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10 janeiro 2013

Desportistas de Moçâmedes (hoje Namibe): Roberto Latinhas era um futebolista genial.

Pelo interesse para as gentes de Moçâmedes/Namibe, do blog de um conterrâneo retirei esta postagem que resolvi colocar aqui


O "Latinhas", terceiro a contar da esquerda, em baixo
Roberto Latinhas era um futebolista genial. 
DAQUI

Penso que ninguém  devia levar a mal por eu estar a prestar esta homenagem ao meu pai o "Latinhas" e de certo modo a Moçâmedes,  a nossa Welwitschia do deserto e a todos os meus familiares que lá nasceram, ou viveram e aos nossos amigos e conhecidos que nos deixaram recordações tão lindas e inesquecíveis.

Todos aqueles que conheceram o meu pai, sabem que ele era uma das pessoas mais conhecidas e castiças de Moçâmedes. Uma das razões é porque ele era um futebolista genial e a outra é porque ele era muito brincalhão e muito cordial para toda a gente.

Podem ver o Latinhas na linha de baixo nesta foto. Ele é o terceiro a contar da esquerda. Ele não tem o lenço na cabeça, talvez para tirar a foto antes do jogo começar.

O meu pai jogava a defesa central e tinha bons pés. Como era muito robusto quase sempre ganhava a disputa de bola, pelo chão ou pelo o ar. No entanto a sua grande arma era a “cabeça”. Ele tinha uma "cabeçada” genial, com muita força e com muito jeito. Ele podia dar a volta ao campo inteiro a dar toques de cabeça sem deixar a bola cair.

Não estou a exagerar se disser que o meu pai podia estar entre os melhores jogadores do mundo a jogar de cabeça. Por essa razão ele usava sempre o lenço na cabeça, tantas vezes utilizava a "cabeçada" num jogo.

Na foto debaixo ele deve ter-se esquecido de tirar o lenço, ou então a foto foi tirada depois do jogo. Ele está na linha de baixo, é o último da direita.


Na foto de cima, o Latinhas em baixo, é o último da direita.

 Seleção de Moçâmedes anos 50 - Latinhas em baixo, no centro.
3. Roberto Latinhas era um dos “cromos” de Moçâmedes 

Tirei o comentário em baixo dos Cromos de Moçâmedes, feito por Ricardo Duarte

Cromos de Moçâmedes

Comentário feito por Ricardo Duarte no seu blog:

Para começar eu abriria com uma do Sr Roberto Latinhas, também um cromo (com o devido respeito) de Moçâmedes. Chamo cromo com carinho porque o sr Latinhas (barbeiro em Moçâmedes) tinha muita piada.

na minha terra os carneiros não pagam pelo cabelo
Na sua barbearia sentou-se um rapagão loiro ("estrangeiro" desconhecido naquelas bandas) para cortar o cabelo.

O Sr Latinhas começa o corte e entretanto chega um freguês habitual e diz: Então Roberto quando é que posso cá vir?

Responde o Roberto Latinhas: Olha vem daqui a 15 minutos que estou quase a acabar a tosquia a este carneiro.

O Sr Roberto depreendeu que o loiro era mais um dos inúmeros estrangeiros que pululavam por Moçâmedes por aquela época e que trabalhavam no Porto Mineiro do Saco.

Quando acabou o corte o Latinhas pede o kumbu ao rapaz e ele responde: "Na minha terra os carneiros não pagam para ser tosquiados" e abalou porta fora sem pagar perante a cara de espanto do Latinhas. (Pensa-se que a personagem era um madeirense dos atuneiros).

4. Roberto Latinhas jogou contra Sport Lisboa e BENFICA EM 1950

Podem ver o meu pai “Latinhas” com o “lenço” nas duas fotos neste grande jogo contra o Benfica. Não sei quem ganhou, se alguém sabe, diga alguma coisa s.f.f.


 5. Roberto Latinhas tirou o lenço para a foto 

O meu pai é o primeiro do lado esquerdo em baixo, jogando pela seleção de Moçâmedes num torneio organizado no Lubango entre algumas seleções de Angola. Ele não tem o lenço para tirar a fotografia antes do jogo.


