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15 abril 2007

No deserto do Namibe em Moçâmedes















O DESERTO DO NAMIBE
Sua fauna e seus parques
No deserto de Moçâmedes, o célebre deserto do Namibe, local fascinante pela sua monotonia, aridez e imensidão, há caça em grande quantidade e bastante variada, razão porque lhe chamavam de ...«paraiso de fotógrafos e caçadores». Nele desfilam as tímidas gazelas; os altivos guelengues: as aristocraticas avestruzes, as «bailarinas do deserto», as zebras; o trombudo elefante; os magestosos leões; os olímpicos leopardos, o «neura» do imenso areal; o rinoceronte e muitos outras espécimes.
A 60 km de Moçâmedes, no Pico do Azevedo, situa-se a reserva Parcial de Moçâmedes onde existe um acampamento da guarda do Parque. Mais para o sul, a cerca de 240 km da cidade, fica o Parque Nacional do Iona, onde se topa com realtiva facilidade todas as espécies selvátivas da região.
«Deserto do Namibe, perante ti sentimo-nos como vermes! - disse alguém ao tomar contacto pela primeira vez com a sua solidão, monotonia, aridez, miragens e imensidão incomparáveis!
in caderno/programa das Festas do Mar- Moçâmedes Março-1970

1ª foto: Uma espinheira e uma welwitschia, od dois símbolos do Deserto do Namibe.

2ª foto: Nesta foto, tirada no deserto do Namibe, junto a uma welwitschia,
reconheço entre outros, em cima e da esq. para a dt: a esposa de Zeca Castro Alves, Zica Castro Alves, (?) Guida e Álvaro Ascenso com o filho Telmo ao colo. Em baixo à esq. José Alves, Paulinha, Gestosa e esposa. Não posso deixar aqui de fazer uma referência especial e carinhosa à D. Zica, que me traz à recordação os saborosos bolos por sí confeccionados (canudos, bêbados, suspiros, pastéis de nata, nógados, etc., etc), que deliciaram a minha infância e a de muitas crianças e jovens, e não só, de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por Telmo Ascenso.
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E já agora alguns poemas alusivos â Welwitschia Mirabilis:

Welwitschia Mirabilis

Welwitschia de longos braços
Que vive e nasce aos abraços
Que vive e morre em tormento.
Por tanto amar o deserto
Por tê-lo perto, tão perto
Num amor sem casamento.

Concha Pinhão

VELVÍTCHIA

Mora a velvítchia no emo solitário,
A flor de Angola, dum areal do Sul,
Braços coleantes, sob céu azul,
Á flo da sede, em prece, num calvário...

A estranha raridade vegetal
Será, talvez, num velho mar extinto
Um polvo exótico o a flor do mal,
Vencendo a morte, no vigôr do instinto...

Será, talvez, no cálido deserto,
Uma estrela cadente que tombou
Da convulsão da noite, em céu aberto,
ou a alma dum aspro que expirou...

Seja o que for - estrela, monstro,flor -
Eu sinto-lhe nos braços revoltados
A trágica expressão da imensa dor,
talvez, de belos sonhos destroçados...

E eu penso que a velvítchia exilada
N seu mundo de sede e solidão,
É irmã de tanta alma torturada.
Que anda sózinha em meio da multidão...

(José Galvão Balsa)
De «Feitiço do Namibe»


NAMIBE

Grande é o Namibe
Aquém e além Cunene
Vida em murmúrio a passar.

Grande é o Namibe
e a alma-poeta
uma grande Welwitschia Mirabilis
macho e fêmea
cio em flor
no deserto vida teimosa a rasgar.

Namibiano Ferreira

Sobre caça:
Memórias de um caçador
e ainda Blogdangola

Conheça a história da vida de Luis Carriço, o botânico falecido repentinamente no ano de 1935 no Deserto do Namibe:
http://www.uc.pt/herbario_digital/hist_botanica/carrisso
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WELWITSCHIA MIRABILIS



Eis a imponente WELWITSCHIA MIRABILIS planta milenar contemporânea dos dinossauros apenas existente no deserto de Moçâmedes. Esta espécie vegetal foi descoberta a 3 de Setembro de 1859 pelo botânico explorador austríaco Frederich A. Welwitsch

Frederic Welwitsch (1809-1878) foi para Lisboa em 1839, onde consegue autorização para entrar em Angola, para onde embarcou a 8 de Agosto de 1853 e onde fez demoradas explorações botânicas tendo descoberto a Welwitschia Mirabilis no deserto de Moçâmedes, actualmente Deserto do Namibe.


«A planta que recebeu o binome de Welwitschia Mirabilis Hook. F. era tão diferente, morfologicamente de todas as espécies botânicas conhecidas, que dada a grandeza dessa diferenças, não “cabia” em nenhum dos géneros já descritos.
Houve, por isso, a necessidade de criar um género novo, o qual ainda se conserva, como uma única espécie consequentemente.
Houve ainda que definir uma nova família de plantas para este único género, a família das WELWITSCHIACEAE.
WELWITSCHIA , é também conhecida por "Tumbo", pelos autóctones, nativos da região do deserto de Moçâmedes.




