30 março 2012

Riquita, "Miss" Portugal 1971, Ana Paula Almeida "Miss" Moçambique 1971, e o "Miss" Mundo


 
Retirado DAQUI
Lord Mountbatten de Burma cumprimenta Ana Paula Almeida após o Miss World em Londres.

Ana Paula Almeida cumprimentando o Eng. João Delgado, Presidente em exercício da
Câmara de Lourenço Marques, tenso a seu lado Riquita

As Misses de Angola e Moçambique na Câmara Municipal de Lourenço Marques.

No dia 10 de Março de 1971, numa função protocolar na Câmara Municipal de Lourenço Marques, Ana Paula Almeida, enquanto Miss Moçambique reinante, com a Miss Angola. Foto gentilmente cedida pelo PPT.

Ana Paula Almeida no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lourenço Marques, rodeada
 por um grupo de senhoras.



No final do Concurso Miss World. Ana Paula Almeida (à direita da titular) 
concorreu substituindo Riquita  e  classificou-se em terceiro lugar a seguir à titular, Lúcia Petterle
 (na imagem com a coroa) e à britânica Marilyn Ann Ward, que está à esquerda da vencedora. 
Foto da BBC, restaurada por mim. Para a ver em maior tamanho, prima na foto com o rato do
 computador duas vezes. 

Ana Paula Almeida é natural de Moçambique, tendo sido também coroada Miss Portugal num
 concurso algo atribulado. Ficou em terceiro lugar no ainda mais atribulado  concurso Miss
 Mundo, realizado no Royal Albert Hall em Londres no dia 10 de Novembro de 1971. 
Contra todas as  previsões,  que davam uma vitória fácil às concorrentes dos Estados Unidos 
ou da Grâ-Bretanha,  concurso foi ganho pela brasileira Lúcia Petterle. Em segundo lugar
 ficou a britânica Marilyn Ann Ward. Enquanto decorria o evento, fora do recinto
 grupos feministas e outros contestavam a sua realização, querendo “libertar” as concorrentes
 da sua “opressão”. Há um episódio entre Lord Mountabtten,  cicerone do evento,
 e Ana Paula Almeida que merece ser recontado aqui. Decalco de um comentário
 que fiz num excelente grupo em que participo no Facebook: ” Se não me engano,
vi num documentário em Portugal sobre aqueles tempos, em que, incidentalmente, focaram no
 então fenómeno cultural das misses e, dentro dele, o efeito da presença
pelos vistos incontornável, das misses que vinham de África. Falaram no Jorge Jardim
(que aprece que foi um aficionado) e da Vera Lagoa, que acho que também é de Moçambique. E
passaram uma cena inesquecível em que há um jantar de gala em Londres em que lá estão as misses
de todo o lado e mais algum e respectivas comitivas. Sala gigante, em que a figura cimeira era
Lord Mountbatten, primo de Elizabeth II, ex vice-rei e primeiro Governador da India, etc e tal – a
 quem era devida a tarefa de apresentar ao microfone a representante de cada país. E ele lá foi
chamando a miss de cada pais. Até que chegou a vez de Miss Portugal, que era a Ana Paula,
que aparece basicamente vestida com um monte de missangas à volta do pescoço, por debaixo
 um pequeno biquini mas para quem estivesse a mais que 5 metros parecia que não tinha nada.
Quando ele a chama, Ana Paula levanta-se e de repente na sala uns segundos de silêncio e um
 “oooohhh” colectivo. Ana Paula sorri modestamente e senta-se de novo. Meio atrapalhado e correspondendo ao assombro bem disposto que se sentiu na sala, Lord Mountbatten disse no
 microfone: “Aaaahh..Miss Portugal, can we see that again?” (Miss Portugal, podemos vir isso
outra vez?) ao que Ana Paula se levanta de novo e aí desta tudo a bater palmas.
Ou seja, a Ana Paula naquela noite arrasou.”

Origem deste texto:






E RIQUITA?


Riquita que aqui vemos em Palm Beach (a 6ª da dt para esq.), por sinal bastante desfavorecida
em relação à sua real beleza  nas 2ª e 4ª fotos (intencionalmente ou não?!)  acabaria por ser a
 ganhadora desistente.

"..Depois de Lisboa viajou para Miami, nos Estados Unidos, onde participou na eleição da
 Miss Universo. Riquita apresentou-se com o traje tradicional dos mucubais e com adereços
 emprestados por eles – untados com leite azedo e excrementos de boi. “Havia quem se afastasse por 
causa do cheiro.” Fosse como fosse, a festa tinha acabado. “Era tudo muito profissional. Muito 
sério. Ensaios das sete da manhã às sete da noite. Não era para mim.”Desistiu.

