23 abril 2012

Talentos do Namibe: João Luís Maló de Abreu


No auge da sua carreira desportiva, na
 Associação Académica de Coimbra


Onde  tudo começou...


Em Moçâmedes ( actual Namibe)

 
Esta é a foto mais antiga que conseguimos obter sobre o início da actividade desportiva de João Luís Maló de Abreu, em Moçâmedes, sua terra natal. Trata-se de uma foto tirada antes de um encontro de futebol realizado em Porto Alexandre, em 1951, entre as equipas juniores do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Sport Clube daquela então vila,  tendo como pano de fundo as casuarinas.1

Já aqui Maló de Abreu  (de escuro, em cima., à dt.) mostrava a sua inclinação para a baliza, talvez por predisposição natural,  talvez por influência do tio Angelo de Almeida  que nos anos 40 fora um  talentoso  guarda-redes, e que não faltava a um jogo do seu jovem ídolo, posicionando-se por detrás da baliza, de máquina fotográfica em punho, para não perder qualquer defesa digna de registo.

Esta é outra foto do início da actividade futebolística de João Luís Maló de Abreu, no Sporting Clube de Moçâmedes (1952), cujo treinador era então Adriano Nascimento (em cima, à esq.). Da esq. para a dt. reconhecemos, em cima: Adriano Nascimento (treinador), André, Zeca Matos, Adriano Cruz (Cucas Abelgas), Helder Paulo (Délinho), Amilcar Almeida, Bétinho (Pré-histórico/Rodados), Piriquito e Silva.  Embaixo: Novo, Abilinho, ? , Arménio Jardim,  Maló de Abreu (guarda-redes), Carlos Jardim, António Araújo e Quim Guedes. Nesta foto, as camisolas não respeitam o riscado verde e branco definitivo do Sporting. Eram camisolas verdes e calções pretos (equipamento  "stromp"),  que por vezes ainda hoje são utilizadas pelo Sporting. Desta equipa  sairam desde logo três excelentes jogadores: o Maló de Abreu,  o Carlos Jardim e o  Abilinho, porém, seria o  Maló o único a ter projecção nacional, quando, terminado o curso liceal no Liceu Diogo Cão, em Sá da Bandeira (Lubango), a fim de prosseguir os estudos, seguiu para Lisboa onde passou a  alinhar pelo Sport Lisboa e Benfica, trensferindo-se posteriormente para  Académica de Coimbra, conciliando o estudo e o desporto. 
Maló, em cima à esq. alinhando pela Academica da Huila contra o Atlético de Moçâmedes


Como desportista completo que era, desde muito cedo Maló abarcou com grande performance várias modalidades na classe de juniores, e começou a praticar, em simultâneo, futebol, basquetebol, voleibol e  hóquei em patins, modalidade de que foi pioneiro, como avançado, na fase da formação da equipa do Atlético Clube de Moçâmedes. Desta fase ficou-nos a foto a seguir, datada de 1951, que, apesar do mau estado de conservação, nos dá uma ideia dos primórdios da modalidade de hóquei em patins, em Moçâmedes, por iniciativa de José Adriano Borges.

Os pioneiros juvenis, entre os quais Maló de Abreu, no decurso de um treino realizado no campo do Atlético, então ainda sem tabelas a demarcá-lo. Á dt., o treinador José Adriano Borges


José Adriano tinha chegado a Moçâmedes, transferido do Lobito, e,  sem perder tempo,  procurou constituir uma equipa de hóquei em patins (sénior), tendo para tal recebido  o apoio do então presidente do  Atlético Clube de Moçâmedes, o despachante oficial Raúl Radich Jr, que desde logo se prontificou a oferecer  todo o equipamento. Porém, esta não passou de uma fugaz tentativa que logo se esboroou. Então, José Adriano voltou-se para um grupo de garotos habilidosos, com cerca de 12/13 anos de idade,  que andavam a patinar por tudo quanto eram passeios da baixa da cidade, e nos campos de jogos do Atlético e do Casino, com vulgares patins winchester (patins de rodas finas, sem botas, ajustados aos sapatos com engates e com uma correia sobre o peito do pé), e sticks feitos com galhos de madeira, paus, etc., e que  tinham por ídolos hoquistas metropolitanos, como os primos Jesus Correia e Correia dos Santos, da selecção nacional, à época vencedores de vários campeonatos do mundo seguidos, cujos relatos difundidos pela emissora nacional seguiam atentamente.  Um desses miúdos era Maló Abreu. Os outros eram Arménio Jardim, Rui Mangericão, Leston Martins, os irmãos Tolentino e Chiquinho Ganho, Rui Frota,  Artur Trindade, Pierino Nóbrega, e mais alguns cujos nomes foram esquecidos com a voragem do tempo.   Deste grupo nasceu aquela que, na verdade, foi a equipa pioneira de hóquei em patins da cidade e do distrito, a equipa  de juvenis do Atlético Clube de Moçâmedes,  que passou a usar os patins e o equipamento da  fugaz equipa sénior, oferecidos por Raúl Radich Jr.