As suas flores são unisexuadas.
Os estames masculinos atingem aproximadamente 6 cm (antenas com 3 divisões) localizam o óvulo estéril envolto pelo periano.




Welwitschia é uma planta da família das gimnospérmicas adaptada á vida nas regiões desérticas da África tropical.
É uma planta acaule de grandes dimensões, com a forma de um gigantesco cogumelo dilatado e côncavo de 50 a 75 cm de altura que parece partida pelo golpe de um machado em tiras. As suas grandes folhas, duras e muito largas, deitadas no chão, arrastam-se pelo deserto podendo atingir dois ou mais metros de comprimento.

Diversos trabalhos mundiais sobre a Welwitschia encontram-se em exposição em vários
Jardins botânicos espalhados pelo mundo.

Que se encontram descritos no livro Botanical Gardens of the World


Entre outras pessoas que deram igualmente o seu contributo na pesquisa desta espécie no período de 1953 a 1955, podemos destacar os seguintes Professores:
A.H. Church,
E. Salisbury,
Henri Humbert,
Jose Dalton Hooker,
Luís Wittnich Carrisso,
Melo Geraldes,
R. J. Rodin,
W.J.Hooker

Mais recentemente, Maria Helena Boavida
Coisas que já se disseram acerca da "welwitschia mirabilis":

"A "welwitschia mirabilis", descoberta nas vizinhanças do Cabo Negro, da costa odicental africana, é a mais curiosa das gnetaceas e talvez que de todas as dicotiledoneas. Este bizarro vegetal é conhecido entre os indígenas pelo nome de TUMBO."
(Dr. José Dalton Hoecker, Presidente da Socidade Real de Londres e sócio da Academia das Ciências de Paris)
"Uma das curiosidades do deserto de Moçâmedes é a célebre "welwitschia mirabilis", planta estranha, verdadeiro aborto do reino vegetal. O caracteres aberrantes do seu aparelho vegetativo, conferem-lhe um lugar de destaque no conjunto das formas vegetais."
(Dr. Luís Wittnich Carrisso, Professor de Botânica da Universidade de Coimbra.)
"A "welwitschia mirabilis" é uma das maiores maravilhas que tem produzido a natureza."
(Dr. Augusto Henriques Rodolfo Griesbach, Professor de Botânica da Universidade de Göttingen)
"É sem sombra de dúvida a planta mais maravilhosa e também a mais feia que jamais trouxeram a este país."
(Regius Keeper, do Royal Botanic Gardens, Kew - 1863)
"Foi nos anos de 1858/59 que o botânico austríaco Dr. Welwitsch, contratado pelo governo português, descobriu e classificou a "welwitschia mirabilis", dando-lhe o nome de "tumboa bainesii". Os caracteres desta notável planta são de tal modo desconsertantes, que vindo a ser estudada há perto de 80 anos pelos mais eminentes botânicos, ainda hoje se discute qual o lugar que lhe compete na escala botânica, como se pode ler nos autores citados e nos trabalhos de Baines, Anferson, Júlio Henriques, Hallier, Chodal, etc..
A "welwitschia mirabilis" por consenso geral é tida como a maior descoberta botânica do século XIX e, em todo o globo, é o distrito de Moçâmedes o único lugar em que ela vegeta, havendo centenas de milhares na parte desértica, desde os minúsculos exemplares, até aquelas que, pelo seu porte, demonstram uma existência multissecular."
(M.A. de Pimentel Teixeira)
Consultar ainda:
»


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Gente da nossa terra: Porto Alexandre e Moçâmedes









































1ª foto:

2ª foto:
Manuel e Marianela Baptista e os dois filhos (em baixo), Aurélia e Constantino Faustino (em cima e ao centro).

3ª foto:
Foto cedida por Fernanda Barata (à dt.)
. As duas raparigas são a Laurete e a Suzele, tenso os pais por detrás.

Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe» : finais da década de 60


 
Era aqui a sede da Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe»,
Grande nr de casas em Moçâmedes tinham na parede o distintivo da Cooperativa
 



Elementos da direcção da Cooperativa de construção «O Lar do Namibe»,
do livro «Recordar Angola» 2. vol.

  Cooperativa «O Lar do Namibe»

Nesta foto podemos ver elementos da direcção da Cooperativa de habitação «O Lar do Namibe» reunidos em casa de Mariano Pereira Craveiro, o seu fundador e presidente, em Moçâmedes. Da esq. para a dt: João dos Santos (polícia Santos). Luís de Sousa Simão, Mariano Pereira Craveiro, Maria de Lurdes, José G. Henriques de Freitas, Arménio Matos, Maria Isabel Cardador, António Rodrigues Tavares e por detrás destes, José Antunes Salvador e José Alves.

