05 novembro 2010

Contribuições para a História do Desporto em Moçâmedes (Namibe-Angola): as modalidades de futebol e ténis (lown ténis)

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Dedicação do Lubango e Benfica à vizinha e amiga cidade de Moçâmedes e aos seus briosos e simpáticos Desportistas

Dois dos melhores tenistas angolanos, fazendo parte da admirável pleíade que Moçâmedes nos oferece, da qual com admiração e saudade recordamos os irmãos Artur e Rogério Trindade, ex-campeões de Angola.

Jorge Rocha e Jorge Radich, também muito se distinguiram na prática do futebol, contribuindo de forma elevada para o elevado prestígio que Moçâmedes gosou e do qual foram destacados e brilhantes obreiros: irmãos Peyroteus, irmãos Telmo, Abel e Hugo Vaz Pereira, Raul Radich, Pedro Paulo, Velin de Sousa, Norberto dos Santos, Ermelino Abano, Julio de Andrade, Fernando Amboim, Mário de Andrade, António Martins (Latinhas), Estrelinha, e tantos outros actualmente bem representados por Norberto Gouveia (Patalim), Roberto Martins, Mário Leitão, Carlos Alves, José Bauleth, Carlos Inácio, Adriano do Nascimento, Abílio Braz, Alcino e Piedade, empenhados em manter a tradição de Moçâmedes de nos oferecer boa percentagem dos melhores artistas que Angola possui e tem possuido.
Os nossos amistosos votos pelas prosperidades do desporto moçamedense.

Da Revista do Sport Lubango e Benfica, Boletim desportivo N. 2. 1949

Seguem algumas fotos e um texto interessante sobre a modalidade do Ténis (lown-ténis), retirados do livro de Mário António Guedes da Silva  «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes Angola»

  




















Rogério Ferreira Trindade, campeão de Angola em 1937















Torneio de ténis no complexo desportivo do Benfica integrado nas Festas do Mar de 1970. Rogério Ferreira Trindade, campeãoo o Torneio recebendo a respectiva taça das mãos do Encarregado do Governo do Distrito de Mossãmedes, acompanhado do Presidente da Câmara Municipal de Mossãmedes.
 
Jorge Ressurreição Rocha, ex-tenista moçamedense e ex-campeão de Angola, homenageado em Março de 1970, estando presentes o Encarregado do Governo do Distrito de Moçâmedes, acompanhado do Presidente da Câmara Municipal.
TÉNIS (Lawn-Ténis)

Levava.se a sério, em Moçâmedes, a prática desta modalidade, principalmente até à década de quarenta (século XX), pressupostamente por a cidade estar dotada de alguns «courts de ténis» apropriados, e , crê-se, por não existirem outras alternativas desportivas senão o futebol. Ali foram formados vários campeões, reconhecidos não só em Angola mas também internacionalmente, para gáudio dos seus apaixonados adeptos.

A dedicação e a determinação dos respectivos atletas levava-os à concretização dos sonhos de uma jovem ciddae com justificadas ambições em todos os campos.

Fascinados pela elegância deste desporto e pela inclusão da modalidade nos jogos olímpicos, desde 1896, com acompanhamento entusiástico, alguns jovens da geração de ouro (décadas de trinta e quarenta) preparavam-se intensamente, até desejável conquista do pódio.

Por ser uma modalidade considerada selecta, o número de atletas praticantes foi sempre reduzido, comparado com os desportos colectivos.
Eram frequentes os torneios de «singulares» e de «duplos», de ambos os sexos, e não eram poucos os torcedores que extravasavam as suas emoções.

Após a criação da Federação Internacional de Ténis - FIT, em 1928, e a consequente profissionalização, em Moçâmedes continuou existindo o amadorismo puro, n~so obstante o somatório de sucessos dos seus tenistas.

No ano de 1939 o campeonato de Angola integrou alguns tenistas procedentes de Portugal, Domingos D'Avillez, António Calém, Nicolau de Almeida e Eduardo Ricciardi, figuras de relevo no ténis português. Neste ano os representantes do Continente evidenciaram inegável superioridade, tendo sido finalistas Avillez e Ricciardi, que este ganhou com mérito.

Destacamos alguns destes mitos e pioneiros, todos naturais de Moçâmedes-Angola, de geração de ouro, imortaliuzados pelas suas retumbantes e memoráveis vitórias:

ARTUR FERREIRA TRINDADE
Venceu os dois primeiros campeonatos de Angola, nos anos de 1934 e 1935 em singulares. Também vitorioso noutros torneios importantes e líder desta modalidade em várias épocas. Na variante de «pares» ganhou algumas competições destacadas, gazendo parceria com o irmão Rogério.

MARY MOTA
Igualmente a primeira campeã de Angola e vencedora de muitos torneios em algumas épocas.

JORGE RADICH
Um dos principais valores de ténis angolano - 4 vezes campeãoo de Angola em pares mistos, 7 vezes vencedor da «Taça Bulock». Vencedor de 29 trofeus e considerado o tenista angolano com o maior número de campeonatos ganhos.

ROGÉRIO FERREIRA TRINDADE
Nasceu em Moçâmedes no ano 1919 e começou a praticar ténis com 15 anos de idade, tendo recebido ensinamentos básicos, de técnica e táctica, da parte do seu irmão Artur, então praticante de excelente nível.
Campeão de Angola uma vez, em 1937, além de detentor de títulos em competições relevantes realizadas naquele território, inclusiv´r na variante de «pares», de parceria com o seu irmão Artur Ferreira Trindade.

JORGE DA RESSURREIÇÃO ROCHA

Campeão de Angola no ano de 1946 e também de outros torneios importantes. Sobre este atleta, correcto e de enorme valia, o comentarista, Carlos da Cruz Almeida, ao serviço da Radio Difusora do Lobito - CR 6 AA-, disse em 1947:
«Desportista-Tipo, é o homem de porte correcto e hábil na prática desportiva, espécie rara em Angola».
Aqueles que o conheceram como desportista polivalente, na prática de futebol (No Lobito Sport Clube e no Sport Lisboa e Luanda), ténis, atletismo, natação e outras, sabem bem o quanto é merecedor dos elogios patenteados, pois este desportista sempre conservou imaculado o ideal em prol do desporto do Desporto, na perfeita acepção da palavra.

Outros tenistas, como RAUL RADICH JUNIOR, EDUARDO FERREIRA TRINDADE, MAURÍCIO DE ANDRADE, MÁRIO DA RESSURREIÇÃO ROCHA, entre outros, também honraram o ténis Moçamedense, com a grandeza das suas brilhantes actuações e vitórias.

A homenagem a todos estes desportistas moçamedenses dedicados ao «ténis», não é um mero agradecimento pelos sucessos desportivos consagrados  à Terra onde nasceram, mas sim à perpetuação dos seus nomes como gloriosos filhos que a honraram.
É um dever fazê-la!
Olvidar seria renegá-los!

Fonte: Memórias Desportivas, de Mário António Gomes Guedes da Silva

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