Texto coberto pelas leis de Copyright. Partilha impõe o respeito por essas leis , identificando o nome e proveniência do autor, sendo considerado PLÁGIO quem não as respeitar. MariaNJardim

28 dezembro 2009

Reveillon no Clube Nautico: anos 60



  O casal Diogo Baptista e Marizete Veiga Baptista, Teresa e Elizabete Bagarrão.



Dores, ? e o casal , Zette Veiga e Diogo

Moçâmedes e as suas gentes eram assim...

Uma pequena cidade onde as pessoas se conheciam, quadras festivas que eram aproveitadas para o divertimento que vinha quebrar uma pouco a monotonia de um quotidiano onde imperava, não a preguiça nem o laxismo, mas a labuta do dia a dia.

Este, foi um Reveillon decorrido em meados da década de 60  no  salão do Clube Nautico (Casino), o salão preferido das «elegantes» da época, que veio destronar o do Atlético Clube de Moçâmedes,de cariz mais popular, que fora na década de 50 o local onde decorreram animados bailes de carnaval, reveillons, bailes e matinées dançantes aos sábados e domingos, e onde se divertia a juventude moçamedense, e que acabaria por perder muito do seu antigo «brilho»

Em tempos mais atrás, era no salão do edifício do Aero Clube de Moçâmedes, na Rua da Praia do Bonfim, em frente à Avenida, o local onde decorriam animados bailes e matinées dançantes, como o integrado nas festividades do Centenário da cidade, em 1949, mas este edifício acabou demolido e no seu lugar construido um outro de vários andares, propriedade de José Alves, que veio estragar a harmonia do conjunto habitacional. Mas ainda mais atrás, tudo quanto era festa na cidade tinha lugar no velho Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Clube pioneiro de Moçâmedes, onde foi durante muito tempo tradição, os «célebres» bailes da Pinhata.


Fotos gentilmente cedidas por Marizette Veiga

27 dezembro 2009

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50



Os "Diabos do Ritmo"
Albino Aquino (Bio) ao acordeão, o professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva, ao piano, Albertino Gomes (bandolim), Frederico Costa (baterista), Jaime Nobre (violão).

Aqui podemos ver, da esquerda para a direita: Marçal (saxofone), Lito Baía, (violão e acordeão); O professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva (em substituição do pianista do conjunto, Bio Aquino, na época a cumprir o serviço militar obrigatório); Jaime Nobre, mestre de música, construtor de instrumentos de corda ( da guitarra clássica ao violino e aos xilofones), Cerieiro, instrumentista de rítmos (Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Frederico Costa , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Abertino Gomes (o extraordinário e irrequieto baterista- animador, que também tocava banjo e bandolim e até acordeão). No casal em 1º plano, reconheço Amaral (para quem não se recorda, à época era proprietário de uma loja na Rua dos Pescadores, junto da Tipografia de José Trindade, em sociedade com um irmão mais velho que jogou futebol no Sport Moçâmedes e Benfica)

Recordemos mais uma vez, os Reveillons  da década de 1950, que decorriam nos salões do Atlético e Clube Nautico em Moçâmedes, animados pelo conjunto «Os Diabos do Ritmo». Como tocavam bem os «Diabos»! Quem poderá esquecer essas figuras inesquecíveis aos quais a minha geração ficou a dever os mais belos e animados momentos das suas vidas.

O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os  bailes que aos sábados se prolongavam pela noite fora até ao raiar do dia, e  as matinées dançantes que, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. Dançava-se sem parar, ao som dos mais diversos ritmos, que iam desde movimentadas marchinhas brasileiras que estavam muito em voga,  a pasodobles espanhóis, às remexidas rumbas, chá-chá-chá, congas e baiões, musica do Brasil e Caraíbas, não esquecendo os românticos tangos de Gardel, as  deslizantes valsas, e os suaves slows,  etc., géneros musicais daquele tempo, dos quais deixarei aqui alguns exemplos, bastando clicar para ouvir: La Cumparcita

A propósito, este excelente conjunto  tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das casas das raparigas, deslocando-se para tal em carrinhas  e camionetas de caixa aberta, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e participavam no côro.

Quero recordar aqui aquele que foi o meu vizinho e amigo Albino Aquino (Bio), o talentoso pianista dos «Diabos do Ritmo», do qual tive a triste notícia que faleceu este ano.  Para mim, será sempre aquele rapaz simpático, que ria com os olhos, e tocava com grande  mestria. Fica aqui mais uma recordação de gente que marcou uma época na cidade de Moçâmedes,  e envolveu gente boa que de um dia para o outro deixamos de ver e deixaram laços em nossos corações.

MÚSICA LATINO-AMERICANA

Oiçam e percebam bem o porquê
de nenhum de nós poder esquecer
aqueles lindos bailes abrilhantados
pelos «Diabos do Rítmo», tão afamados,

nem daquelas jovens, as mais belas, já se vê,
que, coradas ouviam, cheias de felicidade,
aquelas juras que tão bem sabíamos fazer,
Naqueles anos doirados da nossa mocidade…

Oiçam esses boleros e a voz de cada cantor,
como eles vibram, nesse rítmo afro-cubano.
Eram mesmo os melhores a cantar e a compor.
Versos de amor, só cantados em castelhano…

Mas, ao som daqueles «Diabos-Mestres» a tocar,
quem não cantava bem, tendo-os a acompanhar
o ritmo do endiabrado Albertino, do Bio e Lito Baia,
Nobre, Marçal, Cerieiro e Neco, cada um como sabia…

Esquecer um grupo, como outro não houve nenhum,
seria sem dúvida de estranhar, de nunca acontecer.
Festas, Fins de Ano, Carnavais, Serenatas na cidade,
Inesquecíveis Bailes, os melhores das nossas vidas.

