Este é um blog saudoso, NÃO SAUDOSISTA, e partiu da ideia de partilhar com todos aqueles que nasceram e viveram em MOÇAMEDES (Angola), hoje NAMIBE, e que se encontram dispersos pelo mundo, um conjunto de imagens e descrições, que os faça recuar no espaço e no tempo e os leve a reviver lugares, acontecimentos e gentes de um outro tempo vividos numa bela e singular cidade, nascida entre o deserto e o mar...
Mostrar mensagens com a etiqueta Namibe; Angola;. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Namibe; Angola;. Mostrar todas as mensagens
17 janeiro 2010
Moçamedenses posam para a posteridade em dia de casamento ...
Não tenho por norma colocar fotos de casamentos neste blog, mas que me perdoe a família Maria Inácio, uma das mais antigas e reconhecidas famílias de Moçâmedes, pois não resisti em colocar aqui esta foto do casamento do Armando Maria Inácio e da Eliza Pinto Miranda, retirada de Sanzalangola (fio de Lay Silva: que me perdoe também), porque não só se tratam de pessoas conhecidas, como de elementos de uma geração, hoje septuagenária, que em Moçâmedes marcou uma época: os anos 50. Refiro-me também ao grupo «Os Tragateiros» aqui bastante bem representado:
De cima para baixo e da esq. para a dt.:
1. Os noivos Eliza Pinto Miranda e Armando Maria Inácio, tendo à sua esq. Carlos Guerra (Calita), e por detrás duas senhoras cujos nomes não consigo recordar ( D. Eugénia (Néné) Oliveira, casada com Tolentino Alves de Oliveira?).
2. Raúl Guedes, Fernando Miranda, Andrade, ? e Carlos Diogo.
3. Alexandrino Silva, Abreu, Frederico Costa e Hélder de Matos Alves Roberto (mais conhecido por Hélder Cabordé).
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
domingo, janeiro 17, 2010
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
21 julho 2009
Grupo de jovens de Moçâmedes
Mais um grupo de jovens moçamedenses posando para a posteridade junto a um dos tanques do vasto jardim da Avenida da República, a sala de visitas de Moçâmedes. Ao fundo o prédio onde esteve nas décadas de 40/50, os Armazéns do Minho e nos anos 60 um Banco Comercial.
Quem são?
Da esq. para a dt.: Carapanta, Júlio Victor, Wanda Madeira e os irmãos Ferreira da Silva (Cocas e Dudu). Data provável: 1957
.........................
Jovens da nossa terra que o destino separou!
Dedico-lhes esta crónica escrita pela nossa conterrânea, poetisa e jornalista Vera Lúcia :
CRÓNICA
Cada homem já foi menino. Já teve um cavalo de fogo, galopando pelos céus, até paragens sem nome. Um cavalo de sol, sem arreios, sem crinas, galopando, hoje, para o sul, amanhã para o norte, numa ânsia louca de aventuras, numa busca esperançosa de algo. De quê? E com o decorrer dos anos, em cada galopada, qualquer coisa ficava pelo caminho. O corcel das nuvens, viajando sem destino, era os sonhos, o terrífico sabor da procura do desconhecido.
Mas o menino foi crescendo. E o cavalo de fogo, passou a ser um simples cavalo de pau, de olhos desbotados de cartão e crinas desfiadas…Era o fim da sua história. O ‘nunca mais’ de cada infância. Porque cada menino que cresce, chama-se homem. E embora todos os homens tivessem sido meninos, tivessem galopado em cavalinhos de pau, esquecem-se de tudo isso. Perdem todas as recordações. Delas nada fica: nem um cheiro, um ruído, uma cor, um sonho. Separam-se como folhas secas soltas ao vento. Seguem, errantes e indiferentes, sem olhos para ver o sol ou a lua, sem mãos para se estenderem a quem passa, imersos numa névoa que os separa.
Porém para lá da bruma, que ficará? Crinas desfraldadas em galopadas sem direcção? Corridas por valados e banhos em ribeiras escondidas? Que importa, afinal, sabê-lo?
Porque na hora de o sabermos, já os homens têm as mãos feridas pelos espinhos, já seguiram separados, levando na alma cicatrizes que lhes ficaram pelos caminhos andados.
É pena que o menino cresça. E como um vento furioso, a vida sacuda as raízes da sua alma, da alma onde outrora morava um cavalo de fogo. Um cavalo magoado que foi morrendo, como um lírio de paixão, negro como um céu sem estrelas. O cavalo de todos os meninos, o cavalo das ilusões.
(Vera Lúcia de Pimentel Teixeira Carmona, escritora e poetisa moçamedense, )
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
terça-feira, julho 21, 2009
1 comentário:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
; Namibe; Angola;,
cavalo de fogo,
Jovens de Moçâmedes,
Namibe; Angola;,
Vera Lúcia
12 novembro 2008
Memórias de um caçador em África (Deserto do Namibe) -Victor Cabral
Victor Cabral
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 12
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 11
Eu tive a sorte de ter varios, especialmente de Espanha, varios casais que todos os anos as suas férias de Julho ou Agosto era para passar em África caçando e gozando das nossas praias e comidas. Era o caso dos bons amigos catalans Rosa e Federico Segura, Carmen e Amadeo Torrens, Maria e Enrique Jofre, Pilar e Jaime Mercader, estes da área de Barcelona e com quem até hoje mantenho contacto telefónico. Havia dois de Madrid, que infelizmente já nâo estâo conosco, que era o Arq. Fernando Moreno Barberá, e o meu quase irmâo Carlos Arrate Mendizabal.

Carlos e eu éramos uns amigos incondicionais, degraçadamente um cancro de pulmâo matou-o, quando ele fez 49 anos.
Depois desta foto, nesse ano, Carlos foi operado e tiraram-lhe um pulmâo, acabando por morrer três anos depois. Eu estive ao seu lado, porque ele foi para mim o irmâo que nunca tive.
Havia em Sevilha o meu grande amigo Javier Mencos, Marquês de las Navas de Navarra, que mais tarde veio a ser meu tio político, pois casei com uma sobrinha sua. Esse repetia todos os anos, e até deixava parte da sua equipagem de caçador em minha casa para nâo ter que andar a carregar as coisas ano com ano.
Depois um grande amigo americano, Pit Sanders, que ia aonde eu estivesse e, fazia um safari cada dois anos, tambem Robert Eastman, nos seguia a todos os lados de África onde caçasse-mos. Houve muitos e se tivesse que mencionar a todos teria que escrever toda uma pagina para isso.
Pois aqui vou falar de Pit Sanders intercalando alguma das velhas fotos que ainda conservo. Com Pit fomos à Espinheira uns dias, logo que ele desembarcou em Sá da Bandeira. Eu tinha estado convidado na sua casa de Massillon, Ohio, e ele conserva até hoje os trofeus que o seu pai caçou e, aí vai juntando os adquiridos por ele. Sabia que ele queria um bom kudo do deserto, um klipspriger, aquele animalzinho que anda nas pedras, e uma impala de cara preta, mas infelizmente nâo se poude, porque tinham prohibido a caça a esse animal em Angola.No primeiro dia, caçamos uns springbucks para a cozinha e para deixar posto uma isca para o Hernani Espinha, que nuns dias viria com um cliente a caçar uma semana à Espìnheira.
Saímos uma manhà e fomos em direcçâo à serra que se via ao longe e para o lado do Rio Curoca, quando menos esperávamos o guia que sempre levava o do burro que encontrei nas dunas mostrou-me um bonito klipspringer, no alto de umas rochas, olhando para nós.
Sentía-se seguro na altura que estava. Para Pit era um tiro de precisâo, e eu como o conhecia, disse-lhe aí está o teu Klipspringer, queres tentar um tiro daqui? Sào mais de 250 metros, talvez 300. Pit Baixou-se do Toyota, e apoiando-se nas barras do rollover apontou a sua 270 Remington Magnum e vio espremer muito devagar a mâo e o dedo ao mesmo tempo e tiro que saiu e klipspringer morto. Ficou no alto da rocha. Foi necessário mandar os ajudantes subir até lá, o que demorou mais de meia hora, para poderem trazer-nos o trofeu.

Era um record, pelo qual Pit no ano seguinte recebeu uma medalha do Safari Club International.
Buscámos e encontrámos vários kudos, mas nenhum que víamos era o que eu chamo interessante para a qualidade de caçador que é Pit. Saíamos muito cedo, antes do nascer do sol para ver se encontrávamos o grande, que buscávamos. Um dia chegámos quase à estrada que vai de Moçâmedes para Sá da Bandeira, lugar onde havia uma grande quinta que se dedicava a criar os borregos “caracul” que mais tarde ao fazerem os casacos para as senhoras, perdem o nome para chamarem-lhe “astracan”, os tais borregos que matam logo que nasce, e que chamam tambem “non-natos”.

Demos a volta para regressar ao acampamento, e derrepente no meio de umas espinheiras, a uns 4 ou 5 kilómetros da quinta, vimos aquele kudo, estático, no meio de umas espinheiras, que se nâo fosse pelos olhos treinados que temos de tantos anos andar nisto, passaria despercebido. Mostrei-o a Pit e evidentemente um tiro e Kudo morto. Este Pit raramente falhava um tiro. Era dos bons.
O que tínhamos vindo fazer ao deserto, estava terminado, agora era tempo para regressar a Sá da Bandeira para que em dois dias voássemos às “terras do fim do mundo”, para continuar o nosso safari.
Victor “Hunter”
Nota: Estas fotos têm muitos anos e estâo em albuns velhos. A qualidade da fotografia nâo é boa, mas é o melhor que posso fazer.
...................................
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 10
(Caçador-guia e promotor de safaris de caça)
Pelo interesse que estes textos representam para quem noutros tempos viveu/vive em Moçâmedes/Namibe, tomei a liberdade de colocar neste blog alguns dos reralhos das memórias de Victor Cabral:
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 12
Ao deixar o deserto Pit e eu nos fomos direitos a Sá da Bandeira, onde passámos o dia e a noite para sairmos demanhâ às seis da manhâ num aviâo que nos levaria às terras do fim do mundo.
Ás seis em ponto estávamos preparados para descolar, em direcçâo à cidade de Serpa Pinto, onde teríamos que aterrar e encher outra vez os tanques de gasolina, para continuar viagem até ao acampamento e para que o piloto pudésse regressar.
Era um aviâo Cessna, e a distância que íamos percorrer era mais ou menos de 1100 kilómetros. Demoraríamos quase 5 horas para chegar ao destino, mas valia mais isso que aguentar a viagem por terra que quase sempre demorava 30 ou mais horas.


Este Pit sim tinha sorte. Cada animal que caçava era o que nós na giria dos caçadores chamávamos "record class" Durante alguns dias continuámos o nosso safari, tentanto conseguir os melhores trofeus possíveis.
Todas as noites do meu quarto eu falava com os outros acampamento e especialmente com Sá da Bandeira, para ver como "iam as coisas" com a "transiçâo e entrega do território aos novos angolanos". Tinha estado a falar com o comandante do destacamento que estava do outro lado do rio e ele disse-me que em poucas semanas abandonariam o lugar para dirigir-se a Serpa Pinto e serem embarcados para Luanda de regresso a Portugal. Isso sim deu-me muito medo, e uma incerteza no meu futuro, que algumas vezes apesar do cansaço, nâo me deixava dormir.
Tínhamos que cumprir com os compromissos adquiridos com os nosso clientes e agentes. Somente pedia a Deus que me deixasse terminar esses safaris que tínhamos contratados, para no ano seguinte decidir o que faríamos com a nossa vida.
Continuarei..
Victor "Hunter"
...............................
Ás seis em ponto estávamos preparados para descolar, em direcçâo à cidade de Serpa Pinto, onde teríamos que aterrar e encher outra vez os tanques de gasolina, para continuar viagem até ao acampamento e para que o piloto pudésse regressar.
Era um aviâo Cessna, e a distância que íamos percorrer era mais ou menos de 1100 kilómetros. Demoraríamos quase 5 horas para chegar ao destino, mas valia mais isso que aguentar a viagem por terra que quase sempre demorava 30 ou mais horas.