E  foi a partir daí que novos valores começaram a emergir no hóquei em patins moçamedense, pois esta iniciativa foi de  imediato seguida pelo Independente Sport Clube de Porto Alexandre e pelo Sporting Clube de Moçâmedes, tendo a equipa do Sporting absorvido Maló,  Rui Mangericão e Artur Trindade, como podemos ver na foto acima.  Desta equipa faziam parte, em cima e da esq. para a dt: Nono Bauleth, Rui Figueiredo (Rabiga), Artur Trindade e Rui Mangericão. Embaixo, da esq. para a dt: Maló de Abreu, Quim Guedes, Carlitos Guedes e Zito Cavaleiro. Treinador:  José Pedro Bauleth (treinador). Por esta altura o  Sporting  não possuia um campo de jogos, e o recurso para os treinos era o campo de ténis  do Clube Nautico (Casino). Estava-se então em 1952.  

O primeiro jogo de hóquei em patins juvenis foi realizado em Porto Alexandre, entre o Independente e o Atlético de Moçâmedes, do qual não possuimos qualquer fotos, mas sabemos existirem. Para se ter uma ideia dos condicionalismos da época, em Porto Alexandre, por essa altura, os jogos decorriam num improvisado ringue de patinagem junto ao estaleiro e à praia, mais ou menos defronte da igreja onde pregava a missa o padre  Simões Serralheiro.   E porque aquela vila,  a cerca de 100 km de distância de Moçâmedes, ainda não possuia luz eléctrica,  os  jogos eram  efectuados antes do anoitecer.  Conta-se que quando ali se realizou este primeiro jogo,  os hoquistas do Atlético que tinham partido de Moçâmedes às 7 da manhã, com tempo de sobra  para o jogo marcado para as 4 hs da tarde, viajando numa carrinha de caixa aberta dos Bombeiros Voluntários, conduzida pelo comandante daquela corporação e director da Alfândega, José de Sacadura Bretes, chegada a hora, com o campo apinhado de gente, ainda não haviam chegado.  A carrinha que os transportava como sardinha em lata, por aquela estrada de terra solta,  levando-os a "comer" pó por todo o caminho,  tinha, a meio do percurso, partido o veio de transmissão, e os jogadores tiveram que passar para a carrinha de Arlindo Cunha, onde prosseguiram  viagem,  ainda mais comprimidos, tendo chegado ao destino 12 hs mais tarde, já noite cerrada. No campo, ninguém arredara pé, e o jogo acabou por decorrer à luz de candeeiros petromax, obrigando a que, de vez quando, tivesse que ser interrompido para que fosse dada à bomba aos referidos candeeiros. Era um tempo em que a prática desportiva, sem quaisquer subsídios estatais, dependia da "carolice" dos atletas,  dos dirigentes clubistas, e da população em geral, e, porque não havia ainda estradas asfaltadas, uma viagem de Moçâmedes a Porto Alexandre demorava cerca de 4 horas, e se fosse efectuada através da "carreira" (2) da empresa  Sousa e Irmão chegava a levar 6 a 7  horas. E, como tudo era improvisado, curioso era também o método como se efectuava em pleno deserto o contacto telefónico entre a "carreira"  e a respectiva oficina  em Moçâmedes; o motorista, a meio do percurso, por volta da passagem pelo  "Buraco" (local onde o terreno  apresenta uma depressão), saia do veículo com um telefone na mão, subia ao tejadilho  e ligava-o à linha telefónica que, através de postes paralelos à estrada, acompanhava o percurso . E assim ficava o assunto resolvido!


