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28 novembro 2009

Peregrinação da imagem de Nossa Senhora de Fátima por terras da então África portuguesa: passagem por Moçâmedes (1948)





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

As famílias de Francisco Velhinho, Joaquim Gregório, António Paulo (A. da Rita) e Silva, junto do arco erguido em plena Avenida Felner, em frente e suas casas, Trata-se da Avenida sobranceira ao mar que liga a baixa da cidade à Torre do Tombo. Peregrinação da imagem de Nossa Senhora de Fátima 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
Em 1948,  no decurso de uma peregrinação  por terras de África,imagem de Nossa Senhora de Fátima fez a sua  passagem por Moçâmedes.

A imagem, vinda da Cova da Iria, em Fátima (Portugal) chegou à cidade num avião da TAG, onde a esperava uma multidão de gente, que acenava com lenços brancos numa manifestação de grande fervor religioso jamais alguma vez acontecida em terras do Namibe. Em seguida a Imagem foi colocada no cimo de um andor, tendo-se formado uma extensa procissão que desde o antigo campo de aviação (o nome que dávamos à velha gare situada já em pelo deserto do Namibe),  foi percorrendo as ruas da cidade que se encheram de colchas às janelas, de arcos  de trunfo enfeitados em cada quarteirão com grinaldas de flores de papel, bandeiras, disticos, etc., em cuja construção toda a gente colaborou.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A procissão, cumprindo o programa pré estabelecido pela organização, da qual tinham feito parte entidades camarárias e do governo civil, bem como padres da Igreja e senhoras da Acção Católica, prosseguiu rumo ao antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim, onde se realizou uma missa campal e comunhões.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
Por toda a a cidade ergueram-se arcos idênticos por onde a procissão iria passar, tendo os moradores de cada quarteirão partiicipado na sua construção e  alindamento com verduras, flores, fitas, etc., etc. A 3ª foto permite ver mais de perto esta mesmas familias. 
 
6ª foto: A procissão passado sob um dos arcos erguidos na cidade, este  na Rua da Praia do Bonfim, já próxima do campo de futebol. À esq. reconhece-se Fernanda Pólvora Dias, membro da JIC (Juventudo independente Católica, cuja «farda» era saia azul escura e blusa azul clara.) Repare-se o grupo de crianças ao centro vestidas de pastorinhos.
7ª foto: Senhoras de Moçâmedes carregam ao ombro o andor, enquanto elementos da Mocidade Portuguesa fazem a guarda de honra devidamente fardados e carregando ao ombro espingardas manelika...
8ª foto: A procissão passando junto da Secretária da Escola  Comercial de Moçâmedes e do Departamento da Mocidade Portuguesa, dirigindo-se para a Rua das Hortas, na parte beixa e central da cidade. Em frente da procissão, Augusto Martins (à época funcionário daquela Escola) . Seguem-se as irmãs Ildete e Luisa Bagarrão, Umbelina Seixal e a avó das duas jovens.
9ª foto: Carregando do andor. Junto da imagem de Nossa Senhora, José Pestana (o Sr. de cabelos brancos).
10ª foto: idem
Inclui algumas fotos tiradas por Antunes Salvador
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Participaram nesta procissão, que percorreu serpenteando várias ruas da cidade, representantes das forças vivas da cidade, entidades oficiais, alunos e alunas de todas as Escolas da cidade e distrito (as raparigas de bata branca ou vestidas com saia azul escura e blusa branca, consoante a instituição de ensino que frequentavam, escolas públicas ou Colégio das irmãs Doroteias; os rapazes, fardados da Mocidade Portuguesa), o corpo de bombeiros voluntários trajados a rigôr, as irmãs da caridade, os professores e professoras de todas as escolas, gente de todas as profissões e de todos os extractos sociais:advogados, juizes, médicos, engenheiros, industriais, comerciantes, funcionários públicos, bancários, caixeiros, agricultores, pescadores, serralheiros, pedreiros, homens de capacete, senhoras com véus rendilhados, serventes, criados, cozinheiros, lavadeiras, etc,  sem distinção de idades, sexo, posição social e côr da pele. 
 
 
 
 
 

Terminada a missa e as comunhões, a procissão prosseguiu o trajecto até à Igreja Paroquial de Santo Adrião, onde a imagem de Nossa Senhora ficou colocada junto do altar. Durante toda a noite a Igreja, iluminada esteve de portas abertas, com gente que entrava e saía, rendendo-se, numa «velada» à Santa da sua devoção, com terços, cânticos, comunhões e orações. 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No dia seguinte, foi a vez da cerimónia da benção do mar. Centenas de barcos de pesca de todas as artes, provenientes de todo o distrito, bem como barcos de carga e de transporte, devidamente engalanados e completamente apinhados de gente, percorreram a baía, em procissão, de ponta a ponta, e o mesmo aconteceu quando do transporte da imagem para a ponte de desembarque, entre a Fortaleza de S. Fernando e a Praia das Miragens. Já em terra, organizou-se de novo a procissão, agora rumo ao Aeroporto, o velho «campo de aviação» como era vulgarmente chamado, e as manifestações de fé voltaram a repetir-se.
 
 
 
 
 









 
  Momento da procissão marítima/benção do mar, onde podemos ver algumas traineiras engalanadas e carregadas de crentes e curiosos, sulcando as águas da baía de Moçâmedes, tendo como pano de fundo a cidade. Aspecto da baía e ponte de embarque/desembarque por ocasião da mesma procissão marítima/benção do mar . Repare-se o pormenor da ponte cheia de gente. À esq. reconheço o moçamedense Álvaro da Silva Jardim.
 
À partida, foi a cerimónia do ADEUS. Algo de impressionante, com milhares de lenços brancos a acenar, enquanto a imagem deixava o andor e, transportada aos ombros era levada para o interior do avião, enqauato pombas brancas eram lançadas e pétalas de flores esvoaçando cobriam o espaço envolvente.

Moçâmedes nunca tivera uma visita assim. Os moçamedenses mais idosos recordavam-se da visita do Principe Luis Filipe no início do Século, e da visita do Presidente Carmona, em 1938, mas esta era diferente. Nossa Senhora Peregrina estava ali em nome da Paz e da reconciliação entre os povos, para todos unir em nome de Portugal!
  

