21 junho 2011

Os bairros de Moçâmedes (Namibe) e as suas gentes no tempo colonial: "Sanzala dos Brancos" ou Bairro Stº. António


Vejamos o que sobre este bairro e as suas gentes encontrámos na Net  (Sanzalangola):

«...Sanzala dos Brancos ou Bairro Stº. António, bairro onde vivi a minha infância e parte da adolescência, situava-se entre a estrada da Circunvalação e a rua do Rádio Clube de Moçâmedes. Rua essa que terminava no arreal em frente ao Impala Cine. Tenho dificuldade em lembrar-me do nome, e era atravessado pela Rua 4 de Agosto, aliás esta rua começava aí.

Era composto por dois núcleos de casas, a norte um bloco de casas económicas divididas por um corredor de acesso aos quintais traseiros, umas com a fachada principal para a Estrada da Circunvalação e outras para a rua do RCM. Nesse bloco viviam entre outros, o Vergílio, o Matias (tio do Vergílio), o Edgar Teixeira, a família Espírito Santo (filho do último Soba de Porto-Alexandre), o senhor Pinto táxista, o Mário de Albufeira, o Horta, o António Homem(filho do enfermeiro), o Jorge Almeida, o Turra, os Ilhas, o Tiago Costa, o Lanucha Dolbeth e Costa, o Claúdio Dolbeth e Costa, o António Soares, a Augustinha e outros de que já não me lembro os nomes.

Esse corredor que divide os dois blocos norte, tinha muros altos que eram as paredes dos anexos e portões de acesso aos quintais, por isso era um lugar com sombra e fresco, ideal para a garotada.

Era o local predilecto para brincar, pois assim estávamos protegidos dos carros e outros perigos, e ao mesmo tempo controlados pelas nossas mães. Era aí que se faziam os jogos tradicionais infantis, como a cabra cega, saltar os sóis, escondidas, saltar à corda e outros, foram tempos inesquecíveis.

O núcleo sul era composto por vivendas de maiores dimensões, que estavam dispostas como no núcleo norte, mas sem corredor a separar os quintais, começavam na Rua 4 de Agosto e acabavam na rua do Sr. Esteves da padaria, também não me lembro do nome, o Rádio Clube de Moçâmedes era mesmo em frente, e aí viviam a Lucy (filha do Zé de Sousa), os Grilos, o Sr. Abel (do Benfica), a familia Sequeira, a Mária Viegas, os Formosinhos, entre outros.

O Jorge Van Der Kelen vivia na 4 de Agosto mas muito próximo da famosa esquina.

Lembro-me de ir espreitar ao quintal dele os treinos de alterofilia que o pai fazia com alguma malta lá do bairro, lembro-me do Alfredo Grilo, era pequenino mas tinha um grande “caparro”.

Vivia-se modestamente, mas bem, o pessoal dava-se bem e ajudava-se muito, lembro-me daquele ceguinho chamado “Trimtimtim” que pedia cantando “oh trimtimtim um quinhento só” a minha mãe ajudava-o a sentar-se na cadeira da varanda e dava-lhe prato de sopa, para além do “quinhento” claro.

Lembro com saudade as festas populares que lá se faziam por altura do Santo António, montava-se um arraial com enfeites de papel colorido, balões e tudo, no areal em frente à casa do Edgar Teixeira. Cada um trazia bebida e comida, iamos á Mercearia do Sr. Oliveira, na Rua das Hortas, pedir alguns barris de vinho vazios, pregávamos uns aos outros, enchiamos de lenha, papel velho o que estivesse à mão e faziamos belas fogueiras, outra vez a estória da reciclagem que o amigo Xindere fez questão de enaltecer na sua crónica, era mesmo uma cidade muito avançada.

byToninho da Sanzala dos Brancos (Sanzalangola)

Sanzala dos Brancos ou Bairro Stº. António, bairro onde vivi a minha infância e parte da adolescência, situava-se entre a estrada da Circunvalação e a rua do RCM. Rua essa que terminava no areal em frente ao Impala Cine. Tenho dificuldade em lembrar-me do nome, e era atravessado pela Rua 4 de Agosto, aliás esta rua começava aí. Era composto por dois núcleos de casas, a norte um bloco de casas económicas divididas por um corredor de acesso aos quintais traseiros, umas com a fachada principal para a Estrada da Circunvalação e outras para a rua do RCM. Nesse bloco viviam entre outros, o Vergílio, o Matias(tio do Vergílio), o Edgar Teixeira, a família Espírito Santo(filho do último Soba de Porto-Alexandre), o senhor Pinto táxista, o Mário de Albufeira, o Horta, o António Homem(filho do enfermeiro), o Jorge Almeida, o Turra, os Ilhas, o Tiago Costa, o Lenucha Dolbeth e Costa, o Claúdio Dolbeth e Costa, o António Soares, a Augustinha e outros de que já não me lembro os nomes. Esse corredor que divide os dois blocos norte, tinha muros altos que eram as paredes dos anexos e portões de acesso aos quintais, por isso era um lugar com sombra e fresco, ideal para a garotada. Era o local predilecto para brincar, pois assim estávamos protegidos dos carros e outros perigos, e ao mesmo tempo controlados pelas nossas mães. Era aí que se faziam os jogos tradicionais infantis, como a cabra cega, saltar os sóis, escondidas, saltar à corda e outros, foram tempos inesquecíveis. O núcleo sul era composto por vivendas de maiores dimensões, que estavam dispostas como no núcleo norte, mas sem corredor a separar os quintais, começavam na Rua 4 de Agosto e acabavam na rua do Sr. Esteves da padaria, também não me lembro do nome, o RCM era mesmo em frente, e aí viviam a Lucy (filha do Zé de Sousa), os Grilos, o Sr. Abel(do benfica), a familia Sequeira, a Mária Viegas, os Formosinhos, entre outros. O Jorge Van Der Kelen vivia na 4 de Agosto mas muito próximo da famosa esquina.Lembro-me de ir espreitar ao quintal dele os treinos de alterofilia que o pai fazia com alguma malta lá do bairro, lembro-me do Alfredo Grilo, era pequenino mas tinha um grande “caparro”.

