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08 fevereiro 2017

Moçâmedes, Memórias com História: O Cantar das Bengalinhas

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O Cantar das Bengalinhas



Na Moçâmedes do antigamente, Maio era simplesmente o mês mais triste do ano. O verão já lá ia, a Praia das Miragens era um lugar vazio e o vento leste que sobrava do deserto, seco e abrasador como vindo dos infernos, arrastava atrás de si poeira fina e grossa e toda a sorte de pequena bicharada, que transformava a pequena cidade numa espécie de terra de ninguém: eram formigas de asas brancas, gafanhotos, libelinhas, carochas, rebola-cacas e outras miniaturas vivas que a Natureza aborta e que acabavam por tudo dominar.
Ninguém sabia ao certo se esses exércitos malquistos vinham fugidos do vento leste, ou se se aproveitavam da sua boleia para invadir a cidade. É que, por essas alturas, no Bero já não corria o rio, apenas uns resquícios finando-se no pantanal da lagoa, à beira da sua foz, onde apenas medravam os caranguejos do Mamedes e nidificavam os patos bravos que, desde tempos imemoriais, ali tinham fixado residência. Aves coloridas, lindas, diga-se de passagem, mas que desgraçadamente um par de mentes iluminadas as foram paulatinamente matando a tiro de caçadeira, até à sua extinção total.
E do meio da poeira trazida pelo vento leste, como almas penadas vindas do outro mundo, iam surgindo em fila distanciada os nossos pobrezinhos para a esmola semanal. Nossos pobrezinhos!,.. assim os chamava a avó Catarina, na genuína convicção de que nada ou quase nada tendo de seu, pelo menos tinha os seus pobrezinhos.
O primeiro a bater à porta era sempre o Samacaca, velho quimbar coveiro do cemitério de Santa Rita, onde ali vivia dia e noite no aconchego da pequena capela e que tratava das campas rasas e dos mausoléus como se fossem o jardim particular do seu contentamento. Fazia a gestão das plantas e das flores com um desvelo singular, seguindo o princípio dos vasos comunicantes, tirando de umas e colocando noutras por forma a atingir um balanço equilibrado entre as campas humildes e as outras mais substantivas.
Daí que o Samacaca não batia à porta para pedir esmola. Não!, ele aparecia para receber a sua avença semanal. Era, aliás, o único probrezinho que não esmolava, antes pelo contrário; vinha cobrar o que achava ser-lhe devido pelo esmero do seu trabalho.
- Senhora, perguntava a Maria Torresmo, o que damos ao Samacaca?
- E a avó Catarina respondia com bonomia: - Dá-lhe duas bananas que ele já não tem dentes para comer maboques ou torresmos.
A seguir, aparecia o Bacia ceguinho, com o rafeiro enrolando-se nas suas pernas para orientar o caminho. E lá recebia o Bacia a esmola de duas macutas furadas que não lhe davam para nada.
Depois, era a vez do Dominguinhos ceguinho, arguto e inteligente, que caminhava sempre com um assobio nos lábios, compondo cazicutas para o carnaval com poemas de escárnio e maldizer de sua autoria. Como um jogador de xadrez, especialista em simultâneas às cegas, o Dominguinhos conhecia cada peça da cidade, cada rua, cada casa, toda a gente de Moçâmedes do antigamente, desde o gourmet da Maria do Quico, já para lá do Bairro da Maria da Glória, até à Baixa do Tapa-Tapa, por trás da loja do Manuel Monteiro, na Torre do Tombo.
- Então, Dominguinhos, sabes quem eu sou?
- Oh!.., menino Tendinha, não precisa falar, basta só rir, respondia o Dominguinhos, recolhendo a moeda.
Na mole dos pobrezinhos, também vinha o Guinguinda, grande e gordo, um louco pacífico mas que se passava de todo quando lhe perguntavam pela sorte do cunhado Surdo, que explorava uma pequena tasca mesmo defronte à loja do Albérico Faustino. A D. Máxima, que sabia tudo, dizia à boca calada que o Surdo violentava as filhas. Certezas, ninguém as tinha, mas a avó Catarina sempre ia dizendo que não havia fumo sem fogo.
- Guinguinda, diz “viva Norton de Matos” - perguntava a Maria Torresmo.
- E o Guinguinda respondia: “viva os cabra do mato”
- Diz "viva os canhões" - e todo o mundo se desmanchava com a resposta do Guinguinda.
- Ri, Guinguinda. E o Guinguinda, com voz de trombone, começava então a rir sem nunca mais parar.
O Manuel da Silva Caluquembe, por seu lado, era um caso muito especial que fugia ao estereótipo dos nossos probrezinhos.. Alto, magro, cego como todos os pobrezinhos da cidade, era o único que vinha calçado, de fato preto, camisa branca, gravata preta e chapéu também ele preto. Tudo velho, tudo esfarrapado. Mas…, que coisa estranha!..., emanava dele uma postura de xamã, uma presença de Homem, uma dignidade que ninguém sabia explicar.
