth. (casou com Armindo Bruno Almeida**). As irmãs de Soledade,  Alice Marta e a Mª do Carmo casaram com dois irmãos:  Armindo Bruno de Almeida e  Mário dos Anjos Almeida, respectivamente.

Recuando um pouco na sua genealogia, a mãe de Soledade, Maria do Carmo Ferreira era  filha dos  meus  bisavós paternos, Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira. Estes  resolveram na última década do seculo XIX emigrar para Moçâmedes, no sul de Angola, mais propriamente para Porto Alexanbre. Agostinho Ferreira (pai) e Agostinho Ferreira (filho), o mais velho,  avançaram primeiro,   deixando em Lisboa na residência do bairro de Santa Catarina (Bairro Alto),  Catharina Ferreira  e as cinco filhas, Júlia, as trigémeas Beatriz,  Baptista e Lucinda Ferreira, e Maria do Carmo ( futura mãe de Soledade). Já em Porto Alexandre nasceu  o 7º e último  filho do casal, Álvaro.

Mais tarde  famíla  resolveu mudar-se para Moçâmedes, onde foi morar no Bairro da Torre do Tombo.
Sem dúvida, Moçâmedes era até 1950 era  uma grande família. Uma terra  onde todos se conheciam, e onde era comum dizer-se, "todos eram primos e primas"... , situação favorecida pelo isolamento em que viviam as pessoas, pela fraca mobilidade que perdurou,  devido à  escassez de transportes e vias de comunicação, e à contenção da emigração, que deu origem a um crescimento demográfico bastante lento. Para se ter uma ideia do tipo de colonização que Portugal praticou em relação às colónias de África,  e no caso particular de Angola, importa referir que ainda no início da década de 1950 eram exigidas "cartas de chamada"  aos portugueses que quisessem ali fixar-se, dando-se preferência a famílias constituídas. Também até aos anos 1950,  a população  africana  que vivia  no interior das cidades em Angola era reduzida. Em Moçâmedes  e  no Lubango, era mesmo minoritária.



Na foto que segue, tirada em Moçâmedes (Torre do Tombo) por volta de finais  da década de 1920, encontram-se  alguns elementos desta família: À dt,  vê-se Alice Marta Bauleth de Almeida com a filha mais velha Maria do Carmo(?), e ao fundo, ainda mais à dt., o marido, Armindo Bruno d' Almeida que há época já andava doente (problemas psicológicos). Ao centro, Idalinda Lopes Ferreira*** e Albano Bauleth? Albano Almeida? com a pequenita Maria Etelvina  Ferreira. À esq, amigos e familiares:  à esq. Mário dos Santos Frota e ?.  À porta da casa, uma filha da então muito conhecida enfermeira na cidade, Júlia.

Roberto Bauleth de Almeida, filho de Alice Marta Bauleth de Almeida



Tentarei trazer para aqui alguns dados genealógicos mais completos de Soledade (ramo materno):

Soledade era filha de Maria do Carmo Ferreira (Bauleth) e de José Bauleth; era neta materna de Agostinho Ferreira e Catharina Ferreira; Era irmã das trigémeas Beatriz Ferreira, Baptista Ferreira e Lucinda Ferreira, e ainda de Júlia Ferreira, Álvaro Ferreira (o caçula), e Agostinho Ferreira (o primogénito). 

Desta descendência vamos encontrar Riquita Bauleth, miss Portugal 1971, (bisneta de Maria do Carmo e de José Bauleth, logo trineta de Catarina e Agostinho Ferreira).

Sobre os irmãos de Maria do Carmo Ferreira (Bauleth), a mãe de Soledade:


