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12 novembro 2008

Grupo de moçamedenses














Deste grupo de jovens da «velha guarda», uma geração de moçamedenses que anda hoje à volta dos 75/80 anos de idade, reconheço, entre outros, da esq. para a dt. :
?, ?, Adriano Nascimento, Heitor Casinhas de Moura, Carlitos Oliveira, Adriano Parreira , Mário Bagarrão, Mário Tendinha, Alfredo Esteves, Caála, Artur Pinho Gomes, e Amadeu Pereira.
Esta foi uma geração interessantíssima de jovens irrequietos e cheios de iniciativa que surgiu em Moçâmedes na plenitude da sua força anímica em finais da década de 40, início da década de 50. Creio mesmo que a maioria eram filhos da terra.

Memórias de um caçador em África (Deserto do Namibe) -Victor Cabral

Victor Cabral

(Caçador-guia e promotor de safaris de caça)

Pelo interesse que estes textos representam para quem noutros tempos viveu/vive em Moçâmedes/Namibe, tomei a liberdade de colocar neste blog alguns dos reralhos das memórias de Victor Cabral:

RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 12

Ao deixar o deserto Pit e eu nos fomos direitos a Sá da Bandeira, onde passámos o dia e a noite para sairmos demanhâ às seis da manhâ num aviâo que nos levaria às terras do fim do mundo. Ás seis em ponto estávamos preparados para descolar, em direcçâo à cidade de Serpa Pinto, onde teríamos que aterrar e encher outra vez os tanques de gasolina, para continuar viagem até ao acampamento e para que o piloto pudésse regressar. Era um aviâo Cessna, e a distância que íamos percorrer era mais ou menos de 1100 kilómetros. Demoraríamos quase 5 horas para chegar ao destino, mas valia mais isso que aguentar a viagem por terra que quase sempre demorava 30 ou mais horas. 
Quando durante o ano tivemos que fazer essa viagem, sempre conduzíamos duas pessoas por um período de duas horas cada um e assim chegávamos menos cansados. Enchemos os tanques e fomos até ao hotel Srpa Pinto para almoçar e depois de conversarmos com uns amigos que viviam naquela cidade, voltamos a subir-nos ao aviâo para dirir-nos ao acampamento, ao qual calculámos chegaríamos em duas horas e meia. Chegámos ao acampamento conforme estava previsto. Meia hora antes de chegarmos, falámos por rádio e Noel veio buscar-nos ao campo de aviaçâo. Carregado a bagagem e as armas de Pit no jeep, dirigimo-nos ao batelâo para passar para o "nosso" lado. Como sempre os rapazes militares que estavam no aquartelamento foram ajudar-nos com o cabo do batelâo.
 
 
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Nesta foto está Pepe Godoy, um cliente espanhol que estava já caçando no nosso acampamento havia quase três semanas eu e vê-se um pouco de Mucungo um dos pisteiros camechequeres ou bushman). Chegámos ao acampamento com bom tempo para dar-nos um banho quente, e jantar para que na manhâ seguinte retomássemos a continuaçâo do nosso safari, interrompido por dois dias de viagens. Começaríamos no acampaento do Sacaxai, para depois mudar-nos para o acampamento do Dirico, onde aí terminaríamos o safari. Como isto sâo somente Retalhos das minhas memmórias falarei de alguns dos trofeus dos muitos que Pit adquiriu, neste safári que tiveram exito na apresentaçâo deles na Convençâo do Safari Club International. Uma manhâ íamos devagar porque estava um frio que cortava, pois nâo sei se sabem mas o Sul de Angola nos meses de Julho e Agosto, sâo os lugares mais frios que existem em África. Ao deixarem um balde de água fora exposto ao frio da noite, havia noites que se transformava num bloco de gelo. Por isso andavamos sempre bem agasalhados até mais ou menos às 9 da manhâ; no Toyota levávamos um saco de lona para começar a meter as camisolas e os anoraks e casacos de pele, que tínhamos que usar demanhâ quando saíamos a caçar e, para as noites, quando regressávamos aos acampamentos. Pois como dizia, íamos devagar e vimos entre a floresta aberta que íamos atravessando uma boa manada de Pala-Palas ou Palancas Pretas. Parámos o carro e caminhámos um pouco com o vento a nosso favor para ver se conseguíamos ver um macho que vaesse a pena como trofeu. Eu com os binóculos procurei entre mais de 30 animais e do outro lado da manada aí estava um macho imponente. Parecia "quase" uma Palanca Gigante, mais pequena, claro. Disse-lhe a Pit que nâo tirásse os olhos dela e que o seguisse com a lente da sua 270. Pit estava com a mâo apoiada numa pequena árvore vendo pelo óculo da espingarda. As Palancas estavam bastante tranquilas e iam caminhando devagar. Ouve um momneto que o macho parou e Pit nâo perdeu tempo. Um tiro e ouvi o "ploff" que soa como um tambor surdo, quando o animal é atingido. Vi a Palanca correr com uma grande velocidade e desaparecer no meio da floresta aberta. Caminhámos pelas marcas das pegadas dos animais com Fombe e Mucungo adeante. Caminhámos 30 metros e Fombe fez aquele ruido típico com a lingua que fazem os caçadores que soa como um beijo seco e disse em sena: "chiropa", sim aí estava o sangue que ia soltando a Pala Pala, cada vez era mais. Era um sangue côr de rosa com borbulhas, tinha dado um tiro nos pulmôes. Caminhamos uns 5o metros mais lá estava a Palanca Negra no châo exalando o seu último suspiro. Aproximámo-nos ao animal por trás e Oh surpresa era uma animal fantástico, mediu quase 46 Polegadas, faltava-lhe 1/4 para chegar às 46" era o que nós chamávamos "um monstro".
 