Talvez por isso, quando o João da Silva Caluquembe batia à porta a avó Catarina lhe oferecesse um tratamento especial:
- Maria Torresmo, ao Caluquembe dá-lhe uma ração a dobrar. E lá ia o nosso probrezinho com uma moeda de dois tostões comprar açucar mascavado na loja do Gingubinha.
O Faria das baleias era outro tipo de pobrezinho, que tinha atrás de si toda uma história de amor rejeitado que o terá levado à loucura. A D.Maxima, que tudo sabia, também sabia em pormenor os contornos da sua desgraça, mas limitava-se a filosofar, dizendo que todo o homem que enlouquece por amor a uma mulher devia ter o amparo e a compaixão de Deus Nosso Senhor.
Mas a vida é o que é!... E o Faria das baleias acabou mesmo por ensandecer. E passou, então, a andar com aquele seu ar de meio-louco, meio-profeta, de longa e farta cabeleira branca, trajando um surrado sobretudo, cujas algibeiras dilatadas carregavam sem rei nem roque os mantimentos que recolhia das esmolas. Tinha o aspecto daquilo que na verdade era: um sem abrigo, sempre sujo na roupa e no físico, a tal ponto que não dava para ver se era branco ou moreno.
Mas havia um pormenor com o esmolar do Faria das baleias sobre o qual ninguém conseguia entender. É que o Faria das baleias nunca pedia esmola de porta em porta, nas casas das famílias. Dentro da sua loucura, ele tinha de alguma forma seleccionado meia dúzia de lojas da Rua das Hortas e era com a bondade delas que ia sobrevivendo: a loja do José Duarte, do Brasileiro, do Neves de Graça, do Carvalho de Oliveira, do António Padeiro…
E, então, o Faria das baleias, com a sua voz de barítono e bem timbrada, pedia a sua esmola de uma maneira quase formal:
- V.Exa. terá por acaso a bondade de dar uma esmolinha a este pobre desgraçado a quem as desumanidades da vida o afastaram da benção de Deus?
E com as algibeiras do sobretudo deformadas com o carregamento das esmolas, lá regressava a penates o Faria das baleias, a caminho das Furnas de Santo António, entre a antiga carreira de tiro dos militares e o antigo campo de aviação. E era ali, à entrada da gruta, nas noites de lua nova, escuras como breu, que o Faria das baleias se punha a contemplar, como um louco ou como um sábio, aquele universo sem fim, com milhões de estrelas, de galáxias e outras coisas mais do outro mundo.
E, entretanto, totalmente alheio às misérias humanas que se iam desenrolando em seu redor, ali estava o Monacaia no seu microcosmo de menino, deitado na sua cama, junto à janela que dava para o quintal. A pitangueira, carregada de pitangas vermelhas, quase lhe entrava pelo quarto adentro.
Era a hora da chegada das bengalinhas…
Dizem alguns entendidos que o canário e o rouxinol são o paradigma das aves canoras pela beleza dos seus cantos. Mas acontece que o canário e o rouxinol não passam de aves solitárias que só cantam quando buscam amor e entram nos seus jogos de sedução. As bengalinhas, não!... As bengalinhas vivem em sociedade, voam em bandos, em revoadas, e, ademais, o cantar das bengalinhas não é canto a solo, mas sim um coro, celestial, que toca fundo, um verdadeiro hino à própria natureza.
Daí o Monacaia se perder com o cantar das bengalinhas na pitangueira do seu quintal. Primeiro, do alto do seu ramo, bem à vista de todos, a prima-dona dava o mote, num trinar contínuo, subindo sempre de nota até atingir os agudos sopraninos que só a raros os Deuses concedem. Depois, havia um hiato, quase imperceptível, e vinha, então, de dentro da ramagem, o coro do bando inteiro. Um coro de uma tão sublime beleza que era o enlevo de qualquer ser humano por mais rude e grotesto que fosse.
Porquê, então, essas histórias de anjos e demónios!?... Nem a D.Máxima, que sabia tudo, conseguia responder.
Quando o cantar das bengalinhas terminou, o Monacaia pegou na fisga e com um tiro certeiro matou a prima-dona, a bengalinha que cantava a solo. Não houve debandada geral. Apenas o bando se ajeitou por entre a ramagem verde e as pitangas vermelhas.
Depois, como a coisa mais natural deste mundo, o Monacaia foi apanhar a bengalinha, decepou-lhe a cabeça, arrancou-lhe as penas, rasgou-lhe o ventre, viu-lhe a matriz: o coração pequeno, farrapos de carniça no peito, nas coxas quase nada…
E era o lanche tardio do Monacaia!...


