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11 agosto 2010

Gente de Moçâmedes: Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira




 
Julio Mac-Mahon de Victória Pereira




Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, de Schiappa de Campos. Foto de ICCT



Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. à frete, em 1972.
O Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira ,  professor de Físico-Quimicas e Mercadorias, é o 4º da dt para a esq., à frente (com bata branca).



Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. O imprevisível Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira, professor de Físico-Quimicas e Mercadorias, à frente, com uma peruca na cabeça.


 Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. O Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira à dt.

Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. à frete, em 1972. Entre  outros, reconheço: Bonvalot, o 6º da dt. para a esq. (em cima), e à  frente, Lito Abreu. Na 1ª fila, à esq.: a Dra Isabel Serrano, o Dr.  Balsa, o Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira (de bata branca),  professor de Físico-Quimicas e Mercadorias.



      Júlio Mac Mahon Vitória Pereira no seu Mini-moke
Júlio Mac Mahon Vitória Pereira no seu Mini-moke




O Dr. Júlio de Mac-Mahon Vitória Pereira, analista, proprietário de um Laboratório de Análises Clínicas na Avenida da Praia do Bonfim, frente aos CTT, e  professor de Fisico-Quimicas e Mercadorias, primeiro, na antiga Escola Comercial e Industrial  de Moçâmedes e em seguida na Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, foi uma das figuras mais carismáticas que Moçâmedes conheceu ao longo das duas últimas décadas da colonização portuguesa, quer como pessoa, quer como professor, tendo, neste aspecto, para o bem e para o mal,  marcado a vida de muitos estudantes.

Júlio Victoria Pereira ou   Mac-Mahon, como era conhecido,  tanto era capaz de dar uma classicação de 19 valores a um aluno, como de lhe dar um «zero». E tanto era capaz de «dar a camisa» a qualquer aluno que necessitasse de ajuda, como não se ensaiava em mandar umas «galhetas» àquele outro que passasse das «marcas», que ele próprio estabelecia.

Dele, é com um misto de reprovação e de carinho, que ainda hoje recordam alguns dos que foram seus ex-alunos, como poderemos lêr a seguir, através destes dados colhidos  da Net:




«... Só havia um professor por quem esperávamos depois do 2º toque - o Mac Mahon - se fossemos embora ele virava bicho e não se ensaiava nada em distribuir umas galhetas pelos alunos. Também não marcava falta a quem chegasse tarde. Entrávamos na sala só não podíamos dizer nem Bom Dia nem Boa Tarde - estávamos proibidos para não interromper a aula. O Mac era um homem tão bruto como bom. Tinha um coração de pomba. Se via um aluno com os sapatos rotos tirava dinheiro do bolso e mandava-o comprar uns sapatos apresentáveis. Gozava com os contínuos quando eles iam lá ler os comunicados da MP porque exprimiam-se mal. Dizia , lá vem um Kaitô ler uma folha de papel. Quando faltávamos às aulas dele ia-nos buscar de Mini Moke à praia - e ai de quem ousasse em recusar a boleia forçada!!! ...
O "Mac" era um professor fantástico- um touro com coração de pardal - pagava-nos bilhetes para o cinema e vinha buscar-nos de Mini Moke à praia quando faltávamos às aulas...» By Kady Press in Mazungue


«O Dr. Vitória Pereira, de seu nome Júlio Mac Mahon Vitória Pereira foi o professor mais "sui generis" que eu tive. Quando qualquer aluno chegava tarde às aulas só tinha uma coisa a fazer:entrava na sala, não podia dizer nada e sentava-se no seu lugar. Nada de justificações, pois o Mac sabia ler as nossas mentiras. Não se podia era interromper a aula com palavras. De resto, o aluno atrasado não tinha qualquer problema. O Dr. Vitória Pereira tinha um laboratório de análises clínicas perto do antigo campo de futebol.»                    
From:   Carlos Pereira in Sanzalangola