Quem alguma vez nos deu, Conterrâneos, mais alegria?
Quem, senão eles, tocava e só parava ao raiar do dia,
depois de um desafio que demorava horas seguidas,
em festas que sempre recordaremos com saudade…

Alguém poderá estranhar, algum de vós se espanta,
que ouvindo os Boleros que agora vos venho mandar,
para que possam recordar aqueles «Diabos» a tocar,
Ficasse eu de olhos húmidos a relembrar as juras
que fiz naquelas noites d’encanto e de felicidade,
dos anos mais lindos da nossa gloriosa mocidade,
que na mente se guardaram, inteiras e tão seguras
e, de coração acelerado, criasse um nó na garganta?

NECO MANGERICÃO.



Gente de Moçâmedes : passagem de ano no Clube Nautico (Casino) nos anos 60














Foto tirada numa passagem de ano em terras do Namibe,  esta, na década de 60, no Clube Nautico (Casino). Através dela tivemos o prazer de recordar mais alguns dos nossos conterrâneaos, a maioria vizinhos de bairro, amigos, e  até familiares, com os quais partilhámos momentos de nossas vidas, passadas naquele berço que nos foi comum, a bela e saudosa cidade do Namibe. São eles, da esq. para a dt.: Joaquim Guedes Duarte (Quim, gestor da empresa ligada à industria piscatória, da familia João Duarte) e Odete Lisboa Lopes Braz Duarte, Carlos Manuel Guedes Lisboa, (Lolita) e Antonieta Almeida Bagarrão Lisboa (Dédé), Iteldina Carvalho Frota (Tédina) e José Manuel Frota (bancário e talentoso radialista em Moçâmedes). De pé. à dt., Taruca. Foto gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa .
 
Não posso deixar de fazer uma referência muito especial, e sem desprestígio para os demais, ao amigo de infância e adolescência  que foi o  Carlos Manuel Guedes Lisboa (de óculos escuros, à esq.), o jovial, empreendedor e simpático moçamedense, cuja carreira fulgurante  começou imediatamente a seguir à conclusão dos seus estudos secundários na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Carlos Lisboa ingressou no quadro do pessoal do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes, e alguns anos depois, quando da extinção do referido Grémio, foi nomeado Director Regional do Instituto da Indústria de Pesca de Angola. Pessoa dotada de elevada capacidade organizativa e trato afável, viria a liderar o processo da constituição da PROJEQUE (Sociedade Industrial do Canjeque, Lda.), da qual se tornou gestor. Paralelamente, dedicou-se também, de conta própria, à actividade comercial. A morte ceifou-lhe jovem. Viria a falecer, já em Lisboa, pouco tempo após a independência de Angola, em 1975, com apenas quarenta e poucos anos de idade.

Bailes no Clube Nautico (Casino) Finais dos anos 60, início de 70
















1ª foto: Baile no Casino

2ª foto: Banda de música constituida por jovens moçamedenses

3ª foto: Baile dos finalistas no Clube Nautico (Casino). Reconheço à esq. de óculos, Daniel Gavino (penúltimo gerente do Banco de Angola, em Moçâmedes),  à dt. Fragata, e ao centro da foto, de frente, Robalo. Se alguém reconhecer mais alguém, por favor, sirva-se dos comentários para nos dizer quem é, o que muito agradecmos.

08 dezembro 2009

Festa de Natal dos alunos da Escola Nº 49, de Moçâmedes, Angola. 1959


Clicar sobre as fotos para aumentar. Trata-se de uma cena de teatro  levada  a cabo pelos alunos da Escola Nº 49 de Moçâmedes,  Angola, no Natal de 1959. Repare-se no traje bem típico português que estava sempre presente nestas festinhas de Natal.

PAI-NATAL

Pai-Natal
Gorducho como és,
Com esse ventre obeso,
Como podes passar nas chaminés
Sem ficar preso?!

E como podes inda, sem perigo,
Com essas botas grossas, quando avanças,
Não perturbar o sono das crianças
Que adormeceram a sonhar contigo?!

Como podes passar,
Com essas barbas longas e nevadas,
Sem medo de assustar
Crianças que se encontram acordadas?!

Eu sei!
Eu digo-te a razão,
Embora se me parta o coração!

É que tu, risonho Pai-Natal,
Só entras em palácios de cristal,
Por chaminés de mármore e jade
Onde o rotundo ventre
Passe, deslize e entre,
Libérrimo, em perfeito à vontade!

Como podem as botas vigorosas
Rangerem um momento,
Se alcatifas caras, preciosas,
Se espreguiçam por todo o pavimento!

Nem podes assustar
Crianças que se encontram acordadas,
Porque tens o cuidado de tirar
Essas revoltas barbas já nevadas!

E, assim, é,
Risonho Pai-Natal de riso e gestos ledos,
Vais aos palácios ricos, por teu pé,
Vazar o grande saco de brinquedos!

Antes fosses, risonho Pai-Natal,
Na noite friorenta,
D portal em portal,
De tormenta em tormenta!

E descesses aos lares pobrezinhos
Onde há doridas mães talvez chorando,
Ao seio acalentando
Os pálidos filhinhos!

Ou fosses campo em fora, em longas caminhadas,
A descobrir crianças sem abrigo,
Adormecidas, nuas, regeladas,
E ainda a sonhar contigo!

Mas não são esses, não, os teus caminhos,
Tu que vestes veludos e arminhos!