Ass Arménio Jardim

30 janeiro 2017

Recordando Moçâmedes de outros tempos... A Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Os professores. O Padre Galhano. Os enfermeiros de Moçâmedes.






 O Padre Guilhermino Galhano,
 em dia de comunhão solene. 1946


O Padre Guilhermino Galhano, integrando o corpo docente da
 Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes. 1951

   O Padre Guilhermino Galhano, no time de futebol 
do Ginásio Clube da Torre do Tombo
 O Padre Guilhermino Galhano ministrando no velho campo de futebol de terra batida, a missa campal, por ocasião da passagem da imagem de Nossa Senhora de Fátima, em peregrinação por terras de Angola. 1948.






- Ó Pai Galhano -



O Padre Galhano, ao que creio, chegou a Moçâmedes na 2ª metade dos anos 40. Com uma visão diferente do "munus" de pároco relativamente aos seus percursores ,cedo se mostrou mais próximo dos seus paroquianos, em particular das classes mais simples e das crianças. Na sua postura, o Padre Galhano marcava um certa distância dos " importantes da "vila". Era frequente ver-se o Padre Galhano, com as suas barbas negras e boina preta, de batina branca arregaçada até aos joelhos, a participar com os mais jovens nas "peladas" que se realizavam no descampado entre a Igreja e o Palácio do Governador. Habilmente passava do futebol ao catecismo.

Adepto do desporto, aos domingos lá estava o Padre Galhano no campo de futebol misturado com a claque do Ginásio da Torre do Tombo, a incitar os seus jogadores. Não poucas vezes vimo-lo a acompanhar o Ginásio, até mesmo nos jogos realizados na vizinha Porto Alexandre, contra o Independente.
 
Belenenses de alma e coração, ao chegar a Moçâmedes, logo aderiu ao Ginásio da Torre do Tombo, sua delegação, e tornou-se seu fervoroso adepto.Ali o dragão era a sua " cruz de Cristo", com o mesmo fundo azul. Mau grado algumas tentativas falhadas de levar os pescadores a assistir à missa dominical, tal não o impedia de estar com eles, ao fim do dia, na sede do Ginásio, jogando às cartas, às damas ou ao dominó.

Nunca se vira em Moçâmedes um Padre com tal espírito " democrático ". Sabia como poucos lidar com a gente mais humilde, sem cobrar a ida à missa dominical.

O Padre Galhano deixou a sua marca na Paróquia de Santo Adrião. Em certa medida, e com as devidas proporções, o Padre Galhano parecia antecipar no tempo o espírito do actual Papa Francisco.


Repórter ASA




- Os nossos enfermeiros -



Ao tempo, a Torre do Tombo conheceu dois enfermeiros.  Primeiro, o Coelho e mais tarde, o Franco.
O Coelho era " o terror" das crianças. Desde miúdo que nos habituamos a temer a sua presença. O paludismo era atacado com as dolorosas injecções de quinino aplicadas pelo Coelho, nem sempre da forma mais correcta.Muitas crianças ficavam para sempre marcadas com as injecções agravadas nos seus rabinhos. A "marca do Zorro" como se dizia. Nunca mais dele se esqueceriam.
Ao que constava o Coelho era muito amigo da aguardente. Nem sempre estaria nas melhores condições e as consequências ficavam à vista. No caso do autor, ficamos para sempre com problemas na perna esquerda, o que viria a condicionar a nossa actividade desportiva futura .Na época,teve de ir a Luanda fazer choques eléctricos para poder recuperar a força na perna esquerda. Minha mãe dizia que quando entrava em casa sentia o meu pé a arrastar-se pelo corredor. E tanto quanto sei,à época o Coelho nunca foi chamado à responsabilidade.

Mais tarde, surgiu um novo enfermeiro - o Franco, negro. Trabalhava no Grémio da Pesca e vivia numa casa na Torre do Tombo, com a mulher e duas filhas.Dedicado profissional, rapidamente granjeou simpatias e foi substituindo o nefasto Coelho.

Era o Franco que tratava dos nosso furúnculos e das feridas que sofríamos nas nossas brincadeiras e jogos de futebol. Infelizmente, vieram ambos a sofrer idêntico percalço.

Na época, a bicicleta era o meio de transporte mais usado.Surgiram entretanto as motorizadas e naturalmente os dois enfermeiros aderiram à moda e adquiriram motorizadas para facilitar as suas deslocações em serviço.Por razões que desconhecemos, a não ser a velocidade na condução das motorizadas, ambos tiverem acidentes idênticos, resultantes de choques com automóveis em cruzamentos. Acidentes esses que lhes afectou a vida profissional. Ambos tiveram de passar a usar próteses nas pernas para toda vida, o que o enfermeiro Franco de todo não o merecia.

