25 março 2007

Grupo de Bancários do Banco de Angola/Moçâmedes (actual Namibe) : anos 60

 

Almoço de confraternização dos empregados do Bnco de Angola de Moçâmedes.
. Foto do meu album pessoal.

No Cine Esplanada Impala, por ocasião da tradicional distribuição de brinquedos às crianças filhas/os de funcionários do Banco de Angola, na quadra natalícia, reconheço: Na ala das senhoras, de frente para trás: esposa de Osório, esposa de Vaz, Cordália Gavino Dias, Eteldina Carvalho (Tedina), Aninhas Gouveia, Isabel Ferreirim, Mª de Lourdes Pita de Sousa Jardim e Nídia Almeida Jardim. Na ala dos homens: Artur Caleres, Manuel Araújo, José Manuel Peyroteu, Daniel Gavino Dias (Gerente), Angelino Jardim, Manuel Osório Arménio Jardim, José Manuel Frota e filho
Fotos de família. Foto do meu album pessoal.



Foto do meu album particular oferecida por familiar amigo.


Este era o primitivo edifício onde funcionou a agência do Banco de Angola, na Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes, antes de passar, na década de 1960, para a Rua dos Pescadores, ali mesmo ao lado.  Trata-se de mais um belo edifício de arquitectura clássica portuguesa que muito veio valorizar a baixa da cidade, e que acabaria abandonado, apresentando já em 1975, alguma degradação que seria urgente recuperar.

Foram muitos os jovens já nascidos em Moçâmedes que ingressaram neste Banco, cujo maior alargamento dos quadros se deu na década de 1960, numa altura em que na cidade começaram a surgir os bancos comerciais (Totta , Pinto & Sotto Mayor, Comercial e de Crédito). Registo em seguida os nomes que me ocorrem de pessoas que ali trabalharam até à independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975:

Gerentes :
Gt. Silvestre Newton da Silva - Gt. José Ressurreição -Gt. Aurélio Aguilar - Gt. Guilherme Magalhães - Gt. António Aguilar -Gt. Daniel Gavino Dias - Gt. Mário Romualdo Frota Tendinha ( foi o último Gerente deste Banco em 1975,).

Chefes de Secção, Tesoureiros, Guarda-Livros e Escriturários (ordem alfabética)

Abel Martins - Aguinaldo Matos, Albertino Carvalho Caio - Álvaro Jardim, Angelino Silva Jardim, António Cardoso Alves - Anúplio Castelo Branco - Armando Leitão Serra (*)- Arménio da Silva Jardim - Artur Caleres (*)- David Proença- Edgar Aboim - Ervedosa - Fausto Antunes - Fernando Morais - Francisco Fragata Guerra - Guerreiro - Hernâni Nunes - Isabel Ferreirim- Jaime Custódio- , Joaquim Nunes de Andrade- João Morgado -Jorge Carrilho - José das Neves Almeida - José Espirito Santo - José Manuel O. Frota - José Manuel Peyroteu - José Alves Roberto (*) - José Santos - Júlio Veríssimo - Lambelho Vaz - Lizete Berrones - Lurdes Ferreira - Manuel Rodrigues Araújo - Maria Etelvina Ferreira - Marinheiro - Mário Lisboa Frota (*) - Mário Frota Tendinha (*)- Mário Lopes - Mário Luis Figueiredo - Mário Pinto Ramos - Mário Vieira de Andrade (*)- Mesquita- Militão Ribeiro - Norberto Edgar de Almeida - Orlando Salvador - Osório (Ch.Sec) - Osório (Tes.)- Pedro Bento Rodrigues - Pedro Malaguerra - Pinto - Rabaça - Ramos Costa - Robalo - Rogério Trindade - Rui Alberto Coelho de Oliveira -Rui da Graça Carapinha - Silvino Costa - Teixeira de Jesus - Tenreiro - Valente - Vaz - Zelda Ferreira da Silva.

Nota: Os bancários cujos nomes vêm assinalados (*), todos nascidos em Moçâmedes, chegaram a Gerentes em outras agências do Banco de Angola.

