Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...
22 fevereiro 2026
12 abril 2019
Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro e o seu tempo
DA DITOSA TERRA NOSSA AMADA...
TEXTO DE BERNARDINO FREIRE DE FIGUEIREDO ABREU E CASTRO, O DIRECTOR DA 1ª COLÓNIA DE EMIGRANTES FUNDADORES DE MOÇÂMEDES VINDOS DE PERNAMBUCO- BRASIL EM 04 de AGOSTO DE 1849. In Nossa Senhora de Guararapes, publicado ainda em Recife de Pernambuco, 1847:
«Aceita cá de longe o suspiro da mais viva saudade, que te envia o desterrado filho teu. Foi em ti que passei a primavera da vida, que tão rápida se esvaece , que mal se sente! Veiu apoz a estiva quadra que apenas toquei e gozar não pude no solo teu; Malfadada sorte me afugentou de ti, e cá de longe ouço os teus gemidos, que estalar de dor me fazem o coração!... Oh! como me lembro do solar paterno, e aquelles em cujas veas corre o mesmo sangue.
- como os amigos da infância, os folguedos innocentes, os sítios das primeiras impressões!
- como ... os bellos dias, as suas lindas manhãs, em que a vista se recrea..., os ouvidos se afinam...; e em que o olfato se apura pelos esquesitos perfumes... que diffícil fora enumerar!
Dias ditozos! que manso a manso vos evaporastes todos , para mais não volver, e que só deixastes saudades tantas, para onde voaste? Meigos sorrisos que vos agitáveis nos innocentes lábios meus, para onde fugistes? Luz insolente! que brilhavas nos meus puros olhos para onde te ausentaste, que agora ou elles tristes derramam copiosas lágrimas, ou retratam da alma a profunda meditação? Tudo, tudo se esvaneceu, e apenas resta a esperança - esta de todas a mais fiel amiga, a mais constante companheira - esta sim, esta eu cá sinto d'entro da alma...
Saudade,
Saudade, nome melodioso e suave, mas enternecedor! vocábulo sem par! que inveja fazes a tantos povos; os quaes porque te não sentiram, não te souberam exprimir! Ditosa língua que tal expressão possuis...»
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Em 1839 Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro exilou-se em Pernambuco, Brasil, após o triunfo do liberalismo em Portugal sobre os absolutistas, e a partida de Dom Miguel para o exílio.
Porquê Bernardino absolutista?
Quando jovem universitário Bernardino deixou os estudos em Coimbra para se alistar, como tenente de caçadores, nos voluntários realistas do exército de Dom Miguel, levado pelos princípios e sentimentos de sua família, uma família católica, conservadora e legalista, e pela influência de um parente próximo, general das armas da província.
A verdade é D. Pedro era o legítimo herdeiro do trono, mas com o rei seu pai, D. João VI e a corte, refugiados no Brasil, em consequência das invasões francesas (1808-11), tudo se alterou em termos da legitimidade da sucessão. Com a revolução de 1820 em Portugal, Dom João VI, teve que regressar a Portugal deixando o seu filho mais velho, Dom Pedro, como príncipe regente do Brasil. Em Portugal Dom João VI quis efectivar uma recolonização (volta à condição de colónia) do Brasil, mas os brasileiros, recusaram as imposições do Parlamento português e rapidamente a independência do Brasil aconteceu. Logo a seguir Dom João VI morre, e deputados portugueses exigiram o retorno de Dom Pedro, mas o príncipe regente proclamou a sua permanência no Brasil, voltou costas ao trono em Portugal, e perdeu toda legitimidades para os legalistas. A 09 de Janeiro de 1822, ficou conhecido como o dia do “fico”, e o 07 de Setembro desse ano como o dia em que Dom Pedro proclamou a Independência do Brasil: “É tempo: independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”. A seguir, no dia 12 de Outubro de 1822, Dom Pedro foi nomeado imperador do Brasil (1822-1831). Em 1825 Portugal assinou um acordo com a Inglaterra reconhecendo a autonomia política brasileira.
Entretanto no Brasil cresce a impopularidade do imperador, e em 1824, iniciou-se em Pernambuco um movimento contrário a Dom Pedro que rapidamente ganha proporções, sendo castigados violentamente os líderes. A imprensa brasileira subiu de tom contra o Imperador e levou a crescentes agitações populares nas províncias, até que no ano de 1831 Dom Pedro abdicou do trono e retornou a Portugal, onde tal como acontecera a seu pai, depressa faleceu acometido por tuberculose no ano de 1834. Como a monarquia era hereditária, seu filho Pedro de Alcântara, com apenas cinco anos na época, passou ser o herdeiro do trono. Com este facto, findou o Primeiro Reinado no Brasil, iniciando outra fase da história brasileira, o Período Regencial (1831-1840). Brasil e Portugal continuavam nas mãos da mesma família, com Dom Pedro II no Rio de Janeiro e Maria II em Lisboa.