1. Agostinho Ferreira, nunca casou.
2. Beatriz Ferreira (Almeida)  casou em Moçâmedes (Namibe) com João Nunes de Almeida. Desta união nasceram João Nunes de Almeida (casou com Eugénia ), Jesuina Almeida (casou com José Fernandes de Carvalho (Zeca), Virgilio Nunes de Almeida (casou com Olga de Sousa Almeida), Fernando Nunes de Almeida (casou com Isabel), Laura Almeida (casou com Manuel Barbosa), Arnaldo Nunes de Almeida (casou 1ª nupcias com Francelina, divorciou-se, e tornou a casar, em 2ªs. núpcias com Maria Etelvina Ferreira), Ângelo Nunes de Almeida (casou com Odete Maló), Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida (casou com Júlia Rosa), Beatriz Almeida (casou com Álvaro dos Santos Frota).
3. Baptista Ferreira  casou em Moçâmedes (Namibe) com ? Nunes, em 1ªs. núpcias, e por falecimento deste, tornou a casar com João Nunes de Almeida, cunhado, em 2ªs. núpcias. Este casamento aconteceu após o falecimento da irmã gémea, Beatriz, no decurso do trabalho de parto de gémeos por falta de assistência. Da 1ª união nasceu Jaime Nunes que casou com Reis.
4 Lucinda Ferreira (Trindade) casou em Moçâmedes (Namibe) com João Rodrigues Trindade. Desta união nasceram Leovegilda (casou com Serafim Frota), Zenóbia (casou com Raul de Abreu), João (casou com ? da Silva) e Lumelino Trindade (casou com Helena Águas e por divórcio, tornou a casar com Laurinda...).
5. Júlia Ferreira (Gomes) casou em Moçâmedes (Namibe) com Francisco Gomes do Armazém. Desta união nasceram Virgilio Gomes (casou com Gertrudes Ferreira); Júlia Celeste Gomes (casou com António Guedes da Silva); Libânia Gomes (casou com Arlindo Cunha); Maria Ilda Gomes (casou com José Maria de Freitas), Maria Alice Gomes (casou com Rogério Ilha).
6. Álvaro Ferreira casou com Idalinda Lopes Ferreira. Desta união nasceram Maria Etelvina Ferreira (casou com Arnaldo Nunes de Almeida) e Maria Lizette Ferreira (casou com Alberto Miranda/div)




Nesta foto tirada na PRAIA DAS MIRAGENS, em Moçâmedes, em 1950, ao centro, sentada de chapéu de abas largas na cabeça podemos ver Fátima Duarte, filha de Soledade Duarte e de José Duarte, nesta altura ainda solteira, junto a um grupo de jovens casadoiras da época. Ao fundo, a baía e a falésia da Torre do Tombo que termina na Ponta do Pau do Sul ou ponta do Noronha. Da esq. para a dt: em cima (de pé): Carlos Pinho Gomes e Calila Rodrigres. Mais abaixo (de joelhos): Adelaide Ernesto, Maria Ilda Silva, Claudino Peleira e Carlos Oliveira (Carlitos). À frente (sentados): Orlando Salvador, José Luís Gonçalves, Humberto Pinho Gomes, Fátima Duarte, Isalda Uria e Melanie Sacramento. Ainda mais à frente, (deitados): Albano Costa Santos (Carriço), Mavilde e Mário Bagarrão. Foto de Salvador.



Ficam estas recordações


MariaNJardim






***Idalinda Ferreira (foto) era casada com Álvaro Ferreira, e do casal nasceram 2 filhas,  a Maria Etelvina (foto), e a Maria Lizete. Álvaro Ferreira (marido de Idalinda) era irmão de Maria do Carmo e tio de Soledade.



01 julho 2011

Familias de Moçâmedes: descendentes de pioneiros da colonização do Lubango (ex-Sá-da-Bandeira): Familia Castro Jardim, Jardim Martins, Jardim Vilaça, Jardim Ribeiro da Cruz, Jardim Agostinho, Jardim Frota...


Da esq. para a dt: Ildalete Jardim Ribeiro da Cruz (Leika), Fátima Rosete Jardim Agostinho, Elizabete Jardim Ribeiro da Cruz,  Eduarda Jardim Martins, Adelaide Castro Jardim (mãe e avó), Julia Jardim Vilaça, Fátima Jardim Ribeiro da Cruz, tendo ao colo o baptizando Fernando Júlio Jardim Vilaça e Fernando Vilaça (pai).  À frente, reconhece-se, entre outros, Filó Jardim Frota, Patrícia Gomes, Julio Pestana Almeida (Juleco), e Jorge Ramos (?). Foto datada de 1962,  cedida por Juleco a Facebook.