Quando durante o ano tivemos que fazer essa viagem, sempre conduzíamos duas pessoas por um período de duas horas cada um e assim chegávamos menos cansados. Enchemos os tanques e fomos até ao hotel Srpa Pinto para almoçar e depois de conversarmos com uns amigos que viviam naquela cidade, voltamos a subir-nos ao aviâo para dirir-nos ao acampamento, ao qual calculámos chegaríamos em duas horas e meia.
Chegámos ao acampamento conforme estava previsto. Meia hora antes de chegarmos, falámos por rádio e Noel veio buscar-nos ao campo de aviaçâo.
Carregado a bagagem e as armas de Pit no jeep, dirigimo-nos ao batelâo para passar para o "nosso" lado.
Como sempre os rapazes militares que estavam no aquartelamento foram ajudar-nos com o cabo do batelâo.

Chegámos ao acampamento conforme estava previsto. Meia hora antes de chegarmos, falámos por rádio e Noel veio buscar-nos ao campo de aviaçâo.
Carregado a bagagem e as armas de Pit no jeep, dirigimo-nos ao batelâo para passar para o "nosso" lado.
Como sempre os rapazes militares que estavam no aquartelamento foram ajudar-nos com o cabo do batelâo.

Nesta foto está Pepe Godoy, um cliente espanhol que estava já caçando no nosso acampamento havia quase três semanas eu e vê-se um pouco de Mucungo um dos pisteiros camechequeres ou bushman).
Chegámos ao acampamento com bom tempo para dar-nos um banho quente, e jantar para que na manhâ seguinte retomássemos a continuaçâo do nosso safari, interrompido por dois dias de viagens. Começaríamos no acampaento do Sacaxai, para depois mudar-nos para o acampamento do Dirico, onde aí terminaríamos o safari.
Como isto sâo somente Retalhos das minhas memmórias falarei de alguns dos trofeus dos muitos que Pit adquiriu, neste safári que tiveram exito na apresentaçâo deles na Convençâo do Safari Club International.
Uma manhâ íamos devagar porque estava um frio que cortava, pois nâo sei se sabem mas o Sul de Angola nos meses de Julho e Agosto, sâo os lugares mais frios que existem em África. Ao deixarem um balde de água fora exposto ao frio da noite, havia noites que se transformava num bloco de gelo. Por isso andavamos sempre bem agasalhados até mais ou menos às 9 da manhâ; no Toyota levávamos um saco de lona para começar a meter as camisolas e os anoraks e casacos de pele, que tínhamos que usar demanhâ quando saíamos a caçar e, para as noites, quando regressávamos aos acampamentos.
Pois como dizia, íamos devagar e vimos entre a floresta aberta que íamos atravessando uma boa manada de Pala-Palas ou Palancas Pretas. Parámos o carro e caminhámos um pouco com o vento a nosso favor para ver se conseguíamos ver um macho que vaesse a pena como trofeu. Eu com os binóculos procurei entre mais de 30 animais e do outro lado da manada aí estava um macho imponente. Parecia "quase" uma Palanca Gigante, mais pequena, claro. Disse-lhe a Pit que nâo tirásse os olhos dela e que o seguisse com a lente da sua 270. Pit estava com a mâo apoiada numa pequena árvore vendo pelo óculo da espingarda. As Palancas estavam bastante tranquilas e iam caminhando devagar. Ouve um momneto que o macho parou e Pit nâo perdeu tempo. Um tiro e ouvi o "ploff" que soa como um tambor surdo, quando o animal é atingido. Vi a Palanca correr com uma grande velocidade e desaparecer no meio da floresta aberta.
Caminhámos pelas marcas das pegadas dos animais com Fombe e Mucungo adeante. Caminhámos 30 metros e Fombe fez aquele ruido típico com a lingua que fazem os caçadores que soa como um beijo seco e disse em sena: "chiropa", sim aí estava o sangue que ia soltando a Pala Pala, cada vez era mais. Era um sangue côr de rosa com borbulhas, tinha dado um tiro nos pulmôes. Caminhamos uns 5o metros mais lá estava a Palanca Negra no châo exalando o seu último suspiro.
Aproximámo-nos ao animal por trás e Oh surpresa era uma animal fantástico, mediu quase 46 Polegadas, faltava-lhe 1/4 para chegar às 46" era o que nós chamávamos "um monstro".
Chegámos ao acampamento com bom tempo para dar-nos um banho quente, e jantar para que na manhâ seguinte retomássemos a continuaçâo do nosso safari, interrompido por dois dias de viagens. Começaríamos no acampaento do Sacaxai, para depois mudar-nos para o acampamento do Dirico, onde aí terminaríamos o safari.
Como isto sâo somente Retalhos das minhas memmórias falarei de alguns dos trofeus dos muitos que Pit adquiriu, neste safári que tiveram exito na apresentaçâo deles na Convençâo do Safari Club International.
Uma manhâ íamos devagar porque estava um frio que cortava, pois nâo sei se sabem mas o Sul de Angola nos meses de Julho e Agosto, sâo os lugares mais frios que existem em África. Ao deixarem um balde de água fora exposto ao frio da noite, havia noites que se transformava num bloco de gelo. Por isso andavamos sempre bem agasalhados até mais ou menos às 9 da manhâ; no Toyota levávamos um saco de lona para começar a meter as camisolas e os anoraks e casacos de pele, que tínhamos que usar demanhâ quando saíamos a caçar e, para as noites, quando regressávamos aos acampamentos.
Pois como dizia, íamos devagar e vimos entre a floresta aberta que íamos atravessando uma boa manada de Pala-Palas ou Palancas Pretas. Parámos o carro e caminhámos um pouco com o vento a nosso favor para ver se conseguíamos ver um macho que vaesse a pena como trofeu. Eu com os binóculos procurei entre mais de 30 animais e do outro lado da manada aí estava um macho imponente. Parecia "quase" uma Palanca Gigante, mais pequena, claro. Disse-lhe a Pit que nâo tirásse os olhos dela e que o seguisse com a lente da sua 270. Pit estava com a mâo apoiada numa pequena árvore vendo pelo óculo da espingarda. As Palancas estavam bastante tranquilas e iam caminhando devagar. Ouve um momneto que o macho parou e Pit nâo perdeu tempo. Um tiro e ouvi o "ploff" que soa como um tambor surdo, quando o animal é atingido. Vi a Palanca correr com uma grande velocidade e desaparecer no meio da floresta aberta.
Caminhámos pelas marcas das pegadas dos animais com Fombe e Mucungo adeante. Caminhámos 30 metros e Fombe fez aquele ruido típico com a lingua que fazem os caçadores que soa como um beijo seco e disse em sena: "chiropa", sim aí estava o sangue que ia soltando a Pala Pala, cada vez era mais. Era um sangue côr de rosa com borbulhas, tinha dado um tiro nos pulmôes. Caminhamos uns 5o metros mais lá estava a Palanca Negra no châo exalando o seu último suspiro.
Aproximámo-nos ao animal por trás e Oh surpresa era uma animal fantástico, mediu quase 46 Polegadas, faltava-lhe 1/4 para chegar às 46" era o que nós chamávamos "um monstro".

Este Pit sim tinha sorte. Cada animal que caçava era o que nós na giria dos caçadores chamávamos "record class" Durante alguns dias continuámos o nosso safari, tentanto conseguir os melhores trofeus possíveis.
Todas as noites do meu quarto eu falava com os outros acampamento e especialmente com Sá da Bandeira, para ver como "iam as coisas" com a "transiçâo e entrega do território aos novos angolanos". Tinha estado a falar com o comandante do destacamento que estava do outro lado do rio e ele disse-me que em poucas semanas abandonariam o lugar para dirigir-se a Serpa Pinto e serem embarcados para Luanda de regresso a Portugal. Isso sim deu-me muito medo, e uma incerteza no meu futuro, que algumas vezes apesar do cansaço, nâo me deixava dormir.
Tínhamos que cumprir com os compromissos adquiridos com os nosso clientes e agentes. Somente pedia a Deus que me deixasse terminar esses safaris que tínhamos contratados, para no ano seguinte decidir o que faríamos com a nossa vida.
Continuarei..
Victor "Hunter"
...............................
Creio que todos os caçadores guias tiveram como eu, clientes que repetiram safaris ano atrás ano; alguns seguidos outros de dois em dois ano, e alguns que repetiram duas ou três vezes.
Eu tive a sorte de ter varios, especialmente de Espanha, varios casais que todos os anos as suas férias de Julho ou Agosto era para passar em África caçando e gozando das nossas praias e comidas. Era o caso dos bons amigos catalans Rosa e Federico Segura, Carmen e Amadeo Torrens, Maria e Enrique Jofre, Pilar e Jaime Mercader, estes da área de Barcelona e com quem até hoje mantenho contacto telefónico. Havia dois de Madrid, que infelizmente já nâo estâo conosco, que era o Arq. Fernando Moreno Barberá, e o meu quase irmâo Carlos Arrate Mendizabal.

Carlos e eu éramos uns amigos incondicionais, degraçadamente um cancro de pulmâo matou-o, quando ele fez 49 anos.
Depois desta foto, nesse ano, Carlos foi operado e tiraram-lhe um pulmâo, acabando por morrer três anos depois. Eu estive ao seu lado, porque ele foi para mim o irmâo que nunca tive.
Havia em Sevilha o meu grande amigo Javier Mencos, Marquês de las Navas de Navarra, que mais tarde veio a ser meu tio político, pois casei com uma sobrinha sua. Esse repetia todos os anos, e até deixava parte da sua equipagem de caçador em minha casa para nâo ter que andar a carregar as coisas ano com ano.
Depois um grande amigo americano, Pit Sanders, que ia aonde eu estivesse e, fazia um safari cada dois anos, tambem Robert Eastman, nos seguia a todos os lados de África onde caçasse-mos. Houve muitos e se tivesse que mencionar a todos teria que escrever toda uma pagina para isso.
Pois aqui vou falar de Pit Sanders intercalando alguma das velhas fotos que ainda conservo. Com Pit fomos à Espinheira uns dias, logo que ele desembarcou em Sá da Bandeira. Eu tinha estado convidado na sua casa de Massillon, Ohio, e ele conserva até hoje os trofeus que o seu pai caçou e, aí vai juntando os adquiridos por ele. Sabia que ele queria um bom kudo do deserto, um klipspriger, aquele animalzinho que anda nas pedras, e uma impala de cara preta, mas infelizmente nâo se poude, porque tinham prohibido a caça a esse animal em Angola.No primeiro dia, caçamos uns springbucks para a cozinha e para deixar posto uma isca para o Hernani Espinha, que nuns dias viria com um cliente a caçar uma semana à Espìnheira.
Saímos uma manhà e fomos em direcçâo à serra que se via ao longe e para o lado do Rio Curoca, quando menos esperávamos o guia que sempre levava o do burro que encontrei nas dunas mostrou-me um bonito klipspringer, no alto de umas rochas, olhando para nós.
Sentía-se seguro na altura que estava. Para Pit era um tiro de precisâo, e eu como o conhecia, disse-lhe aí está o teu Klipspringer, queres tentar um tiro daqui? Sào mais de 250 metros, talvez 300. Pit Baixou-se do Toyota, e apoiando-se nas barras do rollover apontou a sua 270 Remington Magnum e vio espremer muito devagar a mâo e o dedo ao mesmo tempo e tiro que saiu e klipspringer morto. Ficou no alto da rocha. Foi necessário mandar os ajudantes subir até lá, o que demorou mais de meia hora, para poderem trazer-nos o trofeu.