Vivia-se modestamente, mas bem, o pessoal dava-se bem e ajudava-se muito, lembro-me daquele ceguinho chamado “Trimtimtim” que pedia cantando “oh trimtimtim um quinhento só” a minha mãe ajudava-o a sentar-se na cadeira da varanda e dava-lhe prato de sopa, para além do “quinhento” claro.
Lembro com saudade as festas populares que lá se faziam por altura do Santo António, montava-se um arraial com enfeites de papel colorido, balões e tudo, no areal em frente à casa do Edgar Teixeira. Cada um trazia bebida e comida, iamos á Mercearia do Sr. Oliveira, na Rua das Hortas, pedir alguns barris de vinho vazios, pregávamos uns aos outros, enchiamos de lenha, papel velho o que estivesse à mão e faziamos belas fogueiras, outra vez a estória da reciclagem que o amigo Xindere fez questão de enaltecer na sua crónica, era mesmo uma cidade muito avançada.
Passávamos a noite toda a cantar, dançar e a saltar à fogueira, claro que no dia seguinte alguns tinham o cabelo chamuscado, aliás estas festas espalharam-se pela cidade e até havia uma certa rivalidade entre os bairros.
Era ver quem fazia a maior fogueira, lembro-me que houve um ano que o bairro da Facada fez uma fogueira com mais ou menos 17 metros de altura, diziam eles, e à qual chamaram Apollo 11, juntaram pneus e barris e formaram um foguetão. Tornou-se um hábito as pessoas andarem a passear pela cidade e a ver qual era o melhor arraial, claro que para mim o da Sanzala dos Brancos era sempre o melhor.
De vez em quando organizavam-se jogos de futebol com outros bairros, eram jogados no areal junto ao RCM, lembro-me de um em que o guarda-redes era o Edgar Teixeira, aliás ele ou era guarda-redes ou treinador, e era contra os Heróis do Mucaba salvo o erro, também jogavam os Grilos, o Lenucha, o Mário de Albufeira e um miúdo mais novo, da minha idade, e que era um crack, o Claúdio Dolbeth e Costa.
Bons tempos, não podiamos estar parados, quando não era futebol, eram corridas de carros de rolamentos, e aí eu também entrava pois tinha facilidade em arranjar rolamentos, o meu pai apesar de ser mecânico não mos podia arranjar, no Saco os comboios não tinham rolamentos, mas bastava ir à oficina do meu tio Abel e tinha logo ali os melhores rolamentos da praça, até eram melhores que os reciclados do Vadinho, pois eram os do carro do Novais. Arranjava duas duelas de barril para servirem de eixos, uma fixava na madeira que servia de assento, era o eixo traseiro e a outra levava um furo a meio e servia de eixo dianteiro. As duelas, devido à sua curvatura faziam de suspensão, era um espanto de carro, e lá iamos fazendo gincanas por entre pedras postas no meio da rua com intervalos entre elas, os mais velhos empuravam-nos, pois eramos mais leves, lembro-me que o meu “empurra” era o Claúdio, tinha cá uma velocidade, ganhávamos as corridas todas, pudera, eu era o mais leve!
Quem me dera que os nossos filhos, tivessem passado uma infância como a nossa, ou pelo menos parecida.
Que saudades eu tenho da SANZALA DOS BRANCOS.
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by Toninho da Sanzala dos Brancos (Sanzalangola)

 FOTOS DE MOÇÂMEDES
VIDEOS DE MOÇÂMEDES:
1. Centro cidade
2. Vivendas
3. Marginal e Praia
4. Torre do Tombo e Praias
5. Deserto do Namibe
6. Hortas até à Leba
7. Da Leba ao Lubango

1 comentário:

Francisco Gonçalves disse...

Parabéns ao blog.
Eu estudei no Salvador em Luanda, e através da Net descobri recentemente 3 colegas espalhados pelo Mundo, hoje por acidente cheguei a este blog de recordações... fica no meu registo, o blog e aquela Miss que Moçâmedes nos deu...
Xico

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