O Beto de Sousa está ao lado dele e a seguir é o Pinto relojoeiro. O Oliveira sapateiro é o primeiro de pé do lado esquerdo. Podem ver em cima o Carlos Bode, o guarda-redes da seleção.

Eram todos gente famosa de Moçâmedes, enfim mais alguns "cromos" famosos como o meu pai, mas havia muitos outros.

6. Roberto Latinhas podia aliviar a bola para muito longe 

tal era o chuto e a cabeçada...
Como defesa central, ele conseguia aliviar a bola com os pés da sua grande área até ao meio campo, tal era o seu chuto.

Durante os cantos e as jogados pelos extremos, ele colocava-se numa posição mesmo de frente à grande área adversária para receber bolas centradas e chegava a fazer golos de cabeça a grande distância da baliza, tal era a cabeçada dele.

7. Como treinador ele deu alguns campeonatos ao Benfica.

Depois de terminar a sua carreira como futebolista ele tornou-se treinador e o Benfica de Moçâmedes ganhou alguns campeonatos com ele como pode ver na foto em baixo.

Futebol: Sport Moçâmedes e Benfica: Campeões em 1959 e 1960
O terceiro jogador em cima, a contar do lado esquerdo, era o Madeira. Penso que ele morreu por volta de 1960, quando se deu o terrível incêndio no cinema do Sr Eurico de Moçâmedes. Notem que ele está nesta foto de 1959, mas não está na foto de baixo de 1960?
 O incêndio começou na sala da máquina de filmar e alastrou-se por todo o cinema criando um pânico indescrítivel entre as pessoas que procuravam escapar por todos os meios. Algumas pessoas que estavam na plateia de cima saltaram do 1º andar para baixo.
O Madeira, estava vindo do treino de futebol e passava naquele momento mesmo à frente da porta principal do cinema, quando uma chama saiu do cinema pela porta fora e ele foi colhido por aquela chama, sofrendo queimaduras mortais, morrendo logo ou vindo a falecer no hospital. 
Desculpem-me estar a relembrar este acontecimento tão triste. Se alguém lembrar-se deste triste acontecimento e tiver mais informações, dados, datas, nomes ou queira rectificar alguma coisa na minha informação é fazer favor de me contactar. 
O Latinhas à direita, deu mais este campeonato ao Benfica - 1960
Da esq. para a dt: em cima: Humberto Pinho Gomes (dirigente), Jorge Loures, Casimiro Jorge, Fernando Matias, Rui Bauleth de Almeida, Emilio Teixeira, Fernando Formosinho, Paiva e Roberto Martins(Latinhas-Treinador) Em baixo: Mário Eugénio F. Sousa (Zezo), David Proença, Carlos Roberto F. Sousa (Beto), João António Guedes, Mestre e Andrade.

8. O meu irmão Angelino era um craque também 

Todos diziam que o meu pai era um jogador excepcional e o meu irmão Angelino um craque. O Angelino jogava a médio atacante, mas com uma facilidade incrível, pouca vista, em aparecer como extremo ou ponta de lança.

Além disso, parecia que ele tinha um "íman" na bota direita, pois a bola ficava colada à bota e quem a tirava!? Ele tinha uma facilidade impressionante em conduzir a bola para a frente e driblar que era uma coisa por demais.

Juniores do Sporting de Moçâmedes campeões de Angola
Nesta foto, com toda a equipe técnica, o Angelino é o quarto em baixo a contar da esquerda. 

Esta equipe ganhou o campeonato de juniores de Angola.

9. Eu também dava uns toques 

Eu, Viriato, estou em baixo e sou o segundo a contar do lado esquerdo. Foto da seleção da Escola.

Eu joguei na equipe dos Juniores e Seniores do Sporting.  O Helder Canhoto, polícia em Portimão, era um jogador fenomenal (3º a contar da direita, de pé). O Monteiro (em cima, 5º a contar da direita, de pé)  o Monteiro era um tractor, levava tudo a frente. O António  Cruz ao meu lado direito, muito diplomático em tudo, na bola também.

Do meu lado esquerdo era o Maia (um primo meu em segundo grau) ao lado do Cruz podem ver o famoso João Batista. Podem ver pela cara que ele era mesmo um revolucionário - famoso!