Quando Jesus nasceu,
No rigoroso frio do Inverno,
Nu e natual,
Sem outra benção que o olhar materno,
Sem mais calor que um bafo irracional.
Onde é que estavas tu, oh!  Pai-Natal?!
Por onde andavas tu, oh!  Pai-Natal?!

Sei bem onde é que estavas!
Sei bem por onde andavas!

Andavas, entre risos e folguedos,
Já com as barbas brancas e os  bigodes,
A despejar  saco de brinquedos,
-Na chaminé de Herodes!

Angelino da Silva Jardim
Moçâmedes. Publicado em “O Namibe” e na revista “Notícia”, em Angola, 1964

Créditos de imagem: Salvador

04 dezembro 2009

Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, irmã doroteia, e elementos da JIC: 1950
















































































Da esq. para a direita e de baixo para cima:
1ª fila: Lizette Ferreira, Juvelina Sena, Augusta Bento, Noémia Van-der-Kellen, Madalena Trindade e Celeste Matos
2ª fila: Fernanda, Fátima Santos, Henriqueta Barbosa (Miqueta), Fernanda Pólvora Dias,  Rute Melero, Madre Fernandes, Raquel Nunes, ?, Maximina e Julia Jardim   
3ª fila: Ester Guerra, Maria Simão, Carolina Mangericão, Adelaide Ernesto, Calila, Dilia Martins Nunes?, Maria Ilda, Lucia Reis (Brazão), Fátima Cunha e Bia Mangericão.

Poderão ver mais fotos de alunas deste Colégio de Moçâmedes, até 1975, em postagens amteriores, e
também   AQUI

Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, no ano de 1950

















Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, vulgo «Colégio das Irmãzinhas», no ano de 1950. Em cima, da esq. para a dt.: Lúcia  Reis (Brazão), Taneta, Maria Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, Fátima Santos; Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ?, Fátima Cunha, ?,?.
Embaixo: ?,?, Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Maria Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé); Maria Amália Freitas Bensabá Duarte de Almeida, Amélia Anselmo Braz de Sousa, ?,?.

28 novembro 2009

Peregrinação da imagem de Nossa Senhora de Fátima por terras da então África portuguesa: passagem por Moçâmedes (1948)





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

As famílias de Francisco Velhinho, Joaquim Gregório, António Paulo (A. da Rita) e Silva, junto do arco erguido em plena Avenida Felner, em frente e suas casas, Trata-se da Avenida sobranceira ao mar que liga a baixa da cidade à Torre do Tombo. Peregrinação da imagem de Nossa Senhora de Fátima 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
Em 1948,  no decurso de uma peregrinação  por terras de África,imagem de Nossa Senhora de Fátima fez a sua  passagem por Moçâmedes.

A imagem, vinda da Cova da Iria, em Fátima (Portugal) chegou à cidade num avião da TAG, onde a esperava uma multidão de gente, que acenava com lenços brancos numa manifestação de grande fervor religioso jamais alguma vez acontecida em terras do Namibe. Em seguida a Imagem foi colocada no cimo de um andor, tendo-se formado uma extensa procissão que desde o antigo campo de aviação (o nome que dávamos à velha gare situada já em pelo deserto do Namibe),  foi percorrendo as ruas da cidade que se encheram de colchas às janelas, de arcos  de trunfo enfeitados em cada quarteirão com grinaldas de flores de papel, bandeiras, disticos, etc., em cuja construção toda a gente colaborou.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A procissão, cumprindo o programa pré estabelecido pela organização, da qual tinham feito parte entidades camarárias e do governo civil, bem como padres da Igreja e senhoras da Acção Católica, prosseguiu rumo ao antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim, onde se realizou uma missa campal e comunhões.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
Por toda a a cidade ergueram-se arcos idênticos por onde a procissão iria passar, tendo os moradores de cada quarteirão partiicipado na sua construção e  alindamento com verduras, flores, fitas, etc., etc. A 3ª foto permite ver mais de perto esta mesmas familias. 
 
6ª foto: A procissão passado sob um dos arcos erguidos na cidade, este  na Rua da Praia do Bonfim, já próxima do campo de futebol. À esq. reconhece-se Fernanda Pólvora Dias, membro da JIC (Juventudo independente Católica, cuja «farda» era saia azul escura e blusa azul clara.) Repare-se o grupo de crianças ao centro vestidas de pastorinhos.
7ª foto: Senhoras de Moçâmedes carregam ao ombro o andor, enquanto elementos da Mocidade Portuguesa fazem a guarda de honra devidamente fardados e carregando ao ombro espingardas manelika...
8ª foto: A procissão passando junto da Secretária da Escola  Comercial de Moçâmedes e do Departamento da Mocidade Portuguesa, dirigindo-se para a Rua das Hortas, na parte beixa e central da cidade. Em frente da procissão, Augusto Martins (à época funcionário daquela Escola) . Seguem-se as irmãs Ildete e Luisa Bagarrão, Umbelina Seixal e a avó das duas jovens.
9ª foto: Carregando do andor. Junto da imagem de Nossa Senhora, José Pestana (o Sr. de cabelos brancos).
10ª foto: idem
Inclui algumas fotos tiradas por Antunes Salvador
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Participaram nesta procissão, que percorreu serpenteando várias ruas da cidade, representantes das forças vivas da cidade, entidades oficiais, alunos e alunas de todas as Escolas da cidade e distrito (as raparigas de bata branca ou vestidas com saia azul escura e blusa branca, consoante a instituição de ensino que frequentavam, escolas públicas ou Colégio das irmãs Doroteias; os rapazes, fardados da Mocidade Portuguesa), o corpo de bombeiros voluntários trajados a rigôr, as irmãs da caridade, os professores e professoras de todas as escolas, gente de todas as profissões e de todos os extractos sociais:advogados, juizes, médicos, engenheiros, industriais, comerciantes, funcionários públicos, bancários, caixeiros, agricultores, pescadores, serralheiros, pedreiros, homens de capacete, senhoras com véus rendilhados, serventes, criados, cozinheiros, lavadeiras, etc,  sem distinção de idades, sexo, posição social e côr da pele. 
 