 

Aqui, podemos ver João Luís Maló de Abreu alinhando mais uma vez pelo Sporting Clube de Moçâmedes, antes do iníco de um jogo de hóquei em patins contra o Independente de Porto Alexandre.  As duas equipas encontravam-se assim constituidas (da esq. para a dt): Artur Trindade, Mário Lopes, Carlitos Guedes, Cartier Sacramento, Maló de Abreu e Venâncio Delgado. Embaixo: Humberto Sena Tendinha, Nono Bauleth, Zequinha Carvalho, Rui Figueiredo(Rabiga) , Parente, Quim Guedes, Abel Lopes e Rui Mangericão. Participou neste torneio, realizado no improvisado campo de jogos, no edifício do "Cabo Submarino", por ocasião das festas da cidade, em 04 de Agosto de 1953, para além destas duas equipas, também o Atlético Clube de Moçâmedes.

 
Aqui Maló de Abreu encontra-se atrás segurando uma das pontas da bandeira do Sporting,  por ocasião da "volta de honra" no referido campo de jogosdo "Cabo Submarino" .  Repare-se como os espectadores se encontravam sentados, sem qualquer rede de protecção, sobretudo por detrás das balizas...

 Maló tentando o golo...


 

Disputando a bola no meio campo...  Repare-se nos pavilhões que circundavam o campo de jogos do edifício do "Cabo Submarino", erguidos para as festividades do 04 de Agosto de 1953...
 Maló preparando-se para um penalti...




























Estava-se em 1954. De um ano para o outro os miudos ganharam centímetros em altura e, na ausência de regulamentação, passaram todos a fazer parte das equipas sénior. Esta foto mostra-nos as equipas sénior do Sporting Clube de Moçâmedes e do Clube Ferroviário de Luanda antes de um jogo realizado em Moçâmedes para comemorar o "28 de Maio".  Alinharam pelo Sporting, em cima e da esq. para a dt: Maló, Nono Bauleth, Quim Guedes, Rui Mangericão, e embaixo: Carlitos Guedes, Artur Trindade, Zeca Castro Alves e Geni Guerra. Pelo Clube Ferroviário de Luanda.: ?, Bogarin, Van Ronson, ?,  Zé Correia , ? , e Carlos Fontoura (Calota). Como treinador do Sporting, Camarinha. Como árbitro: Reinaldo Chibante. .

 
Na mesma altura, em 1954. Da esq. para a dt., em cima: Rui Mangericão, Eugénio Guerra (Geni). Joaquim Guedes da Silva (Quim) e Maló de Abreu.   Embaixo. Nono Bauleth, Artur Trindade, José (Zeca) Castro Alves e Carlos (Carlitos) Guedes da Silva. Ainda em cima, o treinador Camarinha, à dt, e o enfermeiro massagista,  Reinaldo Chibante, à esq.

 
Ainda como hóquista, Maló fez parte da Selecção de Moçâmedes, em 1955, como aqui podemos ver. Por Moçâmedes (camisola branca), neste jogo contra o Clube Ferroviário de Luanda, alinharam (em cima, da esq. para a dt):  Tolentino Ganho, Maló, Quim Guedes, Rui Mangericão, e Hernani Silva. Embaixo: Arménio Jardim,  Álvaro Jardim (Chamenga) e Nono Bauleth.  Pelo Clube Ferroviário de Luanda (camisola escura), em cima:  Bogarin, Van Ronson, ? , e Carlos Fontoura (Calota). Embaixo:  José Correia, ?, e ?.


A fase desportiva e académica em Sá da Bandeira (Lubango) : Os Maristas


A última fase do desportista Maló de Abreu, enquanto em Angola, foi a fase nos Maristas, desenrolada na cidade planáltica de Sá da Bandeira (Lubango). Maló,  para prosseguir os estudos e ingressar numa Faculdade de Medicina na Metróple, teve que se deslocar para aquela cidade vizinha, a fim de adquirir a habilitação liceal (7º ano),  no Liceu Diogo Cão, dado que em Moçâmedes havia apenas uma Escola Comercial e Industrial ao nível do Curso Geral (5º ano), que não dava  equivalência ao 5º ano liceal. Eram os condicionalismos que sofriam na época os estudantes de Moçâmedes e de outras cidades de Angola, em consequência da ideia enraizada de que a escola pública deveria estar em consonância com as actividades comerciais e industriais das cidades. Apenas em 1961 Moçâmedes passou a ter o seu Liceu. Mas estes condicionalismos iam muito mais longe, pois Angola não possuia também uma Universidade, o que obrigava os estudantes que quisessem enveredar para um curso superior a terem que partir para a  Metrópole, para a África do Sul, ou para um qualquer outro país estrangeiro, a expensas das familias. Por detrás destes condicionalismos encontrava-se toda uma política de restrições que a Metrópole impunha às colónias de África e  às suas populações, e que, por demasiado tempo,  as impediu de progredir.