"....O pai escreveu uma carta aos organizadores do concurso Miss Portugal agradecendo-lhes
 a atenção dispensada à filha e, de caminho, informando-os de que ela se ia embora. Sim, abdicava
da coroa. Foi um escândalo. Quiseram obrigá-la a devolver todos os prêmios. Riquita fincou o pé e já
 não participou no concurso Miss Europa. Regressou a Moçâmedes e, mais tarde, freqüentou a Universidade de Luanda."
RETIRADO
DAQUI

Vejamos como a
 Revista moçambicana TEMPO, na época abordou este assunto:

...«Miss» Portugal saiu de Angola, uma moça de 19 anos, aluna do sétimo ano do Liceu que tem
muitos sonhos e quer ser médica. Chama-se Maria Celmira Pereira Bauleth, veio de Moçâmedes,
corre-lhe nas  veias sangue marroquino, descendente de algarvios, mas, segundo disse, muito
africana, mesmo muito africana. Ana Paula de Almeida não era tão africana, apenas, há dois
 anos, em Moçambique. No entanto,
os jornalistas que as acompanharam de perto, bem como os repórteres fotográficos estavam
 convenci-dos, mas absolutamente convencidos, que Miss» Portugal seria «Miss» Moçambique.
 E ficaram um
tanto desiludidos. Manhã cedo confessava-se um deles: «ele, há razões que as razões estéticas
não compreendem». É sempre assim: ninguém fica- contente com os resultados dos júris... Já com as
canções acontece a mesma coisa. Uma coisa é certa: as moçambica nas fizeram por cá miséria nos corações masculinos e nas simpatias dos órgãos de Informação. Então não foi escolhida para «Miss» Imprensa a  Maria Olga de Morais? Era, na realidade, a Mária Olga de Morais aquela que conversava com mais facilidade e de assuntos
que iam mais de encontro aos interesses dos jornalistas, procurando mesmo
D. MAIS

«Miss Portugal 1971»
«Estou contentíssima com o concurso, com o espectáculo e com tudo. Sou estudante e
tenciono
 acabar o  curso Contente com os prémios? Como não? Entre outros:
um automóvel BMW, 15 mil escudos, apólices de
seguros, um televisor, jóias, rádios, carteiras, etc.


AUTO RETRATO

Maria Celmira «Miss» Portugal, «disputa» a bola a Eusébio, no relvado da Luz, momentos antes de começar o jogo Portugal-Escócia. Nas botas, ganha ela...

Há mais de noventa anos, os moços pescadores algarvios, atraidos pela aventura do mar e por aquele espírito de audácia que sempre nos esteve no sangue, juntavam-se em grupos, angariavam o suficiente para construir um pequeno barco e abalavam para Africa ou para o Brasil

Um desses moços dos fins de 1880 era o mèu bisavô: José Bauleth, campeão da rota da costa de Africa, «Ti» Zé Bauleth pescador de garoupas da Torre do Tombo, ou velho Zé «Boca de Chopa», Cabeça de pungo e rosto de pergaminho encardido nas calemas da Baia dos Tigres ou de Porto Alexandre - tal como o conheci--, já contador de histórias dos noites do mar que para ele não tinha segredos, lobo das ondas, mestre de traineira, o olho vivo e cintilante no lombo dos cardumes de Moçâmedes.

Trago, portanto, no sangue, a humildade e a coragem dos pescadores do Algarve - um daqueles que, em pequeno calque, roteou a aspérrima serra Leoa onde ruge o mar e, por fim, chegou. E quantos calques que por lá ficaram, quantos não «venceram a derrota», como dizia o velho Bauleth? Depois, os meus avós, os meus pais e eu, nascemos já em Angola. A minha família é, assim, uma família tradicional e antiga, em Moçâmedes, onde o bisavô acabou por se estabelecer. E gente de trabalho e respeitada que, ali, todos conhecem. Os avós e os filhos viveram como todas as pessoas, entre os sobressaltos da abundância e da escassez do peixe que se apanha.

Moçâmedes é hoje uma cidade bonita, que foi construída pela minha e por algumas outras famílias semelhantes. A frente, o mar; atrás, o deserto. É uma cidade azul e luminosa, meridional, amável. Os homens, more. nos e de olhos azuis, possuem a gentileza daqueles que estão habituados a enfrentar um trabalho cheio de perigos quotidianos, enquanto as mulheres - dizem em Angola -são as mais bonitas da província. Era tudo natural e, provávelmente, estas características são devidas à amabilidade das terras e dos climas.

Sendo uma descendente dos primeiros povoadores, creio representar também todas as populações de Angola. E, a este respeito, vou contar um episódio que ocorreu pouco tempo depois de ter sido eleita «rainha» de beleza.