Ainda na foto, na linha de baixo, do lado direito, o Vitória Pereira, filho do "Zé Mac-Mahon" Mário Vitória Pereira" famoso professor de física e química, que fazia tremer toda a malta, pois um murro dele era capaz de deitar um touro abaixo.

Selecão da Escola 

Sobre o Cruz, ele era meu colega de escola, colega de futebol e colega da Igreja Evangélica de Moçâmedes. 

Infelizmente ouvi mais tarde do falecimento do António Cruz, ainda muito novo. Nunca mais ouvi nada do seu irmão o Eduardo, ou da sua irmã Filomena e dos outros.

O pai deles o Sr Cruz trabalhava na Alfândega e era um dos fiéis da Igreja. O Sr Cruz ia a pé para a Igreja com toda a familia aos domingos, eles andavam quase 1 hora para a ida e mais 1 hora de regresso a casa! Quem  é que faria isto hoje?

Não vemos o Filipe nesta foto, que jogava como quarto defesa, ao lado do Helder Canhoto, na equipe do Sporting, mas merece ser referido aqui, pois ele era um grande jogador. Ele vem mais abaixo numa foto.

Eu vivi uns anos em Vila Real, e uma amiga nossa quando olhava (maliciosamente) para as pedras todas à volta dizia "Pucha Trás-os-Montes é uma terra de "calhaus". Perdoem-me transmontanos, estou a brincar, senão o meu filho mais novo, o Filipe, que nasceu em Vila Real, é um "calhau" também.

Moçâmedes, não era uma cidade de "calhaus", mas sim de "cromos". Quem me dera, poder falar de tantos que eu conheci, eram pessoas únicas, que se não nascessem tinham que ser inventados, como o meu pai, o Roberto "Latinhas"!

A nossa equipe de Juniores do Sporting chegou à meia-final do Campeonato de Angola.

Jordão, em baixo, segundo a contar do lado direito...
Nessa meia-final contra uma equipe do Lobito aonde jogava o Jordão, antes de jogar no Benfica de Lisboa. Bem, o locutor, só dizia, aquele ali, baixinho, tem posto o Jordão no bolso. É que o meu treinador, às vezes, dava-me a tarefa de pôr no bolso o jogador mais perigoso da outra equipe. E punha mesmo!

No Lobito, eles ganharam, com um frango, o nosso guarda-redes andou na borga e estava cheio de sono e nem saltou e a bola passou-lhe por cima. Foi logo substituido pelo Leopoldo!

No jogo em Moçâmedes, o Rui Moutinho, o Rui Kakinda, conhecem, aquele doido que jogava com o Cordeiro ao meio-campo, ele tinha cá uns pés, geniais, mas as "escarradelas" eram o ponto forte dele, decidiu enervar o Jordão e enfiou-lhe com duas "cuspidelas em cima".

Mas, Infelizmente, não conseguimos passar, eles passaram a eliminatória e foram campeões de Angola naquele ano, eu deixei o Jordão sair duas ou três vezes do bolso, as "cuspidelas" do Rui Kakinda não  deram resultado e foi fatal!

Vejam mais algumas fotos, pois de certeza se lembram de alguns amigos:

O Filipe que jogava ao lado do Helder Canhoto, está em baixo sentado do lado direito. O Caetano, de branco de pernas cruzadas e do seu lado direito o Nabal. O Leopoldo, um dos nossos guarda-redes, de branco entre o Caetano e Nabal.


A foto em baixo  é uma homenagem ao meu grande amigo António Cruz que podem ver em baixo do lado direito de chapéu, ao lado da Isabel. O António Cruz foi um dos amigos mais "fixes" que eu conheci. Podem ver pelas fotos dele, como era tão fixe". Podem ver a Vera, o Nabal etc


A foto em baixo serve para mostrar o "Zé Mac-Mahon" Mário Vitória Pereira" em baixo de bata branca, o quarto a contar da direita. Ao lado dele podem ver o Dr Balsa director da Escola.

Gostaria de mostrar mais fotos e falar de mais amigos, mas precisava de tempo. 