 
 
 
 

Terminada a missa e as comunhões, a procissão prosseguiu o trajecto até à Igreja Paroquial de Santo Adrião, onde a imagem de Nossa Senhora ficou colocada junto do altar. Durante toda a noite a Igreja, iluminada esteve de portas abertas, com gente que entrava e saía, rendendo-se, numa «velada» à Santa da sua devoção, com terços, cânticos, comunhões e orações. 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No dia seguinte, foi a vez da cerimónia da benção do mar. Centenas de barcos de pesca de todas as artes, provenientes de todo o distrito, bem como barcos de carga e de transporte, devidamente engalanados e completamente apinhados de gente, percorreram a baía, em procissão, de ponta a ponta, e o mesmo aconteceu quando do transporte da imagem para a ponte de desembarque, entre a Fortaleza de S. Fernando e a Praia das Miragens. Já em terra, organizou-se de novo a procissão, agora rumo ao Aeroporto, o velho «campo de aviação» como era vulgarmente chamado, e as manifestações de fé voltaram a repetir-se.
 
 
 
 
 









 
  Momento da procissão marítima/benção do mar, onde podemos ver algumas traineiras engalanadas e carregadas de crentes e curiosos, sulcando as águas da baía de Moçâmedes, tendo como pano de fundo a cidade. Aspecto da baía e ponte de embarque/desembarque por ocasião da mesma procissão marítima/benção do mar . Repare-se o pormenor da ponte cheia de gente. À esq. reconheço o moçamedense Álvaro da Silva Jardim.
 
À partida, foi a cerimónia do ADEUS. Algo de impressionante, com milhares de lenços brancos a acenar, enquanto a imagem deixava o andor e, transportada aos ombros era levada para o interior do avião, enqauato pombas brancas eram lançadas e pétalas de flores esvoaçando cobriam o espaço envolvente.

Moçâmedes nunca tivera uma visita assim. Os moçamedenses mais idosos recordavam-se da visita do Principe Luis Filipe no início do Século, e da visita do Presidente Carmona, em 1938, mas esta era diferente. Nossa Senhora Peregrina estava ali em nome da Paz e da reconciliação entre os povos, para todos unir em nome de Portugal!
  

 
 
PORTUGAL E O MUNDO NA  ÉPOCA DAS APARIÇÕES (breves notações)

Com a instauração da República em 5 de Outubro de 1910, uma das primeiras clivagens políticas abertas pela revolução foi seguramente a religiosa, que se acentuava à medida que o Estado progredia, legalmente, no sentido de uma maior secularização. Os republicanos associavam o  atraso de Portugal à Igreja e à monarquia, e nas duas últimas décadas do século XIX,  tinha-se assistido no país a um renascimento da Igreja Católica, traduzível no regresso e consolidação das ordens religiosas que haviam sido expulsas em 1834. Bispos eram perseguidos, expulsos e suspensos das suas dioceses, prelados eram destituidos das suas  funções, párocos não sabiam a quem obedecer, e os bens e propriedades da Igreja eram arrolados e  incorporados no Estado, repondo a situação de 1834 (*).  Com as leis do divórcio (3 de Novembro de 1910) e da família, o casamento, de "sacramento» religioso" tinha passsdo a  "contrato civil", e a 20 de Abril de 1911 a Lei de Separação do Estado e da Igreja, com  grande aceitação das imprensa, das classes populares, e dos circulos intelectuais,  completara-se o círculo das medidas tomadas em em prol da secularização. Afonso Costa defendia a irradicação completa  do Catolicismo do país no espaço de duas ou três gerações.

Era pois de grande fricção entre Igreja/Estado o clima que se vivia em Portugal quando, a  13 de Maio de 1917,  se deu um acontecimento que iria contribuir para uma mudança de atitude em relação à onda de anticlericalismo que grassava no país. Três pastorinhos comunicaram às famílias a aparição  de Nossa Senhora, na Cova da Iria, em Fátima que pedia ao mundo para rezarem o terço todos os dias para alcançarem a paz e o fim da Guerra. 

Por esta altura, a Europa estava envolvida na lª Guerra Mundial (1914-1918), na origem da qual guerra estivam vários factores, entre os quais o desenvolvimento desigual dos países capitalistas, os nacionalismos exacerbados, as ambições imperialistas, que haviam levado a uma intensa corrida armamentista das potências europeias a disputas políticas e territoriais pelo controle das matérias-primas e dos mercados mundiais, principalmente sobre territórios afro-asiáticos, enquanto países como a Alemanha, que haviam chegado tarde a essas disputas, reivindicavam uma redivisão do território africanoEm Angola, em 1914, a pretexto dos incidentes de Naulila, Portugal levara a cabo, no sul do território,  importantes operações militares de pacificação das tribos indígenas revoltadas pela acção dos alemães da colónia da Damaralândia (actual Namíbia). Também em Moçambique, em 1914, incidentes militares tiveram lugar na fronteira norte, com um ataque ao posto de Maziúa.  A declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916,  foi a mola que levou Portugal a decidir-se  a participar nas trincheiras da Flandres, numa conjuntura de crise da qual se destacaram  Bernardino Machado, João Chagas e Norton de Matos . Portugal  teve que participar na Guerra para assegurar a manutenção dos territórios ultramarinos e  a independência na Península Ibérica, e no intuito de reduzir a dependência com relação à Inglaterra.
 