«Anjo e demónio»,  Mac Mahon tanto era  capaz de dar uma classicação de 19 valores como um «zero».  Ficou  célebre um exame da cadeira de «Mercadorias» do Curso Geral de Comércio, na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, decorrido no início dos anos 1960,  em que um aluno de nome Faroleiro foi «espremido até ao tutano» no decurso do mesmo  e no final mandado sentar. A seguir o Mac-Mahon chamou a aluna Manuela e na  primeira  pergunta mandou-lhe descrever o «encadeamento das  indústrias». Tomada pelo nervosismo e pela emoção Manuela começou a gaguejar, então o  Mac virou-se de novo para o  Faroleiro, que já tinha obviamente  terminado o seu exame, e mandou-lhe descrever também o mesmo  «encadeamento das indústrias».  Assustado, o  Faroleiro disse: - ó sôtor, eu já fiz   o meu exame! Responde o Mac-Mahon: - olha que está a contar... está a contar...     Foi a debandada geral de todos os alunos que já tinham terminado os   seus exames e que se encontravam na sala apenas a assistir aos  restantes  exames. No entanto, Mac-Mahon era um professor capaz de «dar a  camisa» a  qualquer aluno que necessitasse de ajuda... 
Uma questão de ser  e estar !

Mas ainda há mais...

«...lembro-me do Dr. Vitória Pereira ir connosco apanhar umas  pedras ao deserto para fazermos os centros de mesa.Belos tempos!  que  saudades eu tenho de Moçamedes de Angola... (Bálita, Sanzalangola)




 «...São ai nas dez da noite. Que estamos sentados no Café Avenida, não na esplanada porque está frio. Devem estar só uns 20 graus e um gajo num pode se constipar. Estamos disse eu porque como evidente não estou sozinho, senão dizia estou. Alem de eu mesmo está o Beto Amorim, filho do Sr. Alberto do Liceu, o Manel Vitoria Pereira e o Ferrão mais velho. 'Que fazem estes putos aqui no Avenida a esta hora?' Perguntou alguém que num sei quem foi. Estamos a aviar garrafas de Dão. O Radio Clube pagou o ordenado, eu invento que faço anos e vamos fazer festa. Duas garrafas chegou para ver que estavam oito na mesa. Mas tem giro é que tinha mesmo dois Betos, dois Ferrão e dois Manel. Como já éramos muitos fomos mesmo até no parque infantil. Eu agarrei uma palmeira e pedi namoro e ainda hoje num sei que foi que me respondeu ela. Melhor mesmo é irmos para casa. Vamos todos levar o Beto. Assim se houver maka somos muitos e vamos estudar. Se entra sem fazer barulho. Entrou todos os oito. Beto directo para o quarto. Entra mãe dele e pergunta:'que estás a fazer?' 'quero beber água fresca' responde ele enquanto tenta chegar ao puxador do guarda-fatos. Foi corrida em nós seis da casa para fora. E agora quem vai levar quem. Manel que é mais novo tem de ser levado a seguir. Passamos na Minhota e como estávamos com sede bebemos uma Nocal preta cada um. Transbordou. Quem aparece quando estamos sentados na avenida, debaixo do carramachão éramos seis ou se éramos mais? O Dr. Júlio Vitoria Pereira no MiniMoke. 'Entrem já todos para aí!' Nenhum dos seis hesitou. Maneles entraram na frente, eu e Ferrões no banco de trás. Direcção: Torre do Tombo. 'Vão apanhar ar nessas trombas'. Que sim. Ninguém mesmo podia dizer outra coisa, pois as palavras ficavam enroladas na boca e num queriam sair. 'Onde ficas?' 'Dr. fico aqui? O miniCaté amanhã e obrigado' mas depois é que vimos que estávamos atrás do campo de futebol, na rotunda. Nós os quatro, eu e Ferrões temos que ir a pé até em casa. Quem vai levar quem? Tá combinado. Vamos pelo Atlético, viramos na esquina do Dentista Francês, e seguimos até à casa do Ferrão. Ficou combinado. Ferrões agora têm de me levar a mim. 'E depois quem me trás a mim?' arrastou a s palavras um dos Ferrões. a ver se ainda parou eu sai por um lado e Ferrão por outro. '
Ainda hoje não sei como acordei em minha casa e na minha cama.
 O que valeu mesmo foi que não estava a chover. »
Sanzalando, por JotaCê Carranca in RECORDAR (30)

Ficam mais estas recordações!

MariaNJardim
Para saber mais sobre esta Escola, ver AQUI e AQUI  
AQUI

CRÓNICAS DE FAMÍLIA de Ruth Mac-Mahon https://www.facebook.com/pages/CR%C3%93NICAS-DE-FAM%C3%8DLIA-de-Ruth-Mac-Mahon/247261981965316

 https://www.facebook.com/CR%C3%93NICAS-DE-FAM%C3%8DLIA-de-Ruth-Mac-Mahon-247261981965316/

 





19 julho 2010

Circuito das «Festas do Mar» em Moçâmedes (Angola)





Fotos tiradas de MAZUNGUE
O Representante da Gabela (José Vieira Torres) a receber a taça.

