

Um amigo meu teve a gentil ideia de me enviar um catálogo relativo ao «1º Salão de Fotografia do Mar» (1973), realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito com o fim de promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza marítima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123º aniversário da chegada à Baía de Moçâmedes da 2ª Colónia de Povoadores Portugueses oriunda do Brasil.
Desse catálogo, resolvi colocar aqui, a capa, uma foto do mar de Moçâmedes com traineiras a sulcá-lo e este belo poema do poeta moçamedense, Angelino da Silva Jardim, que vem colocado na página central:

O Mar!
Bate o mar!
Ressoa nas cavernas do meu peito!
Velho monstro a rosnar
Raivoso e eternamente insatisfeito!
Atira-se, impensado, na vertigem
Da sanha que o devora!
Os seus gestos não fingem!
Sinto a sua verdade quando atingem
A alta penedia onde o meu sonho mora!
Eterno revoltado
Inconformista e louco,
Ergue o possante dorso musculado
E atira à rocha o grito fero e rouco!
E dia e noite fora,
Na sua danação – minaz desesperança –
Luta, esbraveja, escuma a toda a hora;
Grita, tressua, salta e não se cansa!
Arrasta atrás de si, na mesma fúria louca,
A força incontrolável das marés!
E rindo e praguejando escancara a boca,
Arrepela o cabelo e escarva com os pés!
...............
Na penedia alta,
Onde o meu sonho mora,
O velho mar que salta
É a minha razão de toda a hora!
Angelino da Silva Jardim