Quando regressei de Luanda e a noticia já era conhecida na minha cidade, fui alvo da maior recepção da minha vida: estava tanta gente no aeroporto a esperar-me que eu duvidei que Moçmedes tivesse tantos habitantes. Mas tem mesmo. O percurso do aeroporto, aocentro da cidade fi-lo tão emocicnada que no houve um segundo que não chorasse. Ora, de qualquer modo, as pessoas disseram que eu era bonita e esse pormenor de que não sou culpada

A primeira vez que fui ao Liceu, depois da eleição, as minhas colegas encheram-me de flores. Ai, eu fiquei orgulhosa por elas e elas foram sinceras comigo. Levaram-me tantos ramos de flores que estas se esgotaram em Moçámedes, e há multas pessoas que sabem como há flores em Moçámedes. Quase no fim, uma colega, que foi a ltima a chegar junto de mim, deu-me só um malmequer e disse-me: «Olha, é para ti, desculpa, mas foi a única flor que encontrei. Estava calda no chão porque alguém a perdeu »

Passados dias, acompanhei «miss» Moçambique, que convidei a visitar Moçâmedes, e fui mostrar-lhe o deserto. A 110 quilómetros da cidade, encontrámos milhares de homens e mulheres mucubais que estavam reunidos com os seus chefes, sobas, e outras autoridades tradicionais, que se preparavam para Ir à cidade fazer-me uma festa. Já não foram. Fizeram logo a festa. Foi um batuque inesquecível. Os príncipes e os sobas mucubais e a sua gente dançaram, beberam, assaram cabras, comeram e, por fim, um homem velho fez um discurso para dizer que os mucubais me tinham eleito «Menina Mucubal», pedindo-me que os representasse em Lisboa e que dissesse isso mesmo às pessoas importantes com quem falasse. E para rectificarem o seu desejo, escreveram-no num papel que me entregaram. É por isto que valeu a pena ser eleita «miss» Angola. Agora, cá estou, «Menina Mucubal», «miss» Angola, ou o que quiserem. Contente, porque, de todos os modos, represento a juventude da terra onde nasci e onde nasceram os meus avós. Uma juventude cheia de força e com a confiança que ela dá, mas plenamente convencida do futuro árduo que a espera. É isso: uma juventude que já constrói o futuro e que, como eu, mergulha as suas raizes nesta bela terra tão azul da Metrópole.
Aconteça o que acontecer, dentro de poucas semanas, vou retomar as aulas do meu sétimo ano. E há uma coisa que é certa: serei médica. É o que eu quero ser É o que hei-de ser na vida. Em Moçâmedes, terra e mar de horizontes largos, somos todos criados com liberdade.

Como os pássaros e como as bonitas cabras de leque do deserto. É por isso que sabemos o que queremos. E alcançamos, o que sonhamos porque acreditamos em nós próprios. Afinal,é o mesmo espírito do meu bisavô algarvio, meu «Ti Zé» Bauleth, pescador de Olhão, vencedor dos sete mar, amortalhado no seu velho palhabote casca de noz. E dele que eu me lembro sempre.

Maria Celmira Bauleth
VER  AQUI



ANA PAULA ALMEIDA, MISS MOÇAMBIQUE, MISS PORTUGAL E 3ª NO MISS MUNDO, 1971
AQUI

4 comentários:

Anónimo disse...

Tinha que ser! Sempre que surge algum artigo relacionado com o concurso de Miss Portugal 1971,desde que escrito por gente que à época torceu pela candidata de Moçambique...E já lá vão quase 40 anos! Intencionalmente ou não o certo é que se escolhem sempre fotos onde Miss Angola 1971 se encontra desfavorecida. Ambas eram belas, mas Riquita for escolhida como a mais bela entre as mais belas de Portugal! Lamentavelmente o que se vê aqui é a repetição daquilo que fez a Revista mocambicana "Tempo" na época, e que por sinal ainda hoje circula na Net... Sempre a tentar desvalorizar.... Maldade!

Ricardo Martins Soares disse...

Ana Paula de Almeida alem de mais bonita tinha sobretudo mais carisma, o que faltava à sua colega de Angola, a Celmira Bauleth. Por isso foi tambem mais bem sucedida, conseguindo um incrivel e irrepetivel 3° lugar, algo dificilissimo para um pais politicamente isolado como era Portugal naquela época. Lamentavelmente, embora eu nao tenha lido nada de oficial a respeito, pelos comentarios que leio aqui e ali, teria falecido. Na epoca eu tinha 12 anos de idade, nesse mesmo ano me mudei de Moçambique para Portugal (e hoje vivo no Brasil, sendo cidadao brasileiro). Desde entao muita agua passou debaixo da ponte mas a belissima historia dessa fase aurea dos concursos de misses portuguesas ficou-me para sempre na memoria.

Anónimo disse...

Nada a ver... não existia comparação possivel de beleza!!! Riquita foi e será sempre a eterna Miss com a sua beleza exótica, o que faltava à Ana Paula Almeida...

Anónimo disse...

Tem lá comparação. Ana Paula Almeida é bonita mas falta-lhe aquilo que sobra a Riquita, o rosto exótico e fora do vulgar, por isso ela avançou e a tentaram denegrir injustamente Eterna inveja.

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