A fase do professorado no Brasil
Quanto a Bernardino, exilado no Brasil, renuncia a toda a actividade política, dedica-se exclusivamente ao ensino no Colégio Pernambucano, regendo as cadeiras de História, Geografia e Latim. Não perdeu o amor aos livros, às letras. Escreveu livros de carácter didáctico, como a História Geral, em seis volumes. O Primeiro volume sobre a “História Sagrada do Antigo Testamento”; o segundo sobre a “História da Vida de Jesus Cristo” e dos Apóstolos, e História dos Judeus desde a dispersão até aos nossos dias “; o terceiro a “ História Antiga e Grega”; o quarto sobre a “História Romana e da Idade Média”, o quinto sobre a “História Moderna”; e o sexto sobre a “História de Portugal e do Brasil”. Mas o erudito professor não se ficou por aqui, escreveu outros livros dos quais destacamos “Nossa Senhora de Guararapes – romance histórico, descritivo, moral e crítico”, que tem por fundo os encontros sangrentos entre portugueses e holandeses, em 1648 e 1649, nos altos montes dos Guararapes, na região do Recife.
A opção por África e a fundação de Moçâmedes
Bernardino impunha-se como condutor de homens, pelas suas qualidades de liderança e iniciativa. Por essa época o Brasil era já um país independente, foi então que cheio de saudades da sua sua pátria escreveu este texto, numa época em que em Pernambuco, as coisas iam bem. Em 1844, na Assembleia Provincial de Pernambuco, propõe-se que “se expulsem da cidade (ou da província) todos os portugueses solteiros”- (E Bernardino era solteiro).
Em 1847 arruaceiros espancaram pelas ruas da cidade “quantos portugueses encontravam ou que supunham tais”. Foram esses espancamentos que o levaram a incentivar seus conterrâneos a fundarem um colónia bem longe dali, onde tremulasse a bandeira portuguesa, e onde todos juntos pudessem em paz viver e trabalhar: MOÇÂMEDES !
Em 1849, tinha Bernardino 40 anos de idade, quando a Tentativa Feliz capitaneada pelo brigue Douro, atravessando o oceano, levou-o e aos 165 companheiros para Moçâmedes, onde teve um papel de relevo nesses momentos primordiais da fundação, e onde acabou os seus dias.
Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.
No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Interessado em tudo conhecer, tudo avaliar, tudo projectar, fez viagens de estudo, contactou sobas, colaborou com as autoridades,subiu e desceu a Chela, viajou até ao Cunene, este homem da rija têmpera dos "barões assinalados"apostado no
O governador do distrito ante a desesperada situação faz um apelo à solidariedade em Luanda e em Benguela, promovido pelas respectivas câmaras municipais. Os víveres, vestuário, dinheiro e outras ofertas chegam finalmente a Moçâmedes. A situação vai normalizando. Em 26 de Novembro de 12950 entra na baía de Moçâmedes um segundo grupo de colonos, trazidos pela Barca Bracarense, chefiada pelo mesmo Brigue Douro. Estes a expensas suas igualmente direccionados para a agricultura em Moçâmedes, e chefiados por José Joaquim da Costa. A pesca foi outro ramo ao qual se dedicaram naquela terras onde cardumes do pescado entravam
A história da vida de Bernardino não pode nem deve ficar perdida em meio a um conjunto de papéis
MariaNJardim
04 outubro 2008
Escola particular do Cabo Almeida na Torre do Tombo: década de 40

Havia na Torre do Tombo um Cabo da Guarda Fiscal (reformado), pessoa culta para a época, que dava explicações a crianças pequenas até à 4ª classe, na sua casa no bairro conhecido por «Bairro Feio», na rua onde ficavam as últimas casas, já de costas para o deserto (Rua Ponce Leão). Chamava-se Caetano José de Almeida, mais conhecido pelo Cabo Almeida da Guarda Fiscal, que fez parte da Comissão Organizadora para a criação do Sport Lisboa e Moçâmedes (1ª denominação do Sport Moçâmedes e Benfica), juntamente com Armando Guedes da Silva, Manuel Guedes da Silva, Júlio Andrade e João de Almeida, todos dissidentes do Ginásio Clube da Torre do Tombo, e todos residentes na Torre do Tombo, bairro onde o Benfica teve a sua primeira sede em 10 de Setembro de 1936. Mais tarde José Caetano de Almeida acabaria por ser excluído da referida lista, por motivos que não vou aqui referir.
Esta foto foi tirada por volta de 1947 e reconheço algumas das crianças que aqui estão, entre elas, em cima, à dt. o irmãos Lopes?, ao centro o Zé Duarte e irmão(ambos de boné ao centrio) tendo ao lado o Carlos Lisboa, e um pouco atrás e à dt. os irmãos Esteves, o Pedro Eusébio (atrás) o Manuel Cambuta (o 1º sentado à esq.), e as meninas ao centro parecem-me as primas Ildete Bagarrão, Antonieta Bagarrão, Claudete Bagarrão e Eduarda Vicente.
09 abril 2008
Gente de Porto Alexandre em Angola (actual Tombwa)


Fotos gentilmente cedidas pelos amigos Álvaro e Beta Faustino.Segue um belo poema assinado por Adamário Lindo:
Alexandrenses da Tombua
com asas sempre fomos.
crescemos de vela em vela
ao sabor das ondas
e na maré o tempo
furámos brumas caducas
rasgámos dos céus negrumes,
vencemos garroas e calemas
bebemos águas insalubres
soubemos da chuva o improvável,
mas a vida brotou perene
das areias, nas águas, da porfia
no anzol em gancho.
por uma vez
com ribombos do trovão
nos aterraram
e aqui somos
fora do tempo e do espaço,
sabendo o que fomos
e ao que vamos.
in “Makamba” (inédito)