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Este Pit sim tinha sorte. Cada animal que caçava era o que nós na giria dos caçadores chamávamos "record class" Durante alguns dias continuámos o nosso safari, tentanto conseguir os melhores trofeus possíveis. Todas as noites do meu quarto eu falava com os outros acampamento e especialmente com Sá da Bandeira, para ver como "iam as coisas" com a "transiçâo e entrega do território aos novos angolanos". Tinha estado a falar com o comandante do destacamento que estava do outro lado do rio e ele disse-me que em poucas semanas abandonariam o lugar para dirigir-se a Serpa Pinto e serem embarcados para Luanda de regresso a Portugal. Isso sim deu-me muito medo, e uma incerteza no meu futuro, que algumas vezes apesar do cansaço, nâo me deixava dormir. Tínhamos que cumprir com os compromissos adquiridos com os nosso clientes e agentes. Somente pedia a Deus que me deixasse terminar esses safaris que tínhamos contratados, para no ano seguinte decidir o que faríamos com a nossa vida. Continuarei.. Victor "Hunter" ............................... 
 
 
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 11

Creio que todos os caçadores guias tiveram como eu, clientes que repetiram safaris ano atrás ano; alguns seguidos outros de dois em dois ano, e alguns que repetiram duas ou três vezes. Eu tive a sorte de ter varios, especialmente de Espanha, varios casais que todos os anos as suas férias de Julho ou Agosto era para passar em África caçando e gozando das nossas praias e comidas. Era o caso dos bons amigos catalans Rosa e Federico Segura, Carmen e Amadeo Torrens, Maria e Enrique Jofre, Pilar e Jaime Mercader, estes da área de Barcelona e com quem até hoje mantenho contacto telefónico. Havia dois de Madrid, que infelizmente já nâo estâo conosco, que era o Arq. Fernando Moreno Barberá, e o meu quase irmâo Carlos Arrate Mendizabal.
 