Era um record, pelo qual Pit no ano seguinte recebeu uma medalha do Safari Club International.
Buscámos e encontrámos vários kudos, mas nenhum que víamos era o que eu chamo interessante para a qualidade de caçador que é Pit. Saíamos muito cedo, antes do nascer do sol para ver se encontrávamos o grande, que buscávamos. Um dia chegámos quase à estrada que vai de Moçâmedes para Sá da Bandeira, lugar onde havia uma grande quinta que se dedicava a criar os borregos “caracul” que mais tarde ao fazerem os casacos para as senhoras, perdem o nome para chamarem-lhe “astracan”, os tais borregos que matam logo que nasce, e que chamam tambem “non-natos”.

Demos a volta para regressar ao acampamento, e derrepente no meio de umas espinheiras, a uns 4 ou 5 kilómetros da quinta, vimos aquele kudo, estático, no meio de umas espinheiras, que se nâo fosse pelos olhos treinados que temos de tantos anos andar nisto, passaria despercebido. Mostrei-o a Pit e evidentemente um tiro e Kudo morto. Este Pit raramente falhava um tiro. Era dos bons.
O que tínhamos vindo fazer ao deserto, estava terminado, agora era tempo para regressar a Sá da Bandeira para que em dois dias voássemos às “terras do fim do mundo”, para continuar o nosso safari.
Victor “Hunter”
Nota: Estas fotos têm muitos anos e estâo em albuns velhos. A qualidade da fotografia nâo é boa, mas é o melhor que posso fazer.
...................................
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 10
Tinhamos ficado na nossa viagem até ao Acampamento da Espinheira.Neste acampamento, dependia do mês, os Orixes ou Gemsbucks, podiam estar perto das dunas do Rio Curoca, onde nos abastecíamos de água, ou simplesmente metidos nos vales, que eram umas pequenas ondulaçôes no terreno onde havia uma

grande quantidade de "pepinos do deserto", que eram alguns dos frutos com que eles se alimentavam, e tambem dos "melôes do deserto", que em alguns lugagres havia quantidades imensas,

aparte de ramas de espinheiras e de alguns cactus. Provei os melôes do deserto e tinham um sabor horrível, mas muito sugosos, que lhe davam aos animais a água que necessitavam para o seu organismo.

Se havia pepinos e melôes, os Orixes geralmente nâo andavam muito longe. Perguntarâo como é que um caçador que veio de Moçambique, onde nâo havia esses desertos, sabia dessas coisas e se movia pelo deserto como se fora o seu ambiente de toda a vida?
Pois bem, aí vai a história o mais curta que a possa contar.
Andava eu com o meu pessoal Sena de Moçambique, a "apanhar bonés", porque via springbucks a montôes, via pégadas de leopardos, avestruzes etc, mas de Orixes nada, até que um dia que andava perto das dunas, vi ao longe um rapaz que vinha baixando uma dessas dunas montado num burro. Primeiro perguntei-lhe para onde ia e que fazia por aquele lugar. Ao dizer-me que era da raça Curoca e que vinha de Porto Alexandre, e que ia para sua casa perto do rio onde tinha o seu gado, eu pensei: -este tipo tem que conhecer estas paragens bem para vir através das dunas- A seguinte pergunta, como nâo podia deixar de ser era, se tinha visto alguns Orixes? A resposta pronta do ràpaz foi: Senhor os Orixes neste tempo nunca andam aqui. Agora andam nas dunas do outro lado do rio e nas pedras do Curoca,
Sorte a minha, (sorte de caçador), este homem tinha sido o guia de um dos mais antigos caçadores que havia em Moçâmedes o Tendinha. Claro que foi imediatamente contratado, e o Fombe instruido para que lhe "sacasse" os "segredos" de caça que ele pudésse ter. A partir daquele dia nunca cliente algum se foi sem levar o seu Orix. Nesse lugar, mal chegávamos ao acampamento com algum cliente, a primeira coisa que fazíamos era matar um springbuck ou cabra de leque e por iscas para leopardo, porque nesse lugar havia-os por todos os lados. Talvez quem saiba um pouco de caça, pergunte: "Porquê tanto leopardo e no deserto?" Simples: aí há montanhas cde pedras que parecem que foram postas umas sobre as outras, com alturas que eu calculei com mais de 400 metros ou mais, nâo falando nas montanhas que nesse lugar eram imensas onde nunca fomos. Estes montes de pedras estâo povoados por milhares de "ratos das pedras" ou os Rock Hyrax (Procavia capensis), que dizem que é o ser vivo mais parecido ao elefante (?). Alimentam-se de tudo o que encontram: folhas, ervas, lagartixas, insectos, frutos e raramente bebem água. Pois ao haver tantos destes animais, os leopardos que por natureza sâo preguiçosos, como todos os gatos, tinham aí a mesa servida. Comiam três ou quatro destes animaizinhos, e nâo tinham que andar a cansar-se a correr atrás de alguma cabra de leque.
Ah! Mas quando lhe punhamos bem uma isca, entravam logo na primeira noite. A mim com um bom amigo de Barcelona que levei várias vezes de safari, o Sr. Amadeo Torrens, encontrámos dois a lutar pela isca que tínhamos posto. Como tanto ele como a sua esposa Carmen tinham licença, abateu os dois um atrás de outro.Esse safari que era composto por um grupo de casais catalans, ou catalanes, levei tambem uma noite ao meu bom a migo Federico Segura e a Rosa sua esposa, e abateram dois fantásticos leopardos.


grande quantidade de "pepinos do deserto", que eram alguns dos frutos com que eles se alimentavam, e tambem dos "melôes do deserto", que em alguns lugagres havia quantidades imensas,

aparte de ramas de espinheiras e de alguns cactus. Provei os melôes do deserto e tinham um sabor horrível, mas muito sugosos, que lhe davam aos animais a água que necessitavam para o seu organismo.

Se havia pepinos e melôes, os Orixes geralmente nâo andavam muito longe. Perguntarâo como é que um caçador que veio de Moçambique, onde nâo havia esses desertos, sabia dessas coisas e se movia pelo deserto como se fora o seu ambiente de toda a vida?
Pois bem, aí vai a história o mais curta que a possa contar.
Andava eu com o meu pessoal Sena de Moçambique, a "apanhar bonés", porque via springbucks a montôes, via pégadas de leopardos, avestruzes etc, mas de Orixes nada, até que um dia que andava perto das dunas, vi ao longe um rapaz que vinha baixando uma dessas dunas montado num burro. Primeiro perguntei-lhe para onde ia e que fazia por aquele lugar. Ao dizer-me que era da raça Curoca e que vinha de Porto Alexandre, e que ia para sua casa perto do rio onde tinha o seu gado, eu pensei: -este tipo tem que conhecer estas paragens bem para vir através das dunas- A seguinte pergunta, como nâo podia deixar de ser era, se tinha visto alguns Orixes? A resposta pronta do ràpaz foi: Senhor os Orixes neste tempo nunca andam aqui. Agora andam nas dunas do outro lado do rio e nas pedras do Curoca,
Sorte a minha, (sorte de caçador), este homem tinha sido o guia de um dos mais antigos caçadores que havia em Moçâmedes o Tendinha. Claro que foi imediatamente contratado, e o Fombe instruido para que lhe "sacasse" os "segredos" de caça que ele pudésse ter. A partir daquele dia nunca cliente algum se foi sem levar o seu Orix. Nesse lugar, mal chegávamos ao acampamento com algum cliente, a primeira coisa que fazíamos era matar um springbuck ou cabra de leque e por iscas para leopardo, porque nesse lugar havia-os por todos os lados. Talvez quem saiba um pouco de caça, pergunte: "Porquê tanto leopardo e no deserto?" Simples: aí há montanhas cde pedras que parecem que foram postas umas sobre as outras, com alturas que eu calculei com mais de 400 metros ou mais, nâo falando nas montanhas que nesse lugar eram imensas onde nunca fomos. Estes montes de pedras estâo povoados por milhares de "ratos das pedras" ou os Rock Hyrax (Procavia capensis), que dizem que é o ser vivo mais parecido ao elefante (?). Alimentam-se de tudo o que encontram: folhas, ervas, lagartixas, insectos, frutos e raramente bebem água. Pois ao haver tantos destes animais, os leopardos que por natureza sâo preguiçosos, como todos os gatos, tinham aí a mesa servida. Comiam três ou quatro destes animaizinhos, e nâo tinham que andar a cansar-se a correr atrás de alguma cabra de leque.
Ah! Mas quando lhe punhamos bem uma isca, entravam logo na primeira noite. A mim com um bom amigo de Barcelona que levei várias vezes de safari, o Sr. Amadeo Torrens, encontrámos dois a lutar pela isca que tínhamos posto. Como tanto ele como a sua esposa Carmen tinham licença, abateu os dois um atrás de outro.Esse safari que era composto por um grupo de casais catalans, ou catalanes, levei tambem uma noite ao meu bom a migo Federico Segura e a Rosa sua esposa, e abateram dois fantásticos leopardos.

Até o Rei de Espanha, D. Juan Carlos, há muitos anos abateu com um tiro pèrfeito ao belo leopardo naquele lugar.
Como dizia havia-os por todos os lados. Igual que nas "terras do fim do mundo", o Mucusso.
Lembro-me que uma noite em que estávamos no acampamento do Chipuizi (Mucusso) e a esposa do Amilcar Jorge, apeteceu-lhe ir ao banho de noite, agarrou a lanterna e saiu da tenda, pois naquele tempo ainda nâo tínhamos o acampamento fixo, e a minha pobre amiga, deu um grito de arrepiar, porque viu um leopardo sentado a olhar para ela dentro do acampamento.
Pobre leopardo , deve ter-se assustado tanto, que somente deve ter parado a muitas milhas de distancia.
O susto foi para nós porque pensámos que alguma coisa lhe tinha sucedido.
Continuaremos
Victor "Hunter"
...............................
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 9
Como dizia havia-os por todos os lados. Igual que nas "terras do fim do mundo", o Mucusso.
Lembro-me que uma noite em que estávamos no acampamento do Chipuizi (Mucusso) e a esposa do Amilcar Jorge, apeteceu-lhe ir ao banho de noite, agarrou a lanterna e saiu da tenda, pois naquele tempo ainda nâo tínhamos o acampamento fixo, e a minha pobre amiga, deu um grito de arrepiar, porque viu um leopardo sentado a olhar para ela dentro do acampamento.
Pobre leopardo , deve ter-se assustado tanto, que somente deve ter parado a muitas milhas de distancia.
O susto foi para nós porque pensámos que alguma coisa lhe tinha sucedido.
Continuaremos
Victor "Hunter"
...............................
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 9
Vou-lhes contar um safari como fazíamos em Angola.
Com esta descripçâo, ficarâo mais o menos com uma ideia como eram os safaris nessa ex-colonia portuguesa.
Faziamos safaris pequenos de 8 a 10 dias somente no deserto.
Depois vinham os safaris no Mucusso (terras do fim do mundo) que eram quase sempre de 21 dias, que era os que habitualmente fazíamos.
E finalmente o safari que eu chamava mixto que eram três semanas no Mucusso e uma semana no deserto.
Quando o cliente queria estar 10 dias a caçar no deserto, o que fazíamos era levá-lo primeiro ao que se chama propriamente deserto, onde a vegetaçâo é quase nula; alguma espinheira e alguns cactus, e de onde em onde uma das plantas mais raras do mundo as Velvichias mirabalis .
Depois de caçar nesse lugar os animais do deserto, ou sejam os Orixes, leopardos, springbucks, uma que outra zebra de montanha, seguíamos para outro acampamento que era o Chingo, onde aí dávamos caça às Impalas de cara preta, aos grandes Elands aos kudos que aí eram enormes, pois havia uma vegetaçâo já bastante densa, ainda que fora uma área semidesertica.
O deserto do Namibe é a continuaçâo do Deserto da Namibia, (nâo confundir um com o outro). Aí se encontram as maiores dunas do mundo, apresentadas centenas de vezes por a National Geographic, pelo Discovery e muitos mais documentários, apresentadas tambem em revistas e em muitas paginas da web.