De entre todas estas figuras que deram o seu esforço e saber àquela que foi a nossa grande «Cooperativa o Lar do Namibe», salienta-se, sem desprestígio para os demais, a extraordinária figura que foi Mariano Pereira Craveiro (à esq. de camisa branca e óculos). Mariano Pereira Craveiro foi um dos espíritos mais empreendedores, se não mesmo o mais empreendedor, a quem a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe muito ficou a dever. 
 
Foi graças a esta Cooperativa, nascida na década de 1940, e a Mariano Pereira Craveiro, que as gentes de Moçâmedes que na sua maioria vivia do vencimento único do chefe de família, puderam, finalmente, aceder ao velho sonho de ter casa própria, através de reduzidas quotizações mensais que iam ali depositando, sendo a aquisição do direito de construção efectuada através de dois sistemas, um, por sorteio mensal entre os associados, outro por número de ordem de antiguidade (número de ordem também ele efectuado por sorteio, na fase de arranque da referida Cooperativa). Foi assim que na cidade de Moçâmedes, num tempo em que o único Branco era o emissor Banco de Angola, que não fazia empréstimos à habitação própria, começaram a surgir bonitas vivendas e moradias, o que permitiu à cidade modernizar-se, alindar-se, e ir vencendo as areias do deserto, transformando-se na bela cidade que um dia tivemos a infelicidade de ter que abandonar...

Mas a actividade da «Cooperativa o Lar Namibe» não se limitou apenas à cidade que a viu nascer, ela acabou por se estender, numa primeira fase, à cidade de Porto Alexandre (hoje Tombwa), em seguida à cidade de Serpa Pinto (hoje Menongue), acabando por se expandir por toda a Angola e restantes ex-províncias ultramarinas, chegando mesmo à Metrópole da época (Portugal) onde já havia associados, uma vez que não existiam à data, em Angola, financiamentos bancários à habitação própria.

Faço aqui uma referência especial à cidade de Serpa Pinto que estava a ser praticamente urbanizada pela «Cooperativa o Lar do Namibe», que a transformou de uma vilazinha do interior numa cidadezinha bonita e moderna à base de lindas vivendas, em cujas fachadas ainda hoje se pode ver o azulejo com o distintivo desta Cooperativa.

 Chamem-lhe colonização, chamem-lhe colonialismo, chamem-lhe aquilo que quiserem e entenderem chamar, a  vida em Angola, pelo menos até à década de 1960, e mesmo até 1975, só era facilitada para muito poucos, e se não fossem homens como Mariano Pereira Craveiro, em termos de habitação, Moçâmedes seria pouco mais que uma aldeia, e cidades como Serpa Pinto, por exemplo,  não existiam como tal à hora da independência.~Infelizmente toda esta obra acabaria por ser interrompida, com grande perda para as cidades de Angola e não só.
 
 
A Soc. Cooperativa de Habitação "o Lar do Namibe", fundada em 16 de Fevereiro de 1950, na qualidade de uma sociedade sem fins lucrativos que era, os lucros caiam em benefícios dos sócios, e foi no seu tempo a maior Cooperativa de Habitação de todo o Portugal. Para a escritura na sua fundação era necessário um mínimo de 10 sócios no pressuposto de que bastantes outros viriam a seguir, mas esta Sociedade surgiu logo de início com um elevado número de sócios fundadores, Cada sócio pagava uma quota mensal para um fundo destinado à construção das habitações. Depois desse fundo atingir determinado nível a Cooperativa começava a distribuir as casas. Por fim esta Cooperativa tinha atingido tal nível que já distribuía casas mensalmente. À medida que o fundo ia aumentando 3 modalidades de distribuição de casas foram sendo estabelecidas: 1) por ordem de antiguidade do sócio, 2) por sorteio mensal, 3) por leilão, para quem oferecesse a maior percentagem para uma "entrada" sobre o valor da casa a construir. Neste último caso, as pessoas com algumas economias e ainda sem direito à construção, quer por ordem de antiguidade, quer por sorteio, eram as que avançavam. Elas escolhiam o montante total para sua habitação bem como o montante da oferta que iam fazer. No caso de vencerem o leilão esse montante bem como o das quotas pagas serviam de amortização para a habitação, sendo a parte restante paga prestações mensais , deixando de pagar quotas.
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Para informação mais pormenorizada transcrevo o texto que segue:
 
OUTRAS NOTÍCIAS SOBRE O COOPERATIVISMO NAS COLÓNIAS
 
4.1. Cooperativismo em Moçâmedes 
 
De Angola, o Boletim Cooperativista nº 104, de junho de 1962, publica o artigo «O LAR DO NAMIBE» - UMA COOPERATIVA DE CONSTRUÇÃO EM FRANCO PROGRESSO, de autoria de Alberto Alves Carneiro. as mais animadoras e sem dúvida entusiásticas as informações que constantemente nos chegam sobre o modelar funcionamento e proveitosa actividade, da sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com sede em Moçâmedes, Angola. 
 