Quanto ao Internato dos Maristas, em Sá da Bandeira (Lubango), este servia de apoio ao Liceu Diogo Cão. Os estudantes iam para ali  provenientes de vários pontos de Angola, tais como do Lobito, Benguela, Moçâmedes, Quilengues, Caluquembe, Nova Lisboa, etc, enquanto os do norte do território iam para Luanda. Este Internato tinha solicitado ao governo de Salazar autorização no sentido de  integrar um Colégio onde os alunos pudessem adquirir a habilitação equivalente ao 7º ano liceal,  mas a autorização foi negada.  O Internato Maristas estava dividido, em relação aos alunos, em  agrupamentos de "menores, médios e maiores", sendo que os médios correspondiam à idade mais difícil (os ditos adolescentes puros e duros) que eram entregues à vigilância do Irmão Celso, um cultor da disciplina e amigo do desporto que se faz presente nas fotos  mais adiante, ao lado de Maló de Abreu.








Nesta foto, tirada em 1956, no decurso do 1º torneio quadrangular de hóquei em patins  do Sul de Angola, realizado no campo de jogos do Sporting Clube de Moçâmedes (mais uma vez organizado pela União Nacional e pela Câmara Municipal para comemorar o "28 de Maio",  dia histórico para o regime de Salazar), já Maló de Abreu (em cima, à esq.) se encontrava a estudar no Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira, e integrava  a equipa de hóquei em patins dos Maristas (Internato).  Da esq. para a dt., em cima: Maló, Hernâni Silva, Álvaro Ascenso, e Caria. Embaixo: Rodrigues?, Agostinho, José Castro Alves e Mário Lopes. Neste torneio quadrangular em que participaram o Atlético, o Sporting, os Maristas e a Casa de Pessoal do Porto do Lobito?, saiu vencedor o Atlético Clube de Moçâmedes que venceu os Maristas na fial, por 4 a 3. A equipa dos Maristas era quase integralmente constituida por estudantes de Moçâmedes e da vizinha Porto Alexandre, que se encontravam a estudar em Sá da Bandeira, e que teve como consequência o desaparecimento da equipa de hóquei do Independente.
 
  
A equipa  dos Maristas, em Sá da Bandeira, com Maló de Abreu, em cima, à dt, entre o Padre Celso e a bandeira. Alinharam,  esq. para a dt, em cima: Maló de Abreu, Hernâni Silva e Victor. Embaixo: Caria, Agostinho, Castro Alves e Mário Lopes

 
 Maló, à dt., segurando uma das pontas da bandeira dos Maristas
Na mesma altura. Da esq. para a dt: Hernâni Silva, Álvaro Ascenso, Maló, Artur Trindade, Mário Lopes e Castro Alves. Ao fundo pode-se ver o morro do Lubango.

Voltando ao futebol. Maló, à dt., na equipa dos Maristas ao lado do irmão Celso.

Foi  precisamente aqui que, dado o relevo das suas potencialidades ao nível do futebol, ao terminar o curso liceal, Maló é convidado pelo Sport Lisboa e Benfica para a sua equipa de juniores, convite que aceita com o propósito de prosseguir na Metrópole a sua carreira académica. Nos juniores do Benfica Maló desenvolve e confirma todo o seu valor. No entanto,  ao atingir a idade para ingressar nos seniores, transfere-se para a Académica de Coimbra, onde viria a desenrolar-se toda a sua carreira futebolística.