 Repórter ASA





O dia da despedida do Dr Borges ( o 3º ao fundo à dt, a contar da esq para a dt.)

  O Padre Guilhermino Galhano, integrando o corpo docente da
 Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes. 1948




- Os meus professores do Curso Comercial -


Os jovens da nossa geração estudaram na "velha" Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Designação enganadora pois ali apenas se ministrava o Curso Comercial.Também lá fomos aluno desde Abril de l948 , concluindo o Curso Comercial em Dezembro de l952 , com aproveitamento de "Bom".

Recordamos os nosso professores de então:

O Dr. Borges, que era o Director da Escola e leccionava a aula de Comércio, Contabilidade e Direito Comercial.Coxeava numa das pernas com um aparelho" que trazia no bolso.Como não pertencia ao grupo dos melhores desportistas,nem era um fã da Mocidade Portuguesa, deveu-se a ele concerteza a minha escolha para integrar um grupo de 50 estudantes das várias escolas secundárias de Angola que em Março de 1953 visitou a Metrópole. Bom professor, fazia assim justiça ao nosso trabalho.
O Dr. Rodrigues, "O Calhau" como era conhecido, Professor de Matemática. Os seus métodos de ensino não conseguiam motivar os alunos para tão difícil disciplina. O nosso aproveitamento não ultrapassava o 10.

Seguiu-se-lhe o Tenente Faustino, militar que veio prestar serviço na Fortaleza de São Fernando. Bom professor e bom pescador de garoupas e meros nos barcos do meu pai. Muito exigente, fez de mim um bom estudante de Matemática. Tornou-me a Matemática uma disciplina apetecível.
A Dra. Emilia, professora de Português, Francês e Inglês. As suas aulas eram muito "chatas". Na sua incapacidade para nos ensinar duas línguas "vivas"´, enchia-nos os cadernos de regras e mais regras de gramática. Tornou-se enfadonha e festejamos a sua saída.

Sucedeu-lhe a Dra. Brigitte, esposa do Capitão do Porto. Mulher simpática e bonita, com métodos pedagógicos inovadores . Nas aulas de francês e inglês passamos a privilegiar as traduções e retroversões e iniciamos alguma conversação.A gramática era um mero auxiliar.Os progressos da turma foram evidentes. Habituamo-nos a pouco e pouco a escrever e falar em francês e inglês. Quanto ao português ,a Dra. Brigitte privilegiava as composições redigidas pelos seus alunos.Torna-mo-nos então a atracção das aulas com as redacções em que apelávamos a uma grande imaginação.Eram lidas "com suspense" no final das aulas.

Recordamos uma delas, pela sua originalidade - a génese da palavra "Moçâmedes"...Na minha imaginação de jovem adolescente via um barco que zarpava a Angra do Negro, nome então dado à bela baía de Moçâmedes, onde fundeou. Os barcos iam ali abastecer-se de água e alimentos frescos para as suas tripulações.Os tripulantes vieram a terra para festejar o acontecimento numa taberna junto ao mar.Uma solicita jovem fazia as honras da casa e distribuía canecas de vinho pelas mesas. Já muito animados, os tripulantes do barco entoavam em coro:" moça mede, moça mede,." pedindo-lhe para que enchesse os copos de vinho. Assim terá nascido a génese da designação de Moçâmedes... sem barão.

Escusado será dizer que o autor foi muito cumprimentado pelos colegas do curso.Mais tarde, o Zé Coco , no seu semanário, divulgou a expressão "Namibe", do nosso deserto.

Continuando, o Prof. Carrilho ministrava as aulas de Caligrafia, Dactilografia e Estenografia.Era um calígrafo muito talentoso.Na horas vagas fazia as "escritas" de várias firmas da terra.

O Prof. Cecilio Moreira coordenava as aulas de educação física e desport.


Repórter ASA


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  As instalações da Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes.



- A criação da Secção Preparatória para os Institutos Comerciais -



Mais tarde, já a trabalhar no Grémio da Pesca, resolvemos retomar os estudos. Na época, havia uma grande discriminação entre alunos da Escola Comercial e dos Liceus. Eram compartimentos estanques.Os alunos do Curso Comercial eram os patinhos"feios" e os do Liceu do Lubango os meninos "bonitos". Não se permitia que se transitasse de um curso - o comercial- para o outro - o liceal-.. O que significava que apenas era possível prossseguir os estudos na área de Economia e Finanças e em Lisboa.
Assim, tornou-se imperioso lançar um forte movimento para a criação da Secção Preparatória para os Institutos Comerciais na nossa escola, requerendo ao" poder colonial de Lisboa " a sua instalação. A iniciativa , com grande apoio dos diplomados da Escola, teve sucesso e veio a começar a funcionar pela primeira vez no ano lectivo de 1955, em regime de horário post-laboral.
Tivemos a honra de ser o primeiro aluno da Escola a frequentar o Instituto Comercial de Lisboa,que funcionava no palacete da Rua das Chagas.



