23 julho 2009

Jovens de Moçâmedes em dia de Carnaval


Jovens da familia Duarte em noite de Carnaval
Créditos de imagem:
http://kadypress.blogspot.com


O Carnaval

O Carnaval em Moçâmedes, tal como nas diversas cidades de Angola, era uma tradição esperada com ansiedade sobretuso pelos mais jovens e pelas crianças e redundava numa festa em que se fundiam as vivências urbana portuguesa e a sanzaleira africana. Qual delas a mais aguardada?!!

De um lado, nas vésperas e antevésperas da grande festa, logo grupos de jovens "rivais" se juntavam e começavam a fazer "cacotes" , espécie de embrulhinhos pequenos feitos com papel de seda das mais diferentes cores, quando não mesmo de pepel de jornal, amarrados com fio onde acondicionavam fuba no seu interior, destinados a serem utilizados à guisa de "entruso" em autênticas batalhas carnavalescas que se desenrolavam na Avenida da Praia do Bonfim, o epicentro, para onde durante décadas e décadas as familias de Moçâmedes com seus filhos pequenos, bem como  toda a juventude casadoira dela fazia "Picadeiro".   Outra prática muito utilizada eram as bombinhas de mau cheiro e os jactos de água, para os quais tudo servia, até mesmo essas bombinhas mata-moscas. E ao fim da tarde era a vez das matinés dançantes nos salões da cidade, numa primeira fase, no Aero Clube e Ginásio da Torre do Tombo, a partir dos anos 1950 no Atlético e Clube Nautico ou em casas particulares.

Quanto ao Carnaval africano, geralmente desfilavam pelas ruas da cidade, desde a Aguada e Forte de Santa Rita à Torre do Tombo, em dois grupos, perfeitamente organizados: à frente iam os dançarinos e músicos, logo seguidos dos acompanhantes, que parando aqui, parando alí, iam exibindo a sua arte a troco de uns tostões. O pior era o rescaldo da festa, já bem bebidos, muitas vezes os grupos se encontravam de frente em determinada rua,  então já mais desorganizados, descompostos pelo suor e fragilidade dos trajes, e chegavam mesmo a defrontar-se entre si, tendo que intervir a polícia que de longe os observava, vigilante,. É que havia mesmo rivalidade entre os grupos. Cada grupo esmerava-se nos limites das suas possibilidades. Não se misturavam. Evitavam-se mesmo. E as letras das músicas ao som das quais dançavam e batucavam  sem descanso,  eram,  não maior das vezes uma critica ofensiva de um ou outro elemento do grupo rival. E daí que deparando-se numa rua, ou retrocediam, ou faziam uma paragem para acumular energias e o confronto tornava-se uma realidade.

Depois, assim, de repente, chegou o fatidico ano 1961, e nunca mais houve Carnaval. Tinha sido proibido o da sanzala. O da cidade foi desaparecendo também. Nunca mais houve batalhas de "cacotes", enfarinhadelas em plena Avenida da Praia do Bonfim, que nesses dias ficava completamente irreconhecível. Tudo acabou num repente, e perdera-se de todo e para sempre a verdadeira  essência do nosso Carnaval moçamedense, o Carnaval da minha infância, adolescência e juventude!

MariaNJardim

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