19 março 2008

Lucira: Moeda não fiduciária





1. Foto que nos mostra uma perspectiva bastante agradável da Lucira (distrito de Moçâmedes)

 



 


Lucira: Moeda não fiduciára I & I (Inácio & Irmão ?).






Chegou-me às mãos esta imagem com o pedido da sua identificação e origem. Sabe-se apenas que se trata de uma moeda emitida por uma antiga empresa domiciliada na Lucira e supostamente denominada Inácio & Irmão. Terá alguma ligação com a empresa de João Maria Inácio - Lucira (Angola), da época colonial? Algum leitor saberá informar?


Não quer dizer que seja este o caso, mas recebi esta mensagem de um leitor, que dá uma explicação lógica para a existência deste tipo de moedas. Ela aí vai:

«Estas moedas serviam de pagamento aos contratados ou seja; o salário era pago em tantas moedas e o restante em angolares com o intuito destes gastarem as moedas nas suas despesas nas cantinas dos próprios patrões. Como se sabe certos empresários tinham cantinas quer nas pescarias quer nas fazendas e usando este método os valores acabavam por ficar de novo nos bolsos dos patrões por não se poder gastar noutro local. Era uma moeda de troca dentro de uma empresa e com determinado valor. Espero ter contribuido para algo.
(Cabeto Benguelense )»

Obrigado Cabeto Benguelense pela informação. Uma coisa é certa (passando por cima da ideia de exploração, se é que se enquadra a este caso), se não houvesse alí uma pescaria com uma dessas cantinas, onde o pobre pessoal poderia aceder a alguns bens essenciais, no isolamento daquela terra?

E para quem estiver interessado em dar um olhada a notas antigas de Angola, é só clicar AQUI


4 comentários:

Maisa disse...

O meu pai diz que de facto o meu bisavô (Joao Maria Ignacio) emitiu moedas, sabe-le em que epoca. Ele diz lembrar-se de ver algumas, mostradas pela sua tia Tita, mas nao se lembra que inscriçao teriam.
Irmao de Joao Maria Ignacio era o Artur, e parece que em dada altura foram socios sim. (Ignacio & Ignacio; Ignacio & Irmao???)
Espero ter contribuido para uma pesquisa pela qual passo a interessar-me e muito pois podera ter a ver com a minha familia.
Maisa

Anónimo disse...

estas moedas serviam de pagamento aos contratados ou seja; o salario era pago em tantas moedas e o restante em angolares com o intuito destes gastarem as moedas nas suas despesas nas cantinas dos próprios patrôes.Como se sabe certos empresários tinham cantinas quer nas pescarias quer nas fazendas e usando este métode os valores acabavam por ficar de novo nos bolsos dos patrôes por nâo se poder gastar noutro local.Era uma moeda de troca dentro de uma empresa e com determinado valor. Espero ter contribuido para algo.
( Cabeto Benguelense )

JSalgado disse...

Óptimas notícias!Agradeço a Maisa e a Cabeto Benguelense as suas mensagens.Vou iniciar a procura de
mais informações e terei muito gosto em publicar aqui aquilo que conseguir.
Jaime

jsalgado disse...

Maisa, consegui localizar no Anuário Comercial de Portugal, 1935, em Moçâmedes o seguinte:
Armações de pesca - João Maria Inácio e Artur Maria Inácio tendo como actividade armações de pesca;
João Maria Inácio, comerciante, lavrador e agricultor fazenda Boa Esperança (Carunjamba)
Já no Anuário Comercial de Portugal de 1945 consta, em Lucira:
Casal Herdeiros João M. Inácio tendo como actividades : Exportadores e pescarias, Fábrica de farinhas e óleos de peixe, Lavradores e agricultores, Armações à valenciana e Cêrco e arrasto.
Em relação à firma I & I (a qual também penso que se trate de Inácio & Irmão) não há qualquer referência. Saudações cordiais jsalgado

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