Repórter ASA


07 novembro 2016

Raul Radich Junior









RAUL RADICH JÚNIOR



A terra que me tem e que me guarda os ossos
É a mesma que amei e que servi!,
Aquela onde nasci
E onde sempre medi
Os homens por colossos!

Amei a minha terra como ama
A luz seus brilhos!
Foi para mim orgulho, honra e fama
Ter sido, embora humilde, um dos seus filhos!
Por ela me nasceram sonhos de riquezas,
E a alma se me abriu de toda fascinada:
Ah!, vê-la transformada
Na mais rica e feliz das terras portuguesas!
Lutei conforme pude
E a ela me entreguei sem outro norte
Que servi-la com honra e com virtude
Do berço até à morte!
A vida, à terra, dei-a
Com sonho e com labor
Na grande maré cheia
De todo o meu amor!
Quando tombei,
Tive-a no pensamento!
E lembro-me que chorei,
Nesse momento!



( Angelino da Silva Jardim )


  


Texto da Homenagem prestada ao Raul Radich
Júnior, a 1 de Agosto de 2004 no Encontro anual
em Caldas da Rainha.
in: Adimo

25 março 2016

Poema "Encontro", de Angelino da Silva Jardim


Foto: O Clube Nautico (Casino) de Moçâmedes (Namibe), em dia de "calema", num tempo em que a "Praia das Miragens" ainda não possuia as suas arcadas...





ENCONTRO


Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!
Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!
Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!
E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!
E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!
De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!


(Angelino da Silva Jardim)
.............................................................................



Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

31 agosto 2014

Baía dos Tigres: Morte no Deserto




 

Foto: Desde 1951,  a Aldeia do Leão passou a ser conhecida pela povoação de S. Martinho dos Tigres ou Vila de S. Martinho dos Tigres. Foto retirada do livro "Baia dos Tigres", de Cecilio Moreira.

Foto: A única estrada dos Tigres servia também de pista de aviação. Foto retirada do livro "Baia dos Tigres", de Cecilio Moreira.



Era assim a Baía dos Tigres às vésperas da Independência de Angola, em 1975; um  pequeno conjunto de edifícios públicos alinhados  de ambos os lados de uma única estrada, que era também pista de aviação, uma imponente Capela que mais parecia uma Catedral, uma Escola Primária, um Posto Administrativo, uma Estação Rádio Postal, um Posto Sanitário, os Serviços Meteorológicos, a Delegação Marítima, a Alfândega..., em grande número assentes sobre pilares para deixarem passar as areias impulsionadas pelos ventos fortes de sudoeste (a garôa), que tudo cobriam à sua passagem... Estes edifícios conferiam uma alta dignidade à povoação, A Capela servia de hangar ao próprio avião, protegia-o dos ventos fortes que arrastavam as areias soltas da garoa à sua passagem.Estendendo-se a norte, algumas casas dispersas acompanhavam pescarias e seus giraus,  impedindo que os ventos predominantes de SSO arrastassem os fumos sobre a povoação. E os ventos  levavam os fumos das chaminés das casas de habitação que ficavam a oeste da pista de aterragem. 

Desde 1951 a velha povoação do Leão passou a ser conhecida pela povoação de S. Martinho dos Tigres ou Vila de S. Martinho dos Tigres. A povoação começou a ter algum incremento ao nível de infraestruturas. Nesse tempo era governador o Governador Geral Agapito da Silva Carvalho, tendo participado no empreendimento o Engenheiro civil Agostinho Ruqueso Marques Trindade, chefe da Brigada de Construções de Casas do Estado. Até aí as autoridades não pareciam muito seguras sobre se valia a pena investir na Baía dos Tigres...


 
 

Foto: Nos dias de ventos fortes era impossível a avioneta descolar... Em 1961, algum pequeno acidente ocorreu, na descolagem, como as fotos mostram..


Foi tardiamente que o Estado português resolveu dotar a Baía dos Tigres ao nível de  algumas infra-estruturas. (1)

Um dos grandes problemas da Baía dos Tigres era a ausência de vias de comunicação, facto que contribuía para o isolamento da população, para além de outras ausências como a água potável e de vegetação que constituíam um flagelo, a juntar à presença constante dos fustigantes ventos da garrôa, que faziam movimentar as areais soltas das dunas que tudo cobriam à sua passagem. O cacimbo era outra condicionante. A única razão de ser da Baía dos Tigres era a actividade piscatória, favorecida pela abundância de peixe, relacionada com a constante subida das águas das profundezas (upwelling), frias e muito ricas em plâncton, factor que se sobrepôs ao condicionalismo geral que impõe as maiores dificuldades à presença do homem.