05 maio 2010

Povos do Sul de Angola: os Mucuisses. As grutas de Tchitundu-Hulu


Casal Mucuisse Oncocua
OS CUÍSSES (mucuisses, mucuíxes, owakwisis) 
Os Cuísses (mucuisses, mucuíxes, owakwisis), trata-se de um povo de raça negra, de origem não banto, que vive numa zona geográfica bem definida, no interior do Deserto do Namibe, no distrito do Namibe/ex-Moçâmedes, em Angola, que constituia, toda ela o seu habitat e o limite para a sua vida errante, a melhor adaptada às condições climatéricas daquele deserto.
No século XIX, segundo os Anais do Município de Moçâmedes, transcritos nos do Conselho Ultramarino (1839/1849), encontra-se uma interessante anotação: "Na costa ao Norte e Sul desta Vila, diz o cronista, encontram-se os Mucuissos, que é uma raça de gentio nómada, que se supõe provir da nação mecuando, que demora ao sul de Dombe, num lugar chamado Munda dos Huambo. Vagueiam pelas pedras e rochedos da costa em pequeno número, sustentando-se de mariscos e de peixe que, industriosamente, colhem com pregos, ou qualquer bocado de ferro, à falta de anzol, não fazendo parada certa nem demorada em parte alguma, sendo bastante tratáveis."  
A respeito deste povo e sob esta designação (Cuísses), desconhece-se a existência de quaisquer referências em relatos efectuados por exploradores ou viajantes no decurso dos tempos, o que talvez encontre justificação na sua natureza avessa a qualquer tipo de convivências, isolando-se e evitando todo o tipo dr convívio,  e mais ainda com elementos da etnia branca. A ausência de referências aos Cuísses pode justificar-se também pela rejeição daquela denominação pelo grupo que se intitula "Cuandos" ou "Cuambúndios", vocábulos etnonímicos que surgem referidos nos finais do século XVIII, num mapa de Pinheiro Furtado. Porém, é interessante notar que a designação "Mucuíxes" surge também, referindo um agregado etno-linguístico, no mesmo mapa. 
No tempo colonial era um povo monogâmico e monoteísta, e organizava-se vivendo em grupos de um máximo de duas famílias, em céu aberto, resguardando-se das chuvas e dos ventos, enquanto podiam, embaixo de formações rochosas, sendo o vestuário reduzido a duas pequenas peles de animais, sobretudo antílopes para taparem os órgãos genitais, indumentária que nas mulheres, era completada por pequenas fiadas de cor branca, após a festa da puberdade. Alimentam-se exclusivamente, de frutos silvestres e da caça, em que são exímios, servindo-se para tal de arcos e flexas envenenadas. Chegavam a atacar animais de grande porte, tais como elefantes e rinocerontes e dominavam como autênticos mestres o emprego de sistemas de armadilhas. Conta-se que em tempos mais atrás, quando o território era atravessado por um ribeiro, chegaram a praticar a agricultura, cultivando o milho.
Tchitundu-Hulu 1
O nome deste povo surge intimamente ligado ao Morro do Tchitundo-Hulo ou Tchidundulo, local venerado pelos Mucuisses, Mucuissos ou Cuisses. O Morro de Tchitundu-Hulu, que traduzido para português se chama «Morro Sagrado do Céu», ou «gruta Sagrada dos Mucuísses», fica situado a cerca de 130 km a leste da cidade de Moçâmedes/actual Namibe, na região de Capolopopo-Deserto do Namibe, faixa semi-desértica da área do posto administrativo do Virei e nas fronteiras da concessão do Caraculo, um pouco ao Sul do Paralelo de Porto Alexandre. Trata-se de um fantástico conjunto arqueológico de gravuras rupestes infelizmente pouco ou nada estudado, e cujo estado de conservação já nos tempos da colonização portuguesa se encontrava bastante danificado, e tão pouco possuia a dimensão que actualmente se impõe. A importância de Tchitundu-Hulu para a História e a Cultura angolanas encontra-se no facto de nelas existirem gravuras rupestres talhadas a sílex na dura rocha granítica, no grande morro que dá acesso à chamada Casa Maior que se abre sobre a falésia em forma de anfiteatro. São, na maior parte círculos que