Fundada em 16 de Fevereiro de 1950, data da assinatura da escritura pública, esta teve a outorgá-la elevado número de sócios fundadores, e desde então o seu desenvolvimento tem-se acentuado de maneira notável com realizações dignas de registo, facto que muito tem contribuído para a valorização da propriedade, em sistema colectivo, de várias localidades em África. Se bem que a sua sede seja em Moçâmedes, a acção construtiva da Cooperativa estende-se, com indiscutível projecção, a outras terras de todo aquele continente africano. Pontos de vista interessantíssimos e grandemente favoráveis no que se refere a benefícios e direitos dos respectivos associados tornam em moldes diferentes a organização de «O Lar de Namibe» de muitas outras sociedades congéneres existentes em terras da Metrópole.O número de sócios em 31 de Março último elevava-se a 9714, e as construções efectuadas desde a sua fundação em fins de Dezembro do ano findo eram representadas por 291 habitações, 28 apartamentos, 26 estabelecimentos, 2 sedes destinadas a colectividades, 1 capela e 1 hotel. Perante os trágicos acontecimentos ocorridos no princípio do ano de 1961, em Angola, em que muitas foram as famílias que se retiraram da Província, foi de notar, por tal motivo, a falta de pretendentes às habitações construídas.A instituição, num alto sentido de objectividade dos princípios que representa e defende, não fez paralisar as construções que tinha a seu cargo e responsabilidade, garantindo dessa forma o trabalho ao pessoal da construção civil, como procurou ainda adquirir, num local muito central da cidade de Moçâmedes, um amplo terreno para início de novas construções onde pudesse aplicar as verbas disponíveis de capital, previstas nos Estatutos. Um imóvel de positivo valor - uma Estalagem, no sentido mais digno e nobre da palavra - aí teria a sua edificação, com o fim de testemunhar, aos vindouros, um exemplo dado pelos moçâmedenses levado a efeito numa hora séria e grave.As diligências para que tal imóvel apareça aos olhos da população de Moçâmedes, ou aos seus futuros visitantes e residentes, prosseguem, activa e inteligentemente, por parte da Direcção da Cooperativa, dado que certas dificuldades surgiram a tão simpático empreendimento, da entidade oficial que superintende e autoriza as respectivas construções citadinas.Como no início se afirma, a acção de «O Lar do Namibe», abrange toda a terra portuguesa, e a prová-lo está o facto de, a seguir a um sem número de consultas, ter construído a sua primeira Delegação, cabendo à cidade do Porto, essa honra. Desde Maio do corrente ano, que uma metódica e insistente propaganda está sendo feita por intermédio de comunicados oficiais, publicados e distribuídos directamente a uma parte da população e firmas comerciais da referida cidade, no sentido de tornar bem conhecidos os elevados objectivos que animam e orientam a Instituição, interessando aquelas entidades, pessoais ou colectivas, nas finalidades sociais que são a razão da existência da Sociedade «O Lar do Namibe». Desta forma, em contacto com a Delegação agora criada, os inscritos residentes no País, ficam com a faculdade de, com mais possibilidades, estabelecerem as suas relações sociais com a sua Cooperativa.O «Boletim Cooperativista», que é distribuído aos sócios do «Lar do Namibe», graças à simpática decisão dos amigos que compõem a Direcção da Cooperativa, ao adquirir certo número de exemplares, não podia deixar de se referir a mais uma iniciativa - a sua Delegação - que vem muito valorizar a acção dos dirigentes cooperativistas que, em terras de África, procuram com inteligência, dedicação e alta visão social, resolver um problema de interesse vital, a construção de uma casa para cada sócio. Tal como em Moçambique, as cooperativas de habitação terão sido o ramo cooperativo mais pujante na outra ex-colónia portuguesa do sul de África. A menção à abertura de uma delegação na metrópole, no Porto, e a referência feita ao início da guerra independentista na colónia, pode significar que os membros se estariam a precaver para o caso de terem de abandonar o território. Mas apesar de uma outra notícia sobre a cooperativa surgida mais adiante no tempo, nada se conhece sobre o andamento do dito projeto do Porto, e depois de Abril não existe registo de que a delegação da cooperativa tenha funcionado.Ainda ligada à cooperativa «O Lar do Namibe», o Boletim Cooperativista, no seu nº 106, de agosto de 1962 epigrafa um artigo com COOPERATIVA EDITORIAL ANGOLANA.