 
 
PORTUGAL E O MUNDO NA  ÉPOCA DAS APARIÇÕES (breves notações)

Com a instauração da República em 5 de Outubro de 1910, uma das primeiras clivagens políticas abertas pela revolução foi seguramente a religiosa, que se acentuava à medida que o Estado progredia, legalmente, no sentido de uma maior secularização. Os republicanos associavam o  atraso de Portugal à Igreja e à monarquia, e nas duas últimas décadas do século XIX,  tinha-se assistido no país a um renascimento da Igreja Católica, traduzível no regresso e consolidação das ordens religiosas que haviam sido expulsas em 1834. Bispos eram perseguidos, expulsos e suspensos das suas dioceses, prelados eram destituidos das suas  funções, párocos não sabiam a quem obedecer, e os bens e propriedades da Igreja eram arrolados e  incorporados no Estado, repondo a situação de 1834 (*).  Com as leis do divórcio (3 de Novembro de 1910) e da família, o casamento, de "sacramento» religioso" tinha passsdo a  "contrato civil", e a 20 de Abril de 1911 a Lei de Separação do Estado e da Igreja, com  grande aceitação das imprensa, das classes populares, e dos circulos intelectuais,  completara-se o círculo das medidas tomadas em em prol da secularização. Afonso Costa defendia a irradicação completa  do Catolicismo do país no espaço de duas ou três gerações.

Era pois de grande fricção entre Igreja/Estado o clima que se vivia em Portugal quando, a  13 de Maio de 1917,  se deu um acontecimento que iria contribuir para uma mudança de atitude em relação à onda de anticlericalismo que grassava no país. Três pastorinhos comunicaram às famílias a aparição  de Nossa Senhora, na Cova da Iria, em Fátima que pedia ao mundo para rezarem o terço todos os dias para alcançarem a paz e o fim da Guerra. 

Por esta altura, a Europa estava envolvida na lª Guerra Mundial (1914-1918), na origem da qual guerra estivam vários factores, entre os quais o desenvolvimento desigual dos países capitalistas, os nacionalismos exacerbados, as ambições imperialistas, que haviam levado a uma intensa corrida armamentista das potências europeias a disputas políticas e territoriais pelo controle das matérias-primas e dos mercados mundiais, principalmente sobre territórios afro-asiáticos, enquanto países como a Alemanha, que haviam chegado tarde a essas disputas, reivindicavam uma redivisão do território africanoEm Angola, em 1914, a pretexto dos incidentes de Naulila, Portugal levara a cabo, no sul do território,  importantes operações militares de pacificação das tribos indígenas revoltadas pela acção dos alemães da colónia da Damaralândia (actual Namíbia). Também em Moçambique, em 1914, incidentes militares tiveram lugar na fronteira norte, com um ataque ao posto de Maziúa.  A declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916,  foi a mola que levou Portugal a decidir-se  a participar nas trincheiras da Flandres, numa conjuntura de crise da qual se destacaram  Bernardino Machado, João Chagas e Norton de Matos . Portugal  teve que participar na Guerra para assegurar a manutenção dos territórios ultramarinos e  a independência na Península Ibérica, e no intuito de reduzir a dependência com relação à Inglaterra.
 
Na Rússia, em Fevereiro de 1917 o Czar Nicolau II da Rússia fora derrubado  por uma burguesia que procurava estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal. E em Outubro do mesmo ano, a Europa era surpreendida com a revolução bolchevique que, desmantelando a ordem capitalista e burguesa, veio impôr um governo Socialista e dar início a uma ditadura do Partido Único – o Partido Comunista - que não admitia oposições políticas, e assumiu desde logo a sua vocação internacionalista.



Em Fátima (Portugal), novas aparições foram sucedendo, a 13 de Junho, a 13 de Julho, a 15 de Agosto, a 13 de Setembro, e a 13 de Outubro, então já com a presença crescente de um certo número de pessoas. A 13 de Outubro data da última aparição, com 70 mil pessoas reunidas em Fátima, deu-se um fenómeno intitulado o "milagre do sol". Esta parição veio marcar uma primeira viragem na frieza popular para o entusiasmo (vidé fotos da época das aparições), enquanto os republicanos apontavam para a manipulação Jesuíta, e para o esforço das hostes católicas para se organizarem politicamente através de uma manifestação pública de religiosidade não autorizada, para promoverem a restauração política e social da Igreja Católica.

Após a revolta liderada por Sidónio Pais, em 5 de Dezembro de 1917, segue-se um periodo de certa acalmia em termos da agitação anticlericalista, mantendo-se embora a tendência de separação da Igreja e do Estado no âmbito dos intentos de laicização do Estado, tendo acontecido nesta fase a condenação ao exílio do bispo do Porto e do cardeal patriarca.

Aos poucos, o culto de raiz popular era substituído por uma construção eclesiástica que o utiliza, primeiro, como forma de denegrir a anticlerical Primeira República, depois para promover o anti-comunismo. Para os católicos e os defensores do novo regime, o êxito das aparições vinham mostrar o quanto podia levar a política errada da ala mais anticlerical do republicanismo, gerando a hostilidade popular contra a República. Com a morte de Sidónio Pais (14 de Dezembro de 1918), as relações Estado e Igreja estavam mais próximas de uma situação harmoniosa. É de notar a influência da maçonaria nas medidas tomadas pelos políticos neste período atribulado.

Com o fim da guerra, em 1918, a Alemanha nazi perdeu as suas colónias no Ultramar, desaparecem os impérios austro-húngaro e otomano, e surgiram novos estados no Leste da Europa que passariam a ficar sob a esfera da URSS (União das Repúblicas Soviéticas) que em 1922 se formou, caminhando no sentido de se tornar numa das mais importantes potências mundiais em condições de rivalizar com os Estados Unidos, o grande líder de então do mundo capitalista.

Quando da assinatura do tratado de paz, Portugal estava presente entre os Aliados, e foi-lhe reconhecida a posse das suas colónias africanas tendo a Alemanha se comprometido a uma indemnização de guerra.