Na Rússia, em Fevereiro de 1917 o Czar Nicolau II da Rússia fora derrubado  por uma burguesia que procurava estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal. E em Outubro do mesmo ano, a Europa era surpreendida com a revolução bolchevique que, desmantelando a ordem capitalista e burguesa, veio impôr um governo Socialista e dar início a uma ditadura do Partido Único – o Partido Comunista - que não admitia oposições políticas, e assumiu desde logo a sua vocação internacionalista.



Em Fátima (Portugal), novas aparições foram sucedendo, a 13 de Junho, a 13 de Julho, a 15 de Agosto, a 13 de Setembro, e a 13 de Outubro, então já com a presença crescente de um certo número de pessoas. A 13 de Outubro data da última aparição, com 70 mil pessoas reunidas em Fátima, deu-se um fenómeno intitulado o "milagre do sol". Esta parição veio marcar uma primeira viragem na frieza popular para o entusiasmo (vidé fotos da época das aparições), enquanto os republicanos apontavam para a manipulação Jesuíta, e para o esforço das hostes católicas para se organizarem politicamente através de uma manifestação pública de religiosidade não autorizada, para promoverem a restauração política e social da Igreja Católica.

Após a revolta liderada por Sidónio Pais, em 5 de Dezembro de 1917, segue-se um periodo de certa acalmia em termos da agitação anticlericalista, mantendo-se embora a tendência de separação da Igreja e do Estado no âmbito dos intentos de laicização do Estado, tendo acontecido nesta fase a condenação ao exílio do bispo do Porto e do cardeal patriarca.

Aos poucos, o culto de raiz popular era substituído por uma construção eclesiástica que o utiliza, primeiro, como forma de denegrir a anticlerical Primeira República, depois para promover o anti-comunismo. Para os católicos e os defensores do novo regime, o êxito das aparições vinham mostrar o quanto podia levar a política errada da ala mais anticlerical do republicanismo, gerando a hostilidade popular contra a República. Com a morte de Sidónio Pais (14 de Dezembro de 1918), as relações Estado e Igreja estavam mais próximas de uma situação harmoniosa. É de notar a influência da maçonaria nas medidas tomadas pelos políticos neste período atribulado.

Com o fim da guerra, em 1918, a Alemanha nazi perdeu as suas colónias no Ultramar, desaparecem os impérios austro-húngaro e otomano, e surgiram novos estados no Leste da Europa que passariam a ficar sob a esfera da URSS (União das Repúblicas Soviéticas) que em 1922 se formou, caminhando no sentido de se tornar numa das mais importantes potências mundiais em condições de rivalizar com os Estados Unidos, o grande líder de então do mundo capitalista.

Quando da assinatura do tratado de paz, Portugal estava presente entre os Aliados, e foi-lhe reconhecida a posse das suas colónias africanas tendo a Alemanha se comprometido a uma indemnização de guerra.

 
 
 
PORTUGAL E O MUNDO NA ÉPOCA DAS PEREGRINAÇÕES (breves anotações)



Desde 1910 até à inssurreição militar de 28 de Maio de 1926, é grande a instabilidade em Portugal, tendo-se sucedido 45 governos, 8 presidentes e 7 eleições. Nos últimos anos da l Republica, do ambiente era de agressões físicas, ataques bombistas, assassinatos (p. ex. como o de Sidónio Pais), etc. O país estava endividado e à beira da bancarrota. A insurreição dissolveu o Parlamento, e a l República cedeu lugar a uma Ditadura Militars que durou de 1926 a 1933. Estavam geradas as condições para o surgimento do novo timoneiro da Nação: António Oliveira Salazar sobe à cena política, primeiro como Ministro das Finanças (1928), em seguida, munido do grande prestígio alcançado na pasta das finanças públicas, como Presidente do Conselho de Ministros (1932). É criada a União Nacional (partido único), e em 1933 com a aprovação da nova Constituição é fundado o Estado Novo. O país passa a ser governado em regime de ditadura civil, apoiado na PVDE (1933), a polícia política de carácter secreto. Em 1836 são criadas a Legião Portuguesa (1936), organização da Defesa Civil do Território e a Mocidade Portuguesa, organização de carácter milicial dirigida às camadas mais jovens da população, que em 1939 seria alargada às colónias. Com a vida económica e social do país organizada em Corporações, no quadro de uma nova ordem para Portugal, anti-liberal, anti-comunista e anti-parlamentar, que se orienta segundos os princípios da tradição: Deus, Pátria, Familia, Autoridade, Hierarquia, Moralidade, Paz Social e Austeridade, Portugal tornarava-se um Estado Corporativo, e afirmava-se ao mundo como "um Estado pluricontinental e multirracial", assente sobre os pilares de uma politica colonialista.


O Acto Colonial, lei constitucional publicada em 1930, ainda no decurso da Ditadura Militar (1926-1933) passou a definir as relações das Colónias com a Metrópole, pondo um fim à já limitada autonomia financeira e administrativa das Colónias. Com este Acto, o conjunto dos territórios ultramarinos passaram a denominar-se Império Colonial Português.

Na década de 1930 nuvens cinzentas começam apairar de novo sobre a Europa, com o surgimentos governos ditatoriais, militaristas e expansionistas, como a Alemanha de Hitler, com pretensões de reconquistar os territórios perdidos na l Grande Guerra. Na Itália surge o Partido fascista liderado por Mussolini, que logo se tomou de poderes ilimitados. Ambos os paises encontravam-se a braços com uma grave crise económica, com milhares de desempregados, e a poltica armamentista fora solução, tendo com o Japão, país asiático com fortes desejos expansionistas, formado o Eixo. Em 1939 a Alemanha invadiu a Polónia e teve inicio a II Grande Guerra Mundial, formando-se 2 grupos de aliados liderados, um pela Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos e outro pelo Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O conflito rapidamente se espalhou pela África e Ásia.