Sem uma estrada que facilitasse o acesso à Baía dos Tigres, de início o recurso era a via marítima, primeiro através de embarcações, caíques e outras barcos à vela, que levavam e traziam pessoas, água e mantimentos, de Moçâmedes e de Porto Alexandre, mais tarde navios costeiros ou de longo curso, como eram o "Save" e o "28 de Maio", que começaram por fazer carreira pelo menos uma vez por mês, acontecendo que, quando alguém chegava à povoação, parecia gente vinda de outro mundo.   Mais tarde passaram a frequentar a Baía dos Tigres navios de guerra portugueses que, quando necessário iam ali propositadamente levar a água, enquanto o velho batelão, "Tejo" servia de depósito.

Viagens por terra chegaram a ser conseguidas por jeeps, em baixa mar, aproveitando a areia molhada e endurecida da maré, mas apenas espíritos ousados eram capazes de se meterem em tal aventura. O  texto que segue, colocado na net por um conterrâneo não identificado, mostra bem como era vivida essa aventura:

"São dunas e mais dunas, um mar de dunas até à baía dos Tigres. Um mar imenso a bombordo que abalroa de frente com a vastidão do deserto a estibordo numa toada que parece de choro sofrido e repetido. Umas vezes avança-se a patinhar na água e outras voando na crista das dunas. Com os pneus meio vazios cavalgamos o tempo numa luta insistente e teimosa contra as vagas de areia solta. Como um veleiro no mar alto a cavar ondas sem parança. Não vemos vivalma. Apenas um garajau tonto e desorientado, perdido da sua costumeira rota. E restos de velhos navios que o mar piedosamente sepultou na praia. A espuma deste oceano, soprada pelas ondas, adormece e morre na areia. Esta terra não foi feita nem para gente nem para bichos. Só o vento consegue viver aqui. E mesmo assim o seu queixume é constante e bastas vezes violento. Há quem diga que a denominação Baía dos Tigres se deve ao ruído enervante de fera molestada que o redemoinhar da areia provoca no cone superior das dunas. O sol sente desejos de beijar o dia. O cacimbo cerrado faz-lhe frente, mas o astro vence-o transbordando para além do horizonte o seu vermelho fogo de paixão. Deita então a cabeça no mar e espreguiça-se por sobre as dunas. Como que a querer reanimar este fim do mundo onde nem o mais triste e solitário dos tigres resistiria. "

Por volta de finais dos anos 1940, a Baía dos Tigres passou a beneficiar dos serviços prestados pela avioneta do "Aero Clube de Moçâmedes", a 1ª delegação do Aeroclube de Luanda que surgiu em Angola. Esta avioneta tinha sido adquirida por subscrição pública e tinha o nome da cidade. Ao Aero Clube de Moçâmedes, clube associativo sem fins lucrativos, ficou a população a dever, de entre outros serviços, um mais fácil contacto entre a população de Moçâmedes e a população das praias vizinhas, sobretudo Porto Alexandre e a Baía dos Tigres, que puderam beneficiar deste meio de transporte, rápido e eficaz, que servia também de correio, de início uma vez por mês, mais tarde duas vezes por semana. A subscrição pública foi até meados do século XX um último recurso com que as populações em Angola iam conseguindo suprir a ausência de apoios do Estado. Aliás, a tradição vinha já dos primeiros momentos da fundação de Moçâmedes, a saber a 2ª colónia de luso-brasileiros vinda do Brasil, e desembarcada em Moçâmedes em 1850, conseguiu reunir o montante necessário para as despesas do transporte através de subscrições públicas, e foi problemática a autorização para a concessão de verbas pelo Parlamento português para os colonos fundadores de 1849. Por lá se dizia que mais que África, Portugal devia  acudir o Alentejo que estava por povoar...

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Na década de 1960, as gentes da Baía dos Tigres passaram a ser servidas por monomotores “Bonanza”, da empresa de Táxis Aéreos do Sul de Angola, com sede na cidade capital do Distrito. (1) As carreiras eram efectuadas bissemanalmente, às terças e às sextas-feiras, e assim vinha acontecendo até que no fatídico 17 de Junho de 1967, uma sexta-feira, o “Bonanza” que descolara de Moçâmedes pelas nove e meia da manhã, com o piloto e quatro estudantes a bordo, e fizera a escala habitual em Porto Alexandre para levar o Delegado de Saúde que ali ia dar consulta, e deveria aterrar nos Tigres uma hora depois, não aterrou!  Estava-se em plena época de cacimbo, uma vez que de Maio a Setembro as regiões do Sul são assoladas por nevoeiro cerrado. O “tecto” baixo levava a que toda e qualquer perfuração efectuada pelo “Bonanza”, muito junto a terra, constituisse um perigo. As pistas eram improvisadas, como eram praticamente em todos os vôos locais em Angola. Não havia equipamentos que facilitassem a aproximação a terra em dias de fraca visibilidade, sequer os aviões possui am a aparelhagem sofisticada dos nossos dias. Tudo dependia do piloto, do seu conhecimento do terreno, da sua perícia e da sua competência profissional. Restava a esperança de que o avião tivesse voado na direcção da foz do Cunene, a 55 km distância, para ali aterrar em segurança, ou então que tivesse aterrado numa das planuras da zona semi-desértica. A verdade é que o “Bonanza” estava desaparecido. Nada se sabia dele, nem das seis pessoas que vinham a bordo.