Praticamente todos nascidos em Moçâmedes, são filhos, netos e bisnetos de Manuel da Silva Jardim (falecido) e de Adelaide Castro, a senhora mais idosa da foto.  Manuel da Silva Jardim era por sua vez filho de João da Silva Jardim e de Maria Augusta Fernandes, um dos casais de madeirenses pioneiros da colonização das terras altas da Huíla, na leva mais seleccionada pelo governo português,  de 1885, numa altura em que decorria a Conferência de Berlim cujo objectivo era o estabelecimentos de regras para a "partilha da África"  entre estados europeus avançados na industrialização e Portugal, o país "descobridor" que à época já desde há meio século perdera a colónia do Brasil de onde vinham os proventos que alimentavam em Lisboa uma corte perdulária, e que continuava ainda, apesar de Império colonial,um país  esmagadoramente rural e atrasado e com um povo 90% analfabeto, apesar do triunfo do Liberalismo sobre o absolutismo monárquico em 1834 e os esforços no sentido de uma regeneração, desde 1851, era grande o conflito de interesses entre facções de politicos e a falta de meios, grande o endividamento.    


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Manuel da Silva Jardim, o patriarca desta familia, nasceu em Angola, na Humpata, região do Lubango, tal como seus irmãos, Aires da Silva Jardim, Álvaro da Silva Jardim, José da Silva Jardim, Laura da Silva Jardim, Maria da Silva Jardim e Matilde da Silva Jardim, sete ao todo, se não incluirmos o Tolentino, falecido ainda criança. Mais tarde Manuel da Silva Jardim mudou-se para o Bába e em seguida para Moçâmedes, como aliás toda a familia.

Do casamento de Manuel da Silva Jardim com Adelaide Castro (ambos de origem madeirense), nasceram Manuel, Ester, Horácio, Laura, Celeste, Adelaide (Dinha) Carmen, Mariazinha, António, Júlia, Carlos e Álvaro. Ao todo 13 filhos! Naquele tempo era assim. A familia tradicional, alargada, era ainda uma realidade em terras de Portugal, enquanto na Europa industralizada a familia conjugal, restrita no número de filhos, era já uma realidade-

Uma particularidade desta família é que a maioria dos seus elementos apresentam olhos claros (azuis ou verdes) e cabelos loiros, uma característica dos povos nórdicos. Não admira. A Madeira atraiu a partir de meados do século XV, para além de gente oriunda do norte de Portugal, uma vaga de forasteiros, mercê da prioridade na ocupação e na exploração do açúcar, resultante dos circuitos comerciais madeirenses com o Mar Mediterrânico e o Norte da Europa. A Coroa facultava a entrada e a fixação de galegos, italianos (florentinos e genoveses), flamengos, franceses e bretões, por meio de privilégios especiais, como forma de assegurar um mercado europeu para  a industria açucareira. Fixaram-se na Madeira gentes das mais variadas origens e condições sociais, escravos, ciganos, cultivadores, comerciantes, rendeiros, produtores e exportadores.  
Mas a vida tem destas coisas, se em certas alturas a  Ilha da Madeira foi aglutinadora de   povos das mais diversas proveniências, incluindo estrangeiros que para ali emigraram nos tempos aureos do açúcar, outras vezes, a voragem da necessidade que  também desde sempre sugou os insulares, levava os madeirenses a espalharem-se pelas quatro partidas do mundo,  em busca de riqueza ou de uma vida melhor,  com especial realce para o Brasil, EUA, e já no século XIX  para Demerara, Ilhas Sandwich, colónias inglesas das Indias Ocidentais,  Guianas, etc, a tal ponto que chegou quase a despovoar-se a Ilha. Em 1884 e 1885  foi a vez de África...

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Porquê Africa?
Resta um pouco de História para se compreender a decisão!


Desde meados do século XIX, vivia-se na Europa um período de expansão industrial que impunha a busca matérias primas, mercados consumidores, mão de obra disponível e barata, locais de fácil investimento. Leopoldo II da Bélgica, em 1876  abre uma conferência dedicada à África, reunindo sábios de países como Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, França, Inglaterra, Itália e Rússia. O objectivo era "...abrir para a civilização a única parte do globo onde ela ainda não penetrara”, levar a cabo a  exploração científica do continente negro,  estabelecer vias de comunicação, abolir a escravatura. 
 
Não foi por acaso que esse mesmo ano de 1875, fosse o ano em que em Portugal é fundada a Sociedade de Geografia de Lisboa,  não oficial, à semelhança de congéneres europeias... Portugal havia abolido definitivamente em 1869, o tráfico de escravos, que já havia sido abolido por Sá da Bandeira com o Decreto de 12 de Dezembro de 1836, dois anos após o triunfo do liberalismo e queda do absolutismo monárquico em 1834  (depois de 14 anos de sangrentas guerras entre liberais e absolutistas), mas havia entretanto entrado na clandestinidade através de embarques em praias desérticas a norte de Luanda e a sul de Benguela.  
 