Em Junho de 1941 dá-se a invasão da URSS pela Alemanha . Em 1943 os soviéticos obrigaram os alemães a retroceder, enquanto os americanos recuperam territórios aliados ocupando grande parte da Itália. Em Junho de 1944, os aliados desembarcaram na Normandia, obrigando o exército alemão a recuar. O conflito termina com a rendição da Alemanha e Itália em 1945, e em seguida com a do Japão, que ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki, provocando a morte de milhares de cidadãos inocentes, e deixando um rastro de destruição nestas cidades. A 30 de Abril de 1945, Hitler suicidou-se.

Com o fim da II Grande Guerra Mundial e a derrota da Alemanha nazi, a URSS emerge como potência mundial e o Mundo fica dividido entre a esfera de influências dos EUA e da URSS , numa disputa entre capitalismo e comunismo, sem contudo entrarem em conflito armado que ficou denominado por «Guerra Fria». Com a nova ordem internacional instituída pela Carta das Nações, a questão colonial passa a constituir mais um sério problema para a política colonial do Estado Novo. A ONU reconhece o direito à autodeterminação dos povos e potências coloniais como a Inglaterra passam a negociar a independência das suas possessões ultramarinas, torna-se difícil para o Governo português manter a politica colonial instituída pelo Acto Colonial, em 1930, e que colocara um fim à autonomia financeira das Colónias (em 1951 uma nova lei iria alterar o termo colónia para província ultramarina).

Em 1946, Nehru tinha ameaçado com a independência da India, e Portugal defendia-se nas instâncias internacionais, já não tanto com a mística do império que na década de 30 fora um dos pilares do Estado Novo, mas com com argumentos que procuravam demonstrar a «singularidade da colonização portuguesa», inspirados na teoria do sociólogo Gilberto Freire, o «lusotropicalismo» (3) e argumentando o aumento das relações económicas com as colónias e os valores recordes alcançados pelo o comércio externo português nesse conturbado período da história da Europa em que Portugal havia mantido uma posição de neutralidade. Salazar recusou-se sempre a conceder a autodeterminação aos povos das regiões colonizadas, praticando uma política de isolacionismo internacional sob o lema «ogulhosamente sós», que levou Portugal a sofrer consequências extremamente negativas a nível cultural e económico.

Quanto às relações Igreja/Estado em Portugal, o período de 1937 a 1943 é marcado pelas difíceis negociações que levam à assinatura da Concordata em 1940 e à implementação do Acordo Missionário três anos depois. Portugal conseguiu fazer vingar a interpretação política do Acordo como um aval espiritual da Santa Sé ao colonialismo português. O divórcio é interdito a casais casados catolicamente e o ensino da religião e moral católica é garantido nas escolas públicas. A partir do desfecho da II Guerra Mundial, o Vaticano aposta no reforço das suas posições internacionais, procurando prever, influenciar e acompanhar as descolonizações, o multilateralismo, a abertura aos países comunista do Leste, enquanto o papel da ideologia é secundarizado bem como a cooperação entre o regime e a Igreja Católica no projecto de cristianização de Portugal e na construção das relações diplomáticas com o Vaticano.


Cerejeira foi o capelão-mor dos bispos castrenses e na defesa do Império português não havia divergência com Salazar; mas enquanto este defendia uma linha mais "civil" do Minho a Timor, Cerejeira seguia a perspectiva da missão católica, da missionarização. As colónias estavam ali, faziam parte do Império português para serem missionarizadas, no sentido de trazer mais gente para o catolicismo.

Em 1946, Lúcia entrega ao bispo de Leiria uma carta contendo o "terceiro segredo" de Fátima. que é enviada para o Arquivo do Santo Ofício, no Vaticano, em 1957. Neste ano cardeal Bento Masella, enviado a Fátima por Pio XII, é recebido em Portugal com honras de chefe de Estado.

No campo da política interna, com o o fim da Segunda Grande Guerra Mundial as oposições reorganizam-se, e é aberto espaço político em Portugal para os reformistas e defensores do industrialismo (ex. marcelistas). Salazar faz algumas reformas, entre as quais a mudança da PVDE para PIDE, e autoriza a formação de partidos políticos, é formado o MUD (Movimento de Unidade Democrática), e preparam-se eleições livres, contudo a adesão popular conseguida pelo MUD fora mais que a esperada e de imediato vista como uma ameaça ao regime. Como resultado, movimento é levado a desistir e a apelar à abstenção nas eleições, acabando ilegalizado em 1948, sob o pretexto de que tinha fortes ligações ao Partido Comunista Português. Nos anos de 1947-48 dá-se uma nova vaga de saneamentos políticos na Universidade, reprimem-se todas as greves e manifestações, prendem-se os dirigentes do MUD juvenil, e o movimento é ilegalizado. Apesar de tudo, viria ainda a apoiar a candidatura presidencial do general Norton de Matos, em 1949.