 
 
 
PORTUGAL E O MUNDO NA ÉPOCA DAS PEREGRINAÇÕES (breves anotações)



Desde 1910 até à inssurreição militar de 28 de Maio de 1926, é grande a instabilidade em Portugal, tendo-se sucedido 45 governos, 8 presidentes e 7 eleições. Nos últimos anos da l Republica, do ambiente era de agressões físicas, ataques bombistas, assassinatos (p. ex. como o de Sidónio Pais), etc. O país estava endividado e à beira da bancarrota. A insurreição dissolveu o Parlamento, e a l República cedeu lugar a uma Ditadura Militars que durou de 1926 a 1933. Estavam geradas as condições para o surgimento do novo timoneiro da Nação: António Oliveira Salazar sobe à cena política, primeiro como Ministro das Finanças (1928), em seguida, munido do grande prestígio alcançado na pasta das finanças públicas, como Presidente do Conselho de Ministros (1932). É criada a União Nacional (partido único), e em 1933 com a aprovação da nova Constituição é fundado o Estado Novo. O país passa a ser governado em regime de ditadura civil, apoiado na PVDE (1933), a polícia política de carácter secreto. Em 1836 são criadas a Legião Portuguesa (1936), organização da Defesa Civil do Território e a Mocidade Portuguesa, organização de carácter milicial dirigida às camadas mais jovens da população, que em 1939 seria alargada às colónias. Com a vida económica e social do país organizada em Corporações, no quadro de uma nova ordem para Portugal, anti-liberal, anti-comunista e anti-parlamentar, que se orienta segundos os princípios da tradição: Deus, Pátria, Familia, Autoridade, Hierarquia, Moralidade, Paz Social e Austeridade, Portugal tornarava-se um Estado Corporativo, e afirmava-se ao mundo como "um Estado pluricontinental e multirracial", assente sobre os pilares de uma politica colonialista.


O Acto Colonial, lei constitucional publicada em 1930, ainda no decurso da Ditadura Militar (1926-1933) passou a definir as relações das Colónias com a Metrópole, pondo um fim à já limitada autonomia financeira e administrativa das Colónias. Com este Acto, o conjunto dos territórios ultramarinos passaram a denominar-se Império Colonial Português.

Na década de 1930 nuvens cinzentas começam apairar de novo sobre a Europa, com o surgimentos governos ditatoriais, militaristas e expansionistas, como a Alemanha de Hitler, com pretensões de reconquistar os territórios perdidos na l Grande Guerra. Na Itália surge o Partido fascista liderado por Mussolini, que logo se tomou de poderes ilimitados. Ambos os paises encontravam-se a braços com uma grave crise económica, com milhares de desempregados, e a poltica armamentista fora solução, tendo com o Japão, país asiático com fortes desejos expansionistas, formado o Eixo. Em 1939 a Alemanha invadiu a Polónia e teve inicio a II Grande Guerra Mundial, formando-se 2 grupos de aliados liderados, um pela Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos e outro pelo Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O conflito rapidamente se espalhou pela África e Ásia.

Em Junho de 1941 dá-se a invasão da URSS pela Alemanha . Em 1943 os soviéticos obrigaram os alemães a retroceder, enquanto os americanos recuperam territórios aliados ocupando grande parte da Itália. Em Junho de 1944, os aliados desembarcaram na Normandia, obrigando o exército alemão a recuar. O conflito termina com a rendição da Alemanha e Itália em 1945, e em seguida com a do Japão, que ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki, provocando a morte de milhares de cidadãos inocentes, e deixando um rastro de destruição nestas cidades. A 30 de Abril de 1945, Hitler suicidou-se.

Com o fim da II Grande Guerra Mundial e a derrota da Alemanha nazi, a URSS emerge como potência mundial e o Mundo fica dividido entre a esfera de influências dos EUA e da URSS , numa disputa entre capitalismo e comunismo, sem contudo entrarem em conflito armado que ficou denominado por «Guerra Fria». Com a nova ordem internacional instituída pela Carta das Nações, a questão colonial passa a constituir mais um sério problema para a política colonial do Estado Novo. A ONU reconhece o direito à autodeterminação dos povos e potências coloniais como a Inglaterra passam a negociar a independência das suas possessões ultramarinas, torna-se difícil para o Governo português manter a politica colonial instituída pelo Acto Colonial, em 1930, e que colocara um fim à autonomia financeira das Colónias (em 1951 uma nova lei iria alterar o termo colónia para província ultramarina).

Em 1946, Nehru tinha ameaçado com a independência da India, e Portugal defendia-se nas instâncias internacionais, já não tanto com a mística do império que na década de 30 fora um dos pilares do Estado Novo, mas com com argumentos que procuravam demonstrar a «singularidade da colonização portuguesa», inspirados na teoria do sociólogo Gilberto Freire, o «lusotropicalismo» (3) e argumentando o aumento das relações económicas com as colónias e os valores recordes alcançados pelo o comércio externo português nesse conturbado período da história da Europa em que Portugal havia mantido uma posição de neutralidade. Salazar recusou-se sempre a conceder a autodeterminação aos povos das regiões colonizadas, praticando uma política de isolacionismo internacional sob o lema «ogulhosamente sós», que levou Portugal a sofrer consequências extremamente negativas a nível cultural e económico.

Quanto às relações Igreja/Estado em Portugal, o período de 1937 a 1943 é marcado pelas difíceis negociações que levam à assinatura da Concordata em 1940 e à implementação do Acordo Missionário três anos depois. Portugal conseguiu fazer vingar a interpretação política do Acordo como um aval espiritual da Santa Sé ao colonialismo português. O divórcio é interdito a casais casados catolicamente e o ensino da religião e moral católica é garantido nas escolas públicas. A partir do desfecho da II Guerra Mundial, o Vaticano aposta no reforço das suas posições internacionais, procurando prever, influenciar e acompanhar as descolonizações, o multilateralismo, a abertura aos países comunista do Leste, enquanto o papel da ideologia é secundarizado bem como a cooperação entre o regime e a Igreja Católica no projecto de cristianização de Portugal e na construção das relações diplomáticas com o Vaticano.