Sâo as únicas dunas no mundo que têm aqule cor vermelha alaranjada, pois a concentraçâo tâo grande de óxico de ferro, ao dar-lhe a luz, da-lhe imensas tonalidades dos vermelhos.
Aqui nesta regiâo há três grandes tribus. Os Mukubais, que nâo sâo mais que uma derivaçâo da maior tribú que é a Himba e que vive na fronteira da Angola e da Namibia, e os que se chamam Curocas, que sâo tambem uma rama dos Mukubais.
Ainda que todos venham da mesma raiz, e todos sejam criadores de gado, os do "nosso" lado sâo mais "civilizados", o que é uma pena porque "quase" acabaram com as tradiçôes tâo bonitas e, as mais puras que têm os Himbas, que é uma das raças que eu mais admiro.

Note-se: a primeira mulher mukubal, veste-se com panos, e geralmente quando vê alguem tapa-se, mostrando a "vergonha" que le inculcaram, primeiro os missioneiros, e depois nós os portugueses.

A mulher Himba que se vê na foto está muito orgulhosa da sua vestimenta de pele, toda "embadurnada" com uma argilha ocre misturada com mateiga de vaca.
Tèm uma pele que poderia dar inveja às modelos e artistas mais cotizadas, pois sente-se como veludo. Palavra de honra, que eu senti isso-jejejeje.
Sabem ser coquetas a sua forma e vivem num matriarcado.
Quase sempre saíamos de Sá da Bandeira, demanhâ bastante cedo, para poder chegar antes que o calor apertasse muito.
Ao Sair de Sá da Bandeira, começavamos a subir a Serra da Leba até à sua maior altitude, para depois começarmos a baixar do planalto para a zona árida num declive de 1.800 metros, por uma estrada tortuosa, que foi um dos grandes logros da engenharia portuguesa.
Depois de baixar a uns 20 kilómetros da base da Serra, encontrávmos uma picada de terra batida que nos levava ao acampamento da Espinheira.
(Continuarei com as minhas memorias até que digam que pare)
Victor "Hunter"
.............................
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 4

Lá ao longe na parte desertica do Namibe, tínhamos uma acampamento, que era a Espinheira, (foto Espinheira), onde alguns dos nossos clientes iriam durante uma semana a caçar os animais típicos do deserto que eram os Grandes Kudos, os Orixes, havia uma quantidade enorme de Leopardos, as Cabras de Leque ou Springbucks, as Zebras de Montaña e tambem as famosas Impalas de Cara Preta; havia uns Elands de impresionante tamanho, na parte mais encostada à serra, mas o que verdadeiramente atraia os clientes, era o rei das caçadas do deserto, os Orixes, que durante os meses de seca, deambulavam nas margens do Rio Curoca que fazia fronteira com o Parque Nacional do Iona.
O primeiro acampamento que tivemos nesse lugar, era o acampamento da GRUTA. Era uma gruta formada por uns monolitos de impresionante tamanho dentro dos quais, com um pouco de habilidade se construiu uma sala de jantar, com um bar, um quarto e, depois fora, umas casitas para alojar os clientes com toda a comodidade.
Como lhes disse atrás nâo foi facil, planear e executar todas estas operaçôes, mas quando um tem 30 anos e vontade de fazer as coisas tudo era possível, e por cima nos saía tudo bem. Ah! os fantásticos 30 anos, cheios de força e de uma vitalidade tâo impresionante, que nos creíamos indestructíveis, e pensávamos que nâo havia nada que nâo pudéssemos fazer.

Para baixar do planalto da Huila, até à parte desertica , já pertencente ao Distrito de Moçamedes (hoje Namibe) tíhamos que passar pela Serra da Leba, que até hoje é uma das estradas mais impressionantes que eu vi e digna de estar em qualquer compêndio de engenharia.
Victor "Hunter"
......................
Textos completos in «MEMÓRIAS DE VICABRAL»
Com esta descripçâo, ficarâo mais o menos com uma ideia como eram os safaris nessa ex-colonia portuguesa.
Faziamos safaris pequenos de 8 a 10 dias somente no deserto.
Depois vinham os safaris no Mucusso (terras do fim do mundo) que eram quase sempre de 21 dias, que era os que habitualmente fazíamos.
E finalmente o safari que eu chamava mixto que eram três semanas no Mucusso e uma semana no deserto.
Quando o cliente queria estar 10 dias a caçar no deserto, o que fazíamos era levá-lo primeiro ao que se chama propriamente deserto, onde a vegetaçâo é quase nula; alguma espinheira e alguns cactus, e de onde em onde uma das plantas mais raras do mundo as Velvichias mirabalis .
Depois de caçar nesse lugar os animais do deserto, ou sejam os Orixes, leopardos, springbucks, uma que outra zebra de montanha, seguíamos para outro acampamento que era o Chingo, onde aí dávamos caça às Impalas de cara preta, aos grandes Elands aos kudos que aí eram enormes, pois havia uma vegetaçâo já bastante densa, ainda que fora uma área semidesertica.
O deserto do Namibe é a continuaçâo do Deserto da Namibia, (nâo confundir um com o outro). Aí se encontram as maiores dunas do mundo, apresentadas centenas de vezes por a National Geographic, pelo Discovery e muitos mais documentários, apresentadas tambem em revistas e em muitas paginas da web.

Sâo as únicas dunas no mundo que têm aqule cor vermelha alaranjada, pois a concentraçâo tâo grande de óxico de ferro, ao dar-lhe a luz, da-lhe imensas tonalidades dos vermelhos.
Aqui nesta regiâo há três grandes tribus. Os Mukubais, que nâo sâo mais que uma derivaçâo da maior tribú que é a Himba e que vive na fronteira da Angola e da Namibia, e os que se chamam Curocas, que sâo tambem uma rama dos Mukubais.
Ainda que todos venham da mesma raiz, e todos sejam criadores de gado, os do "nosso" lado sâo mais "civilizados", o que é uma pena porque "quase" acabaram com as tradiçôes tâo bonitas e, as mais puras que têm os Himbas, que é uma das raças que eu mais admiro.

Note-se: a primeira mulher mukubal, veste-se com panos, e geralmente quando vê alguem tapa-se, mostrando a "vergonha" que le inculcaram, primeiro os missioneiros, e depois nós os portugueses.

A mulher Himba que se vê na foto está muito orgulhosa da sua vestimenta de pele, toda "embadurnada" com uma argilha ocre misturada com mateiga de vaca.
Tèm uma pele que poderia dar inveja às modelos e artistas mais cotizadas, pois sente-se como veludo. Palavra de honra, que eu senti isso-jejejeje.
Sabem ser coquetas a sua forma e vivem num matriarcado.
Quase sempre saíamos de Sá da Bandeira, demanhâ bastante cedo, para poder chegar antes que o calor apertasse muito.
Ao Sair de Sá da Bandeira, começavamos a subir a Serra da Leba até à sua maior altitude, para depois começarmos a baixar do planalto para a zona árida num declive de 1.800 metros, por uma estrada tortuosa, que foi um dos grandes logros da engenharia portuguesa.
Depois de baixar a uns 20 kilómetros da base da Serra, encontrávmos uma picada de terra batida que nos levava ao acampamento da Espinheira.
(Continuarei com as minhas memorias até que digam que pare)
Victor "Hunter"
.............................
RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 4
Os nossos clientes que chegavam dos Estados Unidos, ao começarem a sua viagem na America, tinham que sofrer uma boa dose de tempo dentro dos aviôes. Primeiro do lugar donde vinham a Nova York, depois a Londres voando pela South Africa Airways, ou a Lisboa, para enlaçarem com qualquer vôo da TAP que fosse até Luanda. Chegar a Luanda e apanhar outro aviâo da DTA até Sá da Bandeira. Eram horas a fio para chegar até a essa cidade onde tínhamos a nossa base de operaçôes.
O Grande Hotel da Huila, era o melhor hotel da cidade e, onde os alojávamos geralmente durante um dia completo para fazê-los descansar e adaptar ao clima, depois de tâo longos vôos para poder chegar até a nós.
Tentávamos dar-lhes um tour pela cidade, que era uma cidade pequena, situada num planalto; Leválos de compras, aos mercados indígenas, onde podian adequirir madeira talhada, coisas de barro feitas pelos índigenas locais, e um sem número de artefactos.
O Grande Hotel da Huila, era o melhor hotel da cidade e, onde os alojávamos geralmente durante um dia completo para fazê-los descansar e adaptar ao clima, depois de tâo longos vôos para poder chegar até a nós.
Tentávamos dar-lhes um tour pela cidade, que era uma cidade pequena, situada num planalto; Leválos de compras, aos mercados indígenas, onde podian adequirir madeira talhada, coisas de barro feitas pelos índigenas locais, e um sem número de artefactos.
(na foto, uma boa amiga Mary Hoffman de Texas, comprando coisas para levar para os USA).
Sempre levávamos os clientes ao Miradoiro, donde se podia ver a muitos kilómetros de distância, e adivinhar o deserto do Namibe, numa diferença de altitude de 1.800 metros.
Havia um lugar em especial que se chamava a Tunda Vala, que era de uma beleza agreste impresionante.
Sempre levávamos os clientes ao Miradoiro, donde se podia ver a muitos kilómetros de distância, e adivinhar o deserto do Namibe, numa diferença de altitude de 1.800 metros.
Havia um lugar em especial que se chamava a Tunda Vala, que era de uma beleza agreste impresionante.

Lá ao longe na parte desertica do Namibe, tínhamos uma acampamento, que era a Espinheira, (foto Espinheira), onde alguns dos nossos clientes iriam durante uma semana a caçar os animais típicos do deserto que eram os Grandes Kudos, os Orixes, havia uma quantidade enorme de Leopardos, as Cabras de Leque ou Springbucks, as Zebras de Montaña e tambem as famosas Impalas de Cara Preta; havia uns Elands de impresionante tamanho, na parte mais encostada à serra, mas o que verdadeiramente atraia os clientes, era o rei das caçadas do deserto, os Orixes, que durante os meses de seca, deambulavam nas margens do Rio Curoca que fazia fronteira com o Parque Nacional do Iona.
O primeiro acampamento que tivemos nesse lugar, era o acampamento da GRUTA. Era uma gruta formada por uns monolitos de impresionante tamanho dentro dos quais, com um pouco de habilidade se construiu uma sala de jantar, com um bar, um quarto e, depois fora, umas casitas para alojar os clientes com toda a comodidade.
Como lhes disse atrás nâo foi facil, planear e executar todas estas operaçôes, mas quando um tem 30 anos e vontade de fazer as coisas tudo era possível, e por cima nos saía tudo bem. Ah! os fantásticos 30 anos, cheios de força e de uma vitalidade tâo impresionante, que nos creíamos indestructíveis, e pensávamos que nâo havia nada que nâo pudéssemos fazer.