 
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Carlos e eu éramos uns amigos incondicionais, degraçadamente um cancro de pulmâo matou-o, quando ele fez 49 anos. Depois desta foto, nesse ano, Carlos foi operado e tiraram-lhe um pulmâo, acabando por morrer três anos depois. Eu estive ao seu lado, porque ele foi para mim o irmâo que nunca tive. Havia em Sevilha o meu grande amigo Javier Mencos, Marquês de las Navas de Navarra, que mais tarde veio a ser meu tio político, pois casei com uma sobrinha sua. Esse repetia todos os anos, e até deixava parte da sua equipagem de caçador em minha casa para nâo ter que andar a carregar as coisas ano com ano. Depois um grande amigo americano, Pit Sanders, que ia aonde eu estivesse e, fazia um safari cada dois anos, tambem Robert Eastman, nos seguia a todos os lados de África onde caçasse-mos. Houve muitos e se tivesse que mencionar a todos teria que escrever toda uma pagina para isso. Pois aqui vou falar de Pit Sanders intercalando alguma das velhas fotos que ainda conservo. Com Pit fomos à Espinheira uns dias, logo que ele desembarcou em Sá da Bandeira. Eu tinha estado convidado na sua casa de Massillon, Ohio, e ele conserva até hoje os trofeus que o seu pai caçou e, aí vai juntando os adquiridos por ele. Sabia que ele queria um bom kudo do deserto, um klipspriger, aquele animalzinho que anda nas pedras, e uma impala de cara preta, mas infelizmente nâo se poude, porque tinham prohibido a caça a esse animal em Angola.No primeiro dia, caçamos uns springbucks para a cozinha e para deixar posto uma isca para o Hernani Espinha, que nuns dias viria com um cliente a caçar uma semana à Espìnheira. Saímos uma manhà e fomos em direcçâo à serra que se via ao longe e para o lado do Rio Curoca, quando menos esperávamos o guia que sempre levava o do burro que encontrei nas dunas mostrou-me um bonito klipspringer, no alto de umas rochas, olhando para nós. Sentía-se seguro na altura que estava. Para Pit era um tiro de precisâo, e eu como o conhecia, disse-lhe aí está o teu Klipspringer, queres tentar um tiro daqui? Sào mais de 250 metros, talvez 300. Pit Baixou-se do Toyota, e apoiando-se nas barras do rollover apontou a sua 270 Remington Magnum e vio espremer muito devagar a mâo e o dedo ao mesmo tempo e tiro que saiu e klipspringer morto. Ficou no alto da rocha. Foi necessário mandar os ajudantes subir até lá, o que demorou mais de meia hora, para poderem trazer-nos o trofeu.Photobucket - Video and Image Hosting 
 
Era um record, pelo qual Pit no ano seguinte recebeu uma medalha do Safari Club International. Buscámos e encontrámos vários kudos, mas nenhum que víamos era o que eu chamo interessante para a qualidade de caçador que é Pit. Saíamos muito cedo, antes do nascer do sol para ver se encontrávamos o grande, que buscávamos. Um dia chegámos quase à estrada que vai de Moçâmedes para Sá da Bandeira, lugar onde havia uma grande quinta que se dedicava a criar os borregos “caracul” que mais tarde ao fazerem os casacos para as senhoras, perdem o nome para chamarem-lhe “astracan”, os tais borregos que matam logo que nasce, e que chamam tambem “non-natos”.Photobucket - Video and Image Hosting 
 
 
Demos a volta para regressar ao acampamento, e derrepente no meio de umas espinheiras, a uns 4 ou 5 kilómetros da quinta, vimos aquele kudo, estático, no meio de umas espinheiras, que se nâo fosse pelos olhos treinados que temos de tantos anos andar nisto, passaria despercebido. Mostrei-o a Pit e evidentemente um tiro e Kudo morto. Este Pit raramente falhava um tiro. Era dos bons. O que tínhamos vindo fazer ao deserto, estava terminado, agora era tempo para regressar a Sá da Bandeira para que em dois dias voássemos às “terras do fim do mundo”, para continuar o nosso safari. Victor “Hunter” Nota: Estas fotos têm muitos anos e estâo em albuns velhos. A qualidade da fotografia nâo é boa, mas é o melhor que posso fazer. ................................... RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 10

Tinhamos ficado na nossa viagem até ao Acampamento da Espinheira.Neste acampamento, dependia do mês, os Orixes ou Gemsbucks, podiam estar perto das dunas do Rio Curoca, onde nos abastecíamos de água, ou simplesmente metidos nos vales, que eram umas pequenas ondulaçôes no terreno onde havia uma Photobucket - Video and Image Hosting 
 
 
 
grande quantidade de "pepinos do deserto", que eram alguns dos frutos com que eles se alimentavam, e tambem dos "melôes do deserto", que em alguns lugagres havia quantidades imensas, 
 
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aparte de ramas de espinheiras e de alguns cactus. Provei os melôes do deserto e tinham um sabor horrível, mas muito sugosos, que lhe davam aos animais a água que necessitavam para o seu organismo.
 