Sob o patrocínio da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com gente sua e para seguir a mesma rota de trabalho, foi constituída em Moçâmedes, por escritura pública de 15 de Janeiro p. p., a «Cooperativa Editorial Angolana». Como determinam os Estatutos, a Cooperativa é absolutamente alheia a qualquer espécie de manifestações de carácter político e religioso e podem ser sócios dela, todos os indivíduos, maiores, de ambos os sexos, e menores quando devidamente autorizados por seus pais ou tutores, e também as entidades comerciais, industriais, agrícolas, culturais, de recreio, ou quaisquer outras, quando devidamente legalizadas.São considerados sócios fundadores, todos aqueles que fizerem a sua inscrição até ao dia 30 de Setembro de 1962. Os sócios estão divididos por várias categorias, a saber:Efectivos - Pagando o mínimo de 10 acções, no valor de 100$00 cada, mas podendo estas ser liquidadas mensalmente, no mínimo de vinte prestações de 50$00, acrescidas de 10%, para encargos de administração. Nesta qualidade de sócios efectivos, não ficam obrigados a outros encargos futuros, a não ser de 2$50 mensais, para a construção do Edifício Sede da «Cooperativa Editorial Angolana». Sócios Auxiliares - Sem encargos de Acção, pagam a quota mínima, mensal, de 5$00, que pode ser cobrada nas condições que o sócio indicar. Esta qualidade de sócio, não tem direitos de voto nem de discussão nas Assembleias, nem sobre os destinos da Cooperativa. Limitam-se a colaborar financeiramente nos objectivos sociais da Cooperativa.Sócios Beneméritos - São todos aqueles que contribuem com um mínimo de 5.000$00 (cinco mil escudos), pagáveis num máximo de 10 prestações Sócios Honorários - São todos aqueles que prestem à Cooperativa, auxílios de qualquer natureza, de ordem moral ou financeira.A traços ligeiros foi dito, quais os propósitos da «Cooperativa Editorial Angolana» e a orgânica no que se refere à admissão de associados. O QUE OFERECEMOS?Quem entra para qualquer agregado social visa, regra geral, conhecer as benesses de ordem material que possa escolher. Essas são ínfimas na «Cooperativa Editorial Angolana».O fim dela não é o balcão, nem operações rendosas que ofereçam garantias ao pequeno capital a despender por quem venha a inscrever-se na Cooperativa. No entanto, o Artigo 8º dos Estatutos prevê um desconto de 10% nos livros editados e 5% em jornais ou revistas, para todas as categorias de sócios.Com o tempo, o sócio receberá a compensação, mas dos que vierem até nós é de esperar a compreensão de utilidade social que representamos e não rentabilidade da sua cooperação financeira, porque, como foi dito, à parte o encargo inicial, o sócio efectivo não mais terá quotas a pagar, a não ser o mínimo de 2$50 mensais para fins de construção da Sede. À juventude, à mocidade estudiosa e aos homens para quem os problemas angolanos fazem parte da sua razão espiritual de ser, oferece a «Cooperativa Editorial Angolana» campo vasto para em livros e folhetos poderem apresentar as suas ideias Um Conselho Técnico formado em condições que o Regulamento Interno mencionará, fará a apreciação e decidirá quais as obras que de preferência deverão ser editadas.É evidente que será dada primazia às produções intelectuais dos associados, mas não obsta que se considere também o trabalho de indivíduos alheios à Cooperativa. Dirigimo-nos, pois, não apenas aos que têm sede e fome de justiça, mas, acima de tudo, àqueles que vêem no Homem um valor a elevar, a dignificar, a respeitar.Como se fosse um anúncio, e na primeira página, este artigo mostra-nos uma cooperativa com incursões pelos ramos da cultura e da produção editorial. Porém, ao contrário da Coop de Moçambique, a actividade levou à criação de uma nova cooperativa e não ao alargamento de actividades da cooperativa ‘mãe’, a de habitação.No Boletim Cooperativista nº 118, de agôsto de 1963, surge-nos uma derradeira referência à cooperativa de habitação criada em Moçâmedes: 

SOCIEDADE COOPERATIVA «O LAR DE NAMIBE
»Tomámos conhecimento com prazer do Relatório da Gerência de 1962 desta cooperativa de habitação cuja sede é em Moçâmedes. Do mesmo relatório transcrevemos:
 
«Nunca viemos, em qualquer ano da existência da nossa cooperativa, perante a massa associativa, declarar um recuo quanto ao aumento populacional e arrecadação de receitas.Assim acontece também este ano, que com íntima satisfação podemos dizer nesta Assembleia, que mais outro ano rodou sobre a vida da Cooperativa e com ele, mais um salto progressivo, embora Angola tivesse sofrido e continue sofrendo, a guerra e o terrorismo.Nem por isso estes factores impediram o progresso e engrandecimento da nossa organização.Podemos mesmo afirmar que todos os sectores se apresentam em franco progresso, que a verdade dos números se encarregará de demonstrar, com bastante eloquência».Durante o ano de 1962 foram admitidos 1059 sócios, havendo em 31 de Dezembro, no activo, 6500. Saudamos a Cooperativa «O Lar de Namibe» esperando que continue em franco progresso.