A cobiça pelo continente africano originou confrontos internacionais, jogos de poder. Em 1884, ano do inicio e da Conferência de Berlim, o Reino Unido procurou fazer um Tratado com Portugal visando acabar com as disputas quanto à região contestada no Congo, Bismark rejeita. A  soberania  que  Portugal reclamava era considerada  inexistente, redizida que era na altura a uma faixa estreita do território, no caso de Angola, junto ao mar, abrangendo as cidades de Luanda e de Benguela,  por onde fluiu durante 3 séculos e meio o tráfico de escravos para o Brasil e Américas, e sem penetração interior. 
 
Saliente-se que o tráfico abolido em 1836, tornado clandestino até 1869, data da abolição definitiva. E que entretanto,
desde 1840 uma excepção, Moçâmedes!  Que após o decreto da abolição em 1836 fundou o Presidio/Fortaleza a macar a posse dos territórios adjacentes, e que em 1849 recebeu os primeiros colonos em 1849 fugidos do Brasil independente em 1822, onde estavam sendo maltratados, uma decisão fortuita que Portugal resolveu aproveitar para dar início a um novo paradigma colonos de desenvolvimento e progresso para  a colónia, neste caso Angola.  Portugal era olhado como uma pequena peça no tabuleiro internacional, com fracos recursos económicos, baixa demografia, grande taxa de analfabetismo, um país abalado pela  perda do Brasil, que procurava com os poucos meios de que dispunha, encontrar nas colónias de África, essencialmente em Angola,  a  nova "joia da Corôa", manter-se Império, onde não ocupava muito mais que algumas feitorias ao longo da costa, nas cidades de Luanda e de Benguela,  quase sem penetração interior.  
 

 
Não bastava apenas invocar uma presença antiga, havia que controlá-los e havia que demonstrá-lo. Havia que conhecer o território e prová-lo. Havia que estabelecer limites de desenhar fronteiras, mesmo que na prática, no território, os fluxos reais de pessoas, de animais, de bens, de palavras, línguas e solidariedades sociais e políticas subvertessem os limites marcados nos mapas.  
Caso Portugal não estivesse à altura dessa ocupação deveria ceder os territórios a potência estrangeira em condições de o fazer. Para além do mais, e com grande preocupação para Portugal, na mesma Conferência a Alemanha vira o seu desejo satisfeito, passando a administrar o "Sudoeste Africano" que fazia fronteira com o sul de Angola... 
 


A situação deficitária e política não permitiu dispensar os meios para uma mais larga colonização efectiva, em particular da vasta área entre Angola e Moçambique que havia sido objecto apenas de algumas viagens de exploração.

As obrigações impostas eram ruinosas para Portugal, falido como se encontrava. Tratava-se de reformar todos os serviços, desde o militar ao aduaneiro. E havia ambições ínvias e externas pairando sobre as terras de influência lusitana.




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Foi no último quartel do século XIX, que o patriarca desta familia, João da Silva Jardim, juntamente com a esposa, Maria Augusta Fernandes e mais um filho de nome Tolentino, que faleceu criança, resolveram emigrar para Angola, integrando o primeiro contingente de madeirenses que partiu do Funchal com destino a Moçâmedes (actual cidade de Namibe), em Novembro de 1884, no vapôr "India". Iam dar início ao povoamento branco das Terras Altas de Mossâmedes (Huila), de acordo com o projecto de Câmara Leme. Em 8 de Junho de l885, no vapor "ÁFRICA", foi a vez de um segundo contingente.
 
Para a viagem dos madeirenses para o Lubango, foram concedidos aos futuros colonos um conjunto de apoios que supostamente garantiria o começo de lavouras. Era-lhes dado um subsídio em dinheiro, utensílios para o trabalho agrícola, equipamento doméstico, uma arma de fogo, proteção à chegada, e um destino no planalto. Esperava-se que desse conjunto se formasse uma colónia saudável e capaz de reproduzir a vida rural portuguesa (Diário de Governo, 1881).


Será que o casal João da Silva Jardim e de Maria Augusta Fernandes, estavam cientes dos perigos com que se poderiam vir a confrontar? 