se encontram, por vezes, ligados por um traço, existindo também figuras de animais e de astros como a do famoso Sol, representado em círculos concêntricos com seus raios estilizados e constelações, onde podemos distinguir Orion e o Cruzeiro do Sul. No interior das Covas surgem, contudo, pinturas rupestres que se afiguram mais recentes, apesar da semelhança do estilo com o das gravuras. Tchitundulo parece ser de facto a estação de arte rupestre de Angola com maior número de desenhos, apresentando representações de pequenos animais, como um chacal no início da vertente norte do Morro, figurações cruciformes, desenhos "radiográficos”, etc.  Quanto à idade, os fragmentos das gravuras executadas sobre as placas de granito, atestam a existência de homens sobre o Tchitundulo anteriormente à clivagem da rocha, pelo que a história geológica da região e do Morro pode vir trazer dados concretos para a história dos primitivos homens das cavernas do Capolopopo. Dizem alguns especialistas que estas gravuras têm mais de 30.000 anos tratando-se valioso património de Angola e da Humanidade, em risco de desaparecer, ameçadas de degradação e desaparecimento dadas as amplitudes térmicas entre dia e noite que fazem estalar o interior das grutas, para além, é claro, da actividade humana. Desconhece-se qual foi o povo que imprimiu estas gravuras, pensam os antropologistas que terão sido, muito provavelmente, os ancestrais do povo Khoisan, conhecidos em Angola por Ovassekele ou Mukankalas (vulgo bosquímanes). Quanto à relação entre gravuras e Mucuisses, estes parecem não fazer a mais pequena ideia sobre a autoria das mesmas, embora persista neles uma certa veneração pelo local, identificando os círculos concêntricos gravados no Tchitundulo com os astros, principalmente, com o Sol. POEMA Quando passei por Tchitundu-Hulu tinham acabado de gravar as paredes. terminados os rituais de consagração, cá fora, o povo mágico dançava, comemorando alegremente. Depois, o povo mágico partiu subindo o Kane-Wia*  – a montanha sagrada onde Deus dorme – e não mais voltou. Entretanto, diariamente, sucederam aos dias o veludo negro das noites e, anualmente, os cacimbos trouxeram as chuvas e as chuvas devolveram os cacimbos...  sopraram ventos ventando num dorido e constante lamento. Houve chuvas ansiadas, esperadas em vão no desejo árido do umbigo dos deuses e o Tempo, vento de nada, passou leve e mangonheiro inspirando o Infinito... expirando o Esquecimento sobre as gravuras sagradas acabadas de gravar quando por lá tinha passado naquele dia. Tchitundu-Hulu rodopiou na bruma esquecida no regaço do Tempo, encoberto e misterioso... Um dia, no espreguiçar sem depressas, o Tempo acordou os Kwissis e eles vieram e sem entender ou perguntar o quer que fosse acreditaram e adoraram a Gruta do Morro Sagrado do Céu fazendo de Tchitundu-Hulu o mistério de sua Fé. Poema de Namibiano Ferreira (In No Vento e No Tempo)
 Sobre o morro dos mucuisses e as gravuras pg 206/7 Rorison «Angola» por Mike Stead, Sean Ver também AQUI

14 abril 2010

Bailes no Clube Nautico, em Moçâmedes


Reconheço, entre outros, da esq. para a dt. : Luis Gonzaga Bacharel  (à época no exercício do cargo de Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Teresa Duarte Ascenso, Ascenção Bacharel e Raúl de Sousa Júnior (à época vereador do pelouro do Turismo na Câmara Municipal de Moçâmedes).  Início dos anos 1970. Foto cedida por Ascenção Bacharel.
 
 Passagens de modelos...
 

 Familia Cristão
 Reveillon com gente elegante
 

                                                     Reinaldo Bento, vocalista, em acção...

 Familia Salvador e outras num Reveillon do Clube Nautico, nos anos 1960

 O duo "Ouro Negro" em digressão por Angola, actuou no Clube Nautico. Década de 1960.




 Reveillon no Clube Nautico

 Familia Duarte


Familia Chibante
Familia Baptista...

 Jovens de Moçâmedes




Conjunto Goldfinger