Para baixar do planalto da Huila, até à parte desertica , já pertencente ao Distrito de Moçamedes (hoje Namibe) tíhamos que passar pela Serra da Leba, que até hoje é uma das estradas mais impressionantes que eu vi e digna de estar em qualquer compêndio de engenharia.
Victor "Hunter"
......................
Textos completos in «MEMÓRIAS DE VICABRAL»
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
quarta-feira, novembro 12, 2008
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Deserto do Namibe; Moçâmedes,
Namibe; Angola;,
Victor Cabral
03 setembro 2008
Alunos da Escola Portugal de visita ao Horto da cidade



Foto tirada por ocasião de uma visita ao Horto de Moçâmedes, dos alunos da 3ª classe da Escola Portugal - Ano 1967
Da parte feminina reconheço a prof. Dilva Castelo Branco, Leopoldina Luís António; Elsa Maria Teles:Helena Maria Tadeu: Maria da Glória Baptista dos santos: Luísa(?) Filomena Maria Scala; Ana Maria Simões: Lalá (filha do Alberto da Baía das Pipas)?; Eduarda...; Professora Dilva Castelo BrancoDa parte masculina
Baptista dos Santos, Manuel Victória Pereira;Armando Loures da Silva; Joaquim Manuel da Cunha Major; (Nelo) Manuel Constantino Baptista; Luís Filipe Paiva Cabral; Nika Albuquerque ?;não, José Feliciano, filho do contínuo da escola, Sr. José Augusto (?) Victor Manuel Sá Figueiredo Rodrigues; João Viegas Ilha; Rodrigues (?); Maurício Gonçalves; Fernando Cordeiro Coimbra e Edgar Espirito Santo de pé.
Desta turma, vivem 4 em Angola - Manuel Victória Pereira - professor. a Leopoldina - médica , o Edgar E. Santo - agrónomo . o Feliciano, electricista auto e o Sá Rodrigues chegou alí também há poucos anos com empreendimentos.
Foto gentilmente cedida por Pedro Ilha.
Nas duas fotos acima, duas perspectivas do Horto Municipal. Era neste Horto que se cultivavam as árvores e plantas que eram mais tarde colocadas nas ruas e jardins da cidade de Moçâmedes, e onde se cultivavam flores que eram vendidas ao público. Fotos retiradas de Sanzalangola.Baptista dos Santos, Manuel Victória Pereira;Armando Loures da Silva; Joaquim Manuel da Cunha Major; (Nelo) Manuel Constantino Baptista; Luís Filipe Paiva Cabral; Nika Albuquerque ?;não, José Feliciano, filho do contínuo da escola, Sr. José Augusto (?) Victor Manuel Sá Figueiredo Rodrigues; João Viegas Ilha; Rodrigues (?); Maurício Gonçalves; Fernando Cordeiro Coimbra e Edgar Espirito Santo de pé.
Desta turma, vivem 4 em Angola - Manuel Victória Pereira - professor. a Leopoldina - médica , o Edgar E. Santo - agrónomo . o Feliciano, electricista auto e o Sá Rodrigues chegou alí também há poucos anos com empreendimentos.
Foto gentilmente cedida por Pedro Ilha.
....................
TERRA AUTOBIOGRÁFICA (fragmento)
Não existe mais
a casa onde nasci
nem meu Pai
nem a mulembeira
da primeira sombra.
Não existe o pátio
o forno a lenha
nem os vasos e a casota do leão.
Nada existe
nem sequer ruínas
entulho de adobes e telhas
calcinadas.
Alguém varreu a fogo
a minha infância
e na fogueira arderam todos os ancestres.
Poema de Costa Andrade
(Terra gretada)
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
quarta-feira, setembro 03, 2008
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
29 agosto 2008
O busto de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim em Moçâmedes, a actual cidade do Namibe



O busto de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro nos jardins da Avenida principal de Moçâmedes, a Avenida da Praia do Bonfim, que aqui nos surge no seu esplendor diuno e nocturno, tendo a encimá-la o Palácio da Justiça e a fonte luminosa ladeada por suas elegantes gazelas, símbolo do Deserto do Namibe. Na última foto, actual, podemos ver a coluna mas já sem o busto. Segundo informações o busto e o óleo de Bernardino encontra-se no Museu etnográfico da cidade do Namibe, sito no antigo edifício da familia Torres, por detrás da Alfândega, na antiga Rua dos Pescadores.