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Se havia pepinos e melôes, os Orixes geralmente nâo andavam muito longe. Perguntarâo como é que um caçador que veio de Moçambique, onde nâo havia esses desertos, sabia dessas coisas e se movia pelo deserto como se fora o seu ambiente de toda a vida? Pois bem, aí vai a história o mais curta que a possa contar. Andava eu com o meu pessoal Sena de Moçambique, a "apanhar bonés", porque via springbucks a montôes, via pégadas de leopardos, avestruzes etc, mas de Orixes nada, até que um dia que andava perto das dunas, vi ao longe um rapaz que vinha baixando uma dessas dunas montado num burro. Primeiro perguntei-lhe para onde ia e que fazia por aquele lugar. Ao dizer-me que era da raça Curoca e que vinha de Porto Alexandre, e que ia para sua casa perto do rio onde tinha o seu gado, eu pensei: -este tipo tem que conhecer estas paragens bem para vir através das dunas- A seguinte pergunta, como nâo podia deixar de ser era, se tinha visto alguns Orixes? A resposta pronta do ràpaz foi: Senhor os Orixes neste tempo nunca andam aqui. Agora andam nas dunas do outro lado do rio e nas pedras do Curoca, Sorte a minha, (sorte de caçador), este homem tinha sido o guia de um dos mais antigos caçadores que havia em Moçâmedes o Tendinha. Claro que foi imediatamente contratado, e o Fombe instruido para que lhe "sacasse" os "segredos" de caça que ele pudésse ter. A partir daquele dia nunca cliente algum se foi sem levar o seu Orix. Nesse lugar, mal chegávamos ao acampamento com algum cliente, a primeira coisa que fazíamos era matar um springbuck ou cabra de leque e por iscas para leopardo, porque nesse lugar havia-os por todos os lados. Talvez quem saiba um pouco de caça, pergunte: "Porquê tanto leopardo e no deserto?" Simples: aí há montanhas cde pedras que parecem que foram postas umas sobre as outras, com alturas que eu calculei com mais de 400 metros ou mais, nâo falando nas montanhas que nesse lugar eram imensas onde nunca fomos. Estes montes de pedras estâo povoados por milhares de "ratos das pedras" ou os Rock Hyrax (Procavia capensis), que dizem que é o ser vivo mais parecido ao elefante (?). Alimentam-se de tudo o que encontram: folhas, ervas, lagartixas, insectos, frutos e raramente bebem água. Pois ao haver tantos destes animais, os leopardos que por natureza sâo preguiçosos, como todos os gatos, tinham aí a mesa servida. Comiam três ou quatro destes animaizinhos, e nâo tinham que andar a cansar-se a correr atrás de alguma cabra de leque. Ah! Mas quando lhe punhamos bem uma isca, entravam logo na primeira noite. A mim com um bom amigo de Barcelona que levei várias vezes de safari, o Sr. Amadeo Torrens, encontrámos dois a lutar pela isca que tínhamos posto. Como tanto ele como a sua esposa Carmen tinham licença, abateu os dois um atrás de outro.Esse safari que era composto por um grupo de casais catalans, ou catalanes, levei tambem uma noite ao meu bom a migo Federico Segura e a Rosa sua esposa, e abateram dois fantásticos leopardos.
 
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Até o Rei de Espanha, D. Juan Carlos, há muitos anos abateu com um tiro pèrfeito ao belo leopardo naquele lugar. Como dizia havia-os por todos os lados. Igual que nas "terras do fim do mundo", o Mucusso. Lembro-me que uma noite em que estávamos no acampamento do Chipuizi (Mucusso) e a esposa do Amilcar Jorge, apeteceu-lhe ir ao banho de noite, agarrou a lanterna e saiu da tenda, pois naquele tempo ainda nâo tínhamos o acampamento fixo, e a minha pobre amiga, deu um grito de arrepiar, porque viu um leopardo sentado a olhar para ela dentro do acampamento. Pobre leopardo , deve ter-se assustado tanto, que somente deve ter parado a muitas milhas de distancia. O susto foi para nós porque pensámos que alguma coisa lhe tinha sucedido. Continuaremos Victor "Hunter" ............................... RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 9

Vou-lhes contar um safari como fazíamos em Angola. Com esta descripçâo, ficarâo mais o menos com uma ideia como eram os safaris nessa ex-colonia portuguesa. Faziamos safaris pequenos de 8 a 10 dias somente no deserto. Depois vinham os safaris no Mucusso (terras do fim do mundo) que eram quase sempre de 21 dias, que era os que habitualmente fazíamos. E finalmente o safari que eu chamava mixto que eram três semanas no Mucusso e uma semana no deserto. Quando o cliente queria estar 10 dias a caçar no deserto, o que fazíamos era levá-lo primeiro ao que se chama propriamente deserto, onde a vegetaçâo é quase nula; alguma espinheira e alguns cactus, e de onde em onde uma das plantas mais raras do mundo as Velvichias mirabalis . Depois de caçar nesse lugar os animais do deserto, ou sejam os Orixes, leopardos, springbucks, uma que outra zebra de montanha, seguíamos para outro acampamento que era o Chingo, onde aí dávamos caça às Impalas de cara preta, aos grandes Elands aos kudos que aí eram enormes, pois havia uma vegetaçâo já bastante densa, ainda que fora uma área semidesertica. O deserto do Namibe é a continuaçâo do Deserto da Namibia, (nâo confundir um com o outro). Aí se encontram as maiores dunas do mundo, apresentadas centenas de vezes por a National Geographic, pelo Discovery e muitos mais documentários, apresentadas tambem em revistas e em muitas paginas da web.
 