São algumas pinceladas do quadro histórico-político em que Portugal se encontrava no concerto das nações e no contexto da nova ordem mundial saida do pós guerra, quando a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, saída da Cova da Iria (Portugal) em peregrinação por terras de África, passou por Moçâmedes (1948). A partir da Conferência de Bandung (4) em 1955, a questão colonial passaria a ser mais um sério problema para Portugal ...
O segredo de Fátima

No que diz respeito ao segredo de Fátima, este era dividido em três partes. Na primeira foi mostrado aos pastorinhos o inferno, no qual podiam ver as almas dos condenados em forma de brasas transparentes e negras boiando num espantoso mar de fogo. Para salvar os pecadores, dizia a Virgem, "Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração". Se a humanidade seguisse seus conselhos, muitas almas se salvariam e se obteria a paz. Do contrário, "no reinado de Pio XI" (1922-1939) viria uma segunda guerra mundial, muito pior do que a primeira. Deus iria punir o mundo por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Papa

Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora disse que, se seus pedidos não fossem atendidos, a Rússia espalharia seus erros pelo mundo (o comunismo), promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons seriam martirizados, o Santo Padre teria muito que sofrer e muitas nações seriam aniquiladas. Terminava dizendo: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. A Rússia se converterá e o mundo terá um tempo de paz".


A terceira parte do segredo que Lúcia não o havia revelado e que dele, entretanto havia sido enviado um relato ao Vaticano, em envelope lacrado, com instruções para que fosse aberto em 1960, só foi revelado no ano 2000, por determinação de João Paulo II. Tratava-se de um novo convite à conversão e à penitência, acompanhado da visão de um Papa que caminha, vacilante e trêmulo, atravessando uma cidade em ruínas e juncada de cadáveres. Seguido por uma multidão de bispos, padres, religiosos e fiéis, sobe uma escabrosa colina em cujo topo está uma cruz. Ao chegarem ao alto, todos são massacrados por soldados inimigos a tiros e flechadas. A Igreja sugeriu que poderia estar relacionada ao atentado contra João Paulo II, na Praça de S. Pedro, em 1981, mas deixava livre a interpretação do complexo texto, admitindo poder referir-se a acontecimentos vindouros.

4. As peregrinações da Senhora de Fátima, a mensageira da paz (1947-1948)


Terminada a ll Grande Guerra Mundial, o culto de Nossa Senhora de Fátima é reanimado e começaram as grandes peregrinações pela Europa e pelo Mundo. A 13 de Maio de 1947, uma imagem partiu da Cova da Iria para presidir ao Congresso de Maastricht, nos Países Baixos, onde foi beijada por cardeais e bispos da Bélgica, Holanda e Luxemburgo, prosseguindo pelas regiões da Alemanha para consolidar a paz recentemente conseguida. Em Espanha, é aclamada por mais de duzentos mil fiéis e fechavam lojas bancos e o dia era feriado. Na Bélgica, centenas de milhares de peregrinos aclamaram a Virgem de cidade em cidade. Seguiu-se a Holanda e Luxemburgo onde foras feitas 100.000 comunhões em honra da Virgem. E daí partiu atraves das fronteiras da Europa para todo o mundo num inimaginável movimento de oração, penitência e conversões, em direcao a outros “caminhos” Estados Unidos, Canadá, América do sul, África, Ásia e Oceania.


Em 1948, de novo a Virgem reuniu 1.500.000 fiéis em Madrid, onde se registaram curas milagrosas, durante uma missa celebrada para 13.000 doentes. Em toda parte houve confissões, comunhões, rosários, horas de reparação, consagrações individuais ao Imaculado Coração de Maria. A Virgem Maria realizava um apostolado considerado por muitos de sobrenatural, indicando os meios para de novo recristianizar o mundo. Em Boulogne, reproduções foram enviadas a centenas de paróquias do norte, uma delas a Lourdes, onde ficara. Na França laicizada a peregrinação pelas cidades e aldeias da imagem foi recebida por multidões de fiéis num prodigioso percurso que durou sessenta meses.

Em meados de 1948 coube a vez da peregrinação às Colónias de além-mar em África, tendo visitado Cabo Verde, Guiné, Açores, Angola, Moçambique, Rodésia, Quénia, Zanzibar, Uganda, Tanzania, Abissinia, Eritreia, Sudão, Egipto, India, Paquistão, Ceilão, Tailândia, Bismânia, Singapura, Malásia, Vietnam, Austrália, Timor, Papuásia, Etiópia, Adis abeba e África do Sul, onde reuniu mais gente que o rei da Inglaterra. Fátima era o nome de uma jovem princesa muçulmana raptada por um cruzado, que se convertera ao cristianismo, e foi sepultada em cidade de seu nome.


FONTE


(*) O encerramento das casas religiosas em Portugal e da campanha anti-religiosa pelo Governo Liberal em 1834 reflectiu-se em Angola onde encontravam numerosos adeptos, mesmo em algumas autoridades e teve reflexos no ensino religioso nas escolas com o afastamento e expulsão de missionários que trabalhavam em Luanda e Moçâmedes e supressão de subsídios às missões e outras onstrituições católicas. A um bispo deste século atribui-se esta frase de desalento: "Das Missões de Angola e Congo só resta a memória".FONTE

(*) Entre 1926 e 1940, a expansão da Igreja Católica foi visivelmente impulsionada com a fundação de 29 novas missões. De 1930 a 1960, mais de 20 Congregações missionárias enviaram pessoal para Angola: Beneditinos, Beneditinas, Doroteias, Irmãs do SS. Salvador, Irmãs de la Salette, Capuchinhos, Franciscanas Missionárias de Maria, Reparadoras, Teresianas, Redentoristas, Ordem Trapista, Irmãozinhos de Jesus, Irmãos Maristas, Irmãs do Amor de Deus, Dominicanas de Se. Catarina, Espiritanas, Missionárias Médicas de Maria, Dominicanas do Rosário, Irmãs da Misericórdia.