A verdade é que em todo o Portugal surgiram editais publicados em jornais e colados dos adros das Igrejas exortando os portugueses a partir, e f oram praticamente os madeirenses que responderam à chamada.  Desviara-se para tal o rumos da emigração que à época era dirigida para .....
 O que o jovem casal desconhecia é que os madeirenses estavam a ser instrumentalizados, e que estavam a ser ali colocados pelo governo português com propósitos nacionalistas imperiais, garantes da fronteira, ante o receio do avanço alemão, e também para contrabalançarem a presença boer na região, numa altura em que decorria a pacificação do território, e aconteciam as invasões guerreiras do soba do Huambo que tinham por propósito conseguir prisioneiros Helelos, agora Mucubais, Mucocolos, Muílas, Mubumbes, essencialmente para serem vendidos como “peças” ou “escravos” nas praças comerciais de Benguela e Catumbela. Tinha sido abolido o tráfico, mas o regime de escravatura interna continuava, e acabou por opôr os interesses daquelas praças como Benguela, que defendiam a velha ordem, aos interesses de Moçâmedes que se lançara num novo paradigma colonial, de fixação de familias portuguesas, desenvolvimento e progresso.  



Manuel  da Silva Jardim faleceu demasiado cedo,  (década de 1940), quando fazia ainda muita falta à familia.  Uma infecção intestinal acometeu-o quando estava na sua pescaria da Baía das Pipas. Naquele tempo em Angola morria-se muito de disenteria amebiana, febre tifóide,  paludismo e tuberculose, entre outras doenças.  A água da Baía das Pipas era salobra, os alimentos iam de barco a partir de Moçâmedes, não havia antibióticos nem médicos, nem enfermeiros naquela praia desértica. Manuel tinham seringas  e agulhas em casa e aprendeu a dar injecções a si mesmo e à familia,  fervendo as agulhas para desinfectar . Chegou possuir  uma pequena pescaria  na Baía das Pipas, mas foi em Moçâmedes que se fixaram a maior parte dos elementos desta familia, que ali se ramificou, e  que com o rodar do tempo acabou  disseminando-se um pouco por toda a Angola, mantendo embora, até 1975, na cidade do Namibe, o seu núcleo principal.

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Porquê o povo madeirense?



Em meados do século XIX, a Ilha da Madeira passara por uma grave crise. O comércio do vinho, principal motor da economia da Madeira, entrou em forte declínio. A  fome espalhou-se rapidamente e a emigração foi mesmo uma questão de sobrevivência para muitas famílias. Muitos madeirenses  que aceitaram o desafio de emigrar, fizeram-no porque recusaram-se a viver num quadro de pobreza estrutural, numa sociedade altamente estratificada, onde a terra estava totalmente na posse de alguns. Partiam em veleiros para o Havaí, então Ilhas Sanduích, onde deixaram o seu sangue e o seu suor, e aceitavam em muitos casos, situações de trabalho que pouco se distanciava da escravatura e, como os escravos antes deles (1), deixavam a vida nos canaviais de açúcar. Iam também para as ilhas do Caribe e para as Guianas, onde criaram comunidades que até hoje sobrevivem. 


Mas diga-se a verdade, a 1ª colónia (1884) misturou gente boa e gente má, porque na pressa de recrutar o governo português não promoveu a devida selecção. Estavam habituados a socorrer-se de degredados e à falta de gente decente, enviava-se para as colónias a escória que Portugal e a ex-colónia do Brasil dispensavam,  neste caso, gente que em nada ajudaria e que só iria deitar má fama à colonização do Lubango. Daí que alguns, chegados ao destino, acabaram por se internar no mato e nunca mais ninguém soube deles.






 
MariaNJardim (direitos de autor)

Ver também:
Livro Emigração da Ilha da Madeira

Bibliog consultada para a parte final do texto: 
Luis de Sousa Melo, (Presença Açoriana nos Registos Paroquiais do Funchal 1761 - 1860) 
Alberto Vieira (Porto Santo - Breve Memória Histórica - Centro de Estudos de História do Atlântico). 

Coronel Rui Carita (A Arquitectura Militar na Madeira nos Séculos XV a XVII)




21 junho 2011

Os bairros de Moçâmedes (Namibe) e as suas gentes no tempo colonial: "Sanzala dos Brancos" ou Bairro Stº. António


Vejamos o que sobre este bairro e as suas gentes encontrámos na Net  (Sanzalangola):

«...Sanzala dos Brancos ou Bairro Stº. António, bairro onde vivi a minha infância e parte da adolescência, situava-se entre a estrada da Circunvalação e a rua do Rádio Clube de Moçâmedes. Rua essa que terminava no arreal em frente ao Impala Cine. Tenho dificuldade em lembrar-me do nome, e era atravessado pela Rua 4 de Agosto, aliás esta rua começava aí.