 
 
 
 
 
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Sâo as únicas dunas no mundo que têm aqule cor vermelha alaranjada, pois a concentraçâo tâo grande de óxico de ferro, ao dar-lhe a luz, da-lhe imensas tonalidades dos vermelhos. Aqui nesta regiâo há três grandes tribus. Os Mukubais, que nâo sâo mais que uma derivaçâo da maior tribú que é a Himba e que vive na fronteira da Angola e da Namibia, e os que se chamam Curocas, que sâo tambem uma rama dos Mukubais. Ainda que todos venham da mesma raiz, e todos sejam criadores de gado, os do "nosso" lado sâo mais "civilizados", o que é uma pena porque "quase" acabaram com as tradiçôes tâo bonitas e, as mais puras que têm os Himbas, que é uma das raças que eu mais admiro.  Note-se: a primeira mulher mukubal, veste-se com panos, e geralmente quando vê alguem tapa-se, mostrando a "vergonha" que le inculcaram, primeiro os missioneiros, e depois nós os portugueses.  A mulher Himba que se vê na foto está muito orgulhosa da sua vestimenta de pele, toda "embadurnada" com uma argilha ocre misturada com mateiga de vaca. Tèm uma pele que poderia dar inveja às modelos e artistas mais cotizadas, pois sente-se como veludo. Palavra de honra, que eu senti isso-jejejeje. Sabem ser coquetas a sua forma e vivem num matriarcado. Quase sempre saíamos de Sá da Bandeira, demanhâ bastante cedo, para poder chegar antes que o calor apertasse muito. Ao Sair de Sá da Bandeira, começavamos a subir a Serra da Leba até à sua maior altitude, para depois começarmos a baixar do planalto para a zona árida num declive de 1.800 metros, por uma estrada tortuosa, que foi um dos grandes logros da engenharia portuguesa. Depois de baixar a uns 20 kilómetros da base da Serra, encontrávmos uma picada de terra batida que nos levava ao acampamento da Espinheira. (Continuarei com as minhas memorias até que digam que pare) Victor "Hunter" ............................. RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 4

Os nossos clientes que chegavam dos Estados Unidos, ao começarem a sua viagem na America, tinham que sofrer uma boa dose de tempo dentro dos aviôes. Primeiro do lugar donde vinham a Nova York, depois a Londres voando pela South Africa Airways, ou a Lisboa, para enlaçarem com qualquer vôo da TAP que fosse até Luanda. Chegar a Luanda e apanhar outro aviâo da DTA até Sá da Bandeira. Eram horas a fio para chegar até a essa cidade onde tínhamos a nossa base de operaçôes. O Grande Hotel da Huila, era o melhor hotel da cidade e, onde os alojávamos geralmente durante um dia completo para fazê-los descansar e adaptar ao clima, depois de tâo longos vôos para poder chegar até a nós. Tentávamos dar-lhes um tour pela cidade, que era uma cidade pequena, situada num planalto; Leválos de compras, aos mercados indígenas, onde podian adequirir madeira talhada, coisas de barro feitas pelos índigenas locais, e um sem número de artefactos. 
 