Na manhã seguinte a imprensa e a Rádio deram grande relevo ao acontecimento. O constrangimento e a comoção eram gerais. O sentimento de solidariedade não se fez esperar. Os habitantes dos Tigres eram uma verdadeira família que repartia entre si alegrias e tristezas. Por toda a parte era notória a vontade de congregar esforços na busca do “Bonança”. O Governo Geral de Angola, o Comando Naval, a Força Aérea, a Organização Provincial de Voluntários e muitos particulares, todos se encontravam vivamente empenhados nas buscas, através de um sistema organizado e controlado por sistema de comunicação a nível distrital, centralizado numa das salas do Rádio Clube de Moçâmedes. Um avião da Força Aérea devidamente equipado para missões do género, ao qual se juntaram dois aviões do Estado pertencentes aos governos de Moçâmedes e da Huila, e ainda dois particulares, avançaram nas buscas efectuadas no deserto, enquanto traineiras batiam a costa desde a Ponta Albina até à zona dos Riscos, a norte da Grande Restinga. Também várias viaturas partiram tentando vencer os areais do deserto, algumas das quais tiveram que ser mais tarde socorridas.

Dificultava as buscas o intenso nevoeiro que teimava em se manter naquele deserto temeroso que ninguém podia de ânimo leve pensar vencer. Até porque os rodados da ida, aproveitando a baixa-mar, logo se apagavam quando do regresso.

Terra maldita onde nada havia, não havia mecânicos, não havia peças sobressalentes, gasolina, sombra, água, alimentos. Terra do nada como diziam os Hotentotes, onde tudo podia acontecer aos incautos, incluso a mordedura de escorpiões venenosos. As iregularidades do terreno, as temperaturas difíceis de suportar, o vento Leste, os ventos fortes que fustigam o rosto, ferem o olhar, e modificam a paisagem, não permitem o caminhar de pessoas e viaturas, o que tornava a missão impossível até ao guia mais experiente. Eram grandes as diferenças térmicas entre o dia e a noite, durante o dia temperaturas escaldantes, pela noite abaixo de zero...

Foi então que na tardinha do dia seguinte os tripulantes de uma traineira que participavam nas buscas, entre os quais José Joaquim Firmino do Nascimento (mestre), vislumbraram ao longe um brilho de metal, na Zona de Riscos, na encosta de uma duna de grande altura. José Firmino com seus companheiros, subiram a pé ao cimo de uma duna em busca de uma maior ângulo de visão, e na duna ao lado puderam ver de entre restos ainda fumegantes do "Bonanza", os corpos carbonizados das vítimas, que foram dali retirados e levados para a praia, para em seguida de serem levados de traineira rumo à Baía dos Tigres, e dali, num avião da "TASA", para Moçâmedes. Do "Bonanza" apenas restaram as pontas das asas e da cauda.

Dado o alarme, os aviões facilmente localizaram o “Bonanza. Os depósitos de combustível copulados à cabine, e não nas asas, não permitiram quaisquer possibilidades de salvação. Ali encontraram a morte o piloto Carlos Alberto Teixeira, aos 28 anos de idade, o médico e delegado de saúde de Porto Alexandre, José Marques dos Carvalhos, aos 31 anos, e as jovens estudantes Carla Maria Marreiros Martins, Teresa Margarido, Conceição Maria Gonçalves de Carvalho, e Laurinda dos Santos Nascimento, de 14, 16, 12 e 14 anos, respectivamente. Pensa-se que o piloto tentara a perfuração de norte para sul, à entrada da baía, que tem 11 milhas de largura, e que fez um desvio ligeiro lateral que o levaria a bater na encosta de uma das dunas sobranceiras ao mar, que naquele local tem 180 metros de altura. O piloto Teixeira era muito estimado pela gentes dos Tigres. Era ele que lhes fazia chegar o médico e o padre, tão necessários à manutenção da saúde física e ao conforto espiritual de que careciam. Com ele ia também o medicamento e algum alimento, a complementar o que ali chegava juntamente com a água em navios, destinado aos tigrenses. Era ele que lhes levava os artigos indispensáveis à vida, os jornais a correspondência que lhes permitia estar a par de notícias sobre o que ia acontecendo longe dali, etc. etc. Eram as encomendas essenciais a quem vive isolado. As noticias que iam dando forças àquela gente para ali se manter na luta sem tréguas contra os elementos da natureza, pelo pão de cada dia, seduzidos e estimulados unicamente pela fartura piscícola daquele pródigo mar.



