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20 março 2010

Ponta de Pau do Sul: um miradouro sobre a cidade e a baia. Brito Aranha e a costa maritima de Moçâmedes.

[Eu,+Betinha+e+Gracietinha+no+mirante.jpg]

O MEU OLHAR

O meu olhar é nítido como um Girassol.Tenho o costume de andar pelas estradas, olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento é aquilo que nunca antes tinha visto. Eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial, que tem uma criança se, ao nascer reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do Mundo
Alberto Caeeiro 
(foto: a autora do blog e amigas na Ponta do Pau do Sul , um miradouro sobre a cidade. 1956)
[BAIA.JPG]
 Mossâmedes é já Namibe

NAMIBE

Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.

E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola 1968
Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»
Mossãmedes: centro histórico e Avenida 
Mossâmedes finais dos anos 1930
 
Na falésia da Torre do Tombo com as pescaria e a cidade como pano de fundo. 1955

Pescarias da Torre do Tombo antes da construção da marginal e cais.1950


De Brito Aranha in Archivo pittoresco, Volume 10, p. 11:

«...Fica a bahia de Mossãmedes (nome que lhe foi posto em 1785 pelo tenente-coronel de engenheiros L. C. C. P. Furtado, quando foi estudar toda essa costa), antiga Angra do Negro, e em lingua do gentio Mussungo Bittoto, entre as pontas do Girahúlo, (cabo Euspa) e a Grossa ou do Noronha. 

 Ponta do Giraul

«...Estende-se a ponta do Girahúlo, que é rasa, pouco saida e muito cortada a pique, em 15° 11' 30'' S. (1). e 21° 12' 30" E. Muito perto dessa ponta, e em linha que vae d'ella á fortaleza, se pruma em 30m,5, e se encontram depois, successivamente, 24, 82, 92, 99, 55, 238 e 293 metros.
 Pontal a norte do farol do Giraul

«...Segue d'alli a heira-mar, toda pedrada e negra, obra de 3 milhas para SE 4 1/4 S. até á ponta Redonda, a qual tira o nome do feitio que tem, e é tão alta e tão ingreme, que se acham 36 metros, fundo de pedra, nas suas visinhanças; cresce muito rapidamente o fundo para 84 SE. d'essa ponta, e tanto que se pruma em 261 metros a milha d'ella; mais para S., n'esse mesmo alinhamento, se acham 20 c 14 metros perto da costa meridional.
 

«...Pouco para E. da ponta Redonda se abre o Saco do Girahúlo, enseada com praia de areia, e depois se vae arqueando a bahia para S., e formando um reconcavo, todo guarnecido tambem de praia de areia, até á ponta Negra. Sobre esta, que é alta, pedregosa e escura, se levanta a fortaleza de S. Fernando, começada a construir em 1840, e que pode montar 8 peças.

A Fortaleza em finais do século XIX
 O morro da Torre do Tombo e pescarias primitivas em finais do século XIX

«...Vae arenosa e de meã altura toda a costa desde a ponta Negra, e se encurva para formar o Saco do S., enseada que termina pela banda de 0. na ponta Grossa ou do Noronha. No recanto do Saco, onde começa a terra de subir, se levanta a chamada Torre do Tombo, morro argilloso, macio e talhado a pique para a banda do mar, onde se lêem os nomes de vários navios que tem aportado a Mossamedes, e os de muitas pessoas que visitaram aquelle sitio 2.

Uma das famosas grutas nas inscrições do Morro da Torre do Tombo. No vapor Índia chegaram em 1884 os 1ºs colonos madeirenses rumo ao Lubango. No vapor Sado desembarcou aqui uma colónia de alemães e alunos da Casa Pia em 1857.



Na base da falésia (Morro*) da Torre do Tombo, com as obras do cais e marginal e aterros em execução. 1956

 A ponta do Noronha (Pau do Sul) e baía. Anos 1920

«...Segue-se a ponta do Noronha, que é alta, pedregosa, cortada a prumo, amarellada e sita a 2 milhas e tres decimos da ponta Grossa; sobre ella, e em 15° 13' 30", torreia uma guarita com o seu pau de bandeira.

