06 fevereiro 2007

Conjunto musical do Programa «Variedades» do Rádio Clube de Moçâmedes nos anos 50..

 

Foto Salvador


Moçâmedes em matéria de divertimentos e distrações, desde os tempos mais recuados não deixava nada por mãos alheias. Este conjunto musical participava na altura no programa «Variedades» do Rádio Clube da cidade. Estava-se por volta de 1954, nessa famosa década que mobilizou toda uma população desde os mais jovens até aos de meia idade, em que foi lançada a ideia da organização de um conjunto ou "orquestra do Rádio Clube de Moçâmedes", tendo à cabeça o venerando fotógrafo e musico amador, José Antunes Salvador, saxofonista e chefe da orquestra, para além dos pianistas Afra Leitão, Arminda Alves de Oliveira, Rosa Bento e Martins da Alfândega, dos violinistas Santos Cezar e Fernando Osório (do Banco de Angola), do acordeonista, Raul Gomes Filho (que também tocava guitarra e viola), e dos bateristas Firmo Bonvalot e Albertino Gomes, naõ esquecendo o trompetista, Anselmo de Sousa que há época trabalhava no Abilio Simões.

Segundo Orlando Salvador, filho de Antunes Salvador, ...as musicas, em pauta, eram conseguidas junto das orquestras de bordo dos paquetes que 2 vezes por mês aportavam à  baia de Moçâmedes. O Pai fazia amizades com os musicos de bordo e estes cediam, por gentileza, as músicas e canções em voga na Metrópole, que seriam cantadas aos microfones do Rádio Clube, depois de orquestradas pelo mestre Salvador. Os jovens e moças do Namibe, respondendo ao apelo, apresentavam-se para ver se tinham jeito, ( os castings de hoje...) .  Recordando algumas das vozes que davam brilho aos programas de "Variedades"., eram elas, Isabel Maria Sena Costa, Noelma de Sousa (Velim), Maria Emilia Ramos (que se destacou no dia em que cantou La vien Rose), Octávia de Matos com as suas marchinhas brasileiras (a Carmen Miranda do Namibe). De destacar a grande fadista do Namibe, Julia Gomes, filha do Raul Gomes, o guitarrista oficial da cidade que nos surprendia em todas as actuações acompanhadas à viola pelo seu irmão "Baía" e pelo seu pai, à guitarra. No rol dos cançonetistas do RCM que dia a dia aumentava, recorde-se, ainda, as bonitas vozes de Rosa Bento, Nélinha Costa Santos, Lili Trabulo com o seu cantar lânguido, Néne Evangelista "Boneca" que casou com o Turra, o romântico José Luis da Ressureição que nos deliciava com o reportório do saudoso Francisco José. Sobre o Zé Luis, está ainda na minha memória o lindo e sentido fado, com musica e letra do juiz da Comarca Dr. Marques Mano, intitulado NAMIBE. O José Luis entregava-se de alma e coração cantando este fado com o estilo "Coimbrão" . Também cantava fados de Coimbra, o amigo Estevão que trabalhava na Robert Hudson.  Não quero esquecer Adriano Parreira, o Mário Lanza do Namibe, sempre presente nestes programas de variedades. Que me perdoem outros Amigos e Amigas que também enriqueciam este programa, a quem, por lapso momentâneo de memória, não faço agora referência».
Recordando a figura de Antunes Salvador, numa revista teatral que foi levada à cena em Moçâmedes, brincando com os seus dotes musicais, cantavam :

Tocam hinos, tocam óperas
tocam marchinhas e valsas
e o Salvador tanto assopra
que arrebenta o cós das calças ...


Fica mais esta foto  e estas recordações de doces momentos momentos passados num outro tempo naquela que sendo então Moçâmedes, é hoje a cidade do Namibe.

MariaNJardim

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