No entanto tenho que dizer alguma coisa de um grande amigo o Helder Vicente, mais conhecido por Chupa-Caca. Eh pá, a prónúncía dele, quando dizia: "ó qué qué tú pénsávás , já tá pánhéi".

E um dia apanhou-me mesmo e deitou-me para dentro de um tanque de água! E os tabefos que ele dava, meio a sério, meio a brincar e depois dizia  "vístés, já lévástés!"

Ele era o maior "cromo" de todos, perguntem ao Cordeiro, ou ao Mamedes, ou ao Gustavo "Pardal'. 

Não existem palavras para descrever o Helder "chupa-caca". Chegamos a assaltar os "figos" na casa dos pais dele, e os assaltos eram organizados pelo próprio "Chupa-Caca".

Mas para finalizar, alguém sabe do meu primo Calita Martins, em baixo do lado esquerdo, que vive em Estremoz? Conhecido por "Chipalhaia" (nem me lembro se escrevemos assim), ele era o  irmão novo da minha prima Maria de Fátima que trabalhava no Notário e da Piquenó casada com o Leston Martins (meu primo também). 

Eles, mais o Antoninho e o "Ico" que já faleceram, e o "Guinhas" (Albano que vive em Estremoz), eram filhos do meu tio António e da tia Judite que se ainda não morreu já tem mais de 100 anos (em 2013). Falei com esta tia "fantástica" ao telefone quando ela já tinha 94 anos!

Podem ver o Bitakaia, um grande guarda-redes e todos os outros "saudosos"!


10. A família de Roberto Latinhas

Além do Angelino, eu tenho mais três irmãos, nomeadamente o Mandoca (Armando), o Beto (Norberto), o Nito (o Rogério que já faleceu), o guarda-redes na foto em baixo e que cantava melhor do que o Cliff Richard, e tinha uma irmã, a Nita (Luisa).

O guarda-redes é o meu irmão Nito.
O Mandoca podia ter sido um pintor e desenhador muito famoso, se lhe tivessem dado a oportunidade. Podem ver um dos quadros dele, em baixo, o velho sentado, desenhado a lápis.

O meu irmão Beto, que vive agora em Armação de Pêra, era mais conhecido por "Beta marreta".

Ele era invencível e sempre que aparecia um suposto campeão, vindo de um outro bairro ou cidade, tinha que se haver com o "Beto marreta".

Nunca vi ele perder uma luta, tinha um soco que era uma autêntica "marretada", daí a alcunha.

Os meus tios eram também muito conhecidos em Moçâmedes:

O meu tio João Latinhas também jogava a bola e foi colega do meu pai na barbearia onde trabalharam cerca de 30 a 40 anos, ele era capaz de fazer rir um morto.

Um dos quadros do Mandoca
O meu tio Augusto Latinhas, um brincalhão de primeira classe também, que fez teatro, trabalhou durante toda a vida até vir para Portugal na Escola Comercial de Moçâmedes.

O meu tio António Latinhas que era o capataz do estaleiro de Moçâmedes morreu cedo, só tinha 53 anos, mas era um "cromo" incrível também, só quem o conheceu!

E o Zeca Latinhas, mais conhecido por "Straus" quem é que não o conheceu? Era também meu tio. Ele era casado com a tia Alice, nunca tiveram filhos, mas tinham cerca de 15 gatos! Mais um "cromo" famoso!

O meu tio Viriato Latinhas de quem eu tirei o nome, morreu muito jovem, talvez quando tinha 18 ou 20 anos.

Bem, não posso falar de toda a família aqui, é pena, pois tenho outros tios e tias e muitos primos e primas, também muito conhecidos em Moçâmedes ou na Huila (Sá-da-Bandeira)!

O meu pai tinha muitos irmãos e irmãs, eram 15 no total e o meu pai era o "caçula", o mais novo de todos.

Do lado da minha mãe Angelina, eram somente o tio Raul e a tia Irondina, mas estes tiveram muitos filhos e filhas (Boneca, Adelina. Graça, Nando, Nelo,  Nininho, Raul, Pedro, Zeca do lado do tio Raul e o Rui, Idalina, Armanda, Bela e mais uma prima, a mãe do Eduardo, do lado da tia Irondina.)