Fim de transcrição do Boletim Cooperativista - O Cooperativismo nas Ex-colónias / João Salazar Leite


 
Quanto à personalidade de Mariano Pereira Craveiro, era um republicano oposicionista do regime, fez parte juntamente com Carlos Martins Cristão, Pimentel Teixeira e outros mais, da campanha do General Humberto Delgado, na cidade de Moçâmedes.  Pela primeira vez na ditadura, a oposição concorria a eleições. e o facto fez despoletar a curiosidade e o ânimo de certos sectores da população para este tipo de acontecimento, antes proibido.   Ainda me lembro do discurso arrebatador de Carlos Martins Cristão, no palco do Cine-Teatro de Moçâmedes, em finais de Maio de 1958, por ocasião da campanha para as eleições presidenciais contra o Almirante Américo Tomás. Carlos Cristão, tendo Mariano Pereira Craveiro a seu lado, com a sua forte e bem timbrada voz, dizia, referindo-se ao regime vigente: "Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os braços para trabalhar...
 
O que veio a acontecer a Humberto Delgado foi  o que já se fazia esperar: acabou perdendo as eleições, apesar das retumbantes vitórias alcançadas,  e a reacção de Salazar ao General viria algum tempo depois a culminar num  bárbaro assassinado,  quando o General, refugiado desde há algum tempo em Espanha, atravessara a fronteira, em Villanueva del Fresno): http://www.youtube.com/watch?v=r9vSy1S0J6U
 
Conta-se que em 1972 ou 1973, já na chamada "Primavera Marcelista"  e enquanto vogal ("deputado") à Assembleia Legislativa de Angola por Serpa Pinto (Actual Menongue), Mariano Pereira Craveiro quis impressionar o Engº. Santos e Castro, e fez deslocar ao Caraculo, umas dezenas de empregados, sócios e dirigentes da Cooperativa com dísticos de "O Lar do Namibe" em dezenas de carros particulares que acompanharam a caravana do então Governador-Geral até ao interior da cidade de Moçâmedes (Namibe). Mariano Pereira Craveiro não se conformava pelo facto de não haver leis que permitissem a construção de condomínios  divididos em fracções, vários apartamentos num mesmo terreno, que facilitariam a vida aos de salários mais baixos, que poderiam adquirir  desde um T0 a pelo menos um T3, daí que a Cooperativa avançasse apenas para vivendas.   É um pouco o que a manifestação  que se vê na foto, por ocasião da visita do Engº. Santos e Castro, enquanto Governador Geral, testemunha. Foto  de José Fragata. Craveiro conseguiu a lei de condomínio, mas já num tempo à beira da independência. É claro que a ausência da referida lei até tornou Moçâmedes uma cidade mais bela, cheia de vivendas, evitou que se erguessem edifícios de porte vertical, divididas por várias fracções, por isso  estes em Moçâmedes eram poucos e de um só proprietário. 
 
 
 
 Os belos jardins do Largo Heróis do Mucaba estavam assim... A cidade do deserto requintava.se a todo o vapor!
 
E a  cidade do deserto encheu-se de belas vivendas...


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Fica a minha humilde homenagem à memória do grande «patrono» que foi MARIANO PEREIRA CRAVEIRO, figura  que merecia ser erguida das brumas do esquecimento e ser para sempre lembrada pelo povo da cidade do Namibe. Mariano Pereira Craveiro mereceria, por exemplo, ter o seu nome ligado ao único largo totalmente construído por casas da «Cooperativa o Lar do Namibe»: o  "Heróis de Mucaba"! Afinal, em boa parte, o melhor que o Namibe herdou de Moçâmedes, em termos de parque habitacional deve-o também ao espírito empreendedor de Mariano Pereira Craveiro!

São  recordações de um tempo passado em Angola e em Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Um tempo que decorreu de forma que o mundo desconhece, e porque desconhece muitas vezes são praticadas graves injustiças através da pena de alguns autores, contra a memória dos que ali viveram, ali trabalharam, ali se sacrificaram, pouparam, investiram, e ajudaram a erguer aquela terra e aquele maravilhoso país, de Cabinda ao Cunene, a criar condições de vida. Num tempo em que o único Banco existente era o Banco de Angola, banco emissor que não concedia empréstimos para habitação própria, nem sequer pagava juros pelas pequenas poupanças.

MariaNJardim

15,04,07



30 março 2007

Riquita, natural de Moçâmedes (actual Namibe), Miss Portugal 1971

Candidatas a miss Angola 1971
A Riquita Bauleth, embaixo á direita.





MISS ANGOLA VEM DO DESERTO (Revista moçambicada"Tempo")


JÚRI E PÚBLICO UNÂNIMES NA ESCOLHA DE MARIA CELMIRA BAULETH COMO A MAIS BELA DAS ANGOLANAS

Miss Angola 71 e as suas súbditas: Maria Celmira. tem à direita Maria Clélia, a 2.ª classificada e, à esquerda, Ana Paula. Em redor as outras finalistas: para o ano, talvez...