«...Passada a ponta do Noronha recurva-se muito a costa, e forma uma enseada, que termina da banda ponta da Annunciação, ou da Conceição, que é rasa, negra e so a custo se percebe do mar. Fica esta em 15° 16'.

Sobre a ponta do Noronha (Pau do Sul), vislumbrando o Canjeque e a Praia Amélia... 1956

«...Milha e seis décimos para O1/2 NO. da ponta de Noronha fica o extremo septentrional do baixo da Amélia (nome que lhe foi posto por ter naufragado alli, em 1842, a escuna de guerra portugueza Amélia), muito perigoso por quebrar so de vez em quando, apesar de ter pelo geral uns tres metros de agua, e 0m,9 em alguns sitios, É todo de rocha e argila, tem na falda Occidental 2m,2, 3m,5, 4m,5 de agua, e 7m,9 e 11 na septentrional; perto d'elle e da banda do O. se encontram 22 metros e mais, e separa-o do continente um canal por onde so devem navegar lanchas. Ha, porém, quem afirme ter visto navios de guerra inglezes passar por entre o baixo e a praia da Amélia, que lhe fica fronteira: julgámol-o, porém, muito arriscado, assim por poder acalmar alli o vento e encostarem as aguas para cima do baixo, como por haver sempre seu rolo de mar.

O  Canjeque e pescarias, por ocasião das grandes calemas de 1955

«...Dilata-se o baixo da Amelia por entre 15° 14' e 15° 18' S., e vae até a umas tres milhas da costa.

«...Afoitamente se pode navegar por aquellas paragens, em quanto estiver a ponta Negra descoberta da do Noronha, marca larga do extremo setentrional do baixo, e que passa uns oito decimos de milha para N. d'elle.
A ponta do Canjeque, entre a Ponta do Noronha e a Praia Amélia

«...Indo do S. em demanda do ancoradoiro de Mossamedes, monte-se a ponta da Annunciação á distancia de 3 milhas e meia, e siga-se para N., sem chegar á terra, até descobrir a ponta Negra; deite-se depois para esta, ou um tanto para N. d'ella, a fim de ir pelos 24 metros de fundo nas visinhanças da do Noronha, e não por menos, porque póde acalmar o vento á sombra da ponta.

«...Indo do N. deve-se dar resguardo á ponta do Girahúlo, por encostarem muito para lá as aguas e não se poder fundear.

 A ponta do Noronha (Pau do Sul), a baía, a ponte, navios de carga, palhabote, batelões, barcos de pesca. Início do século XX

«...Ha quatro ancoradoiros na bahia de Mossamedes: o dos navios de guerra e navios em franquia, em 26 metros, no alinhamento das pontas Grossa e do Noronha, a egual distancia das duas, e a meia milha da terra mais proxima: é bom sitio para velejar, pois se póde sair de bordada. Diminue muito gradualmente a fundura desde esse surgidoiro até a uns dois decimos de milha da terra, onde se encontram 5m,4.»

«...Embarcacões que tencionem demorar-se muito podem fundear a quarto de milha da praia, pouco para N. da Torre do Tombo, e.em 9 metros ou 6m,4.»

«...Acha-se terceiro ancoradoiro, bom para os navios mercantes que tiverem de carregar ou descarregar, em 16 ou 18 metros perto da praia onde se levanta a povoacão.»
 As antigas pescarias em 1950

«...Há, finalmente, o fundeadouro das embarcações de pesca, e outras de pequeno lote, quasi no rolo da praia fronteira á villa.»