11. Roberto Latinhas era membro da Igreja Evangélica de Moçâmedes

Como muitos sabem o meu pai esteve envolvido com a Igreja Evangélica de Moçâmedes, que podem ver no fundo da rua, desde que eu nasci até deixarmos Moçâmedes.

Igreja Evangélica de Moçâmedes - em baixo.
Ele e a minha mãe Angelina estiveram muito envolvidos na Igreja, não só nesta mas numa outra Igreja num dos bairros pobres da cidade.

A minha mãe ajudava o trabalho no meio das crianças, senhoras e visitava a prisão.

O meu pai era um dos pregadores da Igreja.

Eles eram de facto muito fieís à causa de Cristo e ajudaram a espalhar a mensagem evangélica no meio de muitas famílias de Moçâmedes.
12. Fotos da minha família e da nossa Igreja que fundamos em  Vila Real

Centro Evangélico de Vila Real - Associação

Viriato e Janet em 2004 e Pedro (16) , Ricardo (15), Joana (14), André (13) e Filipe (8).


2004
2004











Como muitos sabem eu exerci a função de Pastor Evangélico desde 1976 a 2008. Primeiramente trabalhei com a Acção Bíblica durante 15 anos e depois fomos para Vila Real com uma missão inglesa a UFMworldwid, onde trabalhamos durante 16 anos de 1992 a 2008

Esta foto foi tirada em Vila Real, no Norte de Portugal, numa Igreja que fundamos. O edificio com cerca de 300 metros quadrados foi comprado por nós, com o apoio financeiro da Inglaterra. Com a compra e as obras custou cerca de 225.000 euros.

Eu estou em baixo no meio da foto e a Janet está de pé do lado direito. Os nossos cinco filhos também estão na foto.

Transferimos a Igreja e o edificio para a Igreja Assembleia de Deus - Santos em 2012.

13. Sites e blogues de Moçâmedes.

http://www.sanzalangola.com/galeria/albuo60/Enviada_por_MHV_MOC

http://www.mazungue.com/angola/index.php?form=Search&pageNo=2&searchID=289187&highlight=

http://amigosdonamibe.blogspot.co.uk/

http://carlosacebolo.blogspot.co.uk/2010/05/minha-terra-minha-gente-iii-mocamedes.html

http://memoriasdesportivas.blogspot.com/

http://mocamedesregistosefactos.blogspot.co.uk/2008/03/angola-momedes-minha-terra-eu-te-vi.html

http://www.flickr.com/photos/mocamedes_desporto/page4/ 

http://oquemevainaalmaenocoracao.blogspot.co.uk/2009/05/meu-irmao-rui-cabeca-de-pungo.html

http://www.flickr.com/photos/mocamedes_desporto/sets/72157600270423888/ 

http://mocamedesantigamente.blogspot.co.uk/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&max-results=1

http://www.youtube.com/watch?v=nc0acCl9N5k

http://memoriaseraizes.blogspot.co.uk/2007_07_01_archive.html


14. Mais alguns famosos de Moçâmedes.

Sporting Clube de Moçamedes Angola Esquadrão campeão de 1951 a 1954

Roberto Latinhas jogava nessa altura pelo Atletico por isso não o vemos no meio destes famosos. Mas jogou com alguns deles pela selecão de Mocâmedes.

Em pé: José Pedro Bauleth, José Costa (Caála), João Sobral, Jacinto de Sousa Velim, Lico Raúl de Sousa e Carlos Maria Inácio.
Agachados: Adriano Nascimento Jr. José Honorato, João Pinto, Mário Frota Tendinha, Carlos Lopes de Oliveira (Carlitos)
Crédito:http://www.flickr.com/photos/mocamedes_desporto/427676179/

1969/1970 uma das melhores equipes que jamais apareceu em Angola, a equipe de Porto Alexandre:



Do lado direito em baixo, o Estrela, um dos melhores extremos do mundo que eu vi jogar. Do lado esquerdo era o Gavino, não  dá para descrever, parecia uma gazela a correr, cobri-o algumas vezes. O Ganso ao lado do Gavino, mas falta o Ganso mais velho.

Eu joguei algumas vezes contra esta equipe.