Cerejeira foi o capelão-mor dos bispos castrenses e na defesa do Império português não havia divergência com Salazar; mas enquanto este defendia uma linha mais "civil" do Minho a Timor, Cerejeira seguia a perspectiva da missão católica, da missionarização. As colónias estavam ali, faziam parte do Império português para serem missionarizadas, no sentido de trazer mais gente para o catolicismo.

Em 1946, Lúcia entrega ao bispo de Leiria uma carta contendo o "terceiro segredo" de Fátima. que é enviada para o Arquivo do Santo Ofício, no Vaticano, em 1957. Neste ano cardeal Bento Masella, enviado a Fátima por Pio XII, é recebido em Portugal com honras de chefe de Estado.

No campo da política interna, com o o fim da Segunda Grande Guerra Mundial as oposições reorganizam-se, e é aberto espaço político em Portugal para os reformistas e defensores do industrialismo (ex. marcelistas). Salazar faz algumas reformas, entre as quais a mudança da PVDE para PIDE, e autoriza a formação de partidos políticos, é formado o MUD (Movimento de Unidade Democrática), e preparam-se eleições livres, contudo a adesão popular conseguida pelo MUD fora mais que a esperada e de imediato vista como uma ameaça ao regime. Como resultado, movimento é levado a desistir e a apelar à abstenção nas eleições, acabando ilegalizado em 1948, sob o pretexto de que tinha fortes ligações ao Partido Comunista Português. Nos anos de 1947-48 dá-se uma nova vaga de saneamentos políticos na Universidade, reprimem-se todas as greves e manifestações, prendem-se os dirigentes do MUD juvenil, e o movimento é ilegalizado. Apesar de tudo, viria ainda a apoiar a candidatura presidencial do general Norton de Matos, em 1949.



São algumas pinceladas do quadro histórico-político em que Portugal se encontrava no concerto das nações e no contexto da nova ordem mundial saida do pós guerra, quando a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, saída da Cova da Iria (Portugal) em peregrinação por terras de África, passou por Moçâmedes (1948). A partir da Conferência de Bandung (4) em 1955, a questão colonial passaria a ser mais um sério problema para Portugal ...
O segredo de Fátima

No que diz respeito ao segredo de Fátima, este era dividido em três partes. Na primeira foi mostrado aos pastorinhos o inferno, no qual podiam ver as almas dos condenados em forma de brasas transparentes e negras boiando num espantoso mar de fogo. Para salvar os pecadores, dizia a Virgem, "Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração". Se a humanidade seguisse seus conselhos, muitas almas se salvariam e se obteria a paz. Do contrário, "no reinado de Pio XI" (1922-1939) viria uma segunda guerra mundial, muito pior do que a primeira. Deus iria punir o mundo por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Papa

Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora disse que, se seus pedidos não fossem atendidos, a Rússia espalharia seus erros pelo mundo (o comunismo), promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons seriam martirizados, o Santo Padre teria muito que sofrer e muitas nações seriam aniquiladas. Terminava dizendo: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. A Rússia se converterá e o mundo terá um tempo de paz".


A terceira parte do segredo que Lúcia não o havia revelado e que dele, entretanto havia sido enviado um relato ao Vaticano, em envelope lacrado, com instruções para que fosse aberto em 1960, só foi revelado no ano 2000, por determinação de João Paulo II. Tratava-se de um novo convite à conversão e à penitência, acompanhado da visão de um Papa que caminha, vacilante e trêmulo, atravessando uma cidade em ruínas e juncada de cadáveres. Seguido por uma multidão de bispos, padres, religiosos e fiéis, sobe uma escabrosa colina em cujo topo está uma cruz. Ao chegarem ao alto, todos são massacrados por soldados inimigos a tiros e flechadas. A Igreja sugeriu que poderia estar relacionada ao atentado contra João Paulo II, na Praça de S. Pedro, em 1981, mas deixava livre a interpretação do complexo texto, admitindo poder referir-se a acontecimentos vindouros.

4. As peregrinações da Senhora de Fátima, a mensageira da paz (1947-1948)


Terminada a ll Grande Guerra Mundial, o culto de Nossa Senhora de Fátima é reanimado e começaram as grandes peregrinações pela Europa e pelo Mundo. A 13 de Maio de 1947, uma imagem partiu da Cova da Iria para presidir ao Congresso de Maastricht, nos Países Baixos, onde foi beijada por cardeais e bispos da Bélgica, Holanda e Luxemburgo, prosseguindo pelas regiões da Alemanha para consolidar a paz recentemente conseguida. Em Espanha, é aclamada por mais de duzentos mil fiéis e fechavam lojas bancos e o dia era feriado. Na Bélgica, centenas de milhares de peregrinos aclamaram a Virgem de cidade em cidade. Seguiu-se a Holanda e Luxemburgo onde foras feitas 100.000 comunhões em honra da Virgem. E daí partiu atraves das fronteiras da Europa para todo o mundo num inimaginável movimento de oração, penitência e conversões, em direcao a outros “caminhos” Estados Unidos, Canadá, América do sul, África, Ásia e Oceania.


Em 1948, de novo a Virgem reuniu 1.500.000 fiéis em Madrid, onde se registaram curas milagrosas, durante uma missa celebrada para 13.000 doentes. Em toda parte houve confissões, comunhões, rosários, horas de reparação, consagrações individuais ao Imaculado Coração de Maria. A Virgem Maria realizava um apostolado considerado por muitos de sobrenatural, indicando os meios para de novo recristianizar o mundo. Em Boulogne, reproduções foram enviadas a centenas de paróquias do norte, uma delas a Lourdes, onde ficara. Na França laicizada a peregrinação pelas cidades e aldeias da imagem foi recebida por multidões de fiéis num prodigioso percurso que durou sessenta meses.