 
 
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(na foto, uma boa amiga Mary Hoffman de Texas, comprando coisas para levar para os USA). Sempre levávamos os clientes ao Miradoiro, donde se podia ver a muitos kilómetros de distância, e adivinhar o deserto do Namibe, numa diferença de altitude de 1.800 metros. Havia um lugar em especial que se chamava a Tunda Vala, que era de uma beleza agreste impresionante.
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Lá ao longe na parte desertica do Namibe, tínhamos uma acampamento, que era a Espinheira, (foto Espinheira), onde alguns dos nossos clientes iriam durante uma semana a caçar os animais típicos do deserto que eram os Grandes Kudos, os Orixes, havia uma quantidade enorme de Leopardos, as Cabras de Leque ou Springbucks, as Zebras de Montaña e tambem as famosas Impalas de Cara Preta; havia uns Elands de impresionante tamanho, na parte mais encostada à serra, mas o que verdadeiramente atraia os clientes, era o rei das caçadas do deserto, os Orixes, que durante os meses de seca, deambulavam nas margens do Rio Curoca que fazia fronteira com o Parque Nacional do Iona. O primeiro acampamento que tivemos nesse lugar, era o acampamento da GRUTA. Era uma gruta formada por uns monolitos de impresionante tamanho dentro dos quais, com um pouco de habilidade se construiu uma sala de jantar, com um bar, um quarto e, depois fora, umas casitas para alojar os clientes com toda a comodidade. Como lhes disse atrás nâo foi facil, planear e executar todas estas operaçôes, mas quando um tem 30 anos e vontade de fazer as coisas tudo era possível, e por cima nos saía tudo bem. Ah! os fantásticos 30 anos, cheios de força e de uma vitalidade tâo impresionante, que nos creíamos indestructíveis, e pensávamos que nâo havia nada que nâo pudéssemos fazer. 
 
 
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 Para baixar do planalto da Huila, até à parte desertica , já pertencente ao Distrito de Moçamedes (hoje Namibe) tíhamos que passar pela Serra da Leba, que até hoje é uma das estradas mais impressionantes que eu vi e digna de estar em qualquer compêndio de engenharia. Victor "Hunter" ...................... Textos completos in «MEMÓRIAS DE VICABRAL»

01 novembro 2008

Gente de Moçâmedes: João Inácio Tavares e irmã














1ª foto: João Inácio Tavares e irmã.
2ª foto Manuel Maria Inácio, nascido em 18.10.1931, foi  jogador da Académica, Coimbra, para onde foi estudar e jogou por duas épocas, tendo efectuado a estreia em 21.02.1954. In Sanzalangola (Lay Silva), e blog Veteranos Assoc Academica Coimbra.

31 outubro 2008

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50









1ª foto: Bio Aquino (Albino), o pianista e acordeonista do popular conjunto musical dos anos 50 em Moçamedes, «Os Diabos do Ritmo».
 

O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os bailes aos sábados à noite e as
matinées dançantes nas tardes de domingo nos Salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino). Os bailes prolongavam-se pela noite fora até ao raiar do dia, e as matinées dançantes, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. A propósito, este excelente conjunto musical tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das raparigas deslocando-se para tal em camionetas, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e ajudavam o côro.



 

 





 

 
2ª foto: Albertino Gomes, o baterista do mesmo conjunto, aqui a tocar bandolim.

Sem dúvidas, duas figuras inesquecíveis para quem teve a sua juventude na 2ª metade da década de 50. Faltam aqui as fotos do Lito Baía com a sua guitarra,
do Marçal com o seu saxofone e do Frederico Costa e Serieiro com as suas maracas. Quantos bailes de Carnaval e «Reveillons» ficamos a dever a este grupo de talentosos amadores de música cheios de vivacidade e contagiante alegria!







 

.Senhora do Monte

Aos colegas da EICIDH e do
Liceu de Diogo Cão


Nas Festas da Senhora do Monte
os Diabos do Ritmo foram tocar
ao Casino que ficava bem defronte
da grande piscina, (ou seria do lago?)
para onde os jovens iam namorar.

A noite fria bem pedia um afago
e eles, olhando o céu tão estrelado,
maldiziam a espectacular claridade
daquele superluar de mágico enleio
que iluminava a branca capelinha , lá no alto,
a cidade e o espaço que havia de permeio.

É o primeiro amor e vivem-no em sobressalto.
sentindo-o olhado, exposto e devassado.

Até eles chegavam acordes melodiosos
de um bolero e, os pares de namorados
que à volta do lago passeavam silenciosos,
acertam à melodia o passo e o abraço
apertado, beijando-se entre cada compasso.

No céu, milhões de estrelas dão vida ao espaço
e cintilam como se quisessem juntar a sua luz
ao fogo preso que sobre eles em mil cores explodia,
deixando ainda a noite mais clara que o claro dia.

O encanto dos festejos de Agosto, a todos seduz . . .