15. Sobre amigos e encontros de moçamedenses:

Consulte o interessante site em baixo sobre amigos do Namibe:

http://amigosdonamibe.blogspot.co.uk/

O site em baixo possuie muitas fotas sobre encontros e reencontros onde pode ver pessoas conhecidas:

http://mocamedenses-encontros-e-reencontros.blogspot.co.uk/

18 outubro 2012

O cão da Baia dos Tigres, em Angola


  
Pequeno Historial da Raça
Rhodesian Ridgeback
( Leão da Rodésia)


IN "RHODESIAN RIDGEBACK CLUBE DE PORTUGAL"

Os Holandeses fizeram-se acompanhar dos seus cães (Terriers, galgos, mastins, etc.) aquando da colonização do Cabo (Africa do Sul), e bem cedo se aperceberam da total inadaptação desses cães ao clima, densidade florestal, doenças, etc. Por outro lado repararam que o cão que acompanhava os Khoikhoi ou Hottentotes, para além de robusto e aguerrido era extremamente ágil e rápido, resistindo a quase tudo, inclusive à sede. Havia ainda uma outra particularidade, esses cães ostentavam uma risca em forma de ponta de lança apontada para a cauda formada de pêlo inserido no sentido inverso ao da restante pelagem.
 
Na expectativa de criarem um cão mais resistente e adaptado, mas ao mesmo tempo com maior envergadura, já que os cães dos Khoikhoi eram pequenos, os Boers começaram a cruzar os seus cães com exemplares desse cão nativo. Conseguiram os seus objectivos, no entanto, deram origem a uma enorme diversidade de cães em tamanho, peso, cor, pelagem e até cabeça, tendo quase todos no entanto um factor comum, a citada risca em forma de ponta de lança (geneticamente, o factor dominante).
 
Em 1870 o reverendo missionário Charles Helm saiu do Cabo para estabelecer uma missão muito mais a norte (actual Zimbabwé / Ex.Rodésia), com ele levou dois desses cães, o “ Power “ e a “ Lorna “. A missão foi construída e por lá passavam caçadores e viajantes com o fito de saber noticías, descansar, e até de recuperar de doenças ou ferimentos. Um desses caçadores, Cornelis Van Rooyen que, apercebendo-se do potencial desses cães para caça maior, logo resolveu adquirir alguns, treinando-os para posterior utilização na sua caça preferida, o leão.
 
Van Rooyen foi considerado no seu tempo o maior caçador de leões do Mundo, a sua fama e feitos ultrapassaram fronteiras e continentes, bem assim como a fama dos seus destemidos cães, de tal forma, que em finais do século XIX todas as grandes quintas da Rodésia e quase a totalidade dos caçadores dessa área possuíam pelo menos um “ galgo Van Rooyen “ ou “ cão leão Van Rooyen “ como eram conhecidos.,
 
Em 1915, Francis Richard Barnes adquiriu “ Dingo “ descendente de um “ Cão Leão Van Rooyen “, e ficou de tal forma fascinado pelas suas excepcionais qualidades que, quando saiu de Salisbury para Figtree, onde construiu a Quinta Eskdal, fundou também um canil com o mesmo nome para criação desses famosos cães (Eskdal kennel, o canil pioneiro e um dos mais famosos).
 
Em 1922, Mr. Barnes convocou uma reunião de proprietários de “ Ridgeback “ com o propósito de fundarem um clube dessa raça (The Parent Club), e definirem entre eles um standard para posterior reconhecimento da mesma raça. Decidiu-se tomar como base o standard do “ cão da Dalmácia “ com as necessárias e devidas adaptações. A raça foi reconhecida em 1925 tendo o standard ainda hoje se mantido com ligeiras alterações, sendo as mais salientes  a circunscrição da cor branca às patas e peito e a erradicação da cor raiada.
 
Muito importante foi ainda o contributo do major Vernon Brisley e dos seus “ Viking dogs “. Para muitos o Major Brisley foi o maior motor para a consolidação desta raça, aliás, se recuarmos nos pedigrees de 80% dos “ Rhodesian Ridgeback “ encontramos de certeza um cão do canil“Viking “. 
 
Nos últimos 30 anos pontificaram dois excelentes canis de onde saíram os melhores exemplares , trata-se dos canis com os afixos “ Mushana “ e “ Glenaholm “.
 