Em meados de 1948 coube a vez da peregrinação às Colónias de além-mar em África, tendo visitado Cabo Verde, Guiné, Açores, Angola, Moçambique, Rodésia, Quénia, Zanzibar, Uganda, Tanzania, Abissinia, Eritreia, Sudão, Egipto, India, Paquistão, Ceilão, Tailândia, Bismânia, Singapura, Malásia, Vietnam, Austrália, Timor, Papuásia, Etiópia, Adis abeba e África do Sul, onde reuniu mais gente que o rei da Inglaterra. Fátima era o nome de uma jovem princesa muçulmana raptada por um cruzado, que se convertera ao cristianismo, e foi sepultada em cidade de seu nome.


FONTE


(*) O encerramento das casas religiosas em Portugal e da campanha anti-religiosa pelo Governo Liberal em 1834 reflectiu-se em Angola onde encontravam numerosos adeptos, mesmo em algumas autoridades e teve reflexos no ensino religioso nas escolas com o afastamento e expulsão de missionários que trabalhavam em Luanda e Moçâmedes e supressão de subsídios às missões e outras onstrituições católicas. A um bispo deste século atribui-se esta frase de desalento: "Das Missões de Angola e Congo só resta a memória".FONTE

(*) Entre 1926 e 1940, a expansão da Igreja Católica foi visivelmente impulsionada com a fundação de 29 novas missões. De 1930 a 1960, mais de 20 Congregações missionárias enviaram pessoal para Angola: Beneditinos, Beneditinas, Doroteias, Irmãs do SS. Salvador, Irmãs de la Salette, Capuchinhos, Franciscanas Missionárias de Maria, Reparadoras, Teresianas, Redentoristas, Ordem Trapista, Irmãozinhos de Jesus, Irmãos Maristas, Irmãs do Amor de Deus, Dominicanas de Se. Catarina, Espiritanas, Missionárias Médicas de Maria, Dominicanas do Rosário, Irmãs da Misericórdia.

(*) Em 28 anos (1940-1968), o número de Padres angolanos passou de 8 a 71. Durante a 2." Guerra Mundial (1939-1945), não foi possível a entrada de pessoal missionário estrangeiro; mas, finda a Guerra, muitas Congregações acorreram ao apelo e dedicaram-se ao apostolado missionário em Angola. FONTE
Pesquisa e texto de MariaNJardim
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24 novembro 2009

Jovens estudantes de Porto Alexandre (actual Tombwa)



in Mazungue foto de KadyPress 

INFÂNCIA PERDIDA
(para o Miau)

Nesse tempo, Edelfride,
Com quatro macutas
A gente comprava
Dois pacotes de ginguba
Na loja do Guimarães.

Nesse tempo, Edelfride,
com meio angolar
a gente comprava
cinco mangas madurinhas
no Mercado de Benguela.

Nesse tempo, Edelfride,
montados em bicicletas
a gente fugia da cidade
e ia prás pescarias
ver as traineiras chegar
ou então
à horta do Lima Gordo
no Cavaco
comer amoras fresquinhas.

Nesse tempo, Miau,
(alcunha que mantiveste no futebol)
nós fazíamos gazeta
da escola coribeca
e íamos os quatro
jogar sueca
debaixo da mandioqueira.

Era no tempo
em que o Saraiva Cambuta batia na mulher
e a gente gostava de ver a negra levar porrada.

Era no tempo
dos dongos da ponte
dos barcos de bimba
dos carrinhos de papelão

Como tudo era bonito nesse tempo, Miau!

Era no tempo do visgo
que a gente punha na figueira brava
para apanhar bicos-de-lacre e seripipis
os passarinhos que bicavam as papaias do Ferreira Pires
que tinha aquele quintalão grande e gostava dos meninos.

Era no tempo dos doces de ginguba com açúcar.

Mais tarde
vieram os passeios noturnos
à Massangarala
e ao Bairro Benfica.
E o Bairro Benfica ao luar
O poeta Aires a cantar
(meu amor da rua onze e seu colar de missangas...)
Tudo era bonito nesse tempo
até o Salão Azul dos Cubanos
e o Lanterna Vermelha - o dancing do Quioche.

Foi então que a vida me levou para longe de ti:
parti para estudar na Europa
mas nunca mais lhe esqueci, Edelfride,
meu companheiro mulato dos bancos de escola
porque tu me ensinaste a fazer bola de meia
cheia de chipipa da mafumeira.
Tu me ensinaste a compreender e a amar
os negros velhos do bairro Benfica
e as negras prostitutas da Massangarala
(lembras-te da Esperança? Oh, como era bonita
[essa mulata...)
Tu me ensinaste onde havia a melhor quissângua
de Benguela:
era no Bairro por detrás do Caminho de Ferro
quando a gente vai na Escola da Liga.
Tu me ensinaste tudo quanto relembro agora
Infância Perdida
sonhos dos tempos de menino.

Tudo isso te devo
companheiro dos bancos de escola
isso
e o aprender a subir
aos tamarineiros
a caçar bituítes com fisga
aprender a cantar num kombaritòkué
o varre das cinzas
do velho Camalundo.
Tudo isso perpassa
me enche de sofrimento.

Diz a tua Mãe
que o menino branco
um dia há-de voltar
cheio de pobreza e de saudade
cheio de sofrimento
quase destruído pela Europa.

Ele há-de voltar
para se sentar à tua mesa
e voltar a comer contigo e com teus irmãos
e meus irmãos
aquela moambada de domingo
com quiabos e gengibre
aquela moambada que nunca mais esqueci
nos longos domingos tristes e invernais da Europa
ou então
aquele calulu
de dona Ema.

Diz a tua Mãe, Edelfride,
que ela ainda me há-de beijar como fazia
quando eu era menino
branco
bem tratado
quando fugia da casa de meus Pais
para ir repartir a minha riqueza
com a vossa pobreza.
Diz tudo isso a toda a gente
que ainda se lembra de mim.
Diz-lhes. Diz-lhes
grita-lhes
aos ouvidos
ao vento que passa
e sopra nas casuarinas da Praia Morena.
Diz aos mulatos e brancos e negros
que foram nossos companheiros de escola
que te escrevo este poema
chorando de saudade
as veias latejando
o coração batendo
de Esperança, de Esperança
porque ela
a Esperança
(como dizia aquele nosso poeta
que anda perdido nos longes da Europa)
está na Esperança, Amigo.