SOBRE BERNARDINO
«....Em 1848, o nosso Império no Brasil vivia horas de indizível agitação: Na cidade de Pernambuco estalara a revolução política. O ódio e a perseguição manifestaram-se de imediato, fazendo sofrer as mais indignas crueldades e degradantes humilhações a compatriotas nossos que ali procuravam ocupação. É, então que, oprimidos cada vez mais, concebem o projecto de fundar em África uma colónia agrícola que possa valorizar o património nacional. Assim Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, que mais tarde seria o chefe do primeiro colonato, fica incumbido de apresentar ao Governo Português o arrojado empreendimento que se propõem levar a efeito. Pedem informações detalhadas de relatórios, de memórias e de mais documentos para que pudessem avaliar da região mais apropriada para se instalarem. Pedem, igualmente, auxílio financeiro ao Governo para custear a sua deslocação e aquisição de engenhos para fabrico de açúcar.
Com o empenhamento de Simão José da Luz Soriano, chefe da repartição de Angola no então Ministério do Ultramar, junto do Ministro - O Visconde de Castro - , é então garantido todo o auxílio e facilidades necessárias àquele arrojado empreendimento.
A verdadeira ocupação desta parcela e, por conseguinte, do que nela se ergueu, deve-se assim e indubitavelmente, à impulsiva decisão, inteligência e heroicidade patriótica daquele que jamais será esquecido saudosamente pelos moçamedenses, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro que, em 13 de Julho de 1848, enaltecido do espírito de demandar terras de África e animado por uma conta de sem recuo endereçou uma carta ao ministro e secretário de estado dos Negócios da Marinha e Ultramar da Nação Portuguesa, escrita em Recife de Pernambuco, onde se pode ler:
«...Eu, que livre de orgulho, afirmo poder seguir para onde me conviesse, sacrifiquei-me a esperar, a ir compartilhar dos trabalhos e reveses que acompanham o estabelecimento de uma colónia, só porque vejo que coligo acarreto algum número, mormente dos mais úteis, que são os que entendem do fabrico dos açucares e plantação de canas e mesmo do tabaco e café pois que vivo em relação a muitos engenhos, tendo neles arranjado vários, e hei-de dedicar-me a conhecer com fundamento o modo mais profícuo de fazer açúcar, de agricultar a cana com vantagem, segundo a natureza do terreno e a tirar da matéria prima toda a possível utilidade, mormente com as destilações que, bem dirigidas, são de sumo interesse. Vª Exª desculpará na certeza de que não o faço porque não esteja persuadido do seu profundo saber, mas porque muitas vezes a lembrança de um homem medíocre faz produzir medidas acertadas».
Modéstia! Bernardino não era um homem medíocre. Era um homem de extraordinária visão. Um grande português da estirpe dos «barões assinalados», cujo nome a história registaria com orgulho. Um portugues, que, já nessa altura defendia a tese de que a emigração do País deveria ser canalizada para as suas possessões ultramarinas.
Felizmente que a petição de Bernardino foi atendida. A Portaria nº 2063 de 26 de Outubro de 1848 dizia: «Tenho um grande número de cidadãos portugueses residentes na Província de Pernambuco, no Império do Brasil, feito constar a sua Majestade a Rainha, que desejavam passar para algum ponto das possessões portuguesas, houve por bem em Portaria desta data, mandar expedir providências necessárias para a passagem dos mencioinados portugueses para o lugar das possessões portuguesas em África que por eles for escolhida.»
Em 29 de Março de 1849, o Governador Geral de Angola -Adrião Acácio da Silveira Pinto- informava o Ministro da Marinha e Ultramar de ter sido escolhida a província de Angola e o estabelecimento de Mossãmedes para a formação da colónia.
Em 23 de Maio do mesmo ano, cento e oitenta colonos (116 homens, 39 mulheres e 25 crianças), com Bernardino a chefiar, deixam Pernambuco, rumo a Mossãmedes, embarcando na barca brasileira «Tentativa Feliz» e no brigue de guerra «Douro». Foi de facto uma tentativa feliz.
Bernardino faz assim a descrição dessa viagem aventurosa:
«...Foram os brasileiros quem fez lembrar aos portugueses que escusavam de melhorar terras alheias, quando tinham ainda muitas suas onde podiam procurar fortuna sem sofrerem insultos. E não pareça que é exagero, não, que lá está o dia 23 de Maio deste ano - dia em que o brigue de guerra «Douro», comboiando a barca «Tentativa Feliz» que a seus bordos conduziram 180 colonos, saiu do porto do Recife, à vista de numerosíssimo povo, para falar tão alto, atento o número de testemunhas, que bem se pode aplicar a este respeito o que sobre outrora disse o nosso sempre admirável Camões:
«Estão pelos telhados e janelas
Velhos e moços, donas e donzelas...»
Levando consigo máquinas, instrumentos rurais e seus haveres, e até para nada lhes faltar, víveres para os primeiros tempos, era de pasmar ver aquela gente sair de uma bela cidade, divisando-se no rosto de todos a maior alegria, mesmo sabendo que trocavam uma habitação cómoda e divertida, para irem desembarcar num areal, onde o seu primeiro cuidado seria o de edificar uma cabana para se abrigarem das injúrias do tempo. A todos se ouvia dizer, ao desaparecimento da terra, o que Castilho disse nos seus «Ciúmes de bordo»:
«Sumam-se à vista
Os últimos oiteiros
Dessa terra falaz...»
E se sofrimentos houveram na viagem, nem por isso se ouviram queixas. Algum génio mau quis apurar-lhes a paciência: ventos contrários e bonançosos, com repetidas calmarias, tornaram a viagem longa; todos os colonos iam mal alojados e a epidemia das bexigas desenvolveu-se a bordo, chegando a haver, simultaneamente, 56 doentes, entre colonos e a tripulação. Três adultos e cinco menores pereceram. Não havia facultativo: para os atender tanto exerciam tais funções o encarregado de governar a colónia como o capitão da barca, coadjuvados por um barbeiro e dirigidos por um cirurgião do «Douro» - Francisco António Chagas Franco - o qual logo que da barca se fazia sinal de que era necessária a sua visita, vinha a bordo. Veio quatro vezes com tal prontidão e tão boa vontade que ão sei qual possa elogiar-se mais , se ele em vir, se o comandante em o mandar.
No dia 1 de Agosto entrou em Mossãmedes o Brigue «Douro» e, no dia 4 do mesmo mês, a barca «tentativa Feliz». com 74 dias de viagem. Os colonos vêem outra vez realizado o que o nosso poeta disse outrora aos seus heróis ascendentes:
«Já sois chegados, já tendes diante
A terra de riquezas abundante...»
Enquanto os colonos e os majores Horta e Garcia se instalavam e examinavam os terrenos aptos para a agricultura, Bernardino seguiu, no dia 16 do mesmo mês, a bordo do brigue «Douro», para Luanda, a fim de se avistar com o Governador Geral. Chegado no dia 22, ali se demoraria cerca de dois meses. O Governador recebeu-o «com as mais decididas provas de contentamento, que igualmente foram manifestadas por todas as autoridades e habitantes da cidade.»
E Bernardino termina o seu relato:
«Esta empresa bem se pode chamar das incredulidades desfeitas, portanto:
1º) Parecia inacreditável que houvesse quem representasse o Governo de S. M. , porque muitas vezes haviam acontecido no Brasil casos iguais aos dos dias 26 e 27, e nunca houve o menor movimento: mas alguém representou.
2º) Parecia inacreditável que o Governo pudesse mandar navios para proteger os seus súbditos: mas mandou.
3º) Parecia inacreditável que ele pudesse fazer despesas para coadjuvar e transportar para as possessões africanas os que para elas quisessem seguir: mas pôde.
4º) Parecia inacreditável que houvessem colonos que se arriscassem a vir para África, depois do que havia acontecido a outros: mas houve.
5º) Parecia inacreditável que em Mossãmedes houvessem providências tomadas para a recepção do colonos, atentos ao pouco tempo e ao estado financeiro da província: mas houve.
6º) Parecia inacreditável que houvessem bons terrenos n local escolhido: mas houve.
Resta ainda uma incredulidade a vencer, a qual afecta a todos e vem a ser: se com efeito desta vez se montará a agricultura nesta velha parte do mundo antigo de forma a que se lhe façam trajar as galas de uma bela jovem; eis o que a breve espaço de um ano há-de resolver, no fim do qual se poderá dizer como Camões:
«Que verá tanto obrar tão pouca gente...»
Pelos seus incontestáveis méritos Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro é leito, por maioria de votos, em 14 de Outubro de 1849, para o Conselho Colonial de Mossãmedes. Esta qualidade reforça o prestígio do ousado português. Todos lhe obedeceram. Todos o reconhecem como chefe. Todos acatam, esperançadas as suas ordens. pelos colonos são distribuidos os terrenos incultos do rio Bero. Escolhe-se o Vale dos Cavaleiros para instalação de engenhos agrícolas. Começa o «fervet opus», como diz o próprio Bernardino:
«É um bulício. Todos edificam casas na povoação que escolheram para habitar: outros nas faldas da serra dos Cavaleiros (de basalto laminado) no sítio chamado dos Namorados e que dista uma légua; outros roteiam terras nas hortas, outros no sítio da Olaria, onde se vai fazer tijolos e telhas; outros na Várzea da união, duas léguas longe dali; outro no fim co vale dos Cavaleiros, que dista três léguas e que é onde se vão levantar os primeiros laboratórios sacarinos: lá se vê um carro carregado de caibros (barrotes de madeira), ali pretos conduzindo junco e tábua, acolá as autoridades, montadas em bois, percorrendo e medindo os terrenos: noutra parte se quebra a pedra que se vai carregando juntamente com o barro; as paredes para as casas crescem visivelmente; a capela de Santo Adrião antes de um mês ficará ponta de paredes; enfim, ou antes de pouco tempo teremos de ver Mossãmedes uma sofrível povoação, e seus arrabaldes bem agricultados, ou se ficará o «mons parturiens» do velho Fedro».
A sua objectividade sensata e clássica de escrever é própria de um Grande português, de um Grande Chefe. Embora tudo pareça estar a correr de feição, a ele e aos colonos, para ele não era bom sinal que assim estivesse. Sempre os reveses estão na génese dos grandes cometimentos. Graves dificuldades surgiram. primeiro a inadaptação dos colonos. Depois a estiagem de longos meses. As sementes não seriam das melhores, nem haviam sido lançadas á terra na altura mais propícia. a terra, habituada á preguiça da infecundidade, negava-se a produzir. O desalento instala-se na alma dos colonos.
É então que Bernardino houve como Moisés relativamente ao seu povo « Antes fossemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas das carnes e comíamos pão com fartura. Porque nos trouxeste a este deserto , para matar á fome esta multidão?». É neste transe difícil que se revela a indomável força de vontade de Bernardino, e sua certeza de vitória. No meio do seu povo exclama: «Só será salvo o que preservar até ao fim!»
Por esta altura, uma colónia composta de 145 emigrantes portugueses, sob a direcção de José Joaquim da Costa, deixa o Brasil a 13 de Outubro de 1850 e chega a Mossãmedes a 26 de Novembro do mesmo ano. A esta gente se fica a dever parte do êxito agrícola que a partir daí se obteve, pelo grande ânimo que deu aos primeiros colonos, unindo-se-lhe com vivacidade.
Não tardou que outros se viessem juntar, provenientes, especialmente da ilha da Madeira (220 a bordo do vapôr Índia, chefiados por D. José Augusto da Câmara Leme), já que desta mesma origem era avultado o número dos que se achavam nas terras do planalto do Lubango, dada a conhecida fertilidade do seu solo a par do seu óptimo clima, em nada diferente ao da sua ilha.
Mais tarde sucederam-se-lhes outros vindos da Metrópole. O fluxo mais importante , sob o ponto de vista piscícola, foi o dos povos do Algarve, por lhes ter chegado ao conhecimento, quanto de rico em peixe era o seu mar e até, quanto mesmo era de bonançoso e nada de temer. Sabiam-se conhecedores das artes de pescar e das que pensavam em vir a instalar ali. Levaram consigo os aviamentos de pescar com linhas de certa robustês, anzóis de vários tipos para a pesca de pequenos e grandes peixes, não só da superfície como do fundo, chumbadas, roletes de cortiça, cabos de variadíssimas espessuras e até modelos de covos para aprisionar polvos, chocos, caranguejos do fundo (tipo santola), lagosta, etc. etc.
Mas o tempo impiedoso corria célere. A pesca restringida a uma simples rede que não ia além de cem braças de comprimento e alada de terra a pulso estava só a dar o bastante para o consumo do povo do colonato. Havia que aumentar a quantidade de pescado para que também viesse a dar para abastecer o interior e até os povos dissiminados pela vizinha província da Huíla.
A ânsia de progredir estava no ânimo de todos. Os pequenos barcos que ali existiam não satisfaziam. Havia que aliciar construtores navais que para ali viessem instalar os seus estaleiros, de maneira que ali construissem barcos idênticos aos que no Algarve eram utilizados na várias redes e pescar.
A convicção do entusiasmo convence outros conterrâneos. Prestaram-lhes as informações precisas das madeiras necessárias para as estruturas a construir (esqueletos, braços, quilhas, etc.) que ali teriam em abundância e que a mulemba (Ficus psilopoga) lhes poderia fornecer a contento. Somente teriam de trazer tábuas de pinho, das medidas que achassem indicadas, para barcos de 10 a 15 toneladas. Como complemento teriam de trazer estopa, breu, cavilhame, sebo, tintas e em suma, tudo quanto achassem de trazer, sem esquecer lonas para as velas, fios de cozer, agulhas para palomar, cabos para guarnecer as mesmas e para as adriças, ostagas, amuras, cabeleiras para as prôas, etc. etc.
E foi ssim que, cheios de entusiasmo, esperança e fé, se trasferiram, do Algarve para Mossãmedes, os conterrâneos construtores navais, por sinal de grande prestígio. De distinguir o primeiro - Manuel Simão Gomes - a quem os petizes chamavam de avô Leandro e que instalou um estaleiro junto da praia, perto de uma escola primária, pertencente D. Maria Peiroteu, dentro da baía, a uns escassos passos da Fortaleza S. Fernando. O segundo, José de Sousa - conhecido por José de Deus - (como atrás referido) - acompanhado pelo calafate João de Pêra, estabeleceu-se numa das praias junto do morro da Torre do Tombo.
Em 1856, com a existência de 36 casas de pedra e 8 de adobe, que albergavam parte da população, nasce o Município de Mossãmedes.