 

O piloto Carlos Teixeira que morreu no fatídico desastre



 TRIBUTO AOS QUE PERECERAM NESTE BRUTAL DESASTRE,,,


As quatro jovens estudantes, na flor da vida, vinham passar as férias escolares junto de seus pais e amigos que ansiosamente as aguardavam. Nos Tigres, a ansiedade e o pânico tomaram conta da estrita população, as horas iam passando, e o “Bonanza” não aparecia. Receava-se o pior. Quando a noite chegou, consumidas estavam já todas as esperanças de um reencontro. Algo de pior teria acontecido!



Recorte de jornal sobre o desastre sobre a queda da avionete "Bonanza"



O médico José Marques era também muito estimado pelos cuidados de saúde que dispensava à população. O desespero das famílias foi tal que Hilário Margarido, o pai de Teresa Margarido, tresloucado pelo sofrimento, partiu para o Deserto, a pé, munido de um garrafão de água, em busca da sua menina. A filha era a única pessoa de família que tinha por companhia, nas quatro paredes do lar, naquela aldeia onde a solidão era esmagadora. Teresa era a luz de seus olhos, o ser que restava de um casamento menos feliz. Oito angolanos pertencentes ao pessoal da traineira fizeram questão de o acompanhar. Caminharam pelo deserto fora durante 36 horas, na busca do “Bonanza”, até que perdidos e dispersos entre altas e escaldantes dunas, com os pés em sangue, e já sem água nem alimentos, foram localizados pelo avião militar incluido nas buscas, que lhes lançou uma mensagem comunicando que os tinham localizado em cima da zona de Riscos, na direcção do farol da Ilha dos Tigres, e que iam avisar para que “jeeps” de Porto Alexandre os fosse buscar. Pediram-lhes que se aproximassem mais da praia, da qual se encontravam afastados. Hilário Margarido já não teve forças para sair do local onde tombou, entre a vida e a morte. Foi recolhido por uma equipa de jornalismo da revista "Noticias" de Luanda, que cobriu a reportagem no deserto, sendo os restantes companheiros recolhidos por outras viaturas, excepto dois deles que caminharam na direcção do farol da Ponta Albina.

Os funerais realizaram-se em Moçâmedes para o Cemitério da cidade. Os pais do piloto, residentes em Porto Amboim, deslocaram-se a Moçâmedes para o funeral, onde se incorporaram muitos residentes. Foram suspensas as várias competições desportivas que estavam marcadas para a data.





Não tenho muito a avançar sobre a Empresa que disponibilizou o malfadado "Bonanza" que acabou no dia 17 de Junho de 1967, de maneira tão trágica. Tenho a ideia que pertencia a Fernando Rodrigues Ferreira, pessoa de iniciativa e valor, estimada em Moçâmedes, que depois de ter adquirido o brevet, resolveu trabalhar por conta própria, juntou-se a um sócio (Martins?), criou a sua empresa que segundo informações se desenvolveu e expandiu para Luanda, introduzindo a aviação particular regional em Angola, que muito ajudou, pela fluidez das ligações, a aproximação entre os povos, e o desenvolvimento das regiões de difícil acesso. Fernando Rodrigues Ferreira era um ex-camionista que fora empregado de Maurício Brazão, proprietário de uma loja em Moçâmedes, junto da Praça de Táxis.


Fica mais este relato para memória futura.

autoria de  MariaNJardim /

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 (1) Um projecto de construcção do caminho de ferro da Baia dos Tigres ao Humbe foi apresentado pela "Companhia de Mossâmedes" em 1899 janeiro 16 (Produção) .Parecer do Procurador Geral da Coroa e Fazenda, António Cândido Ribeiro da Costa. Pronuncia-se sobre o projeto de contrato a celebrar com "The Railway and Works Company Limited" para a construção de uma linha de caminho de ferro ligando Porto Alexandre (Baía dos Tigres) ao Humbe e com eventual prolongamento até à fronteira de Angola. https://arquivohistorico.ministeriopublico.pt/index.php/construccao-do-caminho-de-ferro-da-bahia-dos-tigres-ao-humbe-apresentada-pela-companhia-de-mossamedes#








Créditos de imagem: Fotos de Carlos Morais e do Livro "Baia dos Tigres", de Cecilio Moreira.

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https://vimeo.com/116848532?fbclid=IwAR2VjWA8akBLjjauhS0i5C6yJOhdAeURygpv1pZTAiIhwJl2HKEEqDfJdls