Era composto por dois núcleos de casas, a norte um bloco de casas económicas divididas por um corredor de acesso aos quintais traseiros, umas com a fachada principal para a Estrada da Circunvalação e outras para a rua do RCM. Nesse bloco viviam entre outros, o Vergílio, o Matias (tio do Vergílio), o Edgar Teixeira, a família Espírito Santo (filho do último Soba de Porto-Alexandre), o senhor Pinto táxista, o Mário de Albufeira, o Horta, o António Homem(filho do enfermeiro), o Jorge Almeida, o Turra, os Ilhas, o Tiago Costa, o Lanucha Dolbeth e Costa, o Claúdio Dolbeth e Costa, o António Soares, a Augustinha e outros de que já não me lembro os nomes.

Esse corredor que divide os dois blocos norte, tinha muros altos que eram as paredes dos anexos e portões de acesso aos quintais, por isso era um lugar com sombra e fresco, ideal para a garotada.

Era o local predilecto para brincar, pois assim estávamos protegidos dos carros e outros perigos, e ao mesmo tempo controlados pelas nossas mães. Era aí que se faziam os jogos tradicionais infantis, como a cabra cega, saltar os sóis, escondidas, saltar à corda e outros, foram tempos inesquecíveis.

O núcleo sul era composto por vivendas de maiores dimensões, que estavam dispostas como no núcleo norte, mas sem corredor a separar os quintais, começavam na Rua 4 de Agosto e acabavam na rua do Sr. Esteves da padaria, também não me lembro do nome, o Rádio Clube de Moçâmedes era mesmo em frente, e aí viviam a Lucy (filha do Zé de Sousa), os Grilos, o Sr. Abel (do Benfica), a familia Sequeira, a Mária Viegas, os Formosinhos, entre outros.

O Jorge Van Der Kelen vivia na 4 de Agosto mas muito próximo da famosa esquina.

Lembro-me de ir espreitar ao quintal dele os treinos de alterofilia que o pai fazia com alguma malta lá do bairro, lembro-me do Alfredo Grilo, era pequenino mas tinha um grande “caparro”.

Vivia-se modestamente, mas bem, o pessoal dava-se bem e ajudava-se muito, lembro-me daquele ceguinho chamado “Trimtimtim” que pedia cantando “oh trimtimtim um quinhento só” a minha mãe ajudava-o a sentar-se na cadeira da varanda e dava-lhe prato de sopa, para além do “quinhento” claro.

Lembro com saudade as festas populares que lá se faziam por altura do Santo António, montava-se um arraial com enfeites de papel colorido, balões e tudo, no areal em frente à casa do Edgar Teixeira. Cada um trazia bebida e comida, iamos á Mercearia do Sr. Oliveira, na Rua das Hortas, pedir alguns barris de vinho vazios, pregávamos uns aos outros, enchiamos de lenha, papel velho o que estivesse à mão e faziamos belas fogueiras, outra vez a estória da reciclagem que o amigo Xindere fez questão de enaltecer na sua crónica, era mesmo uma cidade muito avançada.

byToninho da Sanzala dos Brancos (Sanzalangola)