Maria Etelvina Ferreira foi a 1ª senhora na agência do Banco de Angola de Moçâmedes. Para as mulheres estavam reservadas, nos anos 50, as funções únicas de dactilógrafas. Aliás quando Etelvina concorreu e foi admitida como dactilógrafa, de acordo com instruções emanadas de Luanda, a sua admissão não fora do agrado do então gerente Ressurreição, por se tratar da abertura dos quadros do Banco a elementos femininos. Entendia então o gerente que as senhoras eram boas, sim, mas para cozer e bordar... Também as senhoras não tinham direito a benefícios que os homens tinham, tais como férias. Algum tempo depois o gerente reconhecido pelo trabalho da dactilógrafa, chamou-a, elogiou-a, e comunicou-lhe que a partir de então, ela passaria a ter os mesmos direitos que os seus colegas masculinos.
Este belo edifício, em estilo clássico de traça portuguesa, na linha do Hotel Moçâmedes, Estação do CFM, antigo Hotel Central, hoje Museu, Palácio, etc, deveria se preservado tal como as estruturas arquitectónicas de todo os edifícios da cidade de Moçâmedes, a actual Namibe, que datam há mais de cem anos. 

 Seguem algumas informações sobre os primórdios do Banco de Angola:

O regime bancário foi inaugurado em Angola tal como nas colónias portuguesas, pela lei de 16 de Maio de 1864. Até então não existia em Angola qualquer instituto económico para funcionamento do crédito, o que tornava impossível a aquisição de toda e qualquer aparelhagem agrícola e industrial, impedia o aperfeiçoamento dos processos de trabalho e dificultando o movimento das transacções mercantis e a própria vida dependente dos resultados das produções.

Conforme Manuel Júlio de Mendonça Torres, na obra «Moçâmedes», no início da colonização quando de Pernambuco, Brasil, começaram a chegar os primeiros contingentes de portugueses, em parte, foi o Estado que supriu essa lacuna ao prestar-lhes a necessária assistência financeira que lhes possibilitou a compra de três engenhos de fabricação de açúcar que foram distribuídos a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, José Joaquim da Costa e José Leite de Albuquerque, com a condição de retribuirem o seu custo com o produto de três safras consecutivas. Na mesma altura, foi ordenada, também, a remessa de três máquinas, duas das quais para descaroçar algodão dirigidas a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, e uma terceira de prensar o algodão, a Manuel José Correia para serem pagas com os lucros das primeiras colheitas. Para além destes foram concedidos outros auxílios que seria ocioso enumerar, substituindo-se o Estado à instituição bancária nas suas funções subsidiárias de crédito.

Importa ainda referir, que, embora sem meios de prova, essa faceta também foi exercida no distrito por simples particulares (agiotas), que, tal como em toda a província, emprestavam dinheiro a juros em condições pouco inspiradoras de confiança.

Foi com o Banco Nacional Ultramarino - BNU que começaram as Emissões de Papel-Moeda nas colónias portuguesas de além mar. As emissões de papel-moeda constituíram um marco na história da circulação fiduciária das ex-colónias, uma vez que conseguiram disciplinar progressivamente a circulação monetária, acabando com a enorme variedade de moedas que corriam localmente (pesos, florins, marias teresas, águias, soberanos, luízes, etc.) e passando a ter curso legal exclusivo.

Foram ainda as emissões do BNU que retiraram da circulação as esporádicas e insuficientes emissões das Juntas da Fazenda, instituições que até então, detinham o monopólio da impressão do papel-moeda em giro. As Emissões de papel-moeda do BNU foram emitidas em diversas unidades monetárias – réis, escudos, patacas, rupias e libras esterlinas, conforme o tempo e o espaço onde circularam.

A primeira emissão impressa pelo Banco foi para a Sucursal de Luanda, em 1865. Esta emissão também circulou em Cabo Verde, S. Tomé e na Ilha de Moçambique, mas com sobrecarga do nome de cada uma das citadas províncias.

Em Angola o BNU foi emissor até 1926, ano em foi criado o Banco de Angola que recolheu do BNU o privilégio da Emissão de moeda naquele território ( Convenção de 03 de Agosto de 1926, e pelos Decretos Nºs. 12,123, 12131, de 14 de Agosto do mesmo ano), e que tomou as suas agências para prosseguimento da actividade bancária normal, tendo-se então integrado neste novo banco, a agência que o BNU tinha em Leopoldville. Nas restantes ex-colónias africanas, permaneceu como único Banco emissor até aquelas se transformarem em países independentes, tendo continuado as suas emissões até as respectivas Repúblicas emitirem notas próprias.

 MariaNJardim


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1 comentário:

Antonio Coutinho Coelho disse...

Necessitava muito de uma ajuda pelo que me atrevo a incomodá-los. Procuro memórias de meu pai, empregado do Banco de Angola, durante 14 anos, primeiro em Novo Redondo, depois no Lobito, desde 1930 até 46 (aproximadamente). Chamava-se Eduardo do Espirito Santo Coelho, nascido em 1906, no Porto, Portugal. O meu contacto é acoutinhocoelho@gmail.com. O meu muito obrigado

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