Uma jovem morena de 18 anos de idade, pele cor de mel suavizada pelo vento morno do deserto de Moçâmedes e admiradora de Jean Paul Sartre é «Miss» Angola 1971. Foi eleita há dias em Luanda e, quando após muitas horas de discussão o juri anunciou o seu nome - Maria Celmira Bauleth - ele nada mais fez do que sancionar uma escolha que o público angolano fizera já. Com um metro e setenta de altura, olhos enormes numa face extremamente bela e actualmente estudante, Maria Celmira disputará assim muito em breve em Lisboa' -ao lado de «Miss» Moçambique e de «Miss» Metrópole- o, ceptro de «Miss Portugal».

Logo depois de ter recebido os signos da sua realeza como a mais bela angolana de 1971, Maria Celmira foi instada por Ivon Curi a fazer uma declaração pública. Visivelmente comovida mas mostrando na face cansada a emoção do momento que vivia, «Miss» Angola disse apenas: Quero agradecer ao público todo o apoio que me deu... »

Na verdade, logo que os nomes das dezanove finalistas foram conhecidos, Maria Celmira Bauleth passou imediatamente a ser a grande preferida dos angolanos. O juri nada mais fez, portanto, do que ser o porta-voz da vontade popular. Caso raro em certames do género... As candidatas eram dezanove, pertencentes a seis cidades. Dezanove sorrisos, que eram um mundo de sonhos e de esperanças, na noite tropical polvilhada de estrelas...

Organizado com exemplar entusiasmo pelo semanário «Notícia», uma publicação que disfruta de justa popularidade, o concurso para escolha de «Miss» Angola, vencidas as fases de apuramento distrital, teve, pois, condigno encerramento com a festa que apaixonou a opinião pública. As candidatas que desfilaram perante a assistência, entre actuações dos artistas brasileiros Clara Nunes e Ivon Curi e do conjunto angolano «Os Ngoleiros do' ritmo», foram as seguintes, por ordem de entrada: Paula dos Santos, estudante, de Luanda; Maria Natal, funcionária pública, de Luanda; Anete Ferraz, estudante, do Lobito; Maria Moço, empregada numa agência de viagens, de Luanda; Maria Isabel de Oliveira, estudante, de Nova Lisboa; Olga Morais, empregada comercial, de Luanda; Maria Célia, estudante, de Luanda; Maria do Rosário, estudante, de Nova Lisboa; Ema Paula, estudante, de Luanda; Fernanda Costa Dias, estudante de Nova Lisboa; Maria Celmira Bauleth, estudante, de Moçâmedes; Catarina de Oliveira, em pregada de escritório, de Luanda; Maria dos Anjos Alfredo, de Sá da Bandeira; Anabela Meneses, empregada bancária, de Luanda; Fernanda de Jesus Rodrigues, empregada de escritório, de Luanda; Ana Paula Ferreira, estudante, de Nova Lisboa; Maria ElfridaReis, funcionária púlica,de Luanda e Rosemary Pedroso da Silva, estudante, de Benguela.
NÃO "SENHORITA PORTUGAL 1971"

O desfile

 


Desfile de Riquita no Casino Estoril com o traje dos mucubais, tribo nómada do Deserto do Namibe com a qual se habituara a conviver em Capangombe, onde a família possuia uma fazenda. Foram as mulheres mucubais que forneceram  a Riquita os panos, lhe ensinaram a envolver o corpo,  emprestaram os colares e pulseiras untados com esterco de boi cedidos para o desfile.  Dizia Riquita: «Fiz questão de usar os adereços originais e, de cada vez que punha aquilo, toda a gente fugia com o cheiro nauseabundo. Quando me mudava para o vestido de noite tinha umas toalhas húmidas com que me limpava do cheiro».
Diferente, o soutien, que as mulheres mucubal não usavam. Solteiras, andavam nuas das cintura para cima, casadas, amarravam os seios com cordas.



 
O momento da coroação. Ana Maria Lucas, a vencedora do concurso anterior,
 coloca a corôa na cabeça de Riquita



Moçâmedes, a cidade de Angola famosa pelas suas belas raparigas, não podia deixar de marcar posição num concurso de beleza como o de Miss Portugal. Foi no ano de 1971 que tal aconteceu, ano em que pela primeira vez Angola e Moçambique participaram. Riquita (Celmira Bauleth), de 18 anos de idade, estudante, natural de Moçâmedes foi eleita a mais bela entre as mais belas, uma vitória retumbante, que não deixou dúvidas a ninguém e que culminou com a sua coroação no Casino do Estoril. Esta foto eterniza esse momento, o momento em que Ana Maria Lucas, a vencedora do concurso anterior, coloca a corôa na cabeça de Riquita.

         O momento imediatamente a seguir à coroação

Riquita com o cepto

  As comoções de uma rainha de beleza...


















 No Avis em Luanda


Riquita já não participaria no Concurso de Miss Europa. Os ensaios excessivos, das 7 da manhã às 19 da noite não a seduziam nem ao seu pai, e acabou por desistir e voar de regresso a Moçâmedes para prosseguir os estudos, abdicando assim da corôa.