Terá de reconhecer-se que foi às primeiras colónias de emigrantes de Pernambuco que se ficou a dever o verdadeiro incremento do local conhecido por Mossãmedes. A glória de não só haverem erguido um Distrito que se notabilizou, como também pel facto de terem iniciado, a preceito, a agricultura da região: horticultura, fruticultura, cultura de algodão, cana sacarina para produção de açucar e à industrialização de pescado. também é de reconhecer que foi aqui que nasceu a primeira tecelagem da Província, embora só com um fuso, para o fabrico de tecido grosseiro dada a qualidade das fibras ao seu alcance.
Segundo Duarte Pacheco. à medida que se progredia para sul da costa africana, esta ia-se tornando cada ve mais escassa em arvoredo e em moradores. Nas alturas de entre Porto Alexandre e a Baía dos Tigres a «terra eh baixa & maa de conheser» e mais adiante a navegação costeira torna-se difícil. Nestas paragens pacheco refere a existência de «gente pobre que se nom mantem nrm uiuem senom pescaria» e que esses negros faziam «cazas com costas de baleas cobertas com seba do mar» lançando-les por cima areia «& aly passam sua triste uida».
In: Memórias de Angra do Negro - Moçâmedes- Namibe (Angola) desde a sua ocupação efectiva de António A. M. Cristão
PERNAMBUCO E ANGOLA
...«A história da emigração para Angola de grande número de portugueses residentes em Pernambuco, em 1849 e 1850, ainda não está conhecida com pormenores, embora existam alguns trabalhos a respeito. O episódio está ligado à campanha anti-lusitana que precedeu a Rebelião Praieira.
A campanha não limitou-se, como é sabido, a violentos artigos de jornal, mas foi até à agressão física e ao assassínio de portugueses. Em 13 de julho de 1848, um dos portugueses fixados em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, dirigiu um memorial ao governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas aqui e informando que muitos deles estavaminteressados em transferir-se para outro sítio, onde fundassem uma colônia.
Era então ministro do Ultramar o historiador Simão José da Luz Soriano que se interessou em atender o pedido, indicando a região de Moçâmedes, no Sul de Angola, como local para se fixarem. De Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de guerra, Douro e Vila Flor, e instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos emigrantes naquele lugar.
O Diario de Pernambuco de 31 de janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial (criada no Recife em 26.XII.1848 e composta de B. F. F. de Abreu e Castro, Ângelo Francisco Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário), comunicava que o governo concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferirpara a África : passagem e sustento à custa do Estado, inclusive às famílias; transporte para móveis e objetos pessoais; "instrumentos artísticos ou agrícolas e de quaisquer sementes"; terrenos na colônia a ser fundada e ummensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Pouco depois foi nomeado (19.1V.I849) em Portugal o Capitão de fragata Antônio Sérgio de Sousa (depois Visconde de Sérgio de Sousa, avô do ilustre escritor Antônio Sérgio), governador da Colônia a ser estabelecida em Moçâmedes.
Aqueles dois brigues portugueses prestaram inúmeros serviços durante o ataque ao Recife pelas forças do Praieiro (2.II.1849), recolhendo a bordo, os seus oficiais, sem distinção de nacionalidade, muitas pessoas que e tão surpreendidas de susto e de terror buscavam auxiliar-se ali, ou na sua aflição iam, inda que a seu pesar, precipitar-se nas ondas que banham as praias e cais desta cidade", diz um agradecimento de J. A. S., no Diario de 10.II, seguido de vários outros, no mesmo jornal de 15 e 16.II.1849.
Do brigue "Douro", conserva-se o "livro de quarto" referente a 1848-49, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo de navios, códice 1.192, que não me consta tenha sido aproveitado, como aliás muitos outros documentos a respeito, existentes naquele Arquivo. O ataque ao Recife apressou a partida dos emigrantes. No Diario de Pernambuco de 27.II.1849 começaram a aparecer notícias de pessoas que partiam (exigência da Polícia para permissão de embarque). No Diario de 27 são 7 os nomes; no de 19.III são 10; no de 2.IV são 22; no de 12.IV são 23 e no de 4 são 16. No dia 15 de maio apareceu o de Abreu e Castro: "Retira-se para Moçâmedes o cidadão português Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, levando em sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça pode ser apresentada no seu escritório da rua da Cadeia Velha n. 3... e aqueles que lhe devem contas, mesmo ainda do tempo que dirigiu o colégio Santo Antônio, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se". BIBLIOTECA VIRTUAL José Antônio Gonsalves de Mello · http://www.fgf.org.br/bvjagm Proibida a reprodução sem prévia autorização.
Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956
....................................
O FUNDADOR DE MOÇÂMEDESA 23 de Maio de 1849, finalmente a concretização do projecto. Partia de Pernambuco, a barca "Tentativa Feliz" e o brigue da marinha portuguesa "Douro" com 166 portugueses a bordo, rumo ao estabelecimento de Moçâmedes, na Província de Angola, então província do reino de Portugal. Na viagem, sucumbiram, com bexigas, 3 adultos e 5 crianças.
Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Entram na baía de Moçâmedes e avistam um vasto areal servido por um rio seco, o rio Bero, que mais tarde Bernardino chamou de Nilo de Moçâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. Era ali que os novos colonos íam reconstruir as suas vidas em tranquilidade, em paz e em território pátrio. Era o dia 4 DE AGOSTO DE 1849, que ficou na História como o dia da FUNDAÇÃO DE MOÇÂMEDES.
Houve recepção de boas vindas, discurso oficial pelo governador do distrito na presença das autoridades tradicionais: sobas Mossungo e Giraúl. Ficaram alojados em barracões construídos de pau a pique, cobertos de palha e amarrados com mateba ou cordas de cascas de árvores. No dia seguinte foram conduzidos às áreas agrícolas onde foram distribuídas as terras. Bernardino seguiu para Luanda no dia 16 de Agosto afim de apresentar cumprimentos ao governador geral.
No dia 21 de Outubro foi a instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar: às 7 da manhã içou-se, no local, a bandeira portuguesa, na presença do governador do distrito, com uma salva de 21 tiros. A maior parte dos colonos ali compareceu e houve arraial com largada de foguetes. Almoçaram e jantaram em barracas improvisadas.
Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Faz viagens de estudo, contacta sobas, colabora com as autoridades, sobe a Chela, entra na Huíla, visita a lagoa dos cavalos marinhos, que fica a 4 léguas ao norte de Lopolo, onde os rios gelam em Maio e Junho. Já lá existem alguns colonos. Outros irão fixar-se noutras áreas do planalto da Huíla em consequência do estudo feito. Uma vida de líder, de rija têmpera, apostado em tudo fazer pela "sua" colónia.
Mas a natureza não se compadeceu dos recém-chegados. Uma estiagem de 3 anos secou as terras, perdendo-se todas as sementeiras. A 1ª. colónia luta com falta de tudo, desde alimentos a vestuário. A situação é desesperada. Alguns opinam mudar a colónia e comentam: "Antes fôssemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas cheias de carne e comíamos pão com fartura, do que padecer com fome neste deserto." Bernardino mantém-se firme e lança a máxima: "Vence quem perseverar até ao fim".O governador do distrito oficia a desesperada situação dos colonos. Há um intenso movimento de solidariedade em Luanda e em Benguela, promovido pelas respectivas câmaras municipais. Os víveres, vestuário, dinheiro e outras ofertas chegam finalmente a Moçâmedes e tudo se vai normalizando.
Entretanto, em Pernambuco, os portugueses organizam, a expensas suas, uma segunda leva de colonos (125) para se dedicarem á agricultura em Moçâmedes, chefiada por José Joaquim da Costa. Viajam na barca Bracarense e no brigue Douro, da marinha portuguesa. Chegam a Moçâmedes no dia 26 de Novembro de 1850. Dedicam-se também à pesca. Lançam mão a pessoal conhecedor da técnica de escalagem e secagem do peixe que trabalhou na feitoria montada no estabelecimento pelo olhanense Cardoso Guimarães, 7 anos antes.
Bernardino reconhece que os colonos conseguiram vencer as adversidades e o deserto. São o maior exemplo de perseverança em toda a Província.Moçâmedes engradece-se ràpidamente e é elevada a vila por decreto de 26 de Março de 1855. Em 1857 já existem 16 pescarias onde trabalham 280 escravos. Ao festejarem o décimo aniversário da chegada da colónia, no dia 4 de Agosto de 1859, verificaram a existência de 83 propriedades agrícolas nas margens do rio Bero, 3 no Giraúl, 2 no Bumbo, 3 em S. Nicolau, 1 no Carujamba, 3 no Coroca, 7 na Huíla.
Tinha-se materializado o sonho do Barão de Moçâmedes, Luz Soriano e Sá da Bandeira, de fixar populações nas regiões a sul de Benguela. Foi graças à liderança forte de Bernardino que esse desiderato foi possível. Mas havia uma outra luta que todos eles estavam empenhados: a abolição da escravatura.Bernardino não permite na sua fazenda mão de obra escrava. Bate-se pela abolição da escravatura. Escreve em 1857: "os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros e por isso não me fogem e vivem satisfeitos. Não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. Todos são agricultores com iguais direitos e obrigações". Em 1858 Portugal decretou que, passados 20 anos não poderia haver escravos; mas, 11 anos depois, em 1869, aboliu o estado de escravidão.
Sabe-se que Bernardino foi generoso para com os companheiros mais desafortunados. A sua casa fora uma espécie de hospedaria ao visitante. Bernardino faleceu pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871. Tinha 62 anos de idade. Faleceu quando regressava de Luanda, onde tinha ído em serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla. Não se sabe o local, no cemitério, onde foi sepultado. Memoriais: sòmente o grande quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal e um busto muito simples no jardim, plantado cerca de 90 anos depois da sua morte. As autoridades portuguesas não prestaram a homenagem devida. Os sobas Mossungo, Giraúl, Moeni-Quipola e muitos outros deviam ter dado voltas nas sepulturas pela falta de reconhecimento das autoridades locais ao amigo que pugnou pela justiça e igualdade entre os povos e não admitia escravos na sua fazenda, porém quase ostracizado pelas autoridades da terra. O povo é que nunca o esqueceu e demonstrava-o nas competições interselecções quando a claque o invocava em uníssono BER...NAR...DI...NO, BER...NAR...DI...NO, para que a sua alma ajudasse a alcançar a vitória.
A história da vida de Bernardino irá perder-se como papéis imprestáveis nas prateleiras de algum arquivo. A guerra civil de Angola após 1974, entre os movimentos de libertação, criou uma nova diáspora em Portugal: a dos filhos de Moçâmedes. Nunca mais será invocado o seu nome na cidade que fundou. A população que o invocava e o respeitava já lá não se encontra a viver. Criou raízes em Portugal e só a visita para matar saudades da infância ou rever todo um passado deixado para trás. Acreditemos que em algum ponto do universo, exista plasmado, um registo eterno de vidas justas e verdadeiras de heróis humanistas, como foi a vida de Bernardino, para que a ciência um dia a possa trazer de volta e ajudar na concepção de um Homem novo que esta Terra tanto necessita.
Um dia visitou Moçâmedes um amigo da família de Bernardino. Esteve na Fazenda dos Cavaleiros. Um negro idoso apontou a ruína duma casa onde muitos anos antes teria vivido um branco. Não se lembrava do nome. Num alto, a ruína domina toda a extensão da terra, numa vigília constante de mais de uma centena de anos. É também o Sítio da Bandeira onde os colonos íam beber a Pátria Portuguesa, naquela terra adoptiva de Angola e onde foi sonhada uma cidade: a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe da República de Angola.
Moçâmedes foi elevada a cidade em 1907, 36 anos após a morte de Bernardino.
Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Entram na baía de Moçâmedes e avistam um vasto areal servido por um rio seco, o rio Bero, que mais tarde Bernardino chamou de Nilo de Moçâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. Era ali que os novos colonos íam reconstruir as suas vidas em tranquilidade, em paz e em território pátrio. Era o dia 4 DE AGOSTO DE 1849, que ficou na História como o dia da FUNDAÇÃO DE MOÇÂMEDES.
Houve recepção de boas vindas, discurso oficial pelo governador do distrito na presença das autoridades tradicionais: sobas Mossungo e Giraúl. Ficaram alojados em barracões construídos de pau a pique, cobertos de palha e amarrados com mateba ou cordas de cascas de árvores. No dia seguinte foram conduzidos às áreas agrícolas onde foram distribuídas as terras. Bernardino seguiu para Luanda no dia 16 de Agosto afim de apresentar cumprimentos ao governador geral.
No dia 21 de Outubro foi a instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar: às 7 da manhã içou-se, no local, a bandeira portuguesa, na presença do governador do distrito, com uma salva de 21 tiros. A maior parte dos colonos ali compareceu e houve arraial com largada de foguetes. Almoçaram e jantaram em barracas improvisadas.
Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Faz viagens de estudo, contacta sobas, colabora com as autoridades, sobe a Chela, entra na Huíla, visita a lagoa dos cavalos marinhos, que fica a 4 léguas ao norte de Lopolo, onde os rios gelam em Maio e Junho. Já lá existem alguns colonos. Outros irão fixar-se noutras áreas do planalto da Huíla em consequência do estudo feito. Uma vida de líder, de rija têmpera, apostado em tudo fazer pela "sua" colónia.
Mas a natureza não se compadeceu dos recém-chegados. Uma estiagem de 3 anos secou as terras, perdendo-se todas as sementeiras. A 1ª. colónia luta com falta de tudo, desde alimentos a vestuário. A situação é desesperada. Alguns opinam mudar a colónia e comentam: "Antes fôssemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas cheias de carne e comíamos pão com fartura, do que padecer com fome neste deserto." Bernardino mantém-se firme e lança a máxima: "Vence quem perseverar até ao fim".O governador do distrito oficia a desesperada situação dos colonos. Há um intenso movimento de solidariedade em Luanda e em Benguela, promovido pelas respectivas câmaras municipais. Os víveres, vestuário, dinheiro e outras ofertas chegam finalmente a Moçâmedes e tudo se vai normalizando.