De tão encantado, o povinho nem o frio sentia,
e ria, e corria entre os Stands e barracas do arraial,
enchendo de vida e movimento carrosséis coloridos,
botequins e "roulottes" de comes-e-bebes, concorridos,
e até a barraquinha das rifas, das Irmãs da Caridade,
comprando tudo, para levar uma recordação desse dia
e das Festas daquele ano, do Lubango e da Cidade.

Como sempre acontecia, amanhã será o último dia.
O dia maior oferecia-nos provas de atletismo matinais;
hóquei, basquetebol e provas de natação. Torneios habituais.
e, à tarde, «Football», com o Estádio a rebentar de gente
que lá ia ver as duas Selecções. no eterno frente a frente.

Quem viera de carro levava-o já preparado e atestado.

Manifestações, antes da partida, só trazem confusões.
Assim, proibido estava quaisquer sinal das emoções
porque, em última instância, quem tudo depois pagava,
era a malta do velho e lento Comboio, de via estreita .

Seriam eles a apanhar do adversário que ficava à espreita.

Ai, meu Lubango, minha Cidade,
quanta distância, quanta saudade ...

Neco
2.06.2006



SAUDADES DE UM VALDEVINOS


Oh que saudade, Deus meu, que saudade
da minha juventude e dos amores que vivi,
que me abalam o coração se ainda penso em ti,
e em todas que amei. Deus meu, que saudade...

Que saudade dessa vida plena, alegre, e divertida,
dos Diabos do Rítmo, das serenatas, e churrascadas
em noites de luar... das capoeiras todas depenadas.
Ai que saudade, Deus meu, que belos tempos da vida...

Tempos, sem doenças, nem dores, que já vão longe,
entre parentes e malta amiga, louca e desavergonhada,
que nas ruas da Cidade mostrava uma alegria danada...

Tempos de férias de verão, sem Liceu nem Maconge,
só de suspiros e cantos d'amor até ao clarear da madrugada,
ao acordar na Praia com o calor do Sol e a pele queimada ...


NECO


19.05.2009





Elementos e acompanhantes do «Conjunto Ferrovia» no decurso de uma atuação no Palácio do Governo do Distrito de Moçâmedes.  Da esq. para a dt: Tiago Costa (não pertence ao conjunto), Reinaldo Bento (vocalista), Alegria Costa, Laurentino Jardim, Raúl Baía,  Ratolas e Guilherme Jardim (não pertence ao conjunto).


 
Reinaldo Bento, Guilherme da Silva Jardim e Tiago Costa
 
O «Conjunto Ferrovia», acompanhando Lena Rocha



 

Fica aqui mais uma recordação de gente que
marcou uma época na cidade de Moçâmedes, gente que de um dia para o outro deixamos de ver e que deixaram laços em nossos corações.

E depois surgiu a ARAN... E chegaram os arrastões devastar os mares de Moçâmedes...






 






Na década de 60, após a construção do cais de embarque/desembarque e da avenida marginal que levara ao desmantelamento completo das antigas pescarias,
 surgiram em Moçâmedes os «Arrastões», e o nosso mar foi invadido por uma outra forma de captura de peixe totalmente devastadora. Moçâmedes tornou-se o porto base onde se efectuavam os abastecimentos e descargas do pescado para os frigoríficos da ARAN (Associação dos Armadores de Pesca de Angola, SARL), cujo homem forte, ou seja, o maior proprietário, constava-se então, se encontrava ligado ao  regime (HT). Era ali que o peixe ficava a aguardar o transporte para a Metrópole, para a subsequente comercialização, constando naquele tempo que a pescada (marmota) era vendida como pescada de Vigo.

No local onde a ARAN ergueu o seu complexo ficavam, pois, as primitivas pescarias, que se estendiam por toda a praia em direcção à zona da Fortaleza e que foram desmanteladas na década de 50,
sem quaisquer indemnizações aos seus proprietários, tendo uns acabado na miséria, outros, reduzidos às suas pequenas embarcações, passaram a dedicar-se à pesca à linha, e aqueles que possuíam algumas economias, acabaram deslocalizando-se para o Canjeque, onde construíram, com grandes sacrifícios, novas pescarias. E como se não bastasse algumas delas foram fustigadas pelas célebres calemas que assolaram a costa de Moçâmedes nos finais dessa mesma década, restando-lhes proceder a sua reparação, de novo sem quaisquer ajudas. Era assim que naquele tempos os homens que detinham o poder tratavam os nossos pescadores e pequenos industrias... A solução que lhes sugeriram não foi uma ARAN, tal seria inviável para eles, se fossem eles a solicitá-lo, mas sim uma sociedade no Saco, considerada por demasiado irrealista para ter pernas para andar. Obviamente não interessou a ninguém.