Edelfride, você não chore
saudades do Castimbala
nem lhe escreva
cartas como essa
que são de partir
meu pobre coração.

Nesse tempo, Edelfride,
Infância Perdida
era no tempo dos tamarineiros em flor...

Ernesto Lara Filho
(O Canto de Martrindinde e Outros Poemas Feitos no Puto)
1964, Lisboa

Grupo de alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim




































Mais um elenco de jovens moçamedenses que na época (1956/7), frequentavam a  Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes.

Reconheço, da esq. para a dt.
Em cima: Maria João, Professora ? e  Rosália Bento
Embaixo, mais recuadas: ?, ?, Claudia Guedes, Teresinha Freitas e Laurinda Pereira
Embaixo, mais à frente: Maria José Gastão, ?, Maria Helena Braz de Sousa, Piedade, Leonilde (Nide),  ?Peixinho; Emilia Coelho de Oliveira (Mila) e Antonieta (Boneca)


Em cima, uma bela perspectiva da  Avenida da Praia do Bonfim, que se desenrola sob o «olhar» imponente de uma das duas gazelas que circundam a fonte luminosa, um dos ex-libris da cidade de Moçâmedes.

22 novembro 2009

Recordando gente da nossa terra, Moçâmedes: O Dr. Júlio Mac-Mahon Vitória Pereira



O Dr. Júlio de Mac-Mahon Vitória Pereira, analista, proprietário de um Laboratório de Análises Clinicas  e  professor de Fisico-Quimicas e Mercadorias, primeiro, no edifício antigo Escola Comercial e Industrial  de Moçâmedes e em seguida na Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, com a extinção daquela,  foi uma das figuras mais carismáticas que Moçâmedes conheceu ao longo das duas últimas décadas da colonização portuguesa, quer como pessoa, quer como professor, tendo, neste aspecto, para o bem e para o mal,  marcado a vida de muitos estudantes.

«Anjo e demónio», Júlio Victoria Pereira ou  Mac-Mahon, como era conhecido,  tanto era capaz de dar uma classicação de 19 valores a um aluno, como de dar um «zero». E tanto era capaz de «dar a camisa» a qualquer aluno que necessitasse de ajuda, como de  mandar umas «galhetas» àquele outro que passasse das «marcas», que ele próprio estabelecia.

Dele, é com um misto de reprovação e de carinho, que assim falam, ainda hoje, alguns dos seus ex-alunos:

«... Só havia um professor por quem esperávamos depois do 2º toque - o Mac Mahon - se fossemos embora ele virava bicho e não se ensaiava nada em distribuir umas galhetas pelos alunos. Também não marcava falta a quem chegasse tarde. Entrávamos na sala só não podíamos dizer nem Bom Dia nem Boa Tarde - estávamos proibidos para não interromper a aula. O Mac era um homem tão bruto como bom. Tinha um coração de pomba. Se via um aluno com os sapatos rotos tirava dinheiro do bolso e mandava-o comprar uns sapatos apresentáveis. Gozava com os contínuos quando eles iam lá ler os comunicados da MP porque exprimiam-se mal. Dizia , lá vem um Kaitô ler uma folha de papel. Quando faltávamos às aulas dele ia-nos buscar de Mini Moke à praia - e ai de quem ousasse em recusar a boleia forçada!!! ....»

«....O "Mac" era um professor fantástico- um touro com coração de pardal - pagava-nos bilhetes para o cinema e vinha buscar-nos de Mini Moke à praia quando faltávamos às aulas...» By Kady Press in Mazungue

«O Dr. Vitória Pereira, de seu nome Júlio Mac Mahon Vitória Pereira foi o professor mais "sui generis" que eu tive. Quando qualquer aluno chegava tarde às aulas só tinha uma coisa a fazer:entrava na sala, não podia dizer nada e sentava-se no seu lugar. Nada de justificações, pois o Mac sabia ler as nossas mentiras. Não se podia era interromper a aula com palavras. De resto, o aluno atrasado não tinha qualquer problema. O Dr. Vitória Pereira tinha um laboratório de análises clínicas perto do antigo campo de futebol.» 
From:   Carlos Pereira in Sanzalangola

Ficou célebre um exame da cadeira de «MERCADORIAS»,  do Curso Geral de Comércio, na Escola Comercial e Induatrial de Moçâmedes, decorrido no início dos anos 1960, em que um aluno de nome Faroleiro foi «espremido até ao tutano» no decurso do mesmo  e no final mandado sentar. A seguir Mac-Mahon chamou a aluna  Manuela Faustino, e na primeira pergunta mandou-lhe descrever o «encadeamento das indústrias». Tomada pelo nervosismo e pela emoção Manuela começou a gaguejar, então o Mac-Mahon virou-se de novo para o  Faroleiro, que já tinha obviamente terminado o seu exame, e mandou-lhe descrever também o mesmo «encadeamento das indústrias». Assustado, o Faroleiro disse: - ó sôtor, eu já fiz o meu exame! Responde o Mac-Mahon:  olha que está a contar!... está a contar...  O que se passou a seguir, já seria de esperar, foi a debandada geral de todos os alunos que já tinham terminado os seus exames e que se encontravam na sala apenas a assistir aos restantes exames.

Mas ainda há mais...

«...lembro-me do Dr. Vitória Pereira ir connosco apanhar umas pedras ao deserto para fazermos os centros de mesa.Belos tempos! que saudades eu tenho de Moçamedes de Angola... (Bálita, Sanzalangola)

«... O Dr. Vitória Pereira, de seu nome Júlio Mac Mahon Vitória Pereira -não sei se está bem escrito - foi o professor mais "sui generis" que eu tive.Quando qualquer aluno chegava tarde às aulas só tinha uma coisa a fazer:entrava na sala, não podia dizer nada e sentava-se no seu lugar.Nada de justificações, pois o Mac sabia ler as nossas mentiras.Não se podia era interromper a aula com palavras.De resto, o aluno atrasado não tinha qualquer problema. O Dr. Vitória Pereira tinha um laboratório de análises clínicas perto do campo de futebol.
Carlos Pereira in Sanzalangola