Sanzala dos Brancos ou Bairro Stº. António, bairro onde vivi a minha infância e parte da adolescência, situava-se entre a estrada da Circunvalação e a rua do RCM. Rua essa que terminava no areal em frente ao Impala Cine. Tenho dificuldade em lembrar-me do nome, e era atravessado pela Rua 4 de Agosto, aliás esta rua começava aí. Era composto por dois núcleos de casas, a norte um bloco de casas económicas divididas por um corredor de acesso aos quintais traseiros, umas com a fachada principal para a Estrada da Circunvalação e outras para a rua do RCM. Nesse bloco viviam entre outros, o Vergílio, o Matias(tio do Vergílio), o Edgar Teixeira, a família Espírito Santo(filho do último Soba de Porto-Alexandre), o senhor Pinto táxista, o Mário de Albufeira, o Horta, o António Homem(filho do enfermeiro), o Jorge Almeida, o Turra, os Ilhas, o Tiago Costa, o Lenucha Dolbeth e Costa, o Claúdio Dolbeth e Costa, o António Soares, a Augustinha e outros de que já não me lembro os nomes. Esse corredor que divide os dois blocos norte, tinha muros altos que eram as paredes dos anexos e portões de acesso aos quintais, por isso era um lugar com sombra e fresco, ideal para a garotada. Era o local predilecto para brincar, pois assim estávamos protegidos dos carros e outros perigos, e ao mesmo tempo controlados pelas nossas mães. Era aí que se faziam os jogos tradicionais infantis, como a cabra cega, saltar os sóis, escondidas, saltar à corda e outros, foram tempos inesquecíveis. O núcleo sul era composto por vivendas de maiores dimensões, que estavam dispostas como no núcleo norte, mas sem corredor a separar os quintais, começavam na Rua 4 de Agosto e acabavam na rua do Sr. Esteves da padaria, também não me lembro do nome, o RCM era mesmo em frente, e aí viviam a Lucy (filha do Zé de Sousa), os Grilos, o Sr. Abel(do benfica), a familia Sequeira, a Mária Viegas, os Formosinhos, entre outros. O Jorge Van Der Kelen vivia na 4 de Agosto mas muito próximo da famosa esquina.Lembro-me de ir espreitar ao quintal dele os treinos de alterofilia que o pai fazia com alguma malta lá do bairro, lembro-me do Alfredo Grilo, era pequenino mas tinha um grande “caparro”.

Vivia-se modestamente, mas bem, o pessoal dava-se bem e ajudava-se muito, lembro-me daquele ceguinho chamado “Trimtimtim” que pedia cantando “oh trimtimtim um quinhento só” a minha mãe ajudava-o a sentar-se na cadeira da varanda e dava-lhe prato de sopa, para além do “quinhento” claro.
Lembro com saudade as festas populares que lá se faziam por altura do Santo António, montava-se um arraial com enfeites de papel colorido, balões e tudo, no areal em frente à casa do Edgar Teixeira. Cada um trazia bebida e comida, iamos á Mercearia do Sr. Oliveira, na Rua das Hortas, pedir alguns barris de vinho vazios, pregávamos uns aos outros, enchiamos de lenha, papel velho o que estivesse à mão e faziamos belas fogueiras, outra vez a estória da reciclagem que o amigo Xindere fez questão de enaltecer na sua crónica, era mesmo uma cidade muito avançada.
Passávamos a noite toda a cantar, dançar e a saltar à fogueira, claro que no dia seguinte alguns tinham o cabelo chamuscado, aliás estas festas espalharam-se pela cidade e até havia uma certa rivalidade entre os bairros.
Era ver quem fazia a maior fogueira, lembro-me que houve um ano que o bairro da Facada fez uma fogueira com mais ou menos 17 metros de altura, diziam eles, e à qual chamaram Apollo 11, juntaram pneus e barris e formaram um foguetão. Tornou-se um hábito as pessoas andarem a passear pela cidade e a ver qual era o melhor arraial, claro que para mim o da Sanzala dos Brancos era sempre o melhor.
De vez em quando organizavam-se jogos de futebol com outros bairros, eram jogados no areal junto ao RCM, lembro-me de um em que o guarda-redes era o Edgar Teixeira, aliás ele ou era guarda-redes ou treinador, e era contra os Heróis do Mucaba salvo o erro, também jogavam os Grilos, o Lenucha, o Mário de Albufeira e um miúdo mais novo, da minha idade, e que era um crack, o Claúdio Dolbeth e Costa.
Bons tempos, não podiamos estar parados, quando não era futebol, eram corridas de carros de rolamentos, e aí eu também entrava pois tinha facilidade em arranjar rolamentos, o meu pai apesar de ser mecânico não mos podia arranjar, no Saco os comboios não tinham rolamentos, mas bastava ir à oficina do meu tio Abel e tinha logo ali os melhores rolamentos da praça, até eram melhores que os reciclados do Vadinho, pois eram os do carro do Novais. Arranjava duas duelas de barril para servirem de eixos, uma fixava na madeira que servia de assento, era o eixo traseiro e a outra levava um furo a meio e servia de eixo dianteiro. As duelas, devido à sua curvatura faziam de suspensão, era um espanto de carro, e lá iamos fazendo gincanas por entre pedras postas no meio da rua com intervalos entre elas, os mais velhos empuravam-nos, pois eramos mais leves, lembro-me que o meu “empurra” era o Claúdio, tinha cá uma velocidade, ganhávamos as corridas todas, pudera, eu era o mais leve!
Quem me dera que os nossos filhos, tivessem passado uma infância como a nossa, ou pelo menos parecida.
Que saudades eu tenho da SANZALA DOS BRANCOS.
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by Toninho da Sanzala dos Brancos (Sanzalangola)