A  Praia da Miragens,  a ponte  os carris de ferro, o piquete da guarda fiscal, os barcos no mar e na praia, algumas construções, entre elas o edifício dos Caminhos de Ferro (em fase de construção) e o Observatório Metereológico. O antigo colegio das Madres, as casuarinas, e ao fundo...a foz do Bero




«...No recanto NE. despeja, em tempo de chuvas, o rio Béro ou das Mortes, cujo leito atravessa o sitio das Hortas. Correm com tal velocidade as aguas d'este rio, em algumas occasiões de grande cheia, que se levam para cima de 8 milhas por hora. Do extremo da margem esquerda do rio Bero parte para NO. um baixo com perto de milha de comprido. Tem o rio agua de beber, e sem custo a deixa tomar, quando calema: será, porém, necessario ir recehel-a de manhã cedo, antes de calar a viração, porque mais tarde açoita o mar aquellas paragens e é custoso de voltar ao surgidoiro: devem as embarcações que a empregarem na faina da aguada fundear perto da foz do Béro e da banda do N E. da restinga. Acha-se tambem optima agua abrindo cacimbas no terreno das Hortas.»

http://geologicalintroduction.baffl.co.uk/wp-content/uploads/2009/01/desertcanyon1.jpg
 Mesetas no Deserto do Namibe

«...Nas alturas de Mossamedes se erguem as banquetas chamadas Mesas dos Cavalleiros ou dos Carpinteiros, parecidas com outras que se prolongam desde o parallelo de 14° 30' para S., mas distinctas por serem tres e eguaes. São boas marcas para navio que estiver amarrado.»

«...Por sobre a terra alta visinha da fortaleza, e pelo areial para E. da ponta Negra, se avista a villa de Mossamedes.»

A cidade  de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe), no início do século XX

«...Ja no areial é que fica a maior parte das casas, bem alinhadas, quasi todas de um andar so e em ruas espaçosas. Entre a fortaleza e a Torre do Tombo estão a egreja, um hospital militar, pequeno mas aceiado, e outros edificios.»

                                                  Palácio, Igreja e Hospital na Avª Felner, Mossâmedes

«...Rapido ha sido o desenvolvimento da villa, o que em grande parte se deve attribuir á bondade do clima, muito parecido com os mais sadios da Europa. Sente-se alli frio, anuvia-se o tempo e são humidas as noites em julho e agosto, mezes em que a altura média barometrica anda por 76O a 765 millimetros. De annos a annos desaba alli fortissimo terral de E., que traz grande copia de po muito incommodo e produz graves doenças.


Uma aldeia indígena

«...Nas suas visinhanças, e especialmente para o lado do NE., se levantam muitas libatas de negros, quasi todas mucubaes, cultivando especialmente o milho, e possuindo grandes manadas de gado vaccum.

«...Ha bom desembocadoiro no areial fronteiro á povoação baixa, e ao abrigo da ponta Negra: deve-se, porém, fugir de uma lagoa que fica ao lume d'agua e pela parte de dentro d'aquella ponta.»

by Brito Aranha.

Archivo pittoresco, Volume 10 Redigir



* O morro da Torre do Tombo, famoso pelas grutas escavadas a punho na rocha branda, e pelas inscrições ali deixadas impressas em tempos remotos por mareantes que por alí passavam e alí vaziam aguada, ou seja, abasteciam-se de agua e descansavam, e que mais tarde serviram para abrigar alguns colonos fundadores da cidade, vindos de Pernambuco, Brasil,  em 1849 e1850, bem como algarvios que a partir de 1861 deram início a umas corrente migratoria que se estendeu por todo o sáculo XX .


16 março 2010

Junto do Farol da Ponta de Pau do Sul em Moçâmedes, Namibe, Angola, 1954

[AIA640.jpg]


 

1ª foto. A ponta do Pau do Sul, ou Noronha.

2ª foto. Grupo de jovens de entao (1954), junto da "casa do farol" da Ponta do Pau do Sul ou Ponta do Noronha,  no topo da falesia  que circunda a baia, na Torre do Tombo. 