Existem cães com ridge no dorso em cinco outros lugares do planeta, na ilha de Phu Quoc (Golfo do Sião - actual Vietname), no Cambodja, no sul da Tailândia onde são chamados “Mha Kon Klab“, em Timor onde lhe chamam “ riscas “, e na Baia dos Tigres, sul de Angola.
 
Nos três primeiros casos, as opiniões dividem-se quanto à proveniência desses cães, uns opinam de que foram mercadores árabes que os trouxeram; outros, que foram os Holandeses (Companhia das Índias, cujos navios debandavam o Cabo e Malaca), outros ainda e mais credível, que foram os portugueses. Patriotismo à parte, não podemos esquecer que as naus portuguesas antes de atravessarem o Índico faziam a última aguada em Moçâmedes, terra de Macubaios, Ganguelas e Kamussekeles todos tribos Khoikhoi ou Hottentots, não podemos esquecer também que muito antes dos Holandeses já os Portugueses demandavam o Golfo e Reino do Sião e Malaca, devemos de ter em conta ainda, que os Portugueses tiveram um tratamento preferencial,
 
todos tribos Khoikhoi ou Hottentots, não podemos esquecer também que muito antes dos Holandeses já os Portugueses demandavam o Golfo e Reino do Sião e Malaca, devemos de ter em conta ainda, que os Portugueses tiveram um tratamento preferencial, inclusive deixaram estabelecê-los em Ayuntya antiga capital do Sião, pelo que não será de estranhar a existência desses cães exactamente onde os Portugueses antes de todos os outros fizeram a sua comercialização de bens, principalmente armamento, sendo que a ilha de Phu Quoc , hoje Vietname , pertencia ao tempo ao Reino do Sião e era um lugar quase de certeza, isto pela sua localização, ideal para fazer aguadas e incursões a terra para venda do seu material , tanto ao reino do Sião como ao do Cambodja, por outro lado, é sabido que nas naus Portuguesas eram utilizados cães para defender as provisões dos ratos, sendo esses cães pequenos de tamanho para poderem entrar no cavername, não sendo portanto de estranhar que fossem cães dos Guenguelas pela sua resistência.
 
 
Quanto ao “ riscas “ é mais que certo que foram os Portugueses que fizeram a sua introdução em Timor, tanto mais que a sua maior concentração é nas montanhas que distam muito pouco de Dili.
      
 
No que respeita ao “ cão da Baia dos Tigres “ a situação é totalmente clara. No principio do século XX ocorreu um surto de raiva na zona de Moçâmedes, o governador provincial decretou imediatamente que fossem abatidos todos os cães, no entanto, alguns donos condoídos e revoltados com o decreto de extermínio resolveram embarcar na calada da noite algumas dezenas de cães numa embarcação e rumaram ao sul, quiçá, com o intento de posteriormente os recuperarem, desembarcaram-nos numa zona inóspita e deserta chamada “ Baia dos Tigres “,outrora uma península, mas transformada pela natureza em ilha desde 1940 aproximadamente, o governador apercebendo-se da habilidade, manteve o decreto por perto de cinco anos, inviabilizando assim a recuperação dos canídeos.

Na “ Baia dos Tigres “ imperou a lei da selva e dos mais fortes e audazes, podemos até imaginar cenas de autêntico terror e canibalismo, só os mais fortes e capazes sobreviveram, entre eles estavam alguns cães Khoikhoi e alguns com eles cruzados, tal como acontecera no Cabo também os Portugueses cruzaram os seus cães com os dos Khoikhoi. Por via do factor geneticamente dominante, hoje existem matilhas de cães selvagens que na sua maioria ostentam na sua pelagem uma ponta de lança no dorso voltada para a cauda, estes cães alimentam-se de peixe, focas e albatrozes, são excepcionais nadadores, tendo-se adaptado ás condições mais duras e adversas de Angola e talvez do Mundo, são de uma ferocidade e auto defesa incríveis, inclusive, para se dessedentarem, e em virtude da água potável ser inexistente, bebem as pequenas partículas de água doce que existem no topo das ondas aquando da rebentação.  ORIGEM