04 novembro 2010

Fernando Peyroteu, uma glória do futebol nacional, começou a sua carreira no Atlético de Moçâmedes (Angola)



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Não possuo qualquer foto que possa exibir aqui de Fernando Seixas Peyroteu , o maior goleador português de todos os tempos , nascido a 10 de Março de 1918, na Humpata, Angola, que começou a sua carreira futebolística em Moçâmedes,  no Atlético Clube de Moçâmedes, aos 14 anos,  em 1932, daí passando para o Desportivo de Huíla, e mais tarde para o  Sporting Clube de Luanda e, finalmente pelo Sporting Clube de Portugal,  onde foi considerado o «stradivarius» dos «5 violinos», o quinteto atacante da famosa equipa, constituido por Albano, Jesus Correia, José Travassos e Vasques.
                                                                       

Recordado pelos moçamedenses como um ídolo e  uma máquina de fazer golos, Fernando Seixas Peyroteu foi viver para Moçâmedes numa altura em que sua mãe ali se encontrava a leccionar e  foi no Atlético Clube de Moçâmedes que desde logo  se revelou um marcador de golos  fora do vulgar. Com 15 anos foi convidado para integrar a selecção de Moçâmedes que enfrentou a selecção rival de Sá da Bandeira (Lubango), tendo se revelado um verdadeiro ídolo nacional.  Do Atlético  transitou para o desportivo da Huila, e jogou algum tempo no Sporting Clube de Luanda, de onde  foi transferido para o Sporting Clube de Portugal,  tendo viajado para Lisboa no paquete Niassa, onde se estreou aos 19 anos de idade, no dia 12 de Setembro de 1937, contra o Benfica de Portugal, como avançado, tendo marcado 2 golos.

Em 1945, foi expulso no jogo Benfica-Sporting, pela primeira e única vez, porque o jogador do Benfica insultou-o em murmúrio e Peyroteo respondeu-lhe a soco, para limpar a honra beliscada da mãe que não era para alí chamada. Ao nível da selecção nacional foi internacional 20 vezes, e exerceu o cargo de seleccionador em 1961/62. Em toda a sua carreira desportiva representou o Atlético de Moçâmedes, o Desportivo de Huíla, o Sporting de Luanda e o Sporting Clube de Portugal.


Fernando Peyroteu  não assinou de imediato contrato, dando apenas a sua palavra de honra em como viria a jogar no clube, e sem sequer discutiu o ordenado a ganhar. Chegado a Lisboa,  não tardou que fosse abordado no Rossio por um emissário do Futebol Clube do Porto que lhe ofereceu  mais dinheiro, mas não aceitou o convite, porque acima de tudo estava a sua palavra. Escusado será dizer que para evitar que o pudessem perder para outro clube, logo os dirigentes do Sporting lhe fizeram um contrato por duas épocas, e como prémio de assinatura lhe ofereceram 500$00 e um ordenado mensal de 700$00, que seria reduzido a metade se arranjasse emprego.


 


No cômputo geral dos jogos oficiais pelo Sporting, Fernando Peyroteu marcou 529 golos em 327 jogos,  contabilizou 17 títulos, foi campeão nacional por cinco vezes, incluindo um “tricampeonato”:1940/41, 1943/44, 1946/47, 1947/48 e 1948/49 e ainda quarto Taças de Portugal: 1940/41, 1944/45, 1945/46 e 1947/48. Ganhou um campeonato de Portugal, ergueu a Taça de Portugal em quatro ocasiões e venceu por sete vezes o campeonato de Lisboa.  Pelos Leões fez um total de 183 jogos com 297 golos, e no Total da sua carreira fez 416 jogos com 689 golos. Sem dúvida um marcador nato.Tudo em 12 anos de ouro, tendo  ainda, ao nível da selecção nacional sido internacional 20 vezes, exercido o cargo de seleccionador em 1961/62, e lançado Eusébio com a camisola das Quinas. A nível pessoal recebeu seis vezes o prémio de melhor marcador do Campeonato Nacional: 1937/38 - 34 golos; 1939/40 - 29 golos; 1940/41 - 29 golos; 1945/46 - 39 golos; 1946/47 - 43 golos e 1948/49 - 40 golos e recebeu ainda o Prémio Stromp, na categoria "Saudade", em 1997. Peyroteo terminou a carreira de futebolista em 1949, com apenas 31 anos de idade, devido a questões de saúde.


Fernando Peyroteu é considerado o mais extraordinário futebolista de sempre dos que pisaram os relvados em Portugal, tendo conquistado o seu primeiro campeonato Nacional logo no ano em que entreou, na época 1937/1938. Ao nível da selecção nacional foi internacional 20 vezes, e exerceu o cargo de seleccionador em 1961/62. Possuía um pontapé rapidíssimo e fulminante, e sabia encontrar a melhor posição dentro do campo para receber os «centros» e  fazer belos golos sem deixar que a bola tocasse o «pelado». Desportista completo antes de se profissionalizar como futebolista, já havia praticado diversas modalidades desportivas, entre as quais o basquetebol, a natação, o remo, a equitação, o ténis e o box. 
 
O último jogo que efectuou foi a 5 de Outubro, na homenagem a si próprio. Peyroteo disse «fui soldado nas fileiras do desporto nacional e um soldado não foge ao cumprimento do seu dever, seja qual for e em que circunstâncias for! Mas, de hoje em diante, reconheço que sou um soldado velho. Não posso corresponder às exigências de preparação de um jogador de futebol que queira manter-se em forma e ser útil ao seu clube e à modalidade que pratica. Quando entro em campo, vou cheio de vontade de jogar mas, depois de meia dúzia de pontapés na bola, apodera-se de mim um enfastiamento inexplicável.»  E assim terminou a sua carreira, deixando uma enorme saudade a todos os que o adoravam como futebolista e ser humano, saiu em grande, com consciência e de cabeça erguida.

No dia 28 de Novembro de 1978, durante um jogo de veteranos disputado em Barcelona, Peyroteo sofreu uma lesão que acabou por lhe ser fatal. Numa operação ao tendão de Aquiles, foi vitimado por um ataque cardíaco e acabou por falecer, depois de já lhe ter sido amputada uma perna em 28 de Novembro de 1978 com apenas 60 anos de idade.


Em toda a sua carreira desportiva representou o Atlético de Moçâmedes, o Desportivo de Huíla, o Sporting de Luanda e o Sporting Clube de Portugal.
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