 «...São ai nas dez da noite. Que estamos sentados no Café Avenida, não na esplanada porque está frio. Devem estar só uns 20 graus e um gajo num pode se constipar. Estamos disse eu porque como evidente não estou sozinho, senão dizia estou. Alem de eu mesmo está o Beto Amorim, filho do Sr. Alberto do Liceu, o Manel Vitoria Pereira e o Ferrão mais velho. 'Que fazem estes putos aqui no Avenida a esta hora?' Perguntou alguém que num sei quem foi. Estamos a aviar garrafas de Dão. O Radio Clube pagou o ordenado, eu invento que faço anos e vamos fazer festa. Duas garrafas chegou para ver que estavam oito na mesa. Mas tem giro é que tinha mesmo dois Betos, dois Ferrão e dois Manel. Como já éramos muitos fomos mesmo até no parque infantil. Eu agarrei uma palmeira e pedi namoro e ainda hoje num sei que foi que me respondeu ela. Melhor mesmo é irmos para casa. Vamos todos levar o Beto. Assim se houver maka somos muitos e vamos estudar. Se entra sem fazer barulho. Entrou todos os oito. Beto directo para o quarto. Entra mãe dele e pergunta:'que estás a fazer?' 'quero beber água fresca' responde ele enquanto tenta chegar ao puxador do guarda-fatos. Foi corrida em nós seis da casa para fora. E agora quem vai levar quem. Manel que é mais novo tem de ser levado a seguir. Passamos na Minhota e como estávamos com sede bebemos uma Nocal preta cada um. Transbordou. Quem aparece quando estamos sentados na avenida, debaixo do carramachão éramos seis ou se éramos mais? O Dr. Júlio Vitoria Pereira no MiniMoke. 'Entrem já todos para aí!' Nenhum dos seis hesitou. Maneles entraram na frente, eu e Ferrões no banco de trás. Direcção: Torre do Tombo. 'Vão apanhar ar nessas trombas'. Que sim. Ninguém mesmo podia dizer outra coisa, pois as palavras ficavam enroladas na boca e num queriam sair. 'Onde ficas?' 'Dr. fico aqui? O miniCaté amanhã e obrigado' mas depois é que vimos que estávamos atrás do campo de futebol, na rotunda. Nós os quatro, eu e Ferrões temos que ir a pé até em casa. Quem vai levar quem? Tá combinado. Vamos pelo Atlético, viramos na esquina do Dentista Francês, e seguimos até à casa do Ferrão. Ficou combinado. Ferrões agora têm de me levar a mim. 'E depois quem me trás a mim?' arrastou a s palavras um dos Ferrões. a ver se ainda parou eu sai por um lado e Ferrão por outro. '
Ainda hoje não sei como acordei em minha casa e na minha cama.
O que valeu mesmo foi que não estava a chover. »
Sanzalando, por JotaCê Carranca in RECORDAR (30)

Ficam mais estas recordações!

MariaNJardim

04 novembro 2009

Desporto em Moçâmedes, Angola: Quadrangular de Basquetebol feminino e de Hóquei em patins: 1956/7?



Francelina Gomes, Capitã da Selecção de Moçâmedes, dá os habituais «vivas», após ter recebido das mãos da esposa do Governador Vasco Nunes da Ponte,  Maria Carolina Nunes da Ponte a taça brilhantemente consquistada. Na pequena tribuna de honra do campo do Sporting Clube de Moçâmedes podemos ver, entre outros, o Capitão do Porto de Moçâmedes, o Governador de Sá da Bandeira, o Presidente da Associação dos Bombeiros de Moçâmedes, Sacadura  Bretes, e a esposa do Governador Vasco Nunes da Ponte.

Também nesta foto podemos ver algumas figuras conhecidas, tais como José Pedro Bauleth, o treinador da equipa do Ginásio da Torre do Tombo (embaixo, junto a Francelina Gomes), e mais à dt, embaixo, Júlia Castro, basquetebolista do Sporting Clube de Moçâmedes. De chapéu, à dt., e um pouco mais acima, Cabral Vieira, tendo por detrás Zeca Pestana.

Selecção de Moçâmedes
Em cima, da esq. para a dt.:Helena Gomes, Celisia Calão, Fátima Abrantes, Bernardete Tavares, Marlene Oliveira e Eduarda Bauleth. Embaixo: Francelina Gomes e Clarabela Trindade.





Arménio Jardim, capitão da selecção Moçâmedes, a equipa vencedora do Quadrangular da Huila de Hóquei em patins, recebe das mãos da esposa do Governador do Distrito, Maria Carolina Nunes da Ponte, a taça brihantemente conquistada. À esq, o Governador da Huila, à dt. o Governador de Moçâmedes, Nunes da Ponte.

Neste VIDEO que começa com a 1ª equipa de basquetebol feminino de Moçâmedes, a equipa do Sport Lisboa e Benfica, surgida no ano de 1949, podemos ver as diversas equipas de basquetebol feminino de Moçâmedes na década de 1950, a grande década desta modalidade desportiva em terras do Namibe. Os clubes eram então: o Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Sport Moçâmedes e Benfica, o Sporting Clube de Moçâmedes, o Atlético Clube de Moçâmedes, mas também e embora por muito pouco tempo, surgiu a equipa do Clube Ferroviário de Moçâmedes. Saiba

AQUI pormenores.

Para ver mais: Moçâmedes Memórias Desportivas

30 outubro 2009

VIDEO ACTUAL DA CIDADE DO NAMIBE: ex-MOÇÂMEDES













Filme:interessante e recente da cidade do Namibe.      Apenas uma ressalva:  da Fortaleza de Moçâmedes nunca embarcaram escravos em navios negreiros para o Brasil e Américas. Esta Fortaleza foi erguida já numa fase  posterior ao decreto de Sá da Bandeira, que veio abolir o tráfico em 1836, Acredito que ali teriam estacionado


Fotos:  Museu etnográfico da cidade do Namibe  , fiel depositário dos «salvados» do Império...

Chefe da 1ª colónia de portugueses que, idos de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes (actual cidade do Namibe) na barca «Tentativa Feliz», fugidos da revolução praeeira, ali chegaram no dia 04 de Agosto de 1849, data que ficou a marcar a fundação da cidade.