 FOTOS DE MOÇÂMEDES
VIDEOS DE MOÇÂMEDES:
1. Centro cidade
2. Vivendas
3. Marginal e Praia
4. Torre do Tombo e Praias
5. Deserto do Namibe
6. Hortas até à Leba
7. Da Leba ao Lubango

14 junho 2011

Jovens raparigas de Moçâmedes (hoje Namibe), Angola, em 1950


Reconheço, entre outras, nesta interessante foto, em cima e da esq. para a dt: Lúcia Reis, Antonieta Botelho (Taneta), Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, ?, Irene Sena Evangelista, Fernanda Bráz de Sousa (Anselmo), ?, Fátima Cunha, Filomana Matos (Filó), Ercília Calheiros (Xila).

Embaixo, da esq. para a dt: Aurora Freitas (Lola), Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Maria Amália Duarte de Almeida (Mamaia), Maria Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé) , Maria Amélia Braz de Sousa (Mélita), Ema Abano e Helena Osorio (Lena). Todas estas jovens frequentavam na altura o Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes e em grande número encontravam-se inscritas na JECF (Juventude Estudantil Católica Feminina), como aliás se pode ver pela braçadeira que ostentam no braço esquerdo. Mais uma foto que, como tantas outras neste blog disponibilizadas, poderá vir a  enriquecer os álbuns de famílias que alí nasceram, ali viveram e que em 1975 se dispersaram por Portugal e pelo mundo, muitas das quais sem ao menos  terem  levado consigo as suas recordações.


Maria Amalia disse...Adorei esta surpresa tão agradavel! Reconheço-as todas exepto a que esta atras da Julia Jardim! Ja agora e se me permite a liberdade vou legendar como ainda me recordo...
Na fila de tras e da esquerda para a direita estao:
Lucia Reis,Antonieta Botelho (Tanete), Lisete Ferreira , Julia Jardim, ? esta é que não consigo mesmo recordar, depois Fatima Santos, Fernanda Bras de Sousa (Anselmo) , Irene Sena Evangelista, Fatima Cunha, Filomena Matos (Filo), Ercilia Calheiros (Xila), em baixo e tambem da esquerda para a direita Aurora Freitas (Lola e que veio a casar com o meu irmao Armando), Maria Julia Maló de Abreu (Pitula), Maria Antonieta Almeida Bagarrao (Dedé), Euzinha (Mamaia), Mª Amelia Bras de Sousa (Mélita), Ema Abano e Helena Osorio (Lena).
Se ainda não se apercebeu eu sou a Maria Amalia Duarte d'Almeida (Mamaia)e agora Braz, pois estou ainda e felizmente casada com o Antonio.
E porque ja fui longa demais por aqui me fico com um grande abraço para si que teve a sensibilidade de nos proporcionar tao boa surpresa! E ja agora um beijinho para todas as minhas amigas que figuram na foto e que tenham como eu a felicidade de a rever! Bem haja!
17 de Julho de 2011 19:32

12 junho 2011

Grupo de moçamedenses nos finais da década de 1940

Grupo de moçamedenseso da JEC- Juventude Estudantil Católica, nos finais dos anos 1940, junto ao edifício do primitivo Colégio das Irmãs Doroteias, que ficava ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim (ex-Avenida da República), em Moçâmedes (Namibe), Angola . Reconheço, entre outras: Lizete Ferreira, Carolina Mangericão, ?, Lúcia Brazão, ? e Noémia Van der Kellen (Becas).

27 maio 2011

Juventude moçamedense no início dos anos 1971. Moçâmedes, Namibe, Angola

Vera Freitas, Paula e Anabela, Ondina Sancadas de Sousa e Marília Faustino, no salão nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Moçâmedes, quando da recepção oferecida a Riquita Bauleth, no regresso  à sua terra, após ter vencido, na Metrópole, o título de  "Miss" Portugal 1971. Foto da Ondina.