***

A fase da Académica,  na Metrópole

( Seguem algumas fotos e descrições desta fase colhidas na internet)

 
Cartão da Académica de Coimbra

Alinhando pela Académica de Coimbra
A célebre defesa da Académica de Coimbra, na década de 60, constituida pelo guarda-redes Maló  (ao centro) e os defesas Celestino, Curado, Bernardo e Rui Rodrigues

"...Logo nessa primeira época a Académica de Coimbra realizou uma brilhante temporada que culmina com um 4º lugar na classificação final do Campeonato Nacional da 1ª Divisão de 1964/65.  A equipa apresenta um tipo futebol muito elogiado, espectacular e cativante para os espectadores, e os resultados desportivos vão aparecendo, passando a Académica de Coimbra a surgir, consecutivamente, nos lugares cimeiros da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª Divisão."


À esq. na  equipa da Academica de Coimbra na década de1960

"...Nos anais da história do clube dos estudantes realça-se, efusivamente, a época de 1966/67, quando a Académica de Coimbra se classificou no 2º lugar do Campeonato Nacional da 1ª divisão, lutando, verdadeiramente, com Sport Lisboa e Benfica, pelo titulo de campeão nacional."


AAC_1966_67 Foto Carlos Dias. 1966/7
"...Nessa mesma época regista-se também a presença meritória da equipa da Académica de Coimbra na final da Taça de Portugal. Todavia, também nesta prova, o troféu escapou à equipa conimbricense, pois o Vitoria de Setúbal, o adversário da final da Taça de Portugal de 1966/67, venceu por 3-2."
.


  

"... É pois neste momento dourado da história da Académica de Coimbra que  Maló de Abreu se revela como uma da maiores glórias do Desporto Nacional na qualidade de desportista-guarda redes da Associação Académica de Coimbra. Primeiro jogo pela AAC em 20/09/1959 com 19 anos
Último jogo em 30/11/1969 com 29 anos. Realizou 180 jogos durante os 11 anos de actividade."
 
Equipa da Associação Académica de Coimbra na temporada de 1967/68. Maló à esq.

"...Destaca-se neste período, a presença novamente numa final da Taça de Portugal em 1968/69, perdendo-a agora para o Sport Lisboa e Benfica, enquanto no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, à excepção da temporada de 1969/70, a Académica de Coimbra realiza boas classificações que o levam, inclusive, as competições internacionais de clubes."






Esta é a memória de um tempo em que não eram ainda os valores económicos que falavam mais alto. Os clubes ainda permaneciam, em sua maioria, como entidades sem fins lucrativos, ligados ao culto do amadorismo e a certos princípios e valores como o espírito desportivo e o fair play.  A partir dos anos 90 a modalidade mercantilizou-se,  os clubes transformaram-se  em sociedades anónimas com fins lucrativos, e os jogadores em mercadoria.


Fica aqui a homenagem do blog "GENTE DO MEU TEMPO" a mais um dos "Meninos do Namibe", um "cabeça de pungo"  que abandonou muito jovem a sua terra natal, Moçâmedes, e que chegou aos píncaros  do sucesso e da fama, nesses tempos da "velha" Académica, anteriores ao divórcio do clube com a cidade e com a Academia João Luis Maló de Abreu, o  Nico para os amigos e conterrâneos, o grande Maló para os apaixonados da Académica, o Professor Doutor João Luis Maló de Abreu, catedrático da Universidade de Coimbra, para milhares de alunos, o Senhor Comendador  para quem esteve atento e soube que no último 10 de Junho, Dia de Portugal, recebeu do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o título de Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública.

MariaNJardim


(1) Casuarinas: árvores adaptáveis a zonas desérticas que, em Porto Alexandre, desde os primórdios da colonização, haviam sido plantadas para protegerem a vila das areias das dunas que, movidas pelos ventos, ameaçavam tudo cobrir à sua passagem.

(2) "Carreira": era uma camioneta com duas cabines e uma carroceria de caixa aberta, em que na primeira cabine seguia o chauffeur e dois passageiros, na segunda cabine, os passageiros, e na carroceria de caixa aberta, a carga, e sobre esta mais passageiros a trouxe-mouche...

Sites/links de referência:


 http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=269019
http://www.academica-oaf.pt/home/palmares/
GLORIAS DO PASSADO
BRIOSA 
ACADEMICASEMPRE
AcadémicaBlog
EncontrodeGerações
Ver também: Moçâmedes, Memórias Desportivas

Sem comentários:

Enviar um comentário