(*) Em 28 anos (1940-1968), o número de Padres angolanos passou de 8 a 71. Durante a 2." Guerra Mundial (1939-1945), não foi possível a entrada de pessoal missionário estrangeiro; mas, finda a Guerra, muitas Congregações acorreram ao apelo e dedicaram-se ao apostolado missionário em Angola. FONTE
Pesquisa e texto de MariaNJardim
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24 novembro 2009

Jovens estudantes de Porto Alexandre (actual Tombwa)



in Mazungue foto de KadyPress 

INFÂNCIA PERDIDA
(para o Miau)

Nesse tempo, Edelfride,
Com quatro macutas
A gente comprava
Dois pacotes de ginguba
Na loja do Guimarães.

Nesse tempo, Edelfride,
com meio angolar
a gente comprava
cinco mangas madurinhas
no Mercado de Benguela.

Nesse tempo, Edelfride,
montados em bicicletas
a gente fugia da cidade
e ia prás pescarias
ver as traineiras chegar
ou então
à horta do Lima Gordo
no Cavaco
comer amoras fresquinhas.

Nesse tempo, Miau,
(alcunha que mantiveste no futebol)
nós fazíamos gazeta
da escola coribeca
e íamos os quatro
jogar sueca
debaixo da mandioqueira.

Era no tempo
em que o Saraiva Cambuta batia na mulher
e a gente gostava de ver a negra levar porrada.

Era no tempo
dos dongos da ponte
dos barcos de bimba
dos carrinhos de papelão

Como tudo era bonito nesse tempo, Miau!

Era no tempo do visgo
que a gente punha na figueira brava
para apanhar bicos-de-lacre e seripipis
os passarinhos que bicavam as papaias do Ferreira Pires
que tinha aquele quintalão grande e gostava dos meninos.

Era no tempo dos doces de ginguba com açúcar.

Mais tarde
vieram os passeios noturnos
à Massangarala
e ao Bairro Benfica.
E o Bairro Benfica ao luar
O poeta Aires a cantar
(meu amor da rua onze e seu colar de missangas...)
Tudo era bonito nesse tempo
até o Salão Azul dos Cubanos
e o Lanterna Vermelha - o dancing do Quioche.

Foi então que a vida me levou para longe de ti:
parti para estudar na Europa
mas nunca mais lhe esqueci, Edelfride,
meu companheiro mulato dos bancos de escola
porque tu me ensinaste a fazer bola de meia
cheia de chipipa da mafumeira.
Tu me ensinaste a compreender e a amar
os negros velhos do bairro Benfica
e as negras prostitutas da Massangarala
(lembras-te da Esperança? Oh, como era bonita
[essa mulata...)
Tu me ensinaste onde havia a melhor quissângua
de Benguela:
era no Bairro por detrás do Caminho de Ferro
quando a gente vai na Escola da Liga.
Tu me ensinaste tudo quanto relembro agora
Infância Perdida
sonhos dos tempos de menino.

Tudo isso te devo
companheiro dos bancos de escola
isso
e o aprender a subir
aos tamarineiros
a caçar bituítes com fisga
aprender a cantar num kombaritòkué
o varre das cinzas
do velho Camalundo.
Tudo isso perpassa
me enche de sofrimento.

Diz a tua Mãe
que o menino branco
um dia há-de voltar
cheio de pobreza e de saudade
cheio de sofrimento
quase destruído pela Europa.

Ele há-de voltar
para se sentar à tua mesa
e voltar a comer contigo e com teus irmãos
e meus irmãos
aquela moambada de domingo
com quiabos e gengibre
aquela moambada que nunca mais esqueci
nos longos domingos tristes e invernais da Europa
ou então
aquele calulu
de dona Ema.

Diz a tua Mãe, Edelfride,
que ela ainda me há-de beijar como fazia
quando eu era menino
branco
bem tratado
quando fugia da casa de meus Pais
para ir repartir a minha riqueza
com a vossa pobreza.
Diz tudo isso a toda a gente
que ainda se lembra de mim.
Diz-lhes. Diz-lhes
grita-lhes
aos ouvidos
ao vento que passa
e sopra nas casuarinas da Praia Morena.
Diz aos mulatos e brancos e negros
que foram nossos companheiros de escola
que te escrevo este poema
chorando de saudade
as veias latejando
o coração batendo
de Esperança, de Esperança
porque ela
a Esperança
(como dizia aquele nosso poeta
que anda perdido nos longes da Europa)
está na Esperança, Amigo.

Edelfride, você não chore
saudades do Castimbala
nem lhe escreva
cartas como essa
que são de partir
meu pobre coração.

Nesse tempo, Edelfride,
Infância Perdida
era no tempo dos tamarineiros em flor...

Ernesto Lara Filho
(O Canto de Martrindinde e Outros Poemas Feitos no Puto)
1964, Lisboa

Grupo de alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim




































Mais um elenco de jovens moçamedenses que na época (1956/7), frequentavam a  Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes.

Reconheço, da esq. para a dt.
Em cima: Maria João, Professora ? e  Rosália Bento
Embaixo, mais recuadas: ?, ?, Claudia Guedes, Teresinha Freitas e Laurinda Pereira
Embaixo, mais à frente: Maria José Gastão, ?, Maria Helena Braz de Sousa, Piedade, Leonilde (Nide),  ?Peixinho; Emilia Coelho de Oliveira (Mila) e Antonieta (Boneca)


Em cima, uma bela perspectiva da  Avenida da Praia do Bonfim, que se desenrola sob o «olhar» imponente de uma das duas gazelas que circundam a fonte luminosa, um dos ex-libris da cidade de Moçâmedes.