Quanto aos arrastões, a pescada era abundante na costa mais a sul do distrito de Moçâmedes, ao ponto de muitas vezes o pessoal não dar escoamento ao peixe capturado, como testemunha o site Mar de Viena onde se pode colher algumas informações sobre o modo como funcionava na época, a pesca de arrastão:

«...A pesca efectuava-se para sul do paralelo 18' 00" S em fundos arenosos onde abundava a pescada (marmota) em grandes quantidades. O tamanho da marmota era por vezes de baixo calibre o que motivava o desperdício de grandes quantidades que eram deitadas novamente ao mar, para gáudio dos leões marinhos que abundavam nessa zona.

Por vezes acontecia quando da manobra de virar a rede, um ou mais leões marinhos serem apanhados pela rede. Era um pandemónio a bordo. Depois de despejado o saco do peixe no parque de pesca, o animal encurralado, fora do seu ambiente natural, com mais de quinhentos quilos, esmagava as frágeis marmotas, tentando libertar-se do cativeiro e dando urros impressionantes de desespero. A princípio não sabíamos o que fazer, o mestre de redes , o contra-mestre e os pescadores tentaram passar um laço na tentativa de içarem o leão para o convés e arrastá-lo para a rampa da popa, mas o corpo roliço do animal impossibilitava essa tarefa.

Quando isto acontecia todo o pescado estava perdido e gastava-se imenso tempo. A solução era matar o animal. Embora fosse um acto repugnante tinha de ser tomada essa atitude para bem do animal que estava em sofrimento e acabava por morrer lentamente e também porque o navio tinha de continuar a pescar. Era encarregue dessa ingrata missão o mais corajoso e ousado. Numa das frequentes idas a Moçâmedes, normalmente de quinze em quinze dias, para descarregar as cerca de 250 toneladas de peixe, carga máxima do navio, fomos informados que o navio ia fazer uma adaptação dos paióis da popa, normalmente utilizados como depósito de material de apoio à pesca, redes, cabos, fio, esferas de borracha para arraçal, etc., para camaratas de "pescadores".


(...)A pesca era abundante e o pessoal não dava escoamento ao peixe capturado. Chegou-se a parar de pescar, metendo a rede dentro e fundeando até processar a maior parte da marmota, mas a capacidade de congelação era insuficiente e não havia outra solução senão alijar (por pela borda fora) pescado que não se encontrava já em boas condições devido ter muito tempo sem e viscerar como também porque a marmota é um peixe muito sensível e pouco resistente quando se encontra prensado um sobre o outro muitas horas.


(...) A estadia foi mais demorada do que prevíamos porque havia outros navios à nossa frente a descarregar e um navio transportador frigorífico, salvo o erro o” Baía de S. Brás”, a carregar peixe com destino à Metrópole....»
 


Texto completo in MAR DE VIANA(Cantinflas)
Ver também AQUI ( Libório...)



"Festas do mar" em Moçâmedes (hoje, Namibe): Concurso de construções na areia na Praia das Miragens


























































Concurso de construções na areia realizado na Praia das Miragens por ocasião das Festas do Mar na década de 60.

Todos os anos, em Março, enquadrado no programa das «Festas do Mar» realizava-se na Praia das Miragens o tradicional «Concurso infantil de construções na areia». Era geralmente apoiado pelos jornais da terra e patrocinado pela Câmara Municipal de Moçâmedes, e envolvia dezenas e dezenas de crianças em todo o distrito e não só, para além de centenas de espectadores, entre familiares, curiosos e frequentadores da habituais daquela praia.

Os concorrentes de palmo e meio tinham cerca de 1 hora e pouco mais de 1, 5m2 de terreno para mostrarem as suas habilidades na arte de esculpir na areia, e como apetrechos para os seus trabalhos de escultura pouco mais possuíam, como se pode ver, que as próprias mãos, tendo que começar por cavar mais fundo para encontrar terra húmida capaz para modelar. De facto não se vê aqui o recurso aos tradicionais utensílios, tais como baldes de plástico para transportar água do mar, pás e outros acessórios para a modelar a areia. Restava-hes a imaginação na execução dos trabalhos que certamente não poderiam ir muito mais além, dado os meios de que dispunham. As três melhores esculturas seriam as contempladas.
Fotos Salvador/Moçâmedes