2ª. O Governador Sebastião Nunes da Matta (1878)

3ª. Vista geral do Museu, onde se podem ver os vários bustos e quadros representativos de alguns dos primitivos Governadores do Distrito de Moçâmedes

4. Foto de Riquita Bauleth, Miss Angola 1971

5. Várias fotos antigas

6. Óleo onde se pode ver a baía de Moçâmedes, a Ponta do Pau do Sul, uma caravela e muito povo na praia...

Clicar AQUI para ver mais sobre este Museu situado no 1º andar do edifício do antigo Hotel Central

VEJA AQUI: PROJECTO NAMIBE

29 outubro 2009

Alunas do Liceu Américo Tomás em Moçâmedes: 1970

















Entre outras/os, ao centro, Riquita Bauleth (miss Portugal 1971) e Carlos Gavino. À dt. Lita (filha da cabeleireira Carlota). À esq., Céu Castelo Branco.
Para ver e saber mais sobre a eleição de Riquita, Miss Portugal 1971, clicar AQUI
AQUI
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Entrevista a Riquita, miss Angola e Miss Portugal 1971: http://www.recordarangola.com/
Entrar
Seguidamente, clicar em "continuar"

depois, em "rádio"
depois, em "ouvir" (dia 03-10-2009)

 

Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3














Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3. Foto é grande; clicar sobre ela para aumentar . 

Entre outras que não recordo, estão: 
1ª foto, de baixo para cima e da esq. para a dt.:

1ªfila - Mimi Proença, ?,  Sónia, Magda e Vanda  Madeira, Lena e Conchita Moreira de Almeida, Lourdes Pessoa, Clara Bonvalot, Ruth Madeira; 
2ªfila - Stella Sena, Elsa Radich, Ana Grilo, Proença, Ineida, Lourdes Pessoa, Heloisa Leitão, Manuela Pessoa, Beta Passos Maruqes, Rosario Pacheco; 
3ªfila - ?,  Fati Leitão Almeida,  Margarida Duarte (Guida, com 2 laços), ?, Maria Adelina, ?, Julia Ferreirim (loira com franja), Emilia, Lourdes Russo, ????, Fati Morgado,  Minelvina, as 2 ultimas nao sei; 
4ªfila - Eduarda Astregilda, ?????,  Olimpia Moreira, Rosario Rosa (Bequito), ??? Fatima Pacheco,  Eduarda Almeida (Dada), ????, Eloisa Peixoto, as 7 ultimas nao sei; 
5ªfila - ????, Geninha Amado, ??,  Raquel Radich, Eloisa Trindade, ?, Teresa Carmona, Babisa, Rosa Diogo,???
6ªfila - ??????, Eteldina Carvalho (Tedina), ?, Manuela Faustino, ?, Marieta Madeira, ???

Foto gentilmente cedida por Vina Almeida



2ª foto:  Desfile das alunas do Colégio das Irmãs Doroteias na Rua Costa (paralela à Avenida da Praia do Bonfim), em Moçâmedes, passando ao lado dos Armazéns de Venâncio Guimarães, um dos homens mais ricos de Moçâmedes e de Sá da Bandeira, dedicado à agro-pecuária, à indústria de pesca e laticínios e ao comércio. Mais atrás,  o edifício da Capitania do Porto com a bandeira portuguesa hasteada, e ao fundo, a Fortaleza de S. Fernando.  

Para onde iriam estas meninas num dia de sol, com a estrada deserta? Repare-se no pormenor das irmãs da caridade com «sombrinhas» para se protegerrm do sol. Creio que em Portugal não havia este hábito e que  as ditas sempre e sómente funcionaram como «guarda-chuvas».  Em África davam  para a chuva e para o sol. 

À frente, reconheço Lúcia Camacho e logo atrás, à dt. ? Alves (filha de Hemitério Alves)



HINO DO COLÉGIO DE MOÇÂMEDES

Meu colégio tão querido
Meu vergel de pomos d'oiro
Meu canteiro preferido
Meu trigal ainda não loiro.

Somos as flores mimosas
Do jardim no areal
Só tu nos guardas viçosas
Do leste sopro do mal.

À frente o mar buliçoso
sempre de lá a acenar
Lá longe, ao largo é forçoso
Querer orar, trabalhar.

Bem perto além o deserto
mensagem nova lição
Vive em paz quem é discreto,
Guarda a língua e o coração.

Aprendi nos bancos teus
A lição que vou guardar
A Família, a Pátria e a Deus
Ama com amor sem par.

Quando te deixar um dia
Hei-de guardar em meu peito
Esta eterna melodia
De gratidão e respeito!


Ver também AQUI
AQUI 



(video do encontro, em 2008 das ex-alunas com a madre Moita)

Grupo de raparigas à porta do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima: 1945/6

Grupo de alunas e catequistas do Colégio Nossa Semhora de Fátima de Moçâmedes, posam para a posteridade na escadaria do antigo colégio situado  à  numa zona próxima do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim. Já lá vão  quase 70 anos, e parece que foi ontem. Embora fosse mais nova, ainda me lembro de algumas. São elas, de cima para baixo, e da esq. para a dt:

1ªfila- (cima)- ???, Olimpia Aquino, ????,
Ludovina Leitão
2ª fila- ???, Élia Paulo,?, Maria Emilia Ramos
3ª fila- Didi Carvalho, Dina Ascenso, ????? Lurdes Ilha,?

5ª fila- ???, 6ª fila??? 7ª fila ????, Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ??? Henriqueta (Miqueta) Barbosa ??
Hirondina Mangericão. Lena Freitas (Barata)
6ª fila-???, Néné Trindade, ???
7ª fila :(sentadas/frente)?, Fátima Cunha, Luzette Sousa, Odete, irmã da Luzette, Orbela Guedes e ??


(Clicar na foto para aumentar)
Dedico-vos esta bela canção: clicar AQUI

22 outubro 2009

Gente de Moçâmedes: familia Lopes

















No parque infantil de Moçâmedes:
Da esq. para a dt:
Em cima: Maria Lopes e Florinda Jardim
Embaixo: ?, Justino Lopes e irmã.