3ª foto. Nesta figura podemos ver melhor como era este farol e a "casa" que o suportava. O actual farol possui características completamente diferentes, para além de ser mais alto, encontra-se colocado no chão, ao lado da casa e não  por cima dela, e tanto a casa como o farol encontram-se rodeados por uma cerca.

Deste grupo de mocamedenses, cinco das quais  eram na epoca basquetebolistas do Ginasio Clube da Torre do Tombo,
reconheço, de cima para baixo e da esq. para a dt:
1. Francelina Gomes (Ginásio) e Olímpia Aquino
2. Violete Velhinho, Lurdes Infante da Câmara e Paula Ferreira (Ginásio)
3. M. Nídia Almeida(Ginásio), Celísia Calão(Ginásio) e Helena Gomes (Ginásio)
4. Georgete
Foto gentilmente cedida por Olímpia Aquino
Informações sobre este farol  AQUI

Farol atraves do Google via satelite AQUI

A Escala Vai Começar 

(dedicado ao  Sr. Domingos , um pescador de eleição)


Foi assim que, de repente, hoje acordei
e surpreendido senti, como quem sonha,
que era lá que me encontrava, e não aqui
- surpresas do mundo da poesia, bem sei –
mas estava lá, bem na Ponta do Noronha.

Aos meus pés, a penedia, o Mar e a baía.
Acredita. Não pode haver mais feliz despertar.
A manhã clara, o mar calmo e transparente
mostravam a vida que nele vivia febrilmente
e, à tona, estrelas corriam no espelho cristalino,
revelando, a cada instante, imensos cardumes
a perseguirem-se, levantando brilhos e lumes.
Nas ricas águas, sob um céu azul ultramarino.

No ar, passam alegres bandos de gaivinas,
Gaivotas e garajaus que não cessam de grasnar
e, depois de quase parar, num constante vaivém,
a pique mergulham, perseguem o peixe e vêm
com o fruto do seu lidar, nos bicos a agitar.
Ajeitam e engolem-no. É o seu melhor manjar.

De repente noto movimentos e gritaria nas pontes
Que ao longo da beira-mar se espalham, em profusão.
Negros, Mulatos. Brancos, na maioria contratados,
Falam alto, fazem apostas e com os braços apontados
Vão dizendo os nomes dos mestres ou da embarcação
Que mais se destacada vem, ou de todos juntos, aos montes.

São os pescadores que regressam de uma noite de labor,
Que agora ali vêm, felizes, trazendo o fruto do seu suor
e, ansiosos de primeiro chegar, e sua mulher e filhos beijar
pela vitória da canoa ou traineira, acabadinha de comprar.
Nas pontes alinham-se homens e bancos: a escala vai começar.

Nesse momento alguém me chama, no meio daquela agitação,
- Hoje é dia de trabalho. Toca a levantar! – São seis horas João!
E pronto! Lá se foi a minha alegria, todo o encanto e satisfação.



João M. Mangericão
( Neco )
Barreiro, 9.08.2005





25.Nov.1913 Da Revista Colonial encontramos sobre faróis:
"Por Mossamedes . -Novo PHAROL : Inaugurou-se em 5 de Outubro o pharol da Bahia dos Tigres, cujas
características são : Luz branca, alcançando l2 milhas ; está assente sobre uma torre quadrada, de ferro, da altura de 20 metros acima cio nivel do mar. As coordenadas approximadas são : Latitude
16 .30.20 Sul ; Longitude 11 .42.50 Leste (Green .). SERVIÇO HELIOGRAPHICO. Vão brevemente ensaiar- se estas" communicacões entre a Ponta Albina (Porto Alexandre) e Baleia dos Tigres, que,
apesar da sua importancia política e estrategica, ainda não tem communicacões telegraphicas, nem seabe, sem embargo de tantos e forros empregados, quando as virá a ter. Para estragar, para destruir temos uma habilidade ultra rara ; para construir, é que se vé ! Havemos de arranjar alguns votos hala o caciquismo dominante, a ver se os governantoelshamm para isto com alais carinho . . .»