Entretanto, em Pernambuco, os portugueses organizam, a expensas suas, uma segunda leva de colonos (125) para se dedicarem á agricultura em Moçâmedes, chefiada por José Joaquim da Costa. Viajam na barca Bracarense e no brigue Douro, da marinha portuguesa. Chegam a Moçâmedes no dia 26 de Novembro de 1850. Dedicam-se também à pesca. Lançam mão a pessoal conhecedor da técnica de escalagem e secagem do peixe que trabalhou na feitoria montada no estabelecimento pelo olhanense Cardoso Guimarães, 7 anos antes.
Bernardino reconhece que os colonos conseguiram vencer as adversidades e o deserto. São o maior exemplo de perseverança em toda a Província.Moçâmedes engradece-se ràpidamente e é elevada a vila por decreto de 26 de Março de 1855. Em 1857 já existem 16 pescarias onde trabalham 280 escravos. Ao festejarem o décimo aniversário da chegada da colónia, no dia 4 de Agosto de 1859, verificaram a existência de 83 propriedades agrícolas nas margens do rio Bero, 3 no Giraúl, 2 no Bumbo, 3 em S. Nicolau, 1 no Carujamba, 3 no Coroca, 7 na Huíla.
Tinha-se materializado o sonho do Barão de Moçâmedes, Luz Soriano e Sá da Bandeira, de fixar populações nas regiões a sul de Benguela. Foi graças à liderança forte de Bernardino que esse desiderato foi possível. Mas havia uma outra luta que todos eles estavam empenhados: a abolição da escravatura.Bernardino não permite na sua fazenda mão de obra escrava. Bate-se pela abolição da escravatura. Escreve em 1857: "os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros e por isso não me fogem e vivem satisfeitos. Não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. Todos são agricultores com iguais direitos e obrigações". Em 1858 Portugal decretou que, passados 20 anos não poderia haver escravos; mas, 11 anos depois, em 1869, aboliu o estado de escravidão.
Sabe-se que Bernardino foi generoso para com os companheiros mais desafortunados. A sua casa fora uma espécie de hospedaria ao visitante. Bernardino faleceu pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871. Tinha 62 anos de idade. Faleceu quando regressava de Luanda, onde tinha ído em serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla. Não se sabe o local, no cemitério, onde foi sepultado. Memoriais: sòmente o grande quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal e um busto muito simples no jardim, plantado cerca de 90 anos depois da sua morte. As autoridades portuguesas não prestaram a homenagem devida. Os sobas Mossungo, Giraúl, Moeni-Quipola e muitos outros deviam ter dado voltas nas sepulturas pela falta de reconhecimento das autoridades locais ao amigo que pugnou pela justiça e igualdade entre os povos e não admitia escravos na sua fazenda, porém quase ostracizado pelas autoridades da terra. O povo é que nunca o esqueceu e demonstrava-o nas competições interselecções quando a claque o invocava em uníssono BER...NAR...DI...NO, BER...NAR...DI...NO, para que a sua alma ajudasse a alcançar a vitória.
A história da vida de Bernardino irá perder-se como papéis imprestáveis nas prateleiras de algum arquivo. A guerra civil de Angola após 1974, entre os movimentos de libertação, criou uma nova diáspora em Portugal: a dos filhos de Moçâmedes. Nunca mais será invocado o seu nome na cidade que fundou. A população que o invocava e o respeitava já lá não se encontra a viver. Criou raízes em Portugal e só a visita para matar saudades da infância ou rever todo um passado deixado para trás. Acreditemos que em algum ponto do universo, exista plasmado, um registo eterno de vidas justas e verdadeiras de heróis humanistas, como foi a vida de Bernardino, para que a ciência um dia a possa trazer de volta e ajudar na concepção de um Homem novo que esta Terra tanto necessita.
Um dia visitou Moçâmedes um amigo da família de Bernardino. Esteve na Fazenda dos Cavaleiros. Um negro idoso apontou a ruína duma casa onde muitos anos antes teria vivido um branco. Não se lembrava do nome. Num alto, a ruína domina toda a extensão da terra, numa vigília constante de mais de uma centena de anos. É também o Sítio da Bandeira onde os colonos íam beber a Pátria Portuguesa, naquela terra adoptiva de Angola e onde foi sonhada uma cidade: a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe da República de Angola.
Moçâmedes foi elevada a cidade em 1907, 36 anos após a morte de Bernardino.
SOBRE AS FOTOS DESTA POSTAGEM
As três primeiras fotos mostram-nos o busto de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o fundador da cidade de Moçâmedes, numa altura em que a Avenida da Praia do Bonfim, ainda não possuia palmeiras, ou seja, nos finais da década de 50, início de 60. As três fotos seguintes mostram-nos o local onde o referido busto foi colocado, o local mais nobre da cidade, ou seja, a Avenida da Praia do Bonfim, que aqui nos surge em todo o seu explendor diurno e nocturno.
Sempre me fez confusão sobre qual o critério que teria levado as autoridades competentes darem o nome de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, a um rua de somenos importância, perpendicular ao mar, que ligava a Avenida da Praia do Bonfim à Rua da Fabrica.
Quanto ao busto, como se pode ver pela 3ª, 5ª, e 6ª fotos, este foi arrancado da coluna que o suportava após a independência de Angola, restando apenas a coluna que o suportava. Hoje, o busto do fundador de Moçâmedes, bem como o quadro a óleo, repousam com outros espólios do tempo da colonização portuguesa, no interior de uma sala-museu, no edifício que foi da familia Torres (onde durante muito tempo esteve o Hotel Central da familia Gouveia), sito na Rua dos Pescadores, por detrás da Alfândega. Apraz registar aqui que ainda hoje as autoridades mantém o 4 de Agosto como o dia da fundação de Moçâmedes e continuam com a tradição das Festas do Mar.
Encontrei na Net esta passagem significativa das comemorações na cidade do Namibe do dia da fundação da cidade de Mossãmedes: 4 de Agosto:
«De Luanda partiu um voo com mais de 80 pessoas, que se integraram nas actividades locais de forma «alegremente contagiosa». Valeu a excursão, liderada por elementos que organizaram os festejos em 2005. Mas valeu mesmo foi a camaradagem entre todos os naturais e amigos do Namibe, residentes e não residentes, membros do Governo e cidadãos comuns que às actividades se decidiram juntar. Curiosidade foi um grupo de (novos) amigos que, ao saberem da excursão decidiram juntar-se a nós sem qualquer vínculo com a terra. Tanto quanto sabemos, foi uma ótima experincia tanto para eles como para nós, que esperamos sirva de exemplo para que Angola se (re)comece a descobrir.
No dia 3 houve debate acerca dos dias de ontem, hoje e amanhã, muito participativo e cheio de ideias apresentadas pelos jovens residentes no Namibe. Houve também missa, exposições e desfile de embarcações pesqueiras. Depois vale falar da festa de 4 para 5 no salão do Sporting, da Tertúlia na sede da Cultura e do Moio na Estufa Municipal. Nestes últimos participaram artistas naturais e amigos, tendo-se destacado de entre outros a Banda Odisseia, Akapanan, Bigu, Kangato... Ouviram-se poemas de Neco Manjericão entre outros, .... Namibe, Namibe, Namibe... cantaram muitos naturais e amigos, ...da minha saudade, cidade de Angola, Angola Nação (Raul Pequenino, para quem é desse tempo).
Quanto ao grupo de excursionistas, teve também a oportunidade de visitar a "Lagoa do Arco", e de entregar algumas ofertas recolhidas ao longo do ano. Para os detalhes da excursão, fica aqui um apelo aos mais "participativos" para que enriqueçam estas linhas. Contamos também com a publicação das fotos.
Um Kandando,
Maísa Tavares»
in NAMIBEONLINE
Ver também o site Mossãmedes do Antigamente
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
sexta-feira, agosto 29, 2008
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
07 novembro 2007
Jovens moçamedenses à época frequentadoras do Curso da Cristandade: Finais da década de 60
Esta foto, tirada nos finais da década de 60, representa um grupo de jovens de Moçâmedes, à época frequentadoras de um Curso da Cristandade.
------------------
Sobre os Cursos de Cristandade, sabe-se que estes surgiram com certa força numa época em que o mundo ocidental estava sendo atravessado por uma onda de contestação, em que todos os aspectos da vida são questionados: o poder da família, a autoridade do Estado, a emancipação dos povos, os direitos humanos, os valores tradicionais da burguesia, o ensino enciclopédico e elitista, as relações interpessoais etc, contestação que teve o seu auge em Maio de 1968, em França. Viva-se num mundo dividido pela guerra fria, a crise de valores e a ameaça atômica, e nos EUA o movimento hippie emergia como uma corrente anarquizante, mesclada com laivos de pacifismo romântico: «Make love, not war», que traduzia, simultaneamente, uma atitude anti-belicista e de adesão à revolução sexual.
Na Metrópole, as ideias emancipalistas de libertação dos povos, os direitos humanos, influenciaram muitos jovens urbanos que, engajados politicamente participaram em lutas estudantis e laborais, procurando acompanhar os ventos da contestação a um sistema que consideravam caduco e que teimava em persistir preconizando a revolução social, as liberdades democráticas e a queda do regime.
Mas outros jovens trilhavam diferentes caminhos. Enquanto isto, Igreja Católica animava movimentos de jovens e grupos de reflexão cristã num movimento nascido sob a influência da renovação que o Concílio Vaticano II tinha trazido, estendeu-se também às então províncias ultramarinas.
A Encíclica Pacem in Terris, proclamada por João XXIII em Abril de 1963, os debates e resoluções do concílio Vaticano II concluído em finais de 1965, e o movimento de revisão e abertura litúrgica, teológica e ecumênica protagonizada por Paulo VI visavam aproximar a Igreja da sociedade e do mundo moderno. As pessoas organizavam-se em movimentos cívicos que promoviam encontros, reuniões, acções de entreajuda e muitas outras formas de expressão cultural que iam proporcionando um certo enriquecimento pessoal e colectivo. No mundo católico, alguns sectores questionavam as desigualdades sociais e os desequilíbrios mundiais, e apelavam para os direitos humanos, para a democracia, para o fim da miséria, da injustiça social, da tolerância religiosa, ao interesse pelo Terceiro Mundo, à mobilização contra a guerra, etc.
Grupos de jovens católicos praticantes nas suas localidades promoviam a reflexão, o debate para além de acções concretas tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa, mais humana, mais solidária com jovens mais conscientes dos seus problemas e valores, do seu meio e da sociedade em geral.
Os anos 60, foram o apogeu da Acção Católica, do aparecimento do Movimentos para um Mundo Melhor e dos Cursos de Cristandade, entre outros. É desta altura o Movimento Salon movimento começado em Angola os anos 60 com o padre Luís Carlos nos tempos da guerra colonial, numa altura em que de repente algo no seio da Igreja Católica se abriam horizontes de esperança a esses jovens que sentiram então o apoio da Igreja para revolucionarem e rejuvenescerem a forma de SER Igreja e de fazer Jesus Cristo vivo! Com a independencia de Angola, estes jovens partiram e plantaram as semente do movimento em Portugal e no Brasil!
------------------
Sobre os Cursos de Cristandade, sabe-se que estes surgiram com certa força numa época em que o mundo ocidental estava sendo atravessado por uma onda de contestação, em que todos os aspectos da vida são questionados: o poder da família, a autoridade do Estado, a emancipação dos povos, os direitos humanos, os valores tradicionais da burguesia, o ensino enciclopédico e elitista, as relações interpessoais etc, contestação que teve o seu auge em Maio de 1968, em França. Viva-se num mundo dividido pela guerra fria, a crise de valores e a ameaça atômica, e nos EUA o movimento hippie emergia como uma corrente anarquizante, mesclada com laivos de pacifismo romântico: «Make love, not war», que traduzia, simultaneamente, uma atitude anti-belicista e de adesão à revolução sexual.
Na Metrópole, as ideias emancipalistas de libertação dos povos, os direitos humanos, influenciaram muitos jovens urbanos que, engajados politicamente participaram em lutas estudantis e laborais, procurando acompanhar os ventos da contestação a um sistema que consideravam caduco e que teimava em persistir preconizando a revolução social, as liberdades democráticas e a queda do regime.
Mas outros jovens trilhavam diferentes caminhos. Enquanto isto, Igreja Católica animava movimentos de jovens e grupos de reflexão cristã num movimento nascido sob a influência da renovação que o Concílio Vaticano II tinha trazido, estendeu-se também às então províncias ultramarinas.
A Encíclica Pacem in Terris, proclamada por João XXIII em Abril de 1963, os debates e resoluções do concílio Vaticano II concluído em finais de 1965, e o movimento de revisão e abertura litúrgica, teológica e ecumênica protagonizada por Paulo VI visavam aproximar a Igreja da sociedade e do mundo moderno. As pessoas organizavam-se em movimentos cívicos que promoviam encontros, reuniões, acções de entreajuda e muitas outras formas de expressão cultural que iam proporcionando um certo enriquecimento pessoal e colectivo. No mundo católico, alguns sectores questionavam as desigualdades sociais e os desequilíbrios mundiais, e apelavam para os direitos humanos, para a democracia, para o fim da miséria, da injustiça social, da tolerância religiosa, ao interesse pelo Terceiro Mundo, à mobilização contra a guerra, etc.
Grupos de jovens católicos praticantes nas suas localidades promoviam a reflexão, o debate para além de acções concretas tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa, mais humana, mais solidária com jovens mais conscientes dos seus problemas e valores, do seu meio e da sociedade em geral.
Os anos 60, foram o apogeu da Acção Católica, do aparecimento do Movimentos para um Mundo Melhor e dos Cursos de Cristandade, entre outros. É desta altura o Movimento Salon movimento começado em Angola os anos 60 com o padre Luís Carlos nos tempos da guerra colonial, numa altura em que de repente algo no seio da Igreja Católica se abriam horizontes de esperança a esses jovens que sentiram então o apoio da Igreja para revolucionarem e rejuvenescerem a forma de SER Igreja e de fazer Jesus Cristo vivo! Com a independencia de Angola, estes jovens partiram e plantaram as semente do movimento em Portugal e no Brasil!
Sobre a acção católica num mundo em mudança:http://www.entreostextosdamemoria.blogspot.com/
Address 7
Publicada por
MariaNJardim
à(s)
quarta-feira, novembro 07, 2007
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Movimentos religiosos em Moçâmedes,
Namibe; Angola;