 Nas Revistas





 


 
LUANDA: a noite da mais bela. O correspondente de «TEMPO» em Angola, descreve assim a noite de coroação de Made Celmira:

Na noite da eleição muita gente em Angola deitou-se já dia claro. Cinco rádioclubes, transmitindo directamente, mantiveram dezenas de milhares de pessoas agarradas aos rádios e, no Lobito, espalhadas pelos jardins onde tinham sido colocados altifalantes. Toda a gente queria saber, em cima da hora, quem era a primeira «Miss»  Angola.
Quase sete horas demorou o espectáculo da eleição de «Miss» Angola. Mas ninguém se queixou, tal como ninguém se queixara dos duzentos escudos desembolsados pelo bilhete de ingresso.  A caça ao bilhete foi aliás um sintoma claro do interesse despertado pelo espectáculo. No dia anunciado para abertura da bilheteira - nove dias antes do Espectáculo houve quem se pusesse na bicha às seis da manhã! As onze abria o «guichet», ao meio dia encer rava, afixando «lotação esgotada». O nosso colega «Notícia» - que organizou a eleição -foi acusado de reter demasiados bilhetes. Esclarecido que não, passou tal responsabilidade para a empresa proprietária do cinema Aviz.  A verdade maior parece ser, no entanto, a de que havia mais de dez mil pessoas interessadas em assistir e apenas mil e trezentos lugares posíveis...»
Logo na sua terra natal nasceu uma canção:

Riquita tu és bonita
Riquita tu e Rainham
Angola que te acredita
Mostrou como és natural

Riquita foste a melhor
Desta festa nacional
Angola vibrou contigo
Mais linda de Portugal!

Namibe, não é do Deserto,
Nem tem só Welwitschia
P`ro turista vêr
Angola, não é só Namibe
Tem muita Riquita,
Podem vir escolher



"..Depois de Lisboa viajou para Miami, nos Estados Unidos, onde participou na eleição da
 Miss Universo. Riquita apresentou-se com o traje tradicional dos mucubais e com adereços
 emprestados por eles – untados com leite azedo e excrementos de boi. 

“Havia quem se afastasse por  causa do cheiro.” Fosse como fosse, a festa tinha acabado. “Era tudo muito profissional. Muito 
sério. Ensaios das sete da manhã às sete da noite. Não era para mim.”Desistiu.

"....O pai escreveu uma carta aos organizadores do concurso Miss Portugal agradecendo-lhes
 a atenção dispensada à filha e, de caminho, informando-os de que ela se ia embora. Sim, abdicava
da coroa. Foi um escândalo. Quiseram obrigá-la a devolver todos os prêmios. Riquita fincou o pé e já não participou no concurso Miss Europa. Regressou a Moçâmedes e, mais tarde, freqüentou a Universidade de Luanda."

DAQUI
conforme artigo publicado no Correio da Manhã, em 18.3.07, intitulado: «O tempo também passa pelas mais bonitas».





 




A chegada a Moçâmedes



Ao ser recepcionada  no regresso a Moçâmedes.

 Se à chegada a Luanda de Riquita tinha sido estrondosa, o regresso a Moçâmedes reservou outro tipo de surpresas. Infelizmente uma só foto pouco diz daquilo que foi a realidade. Riquita desfilou no Ford descapotável de Fernando Cabeça, foi entusiasricamente aplaudida pela população que veio para a rua para a saudar, participou em várias festas, numa delas vestida de mucubal, lado a lado com mucubais, e por eles foi também efusivamente aplaudida.










Não admira, por isso, que os mucubais se tivessem sentido honrados em estarem presentes na noite da sua chegada, a Moçâmedes, na recepção efectuada no pequeno palco, junto das arcadas e do Casino, na Praia das Miragens, como podemos ver. Riquita apresentara-se vestida de «hot pants» e óculos Dior de enormes armações, e com madeixas brancas no longo cabelo. Riquita tornou-se uma referência positiva, que ainda hoje perdura entre as jovens angolanas, como se pode lêr neste site: http://www.nexus.ao/missangola/2003/historico.htm



Mais tarde, recordando estes dias diria: «Eu tive o privilégio de ser amada pelo povo de Angola. Poucas pessoas têm uma sorte semelhante. E referindo-se aos mucubais: «Fizeram 100 quilómetros a pé, com bois, cabritos, galinhas e maçarocas, não exactamente para me oferecerem, porque os mucubais não oferecem nada, só dão coisas em troca de outras. A explicação que encontro é que eles sentiram que eu os dei a conhecer a Portugal inteiro e que os representei. Aquilo que me estavam a entregar era o pagamento».

 


 

 
 Com Amália Rodrigues

 










Foto de Armando Figueiredo.



Conjunto Gemeos VI com a Riquita, miss Portugal na altura! Cidade do Namibe (Moçâmedes).
Durante dois anos, Riquita esteve ao serviço da organização do Miss Angola, ligada à revista «Notícias», a promover os concursos regionais de misses e a frequentar festas.


MariaNJardim


Algumas partes de texto retirados de Expresso. Outras da Revista moçambicana TEMPO
 Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=EE-Ab-zxyQ4